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El Tribunal Penal Internacional, premio Sájarov 2026 del Parlamento Europeo
El Parlamento Europeo ha concedido este año su premio Sájarov por la libertad de conciencia al Tribunal Penal Internacional (TPI) y sus miembros. Se trata de un gesto contundente de apoyo a los jueces de La Haya que están, de nuevo, en la mira del presidente de Estados Unidos, Donald Trump, que ordenó una nueva tanda de duras sanciones contra el organismo internacional después de que una de sus antiguas juezas, Navi Pillay, ganara a comienzos de mes el Nobel de la Paz que tanto ansía el presidente estadounidense,

© OLIVIER HOSLET (EFE)
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Irán se prepara para una nueva guerra y convierte Ormuz en su principal arma de presión

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Por que aéreas low cost decolaram na Europa e não nos EUA?
No topo de um dos sites europeus da Ryanair, lê-se “voe A PARTIR DE 24,99 euros”.
A companhia aérea irlandesa é uma das transportadoras de baixo custo mais lucrativas do mundo, com uma malha que cobre toda a Europa. O sucesso está no compromisso com seu modelo de negócios, que reduz os custos operacionais ao mínimo enquanto cobra dos passageiros por tudo.
Os viajantes pagam por bagagem, reserva de assento, check-in presencial ou pelo uso de cartão de crédito. A Ryanair chegou a cogitar cobrar pelo uso do banheiro ou eliminar os assentos para que os passageiros viajassem em pé, embora nenhuma das ideias tenha saído do papel.
O modelo de negócios das companhias de baixo custo domina os voos de curta distância na Europa, respondendo, segundo analistas, por mais de 40% dos assentos disponíveis. Muitos passageiros já se acostumaram a voar sem regalias, pagando por cada serviço adicional além do assento.
No ano passado, a Ryanair transportou mais de 200 milhões de passageiros. A companhia de baixo custo inglesa easyJet transportou quase 100 milhões de passageiros, a húngara Wizz Air quase 70 milhões e a espanhola Vueling carregou 38 milhões.
No entanto, esse mesmo modelo de negócios tem tido dificuldade em se consolidar nos Estados Unidos. A maior companhia aérea de baixo custo norte-americana, a Frontier, transportou apenas 33 milhões de passageiros no mesmo período.
Parte disso é cultural — os norte-americanos têm menor tolerância a serviços básicos e não gostam de pagar por extras nos voos. Mas há também razões geográficas, como distâncias mais curtas entre os voos; além de razões econômicas, como pressões inflacionárias e aumento das tarifas aéreas.
As companhias de baixo custo operam de forma diferente na Europa
A Ryanair tem um balanço financeiro sólido, registrando crescimento no número de passageiros a cada trimestre ao longo do último ano.
Mas esse sucesso levou “30 anos de tomada de decisões, em que o custo operacional é o principal fator”, segundo Mike Arnot, consultor do setor aéreo.
O modelo das companhias de baixo custo, disse ele, é construído em torno da eliminação do maior número possível de despesas na operação de uma companhia aérea, como operar com um único tipo de aeronave, minimizar os custos de manutenção ou usar escadas em vez de pontes de embarque para economizar nas taxas aeroportuárias.
Garth Lund, que atuou em cargos de liderança no grupo de companhias aéreas de baixo custo Wizz Air por quase oito anos, afirmou que as aéreas de baixo custo europeias são “inabaláveis em seu compromisso com os custos baixos”.
“Elas realmente se mantiveram fiéis ao modelo de negócios original e não se deixaram distrair, e como resultado, preservaram sua estrutura de custos melhor do que as aéreas americanas fizeram”, disse Lund.
Um exemplo, segundo ele, é que as companhias aéreas europeias elaboram os horários de voo de forma que as tripulações não precisem pernoitar em cidades fora de casa, economizando custos com hotéis.
Ele também aponta para as horas que as tripulações das companhias aéreas podem trabalhar. Na Europa, há menos sindicatos que limitam os turnos.
“Essa eficiência tem um grande efeito cascata na estrutura de custos”, disse Lund.
Os aeroportos europeus são diferentes
Alguns aeroportos na Europa foram projetados para manter as companhias aéreas de baixo custo operando com rapidez e a preços acessíveis.
“Na Europa, os aeroportos hoje em dia são realmente projetados para as companhias aéreas de baixo custo”, disse Lund.
Compare, por exemplo, os tempos de rotatividade, ou seja, quanto tempo leva para desembarcar os passageiros, realizar a manutenção de uma aeronave e carregá-la para a próxima partida. Quanto mais tempo leva, menos voos uma aeronave consegue realizar em um dia e menos dinheiro a companhia aérea arrecada.
Os aeroportos norte-americanos podem registrar de 45 minutos a uma hora. Muitos aeroportos europeus chegam de 25 a 30 minutos, afirmou ele.
Isso ocorre porque o embarque na Europa pode acontecer pela parte dianteira e traseira da aeronave, dependendo do aeroporto, e nem sempre utiliza pontes de embarque como a maioria das companhias norte-americanas faz.
Na Europa, também há muitos aeroportos secundários em grandes cidades. Isso torna mais fácil – e mais barato – de abrir novas rotas.
Por exemplo, o Aeroporto Internacional de Munique é um grande hub para a Alemanha, mas uma alternativa de baixo custo fica a pouco mais de uma hora de distância, no Aeroporto de Memmingen. A Wizz Air e a Ryanair operam por lá em vez de voar diretamente para Munique.
O Aeroporto de Heathrow, em Londres, também tem alternativas populares entre as companhias de baixo custo: o London Stansted e o London Luton Airport.
“Na Europa, os aeroportos secundários tornaram-se aeroportos bastante grandes por si mesmos”, disse Lund.
Aeroportos secundários também existem nos EUA, como o Dallas Love Field, próximo ao Aeroporto Internacional DFW, ou o Aeroporto Chicago-Midway, que é menor em relação ao O’Hare International Airport de Chicago.
No entanto, nem sempre há múltiplas opções como na Europa, e muitos desses aeroportos secundários são dominados por companhias como a Southwest.
Poucas companhias aéreas de baixas tarifas sobrevivem nos EUA
As companhias aéreas de baixo custo norte-americanas não encontraram o mesmo sucesso que as europeias.
Isso se deve em parte ao fato de os consumidores dos EUA terem dificuldade em distinguir entre baixos custos e baixas tarifas, disse Arnot. Eles presumem que “baixo custo” se refere ao preço da passagem, mas na verdade trata-se de manter os custos operacionais baixos.
Às vezes, as companhias aéreas de baixo custo realmente oferecem as tarifas mais baratas. Mas se essas tarifas baixas não superarem a base de custos no médio prazo, as companhias irão à falência, disse ele.
“Poucas companhias aéreas de baixas tarifas sobreviveram, mas há bons exemplos de companhias de baixo custo que prosperaram”, disse Arnot.
“Especialmente na ponta do mercado de baixo custo e baixas tarifas, a demanda é altamente elástica, que é uma palavra sofisticada do marketing para dizer que os consumidores podem pegar o ônibus, ou simplesmente não viajar, se a tarifa não for o que desejam pagar.”
E como as companhias aéreas de desconto dos EUA atendem a viajantes de lazer sensíveis ao preço, elas têm mais dificuldade em aumentar as tarifas. Isso é difícil quando o aumento dos custos comprime suas margens já estreitas, como os preços crescentes do combustível relacionados ao conflito no Oriente Médio.
Southwest e JetBlue foram as principais companhias aéreas de baixo custo dos EUA. Mas a Southwest passou por anos turbulentos após uma campanha de um investidor ativista para aumentar a lucratividade. A JetBlue teve uma recuperação financeira lenta após os impactos da pandemia.
As duas companhias aéreas agora operam um modelo mais híbrido, entre uma companhia de baixo custo e uma companhia aérea tradicional.
A Spirit Airlines, uma das companhias aéreas ultralow-cost mais proeminentes dos EUA, entrou em colapso no início deste ano. Ela também estava no prejuízo desde a pandemia, declarando falência duas vezes antes de o aumento nos preços do combustível de aviação neste ano frustrar seu plano de sair de sua recuperação mais recente.
Hoje, cinco companhias aéreas de baixo custo permanecem nos EUA: Frontier, Allegiant Air, Breeze Airways, Sun Country Airlines e Avelo Air.
As companhias aéreas tradicionais norte-americanas experimentaram o modelo de baixo custo, com a Delta Air Lines lançando a Song em 2003 e a United criando a Ted em 2004.
Ambas as companhias não conseguiram se consolidar e foram encerradas poucos anos depois, quando os preços do combustível dispararam. Mas as empresas-mãe adotaram algumas lições dessas experiências, como tempos de rotatividade mais rápidos.
Europeus gostam das companhias aéreas de baixo custo; norte-americanos fazem piadas sobre elas
Os europeus também não associam uma imagem negativa às companhias aéreas de baixo custo, dizem os analistas, enquanto os norte-americanos frequentemente esperam que elas sejam de baixa qualidade ou ofereçam um mau atendimento ao cliente.
“Nos EUA, tenho a sensação de que há quase um estigma associado a voar com uma companhia aérea de baixo custo, então a Spirit era famosamente alvo de muitas piadas”, disse Lund.
Esse é muito menos o caso na Europa, disse ele, onde os passageiros podem estar voando na classe executiva da British Airways em uma semana e, na seguinte, não hesitar em pegar um assento de classe econômica na easyJet.
O colapso da Spirit também ensinou às companhias aéreas tradicionais norte-americanas, como a Delta e a United, como se defender das companhias de baixo custo, de acordo com Shye Gilad, ex-comandante de aviação e professor de negócios da Georgetown University.
Isso inclui equiparar os preços das passagens ou oferecer promoções, além de introduzir tarifas de economia básica que concorrem diretamente com as companhias aéreas de baixo custo.
“Elas se baseavam nas tarifas mais baixas possíveis e, claro, nos poucos serviços associados a isso”, disse Gilad. “Mas acho que o contraste era mais acentuado porque elas frequentemente competem diretamente com as grandes companhias aéreas tradicionais, o que gera um contraste bastante grande.”
América do Sul lidera com rotas aéreas mais turbulentas no mundo
- Agência Pública
- Foragido, líder do garimpo ilegal Rodrigo Cataratas tem empresas e bens de luxo nos EUA
Foragido, líder do garimpo ilegal Rodrigo Cataratas tem empresas e bens de luxo nos EUA
No Brasil, Rodrigo Cataratas gosta de manter um perfil espalhafatoso nas redes sociais. Condenado na primeira instância por liderar o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, ele tem mais de 43 mil seguidores no Instagram, onde defende a garimpagem, pede anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de golpe de Estado) e ataca o governo do PT.
Mas Rodrigo Martins de Mello – seu nome verdadeiro – é bem mais discreto sobre um aspecto importante da sua vida: seus bens de luxo e suas atividades empresariais nos Estados Unidos, país que frequenta desde os anos 90. Agora sabemos o porquê de tamanha discrição.
Em dezembro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Cataratas por ter ajudado na fuga de Alexandre Ramagem, o ex-diretor da Abin do governo Bolsonaro condenado pela trama golpista. Seu pedido de habeas corpus foi negado pela ministra Carmem Lúcia na última terça-feira (19/10), segundo informação do site Amado Mundo confirmada pela Agência Pública. “Consta que o mandado de prisão está pendente de cumprimento, pela ausência de localização do paciente até esta data”, escreveu a ministra na decisão. O pedido de prisão preventiva só veio à público nesta semana, já que o processo corre em sigilo.
Pela primeira vez, suas redes estão em silêncio. “Ele sumiu do mapa”, relatou um ex-parceiro de negócios nos EUA localizado pela Pública.
Uma investigação conjunta da Pública e do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) encontrou rastros do empresário do garimpo ilegal e de sua vida nos Estados Unidos. Ele tem registro de votação como Republicano na Flórida, onde apenas cidadãos norte-americanos podem votar, e manteve empresas ligadas a seu nome e ao de parentes e colegas. Os negócios, todos na Flórida, vão de aluguel de iates à demolição, passando pelo e-commerce.
Uma das empresas ligadas a Cataratas é a X One Charters LLC, fundada em 10 de julho de 2023 e registrada no endereço do apartamento do condomínio Sole Mia, em Miami – onde Cataratas hospedou Ramagem em setembro de 2025, como revelou a Pública. Segundo o documento de fundação da companhia, Cataratas era o dono da empresa. Mas em janeiro de 2026, um mês depois do pedido de prisão preventiva, os registros foram atualizados e ele saiu da sociedade, que passou a ter como diretor Marcos Felix Ribeiro.
Embora no papel a empresa hoje pertença Ribeiro, o WhatsApp de contato do site é um número de Roraima que pertence ao próprio Rodrigo Cataratas.

A empresa foi fundada na época em que Cataratas atuava, segundo o Ministério Público Federal, como um dos líderes de um grupo criminoso responsável por garimpo ilegal e degradação ambiental na Terra Indígena Yanomami. Ele foi condenado a 16 anos de prisão e ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 31 milhões, mas recorreu e aguarda em liberdade.
A X One Charters oferece aluguel do iate de mesmo nome, segundo seu site. O valor pode variar entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por algumas horas nas águas de Miami. A embarcação conta com quarto, sala, cozinha e uma área externa de lazer. “Uma embarcação confortável com muitos assentos e acomodações. Cabine espaçosa com AC e banheiro. Sistema de som Premium com Bluetooth para seu entretenimento e tapete aquático para nadar enquanto você aprecia a incrível vista do horizonte da cidade de Miami a partir das águas. Venha conosco para uma experiência incrível”, diz o site, que pode ser lido em inglês, espanhol ou português. Nas fotos, grupos de turistas se deleitam nas águas azuladas da Flórida.



Na mesma alteração nos registros realizada em janeiro de 2026, o endereço da X One Charters mudou. Em vez do Sole Mia, a empresa agora fica sediada em um rancho de 34 acres, o Sunniland Ranch, de propriedade do mesmo Marcos Felix Ribeiro. Procurado pela Pública, ele confirmou ter tido transações comerciais com Cataratas em um negócio de mineração na Guiana. Segundo ele, o iate foi dado a ele como pagamento por uma escavadeira sua que ficou no país sulamericano – uma troca estimada em cerca de R$ 500 mil reais (US$ 100 mil).
“Eu peguei esse barco que na realidade é um pesadelo, porque está com problema de vazamento de óleo, um barco desse aqui na água, é 15 mil dólares de multa. Eu tive que tirar esse trambolho da água e no final vai sair mais caro”, diz.
Marcos Felix disse à Pública que conheceu Cataratas quando ele estava com frequência nos EUA, por volta de 2022. Rodrigo de Mello teria visitado seu rancho por ser um local que possui pista de pouso e uma escola de aviação, algo que tem grande afinidade com a área de atuação de Rodrigo Martins de Mello, que teve escola de treinamento de pilotos em Roraima e duas empresas de táxi aéreo. Rodrigo foi considerado pela Justiça como o operador logístico, por meio de aeronaves e helicópteros, do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
Empresa de frete com parceiro de longa data
No mesmo rancho está registrada ainda outra empresa que tem ligação com Cataratas, a Cargo Flow. A empresa tem como diretor, além de Marcos Felix Ribeiro, um roraimense de nome Marcel Anderson Coelho Carvalho, que trabalhou com Cataratas em diversas ocasiões, incluindo a extração ilegal de minérios no território Yanomami.
Fundada em março de 2025 em São Petesburgo, outra cidade da Flórida, a empresa está registrada junto às autoridades americanas para realizar transporte de cargas comerciais em trajetos interestaduais nos EUA. Neste mesmo registro, o endereço de correspondência da Cargo Flow é o mesmo do apartamento do Sole Mia.
Segundo seu site, a Cargo Flow realiza entregas de produtos no varejo ou atacado, encaminhamento de fretes “do porto ao depósito”, além de entrega de partes para a indústria de peças de avião. “Nossa missão é simplificar a logística para que nossos clientes possam se concentrar no que fazem de melhor, enquanto nós cuidamos dos aspectos críticos, sensíveis ao tempo e complexos de suas cadeias de suprimentos com precisão e cuidado.”
Seu dono, porém, não se apresenta como empresário. O brasileiro Marcel Anderson Carvalho orgulha-se de ser piloto de avião e de trabalhar como contratado, viajando para lugares como Dubai, Guam, África do Sul, Washington e Califórnia.
Mas, segundo o MPF de Roraima, ele também participou do esquema, liderado por Cataratas, de extração ilegal de minérios em terra indígena.
O roraimense de 35 anos mantém o canal de YouTube “Marcel the Pilot”, onde descreve sua jornada de estudante de dentista até piloto treinado.

Nele, Marcel descreve ter trabalhado como instrutor de aviação em uma escola de Boa Vista – Rodrigo Cataratas teve uma escola do tipo – e como, depois, “seu chefe” o convidou a trabalhar pilotando helicópteros em áreas remotas da floresta, incluindo contatos com indígenas isolados. Em algumas cenas, ele aparece ao lado de indígenas Yanomami. Após o trabalho na Amazônia, ele conta ter ido trabalhar em um barco de pesca de atum nas Filipinas.



Não há descrição sobre suas atividades comerciais na Flórida. Mas a investigação de Agência Pública e ICIJ conseguiu determinar que ele ficou hospedado no apartamento do Sole Mia entre maio e agosto do ano passado, pouco antes de Ramagem ser acolhido pela família Martins de Mello no mesmo local.

Marcel trabalha com Rodrigo Martins de Mello desde pelo menos 2016, quando seu nome figurava como funcionário da empresa Cataratas Poços Artesianos Ltda, segundo o Ministério Público Federal.
Em 16 de outubro de 2018, Marcel foi flagrado durante um patrulhamento fluvial do Exército no rio Uraricoera, na área do garimpo do Espadim, no interior do território Yanomami. Dois garimpeiros conseguiram fugir, mas Marcel foi detido. Em seu depoimento à polícia, reconheceu ter transportado combustível do município de Amajari (RR) até uma pista de pouso na mata. Marcel declarou à época que era “piloto de avião e helicóptero” e que estava “desempregado”. Ele também disse que havia trabalhado para a Tarp Taxi aéreo – outra empresa de Cataratas – até dois meses antes.
No helicóptero, Marcel carregou seis carotes de combustível, com capacidade de 50 litros cada um. Este tipo de combustível é geralmente transportado por helicóptero até a área de garimpo para fazer funcionar as máquinas necessárias para a extração de ouro e cassiterita. O helicóptero, um Robinson R44 Raven, estava em nome de um “testa de ferro” mas, segundo o MPF, pertencia a Rodrigo Cataratas.
Tanto Marcel quanto seu pai seriam integrantes da organização criminosa liderada por Cataratas, segundo a denúncia oferecida pelo MPF. “Indivíduos responsáveis por realizar e viabilizar a atividade de garimpo ilegal em terras indígenas mediante a operação irregular de aeronaves empenhadas no transporte de pessoas, insumos e minérios, incluindo aquisição, armazenamento e transporte ilícito de combustíveis”. Marcel foi denunciado por transporte de substâncias perigosas sem autorização.
Em agosto, Rodrigo Martins de Mello tornou-se réu em outro processo por liderar uma operação de venda, lavagem e comercialização de ouro e cassiterita proveniente da TI Yanomami que teria movimentado mais de R$ 200 milhões de reais entre 2021 e 2023. O esquema contava com a participação da empresa White Soldier, que fundia a cassiterita e vendia os lingotes de estanho “esquentados” com certificação para o mercado internacional.
Foi justamente neste período que as empresas Cargo Flow e a X One Charters foram fundadas nos EUA.
A Agência Pública e o ICIJ enviaram questionamentos a Rodrigo Cataratas sobre se ele utilizou dinheiro de garimpo ilegal para obter empresas e imóveis nos EUA, mas não obtiveram respostas. Procurado pela Pública, Marcel não respondeu aos contatos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Marcos Felix Ribeiro, cujo rancho consta como sendo a sede da X One Charter e da Cargo Flow, disse à Pública que montou a empresa Cargo Flow junto a Marcel para vender peças de aviação e maquinário. Segundo ele, a empresa nunca fez nenhuma venda e, por isso, pediu para tirar seu nome da sociedade. Ele afirmou ainda que se desentendeu com o Marcel: “Nunca mais liguei pra ele, nunca mais me ligou”.
Ribeiro afirmou ainda que não sabia do passado do Rodrigo Cataratas nem dos problemas dele no Brasil.
Marcel Carvalho respondeu aos questionamentos por email. Ele disse ser residente nos EUA desde 2022 e mudou-se para a Flórida depois de se divorciar, onde alugou um quarto em um apartamento desocupado. Ele não esclareceu se o apartamento era de Rodrigo Cataratas, mas afirmou que “não mantenho nenhum negócio, sociedade ou vínculo empresarial com Rodrigo Martins de Mello”.
Sobre a Cargo Flow, afirmou que apenas a correspondência era enviada para o Sole Mia e hoje em dia a sede da empresa é em Orlando. “Quanto à mineração ilegal, não tenho um posicionamento a apresentar sobre o assunto”, completou.
Casas de luxo e Sole Mia
Cataratas aparece ligado a dez endereços no estado norte-americano desde outubro de 1997. Em 2015, ele adquiriu uma casa de quatro quartos em Boca Ratón, cidade ao norte de Miami conhecida por ter campos de golfe, parques e belas praias. A casa tem dois andares, 250 metros quadrados, quintal, uma piscina coberta e acesso a um lago artificial. Seu valor estimado, hoje, supera os R$ 4 milhões (814 mil dólares). A propriedade pertenceu a Rodrigo Cataratas e à sua ex-esposa, Marcia Phelipe Martins de Mello, até o divórcio do casal. Desde 2021, a propriedade está em nome da ex.
Antes disso, o casal esteve ligado a um endereço em um apartamento no norte de Miami e em um predinho residencial em Dade County, outro condado da cidade.
Hoje, Cataratas tem um apartamento de 96 m² no luxuoso condomínio Sole Mia, cujo aluguel mensal gira em torno de R$ 20 mil reais, com um lago artificial de 28 mil metros quadrados, areia e coqueiros plantados ao redor, além de campo de futebol, quadras esportivas, playground, pista de cooper, trilhas para caminhadas e spa. A propriedade é estimada em R$ 1,6 milhão (320 mil dólares).
Foi neste apartamento que Rodrigo Cataratas e sua família hospedaram Ramagem em setembro do ano passado, depois de ajudá-lo a fugir do Brasil pela Guiana. Alexandre Ramagem ficou no apartamento de 11 de setembro até meados de novembro de 2025. Foi lá que recebeu sua esposa, Rebeca Ramagem, e os filhos em 17 de novembro.
Enquanto esteve por lá, o foragido Ramagem contou com a ajuda do filho de Cataratas, Celso, e da esposa do minerador, Priscila Melo, para resolver problemas com o condomínio, conforme revelou a Agência Pública. Celso afirmou em mensagem do WhatsApp ter falsificado um documento de contrato de aluguel para ajudar Ramagem a tirar sua carteira de motorista nos Estados Unidos.
Mas, assim que a estadia de Alexandre Ramagem no Sole Mia foi descoberta pela imprensa, Rodrigo Cataratas fez questão de dissociar-se do seu nome. Uma carta escrita para ser enviada ao condomínio e assinada por ele dizia ter descoberto pela imprensa que Ramagem não podia deixar sair do Brasil e pedia sua saída imediata “para evitar quaisquer problemas para o condomínio ou para mim mesmo”. “Notifique-o IMEDIATAMENTE da minha determinação de que ele deixe minha propriedade. Sinceramente, Rodrigo Martins de Mello”, dizia a carta encontrada no celular da sua então esposa, Priscila Freitas de Melo.
Empresas da família
O rastro empresarial de Rodrigo Martins de Mello nos EUA vem de longe.
Em 2 de abril de 1998, ele registrou a CRM Trading Company em Miami, uma empresa que trabalha com “toda e qualquer finalidade” de acordo com as leis da Flórida. Curiosamente, a empresa tem as iniciais do seu filho primogênito (Celso Rodrigo de Mello) e foi aberta apenas duas semanas antes do seu nascimento. O irmão mais velho de Cataratas, que tem o mesmo nome, Celso Martins de Mello Filho, aparece como “tesoureiro e secretário” da empresa, que foi extinta em setembro do ano seguinte.
Rodrigo de Mello abriu ainda outra empresa com as iniciais do primogênito na Flórida, a CRM Business LLC. A empresa foi aberta em seu nome e da ex-esposa, Marcia Phelipe Martins de Mello, em março de 2015 na cidade de Fort Lauderdale.
Ambos aparecem como gerentes da empresa até 2019, quando Márcia passa a figurar sozinha neste cargo. No mesmo ano, o novo marido de Márcia assumiu a gerência da empresa – ao mesmo tempo em que assumiu também a casa que pertencia a Cataratas em Boca Ratón.
Pouco depois, Márcia e o atual marido estabeleceram 5 fundos “trust”, todos constituídos na Flórida entre abril e junho de 2021 para gerenciar imóveis em diferentes cidades – Coconuk Creek, Boca Ratón, Deerfield Beach. Somadas, as propriedades administradas por esses fundos valem cerca de R$ 7,5 milhões ( 1,5 milhão de dólares).
O filho de Cataratas e Márcia, Celso, é cidadão americano, como fez questão de afirmar o próprio Rodrigo em suas redes sociais. Quando Celso foi preso por ajudar a fuga de Ramagem, Rodrigo Cataratas postou no Reels do Instagram um texto dizendo que a prisão de um cidadão americano “amplia o debate jurídico e diplomático sobre a condução do caso”, e que o consulado foi avisado.
Celso abriu três empresas nos últimos anos nos EUA
Em agosto de 2024, o filho de Cataratas abriu a Engage Financial Strategies no seu endereço na cidade de Coral Springs, onde vivia em uma casa de três quartos avaliada em mais de R$ 3,2 milhões (639.680 dólares). Tanto ele quanto a esposa, Mariana Poerschke de Mello, foram designados como administradores desta empresa, que atualmente consta como “inativa”.
Em janeiro de 2023, Celso abriu outra empresa, inicialmente voltada ao comércio online, a Cool Stuff E-Commerce LLC. Em 7 de junho, o nome da companhia mudou – assim como, aparentemente, o ramo de atividade. Segundo registros oficiais da Flórida, Celso mudou o nome para Demello Demolition LLC.
Outra empresa criada por Celso também leva suas iniciais: CRM Demolition and Construction LLC, fundada em janeiro de 2023. Embora ele tenha pedido a dissolução da empresa apenas seis meses depois por estar inoperante, ela segue “ativa” nos registros oficiais e em 2024, foi registrada uma nova agente para representá-la.
Celso Rodrigo de Mello atualmente vive em Boa Vista com a esposa Mariana, que é influenciadora digital. Nas fotos do casal no Instagram, é possível vê-lo com uma tornozeleira eletrônica, resultado da prisão por ter facilitado a fuga de Ramagem.
Celso, que é sócio do pai em empresas no Brasil, também foi condenado a oito anos de prisão pela mineração ilegal na terra Yanomami.
‘Ameaça direta à segurança nacional’
O estado da Flórida é apontado como um dos destinos favoritos do ouro garimpado ilegalmente da Amazônia.
O secretário de Estado do EUA, Marco Rubio, já chegou a afirmar, quando era senador, que o ouro ilegal vendido em Miami é uma “ameaça direta à segurança nacional”. O combate ao ouro ilegal chegou a ser sua bandeira quando era senador. Em uma audiência no Senado em 2019, ele afirmou que “há um grande custo humano se não conseguirmos controlar este problema” e mencionou as consequências da mineração ilegal: tráfico de pessoas, corrupção, envenenamento por mercúrio, contrabando de drogas, desmatamento da Amazônia e enriquecimento de “poderosos” grupos criminosos.
“Infelizmente, meu país se tornou um grande porto de entrada para esta atividade”, disse, completando que o ouro “é refinado, transformado em joias, colocado nos nossos eletrônicos e então vendido aos consumidores dos EUA – grande parte, se não tudo, irrastreável”.
A postura combativa anterior de Marco Rubio contrasta com a intervenção do governo de Donald Trump no caso de Alexandre Ramagem.
Ele chegou a ser detido por estar ilegalmente no país, mas foi liberado por pressão do Departamento de Estado dois dias depois, embora o Serviço de Imigração estivesse ciente do apoio recebido do garimpeiro ilegal.
Procurado pela reportagem, o departamento de imigração afirmou que Ramagem segue ilegalmente nos EUA e pode ser deportado e preso, conforme revelamos na quarta-feira (21).
A atuação de Rodrigo Cataratas no garimpo ilegal durante o governo Bolsonaro levou os Yanomami à fome generalizada e à morte de 570 crianças indígenas por causas evitáveis. Seu filho Celso Rodrigo de Mello também foi condenado. Segundo o MPF, as operações de garimpo ilegal geralemnte são feitos por organizações familiares.
Em seu Instagram, Cataratas usa uma foto com Jair Bolsonaro como imagem de perfil com a palavra “anistia”. Em 2022, ele foi candidato a deputado federal pelo PL e declarou, na época, um patrimônio de R$ 33,6 milhões, incluindo dez aeronaves. Este ano ele chegou a anunciar sua candidatura, mas desistiu e se mudou para a Guiana, onde segue fazendo atividades de mineração. Na época, ele pagou um publieditorial no jornal Folha de Boa Vista anunciando que, “com coragem e ação”, estava levando sua retroescavadeira para o país vizinho.

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EUA anunciam acordo no Paraguai para usar energia Itaipu em projeto de IA
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (21) um acordo para que a energia elétrica da usina de Itaipu seja utilizada em um projeto de infraestrutura para inteligência artificial. O entendimento foi firmado em uma empresa americana com uma companhia do Paraguai.
“A Crusoe, uma empresa norte-americana dedicada à fabricação de infraestrutura de superinteligência, e a Araico, uma empresa paraguaia voltada ao desenvolvimento de energia e infraestruturas, formalizaram um acordo de colaboração estratégica para construir uma infraestrutura de superinteligência de alto desempenho, alimentada pela usina hidrelétrica de Itaipu”, disse o governo americano.
Na nota, a administração federal dos EUA utilizou o termo “superinteligência” para se referir à inteligência artificial, devido a um decreto assinado por Donald Trump.
“No âmbito dessa parceria, a Crusoe planeja colocar em operação uma estrutura inicial em meados de 2027”, adicionou.
Ainda segundo o Departamento de Estado, a estrutura atenderá a clientes de “serviços em nuvem” tanto dos EUA quanto da América Latina. Eles declararam ainda que este pode ser um dos maiores investimentos privados na história do Paraguai.
A administração de Itaipu é dividida entre Brasil e Paraguai, que também ficam com partes iguais da energia produzida pela usina. Porém, em nenhum momento a nota do governo dos EUA citou o Brasil.
O anúncio foi feito em meio à visita de Christopher Landau, “número 2” do Departamento de Estado, ao Paraguai. Ele chegou a se reunir com o presidente Santiago Peña e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano.
A viagem teve como objetivo “aprofundar ainda mais a parceria estratégica” entre os dois países por meio de novos acordos para impulsionar ambas as economias e “proteger nossos cidadãos contra ameaças transnacionais”.
Outro acordo firmado entre os países foi o investimento de US$ 12 milhões pela Uranium Energy Corp para desenvolver uma de suas concessões de urânio no Paraguai.
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