De Viana do Castelo até à Turquia. David já pedalou 2.500 km e está em Itália
David Mendes, presidente da associação Viana Ciclável, já pedalou 2.500 quilómetros na sua viagem entre a ‘capital’ do Alto Minho e Antália, na Turquia, onde vai participar na 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a COP31.
O ciclista está a cerca de metade do percurso que iniciou em 05 de outubro e, até agora, atravessou quatro países: Portugal, Espanha, França e agora Itália.
De bicicleta, sem apoio motorizado e sem equipa de suporte, para trás já ficaram o Gerês, os Pirinéus e os Alpes, segundo destaca a associação, em comunicado enviado hoje às redações.

“Encontrei-me com ciclistas locais e foi muito positivo trocar experiências e pedalar com eles”, conta.
Após atravessar todo o sul de França constatou que “quase todas as cidades de França têm uma rede de ciclovias bem desenvolvida”.
“E isso observa-se no uso que as pessoas dão à bicicleta, é muito normal todo o tipo de pessoas usarem a bicicleta incluindo idosos, crianças, transporte de crianças, etc. Ou seja, a bicicleta é um meio de transporte natural para o dia a dia e é aí que nós queremos chegar em Portugal”, acrescenta.
A expedição homenageia ainda as vítimas de violência rodoviária contra ciclistas – entre elas Fátima Linhares, morta aos 38 anos em Barcelos, Finlay Tarley, de 19 anos, morto em Ponte de Lima, Rafael Rijo, de 33, e Pedro Sobral, de 51 anos – cujas memórias, nas palavras da Viana Ciclável, “não podem continuar a ser apenas um registo estatístico de sinistralidade rodoviária”.
David Mendes partiu em representação da Viana Ciclável, em parceria com a COP Bike Ride (uma estafeta ciclística que deverá mobilizar cerca de 10 mil participantes), a International Degrowth Network, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta e a Câmara Municipal de Viana do Castelo. A viagem representa 4.700 quilómetros, 37 mil metros de desnível acumulado, 11 países e duas travessias de ferry.
Esta iniciativa baseia-se nos princípios da COP Bike Ride e pretende demonstrar, de forma prática e simbólica, que a mobilidade eficiente e de baixo impacto ambiental é possível se repensarmos os sistemas de transporte.
O ciclista leva consigo uma carta de compromisso da Câmara de Viana do Castelo para alavancar o ciclismo na proteção do clima.
Em comunicado divulgado no dia da partida, a Câmara de Viana do Castelo referiu que “está profundamente comprometida em alavancar o ciclismo como uma ferramenta estratégica na proteção do clima e na melhoria contínua da qualidade de vida de todos os munícipes e cidadãos da nossa região”.
Carta de compromisso do Município de Viana do Castelo
- Rede Ciclável Estrutural (Meta 2030)
– Concluir uma rede estrutural básica de ciclovias até 2030;
– Priorizar a conectividade intermunicipal e multimodal para deslocações diárias;
– Se a base já estiver estabelecida, torne-a ambiciosa! - Acalmia e Redução do Tráfego Automóvel
– Reduzir o tráfego de automóveis, limitando a velocidade e o volume. - Planos Estratégicos Dedicados
– Elaborar planos específicos até 2030, abrangendo todas as alavancas possíveis para o desenvolvimento da utilização de bicicletas;
– Garantir financiamento adequado e dedicado;
– Desenvolver revisões de implementação que incluam as associações e coletivos de utilizadores de bicicletas. - Zonas Exclusivas Pedonais e Cicláveis
– Aumentar significativamente as áreas exclusivas para bicicletas e caminhadas até 2030;
– Focar a implementação perto de escolas, centros de transporte público, comércio local e áreas verdes. - Estacionamento e Armazenamento Alargado
– Generalizar a capacidade adequada de armazenamento de bicicletas até 2030;
– Cobrir centros de transporte, áreas comerciais, escolas, escritórios e residências;
– Incluir obrigatoriamente espaço para bicicletas de carga. - Eventos de Massa e Infraestrutura Comunitária
– Desenvolver um horário e um local para o ciclismo e a utilização de bicicletas;
– Criar um evento anual de ciclismo e/ou utilização de bicicletas em massa, para todas as idades, promovendo a participação de um público amplo;
– Implementar uma “casa da bicicleta” para consertar, treinar, reunir e hospedar. - Capacitação, Treino e Literacia Financeira
– Treinar e informar: capacitar, especialmente menores de 12 anos e mulheres, para uma utilização de bicicletas mais eficiente e empoderadora;
– Promover os benefícios financeiros do meio de transporte. - Estímulo ao Setor Económico do Ciclismo
– Desenvolver o setor económico associado (serviços, manufatura, leasing, partilha…);
– Implementar esta expansão por meio de incentivos e subsídios fiscais específicos. - Logística Urbana e Entregas de “Última Milha”
– Desenvolver a logística de bicicletas de carga para entregas na “última milha”;
– Nota de fundamentação: Um estudo recente mostra que 42% das entregas em vans utilitárias poderiam ser feitas com bicicletas de carga. - Indicadores e Monitorização Regular
– Implementar e divulgar regularmente indicadores para medir e monitorizar o progresso;
– Avaliar métricas de satisfação, acidentes, tamanho da rede dedicada e integração intermodal.
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