❌

Reading view

Falha de segurança na PHP lança o pânico entre analistas de cibersegurança

Há mais de uma década que há uma falha tecnológica no sistema que suporta uma grande parte da internet, que só agora foi deixada a descoberto pela Inteligência Artificial (IA). As vulnerabilidades estão, segundo uma reportagem da BBC, dentro de uma linguagem de programação chamada PHP, que tem sido usada internacionalmente desde os anos 2000 para construir sites.

Governos e agências de cibersegurança em todo o mundo estão a esforçar-se para conter as consequências da descoberta, esta quarta-feira 21 de outubro, e têm incentivado os operadores de sites a instalarem uma nova solução de emergência ou a considerarem retirar as suas plataformas da net.

A empresa de cibersegurança Wiz – uma das empresas cujos analistas descobriram as vulnerabilidades – descreveu as falhas como “as mais graves” já detetadas pela IA. A OpenAI, cuja tecnologia foi usada para identificar as falhas, chamou a descoberta de “uma das questões de segurança mais impactantes na memória recente”.

A maioria dos utilizadores talvez nunca tenha ouvido falar da PHP, mas provavelmente interagem com ele diariamente. “É a vulnerabilidade mais séria que já encontrei”, diz Ryan Austin, analista da empresa de cibersegurança Calif, que ajudou a descobrir a falha. Estudando a PHP há cerca de 20 anos, o analista descreve a vulnerabilidade “como um erro gramatical na estrutura da frase”, mas “em vez de soar disparatada, na verdade invade a sua casa”. E especifica que o tipo de informação a que hackers poderiam ter acesso: “qualquer coisa que tivesse sido armazenada”. A PHP está “dentro de muitos lugares que não se esperaria”. “Basicamente, é muito central para o funcionamento da internet”.

Em 2024, analistas da PHP Foundation – uma organização sem fins lucrativos que mantém e desenvolve uma linguagem de programação popular – encontraram uma falha teórica no PHP, mas não conseguiram perceber como um hacker poderia usá-la num ataque informático.

Em julho de 2026, a fundação foi aceite na iniciativa Patch the Planet da OpenAI, que visa usar IA de vanguarda para identificar falhas em softwares e corrigi-las. Em agosto, uma empresa de cibersegurança, a Calif – que fazia parte do projeto – encontrou a falha no PHP. Desde então, a fundação vinha trabalhando com as empresas num patch de software que poderia ser importado por utilizadores da PHP para corrigir as falhas. Mas o processo foi repentinamente dado a conhecer, forçando a PHP Foundation a antecipar o processo – e aguçando a curiosidade dos hakers. Por isso o patch foi lançado à pressa e os sites tiveram que ser removidos caso fossem alvo de ataques cibernéticos.

O caso é tão grave que uma das maiores agências de inteligência do mundo alerta para que as organizações afetadas devem desligar os seus sistemas até que haja uma solução definitiva. A divisão cibernética da Agência de Segurança Nacional dos EUA diz que aqueles que usam PHP devem preparar-se imediatamente “para uma atualização que aborde duas vulnerabilidades críticas”. “A PHP é amplamente usado para aplicações web. Essas vulnerabilidades fornecem frequentemente um caminho direto para o sistema de arquivos ou banco de dados do servidor. Se uma atualização imediata não for viável, recomenda-se que as organizações retirem o sistema do ar até que ele possa ser totalmente mitigado.”

  •  

Um novo ciclo orçamental que começa com o fim do PRR

O Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) marca o início de um novo ciclo. Mais corretamente, o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) obriga ao começo de uma nova etapa. O impacto dos fundos europeus este ano tornam quase impossível uma comparação direta sobre as projeções para o próximo.

Descontando o PRR, a despesa efetiva do conjunto dos ministérios aumenta 8%, enquanto, incluindo-o, cresce apenas 2,1%, duas décimas abaixo da inflação e menos de metade da expansão de 4,6% da economia, em termos nominais.
O Ministério das Finanças é um dos que apresenta maiores diferenças entre a evolução da despesa total e da despesa efetiva consolidada. Enquanto a primeira aumenta 65,6%, para 50.735,1 milhões de euros, a segunda diminui 16,4%, para 8.951 milhões. A diferença resulta essencialmente das operações financeiras, nomeadamente empréstimos, participações e aplicações de fundos públicos.

A Gestão da Dívida Pública, contabilizada num programa autónomo, terá uma despesa efetiva de 8.511,6 milhões de euros, mais 20,1% do que em 2026, refletindo sobretudo o aumento dos encargos com juros. Sinal dos tempos.
A Reforma do Estado é um dos exemplos mais expressivos da mudança de ciclo orçamental. A despesa efetiva consolidada cai 57%, para 107,6 milhões de euros. Por causa do PRR. Mas a redução esconde uma evolução diferente das dotações financiadas por outras fontes. Excluindo o PRR, a despesa efetiva mais do que duplica, passando de 47,7 milhões para 96,8 milhões de euros, um aumento de 103%. O investimento sem PRR aumenta 325,6%, para 23,7 milhões de euros, destinado sobretudo à Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, responsável por projetos de transformação digital, simplificação administrativa, inteligência artificial e modernização dos serviços públicos.

Em termos de crescimento absoluto da despesa efetiva, é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social que lidera o reforço de verbas. A dotação aumenta 7,9%, para 30.270,4 milhões de euros. O crescimento deve-se, sobretudo, ao aumento dos encargos com pensões e prestações sociais, incluindo o reforço do Complemento Solidário para Idosos e das dotações para o abono de família. As transferências correntes representam 91,5% da despesa efetiva, num total de 28.377,3 milhões de euros.
A Segurança Interna, uma das prioridades políticas do OE2027, regista um aumento de 9,3% da despesa efetiva consolidada, para 3.153,8 milhões de euros. Excluindo o PRR, o crescimento seria maior, de 13,1%. As despesas com pessoal aumentam 4,7%, para 2.420,7 milhões, refletindo a valorização das carreiras e das remunerações das forças de segurança.
O investimento aumenta apenas 0,5%, para 174,6 milhões de euros, embora praticamente duplique quando se exclui o financiamento do PRR em 2026.

Apesar do compromisso de acelerar o cumprimento das metas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), a Defesa vê a despesa efetiva consolidada diminuir 1,8%, para 3.793,3 milhões de euros. Excluindo o PRR, aumenta 1,3%. A despesa total consolidada atinge 3.798,8 milhões, menos 1,7% do que na estimativa de execução de 2026. A evolução ocorre num contexto de reforço dos compromissos internacionais de Portugal, que pretende atingir uma despesa militar equivalente a 2,15% do produto interno bruto (PIB) em 2027.

A nova meta da NATO prevê um esforço global de 5% do PIB até 2035, incluindo 3,5% em despesas de defesa propriamente ditas e 1,5% em investimentos relacionados com segurança e resiliência.

Saúde paga mais
A seguir ao Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a Saúde apresenta uma das maiores dotações de despesa efetiva, com 17.803,1 milhões de euros, uma redução de 1,4%, ou 259,3 milhões. A diminuição é explicada pelo fim do PRR. Sem esse efeito, a despesa aumenta 3%.

O Governo prevê gastar cerca de 8.184 milhões de euros com pessoal, mais 5,2%, refletindo a valorização dos profissionais de saúde. Em contrapartida, a aquisição de bens e serviços diminui para cerca de 8.436 milhões de euros. O investimento recua 33,7%, para 678,3 milhões.

Segue-se a Educação, cuja despesa efetiva consolidada aumenta 1,5%, para 7.787,9 milhões de euros. As despesas com pessoal absorvem 85,1% da dotação, num total de 6.624,2 milhões, mais 256,1 milhões do que em 2026. O reforço permitirá financiar a recuperação do tempo de serviço dos docentes e a progressão das carreiras. No Ensino Superior, Ciência e Inovação, a evolução é negativa: a despesa efetiva diminui 8,2%, para 3.779,3 milhões de euros. Contudo, quando se exclui o PRR, aumenta 9,2%.
Os Órgãos de Soberania apresentam um aumento de 2,8% da despesa efetiva, para 7.657,3 milhões de euros. A Justiça é outra das áreas com crescimento expressivo, registando um reforço de 9,3%, para 2.128,2 milhões. O aumento destina-se, nomeadamente, à valorização e ao reforço dos recursos humanos, à modernização tecnológica e à transformação digital dos serviços. O Governo pretende acelerar a desmaterialização dos processos e modernizar os sistemas informáticos das plataformas judiciais, reforçando também a utilização de ferramentas de inteligência artificial em tarefas administrativas e no tratamento de informação. O objetivo é reduzir os tempos de resposta e a pendência processual. Estão ainda previstos investimentos nos meios alternativos de resolução de litígios, incluindo o desenvolvimento de mecanismos especializados, como a Câmara de Resolução de Litígios de Contratação Pública.

As Infraestruturas e Habitação apresentam uma redução de 1,3% da despesa efetiva consolidada, para 5.989,1 milhões de euros. Se considerarmos a despesa total, incluindo operações financeiras, a redução aproxima-se dos 9%. Também aqui o efeito do PRR é determinante: excluindo esse financiamento, a despesa efetiva aumenta 20,8%. O Governo prevê investimentos na promoção e reabilitação da habitação pública, procurando assegurar a continuidade dos projetos depois do encerramento do programa europeu.

O Ambiente e Energia apresenta uma redução de 2,4% da despesa efetiva, para 2.235,2 milhões de euros. Na despesa total consolidada, a quebra é de 3,2%. Mais uma vez, a evolução é condicionada pelo fim do PRR: sem esse efeito, a despesa efetiva aumenta 17,3%. O programa Energia absorve 842 milhões de euros, enquanto o Governo mantém as prioridades da transição energética, da descarbonização e do reforço da segurança do abastecimento.

A Economia parece ser o parente pobre do OE2027: tem uma dotação de 1.344 milhões de euros, que contrastam com os 2.312 milhões de euros estimados para 2026. A Coesão Territorial, ‘encaixada’ no mesmo ministério, é ainda mais penalizada: os 426,8 milhões para o próximo ano comparam com os 1.194 milhões estimados para este ano. A medida central para as empresas é a descida da taxa geral de IRC de 19% para 18%, com o objetivo de atrair investimento estrangeiro e aumentar a liquidez das empresas portuguesas. O segmento do Turismo, Comércio e Serviços conta com uma dotação específica de 38,7 milhões de euros destinada à promoção externa de Portugal e à digitalização do comércio de proximidade. No que diz especificamente respeito à Coesão Territorial, o Governo justifica a quebra com o facto de o orçamento anterior ter sido fortemente inflacionado por verbas extraordinárias de apoio às calamidades.

A Cultura, área que tradicionalmente resiste pouco a tempos adversos (costuma até perder a categoria de ministério, passado a secretaria geral), é também das que sofrem uma acentuada erosão entre o OE2027 e a estimativa para 2026: são menos quase 18%. Está previsto um envelope de 45,5 milhões de euros para o investimento, nomeadamente em programas de recuperação de monumentos, museus e edifícios classificados. Em 2027, Évora será Capital Europeia da Cultura, projeto que contará também com financiamento europeu.
O ministro Paulo Rangel tem alguns motivos para estar satisfeito: a dotação do OE2027 para a representação externa passa dos 487,5 milhões de euros estimados este ano para 512.2 milhões de euros em 2027. O Ministério dos Negócios Estrangeiros não quererá com certeza passar por ‘sovina’ numa altura em que Portugal avulta como membro não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas – o que exigirá com certeza um forte reforço da capacidade diplomática.
A Juventude e desporto também não se sai mal: entre os dois indicadores há um aumento de 3,8%. O orçamento assegura o arranque do financiamento do Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo (PNDD) a longo prazo (que prevê injetar 130 milhões de euros ao longo de 12 anos, abrangendo três ciclos olímpicos).

  •  

CEO da Ryanair diz que Ursula von der Leyen é uma “inútil”

O diretor executivo da Ryanair, Michael O’Leary, chamou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de “inútil”, acusando-a de falar sobre competitividade sem fazer nada para a concretizar. Em entrevista à agência Euronews, O’Leary disse que “temos esse bando de incompetentes no Parlamento Europeu, reformulando ainda mais regulamentações destinadas a aumentar o custo das viagens aéreas, quando os consumidores querem tarifas mais baixas.”

A Ryanair vai cortar um milhão de lugares este inverno, com Michael O’Leary a alertar para os aumentos acentuados das tarifas em 2027, exigindo que as companhias aéreas estrangeiras paguem a sua parte. O’Leary criticou os impostos ambientais da UE que se aplicam apenas a voos dentro do bloco. As companhias aéreas norte-americanas, asiáticas e chinesas estão isentas, embora, segundo ele, sejam responsáveis ​​por mais da metade das emissões da aviação europeia.

“Ninguém, além do Parlamento Europeu e de Ursula von der Leyen, criaria um sistema tão estúpido. Se querem mesmo competitividade, tributem os americanos quando eles desembarcarem aqui na Europa.” As rotas de longa distância, operadas por companhias aéreas europeias, americanas, asiáticas e chinesas, estão sujeitas a um regime de compensação de carbono menos rigoroso. De acordo com a Eurocontrol, entidade responsável pela regulação do tráfego aéreo, esses voos representam apenas 6% das partidas, mas são responsáveis ​​por mais da metade das emissões de CO2 da aviação europeia.

Em julho, a Comissão propôs estender a taxa da UE a alguns voos com partida da Europa a partir de 2029. Rotas como Frankfurt-Dubai e Frankfurt-Istambul serão incluídas no mercado de carbono, enquanto trechos mais longos, como Frankfurt-Tóquio, serão excluídos, de acordo com a proposta da Comissão. Voos provenientes dos Estados Unidos e da China que aterrem na Europa estarão isentos.

“Ursula von der Leyen tem medo de fazer qualquer coisa além de falar. É uma inútil”, disse O’Leary ao programa Europe Today . “A Europa tem um roteiro para ser mais competitiva, chamado Relatório Draghi. Dois anos depois, nenhuma das suas recomendações foi implementada e Ursula von der Leyen esconde-se sem fazer nada além de discursar.”

O ex-primeiro-ministro italiano Mario Draghi publicou o relatório em setembro de 2024. O documento alertava para que a UE enfrentaria uma “agonia lenta” sem uma reforma radical e pedia um investimento adicional de até 800 mil milhões de euros por ano. No mês passado, um relatório da Joint European Disruptive Initiative indicava que o bloco implementou 26% das recomendações apresentadas por Draghi; “o progresso é real, mas não está em sintonia com o ritmo do mundo”.

Ryanair procura países competitivos

O’Leary estava em Bruxelas para anunciar a programação de inverno da Ryanair. A companhia aérea vai cortar um milhão de lugares e 20 rotas a partir da Bélgica depois de o governo de Bart De Wever ter aumentado o imposto sobre viagens aéreas em dois euros, elevando-o para sete euros por bilhete – um valor, ainda assim, mais baixo que os 10 euros inicialmente propostos.

“Estamos a transferir aeronaves para os países que são competitivos”, disse O’Leary. “A Bélgica não é competitiva. A França não é competitiva. A Alemanha é irremediavelmente não competitiva.” A nova taxa da Bélgica é ainda menor do que nos países vizinhos: os Países Baixos já cobram 30,25 euros por passageiro que embarca, e a Alemanha 13,03 euros para a maioria dos voos europeus.

A redução das rotas de inverno da Ryanair segue estratégias semelhantes adotadas pela sueca SAS e pela Easyjet, que também reduziram seus voos este ano.

O’Leary alertou os passageiros para esperarem tarifas mais altas. A Ryanair garantiu o preço do combustível deste ano em cerca de 67 dólares por barril, ao negociar o preço antecipadamente, o que a protege do aumento dos custos do petróleo. Mas prevê que esse preço dobre no próximo ano, quando a proteção expirar. “Garantimos que não haverá sobretaxas de combustível”, disse O’Leary, “mas não há dúvida de que as passagens aéreas aumentarão significativamente em 2027 devido aos preços muito mais altos do petróleo.”

  •  

Trump diz que está pronto para reunir com Putin e Xi Jinping

Uma cimeira entre a China, Estados Unidos e Rússia – ou talvez apenas um encontro entre os seus líderes – ganha cada vez mais visibilidade depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que está disposto a encontrar-se com os seus homólogos chinês e russo, respetivamente Xi Jinping e Vladimir Putin. Trump adiantou que este eventual encontro se centraria na desnuclearização, mas poderia também abordar a guerra na Ucrânia. E pode acontecer à margem de uma cimeira Ásia-Pacífico, em Shenzhen, China, a 18 e 19 de novembro.

Trump disse que se encontraria com os seus homólogos “não tanto pela Ucrânia, porque a Rússia, francamente, tem estado relativamente tranquila em relação à Ucrânia. Não tem feito muito. Teríamos o encontro para falar de armas nucleares e de desnuclearização.” Mas garantiu que faria “tudo o que puder para acabar com a guerra”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que, “tendo em conta que os três chefes de Estado poderão eventualmente participar numa cimeira na China, o tema de uma reunião hipotética foi, de facto, mencionado.” Mas Peskov acrescentou que “não houve propostas ou acordos substantivos, nem sobre o próprio encontro nem sobre uma eventual agenda e seu conteúdo, discutidos ou apresentados por qualquer parte”.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, afirmou não ter informação sobre um possível encontro, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, reagiu com indignação à possibilidade de uma reunião sem Kiev. “Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, da China e dos Estados Unidos só teria o efeito inverso: encorajar Putin a continuar esta guerra”, disse.

Nos últimos dias, Trump voltou a atacar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Esta segunda-feira, 19 de outubro, disse que “é altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia”. “Zelensky não sabe do que está a falar. Para ser sincero, penso que está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia.”

  •  

Merz acusa a Rússia de querer desestabilizar toda a Europa

Em entrevista à Bloomberg, o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou fortes preocupações de que as sociedades europeias estão a subestimar a extensão da influência da Rússia e dos seus amplos esforços para perturbar a ordem política do continente europeu. “A minha maior preocupação é o impacto subestimado da Rússia nas nossas sociedades”, disse. “A Rússia está a caminho de desestabilizar toda a ordem política do continente europeu.”

Merz observou que muitos cidadãos, incluindo alemães, não conseguem compreender os verdadeiros objetivos por trás das ações de Moscovo, que vão muito além das ambições territoriais na Ucrânia, para chegarem ao patamar de uma oposição fundamental às sociedades abertas e à integração europeia. “Eles não veem qual é o verdadeiro objetivo da Rússia. Não é apenas ganho territorial na Ucrânia. Eles temem a democracia. Eles temem sociedades abertas. Eles temem o sucesso da integração europeia”, disse Metz.

Em resposta a essas ameaças crescentes, os governos europeus estão a implementar ativamente reformas na área da defesa para fortalecer a autossuficiência e as capacidades autóctones de proteção dentro da NATO. “Estamos a tentar colocar-nos numa posição que nos torne fortes o suficiente para competir, para nos defendermos de forma independente dentro da NATO.”

Merz disse que a Alemanha e outros aliados europeus e ‘não norte-americanos’ continuam a assumir compromissos para sustentar o financiamento de defesa para Kiev sem ajuda de Washington. “É realmente um grande esforço para os nossos orçamentos, é realmente algo importante para a União Europeia”, disse Merz. “Mas estamos a fazer isso e estamos a tentar continuar a fazer isso até que essa terrível guerra acabe”.

Apesar desses desafios de segurança e logística, os líderes europeus continuam focados em manter sanções contra Moscovo e em defender a integridade territorial da Ucrânia, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky expressou preocupações sobre atrasos em fornecimentos militares essenciais, como mísseis Patriot, e ajustes de serviço em redes de comunicação vitais como a Starlink.

Merz esteve recentemente, mais uma vez, em Kiev para um encontro com Zelensky. No seguimento dessa visita, foram anunciados 15 acordos bilaterais avaliados em mais de 8,5 mil milhões de euros nas áreas da defesa, intercetadores de drones, tecnologia de radar e suporte energético.

  •  

Paris colocada sob recolher obrigatório parcial

As autoridades francesas decretaram um recolher noturno, que entrará em vigor das 23h às 6h em alguns lugares de Paris, como a Praça da República e as ruas ao redor do centro cultural Les Halles. A medida, segundo a imprensa francesa, será aplicada a três categorias de pessoas: menores desacompanhados, pessoas que usam equipamento de proteção individual e pessoas que se apresentem com o rosto tapado.

Foi decretado um primeiro recolher obrigatório com duração de dois dias a partir desta segunda-feira, a9 de outubro, na cidade de Lille, no norte do país, e nas cidades vizinhas de Douai , Wattignies e Denain, por imposição do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Nos departamentos do norte, a ordem impõe o recolher a menores a partir das 20h. Em Coulaines, uma cidade de cerca de oito mil habitantes perto de Le Mans, o minícipe, Christophe Rouillon, anunciou também que implementaria um toque de recolher “à noite para menores que saírem sozinhos”, a partir das 23h.

Ainda em Paris, o autarca do centro da cidade, Ariel Weil (do Partido Socialista), cuja área foi duramente atingida por saques e destruição, disse que já havia solicitado o estabelecimento de um recolher obrigatório e, “por que não?”, a intervenção do exército para evitar a repetição da violência. “Houve uma destruição incrível; nem mesmo no auge do movimento dos ‘coletes amarelos’ vimos tanta destruição num único fim de semana”, disse.

No último fim-de-semana, ocorreram protestos em massa por toda a França, com a participação estimada em mais de meio milhão de pessoas. Os distúrbios incluíram tumultos, saques e confrontos violentos com a polícia em Paris, Marselha e Limoges. O ministro do Interior admitiu que a polícia “perdeu o controlo” em algumas cidades, enquanto o presidente Emmanuel Macron, que se dirigiu ao país no domingo, exigiu uma revisão completa das medidas de segurança e o apoio total às decisões tomadas pelos autarcas das regiões mais afetadas. Logo após o discurso Macron, que afirmou ser “insuportável ver as nossas ruas saqueadas”, grupos de homens pilharam lojas no centro de Paris.

Por outro lado, a Comissão de Direito do Senado anunciou o lançamento de uma investigação sobre a violência que marcou o fim-de-semana, na tentativa de esclarecer as “significativas disfunções na antecipação e preparação do aparato policial”. A comissão pretende “investigar” “a sequência dos acontecimentos” e “determinar as responsabilidades administrativas, institucionais, legais e políticas pelos eventos ocorridos durante esses dois dias “, explica um comunicado do Senado.

Diversos grupos parlamentares, principalmente de esquerda, pediram durante o fim-de-semana a criação de uma comissão de inquérito, visto que o governo enfrenta críticas generalizadas pela forma como lidou com as manifestações e a violência e os saques subsequentes.

A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet (do partido de Marine Le Pen), avançará esta terça-feira com a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a violência e os saques cometidos à margem das manifestações de 17 de outubro, que deverá também concentrar-se na estratégia de manutenção da ordem.

 

Lecornu denuncia a extrema-esquerda

O chefe de governo, Sébastien Lecornu, acusou o “movimento de extrema-esquerda” de querer semear “profunda desordem” e “questionar o calendário e a realização das eleições presidenciais”. A declaração mereceu uma rápida resposta de Jean-Luc Mélenchon: “como candidato, expresso o meu espanto. Se o primeiro-ministro não é um mentiroso ou alguém que quer incitar a desordem, deve provar a sua acusação. Caso contrário, deve pedir desculpa, calar-se e parar de incitar a desordem, como ele, o chefe da polícia de Paris e o ministro do Interior, que ao menos teve a classe de apresentar a sua demissão” (que foi recusada pelo Presidente da República).

 

  •  
❌