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Digi admite sair de Portugal e pede à Anacom que repense decisão de renovar licenças


A operadora de telecomunicações Digi admitiu esta sexta-feira abandonar o mercado português caso as condições concorrenciais não melhorem.

“Um dos desfechos pode ser sairmos de Portugal. É um dos cenários no estudo de Abel Mateus. Se não tivermos os recursos apropriados, a legislação certa, nunca se sabe. Ainda é algo que terá de ser ponderado mais tarde, mas temos de ter as ferramentas necessárias para não o fazer”, disse o diretor executivo do grupo Digi, Valentin Popoviciu, em conferência de imprensa a partir de Lisboa.

A empresa entrou em Portugal em 2024 pede à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) que reconsidere a decisão de renovar as licenças de espetro para a Meo, a Nos e a Vodafone. Apesar de o regulador ter optado por períodos mais curtos de direitos de utilização, o mais recente player neste mercado defende que não é suficiente para salvaguardar uma concorrência leal no mercado e reitera que a solução seriam leilões.

A subsidiária do grupo romeno Digi Communications, que emprega 1.900 pessoas no país e fez um investimento de 700 mil euros, sugere que os direitos que caducam em 2027 sejam atribuídos por procedimento concorrencial, com um limite por operador e um bloco reservado a quem tem menos espetro de cobertura. Na prática, a empresa que comprou a Nowo pretende que a Anacom faça leilões com diferentes limites de espetro.

“Pedimos que faça um ajuste e nos dê compensações e remédios para que haja um ambiente em que todos possam investir e e competir no mercado“, referiu Valentin Popoviciu, em declarações aos jornalistas, a quem esclareceu que Portugal não é um mercado difícil, mas requer os “recursos adequados disponíveis”. “Os consumidores estão contentes e veem que os valores são estáveis, mas precisamos de volume de mercado, que se consegue com o espetro”, salientou o gestor romeno.

Nós queremos comprar mais espetro, investir mais, mas a Anacom tem de atualizar as condições em 2027 e 2033.

Valentin Popoviciu

Diretor executivo do grupo Digi

“Um leilão com limites para os incumbentes e um bloco reservado à entrante é sempre superior do que uma renovação automática. O que é que a Digi necessita para exercer concorrência? Que se faça um leilão com limites por empresa e bloco reservado. Não se está a prejudicar nenhum incumbente“, explicou o economista Abel Mateus, autor do estudo que serviu de base à contribuição da Digi para a consulta pública da Anacom.

A proposta da Digi é que, caso a Anacom opte pela renovação, deve instituir três condições: a atribuição do bloco de 2×5 MHz (que estão por atribuir desde 2021) na faixa dos 700 MHz ao operador com menos espetro abaixo de 1 GHz, sem que nenhuma empresa perca direitos. Por outro lado, a Digi pede que o regulador associe condições de partilha de espetro e de acesso (roaming nacional) à renovação das licenças da Meo, Nos e Vodafone. E não renovar os 140 MHz que não foram pedidos, alinhando os prazos em 2033.

Sobre estes remédios propostos pela Digi, o economista Abel Mateus disse que têm por base a análise da Lisbon Economics e esclareceu que “estes remédios baseiam-se naquilo de que a Digi precisa para ser um concorrente efetivo no mercado”. “Os dois primeiros são fundamentais para este momento e o terceiro é mais para o futuro”, sublinhou o antigo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC). “Não me parece que a Apritel seja contra os remédios que estão aqui pedidos pela Digi”, disse o professor Abel Mateus.

Confrontada com a ideia de que a Digi poderia ter comprado, no leilão de 2021, o lote de 700 MHz que ficou por vender, a operadora com origem em Bucareste retorquiu que pagou mais pelo espetro abaixo de 1 GHz do que os outros pagaram pelos 700 MHz. “Em 2021, a Digi pagou 30 milhões de euros por 2×5 MHz na banda de 900 MHz, 56,2% mais do que os 19,20 milhões de euros que cada titular pagou por um lote de 700 MHz no mesmo leilão”, sustentou a operadora.

Os autores do estudo da Lisbon Economics pretende que a decisão seja avaliada à luz dos dois critérios estabelecidos na lei (o bem-estar dos consumidores e a utilização eficiente do espetro) e que qualquer renovação tenha como condições o acesso às redes e ao roaming nacional, como recomendou a AdC a 9 de outubro, sendo também ponderada a posição do BEREC – Body of European Regulators for Electronic Communications.

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Renovação de licenças proposta pela Anacom fixa mercado das telecomunicações em 20 anos


A proposta de renovação de licenças para telecomunicações, apresentada pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), fixa o mercado por 20 anos e evita que os consumidores ganhem até 3,5 mil milhões de euros nos próximos 15 anos, por haver um panorama menos concorrencial, conclui um estudo da Lisbon Economics, encomendado pela Digi, apresentado esta sexta-feira.

A Digi pediu ao economista Abel Mateus para analisar o que o projeto de decisão do regulador, para os direitos de utilização de espetro da Meo, Nos e Vodafone, não teve em conta: o impacto da renovação no bem-estar dos consumidores e na utilização eficiente do espetro, os dois critérios centrais na defesa do consumidor.

Segundo a investigação da Lisbon Economics, a Anacom calculou o valor da renovação para os três principais operadores, de 550,3 milhões de euros (359,5 milhões a valor atual), mas não mediu o custo para os consumidores. Num mercado mais competitivo e com capacidade para atrair mais novos entrantes, os consumidores teriam um ganho de até 3,5 mil milhões de euros nos próximos 15 anos, o que perfaz um excedente de cerca de 32,3%.

“A decisão vai definir o mercado por 20 anos [até à década de 2040]”, afirmou o professor académico Abel Mateus, autor principal do estudo e fundador da Lisbon Economics, em conferência de imprensa. “Tenho pena que um tema como este não tenha suscitado um debate público. O regulador tem de permitir que haja concorrência. O espetro, que permite as comunicações móveis, é um bem público, como a segurança ou a educação“, alertou o economista.

A distribuição do espetro abaixo de 1 gigahertz (GHz) é considerada o principal obstáculo à concorrência. Porquê? A Digi detém 5,6% do espetro em utilização e a Meo, Nos e Vodafone 94,4%, mas a operadora romena tem de instalar 437,6 estações por megahertz (MHz) para obter uma cobertura eficiente, enquanto os incumbentes têm 99,7 estações (4,39 vezes menos).

“[Abaixo de] 1 GHz é o que permite entrar nas casas, pelas paredes, portanto uma empresa que não tenha acesso suficiente vai estar sempre limitada no seu impacto. Não entendo como uma regulador decide com base em critérios qualitativos. Não há um critério científico. o critério de um regulador, seja ele qual seja, deve ser o bem-estar social, ainda mais quando é um serviço prestado à comunidade”, referiu Abel Mateus, em declarações aos jornalistas.

Em causa está o facto de a Anacom ter decidido prolongar um conjunto de direitos de utilização de frequências em várias faixas do espetro (intervalos de frequência) por períodos que vão até 2033 e 2042, dependendo da faixa em si e da empresa (Meo, Nos ou Vodafone). Ou seja, o regulador optou por períodos mais curtos para manter a capacidade de intervenção no mercado. No entanto, como as operadoras tinham pedido o prolongamento das licenças por 20 anos, têm estado em diferendo. A Apritel, que as representa, caracterizou a decisão de “errada”, porque “prejudica Portugal” e penaliza “a capacidade de investimento” das empresas.

A Digi também se mostrou contra, desde logo, a decisão abrange 487 MHz – quase metade dos 1.000 MHz atribuídos em Portugal – e porque seriam renovados sem procedimento concorrencial 467 MHz, dos quais 140 que as empresas não pediram. “Abaixo de 1 GHz, a banda que assegura a cobertura no interior dos edifícios e fora das cidades é renovada em 92 dos 112 MHz dos três operadores, sem procedimento concorrencial”, lê-se na análise entregue ao regulador a 8 de outubro, precisamente na véspera do fim da consulta pública sobre o sentido provável de decisão sobre a renovação dos direitos de utilização do espetro pelo regulador.

Preço baixou 5% com mais operador, mas Digi construiu estações 30% mais baratas

O estudo da Lisbon Economics, que demorou cerca de quatro meses a fazer, indica que a entrada de um quarto operador teve efeitos positivos nas mensalidades pagas pelos consumidores. No ano passado, o primeiro completo após a entrada do quarto operador, o valor médio pago por cliente móvel reduziu 4,8%, de 8,37 euros para 7,97 euros mensais. Em 2026, as marcas de baixo custo dos três operadores estabelecidos baixaram o seu plano mais barato (Amigo, Uzo…) para cinco euros.

“O que aconteceu no mercado é que este entrante beneficiou de ser o último a entrar, porque tinha a tecnologia disponível (existem legacy costs) e conseguiu construir os sites (torres) a um custo mais baixo do que os outros. Houve um custo médio 30% mais baixo”, revelou o professor Abel Mateus, que foi o primeiro presidente da Autoridade da Concorrência. Então, o trio de incumbentes acabou por responder à oferta de valor mais baixo com preços também inferiores.

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Fusões e aquisições no sul da Europa mobilizam mais 37% de capital no primeiro semestre


O valor movimentado em fusões e aquisições (M&A) do sul da Europa cresceu 37% no primeiro semestre, para um total de 147,7 mil milhões de euros, de acordo uma análise da auditora internacional Forvis Mazars divulgada esta quinta-feira. Apesar de uma ligeira descida de 6% no número de operações, o mercado transacional nesta região do Velho Continente mobilizou mais capital.

As grandes transações – os chamados megadeals – e o contínuo interesse dos investidores internacionais contribuíram para impulsionar a atividade nesta zona da Europa, onde se insere Portugal. No entanto, o mercado português prossegue em contraciclo, com um total de 800 milhões de euros entre janeiro e junho, abaixo dos 6,3 mil milhões de euros registados no período homólogo.

Segundo o grupo de auditoria, fiscalidade e consultoria, o número de operações de M&A em Portugal caiu 37%, para 82, embora nesta contabilização apenas entrem transações de valor mais alto, porque a Forvis Mazars baseou-se nos dados da Mergermarket – que só olha para negócios acima de cinco milhões – em Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia.

Os investimentos em destaque no radar da Forvis Mazars foram o do grupo Sabseg, de mediação de seguros e gestão de risco, na gestora de investimento Miura Partners (600 milhões de euros) e o aumento da participação da Schroders na empresa de 2% para 20%. Segue-se a compra do hotel de cinco estrelas Caesar Park, um resort de golfe em Sintra, por 140 milhões de euros, por parte do Catterton Management e da Cedar Capital Partners.

“As três maiores operações anunciadas em Portugal no primeiro semestre de 2026 foram lideradas por compradores internacionais – do Reino Unido, de Espanha e dos Países Baixos – o que confirma o interesse dos investidores estrangeiros no mercado português de fusões e aquisições”, lê-se no estudo “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”.

Embora o mercado português de M&A registe um número de transações menor, a verdade é que existem muitas oportunidades. A atividade subjacente em operações de menor e média dimensão continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados.

Filipa Matias

Senior Manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal

A Forvis Mazars considera que as perspetivas para a atividade de M&A no sul da Europa continuam positivas, porque as condições de financiamento mantêm-se globalmente favoráveis, existe um volume significativo de empresas disponíveis para venda devido a processos de sucessão e as empresas continuam a reavaliar e a ajustar os seus portefólios de negócios. Ademais, a digitalização, a transição energética, a inovação na saúde e a transformação da indústria deverão continuar a impulsionar os negócios a longo prazo, apesar das tensões geopolíticas e da subida dos preços da energia e das taxas de juro.

O fluxo de potenciais operações aponta também para um segundo semestre e um período subsequente potencialmente ativos. Das 608 notícias sobre empresas do sul da Europa disponíveis para venda identificadas pela Mergermarket no primeiro semestre, 126 diziam respeito a empresas de bens de consumo e 114 aos setores industrial e químico. Itália concentrou 237 destas notícias, seguida de Espanha, com 177. Por outro lado, em Portugal foram identificadas apenas 33 oportunidades de M&A em 12 diferentes setores.

“A perspetiva positiva é sustentada por algumas operações com o apoio de fundos de capital de risco, pelo interesse contínuo de investidores estrangeiros e pela consolidação em setores fragmentados. A atividade é particularmente visível em áreas como a tecnologia, os serviços empresariais, a indústria e os ativos imobiliários e hoteleiros”, defende a consultora Filipa Matias.

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Consultora Bain prevê contratar quase 50 pessoas em Portugal até ao final de 2027


A consultora internacional Bain & Company pretende contratar quase 50 pessoas para o escritório de Lisboa, para atingir os 150 trabalhadores em Portugal, até ao final do próximo ano. A empresa de assessoria estratégica a organizações e fundos de investimento tem como objetivo crescer de forma transversal em todos os departamentos, da consultoria à tecnologia.

Especializada em fusões e aquisições, transformação digital e sustentabilidade, a consultora norte-americana conta neste momento com pouco mais de uma centena colaboradores em Portugal, onde está presente desde 2022.

O objetivo do recrutamento é “continuar a servir empresas que operam nos principais setores económicos, assim como de continuar a fazer crescer o negócio a um ritmo de duplo dígito”, disse fonte oficial da Bain & Company ao ECO. As áreas que precisam de reforços são consultoria, conhecimento e desenvolvimento de metodologias, serviços globais ao negócio, inteligência artificial (IA) e analítica e perceções do consumidor (consumer insights).

O movimento surge na sequência da inauguração do novo escritório na capital portuguesa, mais precisamente no Príncipe Real. Este verão, a empresa decidiu reunir, num mesmo espaço, a atividade de consultoria e as equipas dedicadas às outras funções mais digitais e de análise de dados, que também trabalham para outros mercados globais. A sede lisboeta da Bain instalou-se no empreendimento Anjos Urban Palace e conta com cerca de 2.000 metros quadrados distribuídos por quatro pisos e capacidade para até 250 pessoas.

“O novo escritório e o polo de competências avançadas assinalam uma nova fase do compromisso da Bain com Portugal, com mais escala e maior amplitude de capacidades. Reunimos hoje, sob o mesmo teto, diferentes valências da Bain, desde a consultoria às equipas de conhecimento, serviços globais e IA, numa operação em Lisboa cada vez mais preparada para responder ao mercado nacional e contribuir para clientes e equipas da Bain em todo o mundo”, disse o sócio Álvaro Pires, aquando da inauguração oficial em setembro.


O sócio Francisco Montenegro explicou que Portugal superou as expectativas iniciais. “No primeiro ano, atingimos mais de 50% do plano projetado para 2028, um resultado que demonstra a robustez da nossa operação e o impacto que a Bain já está a ter no mercado. Estamos agora numa fase de crescimento acelerado, em equipa, volume de negócio e impacto junto dos clientes, que marca uma nova etapa da presença da Bain em Portugal”, referiu.

Em entrevista ao jornal espanhol Expansión, divulgada na semana passada, o presidente global da Bain & Company confirmou que o negócio na Península Ibérica estava a crescer a um ritmo superior. “Globalmente, a nossa previsão para este ano é de um aumento de 12% no número de colaboradores, devido ao crescimento do negócio. Em Espanha e em Portugal, aumentaremos o pessoal em mais de 20%, em linha com as vendas”, revelou Manny Maceda, quando questionado sobre os receios de vagas de despedimentos no setor da consultoria devido à IA.

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ACT está a inspecionar suspensão de contrato para 100 trabalhadores da Accenture


A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) abriu um processo de inspeção à suspensão de contrato para cerca de 100 trabalhadores da consultora Accenture, na sequência de um relatório médico que concluiu que os funcionários estavam “aptos condicionais” para realizar as suas funções.

O esclarecimento foi dado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em resposta às perguntas do PCP sobre o caso que terá ocorrido no escritório de Miraflores/Algés após consultas da Medicina do Trabalho.

“Encontra-se em curso processo inspetivo para apuramento dos factos relatados e para verificação do cumprimento das normas laborais. Caso seja necessário, serão adotados os procedimentos inspetivos que se revelarem adequados e proporcionais aos factos. A ACT, no âmbito das suas atribuições e competências, continuará a acompanhar a situação”, informa o gabinete de Maria do Rosário Palma Ramalho.

Contactada pelo ECO, a Accenture garantiu que “está comprometida em atuar de forma responsável e em conformidade com a legislação laboral portuguesa” e esclareceu que “as decisões relacionadas com postos de trabalho são avaliadas caso a caso”, mas recusou fazer comentários a situações laborais individuais.

Depois da avaliação médica ter concluído que os colaboradores podiam trabalhar, embora com limitações, a Accenture terá decidido suspender os seus contratos, argumentando com o que está estabelecido no artigo 296.º do Código do Trabalho, que determina a suspensão se o trabalhador sofrer um impedimento temporário que não lhe seja imputável e que dure mais de um mês, como doença, acidente ou serviço militar.

A principal alegação, segundo os deputados comunistas, ter-se-á prendido com a ausência de funções compatíveis com as limitações ou recomendações médicas dos trabalhadores. “Acresce que a empresa terá ainda retirado, em alguns casos, acessos a plataformas e ferramentas internas, incluindo canais de contacto com os recursos humanos”, referiu o PCP, questionando o Governo sobre se vai tomar medidas para adaptar os postos de trabalho e proteger os trabalhadores com limitações de saúde relacionadas com as funções.

Encontra-se em curso processo inspetivo para apuramento dos factos relatados e para verificação do cumprimento das normas laborais. Caso seja necessário, serão adotados os procedimentos inspetivos que se revelarem adequados e proporcionais aos factos. A ACT, no âmbito das suas atribuições e competências, continuará a acompanhar a situação.

Ministério do Trabalho e da Segurança Social

O grupo parlamentar do PCP foi mais longe e mencionou que haveria trabalhadores cujos problemas de saúde poderiam estar relacionados com as condições em que o trabalho é prestado, embora tenha remetido a devida avaliação para as entidades competentes.

“Agora a empresa diz que o cliente quer terminar o projeto e que não têm mais trabalho para estas pessoas, mas é uma forma de não os despedirem, até porque não há extinção do posto de trabalho. É pressionar estas pessoas a despedirem-se, o que não lhes dá acesso ao subsídio de desemprego”, disse à revista Sábado Ricardo Mendes, dirigente do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, que está a acompanhar o caso destes trabalhadores.

Foi precisamente o CESP que trouxe este caso a público, no início de outubro, após ter tomado conhecimento do plano da Accenture de suspender contratos de cerca de 100 trabalhadores do escritório de Algés/Miraflores com um argumento que o sindicato caracteriza de “desculpa esfarrapada”.

O CESP relatou que os trabalhadores foram considerados, pela Medicina do Trabalho, “aptos condicionais”, portanto mantinham-se disponíveis para trabalhar dentro das limitações médicas definidas, e recusou aceitar que esse termo fosse tratado como “inapto” dentro da empresa, a quem acusa de “falta de interesse em encontrar soluções” para evitar a suspensão sem remuneração.

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Miranda Sarmento admite “olhar para o tema das derramas estaduais” em 2028


O ministro de Estado e das Finanças disse esta quarta-feira que o Governo terá de “olhar” em 2028 para as derramas estaduais, as taxas adicionais cobradas às empresas com mais lucros.

“A redução de IRC é bastante importante e a seguir, em 2028, teremos de olhar para o tema das derramas estaduais”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento, numa conferência dedicada ao Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), organizada pela consultora EY e pelo Jornal Económico.

As declarações surgem após, no ano passado, o ministro das Finanças ter admitido baixar gradualmente a derrama estadual do IRC que incide sobre empresas com lucros superiores a 1,5 milhões de euros, embora tivesse remetido a decisão para “mais tarde” e com “prudência” e “responsabilidade” para manter as contas públicas equilibradas.

Na intervenção desta manhã, no Centro Cultural de Belém, o ministro de Estado e das Finanças não apresentou mais detalhes sobre o plano do Executivo. Contudo, garantiu que o facto de a economia ter superávites e a dívida pública estar a descer “mais rápido do que o plano orçamental” coloca Portugal “numa posição bastante confortável”.

No que diz respeito à proposta de Orçamento do Estado para 2027, entregue há duas semanas no Parlamento, Joaquim Miranda Sarmento disse que “este é um Orçamento sem medidas avulsas” e “expurgado de cavaleiros orçamentais”. E destacou a redução da carga fiscal de impostos em percentagem do PIB até aos 23,8%.

“O crescimento de emprego e salários é muito significativo e faz-nos questionar se o INE não fará uma grande revisão do PIB em março do próximo ano, por este efeito e o do IVA, e também por teremos mais 800 mil pessoas do que as estatísticas oficiais”, reiterou.

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"Tem havido muita propaganda de descontrolo das contas públicas, com esta manipulação relativamente da despesa total nominal. Quando olhamos para o que é fundamental na despesa, ela está perfeitamente controlada e tem crescido ao PIB nominal.”

Joaquim Miranda Sarmento

Ministro de Estado e das Finanças

Joaquim Miranda Sarmento respondeu ainda a uma “análise bastante superficial” de que constam no OE2027 mais 6,2 mil milhões de euros de despesa do que estava inscrito para este ano. Ou seja, a diferença entre o documento apresentado em outubro de 2025 e em outubro de 2026, que o ex-ministro das Finanças Mário Centeno assinalou como “desvio” numa recente entrevista ao Jornal de Notícias.

“Esta diferença é despesa de capital (investimento) e teve a ver com o PRR – porque acabou por ser executada em 2026 – e toda a recuperação das tempestades”, retorquiu o governante, dando como exemplo a isenção de TSU dos empregadores da região Centro que é registada nas contas nacionais como despesa, apesar de ser perda de receita.

Numa retrospetiva aos últimos anos de Governos da AD, Joaquim Miranda Sarmento fez referência não só aos excedentes orçamentais como à redução da dívida pública, de cerca de 93% em 2024 para 87% este ano e 84,5% em 2027.

“O investimento total público e privado estabilizou em percentagem do PIB e as exportações recuperaram. A quebra de 2025 está muito marcada por um primeiro trimestre com incerteza da política comercial da nova administração americana e das tarifas e de uma paragem significativa da refinaria de Sines”, recordou ainda.

“Sobretudo em 2025-2026 invertemos a destruição de capital público. Em 2027, mesmo com o fim do PRR, manteremos um nível de investimento público acima da depreciação do stock do capital público”, referiu sobre as previsões que constam no OE2027.

“Foi um ano bastante difícil – ainda não acabou, portanto rezemos todos para que não aconteçam mais tragédias ou eventos externos de impacto negativo – mas temos uma economia que cresce e com menos impostos e equilíbrio das contas públicas”, concluiu o ministro das Finanças.

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Ó Capital, fundador da Vallis e ex-administrador da PHC criam empresa para tornar “tip-top” decisões de CEO


That’s tip top! Foi esta expressão anglo-saxónica que inspirou a nova empresa portuguesa de consultoria e formação digital para profissionais. A sociedade de investimentos Ó Capital, liderada pela empresária Sara do Ó, o engenheiro e gestor Rogério Canhoto e o investidor Luís Palma da Graça, fundador da Vallis Capital Partners, juntaram-se para criar uma sociedade destinada a acelerar a adoção de inteligência artificial (IA) nas pequenas e médias empresas (PME).

A Tip Top arrancou no início de setembro com uma equipa composta pelos três sócios, três consultores, três formadores certificados, um CEO (Luís Fonseca) e uma COO (Ana Canhoto), mas prevê que “rapidamente” terá de recrutar, conforme avançou ao ECO o sócio cofundador Rogério Canhoto, ex-administrador da PHC Software.

“Tenho-me especializado muito na IA, não na competência tecnológica, mas em como é que pode dinamizar os negócios, seja porque reduz custos e aumenta receitas, seja porque tomamos decisões mais bem informadas. E, nas várias interações que vou tendo, descobri que a maior parte dos gestores sente algumas dificuldades, porque não foram treinados para esta nova realidade”, afirma Rogério Canhoto.

O objetivo é guiar as empresas na aplicação de IA e apoiar a tomada de decisão por parte de CEO, CFO (Chief Financial Officer) e outros executivos. Ou seja, dar-lhes a entender para que pode servir a IA no seu caso específico, por onde é que devem começar, que ferramentas devem comprar para resolver os problemas que têm, definir prioridades, fazer uma lista de fornecedores da tecnologia e avaliar a adoção. No fundo, tentar colocar as organizações no “topo do topo”.

A Tip Top trabalha com Copilot da Microsoft, o Claude da Anthropic e ChatGPT da OpenAI. “Não implementamos tecnicamente as soluções de IA. Não vendemos soluções de IA”, ressalva Rogério Canhoto, que conta com mais de 25 anos de experiência nas áreas de tecnologia, media e telecomunicações e é coordenador executivo do programa avançado em IA para Gestão do ISCTE Executive Education.

É urgente que os gestores à frente das empresas percebam não só o potencial da IA, mas como é que podem transportar esse potencial para o seu negócio. Temos um conjunto de indicadores que medem se o que eles estão a fazer está efetivamente a ter resultados para perceber se devem abandonar aquela iniciativa e irem para outra.

Rogério Canhoto

Sócio da Tip Top

Simultaneamente, a participada da Ó Capital irá prestar serviços de formação personalizada, que inclui ensinar as PME portuguesas a fazerem agentes autónomos. “Não estamos a falar das Altices e EDP’s, que são empresas com outros recursos, mas as que estão abaixo dessas, a faturar volumes de negócios já simpáticos e cujos gestores percebem que a IA pode ter impacto direto nas suas soluções. Empresas com colaboradores que já estão a utilizar IA, mas não de forma organizada”, sintetiza Rogério Canhoto.

Neste momento, os setores com os quais estão a trabalhar são serviços, saúde, banca e seguros, transportes e logística e retalho e as áreas em que recebem mais pedidos são comercial (vendas), recursos humanos e gestão (C-Level e B-Level). “Os administradores das empresas que estão a sentir a empresa a utilizar, mas não sabem orientar as suas equipas na utilização, e depois os diretores, que têm de ser os primeiros a suportarem-se nestas tecnologias e a conhecerem o que é possível fazer. Costumo dizer que damos a formação de manhã e à tarde eles já podem usá-la em casos práticos”, refere o sócio cofundador da Tip Top.

Tip Top “em conversações” para expandir para Espanha

Apesar de ter menos de dois meses de operação, a Tip Top encontra-se “em conversações” para uma potencial parceria no país vizinho.

“Já temos contactos para fazer parcerias e levarmos este conceito para Espanha. Já fazia parte do nosso plano de crescimento expandir para outros países na Europa, mas a lógica era consolidar em Portugal ao longo do próximo ano. Não sei se manteremos esse calendário assim certinho, porque Espanha é já ali ao lado. No mundo da IA, o ritmo que as coisas acontecem é alucinante”, conta Rogério Canhoto.

Como exemplo de escalabilidade do negócio, enumera o caso de uma empresa (B2B) que recorre à IA na área comercial para automatizar a criação de propostas. Segundo o partner da Tip Top, antes disso, o processo, dependendo da complexidade, demorava entre quatro a seis horas a ficar totalmente e agora é possível obter uma proposta para enviar ao cliente em cinco minutos e depois o gestor comercial passa apenas mais 15-20 minutos a verificar se algo não está correto ou é preciso adaptar.

Rogério Canhoto contabiliza que há empresas em que os ganhos de produtividade chegam aos 80%: “O CEO de uma empresa que faz campanhas de email marketing, para cerca de três mil clientes, dizia-me que se poupasse uma hora por dia à equipa comercial, já tinha recuperado muito do investimento. Já poupou seis a sete horas por semana”.

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Meo, Nos e Vodafone unem-se em tecnologia para evitar fraude que poderá substituir dupla autenticação


É rara a aparição conjunta das principais operadoras de telecomunicações, mas esta terça-feira um “desafio” internacional e um desígnio de segurança digital ditou que assim acontecesse. Meo, Nos e Vodafone anunciaram que estão a trabalhar em conjunto em tecnologias para evitar a fraude, nomeadamente sistemas para travar que utilizadores de cartões clonados possam aceder ao homebanking ou fazer compras online.

O trio de telecoms aderiu à iniciativa internacional “GSMA Open Gateway”, promovida pela associação global que representa os interesses de mais de 750 empresas do setor, de forma a disponibilizar novas interfaces de programação de aplicações (API – Application Programming Interfaces) para as suas redes. Trata-se de uma camada de segurança adicional para as aplicações móveis, que está a ser vista como potencial substituto da dupla autenticação quando se faz login na conta de um banco ou de uma loja, por exemplo.

A diretora de Engenharia de Redes da Nos explicou que a principal mudança é que as API serão feitas de forma padronizada em vez de cada um construir o seu modelo e linguagem. Ou seja, segue um padrão internacional de componente técnica e de segurança, mas os programadores podem igualmente construir soluções em cima dessa infraestrutura. É como se já tivessem a receita preparada e certificada, mas, ainda assim, mantendo margem para inovar no ‘cozinhado’.

“Vai trazer simplificação à experiência dos utilizadores e reduzir a fricção do onboarding na utilização das aplicações. Como é suportada de forma transversal, padronizada dentro das normas globais da Camara [projeto de código aberto da GSMA], é suportada em todos os equipamentos terminais”, detalhou Judite Reis, numa conferência de imprensa que se realizou no Hotel Altis Belém, em Lisboa.

Porque é que é relevante? Numa perspetiva empresarial, se é uma aplicação para a banca ou defesa, tem exigentes requisitos de segurança. Por outro lado, na vertente de consumidor, funcionará como um filtro para tentativas de fraudes com segundas vias dos cartões de telemóvel ou SIM reciclados (que são atribuídos a outras pessoas). Imagine que o seu número de telemóvel passou para outra pessoa, mas mantém as autenticações online associadas a esse contacto. O sistema criado pelas telecoms com o apoio da Nokia – que faz a integração – deteta se é seguro fazer ou não a transação que pretende.

“País ganha por estarmos aqui os três”

“Qual é o potencial do lançamento destas ferramentas? O que é que ganha o país? Desde logo, ganha por estarmos os três aqui com a GSMA. Temos uma prova de que há protocolos internacionais para uma utilização massiva do verdadeiro potencial das API, que não está na redução da fraude, mas numa camada de segurança construída em cima da infraestrutura móvel. É uma oportunidade grande para acelerar a digitalização da economia e a integrar Portugal num ecossistema global, alinhado com os padrões internacionais”, afirmou o diretor sénior de Negócios Corporate e Empresariais da Meo, Filipe Arnaut Mendonça.

Na base desta cooperação está o objetivo de responder ao crescente desafio da fraude digital, cujo risco para os bancos aumentou 45% no último ano, segundo o Banco de Portugal. A ideia é que as organizações recorram a esta tecnologia para reforçar a verificação de identidade dos utilizadores e combater os atos ilícitos.

A Nos, a Meo e a Vodafone aderiram à iniciativa global GSMA Open Gateway

“Cerca de 70% dos portugueses foram alvo de fraude ou scam. É um problema e está a aumentar, porque, com o desenvolvimento da inteligência artificial, as tentativas de fraude são mais fáceis de orquestrar, portanto estrategicamente é muito importante [aposta nas API] e além disso temos mudanças regulatórias a caminho na União Europeia, nomeadamente com a PSD3. Quando falamos em API, falamos sinais de token fidedignos fornecidos em tempo real”, sintetizou Will McKay, responsável de Vendas e API de rede no grupo Vodafone..

Quais são as primeiras API disponíveis?

  • Number Verification (Verificação de número) –Ajuda as empresas a verificar as identidades dos clientes de forma mais segura e a reduzir o atrito nas jornadas digitais, permitindo uma autenticação mais rápida e segura.
  • SIM Swap (Troca de cartão de telemóvel) – Ajuda as empresas a detetar potenciais tentativas de apropriação de contas e de fraude, identificando quando um número de telemóvel foi recentemente associado a um novo cartão SIM.

No início do próximo ano ficará disponível a seguinte API, designada “Number Recycle” (“Número reciclado”). Esta API ajuda as empresas a protegerem as contas dos clientes e a impedir que informações confidenciais sejam enviadas à pessoa errada, identificando quando um número de telemóvel foi reatribuído a um novo utilizador. Na prática, a tecnologia vai perceber se o número foi “reciclado” e bloquear transações caso haja risco de apropriação de identidade.

Através destas API, que terão um formato “sim ou não” (em resposta à questão de se há risco), as empresas podem integrar as novas funcionalidades nos seus serviços de forma uniforme e escalável, independentemente da operadora móvel utilizada pelos seus clientes. “Temos 20 API padronizadas. É preciso garantir que vão chegando ao mercado de forma cadente”, diz Judite Reis. “São um complemento à dupla autenticação, mas arriscaria dizer que poderão ser substituto à autenticação múltipla”, completou Filipe Arnaut Mendonça.

Por detrás desta iniciativa conjunta – que os players recusam tratar-se de uma parceria e, portanto foge a eventuais problemas concorrenciais – está a GSMA Open Gateway, um grupo que disponibiliza API de rede padronizadas e interoperáveis, reúne mais de 80 grupos de operadores móveis e representa mais de 80% das ligações móveis em todo o mundo.

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Panzani traz França e molhos à Cerealis em “consolidação acelerada”


'Depois de um 'hola, España', como fez questão de dizer aquando da compra das massas da Cerealto, o grupo Cerealis prepara-se para um bonjour la France quando concluir a aquisição da Panzani. O grupo português que detém as marcas Nacional, Milaneza e Napolitana encontra-se em negociações exclusivas para adquirir a fabricante francesa Panzani, especializada em pastas e molhos, à CVC Capital Partners de forma a criar uma gigante alimentar avaliado em 1,8 mil milhões de euros (enterprise value).

Sabe-se que a empresa resultante desta transação será liderada por Pedro Moreira da Silva, vice-presidente executivo da Cerealis, que a justifica como “uma oportunidade de tirar partido de gamas de produtos, tecnologias…

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João Bento, ex-CEO dos CTT, torna-se sócio da Caldrew Capital


João Bento, ex-CEO dos CTT – Correios de Portugal tornou-se sócio não-executivo da empresa de investimento Caldrew Capital. O gestor que liderou o operador postal até abril juntou-se à sociedade especializada em aquisições criada pelo investidor Manuel Queiroz Pereira e pelo empreendedor João de Sousa Aroso, fundador da Leadzai.

A Caldrew Capital considera que João Bento “dispensa apresentações no mundo empresarial português”, porque não só preside aos conselhos de administração do grupo Altri e da Lisnave Estaleiros Navais, como foi CEO dos CTT, da Efacec e da Gestmin, bem como COO da Brisa.

“Com um percurso marcado pela transformação e criação de valor, aliado a uma vasta experiência em órgãos sociais, passou a carreira a conduzir grandes organizações em períodos de mudança, sendo reconhecido pela clareza de juízo que acionistas e conselhos procuram quando os desafios aumentam”, informou esta segunda-feira a empresa, numa publicação na rede social LinkedIn.

“Esse juízo é precisamente o que as empresas com que trabalhamos mais vão precisar. Investimos em PME lideradas pelos seus fundadores, com fundamentos sólidos, num momento em que o crescimento adicional depende menos de capital e mais de profundidade de gestão e de governance. O João construiu ambas em larga escala, e ajudará a apoiar os nossos fundadores a fazer o mesmo”, defende a empresa fundada em 2026 e com sede em Lisboa.

Numa entrevista recente ao ECO, João Bento deixou claro que saía dos CTT sem falar propriamente de reforma. Em declarações antes de deixar a liderança dos correios, descreveu a transição como uma decisão tomada “na idade certa”: não quer deixar de trabalhar, mas quer deixar de ser executivo. Aos 65 anos, quase em simultâneo com o fim do mandato, passou “para o outro lado” da relação entre chairman e CEO – primeiro na Altri e depois na Lisnave – e deixou pistas sobre o futuro. “Estou aberto a considerar uma posição não executiva internacional se aparecer. Mas não farei nada por isso”, disse ainda.

Quando os CTT anunciaram que João Bento iria abandonar o cargo de CEO, explicaram que se deveu ao facto de, “tendo completado 65 anos, decidiu, conforme o seu plano pessoal, terminar a sua carreira executiva no final do atual mandato do conselho de administração dos CTT”, concluindo assim as suas funções na Assembleia Geral Anual, a 30 de abril de 2026.

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Fusão Elf-Rhode abriu vaga de negócios na cosmética. Como a beleza também ‘hidrata’ o M&A


Os cremes, produtos de maquilhagem, perfumes, protetores solares e outros cosméticos também têm uma palavra a dizer no mercado das fusões e aquisições. O crescente interesse pelos cuidados de pele e a massificação no Ocidente das rotinas de beleza sul-coreanas - a chamada k-beauty - está a materializar-se em mais negócios entre as grandes marcas, que procuram dimensão e especialização.

O índice transacional da BeautyMatter registou 73 transações neste setor durante o segundo trimestre, o que significou um aumento homólogo de 21,9%, incluindo M&A e investimentos em expansão. Entre janeiro e março,…

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Fusões e aquisições em Portugal caem 27% até setembro


A rentrée ainda não foi suficiente para que as fusões e aquisições (M&A) recuperassem em Portugal, embora o ritmo da queda tenha abrandado. O mercado transacional português contabilizou 379 transações, entre anunciadas e concluídas, que movimentaram um total de 7,8 mil milhões de euros, até setembro, de acordo com os dados mais recentes da TTR Data.

Apesar das mais de 370 operações de M&A envolvendo empresas portuguesas, o número registado até ao terceiro trimestre representa uma queda de 27% em comparação com o mesmo período de 2025, bem como uma diminuição homóloga de 45% no capital mobilizado. Ainda assim, menos de metade (33%) dos negócios tiveram os preços divulgados.

Nos primeiros nove meses deste ano, o setor do imobiliário foi o mais ativo, com 62 transações, mantendo a tendência que se tem vindo a verificar no pós-pandemia de Covid-19, depois de um boom de negócios na área tecnológica.

Quando se observa apenas o terceiro trimestre de 2026, no qual foram registadas 120 fusões e aquisições, com valor acumulado de 4,7 mil milhões de euros, é a venda do centro de dados da Altice na Covilhã que se destaca nos rankings segundo o relatório da TTR Data. Ainda que a alienação tenha sido anunciada no final de 2025, os analistas consideram que a conclusão desta venda foi o negócio do trimestre.

Em causa a compra do data center da Covilhã pela Asterion Industrial Partners, por 120 milhões de euros, que contou com a assessoria jurídica das sociedades de advogados Morais Leitão e Uría Menéndez Portugal e a assessoria financeira e due diligence da consultora EY.

O fundo Asterion, que é o maior veículo de investimento em infraestruturas de Espanha, tem estado ativo em termos de M&A. Na segunda-feira, o jornal El Economista noticiou que a Asterion se encontra em processo de aquisição da Fraikin, um dos principais fornecedores europeus de leasing de veículos comerciais e gestão de frotas. O acordo de compra e venda foi assinado com entidades ligadas à Benefit Street Partners, Värde Partners e Canyon Partners, mas os detalhes financeiros não foram divulgados.

Espanha fez mais aquisições em Portugal (e vice-versa)

No âmbito transfronteiriço, Espanha foi o país que fez o maior número de investimentos de M&A em Portugal nestes nove meses, contabilizando 28 transações. Por sua vez, as empresas portuguesas também escolheram a Espanha — e o Reino Unido — como principais destinos de investimento, com 37 e nove transações, respetivamente.

“Em 2026, foram contabilizadas 53 transações de private equity, representando uma queda de 40% no número de operações em comparação ao mesmo período de 2025. Em venture capital [capital de risco], foram realizadas 76 rondas de investimentos num total de 872 milhões de euros, representando um crescimento de 35% no total investido”, lê-se no último relatório do TTR Data..

No segmento de compra de ativos (asset acquisitions), que também é contabilizada no M&A, foram registadas 86 transações com um valor de 3,8 mil milhões de euros, mais 3% do que entre janeiro e setembro de 2025.

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Ercros convoca acionistas para alterar estatutos após OPA da Bondalti


A empresa de químicos espanhola Ercros, que foi comprada pela Bondalti, convocou uma Assembleia Geral (AG) de acionistas extraordinária para alterar os estatutos e adequá-los à saída da bolsa, após a aquisição por parte da subsidiária do grupo José de Mello.

A saída da bolsa foi uma das condições do negócio luso-espanhol de forma a permitir “maior flexibilidade na execução das prioridades estratégicas”, mas requer mudanças estatutárias. Num comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV), a Ercros informou que a AG vai realizar-se no dia 17 de novembro às 15h00 (hora de Madrid).

A ordem de trabalhos inclui ainda a votação da revogação do regulamento da AG e da política de remunerações dos administradores, além da definição do montante máximo da remuneração dos administradores e da delegação de poderes para formalizar e registar as deliberações.

“De acordo com o disposto nos estatutos sociais e no regulamento da AG de acionistas, os acionistas que representem pelo menos 3% do capital social podem apresentar propostas fundamentadas de acordo sobre matérias já incluídas ou a incluir na ordem de trabalhos da AG extraordinária”, lê-se no documento publicado pela CNMV.

Após ter comprado mais de 77% do capital da gigante industrial catalã, a Bondalti passou a deter 85,85% da Ercros, em meados de setembro, no âmbito da OPA de exclusão de bolsa de Madrid, com os titulares de 8,62% do capital a aceitarem a oferta de 3,505 euros. A química portuguesa tinha avançado com uma oferta sobre os 22,77% do capital que ainda não controlava. “A oferta foi aceite por acionistas titulares de 7.882.035 ações da Ercros, representativas de 8,62% do capital social e de 37,86% dos direitos de voto a que a operação se dirigia efetivamente”, informou a empresa com sede no Lagoas Park.

Foi em março deste ano, dois anos depois do anúncio da operação, que a Bondalti concluiu a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Ercros. Em causa está uma oferta de 3,505 euros lançada em 2024 pela química portuguesa sobre 100% do capital da companhia de Barcelona, num resultado que superou o mínimo de aceitação fixado em 50% do capital.

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