Os principais índices de Wall Street abriram em queda nesta quinta-feira (22), com as ações de crescimento sofrendo novas pressões depois que os resultados financeiros das megacapitalizadas Tesla e Meta pouco contribuíram para dissipar as dúvidas sobre as perspectivas da IA, enquanto uma recuperação nos preços do petróleo aumentava o nervosismo do mercado.
O Índice Dow Jones Industrial Average caiu 0,13%, para 52.788,41 pontos na abertura. O S&P 500 recuou 0,81%, para 7.694,62 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,48%, para 26.308,407 pontos.
Os preços do petróleo Brent subiram nesta quinta-feira (22) ao maior nível desde maio, depois que novos ataques dos houthis na Arábia Saudita aumentaram as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio e novas interrupções no fornecimento de petróleo bruto da principal região exportadora mundial.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 3,19, ou 2,9%, para US$ 112,01 por barril. Mais cedo, chegaram a US$ 112,68 por barril, o maior valor desde 18 de maio.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, subia US$ 2,41, ou 2,5%, para US$ 99,56 por barril, após atingir US$ 100,09 mais cedo.
“Relatos de que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis anteriores ao conflito são mais do que compensados pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz e pelos ataques dos houthis à Arábia Saudita e à sua infraestrutura petrolífera”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil.
“Não se espera uma redução das tensões até as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o que deve manter os preços do petróleo elevados.”
Analistas do Morgan Stanley estimaram, em relatório, que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio ficaram em cerca de 17 milhões de barris por dia na semana passada.
O Departamento de Estado dos EUA ordenou que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de diversas outras representações americanas no Oriente Médio, disseram autoridades dos Estados Unidos à Reuters.
Duas pessoas também morreram em um ataque com drones contra um campo petrolífero saudita.
Explosões também foram ouvidas em Sirik, no sul do Irã, informou a imprensa iraniana na quarta-feira, acrescentando que a natureza e a origem das detonações eram desconhecidas.
As interrupções no fornecimento continuaram afetando os estoques globais.
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou nesta quinta-feira que quatro embarcações envolvidas em transferências ilegais de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente e pegaram fogo após serem rastreadas por suas forças na quarta-feira.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, uma válvula de um oleoduto que liga os campos petrolíferos de Hamada e Tahara, na Líbia, ao porto de Zawiya foi fechada, reduzindo a produção nos dois campos, disse à Reuters o presidente da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia.
Em uma tentativa de conter os preços, que dispararam em meio à escassez de diesel provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o governo Trump está oferecendo emprestar quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, que totalizam 1 milhão de barris.
O Parlamento Europeu também votou a favor de adiar por três anos a aplicação das regras da União Europeia sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos.
Após abrir de forma estável, o Ibovespa opera em baixa durante os primeiros negócios desta quinta-feira (22), à medida que pesquisas de opinião sobre o segundo turno da eleição presidencial moldam os humores do mercado a poucos dias da última votação.
Às 10h56 (de Brasília), o principal indicador do mercado brasileiro de ações tinha queda de 0,75%, aos 204.874,69 pontos. Já o contrato futuro com vencimento em dezembro de 2026 cedia 0,38%.
No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,31%, a R$5,0398 na venda. Na última sessão, a divisa americana à vista encerrou a quarta-feira com alta de 0,18%, aos R$5,0272.
IBOV acompanha cena internacional
No exterior, os investidores mostravam mau humor em meio a preocupações com o setor de inteligência artificial e a novas altas nos preços internacionais do petróleo devido ao impasse no conflito no Oriente Médio.
A commodity opera perto dos US$ 112, maior cotação desde o início de maio deste ano. Ainda assim, as ações das petroleiras brasileiras não conseguem se destacar no pregão.
Pela manhã, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía 11 pontos-base, a 5,034%; enquanto os juros futuros no Brasil avançavam a rendimento de 12,88%.
Nessa linha, Wall Street não consegue sustentar ganhos e cai em todos os índices.
A Meta, a primeira gigante de IA a divulgar seu balanço na temporada atual, anunciou que sua receita de terceiro trimestre superou as expectativas, mas o otimismo gerado pela notícia durou pouco, pois a empresa anunciou um plano de emitir ações sem direito a voto — medida que reacendeu preocupações quanto aos seus crescentes compromissos de capital.
Durante abertura, o Índice Dow Jones Industrial Average caiu 0,13%, para 52.788,41 pontos. O S&P 500 recuou 0,81%, para 7.694,62 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,48%, para 26.308,407 pontos.
Agenda brasileira
Na cena nacional, investidores aguardam pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre do banco Bradesco, que deve publicar o seu balanço após o fechamento de mercado. Os novos desdobramentos sobre as eleições de 2026, marcadas para domingo (25), também fazem preço.
Perto das 11h, a Receita Federal compartilhou dados sobre a sua arrecadação. O resultado teve alta real de 5,62% em setembro sobre igual mês do ano anterior, a R$239,384 bilhões, no melhor resultado para o mês da série histórica iniciada em 1995.
No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação cresceu 6,97% acima da inflação em comparação com o mesmo período de 2025, a R$2,351 trilhões, valor também recorde para o período
O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos.
Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira.
O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.
O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta.
Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes.
A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: “o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto.
Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras.
Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.
Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes.
No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante.
Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário.
Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões até o fim do ano.
A aposta ficou menos otimista
Se os fatores técnicos ajudam a explicar a velocidade do movimento recente, há também uma mudança mais profunda na maneira como investidores enxergam a economia argentina.
Para Fabio Giambiagi, argentino que é pesquisador no FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o mercado exagerou no otimismo em relação à capacidade de recuperação do país.
“O mercado fez uma aposta na Argentina que estava ‘comprando lotes na Lua’. Era delirante”, afirma.
Os números ajudam a entender a crítica. No início de 2025, o REM (Relevamiento de Expectativas de Mercado), levantamento do Banco Central argentino semelhante ao Focus brasileiro, apontava crescimento próximo de 3,7% para a economia em 2026. A expectativa de inflação para este ano estava em torno de 15%.
As projeções mudaram. No REM mais recente, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é projetado em apenas 1,5% em 2026. A inflação estimada para dezembro chegou a 30%.
“Aos poucos, o mercado foi percebendo a dimensão do problema. No começo havia uma perspectiva irrealista da evolução das principais variáveis”, diz Giambiagi.
A eleição presidencial argentina acontece apenas no próximo ano e a capacidade de Milei de manter apoio político e dar continuidade ao programa econômico começa a importar mais à medida que o calendário avança.
“Achar que o governo vai aprovar o que quiser é uma prova de miopia da análise econômica sobre a política”, diz Giambiagi. Para o economista, investidores subestimaram as dificuldades políticas do governo e também os efeitos do próprio estilo do presidente na construção de alianças.
Giambiagi cita episódios semelhantes dentro da própria Argentina e aponta para a postura que falta ao mandatário do país platino: “presidente em uma república faz política”.
O próximo governo continuará dependendo do Congresso para aprovar reformas e o ambiente político pode afetar diretamente a confiança dos investidores.
Giambiagi vê o calendário com preocupação. Segundo ele, a popularidade de Milei caiu em relação aos níveis observados no início do governo e uma eventual disputa de segundo turno pode se tornar especialmente difícil caso a oposição consiga concentrar o voto contrário ao presidente.
Ao mesmo tempo, as expectativas ficaram menos exuberantes e o mercado começa a olhar com mais atenção para a capacidade política do governo de sustentar o programa econômico.
“O mercado aos poucos está percebendo que não é uma festa”, diz Giambiagi.
As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta quarta-feira (21) com a renovação do apetite por risco. A movimentação foi impulsionada pelas ações de tecnologia após desempenho da SpaceX e à espera dos resultados da Meta e Tesla, previstos para o dia.
O Dow Jones subiu 0,69%, aos 52.856,09 pontos. O S&P 500 avançou 0,58%, a 7.757,17 pontos. Já o Nasdaq encerrou em alta de 1,05%, nos 26.702,86 pontos.
Os índices operaram em alta desde o início da sessão, com ganhos da Nvidia (+2,54%), Micron Technology (+1,96%) e Marvell Technology (+1,81%). A Apple também avançou, em 1,32%, às vésperas do lançamento do novo aparelho celular da empresa. No S&P 500, o setor de tecnologia avançou 1,61% e liderou os ganhos.
Os bons resultados trimestrais da SpaceX e Super Micro Computer contribuíram para impulsionar o clima, segundo a Sucden Financial. As ações saltaram 7,79% e 9,55%, respectivamente.
Na contramão, a Netflix reduziu o guidance para o ano e recuou 5,31%, enquanto a AT&T, apesar de apresentar resultados acima do esperado, perdeu 6,59%.
Após a SpaceX, é a vez da Tesla (+3,41%), outra empresa de Elon Musk, divulgar balanço trimestral. Musk confirmou que ambas as companhias estabeleceram comitês especiais para avaliar uma fusão.
A Meta (+0,47%) também deve publicar seu desempenho nesta quarta. Para o Swissquote, a perspectiva de gastos da empresa deve ter repercussões nos índices de tecnologia em geral.
Enquanto um orçamento maior pode sinalizar uma demanda contínua por infraestrutura de IA, os gastos elevados podem reacender preocupações sobre o aumento da alavancagem dos investimentos em IA
“Gastos robustos podem favorecer as empresas que viabilizam a IA, mas pressionar aquelas que realizam os investimentos caso o crescimento da receita não justifique os desembolsos.
Por outro lado, planos de gastos mais moderados podem aliviar as preocupações dos investidores com a necessidade de financiamento contínuo, mas seriam uma notícia negativa para os fornecedores de tecnologia para IA”, afirma o banco.