Marcelino Sambé estreia-se como coreógrafo na CNB

© ANDY RAIN/EPA

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O bailarino Marcelino Sambé, estreia-se na quinta-feira como coreógrafo, na Companhia Nacional de Bailado (CNB), em Lisboa, com uma peça inspirada em Fernando Pessoa, e quer contribuir para renovar o bailado clássico, aproximando-o de novos públicos, sem perder a tradição.
Em “Eles, Invertidos”, uma das duas novas coreografias do espetáculo “Desassossego”, da CNB, o artista parte do universo introspetivo do “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, para explorar o pensamento interior e as perguntas que atravessam a existência humana.
“Há uma beleza em tentar traduzir palavras em movimento”, disse Marcelino Sambé em entrevista à agência Lusa, entre ensaios, por telefone, a partir de Londres, onde é bailarino principal no Royal Ballet.
Com 13 bailarinos em palco, a peça – que marcará a primeira colaboração coreográfica de Sambé com a CNB – procura traduzir em movimento a dimensão interior através de uma espécie de inversão do ser humano, “como se fosse possível virar o corpo do avesso e observar cada um dos seus órgãos”, explicou.
No processo de criação, Sambé concluiu que a obra de Fernando Pessoa exigia ser profundamente sentida e refletida, por colocar questões como “quem somos, o que queremos fazer, de onde viemos, como vemos o mundo”.
“Quando comecei a pensar na forma como esta peça me fazia sentir, foi quase como uma inversão do ser humano, como virar do avesso o corpo e fazer uma inspeção por completo”, descreveu sobre o resultado coreográfico a partir da obra literária.
Questionado sobre o que espera da reação do público, o coreógrafo afirmou que não procurou antecipá-la, preferindo partir da sua própria experiência, da relação com os bailarinos e da música, sem determinar o que os espetadores devem sentir.
“Eu quero fazer algo que talvez faça com que o público levante questões, e que fique um pouco mais curioso”, afirmou, comparando a experiência desta criação à leitura do livro, que considera aberta à interpretação individual.
Publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a morte de Fernando Pessoa (1888-1935), o “Livro do Desassossego” reúne reflexões sobre a consciência, a existência e a vida quotidiana em Lisboa, atribuídas em grande parte ao semi-heterónimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na Rua dos Douradores.
A estreia na CNB representa um novo passo no percurso artístico de Marcelino Sambé, bailarino principal do Royal Ballet, em Londres, onde ingressou em 2012 e foi promovido à categoria mais elevada da companhia em 2019.
Embora já tenha coreografado em Londres, sobretudo em projetos de menor dimensão, e trabalhado em direção de movimento para a moda, esta é a primeira vez que cria uma peça para a CNB e que desenvolve um trabalho desta natureza com uma companhia profissional de bailado, apontou à Lusa.
“É uma grande honra [coreografar para a CNB], e é mais um passo para o meu futuro numa área mais multidisciplinar”, afirmou, acrescentando que, apesar de o bailado clássico continuar a ser uma das suas prioridades, sempre se interessou pelo teatro, pela televisão, o cinema e as artes visuais.
A experiência como coreógrafo surge também num momento em que sente maior confiança para explorar outras linguagens, depois de interpretar recentemente um dos protagonistas de “Manon”, numa coreografia de Kenneth MacMillan, no Royal Ballet.
O contacto com artistas de diferentes áreas tem contribuído para o desenvolvimento da maturidade profissional e para a forma como pensa o futuro da dança, sublinhou o bailarino de 32 anos, nascido em Lisboa, de origem luso-guineense.
“Há um estigma muito grande em relação ao que um bailarino pode ou não pode fazer, porque nós passamos a vida no estúdio e somos sempre estudantes”, observou, defendendo que a formação e a dedicação exigidas pelo bailado clássico não devem impedir a experimentação artística.
Para Marcelino Sambé, a dança precisa de dialogar com as formas contemporâneas de pensar e com questões sociais atuais, de modo a encontrar novas linguagens e atrair públicos mais jovens.
“A dança não pode ser só condenada aos parâmetros que já foram feitos nos anos 1800. Nós temos de fazer ‘updates’ e encontrar novas formas de encontrar outros públicos e de cativar os jovens a dançar e virem ver dança”, sustentou o artista que passou pela Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional e a Royal Ballet School.
O objetivo não passa, contudo, por abandonar a tradição, mas por descobrir novas possibilidades dentro de uma linguagem com séculos de desenvolvimento técnico e artístico, ressalvou na entrevista à Lusa.
“Eu não quero tentar replicar o ‘Lago dos Cisnes’ e outros clássicos outra vez. Quero mostrar onde é que estão as novas histórias”, disse, defendendo a exploração de novas situações e contextos para o bailado, sem deixar de lado a dança clássica em pontas.
O coreógrafo considera que ainda há muito por descobrir nas técnicas e formas existentes, através da desconstrução e da sua utilização em novos contextos, sem que a procura de uma linguagem inovadora conduza ao abandono do conhecimento acumulado dos clássicos.
“É tentar pôr o ballet em novas situações, em novos momentos”, resumiu Marcelino Sambé.
Portugal assume, neste percurso, um lugar particular, que o artista descreve como um espaço de segurança e liberdade criativa, onde sente que pode experimentar caminhos que talvez não fossem possíveis noutros países.
“Eu vejo Portugal como um porto seguro onde sei que os braços estarão sempre abertos”, afirmou, destacando a coexistência entre um forte vínculo ao passado e um olhar dirigido ao futuro.
Depois de ter conquistado vários prémios em concursos internacionais de dança, Marcelino Sambé foi galardoado com o Critics’ Circle National Dance Award (2017), o Prémio Personalidade do Ano / Martha de la Cal (2022), atribuído pela imprensa estrangeira em Portugal, a Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Oeiras (2020), e a condecoração oficial como Cavaleiro da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2022).
“Desassossego”, que abre a temporada 2026/2027 da CNB, reúne duas criações inspiradas no “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa: além de Marcelino Sambé, também o bailarino e coreógrafo Daniel Cardoso, cria igualmente pela primeira vez um bailado para a companhia, com a peça “Elsewhere within stillness”.
O espetáculo estreia-se na quinta-feira, no Teatro Camões, e terá apresentações até 01 de novembro, no âmbito da programação de celebração dos 50 anos da CNB, fundada em dezembro de 1977.
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A Associação Desportiva Alvoreiros (ADA) está a mobilizar a comunidade para angariar fundos destinados à aquisição de um praticável de Ginástica Rítmica, equipamento essencial para proporcionar melhores condições de treino às suas atletas.
Com mais de uma centena de atletas, a ADA desempenha um papel importante na promoção do desporto, da atividade física e do desenvolvimento de crianças e jovens na região de Alvor e Portimão. A aquisição deste equipamento representa um passo importante para melhorar as condições em que as ginastas treinam e desenvolvem as suas capacidades.
Para concretizar este objetivo, a associação lançou uma campanha de angariação de fundos, com uma meta de 5.000 euros, apelando à participação de particulares, empresas e entidades que queiram contribuir para o desenvolvimento do desporto local.

Cada contributo pode fazer a diferença. Para além dos donativos monetários, a ADA procura estabelecer parcerias com empresas que queiram associar-se a este projeto e apoiar diretamente a prática desportiva e o desenvolvimento das jovens atletas.
A associação convida toda a comunidade a conhecer e divulgar esta iniciativa, ajudando a aproximar o projeto do seu objetivo. A campanha está disponível clicando aqui.
Para mais informações sobre a campanha, possibilidades de parceria ou outras formas de apoio, os interessados poderão contactar a Associação Desportiva Alvoreiros através dos seus canais oficiais.
Sobre a Associação Desportiva Alvoreiros
O Núcleo de Ginástica Rítmica de Alvor, hoje parte da Associação Desportiva Alvoreiros, foi fundado em 2011 com um propósito inovador: oferecer a prática desportiva feminina em Alvor. Somos uma associação de ginástica rítmica sediada em Alvor, Portimão, focada na formação de crianças e jovens atletas da região do Algarve.
A Associação Desportiva Alvoreiros promove a prática desportiva na região de Alvor e Portimão, com especial enfoque na Ginástica Rítmica e na formação desportiva de crianças e jovens.
Uma nova iniciativa vai proporcionar o acesso gratuito a aulas e atividades de dança a 20 crianças e jovens com idades entre os 6 e os 17 anos, residentes ou estudantes no concelho de Cascais, que se encontrem em situação de vulnerabilidade socioeconómica.


A quinta edição reúne Alessandro Sciarroni, Vera Mantero e Clara Andermatt, entre outros artistas, de 4 a 14 de novembro.
O conteúdo Festival Pedra Dura leva dança, concertos e instalações artísticas a Lagos aparece primeiro em Barlavento.
Em outubro, o Cineteatro Louletano reinventa-se e aposta de novo em programação de referência, cruzando música, dança, teatro, cinema e espetáculos multidisciplinares, do lado de cá e de lá do Atlântico. Isto porque, neste mês, haverá duas peças com companhias vindas diretamente do Brasil, mais concretamente da Amazónia e de São Paulo.
E no dia 9, sexta-feira, há dança, com a junção da Companhia Maior e a do coreógrafo Victor Hugo Pontes. A peça chama-se “A esta hora, na infância neva” e é um espetáculo que cruza a infância e as gerações mais velhas e que conta com a participação de crianças previamente selecionadas, que irão “espelhar” os(as) intérpretes adultos(as) em alguns momentos. Na peça, os bailarinos mais velhos têm corpos que perdem força e velocidade, mas que ganham em definição e intenção. Em simultâneo, as gerações mais novas criam um espelho que nos permite refletir sobre o que ainda somos, daquilo que fomos…
No fim de semana, sábado e domingo, há duas peças vindas do Brasil, no âmbito do Festival Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador, organizado pelo Teatrão. Sábado, dia 10, às 21h00, temos “O Avesso da Pele”, pelo Coletivo Ocutá, de São Paulo. A peça baseia-se no romance premiado de Jeferson Tenório (vencedor do prémio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário). Conta a estória de um professor que é assassinado pela polícia, e a procura de um sentido, por parte do filho, numa busca pelo passado da família.
Já no domingo, às 17h00, é a vez de “As Cores da América Latina”, peça que vem da Amazónia, da cidade de Manaus, com a Companhia Panorando. O espetáculo possui como norte três manifestações latino-americanas, a Fiesta de la Tirana (Chile), a Huaconada (Peru) e Cavalo-Marinho (Brasil) em intersecção com a Dança e o Teatro. Esta peça conta com o recurso de Audiodescrição, para pessoas cegas e/ou com baixa visão. O Festival traz consigo três oficinas de participação, nos dias 8, 10 e 11, nas quais se poderá inscrever através do email cinereservas@cm-loule.pt. Mais informações no site do Cineteatro Louletano.
A 13 de outubro, cinema, com mais um filme do ciclo Filme Francês do Mês, organizado pela Alliance Française em colaboração com o CTL. O título é “Grand Paris”, de Martin Jauvat (2022). Conta a estória de Leslie, um jovem parisiense que vive nos subúrbios, e do seu amigo, Renard. Ambos entram numa aventura, com a descoberta de um misterioso objeto que lhes dá dinheiro rapidamente. É no Auditório do Solar da Música Nova, às 21h00.
À mesma hora, ali ao lado, no Palácio Gama Lobo, entre as 19h00 e as 21h00, decorre a oficina “Experimenta Criar (Invenção da Natureza)”, pela Gira Sol Azul. A oficina parte de conceitos científicos, filosóficos e históricos sobre a natureza e propõe exploração sonora e criação musical coletiva. É dirigida a todas as pessoas do setor da Educação e ao público em geral. Inscrições pelo email cinereservas@cm-loule.pt
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A AORCA – Associação de Observação, Regeneração e Criação na Actualidade, sedeada em Lagos, apresenta o espetáculo de dança intitulado ‘O QUE TORNA – de Susana Vilar’, para ver dia 23 de outubro, às 10h30 e 21h30 no Centro Cultural de Lagos .
Um solo de dança contemporânea que nasce de uma pesquisa sobre a mudança como espaço de transformação. Numa realidade social cada vez mais virtual e tecnológica, o corpo físico transforma-se, através de uma metamorfose líquida, em corpo máquina sem se questionar s obre o caminho.
Entre o desejo de mudança e a força de permanecer, entre a inevitabilidade da transformação e a resistência, são exploradas as ruturas que nos t ornam diferentes. É nesse processo de nos tornarmos outros, nós próprios. É nesse lugar que encontramos o sentido de parar, reparar e tornar novamente.
FICHA TÉCNICA
Direção artística e interpretação: Susana Vilar
Co-criação musical: Daniela Amaral Cardoso e Pedro Salvador
Co-criação e assistência: Sofia Brito
Apoio dramatúrgico: Ricardo Falcão
Cenografia e iluminação: Felipe Silva
Figurinos e design 3D: Ana Soares e Gabriel Serra
Direção de Produção: Alicja Gladysz
Comunicação e divulgação: Marta Santana Gonçalves
Produção: AORCA
Co-produção: Câmara Municipal de Lagos
Apoios: DGARTES; Centro Cultural de Lagos, OPART, E.P.E/Estúdios Victor Córdon, A CRL – Central Elétrica, Projeto 23 Milhas, Teatro Aveirense, Associação de Dança de Lagos, Junta de Freguesia São Gonçalo de Lagos