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Casas na Grande Lisboa já custam mais de 4.000 euros/m2. Estrangeiros pagam mais 47%


O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre do ano, subiu 18,4% face ao período homólogo, com as transações a baixarem 9%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar dos valores de transação continuarem a subir, o ritmo de crescimento abrandou face ao trimestre anterior. A Grande Lisboa continua a apresentar os preços mais elevados, com o valor por metro quadrado acima dos 4.000 euros. Negócios feitos por pessoas com domicílio fiscal fora do país saem 47% acima do valor das vendas de quem vive no país.

O preço mediano dos 37.854 alojamentos familiares transacionados em Portugal atingiu 2.445 euros por metro quadrado, entre abril e o final de junho. “Este valor representa um aumento de 4,6% relativamente ao primeiro trimestre de 2026 e de 18,4% em relação ao período homólogo (19,8% no trimestre anterior)”, revela o INE. Apesar dos preços continuarem a aumentar, as transações recuaram 9%, o que compara com a quebra de 10,5% no trimestre anterior.

A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, embora tenham registado decréscimos homólogos no número de transações, concentraram 34,3% das transações de alojamentos familiares no segundo trimestre de 2026. A liderar os preços continua a Grande Lisboa, onde o valor mediano das transações atingiu os 4.030 euros por metro quadrado. Na lista das sub-regiões mais caras segue-se o Algarve (3.500 €/m2), Península de Setúbal (3.069 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2.816 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.669 €/m2).

Os preços de transação continuam ainda a revelar uma grande disparidade quando os negócios são realizados por residentes e não residentes, destacando-se as áreas metropolitanas das maiores cidades portuguesas. Na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, o preço mediano (€/m2) das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente, em 47% e 37,5%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional, divulga o INE.

“As cinco sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também os valores mais elevados envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e em território nacional: Grande Lisboa (5.878 €/m2 e 4.000 €/m2, respetivamente), Algarve (4.143 €/m2 e 3.368 €/m2), Península de Setúbal (3.240 €/m2 e 3.063 €/m2), Região Autónoma da Madeira (3.611 €/m2 e 2.785 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (3.640 €/m2 e 2.648 €/m2)”, detalha o INE.

Em termos globais, o valor mediano de alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre, envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 3.182 €/m2 (mais 15,7% do que no trimestre homólogo) e o das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional foi 2.421 €/m2 (mais 18,6% do que no trimestre homólogo).

No segundo trimestre deste ano, os preços da habitação aceleraram em dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes (em 11, no primeiro trimestre de 2026), tendo os municípios de Loures (+9,7 pontos percentuais) e de Matosinhos (+9,5 p.p.) apresentado os maiores acréscimos. Já o município de Guimarães (-13,4 p.p.) registou a maior diminuição na taxa de variação homóloga. Os municípios de Lisboa e do Porto registaram decréscimos de 8,9 p.p. e 5,4 p.p. nas taxas de variação homólogas do primeiro para o segundo trimestre de 2026.

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Presidente do IHRU admite que não foi “feliz” nas suas declarações sobre habitação. Jovens “fazem-nos muita falta”


O presidente do IHRU, Benjamim Pereira, admitiu esta sexta-feira que não foi “feliz em todas as expressões” que utilizou esta quinta-feira, quando sugeriu falta de capacidade de sacrifício dos jovens para comprar casa e afirmou que as gerações anteriores emigraram para ter habitação. Benjamim Pereira reforça que “em momento algum disse que os jovens não tinham dificuldades ou que não estavam a sofrer consequências com a carência de habitação“, rejeitando que tenha apelado à emigração ou qualquer “saudosismo” em relação aos “sacrifícios de outrora”

“Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor, colocando ao serviço dos portugueses a minha experiência profissional e política adquirida ao longo de anos de trabalho e de serviço público”, adiantou o presidente do IHRU em comunicado.

O comunicado divulgado esta sexta-feira de manhã surge na sequência das declarações que fez na quinta-feira sobre a disponibilidade de compromisso dos jovens para adquirirem casa. As palavras do presidente do IHRU levantaram uma onda de críticas, com o próprio ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, a considerar que as declarações de Benjamim Pereira foram infelizes.

“O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria. Quando digo que se sacrificaram, é com tristeza que o constato, e não com algum tipo de saudosismo”, acrescentou, reforçando que, “como é evidente, não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora, o que significaria que nada tínhamos conseguido melhorar em mais de 50 anos de democracia”.

O presidente do IHRU diz ainda que não foi referido nas notícias o respeito que referiu ter pelo direito de manifestação e a compreensão pelas exigências dos manifestantes. “Muito menos aludi, em momento algum, à emigração”, argumenta. “Muito pelo contrário, não tivesse eu sofrido na pele a ausência dos familiares, exatamente nesse contexto de exigência que os forçou a sair. Os nossos jovens fazem-nos muita falta, são desejados e têm sido permanentemente convidados a ficar, assim como outros que outrora saíram têm sido convidados a regressar”, defende.

Benjamim Pereira destacou ainda as medidas que o Governo tem vindo a tomar para apoiar os jovens “na habitação, mas não só, através do IRS Jovem, das garantias públicas, da isenção de IMT e do Imposto de Selo, diga-se, aliás, com enorme sucesso”, defendeu.

“A instituição que lidero tem feito um esforço gigantesco para lutar precisamente contra este flagelo da carência habitacional, e os seus trabalhadores têm sido inexcedíveis“, adianta ainda no mesmo comunicado, referindo a superação das metas do PRR, com 31.700 fogos. “Aquilo que nos move é a certeza de que só unidos, jovens e menos jovens, Estado e sociedade civil, municípios e empresas, conseguiremos debelar este flagelo que nos atinge”, conclui.

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João de Mello reeleito para ‘board’ da associação europeia da indústria química


O chairman e presidente executivo da Bondalti, João de Mello, foi reeleito para um novo mandato como administrador do European Chemical Industry Council (Cefic). O líder da química controlada pelo Grupo José de Mello vai manter-se no board daquela que é considerada a mais importante associação da indústria química europeia nos próximos dois anos, órgão que integra desde 2023.

A reeleição de João de Mello, o único português membro dos corpos sociais da associação europeia que representa o setor químico, decorreu esta quinta-feira, em Lisboa, na assembleia geral da organização que teve lugar no âmbito da Convenção da Química, evento que está a decorrer pela primeira vez em Portugal.

“Enquanto membro do conselho de administração do Cefic, pretendo continuar a contribuir para uma indústria europeia mais competitiva e resiliente, num momento delicado devido aos conflitos internacionais e ao surgimento de mercados não europeus com peso significativo no setor“, disse João de Mello, citado em comunicado. O industrial acrescenta que a associação “continuará a dar todo o apoio necessário para a transformação da economia da União Europeia com soluções inovadoras e sustentáveis”.

Enquanto membro do conselho de administração do Cefic, pretendo continuar a contribuir para uma indústria europeia mais competitiva e resiliente, num momento delicado devido aos conflitos internacionais e ao surgimento de mercados não europeus com peso significativo no setor.

João de Mello

Membro do conselho de administração do Cefic

A indústria química europeia enfrenta um contexto adverso, pressionado por elevados custos energéticos, concorrência extra-comunitária e quebras na produção, que estão a pressionar as empresas do setor.

De acordo com os dados mais recentes do Cefic, a produção na União Europeia baixou 2% entre janeiro e julho de 2026, face ao mesmo período do ano anterior. O setor lida com uma procura fraca e pressões estruturais de competitividade que continuam a intensificar-se à escala global.

Fundado em 1972 e com sede em Bruxelas, o Cefic conta atualmente com cerca de 650 membros e entidades que representam cerca de 14% da produção química a nível global e que empregam 1,2 milhões de trabalhadores na União Europeia. A indústria química é o setor com maior valor acrescentado da União Europeia, avaliado em 335 mil milhões de euros, e o quarto maior produtor no setor da manufatura, revela o mesmo comunicado.

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Quebra na procura e maiores custos de energia voltam a travar lucros da Navigator


O resultado líquido da Navigator baixou 44,8% para 65,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, segundo adiantou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Estes resultados refletiram um contexto macroeconómico e de mercado extremamente exigente, a par do aumento significativo dos custos de energia (eletricidade e gás natural) e logística, que estão a condicionar a procura em todos os mercados da Europa“, justifica a empresa.

O EBITDA situou-se nos 212 milhões de euros, um número que compara com os 300 milhões reportados no período homólogo de 2025, com uma margem de 16%. Já volume de negócios totalizou 1.333 milhões de euros, menos 10,5% que os 1.489,3 milhões entre janeiro e setembro do ano passado.

“O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram”, destaca a empresa em comunicado.

Segundo a Navigator, “a persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior”, acrescentando que “as medidas adotadas durante a crise energética de 2022 e 2023 oferecem referências para responder aos desafios atuais”.

O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram. A persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior.

Comunicado de apresentação de resultados

“Também os mecanismos de apoio utilizados noutros países europeus evidenciam o papel que estes instrumentos podem desempenhar na preservação da atividade industrial. A sua aplicação em condições comparáveis no espaço europeu poderá contribuir para atenuar os diferenciais de custos e salvaguardar o contributo da indústria para as exportações e para a economia nacional”, alerta.

Apesar do travão na rentabilidade, a empresa controlada pela Semapa destacou a evolução favorável dos preços do packagingnos nove meses, assim como no segmento de Papel de Impressão e Escrita não revestido (UWF). “A diversificação do negócio continua a ser um dos principais pilares de criação de valor, com Tissue e Packaging a representarem mais de 30% do volume de negócios e cerca de um terço do EBITDA nos primeiros nove meses de 2026.

No mercado europeu de tissue, a Navigator destaca que este segmento “continua a demonstrar resiliência, mesmo num contexto mais competitivo e exigente”. As vendas fora de Portugal representaram 79% do volume total nos primeiros nove meses de 2026 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado espanhol, com 33% do total de vendas, o britânico, com 28% do total de vendas, e o francês, com peso de 16% das vendas, detalha.

A dívida líquida da Navigator situava-se em 765 milhões de euros, no final de setembro, “refletindo o elevado nível de investimento realizado ao longo do período e a manutenção de uma estrutura financeira sólida e equilibrada”. O rácio Dívida Líquida Remunerada/EBITDA situou-se em 2,66, com o aumento face ao período homólogo a resultar da redução do EBITDA.

“Perspetivas favoráveis” apesar da volatilidade na energia

Apesar da incerteza geopolítica, da volatilidade dos mercados energéticos e de um contexto económico exigente, a papeleira realça que “os indicadores do terceiro trimestre reforçam as perspetivas favoráveis para os próximos meses”.

Na pasta, a recuperação dos preços em setembro e a melhoria da disponibilidade operacional favorecem a atividade e o aumento dos volumes destinados ao mercado. Já no packaging, “a procura crescente por soluções sustentáveis, o alargamento da base de clientes e o arranque da PM3 reforçam o potencial de crescimento”.

No segmento tissue, o grupo adianta que beneficia da expansão internacional e prossegue o programa de eficiência operacional no Reino Unido. “No Papel de Impressão e Escrita, os aumentos de preços ao longo do ano e a ausência de novas paragens industriais relevantes sustentam uma perspetiva positiva para os próximos trimestres”, reforça.

“A Navigator manterá o foco na execução dos programas de eficiência, na otimização da base industrial, na inovação e na diversificação do portefólio. A gestão integrada da cadeia de valor e a solidez financeira mantêm a empresa bem posicionada para reforçar a competitividade e criar valor de forma sustentável no longo prazo“, conclui.

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Continental investe mais de 10 milhões em novo centro e prevê contratar centenas nos próximos anos


A Continental Mabor deu esta quinta-feira um “um passo gigante” com o lançamento da primeira pedra da construção do novo centro de competências tecnológicas que vai construir no complexo industrial em Lousado, no concelho de Vila Nova de Famalicão, onde produz anualmente mais de 18 milhões de pneus. Este investimento acima de 10 milhões de euros deverá estar concluído no início de 2028 e tem capacidade para acolher 500 pessoas, o que significa que a empresa terá de contratar mais de duas centenas de colaboradores “nos próximos anos”.

“Vamos encher esse centro“. A garantia é deixada por Pedro Carreira, administrador da Continental Mabor, em declarações aos jornalistas, após a cerimónia que assinalou o lançamento da construção do novo centro de competências da empresa, em Lousado.

Sem se querer comprometer com prazos ou números, o líder da fábrica de Lousado, uma das mais importantes do grupo alemão a nível global, admite que a empresa terá de contratar mais de duas centenas. Hoje a empresa já emprega “duzentos e muitos” nas áreas de desenvolvimento que serão concentradas no novo centro.

“A inovação já existe, estamos a fazê-la, vamos continuar a fazer, mas o facto das sinergias se colocarem todas no mesmo sítio torna o efeito potenciador muito maior”, explicou.

Pedro Carreira, presidente da Continental Mabor Portugal, em entrevista ao ECORicardo Castelo/ECO

Para o responsável este investimento é um “passo gigante do que é a demonstração do que fazemos em Portugal”. “É a primeira vez que estamos a fazer de raiz num espaço próprio e fazê-lo crescer apropriado aos colegas de desenvolvimento, e ter uma atmosfera que achamos inspiradora para os deixar inovar”, adiantou, notando que há “muitos belíssimos e bons exemplos do que tem sido feito na área de manufatura dentro da empresa e foi isso que atraiu outras áreas para dentro da empresa”, o que tornou o espaço pequeno para acolher tantas pessoas.

O grupo alemão emprega atualmente mais de 3.800 pessoas em Famalicão, distribuídas por quatro empresas integradas no negócio de pneus: Continental Mabor, Continental Solutions Center, Continental Pneus Portugal e Continental Indústria Têxtil do Ave.

Ricardo Martins, gestor da Continental Solutions Center, considera que o centro “representa a confiança da Continental em Portugal” e é “a futura casa do hub em Portugal”. “É a base dos próximos capítulos da história da Continental em Portugal”. Com cerca de 7.600 m² de espaço utilizável, dividido por três andares, o centro de competências vai desenvolver desde “soluções informáticas, passando por soluções ligadas aos automóveis, aos pneus”.

“Temos duas grandes áreas, que é a investigação e desenvolvimento e tecnologias da informação, mas depois temos outras áreas que estão a desenvolver-se neste momento, como machine learning, o departamento de compras que temos integrado, que faz parte também de uma das nossas áreas, e outras atividades que estão a ser desenvolvidas mais no início e que são as atividades que irão crescer de serviços globais”, sintetiza Ricardo Martins.

Numa cerimónia onde também marcou presença Edwin Goudswaard, responsável pela investigação e desenvolvimento da Continental, o também administrador do grupo alemão insistiu que este é um “novo capítulo” para a empresa em Portugal, elogiando a capacidade de engenharia e desenvolvimento no país. “Estamos a celebrar um edifício que representa a confiança [na fábrica em Portugal]”, disse.

A Continental Mabor tem feito grandes investimentos ao longo dos últimos anos na fábrica de Lousado. Em junho garantiu ao ECO que tem “vários investimentos em curso, uns iniciados já no ano passado e que [pretende] continuar” a investir no Norte de Portugal.

Na mesma altura, assinou um memorando de entendimento com o município de Famalicão e a Escola Profissional Tecnológica do Vale do Ave (FORAVE), uma instituição que “desempenha um papel fundamental na preparação de jovens talentos para a indústria moderna, oferecendo formação em automação, robótica, manutenção industrial, eletrónica e mecatrónica, entre outras áreas”.

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Resultados do trimestre testam resistência da rentabilidade das cotadas da bolsa


A Navigator arranca esta quinta-feira a época de divulgação dos resultados da bolsa lisboeta. Depois de um semestre histórico, que aponta para um novo ano de lucros recorde na bolsa, as cotadas do PSI mostram as contas de um trimestre marcado pela escalada dos preços dos combustíveis, que vai testar a capacidade das companhias portuguesas protegerem os lucros neste ambiente. Os analistas esperam que a energia e a banca continuem a destacar-se, enquanto as exportadoras poderão ser afetadas pelo clima de instabilidade internacional.

João Queiroz, head of trading do Banco Carregosa, destaca que esta época de apresentação de resultados será "particularmente relevante para aferir até que ponto as empresas portuguesas conseguiram preservar a rentabilidade num…

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Ativo do dia: Spacex descola mais de 12% em bolsa após resultados e possível fusão de 3,5 biliões


O ativo:

Ações da Space Exploration Technologies Corporation (SpaceX). A empresa de Elon Musk domina o espaço. Em 2025, foi responsável por mais de 50% de todos os lançamentos orbitais do planeta e acumula, de longe, mais lançamentos do que qualquer outro operador. Estreou-se no mercado no passado mês de junho, no maior oferta pública inicial (IPO, na sigla anglosaxónica) da história, numa operação que atraiu uma forte procura.

A titã do espaço disparou, esta quarta-feira, depois de ter reportado um conjunto de resultados que superou as estimativas dos analistas, deixando bons indicadores para um futuro, no qual poderá estar combinada com a Tesla, numa megaoperação que criaria uma empresa com uma capitalização bolsista acima de 3,5 biliões de dólares, caso o magnata Elon Musk avance com a intensão de juntar os dois negócios.

O marco:

A SpaceX disparou até um máximo de 12,44% para 166,18 dólares, durante a sessão desta quarta-feira, depois de a empresa ter mostrado as contas do último trimestre. A confirmar-se este desempenho no fecho da sessão, esta será a maior valorização diária da companhia desde o passado dia 7 de agosto.

A empresa seguia a valorizar 10,5% no mercado norte-americano, numa sessão marcada pelo otimismo em torno das ações ligadas à inteligência artificial, numa sessão em que os investidores aguardam os números da Nvidia no terceiro trimestre.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A causa:

O forte conjunto de resultados apresentado pela SpaceX e as previsões da empresa de satélites para os próximos trimestres foram bem recebidas pelo mercado, com analistas e investidores a aplaudirem os números reportados pela empresa de Musk. As receitas da companhia dispararam 161% no terceiro trimestre de 2026, para 14,6 mil milhões de dólares, enquanto o resultado líquido atingiu 4,4 mil milhões de dólares, contra perdas de 1,1 mil milhões no período homólogo.

A empresa adiantou que prevê investir, no último trimestre do ano, entre 35 mil milhões e 40 mil milhões de dólares em infraestruturas físicas, o que representa um aumento significativo face aos 19,6 mil milhões de dólares investidos este trimestre. Além disso, a SpaceX confirmou que está no bom caminho para atingir, até dezembro, um ritmo anualizado de receitas recorrentes de 100 mil milhões de dólares. As receitas poderão subir para um valor entre 500 mil milhões e um bilião de dólares no final de 2027, graças à forte adesão ao Grok Bot, adiantou Musk na apresentação de resultados. Para o primeiro trimestre de 2027, a empresa prevê receitas entre 33 mil milhões e 37 mil milhões de dólares. .

Além dos bons números reportados, as ações também estiveram a reagir positivamente à notícia que está a ser estudada uma fusão com a Tesla, o que poderia criar uma gigante mundial. “Há muitas vantagens em combinar as duas empresas, uma vez que estamos praticamente na singularidade da superinteligência [novo termo designado por Donald Trump para fazer referência à IA]”, afirmou Musk, numa referência à possibilidade de a inteligência artificial atingir capacidades que ultrapassem significativamente as humanas.

O que esperar a seguir:

“A SpaceX continua a corresponder às elevadas expectativas e acreditamos que esta tendência se manterá, à medida que novos contratos de capacidade de computação começarem a gerar receitas no quarto trimestre, a Starship avança rumo à captura em voo do veículo e do propulsor, e o desempenho e as funcionalidades do Grok continuam a melhorar. Acreditamos que este conjunto de ativos é único e criará valor ao longo do tempo, à medida que a administração concretiza cada um destes objetivos“, antecipam os analistas do UBS, numa nota onde comentaram as contas da empresa.

“A SpaceX está a demonstrar a sustentabilidade do crescimento das receitas provenientes da inteligência artificial e a sua capacidade para cumprir prazos ambiciosos de implementação, levando os investidores a rever em alta as suas previsões, à medida que as dúvidas começam a dissipar-se”, afirmou Anthony Valentini, analista do Barclays.

A generalidade dos analistas aplaudiu as contas e as estimativas da empresa para 2027, mostrando-se convencidos que a companhia tem margem para continuar a valorizar e a entregar bons resultados. O JPMorgan foi um dos bancos que reviu em alta as suas previsões para a empresa após as contas. O banco de investimento atribui uma recomendação de overweight à SpaceX e mais do que duplicou o seu preço-alvo apara as ações da empresa, de 240 para 500 dólares, o que representa uma subida potencial de quase 240% face ao fecho de terça-feira.

A evolução das ações estará, assim, dependente da confirmação destas perspetivas positivas e da capacidade da empresa de monetizar os investimentos em IA. Por outro lado, os títulos irão reagir a uma possível união à Tesla.

A frase:

As ambições da SpaceX são maiores do que as de qualquer empresa que tenhamos visto. Importa salientar que se espera que a inteligência artificial seja o motor de crescimento a longo prazo […] Continua a existir um potencial de valorização significativo, à medida que a empresa está literalmente a construir a próxima fronteira.

Doug Anmuth

Analista do JPMorgan

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Ex-secretária de Estado do Turismo Rita Marques entra na comissão executiva do Grupo Pestana


A antiga secretária de Estado do Turismo Rita Marques vai juntar-se à comissão executiva do Grupo Pestana, assumindo os pelouros de tecnologias de informação e marketing, avança o grupo em comunicado. A ex-governante liderava até agora a Fundação Livraria Lello, no Porto, depois de em 2023 ter estado envolvida em polémica por ter aceitado o convite para ir trabalhar para o World of Wine (WoW), projeto turístico da dona da Taylor’s.

Rita Marques junta-se agora ao grupo Pestana, que vai ainda reforçar a sua comissão executiva com a ex-administradora do Montepio Helena Soares de Moura, que fica com as áreas de Recursos Humanos Corporativos e Comunicação & Relações Institucionais.

“Com estas designações, o Pestana Hotel Group reforça a sua estrutura de gestão com duas profissionais com percursos consolidados de liderança e experiências distintas, mas complementares”, refere o grupo hoteleiro em comunicado enviado às redações.

Antes de integrar o Pestana Hotel Group, Rita Marques desempenhava as funções de presidente da Fundação Livraria Lello e de Program Director na Porto Business School.

“Estas duas entradas traduzem uma renovação importante da Comissão Executiva e reforçam o Pestana Hotel Group em áreas estratégicas para o seu desenvolvimento. Os novos membros da Comissão Executiva trazem percursos distintos e complementares, que acrescentam novas competências à nossa gestão e à capacidade do Grupo para continuar a crescer, inovar e consolidar a sua presença nos diferentes mercados”, realça o CEO José Theotónio.

Rita Marques foi secretária de Estado de António Costa entre outubro de 2019 e dezembro de 2022. Um mês e meio após sair do Governo, foi convidada para o cargo de administradora da The Fladgate Partnership. Surgiram então alegações de que estaria em causa a lei de incompatibilidades, incluindo por parte do então presidente Marcelo Rebelo de Sousa e também da própria autarquia gaiense. Este coro de críticas levou então Rita Marques a desistir de liderar a empresa de turismo.

 

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Ativo do dia: Tumulto em França atira juros para máximos de 24 anos


O ativo:

O “benchmark” da dívida francesa voltou a estar sob forte pressão, no arranque da semana. Depois de um fim de semana de grande violência nas principais cidades francesas, com o clima de contestação a alastrar-se a outras cidades europeias, os investidores estiveram a desfazer-se da dívida e das ações gaulesas, com o euro a sofrer também com a crise no país.

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O marco:

O clima de grande contestação em França e os receios que a extrema-direita saia vencedor das eleições do próximo ano continua a pressionar as obrigações gaulesas, atirando os juros do país para máximos de várias décadas.

A taxa das obrigações a 10 anos voltaram a superar a fasquia dos 4,9%, o valor mais elevado desde 2002, com as yields gaulesas a registarem a maior subida diária (13 pontos base) desde finais de setembro. Além disso, o spread da dívida francesa face às alemãs bunds voltou a saltar para máximos de duas semanas, enquanto o diferencial para as obrigações italianas atingiu um novo recorde.

A causa:

A crise social e política que França atravessa continua a pressionar o sentimento dos investidores, que temem que o país não consiga aprovar um Orçamento do Estado para controlar as contas públicas. O clima de violência que se vive no país há várias semanas e que tem vindo a escalar está a deteriorar a confiança de investidores e empresários, a poucos meses das eleições presidenciais.

“O facto de isto acontecer após um fim de semana de protestos mostra que as esperanças de reforma estão em suspenso”, defende Hank Calenti, estratega global de mercados da SMBC, referindo-se aos esforços para reduzir os défices e reformar o sistema de pensões.

“França enfrenta atualmente uma crise social, uma crise migratória, uma crise energética, uma crise económica e uma crise orçamental, destaca Louis-Vincent Gave, da Gavekal Research. Os protestos relacionados com os aumentos do custo de vida estão a alastrar-se para outros países.

O que esperar a seguir:

A evolução da situação francesa e a capacidade — ou incapacidade — do Eliseu aprovar um orçamento para controlar as finanças do país será determinante para o desempenho dos juros do país.

A proposta inclui medidas no valor de 43 mil milhões de euros para reduzir o défice, mas os analistas receiam que alcançar um compromisso afigura-se difícil num Parlamento profundamente dividido e poderá tornar-se ainda mais complicado com as eleições presidenciais a apenas seis meses de distância.

“Embora os protestos violentos não sejam representativos da vasta maioria da população, os acontecimentos do fim de semana vêm, ainda assim, sublinhar o delicado equilíbrio que o Governo tem de encontrar entre satisfazer as exigências da população e tranquilizar os mercados”, afirmou Erik Liem, estratega do Commerzbank. “O agravamento dos protestos contra o elevado custo de vida está a aprofundar a divisão entre os extremos da esquerda e da direita, o que poderá deixar as discussões sobre o Orçamento num impasse“, defende. Uma situação que tenderá a continuar a pressionar as obrigações gaulesas.

A frase:

Os problemas orçamentais de França são, por si só, suficientemente difíceis de resolver, mas a tarefa torna-se ainda mais complicada com a aproximação das eleições presidenciais e a existência de um Parlamento sem maioria, onde a construção de consensos se tem revelado frequentemente uma missão impossível.

Themistoklis Fiotakis

Estratego do Barclays

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Nova porta-voz da Casa Branca despedida após cinco dias no cargo


A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, foi despedida esta sexta-feira, menos de uma semana depois de ter assumido o cargo, avança o The New York Times. Esta saída relâmpago ocorre depois de o Presidente Donald Trump ter adiantado aos jornalistas que aconselhou a sua nova porta-voz a “reconsiderar” a sua posição.

“Sinceramente, se estivesse no seu lugar, reconsideraria”, afirmou, ao recordar a conversa que tivera com Zacharia. “Katie, precisa disto? Não me parece que precise disto“, acrescentou o republicano, numa referência à mesma conversa.

Zacharia, que assumiu as funções esta semana, teve um início atribulado, com a sua primeira e última conferência de imprensa na terça-feira, seguida de uma vaga de notícias em torno das qualificações da nova porta-voz da Casa Branca. Apesar de se apresentar como advogada, terá chumbado no exame de acesso à profissão.

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Produção automóvel volta a travar a fundo em setembro e já cai 10% no ano


Depois de ter tombado 45% em agosto, a produção automóvel voltou a travar em setembro. Após mais este resultado negativo, o setor acumula uma descida homóloga superior a 10%, nos nove primeiros meses do ano, mostram os dados da ACAP.

“Em setembro de 2026 foram produzidos em Portugal 24.691 veículos automóveis o que representou um decréscimo de 32,7% face ao mês homólogo de 2025″, adianta a associação que representa o setor, em comunicado. Em termos acumulados, acrescenta, entre janeiro e setembro, saíram das fábricas instaladas em Portugal 231.473 veículos, ou seja, menos 10,1% do que em igual período do ano anterior.

Recorde-se que, durante o mês de agosto, a fábrica da Autoeuropa viu a sua produção quase totalmente interrompida, devido às remodelações de modo a preparar a unidade para o fabrico do novo modelo elétrico ID.Every1. Após um período de férias, entre 25 de julho e 16 de agosto, seguiu-se mais uma paragem de uma semana, em lay-off, de 17 a 23 de agosto.

A produção na fábrica de Palmela só foi retomada a 24 de agosto, uma paragem que condicionou a produção automóvel, uma vez que a Autoeuropa é a principal exportadora nacional. No entanto, setembro manteve a tendência de quebra, mesmo sem paragens em Palmela.

Quase 98% para exportação

De acordo com os dados, 97,9% do total produzido no país seguiu para exportação. Segundo a ACAP, a Europa continuou a ser o mercado líder nas exportações dos veículos fabricados em território nacional, com 93,1%, com a Alemanha (21,2%), França (12,5%), Itália (12,4%) e Turquia (11,3%) no topo do ranking.

Em termos de grandes regiões, o mercado africano, liderado pela África do Sul (1,1%) e pela Tunísia (1,1%), manteve o segundo lugar nas exportações de automóveis fabricados em Portugal com 2,9% das exportações. Já a América ocupa o terceiro lugar com 1,6% das exportações de veículos automóveis fabricados em Portugal.

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