A Câmara Municipal de Vila do Bispo vai promover os workshops «(Des)Igualdades» no próximo dia 24 de outubro, a partir das 14h30, no Auditório do Centro Cultural.
A geração das girlboss que queriam ter tudo está a mudar de ideias. Durante uma década, o conselho foi “façam acontecer”: agarrem a carreira, sentem-se à mesa, cheguem ao topo. Agora, parte das mulheres está a fazer o contrário, diz Sheryl Sandberg ao Business Insider. E a antiga número dois da Meta não tem dúvidas: as empresas são as culpadas. A viragem tem números. No relatório Women in the Workplace 2025, da consultora McKinsey com a organização LeanIn.Org, que inquiriu cerca de 9500 trabalhadores em 124 empresas norte-americanas, as mulheres surgem, pela primeira vez em 11 edições, menos interessadas do
O programa arranca nas escolas do concelho, com a atividade “Caixa das Profissões: Eu posso ser o que quiser!”, dirigida aos alunos do 1.º ciclo, e prossegue no dia 20 de outubro com o Dia das Acessibilidades “Alijó sem Barreiras”, nas ruas e nos comércios de Alijó, através de uma ação de sensibilização dinamizada pelos alunos do 12.º ano e aberta à comunidade em geral.
No dia 21 de outubro, às 10h45, o Teatro Auditório Municipal de Alijó recebe a apresentação do projeto de inclusão “Sons do Bairro”, da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, dirigido aos alunos do 2.º ciclo. Da parte da tarde, às 14h00, a Casa dos Noura, em Alijó, acolhe o Encontro de Boas Práticas Municipais, subordinado ao tema “A Igualdade Constrói-se Localmente: Municípios que Partilham, Territórios que Transformam”.
A 22 de outubro, às 14h00, o Teatro Auditório Municipal de Alijó recebe o músico Héber Marques para a palestra “Stop Discriminação”, dirigida aos alunos do 3.º ciclo, promovendo a reflexão sobre o respeito pela diferença e o combate a todas as formas de discriminação.
No dia 23 de outubro, a psicóloga e sexóloga Tânia Graça estará no Teatro Auditório Municipal de Alijó para duas sessões dedicadas ao empoderamento feminino, à sexualidade consciente, às relações amorosas e à saúde mental. A primeira realiza-se às 10h45, dirigida aos alunos do ensino secundário, e a segunda às 18h00, destinada à comunidade em geral.
O programa termina no dia 24 de outubro, às 16h00, no Centro Interpretativo D’Olival ao Azeite D’Ouro, em Castedo do Douro, com o Fórum Mulheres com Norte: Vozes Femininas no Empreendedorismo. Este encontro pretende criar um espaço de partilha de experiências, valorização de percursos e promoção do empreendedorismo feminino, reunindo mulheres empreendedoras e profissionais do concelho.
A iniciativa inclui a conversa “A Bússola Interna”, dinamizada por Tita Sorte, que propõe uma reflexão sobre coragem, voz, liderança e caminhos, convidando à descoberta da força interior e à valorização do papel da mulher na sociedade. Através de temas como a liderança no feminino, a comunicação emocional, o empreendedorismo e as redes, e as escolhas conscientes, esta iniciativa pretende inspirar cada participante a reconhecer o seu potencial, fortalecer a sua voz e encontrar o seu próprio rumo, com confiança, autenticidade e propósito.
Mais do que assinalar uma data, a Semana para a Igualdade pretende promover a reflexão, desconstruir preconceitos e mobilizar a comunidade para uma cultura de respeito, equidade e inclusão, onde todas as pessoas tenham oportunidades para participar, crescer e concretizar o seu potencial.
No âmbito das comemorações do Dia Municipal para a Igualdade, a Câmara Municipal de Vila do Bispo promove, no próximo dia 24 de outubro, pelas 14h30, os workshops «(Des)Igualdades», no Auditório do Centro Cultural de Vila do Bispo.
A iniciativa integra atividades informativas, ações de sensibilização e dinâmicas participativas sobre temas como a igualdade de género, a violência doméstica, o namoro saudável, as migrações, a saúde mental e a segurança da população idosa, com especial enfoque na prevenção de burlas.
As sessões serão dinamizadas por representantes de várias entidades, nomeadamente da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vila do Bispo, da Universidade do Algarve (UALG), da área da Saúde e do GAVA/Taipa, proporcionando momentos de reflexão e partilha de conhecimentos sobre estas temáticas.
A participação destas entidades pretende contribuir para o reforço da informação e da sensibilização da comunidade, promovendo uma sociedade mais inclusiva, segura e livre de discriminação.
Programa
14h30 | Abertura
Luís Paixão – Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo
Igualdade de Género
Sara Horta – GAVA/Taipa
Violência Doméstica: Atrás das Portas Fechadas – O Custo do Silêncio e o Poder da Igualdade e da Educação
Paulo Jorge Carvalhosa da Costa – Cabo da GNR
Namoro Saudável
Saúl Maurício – CPCJ de Vila do Bispo
Coffee break
Idosos em Segurança: Burlas
Miguel Frade – GNR
Migrações
Maria Helena Martins – Docente da Universidade do Algarve
Saúde Mental
Arlete Lourenço – Enfermeira especialista em Saúde Mental
Debate e encerramento
21h30 – «Sinceramente – (Vou-te)³»
Espetáculo de stand-up interativo da autoria de Sincera Mente, drag queen e comediante, no Pavilhão Clésio Ricardo, em Sagres.
Os bilhetes estarão à venda a partir de 19 de outubro, através da Ticketline e na Tesouraria da Câmara Municipal de Vila do Bispo. No próprio dia do espetáculo, os bilhetes poderão também ser adquiridos no local, entre as 19h00 e as 21h00, mediante disponibilidade.
A população sénior, com idade igual ou superior a 65 anos, e os funcionários da Câmara Municipal de Vila do Bispo beneficiam de um desconto de 50% no preço dos bilhetes. Para usufruir deste desconto, os bilhetes deverão ser adquiridos presencialmente na tesouraria da autarquia, até sexta-feira, dia 23 de outubro.
Estas iniciativas decorrem no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação de Vila do Bispo, reforçando o compromisso do município com a promoção da igualdade de oportunidades, o respeito pela diversidade e a prevenção de todas as formas de discriminação e violência.
Foi aprovada por unanimidade, no parlamento português, a proposta que possibilita o exercício do direito de voto por procuração pelas deputadas do Parlamento Europeu durante a gravidez e após o parto.
A proposta já tinha sido aprovada em 17 de setembro pelo Conselho de Ministros
O Município de Portimão assinala o Dia Municipal para a Igualdade, celebrado a 24 de outubro, com um conjunto de iniciativas que decorrem entre os dias 20 e 24 de Outubro, procurando sensibilizar a comunidade para a importância da igualdade de direitos e oportunidades, do respeito pela diversidade e do combate à discriminação. O programa […]
Comemorações do Dia Municipal para a Igualdade decorrem de 20 a 24 de outubro
O Município de Portimão assinala o Dia Municipal para a Igualdade, celebrado a 24 de outubro, com um conjunto de iniciativas que decorrem entre os dias 20 e 24, procurando sensibilizar a comunidade para a importância da igualdade de direitos e oportunidades, do respeito pela diversidade e do combate à discriminação.
O programa deste ano envolve diferentes gerações, das crianças e jovens à população sénior, através de iniciativas que convidam à reflexão, ao diálogo e à participação da comunidade, reforçando a mensagem de que a igualdade é um compromisso diário.
Especial atenção é dada às crianças e aos jovens, procurando sensibilizá-los, desde cedo, para valores como a empatia, o respeito e a justiça, essenciais para prevenir desigualdades e construir uma sociedade mais inclusiva.
O programa tem início no dia 20 de outubro, com o hastear da bandeira arco-íris na Biblioteca Municipal de Portimão num momento simbólico que assinala o arranque das comemorações e reafirma o respeito pela diversidade e pela liberdade de ser e de amar. A bandeira permanecerá hasteada até ao dia 30 de outubro.
Ao longo dos cinco dias, estará também patente, no espaço exterior do Museu de Portimão, a exposição fotográfica «Rostos com História», que reúne retratos de utentes do Centro de Convívio Sénior de Portimão, do Centro de Convívio Sénior da Aldeia das Sobreiras e dos Centros Comunitários de Portimão.
Através de diferentes rostos e percursos de vida, a exposição dá visibilidade à diversidade de experiências da população sénior, valorizando a memória, os direitos humanos, o respeito mútuo e a empatia.
No dia 21 de outubro, entre as 10h00 e as 18h00, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) promove um Dia Aberto (Open Day) nas suas instalações, situadas na Avenida Miguel Bombarda, no edifício da PSP de Portimão.
Dirigida a estudantes do ensino secundário e universitário, a iniciativa pretende dar a conhecer o espaço e o trabalho diário desenvolvido pela instituição, proporcionando uma oportunidade de interação direta com a equipa e de sensibilização para a importância do apoio às vítimas.
ISMAT promove debate aberto sobre o significado da igualdade
No dia 22 de outubro, entre as 10h00 e as 12h30, o auditório do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT) recebe a tertúlia/debate «O que é a Igualdade? – Diferentes perspetivas, um mesmo futuro», uma iniciativa que convida à reflexão sobre os desafios da igualdade na sociedade atual.
Organizada pelo ISMAT, a tertúlia pretende proporcionar um espaço aberto de diálogo e partilha de experiências, reunindo docentes, estudantes e pessoas convidadas de diferentes áreas e percursos de vida, cujas perspetivas irão enriquecer o debate sobre a diversidade, a inclusão e a não discriminação.
A sessão terá início com a intervenção do diretor do ISMAT, professor doutor Rui Loureiro, seguindo-se uma mesa-redonda que contará com a participação dos docentes Mostafa Zekri, Rui Pedro Mendonça, Liliana Pina, Clara Pache e Anderson de Souza, dos estudantes Joana Nazaré, Rita Lobato, Beatriz Caetano, Bruno Amaro e Beatriz Ferreira, bem como de Faiza Djetti, colaboradora do ISMAT, Ricardo Torrão, diretor do Estabelecimento Prisional de Faro e Olhão, e Alexandre Condeça, doutorando na área da diversidade e inclusão.
Moderada pelo professor doutor Paulo Martins, a conversa contará também com um momento de participação do público, convidado a partilhar questões e reflexões sobre os desafios da igualdade. A tertúlia é aberta a toda a comunidade, sem necessidade de inscrição prévia.
No dia 23 de outubro, a programação prossegue no Lugar do Rio – Espaço Jovem de Portimão, com a apresentação do livro «As Mães Também Podem Sonhar», de Tânia Gonçalves, numa sessão prevista entre as 10h30 e as 13h00.
A obra apresenta uma história ternurenta e inspiradora sobre o amor, a empatia e o poder da partilha em família, transmitindo a mensagem de que, com apoio e união, mesmo quem vive um quotidiano marcado por múltiplas responsabilidades pode continuar a acreditar nos seus sonhos.
A apresentação será acompanhada de um momento de conversa da autora com o público, proporcionando uma reflexão sobre a importância do apoio familiar, da realização pessoal e do respeito pelas aspirações individuais.
Ainda no dia 23 de outubro, entre as 14h30 e as 17h00, a turma do 12.º ano do Curso Profissional de Intérprete Ator/Atriz do Agrupamento de Escolas da Bemposta volta a levar à cena a peça de teatro «Entre Iguais», no auditório da Escola Básica e Secundária da Bemposta, no âmbito das comemorações do Dia Municipal para a Igualdade.
Recorrendo a técnicas de teatro-fórum, o espetáculo apresenta situações relacionadas com a desigualdade de género e convida o público a participar na procura de soluções para os conflitos representados, promovendo a reflexão e o exercício de uma cidadania ativa e responsável.
Dia Municipal para a Igualdade deixa marcas artísticas de inclusão e participação em espaços municipais
O programa culmina no dia 24 de outubro, Dia Municipal para a Igualdade, com duas iniciativas que procuram transformar os valores da diversidade, da inclusão e do respeito em símbolos duradouros, através da participação da comunidade.
O primeiro momento acontece às 10h00, na Quinta Pedagógica de Portimão, que nesse dia reabre as portas ao público, após um período de encerramento para obras de manutenção e requalificação.
Neste contexto, será inaugurado um conjunto artístico «As Cores da Igualdade», composto por um banco de jardim decorado com as cores da bandeira arco-íris e por uma pintura no pavimento, com 4,20 x 2,50 metros, da autoria de João Sena.
A decoração do banco foi realizada com a participação da Equipa para a Igualdade na Vida Local (EIVL) e da Associação Xis, enquanto a pintura de João Sena retratará, através de cores vibrantes, um grupo diversificado de crianças e jovens, transmitindo uma mensagem de igualdade de direitos, respeito pela diversidade e combate ao preconceito. Uma obra que proclama que «Sem preconceito há mais amor».
Quinta Pedagógica de Portimão
O conjunto ficará integrado na Quinta Pedagógica como uma expressão artística e simbólica dos valores da igualdade e da inclusão, deixando uma marca duradoura das comemorações naquele espaço municipal.
Durante a tarde, entre as 14h30 e as 17h00, as comemorações prosseguem no Lugar do Rio – Espaço Jovem de Portimão, com a iniciativa «Tod@s Diferentes, Tod@s Ligad@s», um projeto de criação artística participativa da autoria e com mentoria da artista plástica Rita Ricardo.
Dirigida a crianças e jovens dos 10 aos 16 anos, a atividade convida a dar cor a uma composição de figuras humanas interligadas, previamente desenhada pela artista, que simboliza a diversidade, a união e a importância de cada pessoa na construção de uma sociedade mais inclusiva.
Sob o mote «Tod@s diferentes. Tod@s ligad@s , cada participante poderá deixar a sua marca nesta obra coletiva, numa experiência de criatividade e partilha que valoriza as diferenças e aquilo que nos une.
A participação é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia, estando limitada a 25 participantes. A obra será concluída durante a sessão e ficará exposta no Lugar do Rio – Espaço Jovem de Portimão, prolongando no tempo a mensagem de igualdade e inclusão que inspira o projeto.
Portimão reforça compromisso com a igualdade e a não discriminação
Recorde-se que o Dia Municipal para a Igualdade é celebrado pela Câmara Municipal de Portimão enquanto subscritora do Protocolo de Cooperação para a Igualdade e a Não Discriminação, celebrado com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).
Este compromisso encontra expressão no II Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação, desenvolvido sob o mote «Portimão, Somos Igualdade», que visa sensibilizar todas as pessoas que vivem ou trabalham no concelho para a igualdade de direitos e oportunidades, o combate aos estereótipos e o respeito pela dignidade humana. Encontrando-se atualmente em desenvolvimento o III Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação, o Município dá continuidade ao trabalho desenvolvido nesta área, reforçando o seu compromisso com uma comunidade mais justa, inclusiva e livre de discriminação.
Integrado na Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação «Portugal + Igual 2018–2030», este instrumento reforça o papel do Município na promoção de políticas públicas de proximidade que contribuam para uma comunidade mais justa, inclusiva e participativa. Com estas comemorações, Portimão reafirma que a igualdade não se esgota numa data comemorativa: é um compromisso diário, construído através do respeito, da participação e das atitudes de cada pessoa.
No âmbito das comemorações associadas à temática da Igualdade e do Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação (PMIND), a Câmara Municipal de Loulé, em parceria com a Junta de Freguesia da Tôr, promove, no próximo dia 17 de outubro, sábado, a iniciativa “Caminhar pela Igualdade”. O evento, que repete o sucesso de edições […]
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No último sábado, em São Paulo, vi uma peça de teatro que me tocou profundamente. Se chama Mi Madre y El Diñero, do dramaturgo, ator e diretor mexicano Anacarsis Ramos e sua companhia Pornotráfico. A peça faz parte do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas Mirada e mostra de maneira contundente as dificuldades de uma mulher que, após 60 anos trabalhando, ainda sofre com a falta de dinheiro.
Esta “personagem” é Josefina Orlaneta e é a mãe do autor. Ela começou a trabalhar com apenas cinco anos de idade vendendo lanches na rua e, em seis décadas de vida, exerceu mais de 40 ofícios. O espetáculo é uma tragicomédia no qual, em hora e meia de duração, faz sentir que conhecemos como ninguém a protagonista. E de fato a encontramos em carne e osso pois é ela mesma, a senhora Josefina, que atua ao lado de seu filho. Seu último emprego, portanto, ela nos conta com muita graça, é ser atriz!
Esta peça vem na onda da autoficção, um gênero que na literatura tem conquistado espaço e corações. No palco, essa forma de narrar se mostrou extremamente eficiente para explicitar o contexto econômico em que a vida de uma trabalhadora pobre se desenrola na virada dos séculos XX e XXI. O texto torna palpável a desigualdade que marcou a trajetória de Josefina.
Quando ela, por exemplo no início dos anos 2000, consegue finalmente alguma estabilidade ao abrir um pequeno mercado, não demora muito para que as lojas do Oxxo acabem com seu sonho. Oxxo é a cadeia mexicana que agora domina muitos pontos de comércio em São Paulo, sufocando pequenos negócios.
O próprio autor e diretor, ao contracenar com a mãe, faz um comovente discurso em que diz (mais ou menos com estas palavras): se chegou aos 66 anos ainda sem dinheiro, a mãe não deveria considerar-se uma fracassada, mas sim uma vítima do sistema econômico. Anacarsis conta que decidiu fazer a peça (e assim conseguiu convencer Josefina a participar) para levar sua mãe a viajar pelo circuito internacional dos festivais de teatro. Quem sabe, ele diz, ganharão algum dinheiro. A considerar o sucesso entre o público, espero mesmo que estejam recebendo um bom dinheiro; terminamos todos aplaudindo de pé.
Mas por que afinal estou falando de uma peça de teatro em uma coluna que deveria falar de meio ambiente? Bem… a resposta está no final da peça, quando o diretor confessa que apesar de ter convencido a mãe pela promessa que poderiam embolsar algum din-din, sua maior intenção era mesmo denunciar o modelo econômico que exclui uma parcela da população. Um modelo que mantém países, estados e bairros sempre na periferia das oportunidades.
Ligando os pontos, a questão que logo me deixou inquieto foi a geografia em que a peça ou a vida de sua personagem principal se passa. Josefina e sua família quase sempre viveram em Campeche, um dos estados mais pobres e violentos do México. Suas cidades na costa do Golfo do México não têm o glamour de destinos turísticos próximos como Playa del Carmen e Cancun, que são parte da mundialmente conhecida Riviera Maia e promovem seus luxuosos resorts nas águas azuis do Caribe.
Em Campeche, nos anos 1970, foi encontrado o maior campo de petróleo em alto mar do México. Esta descoberta transformou a economia do país de maneira radical, tornando-o menos rural e um dos principais exportadores de petróleo. Naquele momento, o campo descoberto foi considerado a segunda maior reserva de hidrocarbonetos do mundo, apenas atrás de reservas na Arábia Saudita. Isso ajudou a consolidar a empresa nacional de petróleo, a Pemex, e atraiu as grandes do setor ao país: Chevron e ExxonMobil.
E vejam a ironia, o primeiro poço a ser explorado levou o nome de Cantarell, em homenagem do pescador que avistou uma mancha negra de petróleo saindo do mar, no local onde a Pemex tinha uma sonda de pesquisa. Esta homenagem a ele parou por aí, pois, como tantos outros pescadores, ele morreu na pobreza depois que a atividade petrolífera em alto mar acabou com a pesca em Campeche.
O Brasil também descobriu sua “mina de ouro” há cerca de duas décadas, quando a Petrobras iniciou a exploração do Pré-Sal. Os royalties fluíram para cidades e estados. O principal estado a se beneficiar foi o Rio de Janeiro. Pergunto: quantas Josefinas ainda existem no Rio que não viram a cor do dinheiro da exploração do petróleo? Mulheres que lutam em empregos mal pagos para manter as suas famílias.
Agora, estamos vendo o mesmo enredo a se descortinar na foz do rio Amazonas. Bem na frente dos nossos olhos uma corrida pelas riquezas que supostamente sairão da exploração em alto mar. Essa expectativa já alterou a vida do Oiapoque, cidade mais ao norte do país e que abrigará as bases para a extração do ouro negro. Reportagens da BBC e da Folha de São Paulo nos contam sobre um fluxo migratório que gera sobrecarga nos serviços públicos, além de invasões de terra e desmatamento para criação de novos bairros.
Eu poderia fazer uma peça de teatro listando todos os projetos de “desenvolvimento” do Brasil que não deixaram nada além de um legado de destruição e miséria. Mas acho que seria uma peça entediante, para não dizer deprimente. Vou deixar o teatro ao Anacarsis enquanto, inspirado por sua obra, levanto esta questão: o que acontecerá com a economia da costa amazônica se aqui, como no México, a exploração do petróleo causar vazamentos em alto mar? Basta lembrar que é na foz do rio Amazonas que está uma das maiores atividades pesqueiras de todo o Brasil.
Na minha coluna de estreia, eu falei da maldição dos recursos naturais e como ela está presente em muitos países que têm petróleo e minérios. Há muita riqueza, mas o povo vive na pobreza. Países em que, como Josefina, crianças começam a trabalhar muito cedo. Na peça, eu fiquei arrepiado ao ouvir a protagonista contar que sua primeira lembrança quando criança era aquela em que ela já trabalhava nas ruas.
Será que, daqui a 60 anos, vamos ter que contar as histórias de muitas Josefinas? As Josefinas brasileiras que neste momento não estão vendo a cor do dinheiro deste modelo de desenvolvimento feito apenas para os verdadeiros donos do dinheiro?