Casas na Grande Lisboa já custam mais de 4.000 euros/m2. Estrangeiros pagam mais 47%

O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre do ano, subiu 18,4% face ao período homólogo, com as transações a baixarem 9%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar dos valores de transação continuarem a subir, o ritmo de crescimento abrandou face ao trimestre anterior. A Grande Lisboa continua a apresentar os preços mais elevados, com o valor por metro quadrado acima dos 4.000 euros. Negócios feitos por pessoas com domicílio fiscal fora do país saem 47% acima do valor das vendas de quem vive no país.
O preço mediano dos 37.854 alojamentos familiares transacionados em Portugal atingiu 2.445 euros por metro quadrado, entre abril e o final de junho. “Este valor representa um aumento de 4,6% relativamente ao primeiro trimestre de 2026 e de 18,4% em relação ao período homólogo (19,8% no trimestre anterior)”, revela o INE. Apesar dos preços continuarem a aumentar, as transações recuaram 9%, o que compara com a quebra de 10,5% no trimestre anterior.
A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, embora tenham registado decréscimos homólogos no número de transações, concentraram 34,3% das transações de alojamentos familiares no segundo trimestre de 2026. A liderar os preços continua a Grande Lisboa, onde o valor mediano das transações atingiu os 4.030 euros por metro quadrado. Na lista das sub-regiões mais caras segue-se o Algarve (3.500 €/m2), Península de Setúbal (3.069 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2.816 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.669 €/m2).

Os preços de transação continuam ainda a revelar uma grande disparidade quando os negócios são realizados por residentes e não residentes, destacando-se as áreas metropolitanas das maiores cidades portuguesas. Na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, o preço mediano (€/m2) das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente, em 47% e 37,5%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional, divulga o INE.
“As cinco sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também os valores mais elevados envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e em território nacional: Grande Lisboa (5.878 €/m2 e 4.000 €/m2, respetivamente), Algarve (4.143 €/m2 e 3.368 €/m2), Península de Setúbal (3.240 €/m2 e 3.063 €/m2), Região Autónoma da Madeira (3.611 €/m2 e 2.785 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (3.640 €/m2 e 2.648 €/m2)”, detalha o INE.
Em termos globais, o valor mediano de alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre, envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 3.182 €/m2 (mais 15,7% do que no trimestre homólogo) e o das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional foi 2.421 €/m2 (mais 18,6% do que no trimestre homólogo).
No segundo trimestre deste ano, os preços da habitação aceleraram em dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes (em 11, no primeiro trimestre de 2026), tendo os municípios de Loures (+9,7 pontos percentuais) e de Matosinhos (+9,5 p.p.) apresentado os maiores acréscimos. Já o município de Guimarães (-13,4 p.p.) registou a maior diminuição na taxa de variação homóloga. Os municípios de Lisboa e do Porto registaram decréscimos de 8,9 p.p. e 5,4 p.p. nas taxas de variação homólogas do primeiro para o segundo trimestre de 2026.













