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Redes elétricas tornam-se o principal travão à expansão da IA, alerta McKinsey

22 October 2026 at 13:18

Mais de 2.500 gigawatts de projetos energéticos, armazenamento e grandes consumidores estão à espera de ligação às redes elétricas em todo o mundo, num momento em que a procura de energia para alimentar a Inteligência Artificial está a acelerar, conclui o relatório “Technology Trends Outlook 2026”, da McKinsey & Company, divulgado esta quinta-feira.

A consultora considera que a disponibilidade de energia, o acesso à rede e o tempo necessário para garantir o fornecimento elétrico estão a emergir como constrangimentos estruturais ao crescimento da IA. Em muitos mercados, os centros de dados podem ser construídos mais depressa do que as linhas de transmissão, subestações e transformadores necessários para os alimentar.

Nos Estados Unidos, a procura de eletricidade associada à infraestrutura de IA deverá aumentar de cerca de 30 GW em 2025 para mais de 90 GW em 2030, um volume comparável ao consumo elétrico atual da Califórnia. No mesmo período, os centros de dados poderão representar 14% da procura total de eletricidade do país, contra 3% em 2022, segundo o estudo.

A pressão sobre os sistemas energéticos está também a reorientar o investimento. As tecnologias de energia e sustentabilidade foram a área que mais capital atraiu em 2025, com mais de 194 mil milhões de dólares, o valor mais elevado entre as 14 tendências tecnológicas analisadas pela McKinsey.

O relatório identifica uma nova fase de desenvolvimento tecnológico, marcada pela convergência entre o digital e o físico. À medida que a IA é integrada em equipamentos, processos e sistemas do mundo real, torna-se mais dependente de chips, redes elétricas, conectividade, infraestruturas e talento qualificado.

“A Inteligência Artificial deixou de estar centrada apenas nos algoritmos. À medida que a tecnologia se expande para aplicações no mundo físico, fatores como energia, infraestrutura, semicondutores e talento tornam-se determinantes para capturar valor”, afirmou Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey & Company, citado no comunicado.

Apesar do forte investimento, a adoção empresarial da IA continua a ficar atrás da inovação. Mais de 75% das ofertas de emprego associadas às tendências diretamente ligadas à IA e aos semicondutores especializados concentram-se em funções de investigação e desenvolvimento, sugerindo que grande parte da atividade permanece em fase de experimentação.

Cinco áreas — desenvolvimento de software agêntico, infraestruturas e arquiteturas de IA, IA aplicada à descoberta científica e engenharia, robótica e tecnologias espaciais — deverão mais do que duplicar o investimento em 2026 face ao ano anterior, prevê a McKinsey.

Para Portugal, a consultora considera que o país parte de uma posição favorável, apoiada na crescente incorporação de renováveis, na capacidade de atrair investimento tecnológico e na integração nos principais corredores digitais europeus. O desafio, acrescenta, será acompanhar essas vantagens com talento, modernização das infraestruturas e capacidade de executar projetos à escala necessária.

Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

22 October 2026 at 11:47
Bankinter

O Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública ao crédito à habitação. A revelação foi feita pelo CFO (Administrador Financeiro) do Grupo Bankinter Jacobo Díaz, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre. “Já foi utilizada cerca de três quartos (quase 75%) da linha”, disse. O que, segundo as contas do Jornal Económico, equivale a ter concedido crédito com garantia pública no montante de 437,5 milhões de euros.

O banco diz que está “num bom caminho”, que ainda tem margem e que, se chegar ao limite, pedirá um reforço ao Estado.

Ao Bankinter foi atribuída uma quota de 60 milhões de euros na linha da garantia pública do Estado para o crédito à habitação jovem (destinada a mutuários até aos 35 anos).

Gloria Ortiz, CEO do Bankinter, revelou ainda que, ao nível da produção hipotecária Portugal cresce quase 20%, contra 40% na Irlanda. Em Espanha, a queda homóloga da nova produção atenuou-se de 40% (1.º trimestre) para 28% (2.º) e 9% (3.º) e o banco espera que continue a atenuar-se.

O banco não vê, por ora, travão à procura de crédito por causa da subida de taxas, nem menor produção hipotecária no próximo ano.

Questionado sobre a exposição à divida francesa o CFO explicou que o Bankinter em Portugal não tem carteira própria.

Segundo as contas apresentadas esta quinta-feira, o Bankinter Portugal continuou a acelerar a sua atividade comercial nos primeiros nove meses de 2026. A carteira de crédito atingiu os 12 mil milhões de euros em setembro, crescendo 9% face ao período homólogo de 2025 e acrescentando 1 mil milhões de euros face ao fecho do exercício anterior, numa trajetória de expansão que se tem mantido ao longo do ano.

O Administrador Financeiro do Bankinter, Jacob Días,  revelou que em Portugal a taxa de morosidade (Non-Performing Loans) em Portugal estava em 1,36% no final de setembro — um nível de risco contido, que se mantém claramente abaixo do praticado pelo setor bancário português e que evidência a solidez da carteira de crédito.

A captação e gestão de património de clientes manteve uma dinâmica ainda mais robusta. Os recursos totais de clientes atingiram os 21 mil milhões de euros, com um crescimento de 18% homólogo — depois dos 21% registados ao longo de 2025 —, enquanto os ativos sob gestão acumulam uma valorização de 114% desde o início da operação. O rácio de empréstimos sobre depósitos (LtD) situou-se nos 114%, refletindo um crescimento equilibrado entre o crédito concedido e o financiamento captado junto dos clientes.

A conta de resultados confirma a solidez da evolução comercial, realça o Bankinter. Entre janeiro e setembro de 2026, a margem de juros atingiu 240 milhões de euros, mais 13% do que no período homólogo de 2025, e as comissões líquidas cresceram no mesmo ritmo, somando 67 milhões de euros.

Acrescem outros resultados negativos de 5 milhões de euros, o que resulta numa margem bruta de 302 milhões de euros, um crescimento de 12%. A gestão contida dos custos operativos, que aumentaram 10% para 98 milhões de euros, permitiu melhorar o rácio de eficiência em 0,5 pontos percentuais, para 32%, e gerar uma margem de exploração de 205 milhões de euros, também 12% superior à do ano passado. As provisões cresceram apenas 6%, totalizando 27 milhões de euros, sustentando um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, 13% acima do registado entre janeiro e setembro de 2025.

Estes resultados confirmam o peso crescente de Portugal dentro do Grupo Bankinter e a capacidade do banco de crescer rentavelmente em todos os negócios, num contexto de rigor disciplinado nos custos e de qualidade creditícia de excelência.

Exposição a dívida francesa

A CEO do Bankinter explicou na conferência de imprensa que a carteira de dívida pública do Grupo Bankinter é essencialmente de dívida pública espanhola, cujo prémio de risco se mantém contido, abaixo do francês e do italiano, sendo das que revela melhor comportamento. Não foram dados números sobre exposição direta a dívida francesa, nem sobre a forma como a dívida pública está contabilizada no banco, se em yield to maturity ou em mark to market.

A situação de França “não é a mesma” que a de outros países afetados na crise soberana, disse Gloria Ortiz que sublinhou que França tem uma enorme capacidade económica, apesar de as finanças públicas “requererem atenção”, sendo que o momento pré-eleitoral não ajuda a que as mensagens sejam tranquilizadoras.

O banco está convencido de que a situação em França se “equilibrará” quando acabar o período de transição, e de que não haverá problemas na dívida pública europeia, embora o momento seja volátil e os prémios de risco de alguns países possam subir.

Sobre outros temas, a CEO disse que banco tem sensibilidade positiva à subida de taxas, pelo que a margem de juros deve crescer num horizonte de um ano. A nível trimestral pode estabilizar ou contrair ligeiramente. Mas o guidance só será dado em janeiro.

A CEO do banco diz que o investimento em IA e tecnologia não visa reduzir pessoal e ambiciona, a prazo, um rácio de eficiência perto de 30%, “ainda que muito ambicioso”. Há formação em IA para todos os colaboradores.

Gloria Ortiz comentou ainda a atividade da Tulp Group (plataforma holandesa especializada em intermediação e financiamento hipotecário), adquirida a 100%, dizendo que “segue sua atividade normal de intermediação digital em hipotecas. O que estamos fazendo agora é trabalhar para ter uma estrutura para poder financiar diretamente nós através da Tulp”.

As primeiras hipotecas devem ser contabilizadas no final de dezembro ou em janeiro de 2027, inicialmente sob a marca Complet.

Bruxelas considera acordo sobre securitização o “primeiro grande passo” da União da Poupança e do Investimento

22 October 2026 at 11:10

A comissária europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, saudou o acordo político alcançado entre o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia sobre a revisão do quadro europeu de securitização, considerando-o “um marco importante” para a União da Poupança e do Investimento (Savings and Investments Union – SIU).

Numa publicação na rede social LinkedIn, a responsável portuguesa classificou o entendimento alcançado em Estrasburgo como “o primeiro grande resultado legislativo” da nova estratégia europeia destinada a mobilizar poupanças privadas para financiar a economia.

Segundo Maria Luís Albuquerque, a revisão das regras da securitização pretende aumentar a capacidade dos bancos para financiarem famílias e empresas, em particular as pequenas e médias empresas (PME), ao mesmo tempo que canaliza mais investimento para a economia real europeia.

A comissária explicou que as alterações passam pela simplificação de requisitos, redução de encargos administrativos considerados desnecessários e pela adaptação das exigências de capital aos riscos efetivos das operações. O objetivo é criar condições para um mercado europeu de securitização “mais forte e dinâmico”.

“A estabilidade financeira continua a não ser negociável. Mas a resiliência e a competitividade devem caminhar lado a lado”, afirmou.

Maria Luís Albuquerque defendeu ainda que um mercado de securitização eficiente pode contribuir para diversificar as fontes de financiamento, melhorar a partilha de riscos e desbloquear financiamento adicional para investimento, inovação e criação de emprego.

A responsável enquadrou o acordo na estratégia mais ampla da União da Poupança e do Investimento, destinada a aproximar as poupanças dos europeus das necessidades de financiamento de empresas e cidadãos e a mobilizar capital privado para reforçar o crescimento económico e a competitividade da União Europeia.

“Este primeiro acordo demonstra que conseguimos transformar as nossas ambições em resultados concretos. E devemos manter o impulso”, sublinhou.

Maria Luís Albuquerque agradeceu ainda ao Parlamento Europeu e ao Conselho pela “colaboração construtiva” durante as negociações, deixando também uma palavra de reconhecimento às equipas da Direção-Geral da Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais (DG FISMA) e ao seu gabinete pelo trabalho desenvolvido ao longo do processo.

Apesar de considerar o acordo um passo significativo, a comissária salientou que a execução da União da Poupança e do Investimento continua e que “há muito mais para concretizar”.

Portugal em contraciclo no M&A: negócios caem 37% e valor afunda para 800 milhões

22 October 2026 at 11:00

O mercado português de fusões e aquisições (M&A) perdeu fôlego no primeiro semestre, com o número de operações a recuar 37%, para 82, e o valor total a cair para cerca de 800 milhões de euros, face a 6,3 mil milhões no período homólogo. No Sul da Europa, o movimento foi inverso: o valor das transações disparou 37%, para 147,7 mil milhões de euros.

Os dados constam do estudo “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, da Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, divulgado esta quinta-feira. O relatório analisa a atividade em Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia.

O estudo identifica a existência de mais de 600 potenciais oportunidades de M&A no Sul da Europa, das quais 33 em Portugal.

É de salientar que as três maiores operações anunciadas em Portugal no primeiro semestre de 2026 foram lideradas por compradores internacionais – do Reino Unido, de Espanha e dos Países Baixos – o que confirma o interesse dos investidores estrangeiros no mercado português de fusões e aquisições.

Apesar da queda, os investidores internacionais continuam a ser os mais relevantes no mercado nacional.

A maior fatia do valor anunciado em Portugal resulta do investimento no Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco. A Miura Partners fez um novo investimento na empresa e a Schroders aumentou a participação de 2% para 20%, numa operação global de 600 milhões de euros.

A segunda maior transação foi no turismo e lazer: a Catterton Management e a Cedar Capital Partners compraram o Caesar Park, hotel de cinco estrelas e resort de golfe em Sintra, por 140 milhões de euros.

Portugal era o único mercado do Sul da Europa, e um dos poucos a nível mundial, onde o número de operações de M&A subiu ou se manteve estável todos os anos desde 2016. Os dados do primeiro semestre mostram agora um recuo, e a Forvis Mazars admite que ainda não é possível antever se o país conseguirá manter o registo pelo décimo ano consecutivo.

Filipa Matias, Senior Manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, relativiza o cenário: “Embora o mercado português de M&A registe um número de transações menor, a verdade é que existem muitas oportunidades”.

Segundo a responsável, a atividade em operações de pequena e média dimensão “continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”.

A perspetiva positiva assenta no apoio de fundos de capital de risco, no interesse de investidores estrangeiros e na consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, os serviços empresariais, a indústria e os ativos imobiliários e hoteleiros.

A Mergermarket identificou 33 potenciais oportunidades de M&A em Portugal, em 12 setores diferentes.

Sul da Europa polarizado

No conjunto da região foram anunciadas 1.858 operações, menos 6% do que um ano antes, mas o valor agregado subiu de 107,9 para 147,7 mil milhões de euros. Os números apontam, segundo o estudo, para um mercado cada vez mais polarizado, em que menos operações, mas de maior dimensão, impulsionam o valor global. Itália foi o maior mercado, com 754 operações e 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha (600 operações, 28,7 mil milhões), Suíça (221 operações, 16 mil milhões) e Turquia (153 operações, 12,6 mil milhões).

Por setores, o industrial e químico foi o mais ativo em número de operações (330). Em valor, lideraram os serviços financeiros, com 43,5 mil milhões de euros, seguidos da tecnologia, media e telecomunicações (28,4 mil milhões) e da saúde, farmacêutica e biotecnologia (19,4 mil milhões).

Os investidores de fora da região foram responsáveis por mais de 61,2 mil milhões de euros, cerca de 41% do total. Os compradores norte-americanos realizaram 139 operações, no valor de 23,7 mil milhões, e os britânicos 88, num total de 23,3 mil milhões. As operações de média dimensão, entre 10 e 300 milhões de euros, somaram 285 transações e 22,5 mil milhões.

Private equity com menos negócios, mais valor

O private equity seguiu a mesma tendência: 338 operações, incluindo aquisições e desinvestimentos, menos 15% do que no período homólogo, mas com o valor a subir 23%, para 48 mil milhões de euros. Cinco das dez maiores operações do semestre no Sul da Europa tiveram fundos de private equity como compradores.

“Apesar da redução do número de operações de private equity, os investidores globais deste segmento continuam interessados no Sul da Europa”, afirma Filipa Matias, apontando a combinação de empresas de média dimensão de elevada qualidade, melhores condições de financiamento e oportunidades de crescimento através do aumento de escala.

A Forvis Mazars mantém uma visão otimista para o resto do ano. As condições de financiamento permanecem globalmente favoráveis, há um volume significativo de empresas à venda por processos de sucessão e as empresas continuam a reajustar os seus portefólios. A digitalização, a transição energética, a inovação na saúde e a transformação da indústria deverão sustentar o investimento a longo prazo, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia, as tarifas comerciais e a política monetária continuem a pesar.

Das 608 notícias sobre empresas do Sul da Europa disponíveis para venda identificadas pela Mergermarket, 126 diziam respeito a bens de consumo e 114 aos setores industrial e químico. Itália concentrou 237, seguida de Espanha, com 177.

Filipa Matias sublinha ainda que a região oferece “oportunidades de investimento a preços atrativos”: os múltiplos médios das operações de média dimensão rondam 5,3 vezes o EBITDA, valor competitivo face ao Norte da Europa e, sobretudo, aos Estados Unidos, o que está a atrair capital norte-americano, britânico e francês e a incentivar a consolidação entre empresas da região.

 

Beyond Vision angaria 28 milhões de euros para escalar produção de drones

22 October 2026 at 09:00

A tecnológica portuguesa Beyond Vision, fornecedora registada de drones para a NATO, concluiu uma ronda de investimento de 28 milhões de euros para aumentar a capacidade industrial e acelerar a expansão internacional nos setores da defesa e infraestruturas críticas, anunciou a empresa esta quarta-feira.

A ronda foi co-liderada pela Índico Capital Partners e pela Lince Capital, com reforço de participação da ActiveCap, investidora na empresa desde 2024.

Segundo a Beyond Vision, o capital será aplicado em três frentes: reforço da infraestrutura operacional e escala da produção industrial, aceleração do investimento em Investigação e Desenvolvimento com foco em inteligência artificial e novas funcionalidades da plataforma de gestão em cloud, e consolidação da expansão comercial em novos mercados.

Fundada em 2013 e liderada por Dário Pedro, presidente executivo, e Luís Miguel Campos, chairman, a empresa desenvolve sistemas aéreos não tripulados baseados em algoritmos de IA e plataformas de gestão na cloud. A companhia é fornecedora registada da NATO e participa regularmente em exercícios de defesa europeus, incluindo os exercícios OPEX.

O investimento surge após a empresa ter atingido 150 colaboradores e superado as receitas estimadas para 2025, alargando a carteira de clientes militares e civis em vários países, de acordo com o comunicado.

“O capital angariado nesta ronda será aplicado em diversas áreas. Em primeiro lugar, a Beyond Vision irá reforçar a sua infraestrutura operacional e escalar a capacidade de produção industrial, de forma a dar resposta à crescente procura global por sistemas autónomos”, disse Dário Pedro, CEO da Beyond Vision.

O presidente da Índico Capital Partners, Stephan de Moraes, afirmou que a dependência de tecnologia soberana em setores como defesa e segurança é hoje uma prioridade estratégica, e que a empresa “redefiniu este mercado ao combinar hardware de alta precisão com algoritmos avançados de inteligência artificial a um custo muito competitivo”.

Para Tomás Lavin Peixe, Head of Venture Capital da Lince Capital, a participação reflete a convicção no potencial de um setor em transformação. “O atual contexto geopolítico e o reforço do investimento europeu em defesa estão a criar novas oportunidades para empresas tecnológicas com capacidade de competir internacionalmente”, disse.

A Beyond Vision está sediada em Portugal e opera globalmente no desenvolvimento de sistemas autónomos com arquitetura aberta e modular.

O investimento da Indico VC Fund II na Beyond Vision é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da República Portuguesa, gerido pelo Banco Português de Fomento, com financiamento da União Europeia no âmbito do NextGenerationEU.

Lucros do Bankinter sobem 11% para 901 milhões de euros com Portugal a contribuir com 178 milhões

22 October 2026 at 08:15
Bankinter

O Grupo Bankinter apresentou um lucro líquido de 901 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 11% face ao mesmo período do ano anterior. O resultado antes de impostos atingiu 1.267 milhões de euros (+10,8%). Portugal contribuiu com um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, mais 13% do que há um ano, reforçando o peso da operação portuguesa no desempenho global.

A rendibilidade dos capitais próprios (ROE) do Grupo Bankinter situou-se em 19,2% e o ROTE em 20,4%. A margem financeira alcançou níveis recorde de 1.762 milhões de euros, com um crescimento de 5,7%, beneficiando do aumento dos volumes de negócio e da gestão dos diferenciais. As comissões líquidas subiram 12,9% para 651 milhões de euros, impulsionadas pela gestão de ativos, intermediação bolsista, negócio transacional e receitas de investimento alternativo. A margem bruta (produto bancário) avançou 6,5% para 2.397 milhões de euros.

Os custos operacionais totalizaram 833,9 milhões de euros, um aumento contido de 2,3%, abaixo do crescimento das receitas. O resultado da margem operacional subiu 8,8% para 1.563,6 milhões de euros. O rácio de eficiência (cost-to-income) consolidou-se em 34,8%, beneficiando da estrutura leve do Grupo e da aplicação de medidas de transformação digital, incluindo inteligência artificial generativa.

Na qualidade dos ativos, o rácio de morosidade melhorou para 1,84% (21 pontos base abaixo do valor de há um ano), com um índice de cobertura de 66,8%.

No balanço, a carteira de crédito totalizou 87.134 milhões de euros, mais 5,6%. Os recursos de clientes e os ativos sob gestão somaram 163.008 milhões de euros (+7,9%), com os recursos de clientes a crescerem 2,2% e os recursos geridos fora de balanço a avançarem 15,2%. Os valores sob custódia subiram 14,2% para 96.226 milhões de euros. No conjunto, os volumes de negócio com clientes (crédito, recursos e ativos sob gestão) atingiram 250.142 milhões de euros, mais 7,1%.

O rácio de capital CET1 reforçou-se para 13,2%, muito acima do mínimo exigido pelo BCE (8,6%).

Atividade em Portugal cresce 13%

Portugal manteve um ritmo de crescimento superior ao do Grupo. A margem bruta, que integra a totalidade das receitas, avançou 12% e o resultado antes de impostos chegou a 178 milhões de euros (+13%). A carteira de crédito atingiu 12.000 milhões de euros, com um aumento de 9%. O património gerido dos clientes — que inclui recursos de clientes, recursos fora de balanço e ativos sob custódia — cresceu 18%, totalizando 21.000 milhões de euros. O país consolida-se como a segunda geografia do Bankinter em volume de negócio e receitas.

Outras geografias

Em Espanha, o resultado antes de impostos atingiu 1.050 milhões de euros (+10%), com a carteira de crédito a crescer 3% e o património dos clientes a avançar 9%. Na Irlanda, o volume de negócio com clientes subiu 26%, a margem bruta cresceu 19% e o resultado antes de impostos chegou a 41 milhões de euros (+21%).

Municípios querem acelerar construção de habitação pública em Portugal

21 October 2026 at 23:17

Os municípios estão “disponíveis e motivados” para ajudar o Estado a aumentar a oferta de habitação pública e trabalham com entidades para reprogramar prioridades do Portugal2030 e acelerar a burocracia, disse a ANMP.

Em declarações à Lusa, no final de uma reunião do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), em Mourão, no distrito de Évora, o presidente da associação, Pedro Pimpão, destacou que “há, efetivamente, do ponto de vista da proposta do Orçamento do Estado [para 2027], um reforço das verbas destinadas à habitação”, uma área que “é uma preocupação” para os municípios.

“Nós assumimos esse compromisso de ajudarmos o Estado português a aumentar a habitação pública no nosso país, nos nossos municípios. E, portanto, esse reforço de verbas que possa existir, seja pela linha do Banco Europeu de Investimento [BEI], seja por outros mecanismos, nomeadamente no Portugal2030, que nos ajude a aumentar a resposta pública no parque habitacional, nós estamos disponíveis e estamos motivados para esse desígnio”, afirmou.

Pedro Pimpão sublinhou que a ANMP defende “o reforço de verbas destinadas exclusivamente à habitação e, nomeadamente, à habitação com preços controlados”.

Defende também “uma maior agilização e simplificação dos processos” para que esses procedimentos, sendo mais rápidos, consigam alcançar o objetivo de “criar condições para aumentar a habitação pública no país”.

Pimpão sublinhou que os municípios estão atualmente a trabalhar com entidades com responsabilidade nesta área, em particular com o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana), mas também com as comissões de desenvolvimento regional, no âmbito da reprogramação das prioridades do Portugal 2030 e também para que os procedimentos “sejam os mais céleres possíveis”.

“Todas as alterações que vierem no sentido de desburocratizar e de simplificar o processo são bem-vindas”, sublinhou.

O autarca sublinhou ainda que os municípios portugueses têm sido responsáveis pelo grosso do investimento público a nível nacional, sendo, “neste momento, responsáveis por 40% do investimento público, a nível nacional, na área da saúde, da educação e também da habitação”.

Proposta de Lei que reforma Tribunal de Contas aprovada no Parlamento

21 October 2026 at 21:01

Foi aprovada esta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, na Assembleia da República, a nova Proposta de Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas.

Em comunicado, o Governo sublinha que a reforma não põe em causa o controlo exercido pelo Tribunal responsável por fiscalizar a legalidade e a regularidade das receitas e das despesas públicas, mas altera o seu foco e o momento em que intervém.

Nas palavras do Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, esta aprovação “demonstra que é possível construir maiorias para fazer as reformas de que o país precisa” e abre caminho “a decisões mais rápidas e à concretização de investimento público, com maior capacidade de fiscalização e responsabilização na utilização do dinheiro dos contribuintes”.

“A aprovação desta lei no Parlamento demonstra que é possível construir maiorias para fazer as reformas de que o país precisa. Esta lei abre caminho a decisões mais rápidas e à concretização de investimento público, com maior capacidade de fiscalização e responsabilização na utilização do dinheiro dos contribuintes”, diz o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias.

Apresentada como um dos pilares da Reforma do Estado, a nova lei assenta em três ideias centrais: clarificar a separação de funções dentro do Tribunal, concentrar o visto prévio no que é verdadeiramente relevante e tornar a responsabilidade financeira mais exigente, mas também mais justa, alinhando o modelo português com as melhores práticas europeias e com as orientações da INTOSAI, a Organização Internacional das Instituições Superiores de Controlo.

No plano orgânico, a proposta consagra uma separação nítida entre os poderes jurisdicionais, que dizem respeito ao controlo de legalidade estrita e à efetivação de responsabilidades, e os poderes não jurisdicionais, ligados à auditoria em sentido amplo.

Essa distinção reflete-se na redefinição das três secções do Tribunal. A 1.ª Secção passa a dedicar-se em exclusivo à fiscalização prévia, a 2.ª Secção concentra toda a atividade de auditoria, incluindo a fiscalização concomitante e sucessiva, e a 3.ª Secção fica reservada para a efetivação da responsabilidade financeira, tornando-se ainda a única instância de recurso.

Para acompanhar esta nova arquitetura, é alterado o modelo de recrutamento: os juízes da 1.ª e da 3.ª Secção passam a ser designados segundo critérios análogos aos do Supremo Tribunal Administrativo, de modo a eliminar o problema dos vasos comunicantes entre quem concede o visto, quem audita e quem julga e condena.

A lógica que o Governo quer instituir é: fiscaliza-se a título prévio numa secção, audita-se noutra e responsabiliza-se e recorre-se numa terceira, com regras que impedem o mesmo juiz de participar na fase de investigação e na fase de julgamento do mesmo processo e que obrigam o Tribunal a interpretar institutos de outros ramos do Direito no mesmo sentido que têm no seu ramo de origem.

Como refere o comunicado, não se trata de enfraquecer a instituição, mas de definir melhor o seu papel, para que controle a legalidade e a boa gestão financeira com base técnica, sem substituir a Administração ou transformar-se num árbitro de conveniência política.

Na fiscalização prévia, a mudança mais visível é o aumento do limiar mínimo para o visto do TdC. Seguindo a tendência europeia, onde este controlo prévio é residual, o valor a partir do qual o visto passa a ser exigido sobe para 7,5 milhões de euros.

Em paralelo, são dispensados de fiscalização prévia os organismos que disponham de sistemas de decisão e de controlo interno com garantias de fiabilidade, acreditados mediante parecer da Inspeção-Geral de Finanças, com requisitos que vão desde uma estrutura organizacional clara e cultura de integridade até à segregação de funções e a mecanismos eficazes de avaliação de risco e fraude.

Todos os contratos acima de 950 mil euros continuam, ainda assim, a ter de ser obrigatoriamente comunicados ao Tribunal, para efeitos de fiscalização concomitante e sucessiva, permitindo que os recursos libertados pela redução do visto prévio sejam canalizados para um controlo mais inteligente e posterior.

Os fundamentos de recusa de visto são também mais precisos, com tipificação de nulidades, de violações financeiras expressamente identificadas e de violações da contratação pública com impacto financeiro significativo, reduzindo a margem de indeterminação.

Pela primeira vez, o co-contratante ganha direito a pronunciar-se sobre o projeto de decisão de recusa e a recorrer da decisão final, deixando de ser apenas um terceiro afetado de forma reflexa.

O prazo para a formação de visto tácito é alargado de 30 para 45 dias, elimina-se o regime de visto com recomendações e passa a ser possível ao juiz relator conceder liminarmente o visto quando a questão é simples e a solução se encontra já consolidada.

No domínio da auditoria e da responsabilidade financeira, a 2.ª Secção assume em exclusivo as auditorias, num modelo que o Governo descreve como mais moderno e qualificado, prevendo-se a possibilidade de reforço do número de juízes e consagrando-se o direito de recurso para os visados nos relatórios.

A efetivação da responsabilidade financeira é recentrada no Ministério Público, que passa a deter em exclusivo a legitimidade para requerer julgamento, podendo investigar, ampliar a ação a factos conexos e definir o seu objeto, sem ficar vinculado ao enquadramento feito nos relatórios de auditoria.

Muda também o critério de imputação: a responsabilidade passa a exigir dolo ou culpa grave, aproximando-se do regime aplicável aos gestores privados, e deixa de se considerar que age com dolo ou culpa grave quem decide seguindo informações ou pareceres emitidos no âmbito do respetivo processo de decisão, cabendo ao Tribunal aferir se a decisão foi tomada de forma informada e segundo critérios de gestão sã e prudente.

O novo regime prevê ainda a possibilidade de redução ou relevação da responsabilidade e uniformiza o prazo de prescrição, que passa a ser de cinco anos quer para a vertente sancionatória quer para a reintegratória.

A reforma institui, por fim, um Conselho Consultivo do Tribunal de Contas, com a missão de nomear o júri dos concursos de recrutamento de juízes e de exercer funções consultivas sobre as linhas estratégicas de fiscalização e sobre iniciativas legislativas e regulamentares ligadas à jurisdição financeira.

Concertação social acorda negociar prorrogação do Fundo de Compensação do Trabalho

21 October 2026 at 20:49

Os parceiros sociais acordaram esta quarta-feira, 21 de outubro, negociar a extensão do prazo de execução do Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) para lá de 31 de dezembro e a devolução do dinheiro às empresas cujo valor não exceda os mil euros.

Os patrões querem que as empresas tenham pelo menos mais seis meses para aplicar os 434 milhões de euros que estão no FCT, defendendo, à saída da reunião de Concertação Social, que decorreu hoje, que empresas que tenham saldos até mil euros o possam levantar.

Atualmente, a verba no FCT teria que ser aplicada a determinados fins com vista à melhoria das condições de trabalho como formação, habitação ou até indemnizações por despedimentos.

A ministra do Trabalho e Segurança Social, Maria Palma Ramalho, afirmou, após a reunião, que “houve uma proposta de ser prorrogado seis meses [da execução do FCT], mas houve propostas de ser prorrogado por outro tempo”, deixando em aberto o prazo concreto a ser definido.

“Portanto, uma prorrogação, mas nem sequer está consensualizado (…), portanto, tudo o resto, obviamente, está em cima da mesa neste momento”, acrescentou.

Na mesma linha, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, afirmou que “o prazo acaba no fim do ano e, portanto, há uma prorrogação de pelo menos mais seis meses”, tendo admitido ainda que “parece ter havido um consenso à volta da mesa”.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, reforçou o mesmo ponto, afirmando que o prazo terminaria “a 31 de dezembro, e, portanto, será prorrogado por mais uns seis meses”, embora não tenha sido ainda “estabelecido com rigor”, reconheceu.

Já o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, admite que esta é uma questão que vai analisar, acrescentando que “há empresas que têm valores residuais”, pelo que “não vai resolver nenhum problema na empresa”.

Em relação a estes valores residuais, os patrões – com exceção da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) que não compareceu na conferência de imprensa – mostraram-se de acordo em relação à devolução do valor às empresas até mil euros, sem que estas os tenham que aplicar dentro das normas de utilização atualmente em vigor.

O valor retido no fundo, segundo Francisco Calheiros, é na maior parte das empresas abaixo de mil euros, ao que o presidente da CIP, Armindo Monteiro diz ainda que “é um valor que foi pago pelas empresas, mas foi uma espécie de uma retenção na fonte para servir a um determinado propósito” e, assim, terá que “regressar aos donos desse dinheiro, que são naturalmente as empresas”.

Por outro lado, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que “houve o prazo para as empresas socorrerem desse valor”.

“Terminado esse prazo, o posicionamento da nossa parte é que esse valor das duas uma: ou reverta conforme a lei hoje está estabelecida para o FGCT [Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho], ou para aquilo que, do nosso ponto de vista, é o mecanismo que mais se assemelha ao FCT, que é o Fundo de Garantia Salarial, o FGS”, acrescentou.

Além disto, a CGTP defendeu também “que seja reposto a totalidade daquilo que foi retirado aos trabalhadores, ou seja, recuperar para os trabalhadores os 30 dias por ano de compensação em caso de despedimento”.

Em relação ao salário mínimo nacional, segundo os patrões a questão não foi propriamente discutida, pelo que, segundo a ministra do Trabalho “está em cima da mesa cumprir o acordo”, que prevê o aumento do salário mínimo em 50 euros para 970 euros em 2027.

As centrais sindicais têm vindo a defender um aumento acima da meta acordada, argumentando, nomeadamente, que a inflação está acima do esperado. A CGTP defendeu que a retribuição mínima garantida suba para 1.100 euros no próximo ano, enquanto a UGT reivindica que fique acima dos 1.000 euros.

As confederações empresariais, por sua vez, afirmaram que não veem razões “plausíveis” para avançar com um reforço do acordo de valorização salarial e crescimento económico em vigor, nomeadamente ao nível do salário mínimo nacional, argumentando que há medidas que ainda não foram cumpridas.

Lesados de burla imobiliária em Palmela exigem medidas para proteger compradores de casas

21 October 2026 at 20:44

O grupo de lesados de uma alegada burla imobiliária em Palmela, no distrito de Setúbal, que afetou cerca de 145 compradores, reclamou hoje do Governo e do parlamento medidas legislativas para proteger os adiantamentos pagos na compra de habitação.

Em comunicado divulgado hoje, o Grupo de Lesados por Burlas Imobiliárias de Palmela, que estima em cerca de 15 milhões de euros os prejuízos sofridos pelos compradores, defende que o Governo e o parlamento devem criar de mecanismos de proteção dos sinais e reforços de pagamento entregues aos promotores imobiliários antes da escritura.

As cinco medidas propostas pelo grupo de lesados da burla imobiliária em Palmela passam pelo “registo eletrónico obrigatório dos contratos-promessa com identificação única e alertas para promessas de venda sobrepostas”, “registo da titularidade do bem, dos poderes de quem vende e da situação urbanística do imóvel” e a “proteção dos sinais e reforços, através de meios como seguros-caução”.

“O cruzamento de informação entre registos, autarquias e outras entidades competentes, criando o BI do Imóvel, um registo único, de livre acesso” e a “fiscalização e responsabilização reforçadas de promotores e mediadores imobiliários”, são as outras medidas exigidas pelo grupo de lesados de Palmela.

No comunicado, o grupo recorda que a lei já prevê o registo de contratos-promessa com eficácia real a partir do momento em que haja aprovação de propriedade horizontal”, mas defende que é preciso conseguir “uma proteção equivalente para os contratos de bens futuros, que permitam contribuir para o financiamento da obra, mas com proteção integral do dinheiro investido por promitentes compradores”.

“Não bastam as alterações do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE), é preciso ver também aspetos no Código Civil e no regime do registo predial”, sublinha o grupo de lesados de Palmela.

Na nota, o grupo de lesados lembra que já deu conhecimento destas propostas à Presidência da República, primeiro-ministro, Procuradoria-Geral da República, Provedoria de Justiça, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Instituto dos Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção (IMPIC), Banco de Portugal e outras entidades públicas, mas ainda não recebeu qualquer proposta de medidas concretas.

Os lesados da burla imobiliária que afetou cerca de 145 compradores de empreendimentos habitacionais previstos para o concelho de Palmela, dos quais resultaram apenas 21 moradias e um edifício com cinco frações, todos inacabados, entendem que a legislação atual não assegura uma proteção financeira eficaz a quem compra imóveis em planta ou em construção, deixando os compradores expostos ao risco de perderem as poupanças em caso de incumprimento ou fraude.

Sustentam ainda que a simplificação administrativa deve ser acompanhada de maior segurança jurídica e financeira para os compradores.

Recorde-se que foi noticiado em janeiro deste ano que mais de 120 famílias que entregaram quantias avultadas como sinal para aquisição de moradias à Sociedade Comercial Diagramamotriz, entretanto declarada insolvente, em negócios que tiveram a intermediação de imobiliárias como a Remax Expogroup Trust e a Bluecoast.

No processo, em investigação pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal, está em causa o incumprimento dos contratos-promessa de compra e venda de imóveis nos empreendimentos Palmela Dreams, Alcaide Villas, Urbanização de Santa Teresinha (lotes 14/15/16), Aires Dreams Living e Ferra Cinta, no concelho de Palmela, distrito de Setúbal.

Cerca de 60 organizações recrutam na Faculdade de Direito da Universidade Católica

21 October 2026 at 20:35
Católica Startups

Cerca de 60 organizações — sociedades de advogados, empresas, consultoras e instituições públicas — vão estar presentes nos dias 28 e 29 de outubro na Faculdade de Direito — Escola de Lisboa da Universidade Católica Portuguesa (UCP) para recrutar estudantes de Direito.

A iniciativa, denominada JobShop e organizada pelo Gabinete de Carreiras da faculdade, inclui ainda três mesas-redondas dedicadas aos temas que estão a transformar a profissão: a transformação digital, a geopolítica e o futuro das carreiras jurídicas.

Segundo a diretora da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da UCP, Ana Taveira da Fonseca, “a JobShop permite aos nossos estudantes conhecerem de perto a realidade das profissões jurídicas e falarem com quem as exerce todos os dias, aproximando a formação académica do mercado de trabalho”.

No primeiro dia do evento, a mesa-redonda “Direito 360.º — Desafios impostos pela transformação digital” junta advogados, magistrados e representantes do meio empresarial para discutir o impacto da tecnologia nas profissões jurídicas. Participam a Abreu Advogados, o Centro de Estudos Judiciários, a Pérez-Llorca, a DXC Technology, a Gómez-Acebo & Pombo, a Morais Leitão e a Vieira de Almeida.

Ainda a 28 de outubro, mas na parte da tarde, a sessão “Direito 360.º — Futuro das carreiras jurídicas” trata das oportunidades e dos desafios das várias profissões, com intervenções de sociedades de advogados, do Ministério Público e do Banco de Portugal.

No dia seguinte, a mesa “Direito 360.º — Desafios da geopolítica no exercício das profissões jurídicas” reúne advogados e diplomatas para analisar a influência do contexto geopolítico na prática jurídica, estando presentes a Eversheds Sutherland, a Gama Glória, a CMS, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a LEKTOU.

Para além das sessões de debate, os dois dias de evento contemplam um Recruiting Lounge, que funciona como ponto de encontro direto entre estudantes e potenciais empregadores, e o momento “A Hora do Sócio”, em que os sócios responsáveis pelo recrutamento nas sociedades de advogados respondem a dúvidas e partilham a sua visão sobre as oportunidades profissionais.

Entre as entidades presentes contam-se a Autoridade da Concorrência, a Câmara Municipal de Lisboa, o Centro de Estudos Judiciários, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Centro de Informação Europeia Jacques Delors e algumas das maiores sociedades de advogados destacadas nos rankings nacionais e internacionais.

A JobShop é um evento exclusivo para alunos de licenciatura, mestrado e LL.M. (Latin Legum Magister) da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.

PR promulga Decreto-Lei que valoriza carreiras de Conservadores e Oficiais de Registos do IRN

21 October 2026 at 20:00

O Presidente da República promulgou na segunda-feira, 19 de outubro, o Decreto-Lei que procede à valorização das carreiras de Conservadores de Registo e de Oficiais de Registos do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN).

A medida resulta de um longo processo negocial entre a FESAP e a Ministra da Justiça, no âmbito do Acordo Plurianual de Valorização dos Trabalhadores da Administração Pública, e foi aprovada em Conselho de Ministros há alguns meses.

O diploma permite um incremento salarial de centenas de euros para os trabalhadores destas carreiras, com efeitos retroativos a 1 de julho de 2025. A estes aumentos somam-se, já em janeiro, os valores anuais previstos no Acordo Plurianual para 2027 — 60,52 euros ou um mínimo de 2,3%.

O diploma corrige ainda a situação profissional e remuneratória de cerca de 260 Oficiais de Registos oriundos da antiga carreira de Escriturário, que desde 2018 se encontravam numa posição injusta. Estes trabalhadores beneficiam do reposicionamento remuneratório na nova estrutura da carreira e de uma valorização adicional de 140 euros no vencimento base.

Aos Oficiais de Registos do IRN que manuseiem ou tenham à sua guarda valores ou numerário será atribuído o abono para falhas.

A FESAP destaca que este é mais um processo de valorização salarial liderado pela federação, resultado da persistência e seriedade nas negociações. A organização aguarda agora a publicação rápida do Decreto-Lei em Diário da República e considera que o acordo abre caminho para outros processos importantes, nomeadamente o que envolve as carreiras gerais de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional — que abrangem cerca de 350 mil trabalhadores e se espera que produza efeitos a partir de janeiro de 2027.

Geração Depositrão mobiliza mais de 345 mil alunos e recolhe 470 toneladas de resíduos elétricos

21 October 2026 at 19:20

Mais de 345 mil alunos, 473 escolas e 470 toneladas de resíduos corretamente encaminhados. É o balanço da 18.ª edição da Geração Depositrão, iniciativa de educação ambiental promovida pela ERP Portugal, que volta a afirmar-se como um dos maiores projetos de sensibilização ambiental em contexto escolar no país.

Este ano, a iniciativa esteve presente em escolas de todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas, envolvendo não só alunos e professores, mas também as famílias, na correta gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE) e de pilhas e baterias.

Além da recolha, a edição combinou educação e criatividade, em parceria com a ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação. Ao todo foram recebidos 172 trabalhos pedagógicos nos diferentes escalões de ensino.

Calheta lidera e Lisboa é o distrito que mais recolheu

Em peso absoluto, a grande vencedora foi a EB 2,3/S da Calheta, na ilha de São Jorge, Açores, com 40.913 kg de resíduos encaminhados. No pódio seguem-se duas escolas do concelho de Odemira: a EB 2,3 Damião de Odemira, com 27.214 kg, e a Escola Básica de Sabóia n.º 1, com 24.330 kg.

Por distritos, Lisboa liderou a recolha nacional com 63.820 kg, seguida de perto por Beja com 63.001 kg e Angra do Heroísmo com 42.297 kg.

As escolas foram distinguidas em diferentes categorias – peso absoluto, per capita e por tipo de resíduo, incluindo televisores e monitores, equipamentos de frio e pilhas e baterias – com o apoio da Worten, Orima, Pingo Doce e LG.

“A Geração Depositrão é, acima de tudo, um projeto de educação e mobilização para a correta gestão de resíduos, e reforço da responsabilidade social de todos nós. Ao longo de 18 edições, temos procurado transformar a escola num espaço onde a sustentabilidade não se aprende apenas, mas se pratica. Quando um aluno aprende onde deve entregar uma pilha ou um equipamento elétrico e leva esse conhecimento para casa, estamos a criar um impacto que vai muito além da escola”, afirma Rosa Monforte, Diretora-Geral da ERP Portugal.

Com 18 edições, o projeto tem como objetivo consolidar uma cultura de responsabilidade ambiental e reforçar o papel de cada cidadão na economia circular, incentivando a entrega destes resíduos nos canais adequados.

Tribunal de Contas nega estar há dois anos a travar expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa

21 October 2026 at 17:35

O Tribunal de Contas (TdC) garantiu hoje que o processo de fiscalização prévia ao contrato das obras de prolongamento da Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa deu entrada no organismo em julho de 2025, contestando as declarações da presidente do Conselho de Administração da empresa, que apontou uma espera de “dois anos” pelo visto prévio.

Em comunicado de imprensa, o TdC esclarece que o processo relativo ao contrato de “Aquisição de serviços de coordenação, fiscalização, gestão da qualidade, segurança e ambiente das obras do prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara” deu entrada no Tribunal a 29 de julho de 2025, tendo sido devolvido 14 de agosto para esclarecimento de questões relativas à Resolução do Conselho de Ministros n.º 31/2024, de 1 de março, que autorizou a reprogramação dos encargos plurianuais entre 2023 e 2027, e ao prazo de execução contratual de 38 meses após o visto prévio.

O Tribunal indica que solicitou a documentação que demonstrasse que os encargos plurianuais decorrentes do contrato submetido se encontravam devidamente aprovados pela entidade competente.

Segundo o comunicado, após “sucessivas insistências” do TdC, o Metropolitano de Lisboa respondeu apenas a 30 de setembro de 2026, informando que ainda não tinha enviado a resposta porque era necessária a reprogramação dos encargos constantes da resolução de Conselho de Ministros, tendo solicitado à tutela setorial a emissão de uma nova resolução, que continuava a aguardar.

Cristina Vaz Tomé, presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, disse ontem no Parlamento que a expansão da Linha Vermelha ainda não avançou porque estão “há dois anos à espera que o Tribunal de Contas atribua o visto prévio para a fiscalização das obras”, informação que o TdC considera “corrigir”, naquele comunicado.

O prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara é um dos projetos em curso no Metropolitano de Lisboa, cuja execução depende, entre outros fatores, da obtenção do visto prévio do Tribunal de Contas.

PSI fecha em alta impulsionado pelo BCP e pela tecnologia em dia de avanço para a paz na guerra Rússia-Ucrânia

21 October 2026 at 17:27

O índice PSI fechou a sessão desta quarta-feira, 21 de outubro, com uma valorização de 0,46%, fixando-se nos 9.374,46 pontos, num dia marcado pelo otimismo em torno do setor tecnológico e pelos resultados empresariais acima das expectativas.

O BCP destacou-se como o principal motor do índice ao avançar 2,14% para 1,122 euros, antes da apresentação de resultados na próxima quarta-feira, seguido pela EDP Renováveis (+1,17% para 12,09 euros) e pela EDP (+1,30% para 4,760 euros), num movimento alinhado com o resto da Europa.

Do lado das perdas, a NOS liderou as descidas ao recuar 1,71% para 5,185 euros, seguida pela Sonae (-0,93% para 2,1300 euros) e pela Jerónimo Martins (-0,54% para 18,31 euros), que contrariaram a tendência positiva do mercado nacional.

No seu comentário de fecho de mercado, o Millennium investment banking destacou que “o PSI acompanhou o sentimento e ganhou 0,5%, com o BCP a liderar os ganhos, puxado por novos upgrades” , sublinhando ainda que o entusiasmo em torno do setor tecnológico foi um dos principais impulsionadores da sessão, depois de a SpaceX ter apresentado contas surpreendentes que reforçaram os sinais positivos para o futuro da inteligência artificial. As ações da empresa de Elon Musk disparam 12%.

No resto da Europa, o sentimento foi claramente positivo, com os principais índices a encerrarem em alta. O Euro Stoxx 50 terminou nos 6.207,52 pontos, uma subida de 1,40%, enquanto o Stoxx 600 avançou 0,91%. O FTSE 100 londrino somou 0,19% para 10.752,88 pontos, o CAC 40 francês ganhou 1,06% para 7.921,68 pontos e o DAX alemão valorizou 1,35% para 25.645,04 pontos. Em Itália, o FTSE MIB subiu 1,17% para 49.643,69 pontos e, em Espanha, o IBEX 35 registou um acréscimo de 1,21% para 19.323,50 pontos. O entusiasmo em torno do setor tecnológico, alimentado pelos resultados da SpaceX e da Super Micro Computer, que reacenderam o interesse pela inteligência artificial, foi o principal catalisador para a onda verde que varreu as bolsas europeias.‌

O ambiente de negociação foi condicionado, por um lado, pelos fortes resultados empresariais que superaram as estimativas e, por outro, pela incerteza geopolítica.

Contexto macroeconómico e geopolítico com sinais positivos para o fim da guerra na Ucrânia

Os protestos violentos em França, que levaram à revisão em baixa das previsões de lucros da Carrefour devido aos distúrbios e aos custos acrescidos, juntamente com a inflação no Reino Unido a subir acima do esperado (+0,4% em termos mensais e +3,5% em termos homólogos), reforçaram as expectativas de que o Banco de Inglaterra possa vir a aumentar as taxas de juro na sua reunião de novembro.

A incerteza em torno da situação política francesa e a ausência de uma solução para o conflito no Médio Oriente continuam a manter os investidores cautelosos.

No entanto, o dia foi marcado por desenvolvimentos significativos nas negociações de paz para a Ucrânia, que injetaram algum otimismo cauteloso. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, reuniu-se ontem em Oslo com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre e o Presidente finlandês Alexander Stubb (com participação de representantes europeus e da NATO). As conversações foram descritas como “produtivas” e “construtivas” por fontes oficiais dos EUA, com progressos em elementos-chave de um quadro de paz abrangente: garantias de segurança para a Ucrânia, plano de recuperação económica pós-guerra e arquitetura de segurança europeia mais ampla.

O Kremlin confirmou entretanto, através da TASS, que a Noruega e a Finlândia passaram a fazer parte do processo de paz.

Nesta quarta-feira, 21 de outubro, Witkoff deslocou-se a São Petersburgo para um encontro de cerca de três horas com Vladimir Putin (com a presença do conselheiro Yury Ushakov e do enviado Kirill Dmitriev; Jared Kushner participou por videoconferência). Segundo Ushakov, Putin aceitou “em princípio” a proposta norte-americana de retomar as conversações trilaterais (EUA-Rússia-Ucrânia) após 10 de novembro, centradas na construção de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito.

A Casa Branca confirmou que a Rússia aceitou a proposta de reunião trilateral. Putin agradeceu publicamente os esforços de Trump e de Witkoff para pôr fim à guerra. Em paralelo, Zelensky declarou, em entrevista à Fox News (“Fox & Friends”), que aceitaria um acordo de paz que congelasse as linhas de frente atuais (permitindo à Ucrânia manter 75% ou mais do seu território), como primeiro passo para um cessar-fogo e posterior negociação de garantias de segurança robustas junto dos EUA e dos europeus.

“Neste momento temos de congelar, e penso que esta é a forma real de pôr fim a esta guerra”, afirmou Zelensky, sublinhando a abertura a negociações trilaterais (preferencialmente com participação europeia) e a necessidade de “não falarem de nós sem nós”.

Um assessor de Putin indicou ainda que a guerra está a “mover-se em direção a um fim”, segundo a Vesti.

Estes movimentos diplomáticos – após meses de estagnação desde as últimas rondas trilaterais de início de 2026 – representam o maior impulso recente para um possível descongelamento do conflito, embora as questões territoriais (especialmente o Donbas) e as garantias de segurança permaneçam os principais obstáculos.

Os mercados reagiram de forma contida, privilegiando o impulso tecnológico, mas o potencial de redução do risco geopolítico continua a ser monitorizado de perto pelos investidores.

Petróleo em queda mas yields continuam a pressionar

No mercado de matérias-primas, o petróleo registou ligeiras descidas, com o NYMEX WTI a recuar 0,65% para 97,18 dólares e o ICE Brent a descer 0,05% para 108,74 dólares.

No mercado obrigacionista, a pressão sobre os juros da dívida soberana manteve-se, com a Alemanha a 10 anos a render 3,42% (uma variação de +2,09 pontos base) e Portugal, no mesmo prazo, a fixar-se nos 3,94% (+5,44 pontos base), aumentando o prémio de risco.

França continuou a ser o foco de tensão, com a yield a 10 anos a subir para 5,01% (+8,35 pontos base), num contexto de preocupações em torno do défice orçamental e da instabilidade política no país.

 

eBUPi: Consulta Pública “Beira Atlântico” arranca hoje em quatro municípios

21 October 2026 at 16:00

A Consulta Pública “Beira Atlântico”, que abrange os municípios de Ílhavo, Mira, Santa Maria da Feira e Vagos, arranca hoje e decorre durante 60 dias úteis, até 18 de janeiro de 2027, anunciou a eBUPi em comunicado.

Na nota, a Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado (eBUPi) refere que durante este período proprietários e demais interessados podem consultar as Representações Gráficas Georreferenciadas (RGG) e apresentar reclamações sobre os limites dos prédios abrangidos.

A consulta incide sobre RGG sem sobreposições, validadas com reserva de geometria, nos quatro municípios envolvidos, e constitui, segundo a eBUPi, “uma etapa importante no processo de identificação e conhecimento do território”.

“Durante este período, os interessados podem consultar as RGG abrangidas e verificar se os limites representados correspondem à realidade. Caso identifiquem incorreções, podem apresentar uma reclamação, acompanhada dos elementos necessários à sua apreciação”, lê-se no comunicado.

A eBUPi esclarece que a consulta pública não visa reconhecer nem declarar direitos de propriedade, mas sublinha que a participação é fundamental, uma vez que a informação geográfica posteriormente integrada na Carta Cadastral “produzirá efeitos jurídicos relevantes quanto à localização, configuração e área dos prédios, beneficiando de uma presunção legal de correspondência à realidade física, sem prejuízo de prova em contrário”.

A estrutura alerta ainda que, embora seja possível corrigir erros posteriormente, essas alterações ficarão sujeitas ao processo de conservação cadastral previsto na lei, que “poderá exigir elementos técnicos adicionais e implica custos”.

A informação pode ser consultada online, através do Site da Consulta Pública ou presencialmente, nos balcões BUPi dos municípios abrangidos, revela a eBUPI.

Segundo a eBUPi, a análise das reclamações apresentadas permitirá identificar situações que necessitem de correção ou esclarecimento, constituindo uma etapa relevante para a posterior validação da informação e a sua integração na Carta Cadastral, quando reunidas as condições legalmente previstas.

A Consulta Pública “Beira Atlântico” integra o processo de consolidação da informação cadastral em curso em todo o país.

A eBUPi (Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado) tem como objetivo a expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado e do Balcão Único do Prédio (BUPi) a todo o país e o desenvolvimento dos sistemas de informação e de interoperabilidade de suporte ao BUPi

QD Challenge 2026: Quadrante desafia estudantes até 30 de outubro

21 October 2026 at 15:50

A Quadrante abriu as candidaturas para a edição de 2026 do QD Challenge, uma iniciativa que procura aproximar os estudantes universitários da realidade do mercado de trabalho através de uma experiência intensiva de um dia. As inscrições para este desafio decorrem até ao próximo dia 30 de outubro e podem ser efetuadas através do site oficial do evento.

Dirigido a estudantes de licenciatura e mestrado das áreas de Engenharia, Arquitetura, Sustentabilidade, Tecnologia & Data Science e Management & Strategy, o desafio gratuito coloca os participantes perante um caso prático e complexo. Organizados em equipas multidisciplinares, os estudantes terão de analisar informação, gerir recursos e tomar decisões estratégicas sob pressão de tempo, simulando as exigências do ambiente de trabalho. A dinamização inclui ainda um sistema de créditos limitados para aconselhamento técnico, exigindo uma gestão rigorosa de prioridades e restrições.

Segundo Ricardo Mergulhão, Chief Human Resources Officer da Quadrante, o objetivo passa por testar competências além do contexto académico, avaliando o pensamento crítico, a colaboração e a capacidade de transformar conhecimento teórico em soluções concretas. A avaliação das equipas considerará fatores como a inovação, a qualidade técnica, a viabilidade, o impacto e a sustentabilidade das propostas.

A iniciativa tem vindo a registar um crescimento sustentado, tendo contabilizado um aumento de 42% nas candidaturas entre 2024 e 2025. Na última edição, a iniciativa contou com estudantes oriundos de 21 instituições de ensino superior, sendo que 64% dos participantes frequentavam o último ano da sua formação. O evento terá lugar nas instalações da empresa na Amadora.

Santander em parceria com a Nvidia para desenvolver modelos de IA para a banca

21 October 2026 at 15:40
Santander Ana Botín

O Banco Santander está a reforçar a parceria com a Nvidia para desenvolver modelos de inteligência artificial especializados em tarefas bancárias, com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento ao cliente e reduzir custos operacionais, anunciou o banco numa nota de imprensa esta quarta-feira.

No âmbito do Santander AI Lab, a instituição está a testar e a aperfeiçoar modelos e agentes de IA adaptados a necessidades específicas da banca, passando progressivamente de grandes modelos de uso geral para versões mais pequenas e especializadas.

Em casos de uso experimentais, esta abordagem permitiu reduzir os custos de processamento de cerca de 5 euros por interação para aproximadamente 0,03 euros, mantendo elevado desempenho. Num projeto-piloto de atendimento ao cliente, o banco melhorou a qualidade das conversas e cortou os custos de serviço em mais de 50%.

O Santander criou a plataforma Model Arena para avaliar modelos de pesos abertos (open-weight) em tarefas bancárias e identificar o mais adequado a cada caso. O banco está também a especializar modelos com o Nvidia NeMo Customizer e a usar a família de modelos NVIDIA Kumo para dados estruturados, além de industrializar a inferência com a solução Nvidia Dynamo-Triton.

Para dar continuidade ao trabalho, as duas empresas firmaram um acordo-quadro de colaboração de três anos. O entendimento abrange modelos fundacionais, agentes de IA, prevenção de fraude e combate ao branqueamento de capitais, tomada de decisões em tempo real e tecnologias de simulação, incluindo o conceito de “digital twin”.

“A Nvidia é um parceiro fundamental nas infraestruturas, no software e na investigação, impulsionando de forma significativa os mais recentes avanços em inteligência artificial”, afirmou Iñaki Bernal, responsável global de Inteligência Artificial do Santander.

“Ao conjugarmos estas capacidades com a escala do Santander em áreas de negócio, clientes e geografias, acreditamos estar numa posição única para transformar, com sucesso, esses avanços em capacidades bancárias concretas”, acrescenta-

Já Aser Blanco, responsável global pelo setor bancário na Nvidia , destacou que a banca é um dos setores mais intensivos em dados e que “o custo por resultado de inteligência é uma métrica fundamental”. Segundo ele, o Santander está a demonstrar como a abordagem com modelos mais pequenos e especializados com dados próprios funciona em produção e à escala de um banco global.

O Santander AI Lab continua a desenvolver processos rigorosos de experimentação, otimização de desempenho e testes adversariais a sistemas de IA conversacional, antes de implementar à escala as soluções que demonstrem valor em todo o Grupo.

Lisboa recebe este mês encontro europeu de gestão de frotas com apoio da ALF

21 October 2026 at 15:30

A cidade de Lisboa vai acolher, nos dias 27 e 28 de outubro, o Fleet Europe Days 2026, considerado um dos principais encontros europeus dedicados aos decisores de frota e mobilidade, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF).

O evento, que decorrerá na Feira Internacional de Lisboa (FIL) e conta com a parceria institucional da ALF, deverá reunir cerca de 1.500 participantes provenientes de diversos mercados.

A iniciativa integra a Fleet Europe Summit e a Remarketing Summit, promovendo um programa focado nos principais desafios e tendências do setor. Segundo a associação, em debate estarão matérias como o financiamento de frotas, a mobilidade sustentável, a eletrificação e descarbonização, bem como as tecnologias de segurança e conectividade. A gestão do ciclo de vida dos veículos, incluindo inspeção, recondicionamento de automóveis usados, remarketing e valor residual, é outro dos eixos centrais dos trabalhos.

Em declarações sobre o encontro, o presidente da ALF, Luís Augusto, destacou que a realização do Fleet Europe Days 2026 na capital portuguesa constitui “uma oportunidade para aproximar o mercado português das principais tendências e desafios internacionais da gestão de frotas”. O responsável salientou ainda que a colaboração reforça o compromisso da associação em manter uma ligação próxima com as gestoras de frotas e os diversos intervenientes do setor automóvel, estimulando a partilha de conhecimento.

A ALF representa o setor do financiamento especializado em Portugal há mais de quatro décadas, agrupando atualmente 25 instituições operantes nas áreas de locação financeira, factoring e renting.

Manie volta a juntar startups em torneio de futebol antes da Web Summit em Lisboa

21 October 2026 at 15:20

A startup portuguesa Manie promove a segunda edição do torneio de futebol Startup Web Summit Kick Off, no dia 07 de novembro, no Estádio da Tapadinha, em Lisboa, com o objetivo de reunir a comunidade de startups em Portugal na semana da Web Summit.

O torneio vai realizar-se entre as 13h30 e as 17h15, seguido de um convívio, e as inscrições já estão abertas, com um custo de 15 euros por pessoa, informou hoje a organização em comunicado.

A iniciativa é organizada pela Manie, em parceria com a Unicorn Factory Lisboa, o Atlético Clube de Portugal – Futebol SAD, a Shakers e o The Next Big Idea.

“O ecossistema de startups também se constrói através de experiências partilhadas e da capacidade de sair da rotina. Queremos trazer essa dinâmica para o campo e dar à comunidade uma razão diferente para se juntar antes da Web Summit”, afirma o cofundador da Manie, André Pedro, citado no comunicado.

Para o diretor executivo do Atlético Clube de Portugal, João Carvalho, o objetivo é que o Estádio da Tapadinha seja o “ponto de encontro de Lisboa” durante a semana da Web Summit, “num ambiente totalmente diferente” e com “convívio ao ar livre, a fazer desporto num contexto histórico e cultural sem igual”.

O diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa, Gil Azevedo, considera que a iniciativa é “uma oportunidade para reforçar a ligação entre empreendedores, uma das valências que torna Portugal num país tão atrativo para startups”.

“A semana da Web Summit é quando mais se sente a força do ecossistema de startups em Lisboa. Um torneio como este dá aos fundadores e às equipas algo que nos stands é difícil encontrar: tempo para se conhecerem fora do pitch”, acrescenta o cofundador da Shakers, Nico de Luis.

O torneio vai reunir oito equipas, divididas em dois grupos de quatro, que se defrontam entre si, com os vencedores de cada grupo a disputarem a final. Os jogos são de 7×7, em duas partes de 10 minutos na fase de grupos e duas partes de 15 minutos na final.

Cada equipa pode ter até oito jogadores. Todos os participantes devem fazer inscrição individual e indicar o nome da startup que representam. Caso uma startup não reúna o mínimo de sete jogadores inscritos, os participantes são integrados em equipas compostas por membros de diferentes startups.

A equipa vencedora recebe um pitch de um minuto no programa The Next Big Idea, uma mesa para a temporada no Atlético Clube de Portugal, com seis bilhetes por jogo, e um ano de subscrição da plataforma Manie.

A Manie é uma plataforma tecnológica portuguesa, criada em 2024, dedicada à gestão inteligente de contratos de energia para consumidores e pequenas empresas.

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