Produtores do Algarve ‘plantam’ laboratório de meio milhão para citrinos “com pés no pomar”

A algarvia Frusoal, que se apresenta como a maior organização de produtores de citrinos do país, investiu 515 mil euros na criação de um centro de investigação e desenvolvimento (I&D) para o combate a pragas e doenças, encontrar novos aproveitamentos para subprodutos e estudar métodos e práticas de cultivo para uma agricultura mais sustentável.
O designado Laboratório Frusoal InovCitrus vai ser apresentado esta sexta-feira pela empresa sediada em Vila Nova de Cacela, no concelho de Vila Real de Santo António, que junta 65 produtores locais numa área agrícola que ronda os 1.500 hectares e que são responsáveis por uma produção anual superior a 40 mil toneladas de fruta.
O diretor financeiro, João Duarte, ambiciona “um laboratório com os pés nos pomares, que trabalhe de perto com o sistema científico regional e nacional, mas sempre com uma visão prática, orientada para quem produz”. “A nossa ambição é afirmar o Frusoal InovCitrus como referência de conhecimento para a agricultura algarvia e a citricultura nacional”, acrescenta.
De acordo com os dados fornecidos ao ECO/Local Online, a organização fundada em 1990 gerou um volume de negócios conjunto de 34,4 milhões de euros no ano passado e assegura atualmente 220 postos de trabalhos diretos e outros 150 indiretos dos grupos de colheita. Além dos citrinos –- que pesam 80% — e dos figos, nos últimos anos tem diversificado a produção com dióspiro ou abacate.
Cerca de 75% da produção da Frusoal é escoada através das principais marcas de hipermercados e supermercados em Portugal, ao passo que o restante é exportado sobretudo para mercados como Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Polónia e Suíça. Mais recente é a entrada no Canadá, com a empresa algarvia a apontar agora à expansão para Itália e para os países da Escandinávia.
A sociedade Frusoal – Frutas do Sotavento Algarve Lda., que em 2007 arrancou com a produção própria, é atualmente o maior produtor dentro da própria organização algarvia, que reclama a liderança no mercado grossista. Uma posição que começou a reforçar logo dois anos depois com a aquisição da Tavifruta, que permitiu na altura expandir a sua capacidade de laboração para um segundo armazém.
Centro de I&D estreia-se com praga que afeta citrinos do Algarve
Num projeto que terá a duração de três anos, o Laboratório Frusoal InovCitrus vai arrancar com um estudo do ciclo de vida do inseto tripes oriundo da África do Sul (Scirtothrips aurantii), para responder à “escassez de conhecimento científico” sobre esta praga que já é uma ameaça fitossanitária emergente para a citricultura algarvia.
Classificado como praga de quarentena na União Europeia, este inseto que se alimenta de rebentos, folhas e frutos em desenvolvimento, e provoca cicatrizes na epiderme do fruto, foi detetado pela primeira vez em Portugal em dezembro de 2022, no concelho de Tavira. Desde então, as zonas demarcadas multiplicaram-se e, em janeiro deste ano, a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) contabilizava 106 zonas demarcadas no Algarve para esta espécie.
A Frusoal descreve que “os danos são essencialmente estéticos, mas podem tornar o fruto não conforme para comercialização em fresco, com prejuízos económicos relevantes para os produtores acima dos 50%, quando normalmente anda na ordem dos 20%. Até 2028, este projeto vai avaliar a dinâmica populacional da praga em pomares de laranja, tangerina, limão e lima desta região.

Esta iniciativa é desenvolvida em colaboração com o InnovPlantProtect, entidade especializada em entomologia agrícola, com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, contando com a coordenação da equipa técnica da empresa de Vila Nova de Cacela. As atividades vão decorrer em pomares da Frusoal e dos seus associados e em campos do Centro de Experimentação Agrária de Tavira.
“Há três anos que a citricultura algarvia convive com uma praga sobre a qual sabemos ainda muito pouco. O InovCitrus nasce para transformar essa falta de conhecimento em decisões práticas e eficazes para os nossos produtores”, justifica Tomás Magalhães, técnico responsável por este que é o primeiro projeto do laboratório de I&D.







A gigante dinamarquesa NKT investiu cerca de 50 milhões de euros na expansão da produção de cabos de energia de média e alta tensão em Esposende, reforçando também em centena e meia o número de trabalhadores integrados na fábrica da antiga Solidal, que emprega agora um total de 580 pessoas neste concelho do distrito de Braga.




