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Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês

22 October 2026 at 10:10

A WWF Portugal já realizou intervenções em cerca de 46 hectares (ha) de floresta e habitats afetados por incêndios no Parque Nacional da Peneda-Gerês, através do programa “D-Evolução”, foi hoje divulgado.

Através da gestão seletiva de vegetação e do apoio à regeneração natural, já foram plantadas mais de 1.700 árvores e arbustos autóctones, como carvalhos-alvarinhos (Quercus robur), bétulas (Betula celtibérica), azevinhos (Ilex aquifolium) e pinheiros-silvestres (Pinus sylvestris).

Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês
Foto: WWF Portugal

De acordo com a ONG, esta recuperação em mosaico florestal devolve “zonas vitais de abrigo e alimentação” ao corço e “fortalece a estabilidade” do habitat do emblemático lobo-ibérico (Canis lupus signatus). 

Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês
Foto: WWF Portugal

Já a sul, na Serra do Caldeirão, o restauro, que irá iniciar-se nas próximas semanas, foca-se na paisagem mediterrânica e na recuperação de linhas de água e montados em 46,7 ha, dos quais 19 ha já têm financiamento garantido. Os trabalhos incluem a erradicação de canaviais e acácias, a sementeira direta de 10 hectares de pastagens biodiversas e a plantação de mais de 3.100 árvores e arbustos nativos, com grande destaque para o medronheiro (Arbutus unedo) e o sobreiro (Quercus suber). Estas ações previnem a degradação dos solos e reduzem o risco de incêndio, reforçando as condições de habitat para espécies como o lince-ibérico (Lynx pardinus) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata).

A intervenção pioneira que está em curso nas águas do Estuário do Tejo, na Trafaria, focada na proteção das populações locais de cavalos-marinhos, está a ser desenvolvida pela WWF Portugal em colaboração com o parceiro técnico-científico MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, e com o envolvimento da comunidade e entidades locais. Partindo da observação científica que os cavalos-marinhos utilizavam estes resíduos depositados no rio como pontos de fixação e abrigo, devido à escassez de habitats naturais, foram instalados nove abrigos subaquáticos desenvolvidos a partir do reaproveitamento de carrinhos de compras em fim de vida, aos quais se retiraram todos os plásticos e componentes potencialmente perigosos. Estima-se que as atividades em curso tenham impacto numa área de cerca de 16 ha. O objetivo é que estas estruturas possam vir a oferecer refúgio imediato às duas espécies residentes – o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus) – enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo entre entidades públicas, comunidade científica, empresas e sociedade civil para a recuperação plena do seu ecossistema.  

“Há um ano, lançámos esta iniciativa sabendo que restaurar a natureza é uma das decisões mais inteligentes que podemos tomar enquanto sociedade. Dados da Comissão Europeia demonstram que cada euro investido na recuperação da natureza gera um retorno estimado entre oito e 38 euros, sublinhando que a estabilidade dos serviços de ecossistema é crucial para reduzir despesas futuras e garantir a sustentabilidade de setores estratégicos. Não estamos a falar apenas de proteger espécies ou recuperar habitats. Estamos a falar de devolver equilíbrio aos sistemas que nos garantem água, alimentos, segurança, saúde e qualidade de vida”, afirma Ângela Morgado, diretora-executiva da WWF Portugal.

“Ao longo destes 12 meses, o D-Evolução juntou proprietários que disponibilizaram terrenos para o restauro, autarquias, entidades gestoras do território, parceiros científicos, cidadãos, empresas, organizações e comunidades locais que decidiram fazer parte da solução. Esta é a prova de que existe uma vontade real de devolver natureza a Portugal”, reforça Ângela Morgado. 

Este arranque foi possível graças à rápida mobilização de parceiros, empresas e cidadãos, que em apenas um ano asseguraram perto de 482 mil euros para o arranque das intervenções.

Sendo a “D-Evolução” uma iniciativa estruturante com um horizonte temporal até 2030, a WWF Portugal encara os cerca de 1,25 milhões de euros necessários para completar este plano como uma “oportunidade extraordinária de investimento contínuo no capital natural do país”. A organização apela ao alargamento desta rede de apoio para levar a recuperação ecológica “ainda mais longe”. 

“Conseguir mobilizar quase meio milhão de euros no primeiro ano demonstra a força deste movimento, mas o seu verdadeiro valor vai muito além do financiamento. Este é apenas o início de um caminho que se estende até 2030. Para devolvermos à natureza o que foi perdido à escala de que o país necessita, precisamos de mobilizar mais investimento, mais parceiros e mais cidadãos. E precisamos, sobretudo, de fazer do restauro da natureza uma prioridade nacional. A WWF Portugal, juntamente com muitos outros parceiros, está a ajudar a demonstrar o que é possível fazer e a acelerar a implementação de soluções no terreno. Mas a responsabilidade de liderar esta transformação cabe ao Estado, através de um Plano Nacional de Restauro ambicioso e com o investimento adequado para recuperar os ecossistemas de que dependem as pessoas e a economia”, conclui Ângela Morgado.

As empresas e cidadãos interessados em apoiar o financiamento das intervenções no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Serra do Caldeirão e Estuário do Tejo podem conhecer em detalhe o trabalho em curso e fazer a sua contribuição (aqui).

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Macacos desconfiam de fontes de infeção tal como humanos

22 October 2026 at 08:50
Investigação concluiu que macacos podem partilhar com os humanos aquilo a que chamam "sistema imunitário comportamental", um conjunto de comportamentos que ajudam a evitar infeções.

© Pablo Daniel Fernandez/Comedy Wildlife Photography Awards

Segundo o estudo a mudança de comportamento dos macacos está associada ao facto de ter experienciado um surto

Bulgária mobiliza caças após ataques com drones no mar Negro

22 October 2026 at 00:19
Quatro navios atacados em duas semanas perto da costa búlgara, três afundados. Sofia coordena resposta com EUA, Turquia e Roménia para garantir a navegação.

© VASSIL DONEV/EPA

"Caças F-16, MiG-29, Su-25 e L-39 estão a patrulhar e monitorizar o espaço aéreo sobre as águas territoriais para aumentar o conhecimento da situação"

Restaurar a natureza requer mais investimento do Estado português

22 October 2026 at 00:08

A dimensão das populações de vida selvagem monitorizadas teve uma diminuição média de 73% desde 1970, segundo o Relatório Planeta Vivo 2026 da WWF. Num mundo em que cerca de metade do PIB global, aproximadamente 58 biliões de dólares americanos em 2023, depende moderada ou fortemente da natureza, a perda de biodiversidade representa muito mais do que uma ameaça ambiental: é um risco económico e social crescente.

Os fluxos financeiros globais continuam, porém, a ignorar o problema. Em 2023, cerca de 7,3 biliões de dólares americanos foram canalizados para atividades prejudiciais à natureza, enquanto apenas 220 mil milhões financiaram a sua proteção ou restauro.

Ainda assim, há sinais concretos de que é possível inverter esta tendência. Em Portugal, o lince-ibérico passou de Criticamente em Perigo a Vulnerável. Também a sardinha recuperou a certificação em julho desse ano e o atum-rabilho deixou de ser considerado sobre explorado. Estes exemplos mostram que, com compromisso, investimento e uma gestão adequada dos recursos, a recuperação da natureza é possível.

É esta convicção que está na origem da D-EVOLUÇÃO, a iniciativa nacional de restauro ecológico da WWF Portugal, que assinala esta semana o seu primeiro aniversário. Ao longo deste primeiro ano, foram mobilizados cerca de 482 mil euros, com o contributo de vários parceiros, empresas e cidadãos. Este apoio já se traduz em intervenções concretas no território: no Gerês, estão em recuperação 46 hectares de floresta e habitats afetados por incêndios; na serra do Caldeirão, prepara-se o restauro dos primeiros 19 ha de montado; e, no Estuário do Tejo, foram instalados nove abrigos subaquáticos para cavalos-marinhos, construídos a partir de carrinhos de supermercado reaproveitados, num exemplo de economia circular ao serviço da biodiversidade, enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo para a recuperação plena do seu ecossistema.

Mais do que reparar ecossistemas degradados, estas intervenções são um investimento na resiliência do país e na redução de riscos, nomeadamente de incêndio. Os benefícios ambientais traduzem-se, assim, em ganhos económicos e sociais concretos. Como já reforçámos noutros artigos, segundo a Comissão Europeia, cada euro investido no restauro da natureza pode gerar entre 8 e 38 euros em serviços de ecossistema.

O desafio está agora em ampliar estes resultados. Para concretizar o plano até 2030, a D-EVOLUÇÃO precisa de mobilizar cerca de 1,25 milhões de euros adicionais, um montante relativamente modesto face aos benefícios esperados. Centenas de cidadãos e mais de uma dezena de empresas portuguesas já se juntaram à WWF neste esforço, demonstrando que a sociedade civil e o setor privado podem ter um papel determinante. Mas essa mobilização, por si só, não chega. O investimento privado não substitui a responsabilidade do Estado, a quem cabe assumir a liderança através de políticas ambiciosas, financiamento adequado e uma aplicação efetiva da Lei Europeia do Restauro da Natureza.

Importa, por isso, contrariar a ideia de que enfraquecer a legislação ambiental em nome da competitividade protege a economia. Na realidade, trata-se de uma não-poupança.

Proteger e recuperar os ecossistemas é proteger o capital natural, a atividade económica e o bem-estar das comunidades. Restaurar a natureza não é um custo, mas um investimento no futuro de Portugal e uma das decisões mais certas que podemos tomar.

Projetos do PAN e Chega sobre bem-estar animal aprovados

21 October 2026 at 23:56
Registo de condenados por maus-tratos e criminalização da zoofilia avançam. Conselho Nacional para o Bem-Estar Animal, coleiras elétricas e exportação de animais vivos ficam para trás.

© AARON M. SPRECHER/EPA

O projeto de lei que recebeu mais críticas foi do JPP, que propôs restringir a exportação de animais vivos por via marítima para países terceiros que não cumpram com as condições de bem-estar
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