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Autoridades da Jordânia confirmam 6 mortos e 28 feridos em ataque a igreja
Pelo menos seis pessoas morreram e 28 ficaram feridas depois que homens armados abriram fogo dentro de uma igreja na província de Karak, na Jordânia, a cerca de 145 quilômetros ao sul da capital, Amã, informou a agência de segurança pública do país.
Fontes do governo confirmaram, inicialmente, sete mortes, mas atualizaram o balanço posteriormente nesta sexta-feira (23).
“As forças de segurança estão acompanhando um incidente com disparos na província de Karak”, escreveu no X o porta-voz do governo jordaniano, Mohammad Al-Momani.
Os homens armados, cuja identidade não foi divulgada, estão sendo procurados, informou a agência de segurança. Segundo o órgão, o tiroteio ocorreu durante um funeral.
Uma testemunha disse à emissora estatal Al-Mamlaka que um dos atacantes carregava um fuzil AK-47 Kalashnikov e que os disparos duraram vários minutos.
O ataque ocorreu em Hmood, uma cidade no norte de Karak onde a maioria da população é cristã.
“Alguns homens estavam do lado de fora da igreja quando duas pessoas saíram de um veículo e começaram a atirar”, contou Tamer Halsa, testemunha do ataque, à Al-Mamlaka.
Testemunhas disseram à imprensa estatal que havia dezenas de pessoas dentro da igreja.
“Éramos mais de 150 pessoas dentro e fora da igreja”, acrescentou Halsa.
*Em atualização
Al menos siete muertos por el ataque de dos hombres armados en una iglesia de Jordania durante un entierro
Dos hombres armados han abierto fuego este viernes frente a una iglesia en Jordania, causando al menos siete muertos y diez heridos, según la televisión estatal. Los atacantes, armados uno con un fusil y otro con una pistola, han salido de un vehículo y disparado durante varios minutos contra las decenas de participantes en un cortejo fúnebre en la localidad de Hamud, en la Gobernación de Karak (oeste del país), según declaró uno de los asistentes, Jaled Burqan, a la cadena de televisión.

© Jordan Pix (Getty Images)
Petróleo renova máxima de cinco meses diante de escalada no Oriente Médio
Os preços do petróleo estendem as altas da véspera nesta sexta-feira (23), com nova escalada do conflito no Oriente Médio impactanto diretamente os barris.
Pela manhã, os contratos futuros do petróleo Brent – commodity de referência mundial – avançavam US$ 1,40, ou 1,2%, para US$ 114,57 por barril (às 8h38 de Brasília), após atingirem mais cedo US$ 115, o maior nível desde 4 de maio.
Os barris do WTI (West Texas Intermediate) subiam US$ 1,48, ou 1,5%, para US$ 100,95 por barril.
O Brent caminha para registrar a terceira alta semanal consecutiva, de 4,2%, enquanto o WTI deve encerrar a semana com queda de 0,5%.
No dia anterior, o Brent fechou em alta de 4%, a US$ 113,17 por barril, maior valor de fechamento também desde 4 de maio.
A Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, orientou seus funcionários a se retirarem da sede da empresa em Dhahran e a trabalharem remotamente na quinta-feira, à medida que as tensões se intensificam na região.
A ordem chega após duas pessoas morrerem em um ataque a um aeroporto nas proximidades e marca a primeira vez que a Aramco solicita a retirada de sua sede desde o início do conflito envolvendo o Irã.
“O mercado continua preocupado com uma possível escalada que, no pior cenário, poderia provocar novas interrupções no fornecimento”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Os confrontos entre os houthis e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, se intensificaram desde que os houthis, alinhados ao Irã, avançaram em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, um importante gargalo para o transporte marítimo na entrada do Mar Vermelho.
“Se os ataques persistirem e atrasarem as entregas, os preços elevados terão uma sustentação mais sólida”, afirmou Linh Tran, analista da XS.com.
Em meio aos ataques no Oriente Médio, o primeiro carregamento de diesel russo com destino aos Estados Unidos desde um acordo inesperado entre Moscou e o presidente norte-americano, Donald Trump, está a bordo de um navio-tanque que segue para Nova York, segundo dados de rastreamento marítimo divulgados nesta sexta-feira.
Trump anunciou o acordo neste mês como parte de seus esforços para reduzir a disparada dos preços do diesel antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o próximo mês.
*Com informações da Reuters
Petróleo, café e aeronaves: veja itens mais exportados pelo Brasil aos EUA
Irã ameaça ampliar retaliação e cita possíveis ataques a centros de IA
Autoridades iranianas destacaram a capacidade de Teerã de operar drones e os planos de retaliação do país, incluindo possíveis ataques a instalações de inteligência artificial. A ameaça do Irã acontece depois que o presidente americano, Donald Trump, deu a entender que os Estados Unidos poderiam retomar os bombardeios após as eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
Trump afirmou repetidamente que o fim decisivo da guerra no Irã está próximo, e assessores elaboraram planos para novos ataques em conjunto com Israel, assim que ele der sinal verde.
Uma das opções em análise envolve o uso da “mãe de todas as bombas” para atingir a infraestrutura energética e instalações nucleares iranianas, disseram à CNN várias autoridades americanas.
O comandante-chefe do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que o Irã “alcançou um nível significativo de maturidade na tecnologia de drones e em sistemas não tripulados” e agora está “em uma posição melhor” para combater os Estados Unidos, segundo a emissora estatal iraniana Press TV.
“Avaliamos o inimigo e estamos cientes de suas consideráveis capacidades, mas, levando todos esses fatores em conta, nos preparamos para uma guerra assimétrica e adquirimos os equipamentos necessários para isso”, acrescentou Hatami.
O principal responsável pela segurança do Irã, general Mohsen Rezaei, afirmou que o país está preparado para realizar ataques retaliatórios contra um conjunto mais amplo de alvos na região.
“Se a questão é se o Irã ainda tem capacidade para continuar as operações com mísseis e drones, a resposta é sim”, disse Rezaei em uma entrevista por escrito ao veículo de notícias Drop Site, publicada na quinta-feira (22).
“Os Estados Unidos têm ativos valiosos na região. Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderiam ficar ao alcance. Se o conflito recomeçar, teremos um plano mais abrangente.”
Como é a “mãe de todas as bombas”, arma que EUA querem usar no Irã
Netanyahu fía su reelección a la promesa de otra guerra con Irán y al rechazo a los árabes
En octubre de 2023, cuando el shock inicial por el ataque de Hamás iba dando paso a la interiorización de que había sido el mayor fiasco de seguridad en las siete décadas de historia del Estado de Israel, casi nadie pensaba que Benjamín Netanyahu seguiría como primer ministro tres años más tarde. Tampoco que un país acostumbrado a coaliciones amplias y a adelantos electorales (ninguno fue tanto a las urnas entre 1996 y los últimos comicios, en 2022, cada 2,4 años) completaría la legislatura justo esta vez. Y, menos aún, ambas combinadas: que, tras cuatro años de polémicas y guerras, Netanyahu llegaría a la recta final de las elecciones —que se celebran el martes— con menos apoyo y popularidad, pero con probabilidades de mantenerse en el poder. “No me rendiré”, reza uno de los carteles electorales con su rostro.

© Ariel Schalit (AP Photo/Ariel Schalit)
Trump invoca Lei da era da Guerra Fria para produção e refino de petróleo
O presidente dos EUA, Donald Trump, determinou nesta quinta-feira (22) que a produção e o refino de petróleo, bem como atividades correlatas, são essenciais para a defesa nacional, medida que pode abrir caminho para o financiamento norte-americano a projetos de combustíveis fósseis.
Em um memorando presidencial, Trump também invocou um dispositivo da Lei de Produção de Defesa (Defense Production Act), criada durante a Guerra Fria, o que lhe permite oferecer incentivos financeiros para atividades ligadas ao petróleo, incluindo oleodutos e o armazenamento de combustíveis líquidos.
Os preços do petróleo bruto e do diesel dispararam desde que os EUA e Israel realizaram uma operação conjunta contra o Irã, no final de fevereiro. Desde então, o conflito tem restringido o fluxo global de energia, enquanto ataques ucranianos a refinarias russas agravaram a escassez de combustíveis.
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A alta nos custos representa um risco para Trump nas eleições de 3 de novembro, em um momento em que seus correligionários republicanos buscam manter o controle de ambas as casas do Congresso.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos, concluída na segunda-feira (19), mostra que apenas 36% dos norte-americanos aprovam a forma como Trump tem conduzido a economia.
O memorando afirma que, sem essas medidas, os EUA não conseguiriam disponibilizar tais serviços energéticos “em tempo hábil, devido a restrições de financiamento, longos prazos de execução, entraves no licenciamento e na infraestrutura, além de limitações na cadeia de suprimentos”.
O documento não menciona projetos específicos que poderiam ser contemplados com o financiamento. Em 2025, os EUA registraram uma produção média de cerca de 13,6 milhões de barris de petróleo bruto por dia, consolidando-se como o maior produtor mundial.
Na semana passada, o vice-presidente americano JD Vance afirmou que o governo utilizaria a Lei de Produção de Defesa para ampliar a capacidade de uma refinaria no Texas, pertencente à empresa Delek US Holdings.
No ano passado, Trump sancionou uma legislação que destinou US$ 1 bilhão, por meio da Lei de Produção de Defesa, a projetos do setor energético considerados cruciais para a segurança nacional.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?
Vídeo: Exército do Irã mostra fábrica subterrânea de drones militares
Imagens exibidas pela televisão estatal do Irã nesta quinta-feira (22) mostraram o que seria uma instalação subterrânea de produção de drones, visitada pelo comandante-chefe das Forças Armadas do país, Amir Hatami.
A Reuters não conseguiu verificar quando ou onde as imagens foram gravadas.
Em declaração a um repórter da TV estatal, o comandante Hatami afirmou que o Irã está expandindo seus centros de produção, “com o suporte de uma boa infraestrutura e trabalho científico”.
Antes da guerra, o Irã possuía o maior arsenal de mísseis balísticos do Oriente Médio, incluindo munições cluster — difíceis de serem interceptadas por sistemas de defesa aérea —, segundo o governo dos Estados Unidos.
Além disso, o Irã conta com uma indústria de drones em plena expansão; antes do conflito, o país era capaz de produzir cerca de 10 mil unidades por mês, tendo o modelo Shahed como seu principal drone explosivo.
A guerra teve início em fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã.
A administração Trump declarou que seu objetivo é enfraquecer as forças militares iranianas, neutralizando sua Marinha, destruindo sua capacidade de produção de mísseis e drones, e garantindo que a República Islâmica jamais obtenha uma arma nuclear.
Os Estados Unidos, Israel e aliados ocidentais acusam o Irã, há muito tempo, de buscar desenvolver armas nucleares — uma acusação que o Irã nega.
Conheça o drone kamikaze Shahed-136, usado pelo Irã na guerra
Petróleo atinge máxima de cinco meses com novas tensões no Oriente Médio
Os preços do petróleo Brent subiram nesta quinta-feira (22) ao maior nível desde maio, depois que novos ataques dos houthis na Arábia Saudita aumentaram as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio e novas interrupções no fornecimento de petróleo bruto da principal região exportadora mundial.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 3,19, ou 2,9%, para US$ 112,01 por barril. Mais cedo, chegaram a US$ 112,68 por barril, o maior valor desde 18 de maio.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, subia US$ 2,41, ou 2,5%, para US$ 99,56 por barril, após atingir US$ 100,09 mais cedo.
“Relatos de que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis anteriores ao conflito são mais do que compensados pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz e pelos ataques dos houthis à Arábia Saudita e à sua infraestrutura petrolífera”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil.
“Não se espera uma redução das tensões até as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o que deve manter os preços do petróleo elevados.”
Analistas do Morgan Stanley estimaram, em relatório, que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio ficaram em cerca de 17 milhões de barris por dia na semana passada.
A gigante petrolífera Saudi Aramco instruiu funcionários a evacuarem sua sede em Dhahran e a trabalharem remotamente, disseram nesta quinta-feira seis pessoas familiarizadas com o assunto.
O Departamento de Estado dos EUA ordenou que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de diversas outras representações americanas no Oriente Médio, disseram autoridades dos Estados Unidos à Reuters.
As decisões foram tomadas após os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, atacarem diversos alvos na Arábia Saudita na quarta-feira. Pelo menos uma pessoa morreu e outras oito ficaram feridas em um aeroporto civil em Dammam.
Duas pessoas também morreram em um ataque com drones contra um campo petrolífero saudita.
Explosões também foram ouvidas em Sirik, no sul do Irã, informou a imprensa iraniana na quarta-feira, acrescentando que a natureza e a origem das detonações eram desconhecidas.
As interrupções no fornecimento continuaram afetando os estoques globais.
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou nesta quinta-feira que quatro embarcações envolvidas em transferências ilegais de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente e pegaram fogo após serem rastreadas por suas forças na quarta-feira.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, uma válvula de um oleoduto que liga os campos petrolíferos de Hamada e Tahara, na Líbia, ao porto de Zawiya foi fechada, reduzindo a produção nos dois campos, disse à Reuters o presidente da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia.
Em uma tentativa de conter os preços, que dispararam em meio à escassez de diesel provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o governo Trump está oferecendo emprestar quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, que totalizam 1 milhão de barris.
O Parlamento Europeu também votou a favor de adiar por três anos a aplicação das regras da União Europeia sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos.
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Ataques a petroleiros avançam de Ormuz para águas próximas ao Iraque
Os ataques a navios petroleiros se espalharam recentemente do Estreito de Ormuz para águas próximas ao Iraque, segundo a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido), agência britânica de monitoramento do tráfego marítimo.
De acordo com um alerta emitido pela agência nesta quinta-feira (22), um navio-tanque foi atingido por um projétil não identificado a 30 milhas náuticas a sudeste de Al-Faw, no Iraque, na terça-feira (20).
A tripulação foi considerada segura, e não houve relatos de danos à embarcação.
As águas próximas a Al-Faw são uma rota de navegação fundamental para embarcações que acessam os portos do sul do Iraque e as instalações de exportação de petróleo em alto-mar. A região fica distante do Estreito de Ormuz.
Em um alerta separado, a UKMTO informou que outro petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e pegou fogo na terça-feira, em águas próximas a Omã, na entrada oeste do Estreito de Ormuz.
O incêndio foi extinto, e todos os membros da tripulação estão em segurança, segundo a agência.
Os alertas não revelaram os nomes dos petroleiros atingidos nem quem realizou os ataques.
Irã já colocou minas no Estreito de Ormuz em outra guerra; entenda
Netanyahu alimenta el temor a un nuevo ataque a Irán a días de las elecciones en Israel y EE UU
Apenas quedan seis días para las elecciones en Israel, pero las conversaciones sobre los comicios suelen terminar con un: “Bueno, si no hay una guerra antes, claro”. No es casual. El primer ministro, Benjamín Netanyahu, viene subrayando casi a diario su deseo de otro conflicto con Irán (tras el que inició en febrero junto con EE UU) y ha subido el tono este miércoles, al señalar que el régimen de Teherán “aún no ha aprendido la lección”, así que ha ordenado su derrocamiento al ejército y al Mosad, los servicios secretos en el exterior.

© Amir Levy (Getty Images)
Irã está pronto para diplomacia, mas vai se defender, diz ministro
O Irã está pronto para a diplomacia, mas se defenderá, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em um artigo publicado no Financial Times nesta quarta-feira (21).
“Embora o Irã esteja firmemente empenhado em buscar uma solução pacífica e digna para o conflito, também estamos totalmente preparados para nos defender”, escreveu ele.
O ministro afirmou que a Casa Branca não demonstrou disposição para chegar a um entendimento e que há poucos motivos para esperar qualquer progresso no momento.
Irã não negociará com EUA até cumprimento de exigências, diz mídia
O Irã informou ao comandante do Exército do Paquistão nesta terça-feira (20) que não haverá negociações com os Estados Unidos até que suas exigências sejam atendidas, segundo a mídia iraniana, ressaltando o endurecimento de sua postura, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, o principal interlocutor.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discutiu os esforços de mediação e os desdobramentos regionais com o marechal de campo Asim Munir em Teerã, de acordo com a Nournews.
O Paquistão é um mediador fundamental entre os EUA e o Irã. Seus esforços anteriores com ambas as partes resultaram em um acordo de paz provisório assinado em junho, mas o chamado Memorando de Islamabad rapidamente fracassou, em meio a novos confrontos semanas depois.
Munir também se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf.
O representante iraniano afirmou que os EUA não poderão conquistar a confiança do regime iraniano até que cumpra as sete condições apresentadas pelo Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz no mês passado, de acordo com um comunicado iraniano sobre a reunião.
As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio americano aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais.
O chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, transmitiu uma mensagem semelhante durante uma reunião separada com Munir, afirmando que não haverá negociações até que as exigências sejam atendidas, segundo a mídia iraniana.
Rezaei também afirmou que todos os materiais nucleares enriquecidos permaneceriam no Irã, reiterando a posição do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de que o urânio quase apto para uso militar não deveria ser enviado para o exterior.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou neste mês que o Irã deve fazer uma redução “significativa” em sua capacidade de enriquecimento de urânio para satisfazer as exigências americanas e pôr fim à guerra entre os dois países, que já dura oito meses.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais há muito acusam o Irã de buscar armas nucleares, apontando, entre outras coisas, para sua iniciativa de enriquecer urânio a 60%, um nível muito superior ao necessário para usos civis e mais próximo dos 90% exigidos para a fabricação de armas.
O Irã nega estar buscando desenvolver armas nucleares.
Análise: Israel pode mudar governo, mas não estratégia contra Irã
A eleição em Israel na próxima semana pode mudar o primeiro-ministro, mas não a estratégia do país: o Irã continuará sendo seu principal adversário, a força militar seguirá como instrumento preferencial e a criação de um Estado palestino permanecerá distante, afirmam autoridades regionais e analistas.
Isso ocorre porque as premissas estratégicas que sustentam a política israelense foram consolidadas após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra comunidades no sul de Israel, realizados pelo grupo militante palestino Hamas, e pelas guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.
A política de segurança de Israel pode se tornar ainda mais rígida, segundo os analistas. Uma vitória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com o apoio de aliados de extrema direita, poderia incentivá-lo a intensificar a guerra contra o Irã, ampliar o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e deixar a diplomacia ainda mais em segundo plano.
A doutrina de segurança israelense agora se apoia em três pilares: enfraquecer o Irã, manter zonas de amortecimento além das fronteiras do país e usar a força para dissuadir inimigos.
A verdadeira divergência entre os candidatos está no grau, e não na direção, afirmam os analistas: quão agressivamente Israel conduzirá suas guerras, até onde ampliará os assentamentos judaicos na Cisjordânia e se algum líder optará pela diplomacia.
De Teerã a Riad, a eleição de terça-feira não é vista como um possível ponto de virada, mas como um teste para saber se o Oriente Médio está entrando em um período de confronto prolongado, no qual as guerras diminuem e se intensificam sem que os conflitos subjacentes sejam resolvidos.
“Se Netanyahu for eleito, fará o que achar que quer fazer”, afirmou Aviv Bushinsky, ex-assessor do primeiro-ministro. “A expansão dos assentamentos continuará. As guerras contra o Irã, o Hamas e o Hezbollah continuarão.”
“O que vemos agora é o que veremos depois da eleição, talvez de forma ainda mais agressiva”, disse. “Enquanto o Irã estiver nessa situação, é perda de tempo falar sobre a Palestina.”
No domingo, Netanyahu afirmou que Israel precisa priorizar a “prevenção e a ofensiva em vez da contenção e da defesa”, incluindo ataques preventivos para impedir ameaças emergentes, além de estabelecer o país como potência regional e maximizar sua independência na produção de armamentos.
Por que a política dificilmente mudará
A eleição coloca o Likud, partido de direita de Netanyahu, e seus aliados ultranacionalistas contra uma oposição liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, do partido Yashar.
O analista palestino Ghassan al-Khatib não vê perspectiva de uma mudança fundamental na política em relação aos palestinos. Segundo ele, os partidos israelenses disputam espaço com posições cada vez mais rígidas, enquanto a opinião pública se desloca ainda mais para a direita.
Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel
“O conteúdo da política permanece o mesmo: não a um Estado palestino e sim à expansão dos assentamentos. Nesse ponto, todos concordam”, afirmou.
Um governo liderado pelos adversários de Netanyahu poderia tentar recuperar a posição internacional de Israel, restringindo parte da violência dos colonos ou promovendo a expansão dos assentamentos com menos alarde. Mas essas mudanças representariam uma alteração de estilo, e não de conteúdo, segundo al-Khatib.
Michael Young, do Carnegie Middle East Center, afirmou que o aparato de segurança israelense e boa parte da classe política compartilham uma visão estratégica centrada no enfrentamento ao Irã, na manutenção de uma “defesa avançada” e na preservação da dissuasão militar, o que reduz o espaço para grandes mudanças políticas.
Joost Hiltermann, do International Crisis Group, que realizou pesquisas na Cisjordânia, afirmou que o aumento da violência dos colonos, a crescente frustração palestina e a ausência de uma “perspectiva política” criaram condições explosivas, nas quais até mesmo um pequeno incidente poderia desencadear uma revolta mais ampla.
“Polvo venenoso”
Algumas autoridades regionais questionam se o confronto de Israel com o Irã se tornou o princípio organizador da segurança no Oriente Médio, independentemente de quem vencer a eleição.
Os elogios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Netanyahu, a quem chamou de “um grande primeiro-ministro guerreiro”, reforçaram a expectativa de que o líder israelense tentará concluir a campanha contra Teerã caso permaneça no poder.
Netanyahu deixou claro que suas ambições vão além de conter o Irã: ele pretende derrubar os governantes religiosos do país.
“Concluir a tarefa significa derrubar o regime terrorista no Irã, a cabeça do polvo venenoso”, afirmou em um discurso nesta semana.
Analistas militares e políticos, porém, questionam se algo menos que uma invasão terrestre conjunta dos Estados Unidos e de Israel seria capaz de levar Teerã a abandonar o que considera seus interesses fundamentais de segurança em uma luta que vê como existencial.
Após sobreviver a meses de guerra, o Irã pode apostar que conseguirá resistir por mais tempo que seus adversários, mantendo a pressão por meio de aliados regionais.
“Isso é um atoleiro”, afirmou Young. “Os iranianos conseguem resistir mais tempo que Trump.”
O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, foram enfraquecidos, mas a rede mais ampla de grupos alinhados ao Irã sobreviveu. Segundo os analistas, o conflito também pode reforçar a determinação de Teerã de buscar uma capacidade de dissuasão nuclear.
Apesar da preocupação que Netanyahu provoca no mundo árabe, alguns líderes do Golfo ainda o consideram o político israelense com maior probabilidade de manter o Irã sob pressão.
Isso cria um dilema para esses países. Eles se opõem ao que consideram políticas expansionistas de Netanyahu, mas querem limitar a influência iraniana.
“As políticas de Netanyahu em Gaza, na Cisjordânia, na Síria e no Líbano são prejudiciais”, afirmou Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center. “Quanto ao Irã, é necessário um acordo antes que o conflito se intensifique ainda mais. Se o papel do Irã não for contido, a região poderá estar caminhando para 50 anos de hegemonia iraniana.”
Entenda o que é o campo de gás de South Pars no Irã e sua importância
Reino Unido aprova campo de gás no Mar do Norte em meio à crise energética
O governo do Reino Unido aprovou o desenvolvimento de um novo e importante campo de gás no Mar do Norte, chamado de Jackdaw, que poderá iniciar a produção ainda este mês, em um momento em que a guerra no Oriente Médio intensifica as preocupações globais com a segurança energética.
A decisão, alvo de duras críticas por parte de grupos ambientalistas, ocorre três meses após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar as reservas de petróleo e gás do Reino Unido no Mar do Norte como “inestimáveis” e manifestar apoio a eventuais planos que permitissem a exploração na região.
Manifestantes se reuniram em Londres contra o início dos trabalhos de Jackdow nesta quarta-feira (21).

O anúncio coincide com a divulgação, nesta quarta-feira (21), de um novo relatório da ONU sobre o clima, o qual aponta que o planeta ultrapassará, inevitavelmente, a meta de aquecimento de 1,5 grau celsius estabelecida pelo Acordo de Paris nos próximos anos — um dado que evidencia os efeitos cada vez mais acentuados das mudanças climáticas.
O governo britânico afirmou que a decisão de autorizar o campo de gás Jackdaw — situado a cerca de 241 quilômetros a leste de Aberdeen, na Escócia — está alinhada ao seu compromisso legal de reduzir as emissões de carbono e alcançar a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa até meados desta década.
“Espera-se que a decisão sobre o projeto Jackdaw aumente a produção nacional de gás em cerca de 6% no seu auge — reforçando o suprimento de gás do Reino Unido ao longo de sua vida útil, que pode chegar a 11 anos, fortalecendo nossa segurança energética, protegendo centenas de empregos e acrescentando cerca de £ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 19,5 bilhões) a economia britânica”, informou o governo em um comunicado nesta quarta-feira (21).
O campo de gás Jackdaw “começará a fornecer gás para residências e empresas britânicas já a partir do final deste mês”, acrescentou o comunicado.
No pico de produção, o Jackdaw poderá produzir gás suficiente para aquecer o equivalente a cerca de 1,4 milhão de residências no Reino Unido, segundo a Adura — a joint venture entre a Shell e a Equinor responsável pelo desenvolvimento do projeto.
O governo também anunciou a criação de um novo Fundo de Riqueza Energética (Energy Wealth Fund), que, segundo o comunicado, utilizará receitas fiscais provenientes do petróleo e gás do Mar do Norte para investir em projetos de energia renovável e de baixo carbono.
O fundo começará com um aporte inicial de 2 bilhões de libras esterlinas (13 bilhões de reais).
Jackdaw terá impacto limitado nas contas de energia
O governo britânico tem enfrentado críticas, por parte de alguns setores, de que suas políticas climáticas prejudicaram a indústria e a segurança energética.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo adotou uma abordagem “pragmática” em relação ao Mar do Norte.
“Em um momento em que as pessoas estão passando por grandes dificuldades, é correto que busquemos, de forma responsável, maximizar as reservas de energia existentes no Reino Unido que poderiam ajudar”, acrescentou ele.
Na realidade, contudo, é improvável que um aumento na produção de petróleo e gás no Mar do Norte contribua de forma significativa para ampliar a oferta de energia ou reduzir os preços.
“O projeto Jackdaw reduziria a dependência de importações e melhoraria a resiliência do abastecimento, mas apenas até certo ponto”, afirmou Sam Street, diretor da consultoria Frontier Economics e coautor de dois relatórios recentes sobre a produção de petróleo e gás no Mar do Norte. “O Reino Unido continuaria dependendo de importações, inclusive da Europa.”
Um aumento na produção interna também teria pouco impacto na redução das contas de energia. “Os preços do gás no Reino Unido estão fortemente atrelados aos preços europeus, que, por sua vez, são influenciados pelo custo (global) do gás natural liquefeito”, disse Street à CNN.
“Aumentar a produção interna de gás não cria uma fonte adicional de energia barata para os consumidores do Reino Unido”, acrescentou ele. “Os produtores nacionais não têm motivo para vender a preços substancialmente inferiores aos que poderiam obter nos mercados europeus.”
Impulso a empregos e à arrecadação de impostos
Pelo lado positivo, o projeto Jackdaw deve gerar receitas fiscais adicionais para o governo e também pode impulsionar a atividade econômica e o emprego na cadeia de suprimentos de petróleo e gás, segundo Street.
Dois importantes sindicatos do Reino Unido, o GMB e o Unite — que vinham pressionando o governo a dar prosseguimento às perfurações no Mar do Norte —, manifestaram apoio à decisão em comunicados separados, divulgados nesta quarta-feira (21).
“O governo de Andy Burnham merece verdadeiro reconhecimento por fazer a coisa certa pelo nosso país”, afirmou Gary Smith, secretário-geral do sindicato GMB, mencionando a segurança energética.
Sharon Graham, secretária-geral do sindicato Unite, disse que a decisão abrirá espaço para garantir novos empregos aos trabalhadores do Mar do Norte. “Embora, naturalmente, apoiemos a meta de emissões líquidas zero, não podemos permitir uma transição que resulte em desemprego”, acrescentou.
Campo de petróleo de Rosebank é o próximo
O governo do Reino Unido precisará agora decidir se aprova o campo de petróleo de Rosebank, situado ao largo da costa das ilhas Shetland, na Escócia, que possui reservas estimadas em cerca de 300 milhões de barris de petróleo.
O argumento a favor da aprovação é “igualmente sólido”, segundo Neil McCulloch, CEO da Adura.
No entanto, Jess Ralston, analista sênior de energia da Energy & Climate Intelligence Unit — uma organização sem fins lucrativos voltada para as mudanças climáticas —, afirmou que 90% do petróleo e gás da bacia do Mar do Norte já foram extraídos. “O único caminho para a segurança no emprego a longo prazo é realizar a transição para a energia eólica e outros setores de energia limpa”, acrescentou ela em um comunicado.
O grupo ambientalista Uplift alertou que novos campos de petróleo e gás são incompatíveis com limites climáticos seguros. “As ondas de calor severas, as secas e os incêndios florestais que afetaram o Reino Unido neste verão, assim como os fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos ao redor do mundo, demonstram a rapidez com que o risco climático aumenta a cada fração de grau”, declarou a Uplift em um comunicado.
“Seria extremamente irresponsável por parte do governo do Reino Unido agravar, de forma consciente, esses impactos ao autorizar o projeto Rosebank.”
Casa Habibi: el delicioso hummus que se esconde en el distrito financiero de Madrid
El hummus de Casa Habibi es uno de los mejores de Madrid: suave pero consistente, denso, hecho con un buen tahini y perfectamente sazonado con sal y ajo. Por encima lleva un puñado de garbanzos, una pizca de comino y pimentón, y un generoso chorro de aceite de oliva virgen extra español. “Es uno de los ingredientes que nunca importo, porque en España hay un aceite de oliva excelente”, explica Wasim Al Naser, propietario siriopalestino del recién inaugurado restaurante Casa Habibi.
© Leah Pattem
El respaldo de Trump a Netanyahu llega tarde en el incierto panorama de las elecciones en Israel
El respaldo de Donald Trump a Benjamín Netanyahu para las elecciones del próximo día 27 en Israel ha llegado tan a última hora y tras tantas semanas evitándolo que difícilmente cambie ya el curso de unos comicios inciertos. Netanyahu ansiaba desde hace meses esta expresión pública de apoyo, para presentarse como un dirigente “en otra liga” (como en su campaña de 2019 saludando a líderes mundiales) que cosecha como nadie la gran alianza con EE UU. Pero Trump venía evitando efectuarla, a causa del deterioro de la relación mutua (a raíz del fallido intento en febrero de derrocar al régimen iraní, de cuya viabilidad Netanyahu convenció a Trump), así que llegó este domingo casi como una sorpresa. A ocho días de las elecciones, sin embargo, un 39% de israelíes dice que “nada” cambiará ya su voto y otro 45% que solo un cambio en la situación de seguridad, el coste de la vida o un escándalo político, según una encuesta de la radiotelevisión pública. De hecho, el anuncio apenas ha modificado en Polymarket, el mayor mercado de predicción del mundo, el porcentaje de quienes apuestan a que Netanyahu seguirá como primer ministro tras los comicios, un 29%.
© Jonathan Ernst (REUTERS)
La guerra en Oriente Medio, ¿la oportunidad para un nuevo esquema de alianzas en la región?
Cuando Donald Trump desató su furia sobre Irán a finales de febrero, el resto del planeta se echó a temblar. No era para menos. Casi ocho meses después, el estrecho de Ormuz continúa bloqueado –no lo estaba antes del comienzo de la guerra– y los precios se encuentran por las nubes. Sin embargo, más allá del impacto en los bolsillos el conflicto está provocando un efecto dominó en Oriente Medio. Y es que, los misiles de Irán y sus aliados siguen cayendo por toda la región, lo que ha llevado al resto de países a reconsiderar sus afinidades.
Bien está que el conflicto entre Estados Unidos y la República Islámica se ha estancando desde hace meses, aunque en los últimos días se han intensificado los ataques a petroleros en Ormuz. Sin embargo, el foco ahora está en Yemen. Allí, una ofensiva de los rebeldes hutíes a principios de septiembre ha cogido por sorpresa a sus enemigos: el gobierno oficial del país y Arabia Saudí.
En cuestión de semanas, Riad ha visto cómo su poderío militar en la región es incapaz de hacer frente a un grupo insurgente de un país vecino. Sus ataques contra el aeropuerto de la capital saudí han dejado un reguero de muertos. También la empresa petrolera estatal –que engloba en torno al 10% de la producción mundial– ha sido objetivo de los hutíes. Los rebeldes están golpeando donde más duele.
El nuevo frente ha puesto de manifiesto que la lógica de alianzas en Oriente Medio ha cambiado. El estatus de major non-NATO ally ("aliado importante no-OTAN") de Arabia Saudí da buena cuenta del lugar privilegiado de los saudíes en la red de socios de Washington. Al menos así era hasta ahora. Pero, cuando el príncipe heredero Mohamed bin Salmán pidió auxilio a Donald Trump para frenar los ataques hutíes, éste le cerró la puerta en las narices.
EEUU ni está ni se le espera
A lo largo de estos meses, Trump ha mostrado su incapacidad o, directamente, indiferencia hacia la protección de sus aliados en el Golfo. Este semana, una investigación de Reuters ha desvelado que los ataques de Irán y sus aliados han alcanzado 135 objetivos críticos para las cadenas de suministro energético en la región. Mientras los misiles llovían sobre sus socios, la Casa Blanca miraba hacia otro lado.
Washington estaba centrado en los ataques contra sus bases militares en la región, cuyos daños ha tratado de minimizar durante estos meses. Sin embargo, la cadena CBS reveló el pasado mes de septiembre imágenes que mostraban los daños generalizados y la destrucción en múltiples posiciones estadounidenses en todo Oriente Medio como resultado de los ataques.

La sensación de abandono en los Estados del Golfo es generalizada. Se suponía que las bases estadounidenses eran su garantía de seguridad. En cambio, esas instalaciones han sido el principal motivo por el que han sufrido los ataques de Irán. Y la Casa Blanca no ha movido un dedo para evitarlos.
Ahora, con su no intervención para auxiliar a los saudíes, EEUU refuerza aún más esta percepción. En un análisis para el Centro de Estudios Estratégicos e Internacionales, un think tank con sede en Washington, Michael Ratney lo explica así: "La reticencia de Estados Unidos a involucrarse alimenta la percepción de que ha abandonado a un socio en su momento de mayor necesidad. Mientras Arabia Saudí, su aliado, está siendo atacado, el presidente estadounidense le dice al mundo que no lo está ayudando". En este mismo análisis, sugiere que Riad buscará nuevos socios, como bien demuestra el reciente Pacto de la Meca.
Turquía y Pakistán al rescate
El pasado agosto Arabia Saudí, Pakistán y Turquía firmaron el Pacto de la Meca. Algunos analistas lo han definido como una "OTAN musulmana", bien está que solo lo componen tres países. Aunque en un primer momento los pakistaníes y los turcos se mostraron reacios a ayudar a Riad, finalmente han aceptado acudir en su auxilio. Tropas enviadas por Islamabad ya se encuentran en suelo saudí, mientras que en el caso de Ankara, el Parlamento turco debe dar el visto bueno.
Un acuerdo de este tipo pone a Irán en un lugar especialmente comprometido. Los saudíes son unos de sus principales rivales en la región. Sin embargo, el presidente iraní, Masoud Pezeshkian, ha valorado la triple alianza como "un paso adelante" en la unión entre musulmanes, asegurando que su país está "listo" para participar en el proceso.

Tras conocerse el acuerdo, el Institute for National Security Studies, un think tank israelí vinculado a la Universidad de Tal Aviv, analizó las implicaciones del pacto para Irán. Aunque el declive de la hegemonía militar estadounidense en la región es una pequeña victoria para la República Islámica, el acuerdo entraña riesgos. ¿Y si en un futuro supusiese una amenaza?
Fuentes iraníes consultadas por El Independiente se limitan a subrayar que el Pacto de la Meca es un acuerdo de defensa, no ofensivo. Además, señalan que Pakistán es un buen aliado de Teherán. No obstante, algunos análisis publicados en medios iraníes han cargado contra Islamabad, a quien acusan de estar jugando a dos bandas.
Las milicias hutíes de Yemen forman parte del Eje de Resistencia, la red de alianzas orquestada por Teherán contra EEUU, Israel y sus aliados. A su vez, son enemigos de Arabia Saudí, que apoya al Gobierno oficialista yemení, en guerra con los rebeldes desde hace más de una década. Así, Pakistán, amigo de los ayatolás, colabora ahora con los saudíes para acabar con los socios iraníes en la región.
El factor israelí
Quizás el elemento más complicado de encajar en la ecuación sea Israel. El periódico Haaretz ha revelado los supuestos planes de Benjamín Netanyahu para unirse a Arabia Saudí en los ataques contra los hutíes. El primer ministro israelí anda buscando la normalización de las relaciones con los saudíes desde hace tiempo. Sumarse a su ofensiva contra las milicias rebeldes sería un buen aliciente.
No obstante, el príncipe israelí se muestra reticente a dar este paso. Aunque Riad y Tel Aviv colaboren al margen de los canales oficiales, aunar a Netanyahu a su alianza contra los hutíes son palabras mayores. Las fuentes iraníes consultadas por este medio no creen que esto vaya a suceder. También descartan que la República Islámica acudiese en auxilio de los rebeldes de Yemen si Israel se uniese a los ataques. Están centrados en su propia guerra con EEUU.

Además, está la barrera de Turquía, con quien Israel mantiene una intensa rivalidad desde hace meses. Hasta el punto de que Netanyahu ha llegado a afirmar que este país "es el nuevo Irán". La pugna entre estos dos Estados tiene mucho que ver con Siria, donde el Gobierno de Recep Tayyip Erdoğan ha ido ganando influencia desde la llegada del islamista Ahmed al Sharaa al poder. Desde Tel Aviv ven la creciente cooperación entre Damasco y Ankara como una amenaza a sus intereses en los Altos del Golán, territorio sirio que ocupan desde hace dos años.
De hecho, el portal estadounidense Axios aseguró a principios de mes que el Gobierno sirio estaba barajando también la posibilidad de enviar tropas a Yemen a luchar contra los hutíes. Un movimiento sorpresa desmentido por Damasco, aunque siguen llegando informes que apuntan en esta dirección.
Así, mientras los combates se recrudecen en Yemen –donde los desplazados internos superan los 233.000, según la Organización Internacional para las Migraciones–, el juego continúa en el tablero geopolítico en Oriente Medio. El vació dejado por Washington está siendo aprovechado por las potencias regionales, aunque todavía no queda claro hacia dónde terminarán de realinearse estos nuevos intereses.