O Tribunal de Braga vai começar a julgar, por homicídio qualificado na forma tentada, um homem que, em setembro de 2025, durante a Noite Branca de Braga apunhalou outro, várias vezes, com uma navalha, só por este ser do sul do país, nomeadamente da zona de Lisboa.
O Ministério Público (MP) de Braga diz, na acusação, que o arguido, de 34 anos e que está em prisão preventiva, “agiu movido por um atrito com um mero desconhecido, unicamente por este ser da região sul do país, com o propósito de lhe tirar a vida“.
O magistrado sublinha que, no decurso da investigação, apurou que o arguido vinha divulgando nas redes sociais vídeos de teor difamatório e ameaçador contra pessoas naturais da região de Lisboa, “o que é suscetível de consubstanciar, em abstrato, crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência”.
Por isso, mandou extrair certidão e remetê-la ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Braga, para instauração de novo inquérito, que decorre separado do processo de homicídio.
Insultos e agressões
Segundo a acusação, a tentativa de homicídio decorreu na madrugada de 07 de setembro de 2025, no centro da cidade de Braga, onde decorria o evento Noite Branca.
No final de um concerto, arguido e vítima encontraram-se nas galerias do centro comercial de Santa Bárbara, onde o arguido, natural de Braga, teve conhecimento de que a vítima era de Almada e começou a dirigir-lhe insultos.
Os dois envolveram-se em agressões, com empurrões e socos, e foram separados por terceiros.
O arguido retirou-se, então, daquele local mas, menos de 10 minutos depois, regressou “em estado de fúria”, munido de uma navalha, com a qual desferiu, pelo menos, sete golpes no tronco e braços da vítima.
O ofendido teve necessidade de fazer uma cirurgia, tendo permanecido internado até 17 de setembro.
Para o MP, o arguido quis matar a vítima, “o que apenas não conseguiu graças à pronta assistência médica que lhe foi prestada”.
No meio da contenda, o arguido ainda ameaçou um amigo da vítima, pelo que vai também responder por um crime de ameaça agravado.
Em 2026, a Noite Branca de Braga gerou um volume de negócios de 55,48 milhões de euros e um acréscimo económico estimado em 11,25 milhões de euros face aos períodos regulares do ano, com o consumo a prolongar-se para lá dos três dias principais, foi hoje anunciado.
O estudo de impacto económico, apresentado pela Associação Empresarial de Braga (AEB) baseia-se nos pagamentos eletrónicos processados pela rede SIBS entre 31 de agosto e 06 de setembro.
A avaliação foi feita hoje na AEB, na sessão de apresentação do estudo de impacto económico do evento, conduzida por Rui Marques, diretor-geral da AEB, e com intervenção de Daniel Vilaça, presidente da associação, que sublinhou a importância da Noite Branca para a cidade.
Maiores consumidores fora de Braga vêm de Guimarães, Famalicão e Barcelos
A AEB aponta que um dos dados de “maior relevância do estudo” está na origem do crescimento do consumo. 91,4% do aumento do valor transacionado teve origem em cartões emitidos fora de Braga, “evidenciando a capacidade da Noite Branca para atrair consumidores de outros territórios”.
A despesa associada a cartões de outros concelhos portugueses e do estrangeiro atingiu 25,42 milhões de euros, um crescimento de 21,3% face a 2025.
“Mais de 90% do crescimento do consumo na semana da Noite Branca veio de fora de Braga. Este resultado mostra que o evento é também um investimento na capacidade da cidade para atrair consumo e gerar rendimento para as suas empresas. O valor que os grandes eventos conseguem deixar na economia local deve ser um dos critérios para avaliar o seu retorno”, disse Daniel Vilaça, presidente da AEB.
Os cartões associados a Braga continuaram, ainda assim, a representar a maior parcela do consumo, com 54,2% do valor transacionado. Os restantes concelhos portugueses representaram 38,7% e os cartões emitidos no estrangeiro 7,1%. Face a 2025, estas duas últimas componentes registaram crescimentos de 22,8% e 13,8%, respetivamente.
Foto: CM Braga
Entre os concelhos portugueses externos a Braga, destacaram-se Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Barcelos, responsáveis, respetivamente, por 11,9%, 9% e 8,3% da despesa deste grupo. Seguiram-se Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Fafe e Esposende. Entre os concelhos apresentados, Fafe e Esposende registaram os maiores crescimentos, com aumentos de 74% e 34,2%.
No consumo com cartões estrangeiros, França liderou, representando 28,4%, seguida de Espanha (12,3%) e Estados Unidos (7,9%). Brasil, Luxemburgo, Alemanha e Reino Unido completaram as sete principais origens. Os Estados Unidos destacaram-se pelo crescimento de 57,5% e por um valor médio por operação de 54,49 euros.
“A leitura das origens do consumo ajuda-nos a compreender melhor a área de atração de Braga e a orientar a promoção do evento. A proximidade regional continua a ser uma força importante, mas os mercados internacionais acrescentam diversidade e oportunidades que devemos valorizar”, considerou Daniel Vilaça.
“Salto qualitativo” graças a programação diversificada
“Mais do que os números, que são evidentemente muito importantes, importa realçar o reforço da dimensão cultural da Noite Branca: os equipamentos culturais, os artistas locais e as estruturas da cidade a trabalharem em conjunto, como é o caso da AEB, um dos principais parceiros deste evento”, afirmou Nuno Gouveia, administrador executivo da Faz Cultura – Empresa Municipal de Cultura de Braga e representante do Município na organização
Foto: CM Braga
O responsável garantiu que a próxima edição vai continuar a crescer em qualidade e na ligação aos agentes culturais: “A Noite Branca só faz sentido se os bracarenses sentirem que esta é a sua festa e que estão envolvidos nela. Vamos aumentar ainda mais a presença dos artistas locais”.
Para Nuno Gouveia, este “salto qualitativo” resultou de uma programação mais diversificada e de uma maior ligação às entidades locais.
De acordo com a autarquia, a “programação diversificada trouxe novos públicos a Braga e propôs novas formas de conhecer a cidade”, com a participação de equipamentos como o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea, o gnration, o Theatro Circo, o Museu dos Biscainhos, o Museu D. Diogo de Sousa, o FORUM Braga ou o Palácio de Raio.
A reabertura do Museu da Imagem foi “um dos momentos altos, destacando-se também as novas ofertas nas áreas do cinema, do jazz, das performances ou ainda dos espetáculos de videomapping ou de drones”.
“Durante os três dias do evento, as ruas encheram-se de gente, e a intenção foi sempre manter essa dimensão popular e, ao mesmo tempo, dar-lhe mais profundidade cultural. Os números confirmaram ainda que a aposta na programação de domingo trouxe mais valias para o comércio do centro histórico”, conclui a Câmara.
A Noite Branca decorreu de 04 a 06 de setembro e incluiu concertos por Ana Moura, Tiago Bettencourt, GNR, Fernando Daniel, Anselmo Ralph e Bárbara Tinoco.