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Zelensky favorável a reunião trilateral com Rússia e EUA o mais rapidamente possível

By: Lusa
21 October 2026 at 21:02

O Presidente ucraniano afirmou esta quarta-feira ser favorável a uma reunião trilateral entre Kiev, Moscovo e Washington “o mais rapidamente possível”, após o Kremlin ter demonstrado esta quarta-feira abertura para a realização de um encontro em novembro.

“Ficámos a saber que a Rússia (…) é favorável a uma reunião trilateral ao nível das nossas delegações. A parte norte-americana propõe organizar esta reunião o mais rapidamente possível. Estamos favoráveis a isso”, afirmou Volodymyr Zelensky, em declarações à comunicação social.

As declarações do chefe de Estado ucraniano surgem no seguimento da visita do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, a São Petersburgo, onde se reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin.

No rescaldo da reunião desta quarta-feira, o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse aos jornalistas que Moscovo tenciona, “em princípio”, retomar as conversações após o dia 10 de novembro, e que as negociações trilaterais vão focar-se na “criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”.

Ushakov, citado pela agência russa TASS, indicou ainda que esta nova ronda de negociações poderá ter lugar em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Também Witkoff referiu nas redes sociais que as reuniões que manteve na terça-feira com Zelensky, em Oslo, na Noruega, e esta quarta-feira com Vladimir Putin, foram positivas e que “irão prosseguir com conversações trilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia a nível técnico”.

“Reunimo-nos com o Presidente Putin para dar continuidade aos progressos alcançados em Oslo com o Presidente Zelensky” e “discutir um quadro de paz”, referiu Witkoff na mesma mensagem publicada na rede social X.

Horas antes, numa entrevista à estação norte-americana Fox News, Zelensky afirmou que é necessária uma pausa na frente de batalha como ponto de partida para as negociações de paz.

Zelensky reiterou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.

Também foi proposta por Putin uma reunião a três com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) no próximo mês, na China.

Trump também já se mostrou disponível para participar nesta reunião de líderes e, embora Pequim ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto, Ushakov afirmou esta quarta-feira que a China já tinha iniciado os preparativos para a reunião.

O Presidente russo recebeu também esta quarta-feira em São Petersburgo o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, após conversar três horas com o enviado da Casa Branca sobre a Ucrânia e o possível encontro dos líderes de Rússia, Estados Unidos e China em novembro.

Líderes europeus procuram solução para défice de 70 mil milhões da Ucrânia em 2027

21 October 2026 at 20:36

Os líderes da União Europeia (UE) vão reunir-se a 26 e 27 de novembro para procurar uma solução para as necessidades de financiamento da Ucrânia em 2027, estimadas em 70 mil milhões de euros, e discutir o próximo orçamento comunitário para o período de 2028 a 2034, segundo adiantou um funcionário do bloco envolvido nos preparativos à Reuters.

Apesar de Bruxelas prever disponibilizar 45 mil milhões de euros à Ucrânia no próximo ano, o montante será insuficiente para cobrir as necessidades financeiras de Kiev, enquanto a guerra com a Rússia prosseguir. Os Estados-membros terão, por isso, de encontrar uma nova forma de financiamento, que poderá passar por outro empréstimo, segundo a fonte citada pela agência noticiosa.

Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou ao bloco europeu para arranjar forma de conceder mais 70 mil milhões de euros para 2027, avisando que a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros” no próximo ano.

O Executivo comunitário contava também com contribuições adicionais de países que não pertencem à UE, como Noruega, Suíça, Canadá, Japão e Reino Unido, num total de 45 mil milhões de euros repartidos entre 2026 e 2027. No entanto, parte desse financiamento ainda não se concretizou, aumentando a pressão para encontrar alternativas.

Em setembro, a Comissão Europeia indicou que o Canadá está a negociar a participação no empréstimo da União à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, lembrando que o regulamento do Empréstimo de Apoio à Ucrânia para 2026-2027 abre a porta a que alguns países terceiros participem no programa sob condições específicas.

A cimeira servirá também para discutir o orçamento comunitário de longo prazo para 2028-2034. Os governos europeus pretendem chegar a acordo sobre o próximo quadro financeiro ainda este ano, antes de as campanhas eleitorais previstas para 2027 em países como França, Itália, Polónia, Grécia, Estónia, Finlândia e Eslováquia tornarem as negociações mais politizadas.

Ex-chefes militares alertam para “panorama sombrio” de falta de efetivos nas Forças Armadas

By: Lusa
21 October 2026 at 16:36

O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), que reúne vários ex-chefes militares, alertou esta quarta-feira para um “panorama sombrio e preocupante” de falta de efetivos nas Forças Armadas, sugerindo a criação de um órgão independente dedicado a questões remuneratórias.

Num texto intitulado “As Forças Armadas, os recursos e a falta de pessoal”, este grupo de reflexão composto por oficiais generais na reserva incluindo ex-chefes militares como o almirante Melo Gomes, o general Pinto Ramalho ou o general Taveira Martins, alerta que as notícias em torno da Defesa têm estado mais focadas na aquisição de equipamentos – com programas como os empréstimos europeus SAFE – mas que o pessoal “(ou a falta dele) também é assunto”.

O GREI aponta que a crise de efetivos “não é nova”, “só que agora o panorama é mais sombrio e preocupante”.

Num diagnóstico detalhado, o grupo defende que a exigência e o risco inerentes à profissão militar “contrastam com níveis remuneratórios pouco competitivos, progressões lentas e incentivos insuficientes”, além de “fragilidades na assistência na saúde, na ação social complementar e a perspetiva de reformas futuras pouco compensadoras”.

“Perante um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, as Forças Armadas enfrentam dificuldades crescentes para captar e manter talento qualificado, comprometendo a prontidão e capacidade operacional, bem como a renovação geracional. Sem pessoas não há capacidades militares, e sem capacidades militares não há sistema de forças e uma garantia plena de defesa nacional”, avisam.

Entre as várias propostas do GREI para enfrentar este problema está a criação de um órgão, ou uma comissão de acompanhamento, “independente e isento”, que se dedicaria às questões do sistema remuneratório dos militares – lembrando que estes profissionais não têm o direito à negociação coletiva ao contrário de outras profissões, como as forças de segurança.

Esse órgão seria “constituído por personalidades de reconhecido mérito nomeadas pelo senhor Presidente da República”, reportando ao Comandante Supremo das Forças Armadas, ao Governo e à Assembleia da República, e teria “suporte legal para produzir propostas e pareceres vinculativos, à semelhança do que já existe em vários países da Europa e da NATO”.

Utilizando dados do Exército, o GREI indica que, desde 2000, se candidataram ao ramo, em média, 5.737 cidadãos por ano. Destes, apenas 2.302 por ano (cerca de 40%) chegaram a completar o serviço militar.

É ainda apontado que a 1 de março deste ano, o Exército dispunha de 4.565 praças para um efetivo autorizado de 9.096 para o triénio 2023/2025 – cerca de metade do previsto. Também a Marinha, em março deste ano, dispunha apenas de 59% dos praças autorizados.

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, tem insistido que a tendência de queda de efetivos nas fileiras militares está a ser revertida, mas o GREI aponta que “mesmo nos anos em que se registou um incremento do número de incorporados – com particular expressão em 2023 e 2024 -, esse crescimento revelou-se manifestamente insuficiente para compensar as saídas acumuladas, perpetuando um défice estrutural de efetivos, em especial na categoria de praças”.

O “desencanto pela profissão” não se fica apenas nas categorias mais baixas, com o grupo a alertar para saídas de militares com muitos anos de experiência e altamente qualificados, como médicos, engenheiros e pilotos.

O grupo sustenta que as alterações feitas ao Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR) nos últimos 25 anos foram altamente penalizadoras dos militares, quer em termos de progressão na carreira, quer em termos de vencimentos.

Na ótica do GREI, o financiamento da Defesa Nacional tem vindo a resultar “de decisões casuísticas e de critérios únicos de oportunidade política, sem qualquer racional ou estudo subjacente”. Estes militares também lamentam que o SAFE se foque na aquisição de material e esqueça a vertente pessoal.

“Não há Forças Armadas sem material adequado e condigno – navios, carros de combate ou aeronaves, mas também não haverá Forças Armadas sem pessoal – marinheiros, soldados ou aviadores – habilitados e altamente proficientes e motivados”, avisam, realçando que não está em causa “uma questão corporativa” mas sim “uma questão de soberania e de responsabilidade política”.

Neste documento, o GREI defende ainda que o Estado deve cobrir o “défice crónico” registado na Assistência na Doença dos Militares (ADM), à semelhança do que é feito com a ADSE, e não atribuir essa responsabilidade ao Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA).

Putin aceita retomar negociações trilaterais com Kiev e Washington

By: Lusa
21 October 2026 at 16:08

O Presidente russo, Vladimir Putin, aceitou esta quarta-feira retomar as negociações trilaterais com Washington e Kiev para pôr fim à guerra na Ucrânia, declarou um responsável da presidência russa (Kremlin).

O líder russo concordou, “em princípio”, retomar as conversações após o dia 10 de novembro, disse Yuri Ushakov, conselheiro de política externa de Putin, aos jornalistas após um encontro em São Petersburgo entre Putin e Steve Witkoff, enviado do Presidente norte-americano, Donald Trump.

As negociações trilaterais vão focar-se na “criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”, afirmou Ushakov.

A conversa de Witkoff com Putin sobre a guerra na Ucrânia ocorre quando Trump pressiona Kiev para fechar um acordo que interrompa os combates.

No início da reunião, que durou cerca de três horas, Putin agradeceu a Trump e a Witkoff os esforços para pôr fim à guerra, segundo o Kremlin. A visita de Witkoff à Rússia ocorreu um dia depois de o enviado norte-americano se ter reunido com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e alguns líderes europeus em Oslo, capital da Noruega.

A Rússia e a Ucrânia ainda divergem profundamente quanto aos termos para um acordo, enquanto os seus exércitos permanecem em confronto no campo de batalha.

No entanto, o Presidente finlandês, Alexander Stubb, declarou na noite de terça-feira que a reunião em Oslo – na qual participou – “apresentou um progresso real”.

Zelensky declarou esta quarta-feira que é necessário uma pausa na frente de batalha como ponto de partida para as negociações para colocar fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia, numa entrevista à Fox News.

“Depois, claro, recorreremos ao Presidente (Trump) e aos europeus para solicitar garantias de segurança”, acrescentou Zelensky, um dia depois da reunião com os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner (este último por videoconferência), assim como com os líderes da Noruega e da Finlândia. Zelensky afirmou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.

Segundo o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, Witkoff planeava regressar a Oslo para novas consultas após a sua viagem à Rússia.

“Acredito que podemos ter entrado numa fase em que os russos também procuram oportunidades para a diplomacia”, disse esta quarta-feira Store à emissora norueguesa NRK.

No dia 11 de outubro, Trump declarou que a Rússia e a Ucrânia tinham acordado um cessar-fogo nos ataques a infraestruturas energéticas. No entanto, a Rússia continuou a bombardear a rede elétrica ucraniana, enquanto Kiev atacou as refinarias de petróleo russas. Desde então, os combates continuam de parte a parte.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou na terça-feira que Moscovo está disposta a ouvir novas propostas dos EUA sobre a Ucrânia, mas salientou que não espera qualquer “milagre” por parte de Washington.

Na terça-feira, na Casa Branca, Trump intensificou a pressão sobre Zelensky para que chegue a um acordo com a Rússia, numa altura em que a relação entre os dois líderes voltou a deteriorar-se.

UE investiga suspeitas de desinformação russa em torno dos protestos em França

21 October 2026 at 16:05

A União Europeia (UE) está a analisar possíveis campanhas de desinformação e interferência estrangeira nas redes sociais relacionadas com os recentes motins em França e episódios de violência e pilhagem noutros países europeus. Contas pró-russas estarão a divulgar vídeos violentos e falsas narrativas para agravar a instabilidade, avançou o Financial Times, citando responsáveis de segurança e especialistas.

As autoridades estão a avaliar o papel de redes de influência ligadas a Moscovo, mas também possíveis operações associadas ao Irão e à Argélia. O objetivo passa por perceber se estas campanhas estão a amplificar a violência e de que forma as plataformas digitais contribuem para a propagação de conteúdos falsos ou incitamentos ao ódio.

“Queremos saber qual é o nível de cooperação das plataformas. É possível que estejam a ocorrer campanhas de informação russas, mas as plataformas não devem amplificá-las através dos seus algoritmos”, afirmou um funcionário da União, citado pelo jornal britânico.

França é, segundo o Serviço Europeu para a Ação Externa, o segundo país da Europa continental mais visado por operações estatais de manipulação da informação, atrás da Ucrânia.

David Colon, investigador da Sciences Po especializado em desinformação, disse ao mesmo jornal que influenciadores pró-Kremlin associados à Storm-1516 — operação russa de desinformação e influência digital ligada ao Kremlin e aos serviços de inteligência da Rússia, ativa pelo menos desde 2023 — “amplificaram os acontecimentos e divulgaram várias narrativas falsas”.

Contudo, ressalvou que estes influenciadores “não estão na origem das manifestações” nem terão tido impacto no desenrolar dos acontecimentos.

Um dos exemplos identificados pelo Financial Times envolve uma conta na rede social X, com cerca de cinco mil seguidores, que publicou um vídeo de manifestantes a lançar fogo de artifício e que acumulou quase seis milhões de visualizações. As imagens foram apresentadas como sendo de França, mas tinham sido gravadas durante protestos em Tbilisi, na Geórgia, em 2024.

A Comissão Europeia reuniu-se esta semana com as autoridades francesas e com o regulador dos meios de comunicação, Arcom, para discutir a atuação das plataformas digitais, incluindo a X, o Instagram e o TikTok. “Queremos saber até que ponto as plataformas estão a cooperar”, afirmou um responsável europeu citado pelo jornal.

Apesar das suspeitas de interferência estrangeira, não existem provas concretas de que agentes russos tenham organizado ou provocado diretamente os motins. Um responsável europeu dos serviços de informações considerou que a explicação mais simples continua a ser a radicalização política interna, embora atores estrangeiros possam aproveitar o descontentamento para ampliar a instabilidade.

“Existe uma mobilização genuína de pessoas zangadas com as instituições devido às suas próprias queixas, e atores estatais estrangeiros tentam amplificá-la”, vincou outra fonte dos serviços de informações europeus ao jornal, alertando para que o papel destas redes não seja sobrestimado.

Qatar, Turquia, Paquistão e Indonésia formalizam aliança na indústria de defesa

By: Lusa
21 October 2026 at 14:53

Qatar, Turquia, Paquistão e Indonésia assinaram esta quarta-feira um memorando de entendimento sobre a indústria de defesa, que permitirá reforçar a cooperação e multiplicar as exportações militares entre os quatro países. A assinatura teve lugar em Doha, capital do Qatar, no âmbito da visita dos representantes da Defesa dos três países.

O acordo assenta, em concreto, em projetos de defesa já existentes entre os quatro países, procurando reforçar a cooperação multilateral.

Além do fornecimento de sistemas militares entre todos, o objetivo último da aliança é avançar para a produção conjunta e para a transferência de tecnologia, interoperabilidade e integração das cadeias de abastecimento, indicou o Secretariado das Indústrias de Defesa da Turquia.

O acordo assinado em Doha é particularmente atrativo para Ancara, que se destaca como a maior potência industrial entre os países signatários.

A Turquia viu as suas exportações de armamento aumentarem 122% nos últimos cinco anos, tornando-se o 11.º maior exportador mundial de material militar, destinado sobretudo aos seus parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Hospital das Forças Armadas tem mais de 20 milhões para módulo cirúrgico

21 October 2026 at 14:34

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) recebeu autorização do Governo de aproximadamente 20,3 milhões de euros para construir o módulo cirúrgico do Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, nos anos de 2025 a 2029. A operação será garantida por verbas da Lei de Infraestruturas Militares inscritas no orçamento do EMGFA.

O montante, ao qual acresce IVA à taxa legal em vigor, representa um reforço de cerca de 5,57 milhões de euros face aos 14,71 milhões inicialmente autorizados, em março de 2025.

O aumento da despesa resulta da revisão do projeto de execução elaborado em 2016 e atualizado em 2025, que identificou “a necessidade de atualizar diversas especialidades, designadamente ao nível das instalações de climatização e ventilação, segurança contra incêndios, gases medicinais, instalações elétricas e requisitos de eficiência energética”, lê-se numa resolução do Conselho de Ministros publicada esta quarta-feira em Diário da República.

A atualização do projeto levou também à revisão do prazo da empreitada, inicialmente previsto até 2027, que passa agora a abranger o período até 2029. O Governo justifica o aumento dos custos com “a evolução dos preços no setor da construção verificada na última década, designadamente no que respeita ao custo dos materiais e da mão de obra”.

Dessa forma, o Executivo de Luís Montenegro autorizou o “Estado-Maior-General das Forças Armadas a assumir o encargo plurianual e a realizar a despesa para a edificação do módulo cirúrgico do Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, com a construção do edifício H05, nos anos de 2025 a 2029, até ao montante global máximo de 20 274 857,06 euros“.

O encargo orçamental autorizado distribui-se por cinco anos económicos, sem poder exceder nos anos de 2027 a 2029 os seguintes montantes:

  • 2025: 150 000 euros
  • 2026: 5 565 570,73 euros
  • 2027: 6 198 455,28 euros
  • 2028: 6 348 455,28 euros
  • 2029: 2 012 375,77 euros

França investiga incursão de drones sobre base naval e outras zonas militares

21 October 2026 at 13:45

A Marinha Francesa abriu uma investigação judicial depois de vários drones não autorizados terem sido detetados junto e sobre instalações militares no sudeste de França. Entre os locais afetados estão a base naval de Toulon, uma instalação da Direção-Geral do Armamento e um regimento de artilharia em Hyères. As autoridades ainda não determinaram a origem dos sobrevoos.

Durante um exercício militar de grande escala que decorreu de 5 a 16 de outubro, “drones não autorizados foram detetados na zona de exclusão aérea, perto e acima de instalações militares“, afirmou a Armada francesa em comunicado de imprensa, citada pelo Politico.

Os incidentes ocorreram durante o exercício Typhon, destinado a treinar a proteção de instalações militares terrestres e marítimas na região de Toulon, em coordenação com as forças de segurança internas. Em cada ocorrência, foram ativados dispositivos antidrones, mas a Marinha francesa garante que, até ao momento, nenhuma infraestrutura sensível foi ameaçada.

A base naval de Toulon é uma das principais instalações militares francesas no Mediterrâneo e acolhe o porta-aviões Charles de Gaulle e submarinos de ataque.

Europa em alerta para ameaças híbridas

Os incidentes surgem num contexto de crescente preocupação europeia com incursões de drones junto de instalações militares e infraestruturas críticas, algumas das quais atribuídas por autoridades nacionais à Rússia.

Em setembro, o Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu um plano para proteger infraestruturas críticas perante a intensificação dos ataques híbridos que Paris atribui a Moscovo, afirmando que a “natureza da agressividade russa” mudou e anunciando uma nova cimeira do G7.

Na Alemanha, o Governo responsabilizou oficialmente a Rússia por ataques com drones equipados com explosivos na zona de segurança do aeroporto de Leipzig, um importante centro de logística militar. No caso da Dinamarca, os serviços de informações anunciaram ter detetado preparativos concretos para operações de sabotagem russas contra empresas da indústria de Defesa.

O comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, avisou que a União Europeia (UE) deve responder à Rússia com medidas “tão dolorosas” como os danos provocados por eventuais ataques híbridos, defendendo que Moscovo não deve ter conhecimento antecipado de qual será a resposta europeia.

No caso francês, as autoridades não identificaram a origem dos drones detetados em Toulon nem atribuíram os sobrevoos a qualquer país. A investigação judicial deverá apurar as circunstâncias dos incidentes.

Maratona tecnológica europeia de defesa em Leiria tem vencedores. Saiba quem são

21 October 2026 at 13:06

A UB Robotics conquistou o primeiro lugar na edição de Leiria do EUDIS Defence Hackathon 2026 com uma plataforma de autonomia robótica que permite coordenar diferentes tipos de robôs sem depender de GPS, internet ou redes convencionais, a UBR Brain. A Nautilo e a UBIAT viram também as suas soluções serem reconhecidas na maratona tecnológica de defesa.

A competição decorreu entre 15 e 17 de outubro, em Leiria, no âmbito do programa europeu EU Defence Innovation Scheme (EUDIS), apoiado pelo Fundo Europeu de Defesa. Sob o tema “Autonomia no Campo de Batalha”, o hackathon reuniu 62 participantes de 12 nacionalidades para desenvolver soluções tecnológicas destinadas a operar em ambientes onde os sistemas de navegação por satélite podem estar indisponíveis ou ser perturbados.

Esta foi a terceira maratona tecnológica do EUDIS realizada em Portugal, mas desta vez com a Startup Leiria como organizadora do evento. O desafio incluiu a navegação sem GPS, a coordenação de enxames de drones e o desenvolvimento de plataformas capazes de lançar, coordenar e recolher diferentes sistemas não tripulados.

A maratona de Leiria decorreu em simultâneo com a de Itália, Chipre, Suécia, Irlanda, Áustria, Letónia e Noruega que acolheram a edição de outono do programa EUDIS, integrado no Fundo Europeu de Defesa da Comissão Europeia para impulsionar a inovação no setor da defesa até 2030.

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Quais os projetos vencedores?

A equipa UB Robotics venceu com o projeto UBR Brain, desenvolvido para responder ao desafio GNSS-Denied Navigation, centrado na operação de sistemas autónomos em ambientes sem acesso fiável a sinais de posicionamento por satélite.

A solução consiste numa plataforma de software de autonomia robótica que permite a um único operador coordenar diferentes tipos de máquinas, incluindo veículos terrestres não tripulados (UGV), veículos aéreos não tripulados (UAV) e robôs humanoides. O sistema recorre a sensores instalados nos próprios equipamentos e a comunicações rádio ponto a ponto, para permitir a navegação e a partilha de informação sem depender de GPS, ligação à internet ou infraestruturas de rede convencionais.

A equipa vencedora é composta por Filipe Martins, Francisco Leal, Pedro Oliveira, Rodrigo Capeleiro e Ruben Dinis.

A vitória na edição portuguesa permite à equipa avançar para a fase seguinte do programa europeu. Segundo a organização do hackathon, os vencedores nacionais beneficiam de dois meses de mentoria europeia e têm oportunidade de apresentar as soluções a representantes dos Estados-membros. As melhores propostas poderão ainda chegar a um evento tecnológico internacional.

A Nautilo conquistou o segundo lugar com uma plataforma naval autónoma concebida para patrulhar a Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa durante várias semanas. “Alimentada por energias renováveis e equipada com sistemas de baixa manutenção, a plataforma funcionaria como uma base móvel para prolongar o alcance operacional de sistemas não tripulados mais pequenos, permitindo uma monitorização marítima contínua e persistente”, refere a Startup Leiria.

Já o terceiro lugar foi para o sistema autónomo de combate a drones da UBIAT. Concebida para responder a ameaças como os drones de ataque Shahed, a solução combina uma “plataforma aérea principal com pequenos drones intercetores, que podem ser lançados para neutralizar ameaças identificadas através de câmaras térmicas e visuais”, refere a Startup Leiria.

“Através de uma rede de comunicação entre os drones e de um sistema de coordenação supervisionado por um operador humano, a plataforma permite distribuir alvos, acompanhar a situação e reajustar as missões em tempo real”, refere ainda.

Trata-se de uma solução de uso dual, já que a “arquitetura proposta poderá também ter aplicações civis, nomeadamente na deteção de incêndios florestais e em operações de busca e salvamento”.

Putin oferece ajuda a Washington para resolver conflito com Irão

By: Lusa
21 October 2026 at 12:10

O Presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu esta quarta-feira ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, a ajuda da Rússia para pôr fim à guerra no Irão.

“Se pudermos fazer alguma coisa para resolver esta crise, fá-lo-emos com todo o gosto”, afirmou Putin no início da reunião no Palácio de Constantino, a residência presidencial em São Petersburgo.

O Presidente russo acrescentou que os Estados Unidos “conhecem bem” as propostas russas a este respeito, que incluem a possibilidade de a Rússia retirar o urânio enriquecido armazenado pelo país persa.

Putin quis também conhecer as avaliações dos Estados Unidos sobre “a situação no Médio Oriente e em torno do Irão”. “Temos relações especiais de confiança com o Irão, com os nossos parceiros iranianos, que se foram consolidando ao longo de décadas”, afirmou a Witkoff.

Desde o início da guerra no Irão, Teerão e Washington mantêm um braço-de-ferro pelo controlo do Estreito de Ormuz, onde a República Islâmica tenta travar o tráfego marítimo através de ataques a navios e os Estados Unidos procuram manter a circulação de petroleiros para controlar o preço do crude.

Em contrapartida, o Irão e a Rússia reforçaram as suas relações nos últimos anos, sobretudo após o início da guerra na Ucrânia, tendo assinado, em 2025, um acordo de parceria estratégica.

Força Aérea tem até 4,4 milhões de euros para inspeção e manutenção dos F-16

21 October 2026 at 11:14

A Força Aérea Portuguesa obteve luz verde do Governo de cerca de 4,4 milhões de euros para realizar ações de manutenção associadas às aeronaves F-16, com financiamento através de verbas a inscrever no orçamento do ramo das Forças Armadas. A Força Aérea também recebeu autorização para conservar o simulador para o Multinational Helicopter Training Centre e fornecer cursos táticos de helicópteros, com montante máximo de 1,4 milhões de euros.

“A Força Aérea tem de cumprir com os requisitos permanentes de aeronavegabilidade relativos às aeronaves F-16, conforme estabelecido pelo fabricante das mesmas, por forma a garantir a segurança da operação, o que implica a realização regular de ações de manutenção complexas, denominadas ‘inspeções de fase’ (IF), integradas com outras ações de manutenção”, lê-se numa resolução do Conselho de Ministros publicada esta quarta-feira em Diário da República.

“Afigura-se necessária a aquisição do serviço de IF de 300 horas de voo e ações de manutenção associadas, por forma a regenerar o potencial de célula consumido pela operação normal destas aeronaves”, pode ler-se na resolução.

Nesse sentido, a Força Aérea foi autorizada “a realizar a respetiva despesa com a aquisição de serviços de inspeção de fase de 300 horas de voo e ações de manutenção associadas do sistema de armas F-16, para os anos de 2027 e 2028, até ao montante máximo de 4 406 000 euros, ao qual acresce o imposto sobre o valor acrescentado (IVA), à taxa legal em vigor”.

O encargo orçamental autorizado distribui-se por dois anos económicos, sem poder exceder os seguintes montantes:

  • 2027: 2,16 milhões de euros
  • 2028: 1,246 milhões de euros

1,4 milhões para manutenção de simulador de helicópteros

O Governo também deu aval à Força Aérea de cerca de 1,4 milhões de euros para adquirir serviços de operação e manutenção do simulador para o Multinational Helicopter Training Centre (MHTC), para o ano de 2027, e de ministrar cursos táticos de helicópteros, com verbas específicas do MHTC, a inscrever no orçamento da Força Aérea no próximo ano.

O MHTC, sediado na Base Aérea de Sintra, é o maior centro europeu de formação de tripulações de helicópteros militares e a sua “operação e manutenção do simulador existente, deve ser mantida, com vista ao fornecimento contínuo de cursos táticos de helicópteros”, pode ler-se na Portaria datada de 14 de outubro e publicada esta quarta-feira em Diário da República.

Como está previsto que a capacidade operacional total dos novos simuladores apenas deverá ser alcançada em 2028, “é necessário proceder à aquisição de serviços de operação e manutenção do simulador existente no MHTC, por um período de 12 (doze) meses, com início em 1 de janeiro de 2027 e término a 31 de dezembro de 2027”.

Para tal, a Força Aérea assume “o encargo plurianual, para o ano de 2027, referente à aquisição de serviços de operação e manutenção do simulador para o Multinational Helicopter Training Centre e fornecimento de cursos táticos de helicópteros, até ao montante máximo de 1 413 578 euros (um milhão, quatrocentos e treze mil, quinhentos e setenta e oito euros), ao qual acresce o imposto sobre o valor acrescentado à taxa legal em vigor”.

Irão afirma que negociações com EUA continuam “sem interrupções”

By: Lusa
21 October 2026 at 11:14

O chefe da diplomacia do Irão afirmou que o país e os Estados Unidos (EUA) mantêm negociações “sem interrupções” para pôr fim à guerra, através de intermediários como o Paquistão.

“As nossas negociações com o lado americano, através de países mediadores como o Paquistão e o Qatar, continuam sem interrupções”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, numa entrevista à emissora iraquiana Al-Akhbariya.

Em setembro, o Irão propôs o chamado “plano de sete dias” para a reabertura do Estreito de Ormuz. A proposta exige o levantamento do bloqueio naval e das sanções ao petróleo iraniano, o fim da guerra em todas as frentes e a libertação de fundos iranianos congelados no exterior, entre outras medidas, como condição para a reabertura da passagem marítima.

“No sexto dia desse período, o Estreito de Ormuz deveria estar totalmente aberto. Os norte-americanos informaram-nos que concordam com estas condições, mas desejam acrescentar algumas cláusulas adicionais“, apontou o chefe da diplomacia da República Islâmica.

Araghchi, que evitou entrar em pormenores sobre as propostas norte-americanas, indicou que, uma vez cumpridas todas as cláusulas do pacto, o Irão está aberto a iniciar negociações sobre outros assuntos, sem os especificar.

“Na fase final das negociações, será possível debater qualquer questão ou problema levantado por qualquer das partes e chegar a um acordo definitivo”, salientou o diplomata.

Na terça-feira, o Irão garantiu que não permitirá a saída do país de qualquer quantidade de urânio enriquecido e reiterou que os EUA terão de cumprir as condições de Teerão para terminar a guerra.

“Nem sequer uma quantidade ínfima de materiais nucleares enriquecidos sairá do Irão. Constituem um importante ativo e uma riqueza nacional para o povo iraniano”, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, citado pela televisão estatal.

O destino das reservas iranianas de urânio altamente enriquecido constitui um dos principais pontos de divergência nas negociações entre Teerão e Washington. Os Estados Unidos exigem que as reservas sejam retiradas do território iraniano, enquanto Teerão defende como única solução a diluição do urânio em território nacional.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou entretanto que Teerão não tem “nada de novo” a transmitir aos Estados Unidos e insistiu no cumprimento das condições apresentadas anteriormente pelo regime iraniano.

“Não temos nada de novo a dizer”, declarou Ghalibaf, durante um encontro com o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir.

O Paquistão é um dos países envolvidos na mediação das negociações entre o Irão e os Estados Unidos para tentar terminar o conflito.

Encontro entre Zelensky e Witkoff foi “positivo”, diz Rubio

By: Lusa
21 October 2026 at 11:08

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou positivos os contactos entre o emissário dos Estados Unidos Steve Witkoff, e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na terça-feira, em Oslo.

Rubio acrescentou que Witkoff estava, naquele momento, a caminho de um encontro com as autoridades russas, nomeadamente com o presidente, Vladimir Putin, em São Petersburgo, onde já chegou. “Foi positivo, nada de inesperado, nada de surpreendente. Agora, com estas ideias, ele pode ir a São Petersburgo e partilhá-las com o lado russo. Vamos ver se conseguimos obter alguns avanços”, declarou Marco Rubio aos jornalistas na Índia, onde se encontra a realizar uma visita oficial.

A iniciativa diplomática de Witkoff ocorre após uma semana de forte tensão entre a Ucrânia e os Estados Unidos, sobretudo no que diz respeito à partilha de informações e às comunicações via SpaceX, a empresa de telecomunicações e de alta tecnologia de Elon Musk.

A este propósito, o chefe da diplomacia norte-americana reiterou que os Estados Unidos não foram previamente informados sobre a redução da velocidade das comunicações via satélite da SpaceX — utilizadas pela Ucrânia nas operações no campo de batalha contra a Rússia. “O Presidente [dos Estados Unidos] não tem qualquer relação com as decisões tomadas pela Starlink, pela Starshield ou por [Elon] Musk”, afirmou. “É uma empresa privada. O Presidente não dirige essa empresa e não lhe pode ordenar nada (…). Não houve qualquer conhecimento prévio” sobre o assunto, acrescentou.

Segundo o Wall Street Journal, Elon Musk ordenou a limitação dos serviços da rede de satélites Starshield na Ucrânia, embora o multimilionário tenha afirmado, anteriormente, que qualquer restrição a este sistema teria sido decidida, em última instância, por Donald Trump.

Ao abordar as negociações diplomáticas em curso, Rubio observou que no centro delas estão as zonas do Donbass que a Rússia reivindica. Questionado se o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, vai participar na próxima semana numa reunião dos países do G20 em Atlanta, Estados Unidos, disse esperar que o ministro esteja presente, embora não tenha confirmado a eventual presença.

É possível que o Presidente russo “também compareça” na cimeira do G20 em Miami, em dezembro, “embora não tenhamos confirmação disso”, acrescentou Marco Rubio.

O Presidente Donald Trump convidou a Rússia a participar nos encontros que se vão realizar nos Estados Unidos.

Nova iniciativa da ONU visa abordar usos militares da IA

By: Lusa
21 October 2026 at 10:36

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai lançar uma nova iniciativa sobre as utilizações militares da inteligência artificial (IA), para enfrentar as preocupações sobre a ameaça que o desenvolvimento da tecnologia representa para a humanidade.

A iniciativa, do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento (UNIDIR, na sigla em inglês), tem lançamento previsto para esta quinta-feira e vai estabelecer o primeiro fórum internacional para que os principais interessados procurem enfrentar a questão.

O diretor do instituto sediado em Genebra, Robin Geiss, alertou em conferência de imprensa da ONU na terça-feira que “a margem para o julgamento humano é cada vez mais estreita, incluindo no domínio nuclear”. É difícil avaliar o quão próximo o mundo está de máquinas que possam vir a agir fora do controlo humano, disse Geiss, acrescentando que a incerteza “é a questão” que se está a “tentar resolver”.

Um dos problemas é que a IA está a penetrar, cada vez mais, em diversas áreas — sistemas de alerta precoce, recolha de informação e reconhecimento — e “é muito difícil determinar em que ponto estamos, de facto, a perder o controlo”, afirmou.

Segundo Geiss, durante algum tempo houve uma resistência generalizada em estabelecer salvaguardas para a IA. Contudo, a proliferação das capacidades e o potencial impacto da tecnologia levaram a “uma crescente perceção de que estamos perante uma encruzilhada e que agora é o momento de agir, incluindo no que diz respeito à IA militar”.

Geiss observou que a ONU reconhece que a competição global pela liderança em IA impõe obstáculos sérios. “Mas as preocupações com o impacto da IA já transcendem os blocos geopolíticos e estão a levar as grandes potências a tomar medidas”, disse, mencionando uma proposta feita em setembro para que os EUA e a China criem um sistema de alerta de segurança em IA, dirigido a questões que possam ameaçar a segurança nacional.

Os riscos associados à IA foram um tema central nos discursos dos líderes de muitas das 193 nações-membros da ONU, durante a reunião anual de alto nível realizada em setembro.

Este verão, o UNIDIR estabeleceu um Centro de Excelência em IA, Paz e Segurança, a primeira plataforma permanente da organização mundial dedicada a estes temas. Geiss afirmou que a iniciativa recebeu financiamento das cinco principais potências nucleares: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França.

Na quinta-feira, o UNIDIR vai lançar um novo fórum, ligado ao centro, para reunir “atores de todos os setores relevantes e de diferentes partes do mundo”, de forma a trabalhar na questão da IA nas aplicações militares.

Geiss não detalhou exatamente o que a iniciativa fará, mas mencionou que integrará outros esforços relacionados com a IA que o centro lançará esta semana. Outra iniciativa irá focar-se no papel da indústria, visando desenvolver “uma estrutura para uma conduta industrial responsável”, explicou.

As decisões tomadas pelas empresas durante as fases de conceção e desenvolvimento “determinam se as capacidades militares baseadas em IA serão, de facto, fiáveis e previsíveis, e se poderão operar em conformidade com o direito internacional”, disse Geiss.

Por esse motivo, o UNIDIR está a desenvolver uma estrutura de conduta industrial responsável que fornecerá “orientações práticas e voluntárias”, alinhadas com o direito internacional e orientadas para a garantia dos direitos humanos, acrescentou.

O UNIDIR está também a lançar uma iniciativa dirigida aos riscos do uso indevido de IA por grupos armados, alertou Geiss, sublinhando que tais grupos já utilizam a tecnologia para apoiar o planeamento operacional, a execução de ações e a logística.

“A questão urgente da IA no âmbito militar não pode mais permanecer nas sombras”, afirmou Geiss. “Chegou o momento de unir forças e enfrentar, de frente, a questão da IA no setor militar”, acrescentou.

Primeiros rádios SIRESP vão chegar em novembro às juntas de freguesia do Norte

By: Lusa
21 October 2026 at 09:19

Os primeiros rádios SIRESP deverão ser entregues em novembro às juntas de freguesia da região Norte, revelou o presidente da empresa que gere o sistema de comunicações, avançando que a distribuição será depois alargada ao restante território. Em entrevista à Lusa, o tenente-general Paulo Viegas Nunes explicou que o objetivo é que os rádios sejam distribuídos em novembro por ocasião do “Bootcamp” (iniciativa dirigida aos utilizadores da rede em determinada zona), que vai decorrer na região Norte. O responsável afirmou que a SIRESP SA “compromete-se para já” na distribuição dos rádios SIRESP no Norte do país, sendo depois distribuídos progressivamente pelas restantes regiões.

No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está previsto a dotação de todas as freguesias com ligação de dados Starlink, telefone satélite e terminal do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), além de um gerador, para reação em caso de catástrofe.

Viegas Nunes deu conta de que o concurso, designadamente a aquisição do equipamento, terminou em setembro existindo depois “a fase de distribuição e de implementação”. No entanto, alertou para o facto de não ser um processo imediato: “É um processo que tem de ser feito cuidadosamente, com testes de validação de cada terminal em cada contexto”.

O presidente da SIRESP SA precisou que foram adquiridos quatro mil terminais SIRESP para as juntas de freguesias e câmaras municipais, estando agora esses terminais “a serem codificados”. “Estamos neste momento a procurar acelerar a codificação dos terminais e, à medida que os terminais sejam codificados, vão ser entregues”, disse.

O tenente-general Paulo Viegas Nunes, presidente da SIRESP SALusa

Viegas Nunes deu também a sua versão sobre os 780 geradores da SIRESP SA, que iam ser adquiridos através do PRR, e que acabaram por não ser comprados. Esta situação agravou as divergências entre o ministro Luís Neves e o ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna, Ricardo Carrilho, que foi demitido na semana passada.

“Houve uma indicação, que veio da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), de uma determinada capacidade para os geradores. Nós fizemos uma análise mais específica e entendemos que precisávamos de geradores de mais capacidade. Reformulámos as propostas e fizemos chegar as propostas à Secretaria-Geral do MAI”, explicou.

No entanto, acrescentou que não era possível apresentar no âmbito do PRR aquele número de geradores com aquela potência, tendo a SIRESP SA apresentado uma nova proposta com menos geradores, mas mantendo a mesma capacidade.

“A SIRESP SA fez chegar à Secretaria-Geral em tempo, com orçamentos, com análise prévia de mercado e fomos surpreendidos também quando o concurso foi publicado e o valor que tinha sido atribuído aos geradores que nós propusemos foi muito abaixo do preço“, disse, adiantando que este processo vai ser “revisto e naturalmente relançado”.

Após a sua demissão, Ricardo Carrilho lançou várias suspeitas à SIRESP SA, tendo avançado que em julho propôs ao ministro a extinção da empresa e a sua fusão dentro da Secretaria-Geral.

Questionado sobre o relacionamento entre a SGMAI e a SIRESP SA, Viegas Nunes respondeu que “ao nível de trabalho, as equipas cooperaram sempre extraordinariamente“.

“É razão porque foi possível honrar o compromisso de lançar os concursos todos. Existiram, de facto, situações de divisão sobre aquilo que foi, de alguma forma, alinhado com o doutor Ricardo Carrilho, que entretanto cessou funções, e que colidiam com aquilo que era a própria articulação da atividade da empresa”, disse.

Existiram, de facto, situações de divisão sobre aquilo que foi, de alguma forma, alinhado com o doutor Ricardo Carrilho, que entretanto cessou funções, e que colidiam com aquilo que era a própria articulação da atividade da empresa.

Paulo Viegas Nunes

Presidente da SIRESP SA

O responsável esclareceu ainda que aceita a transformação da SIRESP SA num instituto público, mas considera ser um problema a inserção direta na SGMAI. Isto porque, justificou, o SIRESP “é uma rede de soberania do Estado, serve os vários ministérios e tem um conjunto de utilizadores vastíssimo”, além dos “requisitos de segurança adicionais”.

“Não é só um ministério. Nós termos uma entidade desta natureza como uma entidade orgânica de um ministério, significa transformar a rede SIRESP na repartição ou na direção de comunicações e sistemas de informação de um ministério. Não se coaduna, sob o ponto de vista de missão, ter uma rede soberana com estas características com uma organização desta natureza“, disse.

O PS também teve a intenção de extinguir a SIRESP SA e integrá-la na SGMAI, uma ideia que, segundo Viegas Nunes, que entre 2022 e 2024 tinha estado à frente da empresa, foi revertida após ter apresentado a José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna de então, uma proposta de aproximação da rede SIRESP à estrutura e disciplina militar.

“Eu, naturalmente, fiz a proposta que fiz, manter a identidade própria e não a inclusão na Secretaria-Geral, e o Dr. Pombeiro [secretário-adjunto do MAI que se demitiu em maio] pretendia fazer isso”, disse.

António Pombeiro, secretário-geral adjunto do MAI, demitiu-se do cargo em maio após ser conhecida a renomeação de Paulo Viegas Nunes para a liderança da empresa que gere o SIRESP.

Viegas Nunes frisou que esta aproximação com as estruturas militares “é o plano” que acredita e considerou ser “inegável que exista um alinhamento” entre Pombeiro e Carrilho.

Exército prepara zona de testes para tecnologias de defesa em três regiões

21 October 2026 at 07:12

O Exército Português está a preparar a criação de uma zona livre tecnológica para testar e validar novas tecnologias de Defesa em três regiões do país. A infraestrutura, designada Zona Livre Tecnológica (ZLT) D. Afonso Henriques, deverá abranger áreas militares em Santa Margarida, no concelho de Constância, São Jacinto, em Aveiro, e Beja. A gestão da ZLT será assegurada pelo Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx). Consolidar Portugal como “um espaço de referência para a experimentação tecnológica e operacional no contexto europeu e da NATO” está entre os objetivos.

“A futura ZLT permitirá disponibilizar infraestruturas militares, meios tecnológicos e recursos humanos especializados para a experimentação de soluções inovadoras, com especial incidência nas áreas da Segurança e Defesa, incluindo tecnologias de duplo uso, com aplicações militares e civis”, refere porta-voz do Exército ao ECO/eRadar.

O projeto, em processo de aprovação, pretende aproximar as Forças Armadas, a indústria e a academia, permitindo experimentar tecnologias em condições próximas das operações militares antes de uma eventual integração nas capacidades do Exército.

O Exército já realiza anualmente um exercício operacional em Santa Margarida, o Artex, permitindo a empresas e entidades, testar em ambiente real as suas soluções. E, recentemente, o CEMTEx, organismo a quem cabe a gestão da ZLT — “será responsável por planear, coordenar e acompanhar os testes, bem como pela articulação com as entidades reguladoras e pela disponibilização dos meios técnicos, operacionais e logísticos necessários” — passou a integrar a rede de centros de testes e experimentação da NATO DIANA, uma iniciativa da Aliança Atlântica visando acelerar o desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de startups ou PME no setor da defesa.

Com a criação da ZLT o ramo das Forças Armadas dá um novo passo ampliando os ambientes de experimentação. “A distribuição por Santa Margarida, São Jacinto e Beja constitui uma das principais características diferenciadoras do projeto, permitindo realizar testes em ambientes terrestres, aéreos e aquáticos. As infraestruturas previstas incluem extensas áreas terrestres, superfícies de água interiores, acesso ao mar através da Ria de Aveiro, um aeródromo militar, espaços aéreos segregados e instalações de apoio à monitorização e segurança dos testes”, descreve porta-voz do Exército Português.

“Esta diversidade permitirá experimentar sistemas autónomos e não tripulados, sensores, comunicações, robótica e outras tecnologias emergentes, incluindo soluções que integrem diferentes domínios operacionais“, destaca a mesma fonte do ramo das Forças Armadas.

Mas mais do que ampliar áreas de experimento projeto, cuja gestão será assegurada pelo Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx) — que “será responsável por planear, coordenar e acompanhar os testes, bem como pela articulação com as entidades reguladoras e pela disponibilização dos meios técnicos, operacionais e logísticos necessários” — tem outro objetivo.

A distribuição por Santa Margarida, São Jacinto e Beja constitui uma das principais características diferenciadoras do projeto, permitindo realizar testes em ambientes terrestres, aéreos e aquáticos. As infraestruturas previstas incluem extensas áreas terrestres, superfícies de água interiores, acesso ao mar através da Ria de Aveiro, um aeródromo militar, espaços aéreos segregados e instalações de apoio à monitorização e segurança dos testes.

Porta-voz

Exército Português

“Pretende criar uma ligação permanente entre as necessidades operacionais das Forças Armadas, a investigação científica e a capacidade de inovação da indústria, transformando conhecimento e tecnologia em soluções concretas para a Defesa”, refere porta-voz do Exército Português.

A ZLT D. Afonso Henriques posiciona-se como uma plataforma de inovação aberta, acessível a empresas, startups, universidades, centros de investigação e parceiros internacionais. “Ao permitir testar tecnologias em condições operacionais exigentes, o projeto poderá contribuir para reduzir riscos de desenvolvimento, acelerar a maturação tecnológica e reforçar a competitividade das empresas portuguesas nos mercados internacionais”, aponta o porta-voz do Exército.

Constitui ainda “um instrumento para atrair investimento, projetos de investigação e desenvolvimento e talento especializado, promovendo o fortalecimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa nacional”, destaca.

A iniciativa enquadra-se na “estratégia de modernização e transformação do Exército Português, procurando consolidar Portugal como um espaço de referência para a experimentação tecnológica e operacional no contexto europeu e da NATO”.

Receitas da SpaceX disparam 161% no terceiro trimestre para 14,6 mil milhões de dólares

20 October 2026 at 22:27

A SpaceX, liderada por Elon Musk, viu as receitas aumentarem 161% no terceiro trimestre de 2026, para 14,6 mil milhões de dólares (cerca de 13 mil milhões de euros), face aos 5,6 mil milhões (cerca de 5 mil milhões de euros) do mesmo período do ano passado.

A empresa passou também de prejuízo a lucro trimestral, com resultados positivos de 4,4 mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros), contra perdas de 1,1 mil milhões (979 milhões de euros) face ao mesmo período do ano passado. A estimativa da LSEG apontava para uma receita de 12,72 mil milhões de dólares e um lucro de 1,57 mil milhões de dólares.

A divisão de inteligência artificial, que a empresa passou a designar Super Intelligence (SI), foi a que mais faturou no trimestre. Mas quase todo o lucro operacional continua a vir da divisão de conectividade, onde está a Starlink.

As receitas da SI subiram 830%, para 7,6 mil milhões de dólares (6,78 mil milhões de euros), mais de metade do total. A SpaceX atribui o salto à ativação de novos contratos de serviços de cloud, à compra da Cursor, concluída em agosto, e à maior adoção do Grok por empresas e consumidores. A divisão teve um resultado operacional positivo de 431 milhões de dólares (383 milhões de euros), depois de perder 1,7 mil milhões (1,5 mil milhões de euros) no mesmo trimestre de 2025.

A conectividade faturou 5,2 mil milhões de dólares (+69%) — cerca de 4,6 mil milhões de euros — e quase duplicou o resultado operacional, para 2,4 mil milhões (2,14 mil milhões de euros), cerca de 85% do total da empresa.

A Starlink terminou setembro com 13,6 milhões de subscritores, mais 1,6 milhões do que em junho. No entanto, a receita média por subscritor baixou dos 99 dólares (cerca de 88 euros) em 2023 para os 69 dólares (cerca de 61 euros) neste trimestre, de acordo com a Reuters. A empresa já tinha admitido que a expansão geográfica além dos países mais ricos poderia levar a uma queda desta receita por subscritor ao longo do tempo. Os investidores têm estado atentos para perceber se essa pressão no preço já começou a aparecer à medida que entra em mais mercados internacionais.

Já a divisão espacial, responsável pelos lançamentos, cresceu 6%, para 1,8 mil milhões, mas teve um prejuízo operacional de 7 milhões (6,2 milhões de euros), penalizada pelo investimento no Starship.

Os custos totais duplicaram, de 5,8 (5,17 mil milhões de euros) para 11,8 mil milhões de dólares (10,5 mil milhões de euros). Parte do lucro líquido veio de fora da operação, já que o resultado operacional foi apenas de 2,8 mil milhões (2,5 mil milhões em euros). O investimento também disparou, para 19,6 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros) só neste trimestre, a maior parte em centros de dados para a IA.

Os primeiros nove meses do anos

Nos primeiros nove meses do ano, as receitas quase duplicaram (+97%), de 13,7 (12 mil milhões em euros) para 27,1 mil milhões de dólares (24 mil milhões de euros). . A conectividade continua a ser a divisão que mais fatura no acumulado, com 12,8 mil milhões (11,4 mil milhões de euros), embora a SI tenha sido a que mais cresceu.

As suas receitas quase quintuplicaram, para 10,9 mil milhões (9,7 mil milhões em euros). Os custos subiram de 14,9 para 26,4 mil milhões (de 13,3 para 23,5 mil milhões de euros) .

O lucro do terceiro trimestre não chegou para apagar totalmente as perdas do primeiro semestre. Nos nove meses, o prejuízo líquido atribuível aos acionistas encolheu de 2,6 para 1,1 mil milhões de dólares (de 2,3 para 979 milhões de euros) . Só a conectividade teve resultado operacional positivo, de 5,2 mil milhões (4,6 mil milhões de euros). A SI perdeu 3,3 mil milhões (2,9 mil milhões de euros) e a divisão espacial 1,2 mil milhões (1,1 mil milhões de euros).

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