Moody’s mantém rating de França e acredita que Orçamento para 2027 será aprovado
A Moody’s manteve esta sexta-feira inalterado o rating da dívida soberana francesa em Aa3, com outlook negativo. A agência de notação financeira justifica a decisão com a diversificação da economia e a qualidade das instituições, acreditando que apesar do contexto político e social o Orçamento do Estado para 2027 que reduza o défice será aprovado.
Esta sexta-feira, a Moody’s tinha previsto uma avaliação ao país, numa altura de alta contestação social e em que os juros da dívida francesa têm sido castigada nos mercados, num movimento que se tem vindo a acentuar nos últimos meses.
“A notação Aa3 pressupõe que será aprovado um Orçamento para 2027 que permita reduzir o défice, enquanto os custos de financiamento e as tensões sociais deverão diminuir ligeiramente nos próximos meses“, pode ler-se no relatório divulgado esta noite.
A agência sublinha que o processo orçamental para o próximo ano coincide com alguns dos protestos sociais “mais expressivos registados em França nos últimos anos”. Ainda assim, apesar do “difícil” contexto político e social, o cenário central pressupõe que “acabará por ser aprovado um Orçamento para 2027 que reduza o défice, possivelmente através de decretos legislativos”.
As previsões da Moody’s apontam para um défice de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, abaixo dos 5,4% previstos para 2026, mas ligeiramente superior ao défice de 5% contemplado na proposta de Orçamento. “Esta diferença reflete a nossa expectativa de que um crescimento económico um pouco mais fraco do que o previsto pelo Governo penalizará as receitas, enquanto a concretização integral dos cortes reais da despesa planeados enfrentará dificuldades políticas”, explica a agência.
Na mesma senda, alerta que França terá de fazer um esforço orçamental “significativo e sustentado” após as eleições presidenciais, marcadas para 2027, para colocar as finanças públicas francesas numa posição mais sólida e estabilizar o peso da dívida pública, que ultrapassará 120% do PIB em 2027.
“Embora esperemos que o próximo Presidente e o próximo Governo procurem continuar a reduzir o défice francês, o nosso cenário central aponta para que dificilmente consigam concretizar uma consolidação orçamental rápida, tendo em conta as tensões sociais, um contexto político que deverá continuar fragmentado e um crescimento económico moderado”, assinalam.
Além disso, a forte subida das taxas de rendibilidade das obrigações do Estado francês nos últimos meses — que aumentou cerca de 150 pontos base desde o início do ano — agrava os riscos de uma deterioração adicional da capacidade de suportar os encargos da dívida, adverte, apesar de atribuir, em parte, essa evolução a fatores estruturais que afetam os emitentes soberanos a nível global.
“Ainda assim, a maturidade média ponderada da dívida pública francesa, de cerca de 8,5 anos, significa que o aumento dos custos de financiamento terá de persistir durante um período prolongado para produzir um impacto negativo significativo nos indicadores relativos à capacidade de suportar os encargos da dívida”, refere.
No retrato atual, a Moody’s realça que, apesar da notação de crédito Aa3 assentar “na riqueza e diversificação da sua economia”, bem como na “elevada competência” das suas instituições públicas, a “solidez do quadro institucional enfrenta desafios recorrentes decorrentes de um parlamento dividido, frequentemente em desacordo com o Governo quanto às prioridades políticas ou à sua concretização, bem como de períodos de instabilidade política e social”.
Já a perspetiva negativa reflete “o risco acrescido” de que a fragmentação do panorama político francês continue a prejudicar o funcionamento das instituições legislativas do país.
Segundo a agência, uma revisão em baixa da notação refletiria “novos indícios de enfraquecimento da capacidade das instituições legislativas para adotarem medidas que impeçam uma deterioração rápida e prolongada da capacidade de suportar os encargos da dívida” ou de uma “suspensão duradoura ou a reversão de disposições fundamentais de reformas estruturais anteriores, sobretudo no domínio das pensões”.
