O comércio local são-brasense volta a estar em destaque no primeiro fim de semana de setembro, com mais uma edição do Stock Out – Feira de Saldos de Verão, que regressa ao Jardim Carrera Viegas no fim de semana, de 4 a 6 de setembro.
A iniciativa promovida pelo Município de São Brás de Alportel faz a fusão perfeita entre saldos e oportunidades de compra, produtos locais e muita animação, num ambiente de convívio para toda a família.
Nesta edição, o destaque vai para as atuações de valores musicais da região, nomeadamente Edmundo Inácio, na noite de sexta-feira e Rafael Sousa no sábado!
A diversidade e a qualidade do comércio local estarão em destaque, acompanhadas pela presença de quase quatro dezenas de artesãos e produtores locais e por um programa de animação para todas as idades, com especial atenção aos mais novos, que poderão contar com atividades e várias surpresas.
Este ano, participam no Stock Out – São Brás de Alportel as lojas: 100 Limites, Babaloo, Loja Coelho, Julie Boutique, Sublime Fashion Store e Tininha, a que se juntam artesãos e produtores locais para proporcionar três dias de oportunidades e experiências num ambiente de festa.
Com entrada livre, o Stock Out abre portas na sexta-feira e no sábado, das 19h00 à 01h00, e no domingo, das 17h00 às 23h00.
A música e o baile marcam presença ao longo dos três dias
Na sexta-feira, dia 4, a noite conta com David Brito, às 21h30 e 23h00, e com Edmundo Inácio, às 22h00, um dos nomes que mais se tem destacado no panorama musical nacional.
No sábado, dia 5, a animação começa às 21h30, com Vítor Alves, seguindo-se São Brás Bailando, às 22h00, e Rafael Sousa, às 22h30, mais um talento em ascensão no panorama musical algarvio, com um carreira a solo.
No domingo, dia 6, o programa começa às 18h00 com Luís José, seguindo-se Laura Pereira, às 18h30, e Alma do Fado, às 19h30, um projeto musical de grande qualidade com uma plêiade de valores locais.
O Desfile de Moda Clube do Museu, às 22h00 seguindo-se bailarico, encerra a programação, cumprindo a tradição.
O Motoclube São Brás “Unidos da Estrada” mantém a parceria com a Câmara Municipal de São Brás de Alportel, assegurando a colaboração com a organização e um espaço petiscos.
Festa e Feira de Setembro mantém viva a tradição
Como já é tradição, a Feira de Saldos renova a tradicional Feira de Setembro cuja história se perde no tempo.
No domingo, dia 6, a animação estende-se também ao Parque Roberto Nobre, que recebe a tradicional Festa e Feira de Setembro, com Feira Tradicional, artesanato e animação.
Organizada pelo Município de São Brás de Alportel, a iniciativa complementa o programa deste fim de semana, proporcionando um encontro com a tradição, os produtos e os saberes locais.
Com o Stock Out e a Festa e Feira de Setembro, São Brás de Alportel prepara-se para um fim de semana que junta compras, artesanato, música, animação e tradição, valorizando o comércio e a produção local e proporcionando momentos de convívio para toda a comunidade.
Após semanas de tensão entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Lula conversou por telefone com Donald Trump na última sexta-feira, 21 de agosto. A ligação, que durou mais de uma hora e meia, teve dentro dos principais temas as atuais medidas envolvendo a segurança pública e economia, e também as acusações contra autoridades brasileiras. Segundo nota do Governo Federal, a conversa foi para retomada de um novo canal de diálogo e de negociações entre os países.
Em entrevista ao Pauta Pública, gravada no mesmo dia da ligação, Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, reforçou que a conversa teve um tom positivo, que não se limitou aos temas bilaterais, mas reforçaram o compromisso de cooperação sem a necessidade de interferências dos EUA nas questões nacionais. “O presidente Lula e o presidente Trump fizeram a nuvem, agora as equipes técnicas têm que fazer chover”, afirma Amorim.
Na entrevista com Andrea Dip, ele analisa o resultado da conversa, comenta as medidas adotadas pelo governo norte-americano e os desafios das negociações comerciais. Ele também fala sobre as pressões geopolíticas sobre o Brasil e a necessidade de fortalecer a defesa e a independência do país na área industrial e militar. “Diante desse mundo, é como uma apólice de seguro. É evidente que você prefere que não aconteça nada, mas você tem que estar preparado se acontecer.”
Celso Amorim é chefe da Assessoria Especial do Presidente da República
Leia os principais pontos da conversa e ouça o podcast completo abaixo.
EP 231
Lula e Trump: entre a crise e a negociação – com Celso Amorim
28 de agosto de 2026
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Ex-chanceler e Assessor especial da Presidência analisa a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos
Quais foram os principais temas tratados no telefonema entre Lula e Trump? Qual era o clima e qual seu balanço sobre essa conversa?
O balanço da conversa é o mais positivo possível. Eu acho que os dois presidentes tiveram uma conversa muito respeitosa, com muita empatia. O presidente Lula não se limitou a temas bilaterais, ele falou de temas globais, e o presidente Trump se estendeu em colocar a posição dele, mostrar qual é a visão dele de mediação e o papel que os Estados Unidos têm realizado, o que pode ser feito. O presidente Lula enfatizou a importância do Conselho de Segurança, um lugar onde as grandes potências que podem decidir têm que conversar.
Em geral, dentro do clima desse espírito brasileiro de que, quando possível, sempre coopera para a paz, mas tendo clareza de que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU [China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia] têm uma responsabilidade primária nisso. E, obviamente, os Estados Unidos, como ainda é a maior potência do mundo, têm uma responsabilidade especial.[…] Na parte bilateral, os temas que foram tratados são os que estão na nota oficial, não houve nenhum tema diferente.
Os dois temas principais foram o comércio e a cooperação no combate ao crime organizado, que as equipes se reúnam, voltem a se reunir e trabalhar. O presidente Lula descreveu um pouco o que nós temos feito aqui. E, digamos, foi crítico da medida americana comercial, claramente, que os motivos não correspondiam à realidade.
O presidente Trump não contestou, não posso dizer também se concordou, mas ele concordou com a importância de voltar a conversar e preparar as equipes para isso. Então, o clima foi muito bom. Eu acho que o que se espera de uma conversa entre chefes de Estado é isso, é criar o clima e depois as equipes têm que encontrar a solução. Às vezes, as equipes são mais difíceis do que os governantes, mas isso é um problema para mais tarde.
O senhor avalia as ações tomadas pelo governo Trump, em relação ao Brasil, como ilegais ou inconstitucionais?
Constitucionais segundo a Constituição dos Estados Unidos eu não posso julgar. A Suprema Corte americana já fez isso no passado em relação à primeira onda de tarifaço. Enfim, eu sempre me lembro do primeiro encontro – não o primeiríssimo, porque o primeiro foi antes da posse – mas o primeiro encontro do presidente Lula com o presidente Bush na Casa Branca, no Salão Oval, quando o presidente Lula entrou, o presidente Bush disse assim, “olha, nós temos diferenças, nós vamos tratar daquilo que nos aproxima.”
Enfim, eu achei que o clima foi um pouco também esse, sem necessariamente falar em diferença, mas que é muito respeitoso da parte do presidente Trump. As colocações que nós fizemos, muito interessado em discutir e apresentar a posição norte-americana sobre temas globais. Eu acho muito respeito por um estadista, que o presidente Lula é, não é qualquer pessoa que liga para o presidente dos Estados Unidos. Eu tenho muita vivência nisso, quem liga para o presidente dos Estados Unidos e fala sobre a guerra no Irã, por exemplo, e ele se dá ao trabalho de explicar as posições dos Estados Unidos? Agora, eu tinha um chefe, que era ministro do exterior muitos anos atrás, ele dizia que “a gente faz a nuvem, agora a gente não pode fazer chover.” Então, o presidente Lula e o presidente Trump fizeram a nuvem, agora as equipes técnicas têm que fazer chover.
Vários analistas veem um aumento constante das pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil por acesso a recursos nos próximos anos e para conter a influência da China, independente de ser um governo republicano ou democrata. Alguns até pensam na possibilidade de uma escalada militar envolvendo o Brasil pela sua importância geopolítica na nova economia. Como fugir dessa encruzilhada?
O Brasil, como um país grande que é, tem que tratar da sua defesa. Nós temos que trabalhar nessa conversa. Nós conversamos com todos e torcemos, e se pudermos vamos colaborar para que eles tenham uma relação pacífica entre si. Isso não é bom só para o Brasil, isso é bom para o mundo. Diante desse mundo, é como uma apólice de seguro. É evidente que você prefere que não aconteça nada, mas você tem que estar preparado se acontecer. Eu fui ministro da Defesa, como você sabe, e naquela época fizemos investimentos importantes, entre eles o Gripen [aeronave supersônica], mas a Comissão da Verdade foi o tema dominante. Então, as atenções se voltavam mais para isso, mas eu acho que nós temos que dar uma grande importância à defesa nacional.
Isso pode envolver cooperação com outros países, mas tem que envolver também um grau forte de independência na área industrial ou militar. Isso eu acho que é fundamental. Não é para atacar ninguém, não, mas é que se alguém quiser nos atacar, tem que pensar duas vezes. A questão é a seguinte: não é que você vai ganhar uma guerra contra o país A ou contra o país B, que tem bomba atômica, etc. É que você tem que ser capaz de causar um dano que seja suficiente para ele pensar duas vezes antes de te atacar. Senão, você fica dominado a priori.
“A gente levanta de madrugada. Chega cansada, enfrenta muita fila. A gente não tem dinheiro para comprar as roupas exigidas para entrar [na penitenciária], e a família que leva tudo para dentro, do chinelo até o necessário”. O relato é de uma mulher de 75 anos, mãe de um detento e uma das 2.706 pessoas entrevistadas pela Pastoral Carcerária Nacional, em todas as regiões do país, entre dezembro de 2025 a abril deste ano, para a construção da “Pesquisa Nacional sobre os Impactos do Cárcere nas Famílias”.
Elaborado pela entidade, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e à Assessoria Popular Maria Felipa, o estudo mostra que as famílias de pessoas encarceradas chegam a gastar mais de R$ 1 mil mensalmente para garantir suas visitas ao sistema penitenciário. Os custos incluem transporte, alimentação, hospedagem, envio de mantimentos e compra de itens de higiene para os parentes.
Com o cálculo dos custos médios e do número estimado de visitantes, a pesquisa aponta um gasto anual superior a R$ 4,3 bilhões. Trata-se, segundo a Pastoral Carcerária, de uma “economia invisível do cárcere”, que revela como o encarceramento em massa pode ser “uma política de redistribuição regressiva de recursos, que transfere custos do Estado para famílias vulnerabilizadas e aprofunda desigualdades de raça, gênero, classe e território”.
Auxílio-Reclusão
Entre as políticas públicas que podem diminuir essa carga financeira das famílias está o auxílio-reclusão. Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, apontados no relatório da Pastoral, somente 2,47% dos familiares recebem o benefício. Previsto na Lei 8.213/1991, o direito é concedido aos familiares quando a pessoa sentenciada em regime fechado trabalhou com carteira assinada por pelo menos dois anos ou contribuiu com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) pelo mesmo período.
O benefício, porém, passou a ser vedado em alguns casos após a aprovação da chamada “Lei Antifacção” (Lei nº 15.358/2026), que instituiu em março deste ano o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. De acordo com o texto, “fica vedada a concessão do benefício de auxílio-reclusão, previsto no art. 80 da lei 8.213/1991, aos dependentes do segurado que estiver preso cautelarmente ou cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto”, quando estes indivíduos pertencerem a organizações criminosas.
Por que isso importa?
O Brasil conta com a terceira maior população carcerária do mundo, mais de 964 mil pessoas encarceradas em 2025.
O número, apontado pelo Anuário da Segurança Pública representa um aumento de 6% na comparação com o ano anterior.
A matéria, inclusive, foi alvo de questionamentos em audiência pública realizada nesta semana, entre 24 e 25 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, mais de 40 autoridades, especialistas, integrantes do sistema de Justiça e representantes da sociedade civil realizaram exposições sobre os impactos da lei no sistema prisional. A Corte analisa atualmente quatro ações questionando a constitucionalidade de trechos da Lei Antifacção, todas tendo o ministro Alexandre de Moraes como relator.
A coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Irmã Petra Silvia Pfaller, foi uma das presentes. De acordo com ela, extinguir o auxílio-reclusão pode “criminalizar a família, permitindo que mulheres, idosos e crianças sem relação com o delito permaneçam sem qualquer fonte de renda”.
“Deixar de receber um direito essencial para a sua sobrevivência, como o auxílio-reclusão, é condená-los de novo e de novo a condições de miséria, a longas viagens e horas de preparação”, disse Pfaller durante a audiência pública.
Na Câmara dos Deputados, o projeto que deu origem ao Marco Legal do Combate ao Crime Organizado foi relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), atual candidato ao Senado. Ele deixou o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em novembro de 2025 para retomar sua cadeira na Câmara e ser relator do projeto.
O deputado federal Guilherme Derrite retornou à Câmara em dezembro de 2025 para ser relator do PL Antifacção
Pesquisa detalha os custos das visitas
A pesquisa desenvolvida pela Pastoral apresenta o detalhamento dos gastos pelos familiares dos encarcerados no Brasil. Segundo o estudo, o custo médio de uma visita semanal é de R$ 189,89. Ao valor soma-se, também, ao gasto com um “kit médio” para a pessoa presa, de R$ 293,52, que contém geralmente itens de higiene pessoal, alimentos não perecíveis, peças íntimas e vestuário (a lista pode variar de acordo com o que é permitido pelo diretor de cada unidade prisional).
No total, considerando quatro visitas e um kit por mês, o encontro de cada família com a pessoa presa pode alcançar R$ 1.053,09. Quando as visitas acontecem duas vezes por mês, a estimativa chega a R$ 624,80 gastos mensalmente. Em instituições prisionais que permitem apenas uma visita mensal o valor gira em torno de R$ 464,45.
Com base no valor do salário mínimo de 2025, o desembolso mensal das visitas semanais representa aproximadamente 69,4% do recurso, enquanto as quinzenais correspondem a 41,2%. “Os dados tornam visível, portanto, uma espécie de segundo orçamento da execução penal: paralelamente ao gasto estatal formal, existe um orçamento familiar compulsório, fragmentado entre centenas de milhares de domicílios e ausente das contas públicas”, afirma o documento da Pastoral Carcerária Nacional.
Quem paga essa conta?
A pesquisa da Pastoral Carcerária revela ainda que quem paga a conta da visita a pessoa encarcerada tem gênero, cor e classe bem definidos. De acordo com o estudo, há uma “profunda feminização e racialização do trabalho de sustentação do cárcere”. Cerca de 94% dos respondentes da pesquisa são mulheres, 65,5% pessoas pretas e pardas e 32,6% têm idade entre 25 e 34 anos.
“Os resultados nacionais demonstram que o encarceramento não apenas seleciona, de forma desproporcional, pessoas negras e socialmente vulnerabilizadas para a privação de liberdade, mas também seleciona quem assumirá, cotidiana e silenciosamente, os custos materiais, emocionais e organizacionais da execução penal”, afirma o relatório.
Nesse quadro de predominância de mulheres majoritariamente negras, cerca 58,9% dos respondentes relataram ter sofrido violência ou constrangimento durante a visita. Mais de 60% afirmaram passar por humilhação e desrespeito verbal.
Outros 32,5% disseram ter sido submetidos à revista íntima, enquanto 39% passaram por revista vexatória. As práticas foram proibidas pelo STF em 2025. De acordo com o órgão, devem ser consideradas ilícitas provas possivelmente encontradas por meio de procedimentos que envolvam a retirada de roupas e a realização de exames que humilham a pessoa.
Começo a coluna aproveitando o gancho do meu colega Gustavo Faleiros, que gentilmente me trouxe para conversa ao falar sobre a inflação de alimentos, em sua coluna da semana passada. (Para quem ainda não leu, Gustavo traz uma excelente explicação sobre o impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos.)
Trago aqui mais algumas camadas desse problema tão complexo, me baseando no relatório “A Inflação de Alimentos No Brasil: Um Fenômeno Estrutural, Específico E Sistêmico”, do economista Valter Palmieri Junior., e nas formulações dos que são, indiscutivelmente, os maiores especialistas no assunto: o Instituto Fome Zero (IFZ).
Como bem colocado pelo Gustavo, a inflação de alimentos se tornou uma preocupação em vários países, especialmente a partir da pandemia do COVID-19. Mas, aqui no Brasil, o fenômeno propriamente dito é mais antigo, e já é percebido há duas décadas.
A inflação de alimentos acontece quando os preços de alimentos e bebidas crescem mais do que a inflação como um todo. Ou seja, quando o Índice de Preços de Alimentos e Bebidas (IPAB) cresce mais do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –pelo qual normalmente medimos a inflação no Brasil.
E isso acontece praticamente todo ano desde 2007. De lá para cá, o preço dos alimentos subiu 1,6 vez mais do que o restante dos preços. Por isso, especialistas vêm alertando para o problema da inflação dos alimentos há bastante tempo.
Mas, desde a pandemia, uma coisa mudou: o grupo que puxava o crescimento do IPAB até então era, sobretudo, o da alimentação fora do domicílio. Ou seja, preços de comida em bares, lanchonetes e restaurantes. Desde 2020 é o grupo de alimentos consumidos no domicílio quem cresce mais, acumulando uma alta de 65% em apenas seis anos!
Essa mudança tem efeitos perversos. A despesa com alimentação é incontornável: todos precisam comer. É claro que existem diferenças na alimentação de pessoas com mais e menos dinheiro, mas, no limite, todos gastam com isso. É uma conta que pesa mais para quem ganha menos e precisa destinar uma parcela maior de seu orçamento para a comida.
Dados do IBGE mostram que a alimentação representava, em 2018, 23,8% dos gastos das famílias que ganhavam até dois salários-mínimos. Já para as que ganhavam mais de 25 salários-mínimos, era apenas 11,5%. Com a escalada dos preços desde então, é bem provável que essa proporção tenha subido, com ainda mais intensidade para os mais pobres.
Comer fora muitas vezes é um luxo, a base da alimentação da maioria dos brasileiros é de refeições preparadas em casa. Essa opção segue sendo a mais barata, mas seu custo vem crescendo com maior rapidez.
Aqui, vale destacar: são os alimentos in natura e minimamente processados – aqueles colhidos diretos do pé ou compostos de poucos ingredientes – que recebem a maior alta de preços, o que também é grave do ponto de vista nutricional.
O preço das frutas cresceu 2,8 vezes mais do que a inflação geral nos últimos vinte anos, e o dos legumes, 1,9 vez mais.
Em resumo, o biscoito recheado é mais barato que a maçã. Assim, quem tem menos renda também está perdendo, aos poucos, o direito a uma alimentação saudável.
No relatório, Palmieri Junior. destaca cinco principais fatores que explicam a inflação de alimentos. Um deles, o Gustavo trouxe: as mudanças climáticas.
Escolho focar em outro: nosso modelo agroexportador. Em especial porque, curiosamente, defensores históricos do agronegócio decidiram ligar, neste período eleitoral, para o custo de vida dos brasileiros.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou, em seu discurso de lançamento da campanha, a preocupação das famílias brasileiras com os preços nas prateleiras.
Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou um vídeo em que faz compras no mercado e, com preços mentirosamente inflacionados, reclama do custo das coisas.
No vídeo, o Nikolas acompanha uma mulher fazendo uma compra de cinco alimentos (café, ovo, feijão, leite e picanha), que soma R$255,96. Porém, o jornalista Guga Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) e comprou as mesmas coisas, a fim de fazer uma checagem de preços, e chegou a uma conta de R$137,36 – 86% a menos.
Acontece que é incoerente defender a expansão desenfreada do agronegócio e depois reclamar de uma de suas consequências mais imediatas, como fazem ambos os candidatos mencionados e muitos outros.
Explico.
A guinada agro do Brasil levou à redução expressiva dos hectares destinados ao cultivo de alimentos básicos, que foram perdendo espaço, principalmente, para a soja, o milho e a cana de açúcar, mais vendidos no mercado externo, como mostra o gráfica abaixo.
Fonte: Palmieri Junior (2026). A inflação de alimentos no Brasil: um fenômeno estrutural, específico e sistêmico
Isso mudou bastante a dinâmica e os custos de produção agrícola no Brasil, mesmo para alimentos que são mais consumidos internamente do que exportados. O feijão, por exemplo.
Como explica Palmieri Junior, ao privilegiar as culturas de exportação, recursos fundamentais, como terras, crédito e incentivos fiscais são deslocados para esses cultivos, o que acaba esvaziando a produção dos demais alimentos, que se tornam menos atrativos.
Também o preço da terra sobe, porque a agricultura se torna uma zona de investimento lucrativo, o que também encarece os alimentos à mesa.
Ainda que esse deslocamento produtivo não signifique uma escassez literal da comida no supermercado, certamente influencia sua dinâmica de preços, tanto pela falta de incentivos quanto pela redução da oferta.
O modelo agroexportador que prioriza o cultivo de commodities ao de alimentos não é o único fator para a elevação do preço da comida. Mas é um bem importante.
E em um mundo de instabilidades internacionais, guerra e mudanças climáticas, é um dos poucos sobre os quais a política interna ainda consegue decidir.
Talvez não possamos controlar totalmente o preço dos combustíveis e fertilizantes ou o tamanho do El-Niño – mesmo que a ação humana contribua para todos esses fatores.
Mas a forma como produzimos comida ainda é uma escolha política nossa.
Direcionar incentivos produtivos para alimentos – como feijão, arroz, mandioca e batata – em vez de commodities, como a soja, retomar os estoques reguladores da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e investir na logística de transporte e armazenagem para o mercado interno são políticas públicas importantes, eficazes e, sobretudo, muito possíveis. Mas requerem vontade política.
Por isso, fica o apelo para que a soberania alimentar seja uma bandeira – atenta, e não demagógica – também nestas eleições.
Link al video analizzato: https://www.youtube.com/watch?v=U6VMfd8o24E Partiamo da una premessa fondamentale e doverosa: questo articolo si pone in perfetta continuità con l’elogio che, proprio oggi pomeriggio, ho rivolto al Meeting di ...
Dalla concentrazione del risparmio gestito nelle mani dei Big Three (BlackRock, Vanguard, State Street) agli utili record delle banche italiane, con il credito all’economia reale che si assottiglia. E’ la mappa di un potere che non si vota, non si discute, e decide a prescindere dalla volontà dei cittadini-elettori. Cosa succede quando il
35,9% del debito è in mani estere. E circa un terzo di quella quota è nei portafogli dei grandi fondi statunitensi. Non è un dettaglio tecnico: è la misura esatta di quanto margine politico resta a un Paese che paga quasi cento miliardi di interessi l’anno. Ne parliamo con Alessandro Volpi, storico dell’economia all’Università di Pisa, saggista. Intervista a cura Jeff Hoffman
Parliamo di: Il record del debito pubblico: 3.207,2 miliardi, cosa dicono davvero i dati di Bankitalia Quantitative tightening: la BCE si ritira, i fondi americani avanzano Big Three: come tre gestori arrivano a pesare su una fetta enorme delle società quotate Le banche italiane e i profitti record: chi incassa, chi resta senza credito Risparmio previdenziale italiano: la materia prima più contesa d’Europa Cosa possono fare gli Stati: fiscalità sulla rendita, banca pubblica, controlli reali
I LIBRI DI ALESSANDRO VOLPI La guerra della finanza. Trump e la fine del capitalismo globale, Laterza, 2025 Nelle mani dei fondi. Il controllo invisibile della grande finanza, Altreconomia, 2024 I padroni del mondo. Come i fondi finanziari stanno distruggendo il mercato e la democrazia, Laterza, 2024 Prezzi alle stelle. Non è inflazione, è speculazione, Laterza, 2023 La mutazione italiana, Altreconomia, 2023 Storia del debito pubblico in Italia. Dall’Unità a oggi (con L. Tedoldi), Laterza, 2021
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Um estudo agora apresentado revela que as empresas em Portugal possuem uma alta capacidade de retenção, pois um em cada quatro trabalhadores está no mesmo emprego há mais de duas décadas. Os dados constam dos 50 destaques do mercado de trabalho português feitos pela Randstad Research, com base nos resultados do Inquérito ao Emprego do […]
O Município de São Brás de Alportel volta a atribuir o Vale + Educação no ano letivo 2026/2027, reforçando o seu compromisso com o apoio às famílias, a promoção da igualdade de oportunidades no acesso à educação e a dinamização do comércio local.
Consciente do esforço financeiro que representa o arranque de um novo ano letivo para muitas famílias, o Município mantém esta medida de apoio, integrada no Plano de Apoio à Família e implementada desde o ano letivo de 2015/2016. A medida consubstancia-se na atribuição de um vale de 25 euros por aluno para a aquisição de cadernos de atividades e/ou material escolar nas papelarias aderentes do concelho.
A medida, com investimento do município, é viabilizada com a colaboração do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas e da Associação de Pais e Encarregados de Educação, entidades com as quais o município formalizou o acordo que regula a atribuição do Vale + Educação para o ano letivo de 2026-2027, mantendo o apoio de 25 euros por aluno dos ensinos básico e secundário público do concelho.
O Vale + Educação visa apoiar a aquisição de material escolar e reforçar a articulação entre famílias, escolas e comércio local.
Trata-se de uma medida de apoio à aquisição de material escolar e cadernos de atividades criada em 2015 que abrange as famílias residentes no concelho com alunos inscritos no ensino público do 1.º ciclo ao ensino secundário.
O valor definido para cada aluno no ano letivo 2026/2027 mantém-se nos 25,00 euros, desdobrado em dois vales de 12,50 euros, tal como nos seis anos letivos anteriores e deve ser utilizado nas papelarias locais aderentes.
Podem beneficiar do Vale + Educação todos os alunos matriculados no Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, com residência comprovada no concelho. Estão igualmente abrangidos os alunos do ensino secundário residentes no concelho que frequentem outros agrupamentos por inexistência de oferta formativa local.
O Município mantem este apoio como complemento à gratuitidade dos manuais escolares assegurada pelo Estado, permitindo às famílias fazer face a outras despesas indispensáveis ao percurso escolar dos seus educandos.
O levantamento dos vales será realizado presencialmente na Câmara Municipal, a partir de 17 de agosto, nos dias úteis, das 9h00 às 17h00, mediante identificação do encarregado de educação ou do próprio aluno (se maior de idade).
A validade dos vales estende-se até 31 de outubro de 2026.
Um investimento municipal de 35 mil euros, uma aposta na igualdade e no futuro!
di Cesare Sacchetti All’Addaura, uno splendido tratto di costa di Palermo, ci sono molti ricordi del passato, e soprattutto diversi misteri della repubblica di Cassibile. Era una calda giornata di giugno del 1989, quando il giudice Giovanni Falcone si preparava a ricevere due illustri ospiti quali i giudici svizzeri Carla Del Ponte e Claudio Lehmann, […]
Município concretiza maior operação de realojamento de sempre no concelho e já tem em marcha mais 503 fogos
O dia 24 de julho de 2026 marcará para sempre centenas de famílias louletanas como o dia de recomeço das suas vidas: o sonho de ter uma casa concretizou-se! A Câmara Municipal de Loulé entregou as chaves no âmbito do concurso de arrendamento apoiado de 117 fogos de habitação pública, naquela que representa a maior operação de realojamento alguma vez realizada no concelho, reforçando o compromisso local com o direito a uma habitação digna.
Os 117 fogos destinam-se a residência permanente de agregados familiares elegíveis no âmbito do Programa 1º Direito. As habitações foram atribuídas em regime de arrendamento apoiado, no âmbito do sorteio público que decorreu em março deste ano. Trata-se de algumas habitações dispersas, mas também apartamentos nos edifícios de habitação a custos controlados, na Rua Orlando Pinto, e no empreendimento CLONA, na Rua José Duarte, em Loulé, nas tipologias T1, T2 e T3.
Estes fogos fazem parte da Estratégia Local de Habitação 2019-2032, beneficiando de financiamento do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.
Durante as (três) cerimónias, marcadas por muitas emoções, o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, destacou o impacto direto desta iniciativa na estabilidade das famílias beneficiadas. “É de coração que estamos aqui convosco. Este é mais um passo no compromisso do município com o direito à habitação e com a melhoria da qualidade de vida das famílias do nosso concelho”, destacou o presidente da câmara, acrescentando que a Autarquia continuará a investir na simplificação e agilização dos procedimentos, para que estas respostas cheguem cada vez mais rapidamente a quem delas necessita.
O autarca fez questão de lembrar o legado do executivo anterior, deixando um agradecimento público a Vítor Aleixo e à sua equipa: “Este é um projeto que veio do mandato anterior, ao qual estamos a dar continuidade, conscientes da necessidade de reforçar a resposta habitacional e apoiar as famílias”. Telmo Pinto enalteceu ainda o empenho de todos os técnicos do Município e da empresa Loulé Concelho Global em todo o processo.
Apesar da dimensão histórica deste realojamento, o presidente garantiu que o executivo quer ir mais longe, por forma a responder a um problema que é transversal. Atualmente, o Município tem 529 fogos em diferentes fases: 208 em empreitadas concluídas, em curso e adquiridos em consultas ao mercado imobiliário, 153 em fase de projeto e 168 em fase de lançamento de procedimentos concorrenciais de permuta.
Como resposta imediata à crise habitacional enquanto todos estes projetos avançam, a Autarquia reforçou também os apoios financeiros diretos. Só nesta última semana, mais 65 famílias viram aprovadas as suas candidaturas no 4.º concurso de apoio ao arrendamento. Telmo Pinto anunciou que o regulamento municipal está a ser atualizado para aumentar os valores atribuídos e alargar a abrangência dos apoios diretos à renda. A meta institucional a curto prazo passa por triplicar o número atual de beneficiários, fixando o objetivo entre as 200 e as 300 pessoas apoiadas, garantindo soluções de estabilidade financeira “para que possam pagar a sua renda até à atribuição de habitações definitivas”.
Guinea Ecuatorial empieza a remontar tras unos últimos años en los que la crisis de los precios del petróleo, junto con la depresión ocasionada por la pandemia mundial del covid, han afectado a la economía del país. Sin embargo, a partir del primer trimestre del año 2022 empezó a mostrar síntomas de recuperación, con un aumento del Producto Interior Bruto (PIB) en más de un 10%, apoyado en el principal sector productivo, la explotación de los hidrocarburos, aunque otros sectores empiezan ya a despuntar gracias a una enorme riqueza de recursos naturales, que permanecen sin explotar plenamente y que el Gobierno ha empezado a buscar una salida a través de acuerdos internacionales y empresas de capital nacional.
Todo ello se ha producido tras la celebración de la Tercera Conferencia Económica Nacional, que a partir del año 2019 ha marcado la agenda económica a través del Plan Nacional de Desarrollo 2035, cuyos objetivos principales pasan por impulsar la diversificación productiva, prestar servicios sociales de calidad a la población sobre la base de mejoras en el funcionamiento del aparato administrativo, ampliar y mejorar las infraestructuras, potenciar el desarrollo del sector privado y formar recursos humanos.
Es este último punto uno de los principales retos del país, ya que la falta de profesionalización y especialización de la mano de obra ha sido uno de los principales problemas para el desarrollo económico de Guinea Ecuatorial por la falta de formación profesional de la población, como herencia de una economía básica, que hasta la llegada del petróleo era totalmente primaria y de subsistencia, basada principalmente en pequeños cultivos familiares, junto con la caza y la pesca. La gran mayoría de los ciudadanos carecían de estudios superiores, ya que la primera universidad no se abrió hasta el año 1995. Por ello, los escasos técnicos con estudios superiores se habían formado en otros países, principalmente España, gracias a la cooperación internacional.
Así, el Gobierno se ha visto obligado a potenciar y generalizar la educación, acelerando la profesionalización de la sociedad para intentar garantizar el trabajo. Es por ello que en las últimas décadas se han creado docenas de miles de empleos públicos en ministerios, instituciones públicas o empresas nacionales de distintos ámbitos, que han conseguido que los ingresos del petróleo se enfoquen en la reconstrucción nacional a través de la economía privada, que ha impulsado el traslado de grandes masas poblacionales hacia las ciudades, propiciando la apertura de miles de pequeñas empresas y negocios.
Con esta base, Guinea Ecuatorial ha reinvertido sus rentas petroleras en la dotación de infraestructuras económicas y sociales, con una agenda que fomenta la recepción de empresas inversoras, que permitirán explotar plenamente todos los recursos. Esta agenda «ofrece un clima atractivo para el inversor, con medidas concretas para el desarrollo empresarial», explican fuentes del Gobierno ecuatoguineano. Para apoyar la llegada de inversiones, el Ejecutivo ha invertido grandes cantidades en infraestructuras de transporte, que facilitan las conexiones nacionales e internacionales.
Ahora mismo, el país cuenta con varios aeropuertos en Malabo (Isla de Bioko), Bata y Mongomeyén (zona continental) y en las islas de Annobón y Corisco.
La red de carreteras se ha modernizado y el Gobierno presume de tenerlas «en el mejor estado de todo el continente, con autopistas y enlaces entre todos los puntos». También se han reconstruido dos grandes puertos, el de Malabo y el de Bata, que ha facilitado el desarrollo del tráfico de mercancías.
Otro de los puntos fuertes de cara a los inversores es el desarrollo de las telecomunicaciones. El acceso a los servicios de telefonía e internet llega a prácticamente toda la población, gracias, entre otras cosas, al servicio del cable de fibra óptica ACE, que une el oeste de África con Europa. El uso de teléfono móvil e internet está extendido, lo que ha propiciado la generalización de las redes sociales y el acceso a canales de televisión nacionales e internacionales. También se ha realizado una enorme inversión para garantizar la energía eléctrica, con un enorme incremento de producción gracias a la construcción de plantas de turbogas, centrales térmicas y plantas hidroeléctricas.
Por todo ello, el Fondo Monetario Internacional (FMI) –organización que trabaja con el Gobierno desde hace décadas– y otras instituciones oficiales internacionales han reiterado la necesidad de combinar la diversificación económica con la explotación de la riqueza de materias primas para reducir la dependencia de los hidrocarburos. Por ello, auspiciado por el FMI, se ha impulsado un plan de urgencia de búsqueda internacional de inversores que ayuden a explotar y rentabilizar todas las áreas económicas. Para ello se han tomado medidas fiscales y legislativas destinadas a crear un ambiente favorable para que la inversión trabaje con plena seguridad jurídica.
Medusa, el cable submarino respaldado por el grupo AFR-IX Telecom y que interconecta el sur de Europa, el norte de África, Oriente Medio y África Occidental a través del Mediterráneo, tendrá un nuevo amarre en Guinea Ecuatorial, tras el acuerdo firmado entre el gobierno de dicho país y los responsables de la infraestructura.
De esta forma, el país se suma así a un cable que ofrece una transmisión de alta capacidad, una mayor redundancia de red y una menor latencia, lo que permite satisfacer la demanda de servicios digitales, en rápido crecimiento, tanto en Guinea Ecuatorial como en toda la subregión.
Será el segundo cable submarino en la zona, tras el cable ACE (Africa Coast to Europe), operativo desde diciembre de 2012 que tiene 17.000 kilómetros de fibra óptica para conectar 19 países a lo largo de la costa occidental africana, desde Francia y Portugal hasta Sudáfrica.
En total, y según el mapa de Telecomunicaciones de África 2025 de TeleGeography, hay actualmente 77 sistemas de cable conectados al continente africano, ya sea en servicio o en construcción. En noviembre de 2025, Meta anunció la finalización de la infraestructura central de 2Africa, el sistema de cable abierto de mayor longitud del mundo con sus 45.000 kilómetros. El sistema, respaldado por un consorcio que incluye a MTN GlobalConnect, Vodacom/Vodafone, Orange, China Mobile International y otros, conecta 33 países y está diseñado para dar servicio a más de 3.000 millones de personas.
Algo más que conectividad
Estos cables submarinos son de vital importancia para cualquier territorio y más aún para un continente como África. Por hacernos una idea, antes de que el ACE entrara en servicio, la capacidad de transmisión internacional de los países era prácticamente residual. Ahora, y gracias a esos sistemas, se ha multiplicado esa capacidad de conectividad hasta superar los 30 Gbps, y el coste del megabit por segundo se ha desplomado (pasando en algunos casos de costar unos 4.000 dólares a menos de cinco dólares al mes).
El problema, más allá del ancho de banda, es de la vulnerabilidad de estos países, puesto que depender de un único cable implica que cualquier avería en ese sistema puede dejar al país entero sin conexión internacional. De hecho, en marzo de 2024 varios fallos simultáneos en cuatro sistemas (WACS, ACE, SAT-3 y MainOne) dejaron a gran parte de África Occidental y Central sin internet durante horas, por lo que la Autoridad Nacional de Telecomunicaciones de Ghana llegó a confirmar públicamente «una degradación significativa de los servicios de datos en todo el país». En enero de 2026, un fallo técnico en el cable WACS interrumpió el acceso a internet en la República Democrática del Congo.
Cabe señalar que Medusa cuenta con el respaldo financiero de la Unión Europea (que aportó 14,3 millones de euros para su extensión africana). De hecho, este cable tiene su origen en uno mediterráneo que empezó a desplegarse formalmente en octubre de 2025, cuando su primer segmento atracó en Marsella. Diseñado con hasta 24 pares de fibra y una capacidad de diseño de 480 terabits por segundo, conecta el sur de Europa con el norte de África y, a través de su extensión subsahariana, se ramifica hacia el Atlántico. La construcción la lleva a cabo Alcatel Submarine Networks (ASN).
En el caso de Guinea Ecuatorial, la llegada del cable está prevista para el periodo 2029-2030 y el coste de conexión se estima entre 20 y 60 millones de euros, sujeto a la validación de estudios marítimos adicionales. Además, el país también quiere amarrarse al Via Africa, una iniciativa impulsada por un consorcio de siete operadoras que el 12 de mayo de 2026 firmaron un Memorando de Entendimiento para su desarrollo. El proyecto prevé conectar Europa con Sudáfrica bordeando la costa atlántica, con puntos de amarre en el Reino Unido, Francia, Portugal, las Islas Canarias, Mauritania, Senegal, Guinea, Costa de Marfil y Nigeria. El consorcio ha arrancado con un estudio de ruta para determinar el trazado óptimo y está preparando el proceso de licitación para seleccionar al proveedor del cable.
Via Africa está diseñado específicamente como una infraestructura complementaria, cuya razón de ser es proporcionar una ruta submarina distinta a la de cables existentes como 2Africa, Equiano y el propio Medusa Africa.
Sin embargo, y pese a la cantidad de cables que rodean el continente, la penetración de internet en la población sigue siendo baja. En 2023, solo el 34% de los africanos usaba internet, frente al 66% de la media mundial, según la Unión Internacional de Telecomunicaciones. Entre las causas de este bajo índice se puede hablar de falta de redes de fibra óptica internas que lleven la señal desde las estaciones de amarre costeras hasta las ciudades del interior, costes de acceso o disponibilidad de electricidad, entre otras.