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Cardiologista deixou de usar estes utensílios na cozinha e alerta para possíveis riscos para o coração

Poucos sabem, mas alguns dos utensílios utilizados diariamente na cozinha podem contribuir para a exposição a partículas de plástico e a determinadas substâncias químicas. Embora sejam práticos e económicos, estes objetos estão a levantar preocupações entre especialistas de saúde, sobretudo quando entram em contacto com alimentos quentes.

A cardiologista Elizabeth Klodas revelou à revista EatingWell que decidiu eliminar grande parte dos recipientes de plástico da sua cozinha, especialmente aqueles que costumava utilizar para aquecer alimentos no micro-ondas.

A preocupação está relacionada com a possibilidade de determinados materiais libertarem pequenas partículas de plástico e compostos químicos que acabam por entrar em contacto com os alimentos.

Apesar de a investigação sobre os efeitos dos microplásticos na saúde humana ainda estar em desenvolvimento, alguns estudos têm identificado associações entre a presença destas partículas no organismo e problemas cardiovasculares. No entanto, ainda não está demonstrado que a utilização habitual destes utensílios provoque diretamente doenças cardíacas.

Este é o utensílio que a cardiologista deixou de utilizar

Os recipientes de plástico utilizados para guardar refeições estão entre os principais objetos que Elizabeth Klodas decidiu substituir.

Segundo a especialista, citada pela EatingWell, a alimentação não depende apenas dos nutrientes que ingerimos, mas também da exposição involuntária a substâncias potencialmente prejudiciais.

Por esse motivo, a médica passou a privilegiar recipientes de vidro, sobretudo para armazenar e aquecer refeições.

O vidro apresenta a vantagem de não libertar microplásticos, sendo uma alternativa para quem pretende reduzir o contacto dos alimentos com este tipo de partículas.

Aquecer comida em plástico pode aumentar a exposição

Um dos hábitos destacados por especialistas consultados pela Verywell Health é aquecer refeições no micro-ondas dentro de recipientes de plástico.

O calor pode favorecer a libertação de partículas microscópicas, particularmente quando os recipientes estão desgastados ou não foram concebidos para suportar temperaturas elevadas.

Embora existam embalagens próprias para utilização no micro-ondas, a escolha de recipientes de vidro adequados ao aquecimento permite reduzir a exposição associada ao contacto entre alimentos quentes e plástico.

A nutricionista consultada pela publicação norte-americana alerta ainda que algumas destas partículas podem ser ingeridas sem que as pessoas se apercebam.

Colocar alimentos quentes em recipientes de plástico também merece atenção

Outro comportamento comum consiste em transferir comida acabada de cozinhar diretamente para caixas de plástico.

Segundo os especialistas citados pela Verywell Health, as temperaturas elevadas podem favorecer a migração de determinadas substâncias químicas presentes em alguns materiais para os alimentos.

Entre os compostos frequentemente estudados encontram-se o bisfenol A (BPA) e alguns ftalatos, embora a sua presença dependa da composição e das características de cada recipiente.

Importa salientar que nem todos os plásticos contêm estas substâncias e que existem regras europeias destinadas a limitar a exposição dos consumidores a compostos potencialmente perigosos.

Há outro utensílio de cozinha que merece cuidados especiais

As tábuas de corte de plástico também foram destacadas pela nutricionista, sobretudo quando apresentam riscos profundos provocados pela utilização frequente.

Além da possibilidade de libertação de pequenas partículas durante o corte, as superfícies danificadas podem dificultar a limpeza e favorecer a permanência de microrganismos.

Utilizar a mesma tábua para preparar frango cru e cortar alimentos que serão consumidos sem cozedura, como pão ou legumes, pode aumentar o risco de contaminação cruzada.

Bactérias como a Salmonella podem ser transmitidas desta forma, pelo que é aconselhável utilizar tábuas separadas para alimentos crus e alimentos prontos a consumir, independentemente do material.

O que dizem os estudos sobre os microplásticos e o coração?

A preocupação com os microplásticos ganhou maior relevância depois de investigações científicas terem identificado estas partículas em diferentes tecidos humanos.

Um estudo publicado em 2024 na revista científica The New England Journal of Medicine encontrou microplásticos e nanoplásticos em placas de aterosclerose retiradas de artérias carótidas.

Os investigadores observaram que os participantes cujas placas continham estas partículas apresentaram uma maior incidência de determinados eventos cardiovasculares durante o período de acompanhamento.

Contudo, os resultados demonstram uma associação e não permitem concluir que os microplásticos tenham sido a causa direta desses problemas.

Enquanto a investigação continua, os especialistas recomendam medidas simples para reduzir a exposição desnecessária, como privilegiar recipientes de vidro para aquecer alimentos, evitar plásticos danificados e manter boas práticas de higiene na cozinha.

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Tiraram-lhe dinheiro da conta por débito direto? Este é o prazo para pedir a devolução

O facto de um débito direto já ter saído da conta não significa necessariamente que o dinheiro esteja perdido. No caso dos débitos diretos SEPA Core, o modelo utilizado pelos consumidores, o cliente dispõe de oito semanas, contadas desde a data em que a conta foi debitada, para solicitar ao seu banco o reembolso de uma operação já executada.

De acordo com o Banco de Portugal, este direito permite pedir a devolução através do prestador de serviços de pagamento onde está domiciliada a conta. Depois de receber o pedido relativo a um débito direto SEPA abrangido pelo direito de reembolso incondicional, a instituição dispõe de 10 dias úteis para repor o dinheiro na conta.

Oito semanas começam a contar no dia do débito

O prazo não é contado a partir do momento em que o cliente descobre a cobrança ou recebe uma fatura. As oito semanas contam-se desde a data em que os fundos foram debitados, pelo que convém verificar os movimentos bancários quando existe uma cobrança que suscita dúvidas.

Importa, porém, distinguir os modelos de débitos diretos. Segundo o Conselho Europeu de Pagamentos, no SEPA Core o reembolso pode ser pedido durante aquelas oito semanas sem necessidade de apresentar uma justificação. Já no modelo SEPA B2B, destinado a devedores empresariais, não existe este direito ao reembolso de operações autorizadas.

Banco tem 10 dias úteis para devolver

Apresentado o pedido dentro do prazo aplicável, o cliente não deverá ficar indefinidamente à espera. O prazo de 10 dias úteis para o reembolso do montante integral consta do artigo 118.º do Regime Jurídico dos Serviços de Pagamento e da Moeda Eletrónica, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 91/2018, de 12 de novembro.

Nas regras gerais, existem situações em que o direito ao reembolso depende das condições da autorização e do valor cobrado. Nos débitos diretos abrangidos pelo reembolso incondicional, previsto no artigo 117.º, n.º 6, não é necessário demonstrar que o montante foi superior ao esperado. O facto de o cliente ter autorizado o débito não impede a devolução dentro das oito semanas.

Não autorizou o débito? O prazo pode chegar aos 13 meses

Há uma diferença importante quando o problema não está apenas no valor cobrado, mas no facto de o cliente nunca ter autorizado a operação. Segundo o Portal do Cliente Bancário, um consumidor ou uma microempresa pode pedir a retificação de um débito não autorizado ou incorretamente executado, em regra, até 13 meses após a cobrança.

Este prazo não permite, contudo, adiar a comunicação depois de detetar o problema. O artigo 112.º do mesmo regime exige que o cliente informe o banco logo que tenha conhecimento da operação e sem atraso injustificado. A lei também afasta o limite dos 13 meses quando a instituição não tenha prestado ou disponibilizado as informações legalmente exigidas sobre aquela operação.

Nas operações não autorizadas, o prazo para devolver o dinheiro é igualmente diferente. O artigo 114.º prevê o reembolso imediato e, o mais tardar, até ao final do primeiro dia útil seguinte ao conhecimento ou à comunicação da operação. Existe uma exceção quando o banco tem motivos razoáveis para suspeitar de fraude do próprio cliente e comunica esses motivos, por escrito e dentro daquele prazo, às autoridades judiciárias.

Também pode impedir uma cobrança antes de acontecer

Quem detetar antecipadamente que vai ser cobrado um montante incorreto pode agir antes de o dinheiro sair. Um consumidor ou uma microempresa pode pedir ao banco a revogação daquela ordem de débito direto até ao final do dia útil anterior ao dia acordado para a cobrança, conforme explica o Banco de Portugal.

Esta decisão não significa obrigatoriamente cancelar toda a autorização. O supervisor esclarece que o cliente pode impedir uma cobrança concreta e manter a autorização válida para pagamentos futuros, uma possibilidade útil quando o problema está apenas numa determinada fatura.

É possível limitar futuras cobranças

O consumidor dispõe ainda de mecanismos para controlar os débitos seguintes. Pode definir uma data-limite para uma autorização, estabelecer a periodicidade das cobranças, por exemplo mensal ou trimestral, e fixar um montante máximo. O Portal do Cliente Bancário refere também a possibilidade de bloquear cobranças de determinados credores.

Também é possível inativar uma autorização através do prestador de serviços de pagamento, incluindo pelo Multibanco ou homebanking, consoante os serviços disponibilizados pela instituição. Segundo o Banco de Portugal, essa inativação impede novas cobranças, mas não termina, por si só, o contrato existente com a empresa credora.

Assim, perante um débito já executado, a data é um dos primeiros elementos a verificar: no modelo SEPA Core, existem oito semanas para pedir o reembolso incondicional. Quando a cobrança não foi autorizada ou foi incorretamente executada, o prazo geral para solicitar a retificação é de 13 meses, sem dispensar a comunicação ao banco logo que o problema seja detetado.

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Este radar esteve entre os que mais infrações registaram em Portugal: fica no Algarve

Quem circula habitualmente pela EN125, em Faro, provavelmente já conhece este radar. O equipamento encontra-se ao quilómetro 102,0, na freguesia de São Pedro, e controla os veículos que seguem no sentido Oeste–Este.

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) chegou a colocar este local entre os cinco radares do sistema SINCRO com maior número de infrações registadas em Portugal, num conjunto que concentrava cerca de um terço de todas as infrações detetadas pelos 61 locais de controlo então existentes.

Radar fica na EN125 e o limite é de 70 km/h

O equipamento está instalado na EN125, ao quilómetro 102,0, em Faro, e fiscaliza a velocidade no sentido Oeste–Este.

De acordo com os dados oficiais do sistema Radares à Vista, trata-se de um radar de velocidade instantânea e o limite naquele ponto é de 70 km/h.

O equipamento integra a primeira fase do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade e a via é gerida pelas Infraestruturas de Portugal.

Cinco radares concentravam cerca de um terço das infrações

Quando divulgou os dados, a ANSR identificou cinco locais que se destacavam pelo elevado número de excessos de velocidade.

Além do radar da EN125, em Faro, faziam parte desse grupo equipamentos instalados na A1, em Coimbra, na A4, em Matosinhos, na A29, em Vila Nova de Gaia, e na A23, em Vila Nova da Barquinha.

No conjunto, estes cinco locais representavam aproximadamente um terço das infrações registadas no SINCRO na altura.

Algarve tem atualmente vários radares fixos

A rede de controlo de velocidade na região foi entretanto reforçada.

Além do equipamento de Faro, existem radares fixos na EN125 em Lagoa, Guia e Ferreiras, outro na EN125-10, em Montenegro, e ainda um equipamento na A2, em Paderne.

Os limites não são iguais em todos os locais. Na EN125 variam entre os 70 e os 80 km/h nos pontos controlados, enquanto o equipamento instalado na A2 fiscaliza um limite de 120 km/h.

Radares são instalados para reduzir sinistralidade

A ANSR sublinha que o objetivo destes equipamentos não é apenas detetar infrações, mas sobretudo reduzir a velocidade e a gravidade dos acidentes.

Nos primeiros locais onde o SINCRO foi instalado, a autoridade registou uma redução de 36% nos acidentes com vítimas, 74% nas vítimas mortais e 44% nos feridos graves, quando comparados os períodos anteriores e posteriores à entrada em funcionamento dos radares.

Por isso, apesar de o radar da EN125 em Faro ter ficado conhecido pelo elevado número de infrações registadas, a recomendação mantém-se simples: respeitar o limite de 70 km/h naquele troço, independentemente da presença do equipamento.

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Chuva está de regresso a Portugal e temperaturas vão cair: estas são as regiões mais afetadas até quarta-feira

Depois de vários dias marcados por alguma estabilidade meteorológica, Portugal Continental prepara-se para uma mudança no estado do tempo. A chuva regressa já este domingo, 18 de outubro, e deverá atingir diferentes regiões do país até quarta-feira, dia 21, acompanhada por uma descida das temperaturas, sobretudo no Norte e Centro.

De acordo com as previsões divulgadas pela Meteored, com base no modelo europeu ECMWF, a instabilidade deverá começar por afetar o Algarve e o Baixo Alentejo, antes de se deslocar para o Litoral Norte e Centro. O cenário aponta para dias mais nublados e temperaturas próprias do outono.

Algarve e Baixo Alentejo são os primeiros a receber a chuva

As primeiras precipitações estão previstas para este domingo, a partir das 12h00, sobretudo nas regiões mais a sul de Portugal Continental. A chuva deverá ser geralmente fraca, embora possa tornar-se mais frequente durante o final da tarde.

Segundo a Meteored, o período entre as 17h00 e as 18h00 poderá concentrar a maior probabilidade de precipitação, especialmente no Algarve e no Baixo Alentejo.

No Algarve, as diferenças entre concelhos serão significativas. Faro e Tavira apresentam uma probabilidade de chuva próxima dos 20%, enquanto em Aljezur esse valor poderá atingir os 60%.

Já no Baixo Alentejo, a probabilidade de precipitação será superior em algumas localidades. Em Odemira, poderá chegar aos 60%, enquanto Serpa apresenta valores próximos dos 70%.

Segunda-feira mantém a possibilidade de chuva no Algarve

A instabilidade deverá prolongar-se durante segunda-feira, 19 de outubro, com a possibilidade de ocorrência de chuva fraca em vários pontos do Algarve.

As previsões apontam para precipitação sobretudo entre as 12h00 e as 18h00, com probabilidades que poderão atingir os 60% nas zonas mais afetadas, especialmente durante a tarde.

Apesar do regresso da chuva, não está prevista, com base nesta atualização, uma situação de precipitação intensa e generalizada em todo o território. A distribuição deverá continuar a ser irregular, com diferenças entre regiões.

Chuva muda de região na terça-feira e chega ao Norte

Na terça-feira, 20 de outubro, o cenário meteorológico deverá sofrer uma nova alteração. Depois de dois dias com maior incidência de precipitação no Sul, a instabilidade deverá deslocar-se para o Litoral Norte.

Segundo o modelo europeu, a chuva poderá começar a atingir os distritos de Viana do Castelo e Braga a partir das 21h00, avançando posteriormente em direção ao Litoral Centro durante a noite.

Na quarta-feira, dia 21, o céu deverá apresentar-se muito nublado em grande parte de Portugal Continental, reforçando o ambiente tipicamente outonal que marcará esta semana.

Temperaturas descem e há regiões com valores próximos dos 4 graus

Além da chuva, a evolução das temperaturas será outro dos aspetos a acompanhar. As previsões indicam que os valores diurnos poderão oscilar, de forma geral, entre os 14 ºC e os 26 ºC, dependendo da região e do momento da semana.

Contudo, o arrefecimento será particularmente evidente no Interior Norte e Centro. Para segunda-feira, às 16h00, o modelo ECMWF aponta para temperaturas de apenas 4 ºC na Guarda e 6 ºC em Bragança e Vila Real.

No Porto, os termómetros poderão marcar cerca de 11 ºC à mesma hora, enquanto Lisboa e Faro deverão apresentar valores mais amenos, próximos dos 17 ºC.

As noites também deverão tornar-se mais frias, especialmente nas regiões interiores, onde a descida das temperaturas poderá ser mais acentuada.

O que esperar do estado do tempo até quarta-feira?

O regresso da precipitação e o arrefecimento previsto representam uma mudança relativamente ao período de maior estabilidade registado anteriormente.

Embora a chuva não deva atingir todas as regiões com a mesma intensidade, a evolução prevista aponta para um ambiente mais húmido, maior nebulosidade e temperaturas mais baixas em várias zonas do território.

Importa recordar que estas previsões resultam de simulações meteorológicas e podem sofrer alterações à medida que se aproxima cada dia. Por esse motivo, é aconselhável acompanhar as atualizações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sobretudo para confirmar a evolução da precipitação e eventuais avisos meteorológicos.

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Habitação TEM Solução | Por Tiago Manuel

Não é uma questão de ser socialista ou liberal. É uma questão de decidir para onde queremos canalizar o investimento para a criação de mais habitação:

• Reservar a compra de imóveis com licença de habitação a pessoas singulares. As empresas poderiam investir em terrenos, ruínas e projetos de construção e reabilitação, contribuindo para aumentar a oferta. 

Solução de curto prazo, se não for suficiente: Empresas e Fundos de Investimento terem de vender para pessoas singulares os seus imóveis residenciais com licença de habitação em 3 anos.

• Facilitar a construção de hotéis e limitar  alojamentos locais. O crescimento do turismo deve ser acompanhado por capacidade de alojamento turístico própria. 

Solução de curto prazo se não for suficiente: duplicar o IMI especial a ALs e canalizar esse montante apenas para a construção de habitação pública.

• Aumentar o IMI de proprietários não residentes, com salvaguardas para emigrantes e situações justificadas, e reforçar a tributação de casas de luxo. A receita adicional ficaria expressamente destinada à construção e reabilitação de habitação pública.

Solução de curto prazo se não for suficiente: Duplicar o IMI para as residências de extremo luxo.

• Agravar progressivamente o IMI de casas habitáveis mantidas devolutas, salvaguardando obras, heranças em resolução e impedimentos comprovados.

Solução de curto prazo, se não for suficiente: expropriar para habitação jovem ao preço de mercado, caso não haja resposta em 1 ano útil. Jovens que emigram têm retirados os direitos à habitação jovem.

• Reduzir a carga fiscal sobre quem coloca imóveis no arrendamento de longa duração a preços acessíveis.

Solução de curto prazo se não for suficiente: Reduzir mesmo o IRS.

• Acelerar o licenciamento, para dias e não anos, e mobilizar terrenos e edifícios públicos sem utilização, com metas de execução e prestação pública de contas.

Solução de curto prazo se não for suficiente:  Não-Objecção por defeito.

• Investir em transportes e infraestruturas para tornar mais zonas atrativas para viver.

Solução de curto prazo, se não for suficiente: transporte sem custo.

Estas propostas exigem enquadramento jurídico e uma avaliação dos seus efeitos. 

Mas o princípio é claro: os incentivos públicos devem premiar quem constrói, recupera e disponibiliza habitação.

O investimento deve ajudar a criar mais casas. 

E a receita fiscal gerada pelo património deve contribuir para que mais pessoas tenham acesso a uma.

Simples. Concordas? Agora deseduca toda a gente para esquecer as suas ideologias que só nos torna cegos. E educa como devemos andar para a frente.

Precisamos duma frente ampla com visão em comum.

Leia também: Montenegro fez bem em telefonar a Ronaldo e ao Presidente FPF. CR7 traz muito pão para muitas casas em Portugal | Por Tiago Manuel

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Talgo quer fornecer a Portugal comboios de alta velocidade adaptáveis a duas bitolas

A fabricante espanhola Talgo pretende apresentar à CP uma proposta de comboios de alta velocidade capazes de circular em bitola ibérica e internacional. Embora o concurso não exija essa capacidade, a empresa considera que a solução daria a Portugal maior flexibilidade perante uma eventual mudança da largura das vias ou a operação noutros mercados.

A intenção foi avançada pelo presidente executivo da Talgo, Ricardo Chocarro, em declarações em Madrid a meios de comunicação portugueses, incluindo a Lusa. A fabricante espanhola e a francesa Alstom foram as duas empresas escolhidas em setembro para apresentar propostas à CP – Comboios de Portugal.

Tecnologia já permite mudar de bitola em Espanha

O concurso destina-se à ligação de alta velocidade entre Lisboa e Porto em bitola ibérica, uma característica que Chocarro descreveu como uma “especificidade absoluta” do procedimento.

Segundo o responsável, os comboios de alta velocidade da Talgo já circulam em Espanha nas duas bitolas. A tecnologia permite passar entre vias de diferentes larguras sem necessidade de parar as composições ou de fazer descer os passageiros.

“O concurso não o exige, o concurso não o valoriza, mas acreditamos que é uma grande vantagem para Portugal dispor dessa capacidade de bitola variável, caso se decida, no futuro, adotar a bitola europeia ou caso se pretenda, no futuro, operar noutros contextos, noutros mercados. É isso que vamos colocar em cima da mesa no concurso de Portugal”, afirmou.

Circulação poderá combinar linhas de alta velocidade e vias regionais

Chocarro destacou os 25 anos de experiência da Talgo na alta velocidade espanhola, num contexto que considera semelhante ao português. Ressalvou, porém, que a proposta terá de responder às características específicas da rede nacional.

Além da circulação em bitola ibérica, que classificou como pouco habitual na alta velocidade, o responsável apontou a necessidade de utilizar diferentes tipos de linha enquanto decorrem as obras.

“O comboio vai ter de circular por vias de alta velocidade e, provavelmente, também por vias que atualmente se utilizam nos transportes mais regionais”, explicou, acrescentando que a empresa dispõe de uma “tecnologia multivia”.

Compra de 12 automotoras com opção de mais oito

Com um preço base de 504 milhões de euros, o concurso prevê a aquisição de 12 automotoras de alta velocidade, respetivas peças de parque e ferramentas especiais. Inclui ainda a opção de compra de mais oito automotoras.

O contrato abrange também a manutenção integral durante os dois anos seguintes à receção do primeiro comboio.

As próximas etapas serão a apresentação e análise das propostas, seguindo-se a decisão. O calendário prevê a assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2027 e a entrega do primeiro comboio nos primeiros três meses de 2031.

Talgo prevê contratar e formar trabalhadores em Portugal

A empresa pretende “desenvolver capacidade local, tanto para o fornecimento como para a manutenção”, nomeadamente através da contratação e formação de trabalhadores em Portugal, adiantou Chocarro.

O presidente executivo não revelou os custos da proposta que será apresentada à CP nem valores de um eventual investimento no país.

Fundada em 1942, a Talgo apresenta-se como uma empresa especializada no desenho, fabrico e manutenção de comboios de alta velocidade e longa distância. Tem uma carteira de encomendas de cerca de 6.500 milhões de euros, em contratos de produção e manutenção em vários continentes.

A companhia é maioritariamente privada, contando com duas participações públicas: 7,9% do Estado espanhol e 7,8% do executivo regional do País Basco.

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A loiça sai suja da máquina? Especialista revela o erro com o detergente que muitos cometem

Colocar a loiça na máquina, adicionar detergente e iniciar o programa parece uma tarefa simples. No entanto, há pequenos erros que podem comprometer os resultados da lavagem e fazer com que pratos, copos e talheres continuem sujos, mesmo depois de um ciclo completo.

Segundo a revista norte-americana EatingWell, a quantidade e o tipo de detergente utilizados estão entre os fatores que podem influenciar a eficácia da máquina de lavar loiça. Larry Ciufo, responsável pelos testes destes eletrodomésticos na Consumer Reports, explica que utilizar mais produto não significa necessariamente conseguir uma limpeza melhor.

O especialista alerta que o excesso de detergente pode deixar resíduos na loiça, enquanto a utilização de programas inadequados e a falta de manutenção podem impedir que o produto se dissolva corretamente.

Este é o erro com o detergente que muitos cometem

Uma das recomendações de Larry Ciufo passa por respeitar as indicações do fabricante da máquina de lavar loiça, em vez de utilizar automaticamente a quantidade sugerida na embalagem do detergente.

Cada eletrodoméstico pode apresentar características diferentes, pelo que a dosagem adequada depende do modelo, do produto utilizado e das condições de lavagem.

No caso dos detergentes em pó ou gel, o compartimento da máquina costuma apresentar marcas que ajudam a identificar a quantidade recomendada. Já as cápsulas são geralmente concebidas para utilizar uma unidade por lavagem.

Adicionar detergente em excesso não garante que a loiça fique mais limpa. Pelo contrário, pode contribuir para a acumulação de resíduos e obrigar a repetir a lavagem.

Detergente líquido, em pó ou cápsulas: qual limpa melhor?

A escolha do detergente também pode fazer diferença nos resultados. De acordo com os testes realizados pela Consumer Reports e citados pela EatingWell, os diferentes formatos não apresentam necessariamente a mesma eficácia.

Larry Ciufo explica que os detergentes líquidos podem representar uma opção mais económica por lavagem, mas os testes da organização revelaram um desempenho inferior ao de outras alternativas.

O detergente em pó apresentou melhores resultados do que muitos produtos líquidos, embora possa ser considerado menos prático por alguns consumidores.

As cápsulas destacam-se pela facilidade de utilização, uma vez que dispensam a medição manual da quantidade de produto. Contudo, a sua eficácia também depende do programa escolhido e das condições de funcionamento da máquina.

O detergente não se dissolve? A causa pode estar dentro da máquina

Quando uma cápsula aparece parcialmente dissolvida no final da lavagem, o problema nem sempre está relacionado com a qualidade do detergente.

Segundo Larry Ciufo, uma das primeiras verificações deve ser feita ao filtro e aos braços aspersores, responsáveis pela circulação e distribuição da água durante o ciclo.

A acumulação de restos de comida ou gordura nestes componentes pode prejudicar o funcionamento da máquina e impedir que a água chegue corretamente a toda a loiça.

Outro fator importante é a duração do programa. Os ciclos rápidos podem não proporcionar tempo suficiente para dissolver completamente determinadas cápsulas, sobretudo quando as condições de lavagem não são as mais adequadas.

Há uma limpeza que deve fazer regularmente

A manutenção do eletrodoméstico é essencial para evitar problemas de funcionamento e preservar a qualidade das lavagens.

Uma das recomendações passa por limpar regularmente o filtro, retirando os resíduos alimentares que se acumulam durante a utilização. Este componente pode ser lavado com água morna e detergente, seguindo as instruções do fabricante.

Também é importante verificar se os orifícios dos braços aspersores estão desobstruídos, uma vez que a acumulação de sujidade pode dificultar a circulação da água.

As borrachas da porta merecem igualmente atenção, sobretudo nas zonas onde se acumulam gordura e restos de alimentos.

Para uma limpeza mais profunda, pode utilizar o programa de manutenção da máquina e um produto adequado ao equipamento. Antes de recorrer a soluções caseiras, como o vinagre, é aconselhável consultar o manual, já que alguns fabricantes desaconselham a sua utilização.

A forma como coloca a loiça também influencia os resultados

Além da escolha do detergente e da manutenção, a disposição dos utensílios no interior da máquina pode comprometer a lavagem.

Pratos demasiado próximos, panelas que bloqueiam os braços aspersores ou objetos colocados à frente do compartimento do detergente podem impedir a circulação adequada da água.

Por esse motivo, é importante garantir que os braços conseguem rodar livremente e que o detergente pode ser libertado sem obstáculos.

Se a loiça continuar a sair suja, mesmo depois de corrigir estes hábitos, poderá ser necessário verificar outros componentes do eletrodoméstico.

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AIPAR de Faro chega às 20 famílias de acolhimento e quer alargar rede

A Associação de Proteção à Rapariga e à Família (AIPAR), com sede em Faro, atingiu as 20 famílias de acolhimento certificadas e pretende aumentar este número para responder às diferentes necessidades das crianças e jovens. O marco foi assinalado a 11 de outubro, num encontro na Quinta do Meloal, na freguesia da Conceição de Faro.

A iniciativa reuniu famílias acompanhadas pela associação para uma manhã de convívio e partilha de experiências. Segundo a nota de imprensa enviada ao POSTAL, há outras famílias em processo de certificação.

“Sentimos uma enorme gratidão pelas vinte maravilhosas famílias que se juntaram à AIPAR e abraçaram a missão de ser famílias de acolhimento”, afirmou Filomena Rosa, presidente da direção. “Quero que saibam que nunca estarão sozinhas. A nossa equipa acompanha-as em cada passo e, a partir de agora, têm também umas às outras”, acrescentou.

Mais famílias para responder a diferentes necessidades

A AIPAR pretende certificar o maior número possível de famílias, tendo em conta que cada uma apresenta disponibilidades e condições próprias.

A associação explica que algumas famílias com filhos preferem acolher crianças de determinada idade ou género para facilitar a convivência, enquanto outras estão preparadas para receber grupos de irmãos ou crianças mais velhas.

O alargamento da rede permite, por isso, acompanhar mais situações e encontrar uma resposta familiar ajustada às necessidades de cada criança. “Cada família tem o acompanhamento da nossa equipa, mas há coisas que só outra família de acolhimento compreende. É necessário criar momentos como este”, salientou Filomena Rosa.

O encontro decorreu num espaço da própria associação e começou com uma sessão de ioga do riso, seguindo-se um brunch preparado pelo serviço de catering da AIPAR. Enquanto os adultos conversavam, as crianças participaram em atividades ao ar livre, acompanhadas por uma equipa da instituição. No final, cada família recebeu um certificado e um saquinho de lufas, esponjas vegetais cultivadas e secas na quinta.

Uma resposta temporária fora das instituições

O acolhimento familiar é uma medida de proteção temporária que permite a crianças e jovens retirados à família de origem viverem num ambiente familiar, em alternativa ao acolhimento residencial. Para contextualizar esta resposta, a AIPAR cita o relatório CASA 2024: das 6.349 crianças e jovens em acolhimento em Portugal, 361 viviam com famílias de acolhimento, cerca de 6% do total. A maioria permanecia em casas de acolhimento residencial.

A AIPAR atua como instituição de enquadramento do acolhimento familiar ao abrigo de um acordo de cooperação com o Instituto da Segurança Social, celebrado em novembro de 2022. De acordo com a associação, podem candidatar-se pessoas ou casais com mais de 25 anos e residência em Portugal. As famílias recebem formação, acompanhamento técnico permanente e apoio financeiro mensal.

Fundada em 1932 e reconhecida como Instituição Particular de Solidariedade Social desde 1988, a AIPAR trabalha na proteção de crianças, jovens e famílias, mantendo também respostas como a Casa de Acolhimento, o CAFAP, o Apartamento de Autonomização, o CACI e a Cantina Social.

Os interessados em conhecer o processo de candidatura podem contactar a associação através do telefone 966 683 137 ou do endereço protecao.acolhimentofamiliar@gmail.com.

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Chamam-lhe ‘flor do iogurte’ e está cada vez mais na moda: conheça o alimento que pode prevenir doenças gastrointestinais

O kefir, conhecido em Portugal como a ‘flor do iogurte’, tem conquistado espaço nos pequenos-almoços e lanches, mas não é propriamente uma novidade. Trata-se de um alimento fermentado originário da região do Cáucaso, com uma composição rica em microrganismos e que pode ser preparado a partir de leite ou de água.

No portal da cadeia de supermercados Continente pode ler-se que o kefir é considerado um alimento probiótico e apresenta uma textura cremosa e um sabor ligeiramente ácido. A sua composição resulta da ação de bactérias e leveduras presentes nos chamados grãos de kefir, responsáveis pelo processo de fermentação.

Grãos parecem pequenos pedaços de couve-flor

Apesar do nome, estes “grãos” não são cereais como trigo ou arroz. São estruturas gelatinosas constituídas por bactérias, leveduras, polissacarídeos e proteínas, apresentando um aspeto que pode fazer lembrar pequenos pedaços de couve-flor ou de gelatina.

A origem do alimento é associada às montanhas do Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Segundo a mesma fonte, acredita-se que a fermentação tenha começado acidentalmente em bolsas de couro utilizadas para transportar leite de cabra ou de vaca.

Pode ser feito com leite ou água

No kefir de leite, os grãos são adicionados a leite de vaca, cabra ou ovelha e retirados depois da fermentação. O líquido resultante pode então ser consumido, enquanto os grãos voltam a ser utilizados numa nova preparação.

Existe igualmente kefir de água, produzido através da fermentação de água com açúcar e os respetivos grãos. Neste caso, a mistura permanece normalmente entre 24 e 72 horas à temperatura ambiente antes de ser coada.

Probióticos estão associados ao equilíbrio intestinal

Uma das características mais destacadas do kefir é a presença de probióticos. Estes são microrganismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal.

A mesma fonte refere que alguns estudos associam o consumo de alimentos probióticos a benefícios para o funcionamento intestinal. O kefir pode apresentar uma variedade elevada de bactérias benéficas, razão pela qual tem sido estudado no contexto da saúde gastrointestinal.

Também fornece cálcio

Quando é produzido a partir de leite, o kefir constitui ainda uma fonte de cálcio, mineral importante para a manutenção dos ossos. A composição nutricional pode também incluir vitaminas associadas à saúde óssea, dependendo do produto e dos ingredientes utilizados.

A relação entre microbiota e sistema imunitário é outro dos aspetos mencionados pela fonte. Algumas bactérias presentes no kefir, como Lactobacillus kefiri, têm sido estudadas pela sua interação com outros microrganismos, embora isso não signifique que o consumo do alimento substitua qualquer tratamento médico.

Intolerantes à lactose devem ter atenção

O kefir de leite continua a conter lactose, embora em menor quantidade do que o leite utilizado inicialmente. Durante a fermentação, parte desse açúcar é transformado pelas bactérias e leveduras, o que pode tornar o produto mais tolerável para algumas pessoas com intolerância.

Ainda assim, a quantidade residual varia consoante o tempo de fermentação e outros fatores. Por isso, quem tenha intolerância à lactose deve começar por pequenas quantidades e avaliar a resposta individual, recorrendo a aconselhamento médico quando necessário. O kefir pode ser incluído numa alimentação equilibrada, mas não deve ser apresentado como forma garantida de prevenir doenças.

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Miguel Trindade sagra-se campeão mundial de kickboxing e já treinou no Algarve [vídeo]

O português Miguel Trindade, que já treinou no Algarve, conquistou o título mundial de pesos-pena do Glory, em kickboxing, no sábado, 17 de outubro. O atleta de 25 anos venceu o turco Deniz Demirkapu na Lotto Arena, em Antuérpia, na Bélgica, segundo o Diário de Notícias.

Treinos no Algarve

A Kickboxing Fight Tavira pretende, há algum tempo, trazer Miguel Trindade a Tavira para orientar um treino. Para Miguel Pires, da associação tavirense, a conquista do título mundial era um desfecho que já se adivinhava, tendo em conta a qualidade e o talento demonstrados pelo atleta ao longo do seu percurso.

“Este título já se adivinhava, pois o Miguel é um atleta extraordinário e merece, sem qualquer dúvida, este título e todo o reconhecimento do mundo”, afirma Miguel Pires, da Kickboxing Fight Tavira.

A ligação do campeão mundial ao Algarve passa também pelos treinos que tem realizado ocasionalmente na região, incluindo uma sessão de sparring com Fábio Medinas, atleta da associação tavirense.

Micael Rodrigues, da Top Team Briceno (E), o campeão mundial de kickboxing Miguel Trindade (C) e Fábio Medinas, da Kickboxing Fight Tavira (D), numa fotografia de 2025

A fotografia que documenta esta ligação resultou de um convite feito por Micael, da Top Team Briceno, a Fábio Medinas. O encontro aconteceu algumas semanas depois de um treino de sparring com Uisma Lima, pugilista profissional que, nas palavras de Miguel Pires, “já deu e dará ainda muito que falar, e pela positiva”.

Nesse contexto, Micael também foi convidado, tendo o clube de kickboxing do Campinense cedido gentilmente o espaço e o ringue para a realização do treino.

Miguel Pires revela ainda que acompanhou, através das redes sociais, a presença de Miguel Trindade na Top Team Albufeira, onde também realizou treinos, reforçando assim a ligação do campeão mundial à região algarvia.

Apesar de reconhecer que a conquista do título mundial poderá dificultar a disponibilidade do atleta para novos compromissos, a Kickboxing Fight Tavira mantém a intenção de o receber na cidade.

“Sabemos que agora será mais difícil ter o Miguel em Tavira, mas será uma realidade muito em breve”, garante Miguel Pires, manifestando confiança na possibilidade de o campeão mundial vir a partilhar a sua experiência e os seus conhecimentos com os atletas tavirenses.

Três quedas decidiram o combate

O triunfo chegou por knockout técnico no terceiro assalto, depois de três quedas do adversário provocadas por pontapés baixos, descreve o DN.

Para atingir os 65 quilogramas da categoria, Trindade explicou ao jornal que segue uma preparação alimentar de oito a dez semanas.

De Loures aos ringues internacionais

Nascido nas Torres da Bela Vista, em Loures, viveu depois em Sintra. Aos 19 anos, deixou Geografia, na Universidade de Lisboa, para apostar no desporto. Trabalhou no McDonald’s e deu aulas antes de rumar a Espanha.

Conquistou um título europeu em 2021. Após uma lesão em 2022, passou a trabalhar com Diego Vazquez e regressou aos combates em 2023, chegando depois ao Glory.

Ao DN, resumiu a ambição que acompanha o percurso: “Mais do que ganhar ou perder, o que fica é a marca que deixamos nas pessoas”.

A mensagem de confiança antes da conquista

Antes do combate, numa publicação no Facebook de 1 de outubro, acompanhada por um vídeo, Miguel Trindade tinha deixado uma mensagem sobre as suas origens e o significado que atribuía à presença naquele patamar competitivo.

“Quando um português filho de emigrantes moçambicanos está neste patamar, lembrem-se bem de que ele está a representar-vos a todos”, escreveu.

O atleta dirigiu-se a quem enfrenta dificuldades para concretizar os seus objetivos, seja pela origem, pelas circunstâncias de vida ou pela falta de apoio.

“Está a demonstrar que, embora seja duas vezes mais difícil, todos nós podemos”, afirmou, evocando pessoas de bairros sociais, pequenas localidades do interior ou países em guerra, assim como quem não tem o apoio que gostaria de receber.

“Admirem, valorizem e orgulhem-se”, apelou.

A publicação terminava com uma frase de confiança na data em que viria a conquistar o título mundial: “Por isso e por muito mais, dia 17 será um dia para a História”.

Mensagem de Miguel Trindade a 13 de abril deste ano: “Não tinha nada, não sou predestinado nem sou mais que ninguém… Tudo veio à base de obsessão e MUITO sacrifício. Espero que sintam a mensagem”.

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Azeite barato demais? ASAE alerta para falsificações e estes sinais podem ajudá-lo a evitar fraude

O azeite é um dos produtos mais presentes nas casas portuguesas, mas o seu valor também o tornou um alvo atrativo para práticas fraudulentas. Entre os casos detetados pelas autoridades estão produtos constituídos por outros óleos alimentares que são rotulados e comercializados como se fossem azeite.

A própria ASAE alerta os consumidores para a necessidade de terem cuidados adicionais na compra, sobretudo quando encontram preços muito inferiores aos praticados habitualmente ou produtos vendidos sem informação clara sobre a origem e composição.

Preço demasiado baixo deve levantar suspeitas

Uma promoção não significa, por si só, que exista fraude. Ainda assim, a ASAE aconselha a desconfiar quando o azeite é comercializado a um preço muito abaixo da média do mercado, especialmente em vendas através da Internet, redes sociais, feiras ou circuitos menos controlados.

A razão é simples: substituir total ou parcialmente o azeite por óleos vegetais mais baratos permite vender o produto com margens elevadas, apesar de o consumidor acreditar que está a comprar azeite genuíno.

Em março de 2026, por exemplo, a autoridade anunciou a apreensão de cerca de 10 mil litros de óleo alimentar que estaria a ser vendido fraudulentamente como azeite virgem através das redes sociais, tendo encontrado ainda milhares de rótulos e material de embalamento.

Não compre azeite sem rótulo

Outro dos principais cuidados apontados pela autoridade é evitar produtos vendidos sem rotulagem adequada.

Num azeite comercializado legalmente, o consumidor deve conseguir encontrar informação como a denominação do produto, origem quando obrigatória, quantidade líquida, data de durabilidade, identificação do lote e nome e morada do responsável pelo produto.

No caso do azeite virgem e virgem extra, a indicação da origem é obrigatória. A rotulagem também não pode apresentar informação suscetível de induzir o consumidor em erro.

A cor não diz se o azeite é verdadeiro

Um azeite muito verde pode parecer melhor ou mais genuíno, mas a cor não é um método fiável para determinar a autenticidade ou qualidade.

A ASAE recomenda que os consumidores não façam a escolha exclusivamente com base na cor ou na acidez indicada, uma vez que estas características, isoladamente, não permitem perceber se existe adulteração.

Isto é particularmente relevante porque um óleo mais barato pode ser manipulado para adquirir uma aparência semelhante àquela que o consumidor associa ao azeite.

DOP e IGP podem dar informação adicional

Certificações como Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) permitem identificar produtos sujeitos a regras específicas de produção e origem.

Ainda assim, a existência de um símbolo ou expressão no rótulo não dispensa a verificação dos restantes elementos. A ASAE já apreendeu em investigações anteriores rótulos falsificados e produtos que utilizavam indevidamente referências a denominações protegidas.

O teste do frigorífico não é garantia

Um dos truques caseiros mais divulgados consiste em colocar o azeite no frigorífico ou congelador e avaliar a sua consistência. Esse método, porém, não permite confirmar com segurança se um produto é azeite genuíno.

A composição dos azeites varia e o comportamento a baixas temperaturas também pode ser diferente. Quando existe suspeita de fraude, a confirmação passa por análises físico-químicas e sensoriais em laboratório, como acontece nas investigações da ASAE. Na operação realizada em 2026, a autoridade recolheu amostras precisamente para esse tipo de análise.

Afinal, como reduzir o risco de comprar azeite falsificado?

A regra mais simples é juntar vários sinais: desconfiar de preços anormalmente baixos, evitar embalagens sem rótulo, confirmar a origem e a identificação do produtor ou embalador e ter especial cuidado com ofertas feitas através de redes sociais ou vendedores cuja proveniência não seja clara.

A ASAE lembra ainda que as menções obrigatórias presentes no rótulo são importantes indicadores de autenticidade e rastreabilidade. Se a embalagem não permite perceber claramente o que está a comprar, quem o colocou no mercado ou de onde vem o produto, há razões para ter cautela.

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Miniassembleias nas escolas juntam mais de mil alunos para falar de saúde sexual

A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) está a promover “miniassembleias da saúde” em escolas básicas e secundárias para esclarecer os jovens sobre infeções sexualmente transmissíveis. As iniciativas envolvem mais de 1.000 alunos entre os 14 e os 18 anos, que participam no debate e na transmissão de informação aos colegas.

As sessões integram a campanha #semvergoha, com o apoio científico da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Em declarações à Lusa, a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, defendeu que os jovens devem ser “os protagonistas da mudança”.

A iniciativa surge num contexto em que quase 30% dos novos casos de VIH registados em 2024 ocorreram em pessoas com menos de 30 anos. No conjunto dos novos diagnósticos, 53,9% foram identificados numa fase avançada da infeção, segundo os dados citados pela Lusa.

Informação simples e discussão em pequenos grupos

As miniassembleias são desenvolvidas com os próprios alunos. Médicos ou enfermeiros começam por transmitir informação em linguagem simples, seguindo-se a divisão dos participantes em grupos para debater temas como a sífilis, o VIH e a sida, a transmissão das infeções e a utilização correta do preservativo.

“Para haver desenvolvimento de competências nestes jovens, não pode ser uma ação meramente expositiva. Temos de adaptar ao perfil”, explicou Cristina Vaz de Almeida.

A responsável associa o aumento das infeções sexualmente transmissíveis entre os jovens a “comportamentos de risco e falta de literacia em saúde”, tanto dos adolescentes como das famílias.

A abordagem procura reduzir o estigma e “normalizar os comportamentos protetores”, permitindo que a informação circule de forma simples e que os alunos transmitam mensagens corretas entre si.

No final, as miniassembleias são publicadas e os participantes podem rever-se. “Gostam de ver que são eles os atores da mudança”, afirmou a presidente da SPLS.

Saber aceder à internet não significa saber usar informação de saúde

Cristina Vaz de Almeida alertou que a familiaridade dos jovens com o meio digital não garante capacidade para compreender e utilizar informação sobre saúde.

“Têm literacia digital, sabem aceder ao digital, mas não têm literacia em saúde digital, não sabem usar o conhecimento quando estão dentro do digital”, observou.

Perante a dificuldade de mudar comportamentos, a responsável considera as escolas um espaço privilegiado de intervenção.

“Promover a literacia em saúde nas escolas é investir na capacidade dos jovens para compreenderem a informação, avaliarem as suas opções e tomarem decisões informadas sobre a sua saúde e o seu bem-estar”, defendeu.

Para isso, acrescentou, é necessário “criar espaços de confiança, onde os jovens possam falar sem vergonha, esclarecer dúvidas sem receio de julgamento e aceder a informação clara, rigorosa e adequada à sua idade”.

Sessões previstas em Lisboa, Peniche, Felgueiras e Lousada

Em outubro, as miniassembleias passam pela Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, nos dias 20 e 22, e pela Escola Básica Marquesa de Alorna, também na capital, no dia 29.

Em Peniche, a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Atouguia da Baleia recebe a iniciativa em 28 de outubro.

No dia 18 de novembro, estão previstas sessões nas escolas secundárias de Felgueiras e de Lousada.

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Conheça a praia no Algarve que esconde uma ‘livraria’ feita de rochas com milhões de anos

Há uma praia no concelho de Albufeira onde as arribas escondem aquilo que ficou popularmente conhecido como uma ‘livraria’. Não existem livros nem prateleiras, mas sucessivas camadas de rochas com milhões de anos que ficaram praticamente na vertical e, vistas em conjunto, fazem lembrar volumes alinhados numa estante.

Segundo o portal Algarvensis Geoparque, esta particularidade pode ser observada entre a Praia dos Arrifes e a Ponta da Baleeira. As rochas sedimentares calcárias e argilosas ali existentes começaram a formar-se durante o Cretácico Inferior, entre aproximadamente 145 e 101 milhões de anos atrás.

Camadas chegam aos 194 metros de espessura

A chamada secção dos Arrifes apresenta uma sucessão de camadas com cerca de 194 metros de espessura. Entre os materiais que a compõem encontram-se calcários ricos em fósseis, margas, lamas de diferentes cores, arenitos e conglomerados.

Os fósseis e as estruturas sedimentares permitem reconstruir parte da paisagem existente naquela época. Os sedimentos terão sido depositados numa zona litoral húmida, onde as alterações do nível do mar faziam alternar ambientes marinhos com zonas costeiras emersas onde chegaram a formar-se solos.

Mas por que ficaram as rochas na vertical?

A disposição que hoje dá à arriba o aspeto de uma estante não corresponde à posição original das camadas. Segundo a mesma fonte, estas foram verticalizadas devido aos movimentos ascendentes de sal e gesso associados ao diapiro de Albufeira, localizado a norte dos Arrifes.

Esse processo terá ocorrido entre o Cretácico Superior e o Oligocénico Superior. Mais tarde, novas rochas foram depositadas por cima das anteriores, permitindo observar atualmente camadas quase verticais muito antigas cobertas por outras bastante mais recentes e aproximadamente horizontais.

Há rochas de épocas muito diferentes no mesmo local

Sobre as formações do Cretácico Inferior encontram-se calcarenitos formados durante o Miocénico, período compreendido entre cerca de 23 e 5,3 milhões de anos atrás. Estas camadas mais recentes apresentam fósseis de invertebrados marinhos associados a antigos ambientes de plataforma carbonatada.

As rochas calcárias de ambas as épocas foram também afetadas por processos de carsificação. Por isso, apresentam cavidades de diferentes dimensões, algumas posteriormente preenchidas por materiais resultantes de colapsos ou por sedimentos mais recentes, como areias e argilas.

De tubarões a dinossauros

O interesse dos Arrifes ultrapassa a forma invulgar das camadas. A mesma fonte destaca o elevado valor paleontológico desta secção, onde foram identificados vestígios de numerosos grupos de invertebrados e vertebrados que ajudam a reconstruir os antigos ecossistemas da região.

Entre os animais representados encontram-se peixes ósseos, tubarões, raias, anfíbios, tartarugas, formas semelhantes a crocodilos, lagartos, pterossauros e dinossauros. Existem ainda impressões de plantas e restos vegetais carbonizados preservados nas rochas.

Há uma camada formada por milhares de pequenas carapaças

Os vestígios de dimensões microscópicas são igualmente abundantes. Entre eles encontram-se foraminíferos, carófitos, esporos, pólen e dinoflagelados, conservados em diferentes tipos de sedimentos ao longo desta sequência geológica.

Uma das camadas destaca-se por ser composta quase exclusivamente por milhares de pequenas carapaças calcárias do foraminífero Orbitulina (Mesorbitolina) parva. Aos restantes achados juntam-se vestígios associados a dinossauros saurópodes e aquele que a fonte identifica como o primeiro registo mesozoico de coprólitos de térmitas em Portugal, tornando esta ‘livraria’ de pedra muito mais do que uma curiosidade visual da costa algarvia.

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Acampadas violências | Por José Figueiredo Santos

Há violências que irrompem nas ruas, de punho erguido e rosto descoberto, e outras que preferem a penumbra dos gabinetes, a respeitabilidade das instituições e a linguagem asséptica dos regulamentos. Umas empunham armas; outras manejam despachos, multiplicam procedimentos e invocam, com a fleuma dos irrepreensíveis, as inevitabilidades do sistema. Umas ameaçam pela força; outras exercem-na sem levantar a voz. Todas, porém, se tornam perigosas quando a razão capitula, o medo se instala e a força, perdida a vergonha, reclama para si o direito de governar.

O século XX, com a sua indústria triunfante, a massificação dos desejos e a burocratização da existência, deixou-nos uma lição que o nosso otimismo tecnológico parece obstinado em esquecer: o progresso das máquinas não obriga ao progresso dos homens. Aperfeiçoámos os instrumentos, multiplicámos as necessidades, catalogámos a vida em repartições cada vez mais minuciosas e construímos, em nome da eficiência, prodigiosas maquinarias estatais para administrar pessoas. Mas, nem por isso, aprendemos a viver melhor uns com os outros. A sociedade cresceu em organização e perdeu em comunidade; o indivíduo ganhou em informação, mas ficou-se pelo anonimato e pelo emudecimento da voz, e descobriu que entre o direito de participar e o poder efetivo de decidir se espraia, tantas vezes, um abismo regulamentado com todo o cuidado.

Não admira, pois, que os apelos à não violência sejam hoje recebidos, em certos círculos, como uma ingenuidade de salão, própria de quem nunca teve de enfrentar a brutalidade do mundo. Discute-se, com a desenvoltura de quem não arrisca a pele no argumento, a legitimidade dos meios violentos de resistência à opressão, como se a nobreza dos fins pudesse lavar a infâmia dos meios. Em tempos de violências acampadas à porta da razão, insistir na distinção entre poder e violência parece, por vezes, uma excentricidade académica. E, no entanto, é precisamente quando essa distinção começa a ser tratada como um luxo que mais importa defendê-la — sem confundir o poder político com o monopólio estatal da violência legítima, na formulação clássica de Max Weber.

Convém, a este propósito, regressar a Hannah Arendt. Para a pensadora, o poder nasce quando os homens agem em conjunto, sustentados pelo consentimento e pela capacidade de construir um espaço público comum. A violência, pelo contrário, é instrumental: precisa de armas, de máquinas, de dispositivos de coerção; carece, em suma, de meios que substituam aquilo que já não consegue obter pela adesão. Onde o poder vacila, a violência oferece-se como sucedâneo. Promete restaurar a autoridade, mas corrói-lhe os fundamentos; impõe obediência, mas não fabrica legitimidade. É capaz de calar uma praça D. João I ou um concentrado de Rossio, não de conquistar a confiança de quem nelas é calado. E pode destruir o poder com uma eficácia que nunca conseguirá reproduzir na sua construção.

Curem-se da ilusão, pois, os devotos do tacão, que tentam mascarar a fragilidade do poder elevando o tom da ameaça e a vulgaridade da coação, seja apelidando os outros de arruaceiros, seja ordenando que os encostem à parede. Repete-se à exaustão, entre o senso comum e certas teorias políticas, que o poder nasce do fuzil. Trata-se de um chavão de fácil encanto para quantos preferem a obediência cega ao acordo mútuo e o medo ao trabalho paciente do convencimento.

Uma arma pode impor silêncio, produzir submissão e espalhar terror. Mas o silêncio não é consentimento, a submissão não é adesão e o terror não é poder político. Quando uma autoridade precisa de recorrer incessantemente à força para provar que ainda manda, talvez já tenha perdido aquilo que a legitimava: a capacidade de ser reconhecida sem ter de se impor a cada instante.

De Paris ao Porto, de Lisboa a Moscovo, esta verdade não deveria carecer de demonstração. E, contudo, continuamos a comportar-nos como se a violência pudesse resolver aquilo que a política deixou por dirimir. Como se o estrondo dispensasse o argumento, a confrontação poupasse o trabalho de diálogo e a destruição fosse uma expedita forma de construção. Como se a cólera, pelo simples facto de ter uma causa por base, adquirisse o privilégio de todas as razões. A indignação pode ser justa; os seus instrumentos, porém, não ficam por isso absolvidos. Há causas legítimas defendidas por meios que acabam por as desfigurar — e há revoltas que, de tanto combaterem a opressão, começam a aprender-lhe os métodos.

A História oferece-nos um inventário eloquente destas frustrações. Da guerra do Vietname aos movimentos estudantis de maio de 1968, dos protestos contra a burocracia estatal às revoltas juvenis em França, reaparece, sob circunstâncias diversas, uma inquietação comum: a de cidadãos que se sentem afastados dos lugares onde o seu destino coletivo é decidido. A juventude protesta, por vezes com desordem e violência, contra sistemas que lhe exigem paciência, mas lhe recusam influência; que lhe prometem participação, mas que apenas lhe entregam formulários; que a convocam para a democracia e depois se espantam quando ela pretende exercer o direito de intervir. As instituições, entretanto, recomendam serenidade, abrem um processo, nomeiam uma comissão e aguardam que a indignação, por cansaço ou falta de expediente, acabe por desaparecer.

Já em 1981, Pierre Rosanvallon chamava a atenção para o facto de a crise do Estado social não se esgotar nas contas públicas nem no equilíbrio financeiro. Era também uma crise cultural e de legitimidade. A questão não consistia apenas em saber quanto custava o Estado, mas em compreender por que razão tantos cidadãos deixavam de reconhecer nele um instrumento da sua vontade coletiva. Quando a palavra parece inútil, a participação se converte em ritual e a ação política se reduz à escolha periódica de representantes, a violência insinua-se como atalho para a mudança. Promete chegar depressa onde o diálogo parece não chegar nunca. Esquece-se, porém, de que os atalhos também conduzem a becos sem saída — e de que o caminho de regresso é, muitas vezes, mais penoso do que aquele que nos levou até lá.

A violência possui, sem dúvida, uma racionalidade instrumental: escolhe meios, calcula efeitos, procura alcançar fins imediatos. O seu perigo começa quando os meios se emancipam dos fins, quando a destruição deixa de ser uma exceção e se transforma em linguagem, quando a brutalidade, de tanto se repetir, adquire a enganadora aparência da normalidade. Nesse momento, já não é apenas a ordem pública que está ameaçada. É a própria capacidade de uma sociedade se reconhecer como comunidade política, isto é, como lugar onde as diferenças podem coexistir sem que cada divergência se converta numa batalha.

É então que a política fica suspensa — e com ela a suspensão da possibilidade de resolver o conflito sem o entregar à brutalidade da força. Na sua expressão mais nobre, a política transforma antagonismos em debate, interesses em negociação e conflitos em decisões partilhadas. Não elimina a divergência, nem promete a harmonia fácil dos discursos oficiais; impede, isso sim, que a divergência tenha de acabar no esmagamento do adversário. A violência dispensa o argumento e exige a submissão. Uma vez aceite como método habitual, alimenta-se de si própria: cada golpe reclama uma resposta, cada resposta legitima um novo golpe, cada vítima descobre no sofrimento a justificação para a represália. No fim, todos se declaram ofendidos, todos reclamam justiça e quase ninguém se reconhece responsável pelo incêndio.

Talvez resida aqui uma das contradições mais inquietantes do nosso tempo: queremos viver em democracia, mas nem sempre aceitamos a disciplina interior que ela exige. Reclamamos autoridade, desde que não nos contrarie; exigimos liberdade, desde que não nos incomode; defendemos o diálogo, até ao instante em que o outro começa a falar. Somos tolerantes enquanto não somos contrariados, democratas enquanto a decisão nos favorece, pacifistas enquanto a indignação alheia não perturba a nossa tranquilidade. Depois, surpreendemo-nos com a violência, como se ela tivesse chegado de um mundo estranho e não fosse também, por vezes, o resultado das nossas renúncias, das nossas cumplicidades e da nossa incapacidade de escutar.

E assim vamos acampando violências, nas ruas e nas consciências, diante das instituições e dentro delas, convencidos de que a força poderá realizar aquilo que a razão, a justiça e a política não conseguiram. Esquecemo-nos de que a violência pode conquistar um espaço, impor uma vontade, derrubar uma porta ou silenciar uma multidão. O que não consegue, por si só, é construir uma casa comum. Para isso são precisos outros instrumentos, menos espetaculares e mais exigentes: confiança, responsabilidade, justiça, liderança e a difícil disposição de reconhecer no adversário alguém com quem teremos, a inevitabilidade de continuar a viver.

O confronto físico até pode ditar quem sai vitorioso, mas nunca definirá quem tem razão ou quem tem legitimidade. Afinal, a violência destrói, mas não tem a competência para reconstruir uma vida digna nos dias que se lhe seguirão.

E talvez seja essa a pergunta que deveríamos fazer antes de cada confronto, antes de cada palavra incendiária e de cada gesto que se julga irreversível: quando a violência toma o lugar da política, quem ganha verdadeiramente o poder — e quem fica, afinal, sem ele?

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Ministro foi à China e revela posição sobre regras vinculativas para o uso da inteligência artificial nas escolas

Fernando Alexandre afirmou, na China, que as novas orientações para utilizar a inteligência artificial (IA) nas escolas não terão caráter vinculativo. O ministro da Educação, Ciência e Inovação defende uma abordagem pedagógica que permita acompanhar a evolução da tecnologia, tendo como prioridade melhorar as aprendizagens.

“São orientações”, sublinhou à Lusa, em declarações prestadas na sexta-feira, 16 de outubro, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, em Tianjin.

O governante reconheceu que a IA oferece oportunidades para desenvolver as competências dos alunos e melhorar as práticas pedagógicas, mas também apresenta riscos que mudam com o aparecimento de novas aplicações.

“Uma das mensagens nas orientações é precisamente a capacidade de adaptação àquilo que são as novas aplicações que vão surgindo, as novas possibilidades”, explicou.

Documento em consulta pública após um ano de trabalho

As orientações resultam de um trabalho desenvolvido ao longo do último ano, com a auscultação de várias entidades e a recolha de centenas de contributos.

O documento foi colocado em consulta pública em 15 de outubro, procurando agora receber novas contribuições das escolas e da comunidade educativa.

Fernando Alexandre adiantou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que acompanha a reforma do sistema educativo português, deverá também contribuir para o texto, nomeadamente na área da transformação digital.

Ministro defende avaliação dos benefícios das ferramentas digitais

O desenvolvimento das competências digitais ocupa um lugar central na estratégia do Governo, afirmou o ministro. Ressalvou, contudo, que a introdução de ferramentas nas escolas deve ser acompanhada de regras e de uma avaliação dos seus benefícios.

Como exemplos, apontou a regulamentação do uso dos telemóveis nas escolas e a diminuição do recurso aos manuais digitais nos últimos dois anos.

“Aquilo que aconteceu nos últimos dois anos foi uma redução até significativa do uso dos manuais digitais, precisamente porque a evidência do seu benefício não era óbvia”, declarou.

Inteligência artificial também coloca desafios à avaliação

Questionado sobre a possibilidade de reforçar as provas orais e presenciais, numa altura em que muitos trabalhos são realizados com recurso à IA, Fernando Alexandre considerou que essa preocupação é particularmente relevante no ensino superior.

“No básico e no secundário, isso não tem uma grande relevância”, afirmou, referindo-se ao peso dos trabalhos realizados fora da sala de aula na avaliação dos estudantes.

O governante reconheceu, porém, que a utilização da tecnologia tem consequências nas duas vertentes: “Estas orientações afetam não apenas o ensino, como também a avaliação”.

Recordou ainda que, enquanto professor universitário, já tinha alterado o modelo de avaliação de uma disciplina em resposta à utilização destas ferramentas.

“Em 2022, mudei no próprio semestre a avaliação, porque tinha um ensaio e ele foi alterado para apresentações orais”, afirmou.

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A hora muda este mês em Portugal: afinal, vai dormir mais ou menos uma hora?

Falta pouco para voltar a acertar os relógios, mas a mudança ainda não acontece neste fim de semana. Portugal entra no horário de inverno na madrugada de sábado, 24, para domingo, 25 de outubro, com um atraso de 60 minutos. Para quem mantiver a hora habitual de se levantar, haverá uma hora adicional disponível para descansar.

A alteração segue a legislação reunida pelo Observatório Astronómico de Lisboa, que determina o regresso à hora de inverno no último domingo de outubro. O ajuste abrange o continente e as duas regiões autónomas, embora os relógios indiquem horas diferentes no momento da mudança.

A que horas é preciso atrasar os relógios?

Em Portugal continental e na Madeira, quando forem 02:00 de domingo, 25 de outubro, os relógios devem regressar às 01:00.

Nos Açores, o ajuste faz-se quando o relógio marcar 01:00, passando novamente para as 00:00. Apesar da diferença na hora local, a mudança ocorre no mesmo instante em todo o território nacional. O arquipélago mantém, assim, menos uma hora do que o continente e a Madeira.

Vamos dormir mais ou menos uma hora?

Nesta mudança, os ponteiros recuam. Isso significa que quem se deitar à hora habitual e acordar pela mesma hora do relógio poderá dormir mais 60 minutos.

Por exemplo, entre as 23:00 de sábado e as 07:00 de domingo decorrerão nove horas, em vez de oito. O descanso efetivo dependerá, naturalmente, dos horários e do sono de cada pessoa.

É o dia civil de domingo que terá 25 horas, devido à repetição de uma hora durante a madrugada. Na passagem para o horário de verão acontece o contrário: os relógios avançam e o dia fica com 23 horas.

O telemóvel muda sozinho?

Os telemóveis e computadores costumam atualizar a hora automaticamente, desde que tenham as definições de data, hora e fuso horário corretamente configuradas. Convém confirmar essas opções antes de domingo, sobretudo se depender de um alarme para trabalhar ou viajar.

Já os relógios de parede, de pulso e alguns equipamentos domésticos ou automóveis podem precisar de ajuste manual. Nestes casos, pode atrasá-los uma hora antes de se deitar ou acertá-los na manhã seguinte.

Porque passa a anoitecer mais cedo?

Depois da alteração, o nascer e o pôr do sol passam a ocorrer uma hora mais cedo no relógio do que ocorreriam mantendo o horário de verão. A mudança não retira uma hora de luz ao dia: altera a forma como os horários das atividades se relacionam com a luz natural.

Em paralelo, os dias continuam a encurtar ao longo do outono. São dois efeitos distintos, embora ambos contribuam para a sensação de tardes mais curtas.

O fim da mudança da hora continua por decidir

A proposta para terminar com as alterações sazonais foi apresentada pela Comissão Europeia em 2018. O Parlamento Europeu adotou a sua posição em 2019, mas o processo não ficou concluído.

O Conselho da União Europeia esclarece que “até ser tomada uma decisão final, manter-se-á o sistema atual”. A sua informação institucional indica que ainda não existe acordo definitivo nem prazo estabelecido para abolir as mudanças.

Por isso, não está confirmado que esta seja a última vez que Portugal atrasa os relógios. Mantendo-se as regras atuais, a passagem seguinte para o horário de verão ocorrerá no último domingo de março: 28 de março de 2027.

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Movimento pela habitação destaca Faro e promete continuar protestos

A mobilização em Faro foi destacada pela porta-voz do movimento pela habitação, Cristiana Leal, num balanço em que classificou a semana de protestos no Porto como o “despertar de um povo”. Em declarações à Lusa no sábado, 17 de outubro, assegurou que o movimento continuará depois de terminar a autorização municipal para se manifestar na Praça D. João I.

“Em Faro também está a haver muita mobilização e eu acredito que vão ser grandes manifestações”, afirmou, sublinhando que “isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”.

Questionada sobre as ações previstas para esse dia noutras cidades, a porta-voz referiu também informações positivas sobre a mobilização na Madeira e destacou os preparativos em Lisboa, tanto para a manifestação como para a acampada anunciada para depois.

Participantes recebidos com palmas na manifestação da CGTP

Cerca de uma centena de pessoas do movimento integrou a manifestação da CGTP, que reuniu milhares de participantes no Porto. A marcha partiu da Praça da Batalha e terminou na Praça D. João I, centro dos protestos pela habitação ao longo da semana.

À chegada, os elementos do movimento foram recebidos com palmas.

“Fomos recebidos com todo o carinho, as pessoas sabem que nós estamos a lutar pelo mesmo que elas, estamos todos a lutar pelo mesmo e é só isso que importa”, afirmou Cristiana Leal.

A porta-voz, identificada pela Lusa como uma das vítimas da carga policial que terminou com a acampada na madrugada de quinta-feira, considerou que a mobilização alcançada representa uma vitória.

“Nós, numa semana, conseguimos mobilizar todas estas pessoas, conseguimos que outras cidades se mobilizassem para se juntar a nós”, salientou.

Movimento quer prosseguir depois de 20 de outubro

Na mesma intervenção, Cristiana Leal apelou à participação na assembleia popular então agendada para as 19:00 de sábado, na Praça D. João I.

A autorização da Câmara do Porto para os protestos naquele espaço é válida até 20 de outubro, mas a porta-voz garantiu que o seu termo não determinará o fim do movimento.

“Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para”, declarou.

Caráter apartidário não impede aproximação a outras causas

Questionada sobre uma eventual associação a outras causas por ter participado na marcha da CGTP, Cristiana Leal respondeu que não se opõe a essa ligação quando estão em causa “a melhoria das condições de vida e o aumento dos salários”.

“Nós somos um movimento apartidário, mas os partidos são formados por pessoas e essas pessoas estão connosco e estão com o nosso movimento”, afirmou.

A porta-voz criticou ainda o presidente da Câmara do Porto, que acusou de ter “agredido e atacado” os manifestantes.

Apesar de participarem na marcha, os membros do movimento não foram autorizados a discursar, uma situação que Cristiana Leal desvalorizou. Depois de entoarem o hino nacional, os jovens gritaram “Pedro Duarte, demissão”.

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ZERO rejeita incineração e quer ampliar tratamento de resíduos no Algarve

O Algarve deve responder à pressão sobre os aterros com a melhoria e ampliação das duas unidades de tratamento mecânico e biológico da Algar, em vez de apostar na incineração, defende a associação ambientalista ZERO.

Em declarações à Lusa em 6 de outubro, o engenheiro ambiental Rui Berkemeier explicou que as propostas tinham sido transmitidas à ministra do Ambiente numa reunião realizada na sexta-feira anterior.

Separar resíduos domésticos dos produzidos pelas empresas

“Propusemos, para já, um primeiro passo, separar os resíduos de origem doméstica dos de origem das atividades económicas, como os resíduos dos hotéis”, afirmou o ambientalista.

Segundo Rui Berkemeier, os produtores de mais de 1.100 litros diários de resíduos equiparados a urbanos devem ter um sistema próprio de gestão. O responsável considera que esta obrigação não está a ser inteiramente respeitada na região, contribuindo para o enchimento dos aterros.

Para os resíduos indiferenciados, a ZERO propõe aproveitar e reforçar as instalações existentes, “em vez da construção de novas instalações ou da aposta na incineração”. Berkemeier argumentou que procurar novas localizações traria dificuldades políticas acrescidas.

Matéria orgânica deve ser tratada antes de chegar ao aterro

O tratamento mecânico e biológico permite tratar a matéria orgânica, incluindo restos de comida, que está na origem de problemas como odores, produção de metano e águas residuais mais difíceis de tratar, explicou o engenheiro ambiental.

A associação considera insuficiente o Plano de Ação para os Resíduos Urbanos (PAPERSU) da Algar, gestora do sistema de resíduos no Algarve, sustentando que deixa cerca de 70 mil toneladas sem tratamento.

“Não podem receber resíduos orgânicos em bruto como estão a receber hoje”, afirmou Rui Berkemeier, defendendo que o tratamento da matéria orgânica “deve ser assegurado antes da deposição em aterro”.

Nova célula do aterro recebeu decisão ambiental condicionada

A ZERO aponta a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da nova Célula D do Aterro Sanitário do Sotavento, em Loulé, como um reforço dos seus argumentos. Emitida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, a decisão é favorável condicionada. Prevê uma capacidade de cerca de 875 mil toneladas, uma deposição anual de 150 mil toneladas e uma vida útil estimada entre cinco e oito anos.

O documento destaca os contributos da ZERO e da Almargem na consulta pública, nomeadamente os alertas para a deposição de resíduos orgânicos não tratados e para as insuficiências dos sistemas de recolha e triagem.

A DIA refere que a deposição de resíduos com fração orgânica não estabilizada “constitui uma ilegalidade” à luz do Regime Jurídico da Deposição de Resíduos em Aterro. Para Berkemeier, esta conclusão reforça a necessidade de alterar as práticas nos aterros existentes, evitando a deposição direta de resíduos indiferenciados com matéria biodegradável.

Estudo da APA deve avaliar alternativas já em funcionamento

A associação criticou ainda a ministra por destacar publicamente a incineração sem mencionar o tratamento mecânico e biológico. Segundo o ambientalista, a governante tinha afirmado na reunião que “todas as soluções estão em aberto”.

A ZERO defende que o estudo a realizar pela Agência Portuguesa do Ambiente avalie as soluções existentes no Algarve e alternativas em funcionamento noutras regiões do país, nomeadamente no Alentejo.

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Culatra vai testar hidrogénio para armazenar energia solar

Uma comunidade de energia renovável na ilha da Culatra deverá aproveitar os excedentes de eletricidade solar para produzir e armazenar hidrogénio, que permitirá gerar novamente eletricidade quando a procura aumentar e a produção solar diminuir. A solução integra o projeto internacional H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora (UÉ).

Iniciado em 2024, com duração prevista até 2030 e um orçamento global de nove milhões de euros, o projeto reúne 29 parceiros de sete países, entre universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas.

Num comunicado divulgado em 13 de outubro e citado pela Lusa, a universidade explicou que a iniciativa pretende testar aplicações concretas no Algarve e no Alentejo, abrangendo a produção, o transporte, o armazenamento e a utilização de hidrogénio renovável.

Culatra combina armazenamento com redes inteligentes

Na Culatra, a demonstração prevê integrar o armazenamento de energia sob a forma de hidrogénio com redes inteligentes. O sistema utilizará a eletricidade excedente nas horas de maior produção solar, guardando esse recurso para responder a períodos de menor disponibilidade.

A vertente algarvia complementa as intervenções previstas no Alentejo, onde o projeto procura criar um “vale do hidrogénio”, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos.

O objetivo é “passar da investigação e planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, edifícios e sistemas energéticos locais”, refere a UÉ.

Sines terá unidade de produção com 15 megawatts

Em Sines, no distrito de Setúbal, está projetada uma unidade de eletrolisadores de 15 megawatts para produzir hidrogénio renovável, também conhecido como hidrogénio verde.

“O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injetado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo”, explicou a universidade.

No conjunto, o H2tALENT prevê produzir mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a aplicações na indústria, na mobilidade e nos edifícios.

Frotas municipais e piscina entre as aplicações previstas

Em Alandroal, no distrito de Évora, está previsto apoio à conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio.

Na cidade de Évora, o foco será o aquecimento de edifícios. Entre as demonstrações programadas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal.

Hugo Gonçalves Silva, professor de Física da UÉ e coordenador do H2tALENT, salientou que a iniciativa pretende “ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”.

O projeto, coordenado pela Universidade de Évora, é financiado pelo programa Horizon da Comissão Europeia, através da Clean Hydrogen Joint-Undertaking.

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Posso conduzir se tiver cataratas? Saiba o que diz a lei

O diagnóstico de cataratas não implica necessariamente uma proibição geral de conduzir. A aptidão depende da capacidade visual, da evolução da doença e do cumprimento dos requisitos exigidos para os veículos que o titular está habilitado a conduzir. Não basta, portanto, atender apenas ao nome da doença ou à validade indicada na carta.

Segundo o Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 138/2012, de 5 de julho, a avaliação considera não apenas a acuidade visual, mas também o campo visual, a visão crepuscular, o encandeamento, a sensibilidade aos contrastes e a diplopia, ou visão dupla. Estas condições constam do anexo V do regulamento.

Cataratas não aparecem como proibição automática

Dois condutores com cataratas podem encontrar-se em situações diferentes. Uma pessoa pode conservar uma capacidade visual compatível com a condução, enquanto outra deixa de reunir as condições necessárias. A legislação não estabelece uma autorização ou proibição baseada exclusivamente nesse diagnóstico.

Sempre que existam razões para duvidar de que a visão é adequada, o anexo V determina que o candidato ou condutor seja examinado por um oftalmologista. A avaliação deve esclarecer como as alterações visuais interferem com a segurança ao volante.

Para ligeiros existe um mínimo de visão

No Grupo 1, que abrange a generalidade dos condutores de automóveis ligeiros e motociclos, a lei exige uma acuidade visual binocular mínima de 0,5, ou 5/10, utilizando os dois olhos em simultâneo, com ou sem correção ótica. Trata-se de um dos requisitos, não de uma garantia de aptidão independentemente das restantes funções visuais.

Quando são necessários óculos ou lentes de contacto para atingir os valores mínimos, o seu uso durante a condução deve ser imposto como restrição. Existem ainda regras próprias para situações de visão monocular, que não devem ser confundidas com a avaliação binocular.

Pesados e alguns profissionais têm regras mais exigentes

O Grupo 2 inclui os condutores de pesados de mercadorias e passageiros, como os titulares das categorias C e D. Abrange também determinados condutores das categorias B e BE, nomeadamente quando conduzem ambulâncias, veículos de bombeiros, transporte de doentes, transporte escolar, transporte coletivo de crianças ou automóveis ligeiros de passageiros de aluguer, conforme o artigo 22.º do regulamento.

Para este grupo, a acuidade visual mínima é de 0,8, ou 8/10, no melhor olho e de 0,5, ou 5/10, no pior, com ou sem correção ótica. Quando estes valores são atingidos com correção, existem requisitos adicionais relativos à visão sem correção e à potência das lentes utilizadas.

Conduzir à noite também pode ser relevante

A acuidade visual não é o único fator avaliado. A lei dedica atenção à capacidade de ver com pouca luminosidade, que pode determinar condições diferentes para a utilização do veículo. Nos condutores do Grupo 1, a verificação de visão crepuscular deficiente determina, pelo menos, uma restrição que limita a condução ao período diurno. Não se trata apenas de uma recomendação para evitar conduzir à noite, mas de uma limitação prevista no ponto 1.6.1 do anexo V.

Para o Grupo 2, a consequência é mais exigente: o título não pode ser emitido ou revalidado a candidatos ou condutores que apresentem deficiência da visão crepuscular.

Doença progressiva exige acompanhamento específico

Há outra condição que não deve ser ignorada. Segundo o ponto 1.7 do mesmo anexo, se for detetada ou declarada uma doença oftalmológica progressiva, o título só pode ser emitido ou revalidado para o Grupo 1, ficando sujeito a exame anual por oftalmologista. A avaliação da evolução da doença é, por isso, relevante, além dos resultados obtidos num determinado exame.

Assim, ter cataratas não significa necessariamente deixar de conduzir, mas exige verificar se continuam reunidas as condições aplicáveis. A avaliação médica determina a aptidão e as eventuais restrições. O artigo 16.º do regulamento recorda ainda que a validade da carta depende da manutenção das condições mínimas de aptidão física, mental e psicológica, não apenas da data impressa no documento.

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