Así vivían los neandertales en la Península Ibérica: el campamento estacional de hace 46.000 años que rivaliza en extensión con los grandes yacimientos europeos









O centro histórico, o Castelo e o Forte de São Sebastião foram os protagonistas da 27.ª edição dos Dias Medievais em Castro Marim, que recebeu milhares de visitantes entre os dias 26 e 30 de agosto, marcada por uma nova dinâmica que proporcionou uma viagem única ao passado.
O cenário único de Castro Marim, envolvido na Reserva Natural do Sapal, foi o palco principal deste evento âncora organizado pelo Município, que trouxe muita história e magia durante os cinco dias mais aguardados da agenda cultural da região algarvia, que este ano teve um aumento substancial no número de visitantes.
Reis e rainhas, cavaleiros de armaduras reluzentes, bobos e jograis, comerciantes, monges, damas e nobres e ainda criaturas demoníacas e mágicas deambularam por todo o recinto com as suas animações, naquela que é considerada como uma das maiores e melhores recriações históricas do país, que cada vez mais atrai público estrangeiro.
O Município de Castro Marim apostou no rigor e investiu na segurança e qualidade, que são as bandeiras deste evento, com o reforço da segurança privada, nas equipas de intervenção médica rápida e de socorro com desfibrilhadores, bombeiros e forças de segurança, que contavam com um sistema de comunicação para a proteção de visitantes.
A lateral da Igreja de Nossa Senhora dos Mártires serviu de palco para o ato de abertura do evento, que contou com a participação da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.
A edição deste ano contou com uma nova dinâmica em todo o recinto, com investimento em infraestruturas e decoração, além de novidades na programação e nos grupos de animação que proporcionaram espetáculos únicos e que recolhiam emoções fortes junto do público.
O Castelo de Castro Marim, Património Nacional, mantendo a sua autenticidade, acolheu as representações de mais de 45 artes e ofícios num palco único e inigualável, desde o ferreiro às crianças aprendizes da Tecelã acompanhadas pela geração mais sábia, num cenário vivo.
Além de grandes espetáculos como os torneios medievais a cavalo, com a participação especial da Guarda Nacional Republicana no sábado para uma performance única, que foram diariamente um elemento de atração para os visitantes, estavam patentes as exposições de Instrumentos de Tortura e Punição com uma nova roupagem e a da Primeira Sede da Ordem de Cristo.
O Castelo abrigou ainda os banquetes medievais, que decorreram num espaço exclusivo e à luz misteriosa das tochas, com uma ementa que reuniu as melhores iguarias da época, acompanhadas de performances de grupos de animação, sempre com lotação esgotada muito rapidamente.
Entre os grandes destaques deste ano esteve o tradicional desfile, que ocorreu no primeiro e no último dia do evento, considerado como uma das melhores oportunidades para absorver este universo de imaginação e fantasia, que nesta edição mostrou novidades e a participação mais marcadas das coletividades, associações, clubes locais e Juntas de Freguesia.
A animação continua a ser outra das grandes e fortes apostas dos Dias Medievais em Castro Marim, que se distingue de outros eventos do género graças à exclusividade com alguns dos 30 grupos de animação nacionais e internacionais.
Uma vez que este é considerado um evento para toda a família, a programação incluía espaços e atividades de animação infantil com oficinas, jogos, carrosséis e outras diversões, sendo zonas que exigem um maior resguardo e áreas mais acauteladas, para que os mais pequenos pudessem usufruir das experiências, tanto no Castelo como fora dele, com a participação especial da mascote Marim.
Os Dias Medievais em Castro Marim terão sido um dos primeiros EcoEventos do país, por desde sempre disponibilizar um copo de barro diferente em cada edição, e este ano não foi exceção, pretendendo continuar no futuro, com o objetivo de apelar à máxima redução de resíduos e à utilização de materiais reutilizáveis.
O programa contava com centenas de exibições, num evento que envolveu dezenas de estabelecimentos e associações, figurantes, funcionários da Câmara Municipal de Castro Marim, forças de segurança, artistas, empresas, castromarinenses e muitos outros, que enriquecem e distinguem este evento, tornando-o numa experiência única e inesquecível e um verdadeiro regresso à época mais intrigante e misteriosa da nossa história.
Com o final de mais uma edição de sucesso dos Dias Medievais em Castro Marim, já se começa a pensar na próxima, que certamente trará muitas novidades em 2027 e fica a vontade de fazer mais e melhor a cada edição.
O Município de Castro Marim reconhece e agradece a dedicação e empenho a toda a estrutura da autarquia e a participação ativa da comunidade e das associações, que tornam possível a realização dos Dias Medievais.

di Matteo Forlani
Nell’inverno del 1886-1887, in una tomba dell’Alto Egitto, gli archeologi francesi trovarono nove pagine del testo che oggi chiamiamo Vangelo di Pietro. Raccontavano una resurrezione che nessuno dei quattro Vangeli canonici aveva mai descritto: Gesù usciva dal sepolcro alto fino al cielo, seguito da una croce capace di camminare e parlare.
Il ritrovamento avvenne nell’antico cimitero di Akhmim, la Panopoli dei Greci. La sepoltura fu attribuita, forse troppo in fretta, a un monaco. Al suo interno c’era un piccolo codice di pergamena che raccoglieva testi ebraici e cristiani. Fra quelle pagine, alcune guardie assistevano a una scena impossibile da dimenticare.
Il cielo si apriva e due figure luminose scendevano accanto alla tomba di Gesù. La pietra posta davanti all’ingresso si spostava da sola. Poco dopo ne uscivano tre uomini dalle proporzioni gigantesche: le teste dei primi due raggiungevano il cielo, quella del terzo lo superava. Dietro di loro avanzava la croce.
Una voce proveniente dall’alto domandava se il messaggio fosse stato annunciato a coloro che dormivano. La croce rispondeva: «Sì».
Il manoscritto non aveva titolo. Il racconto cominciava quando il processo contro Gesù era già in corso e terminava mentre Pietro, Andrea e Levi prendevano le reti e si dirigevano verso il mare. Nelle ultime righe, però, il narratore si presentava come Simon Pietro. Fu questo particolare a permettere agli studiosi di dare un nome al frammento e di collegarlo a un’opera che gli autori cristiani dell’antichità conoscevano, discutevano e talvolta condannavano.
Urbain Bouriant pubblicò il frammento nel 1892. Era il primo vangelo non canonico riscoperto in epoca moderna in una forma abbastanza estesa da permettere di seguirne la narrazione. Fino a quel momento il Vangelo di Pietro era poco più di un titolo citato da scrittori antichi: un libro perduto del quale sopravvivevano giudizi, sospetti e qualche informazione indiretta.
Lo stesso codice conservava brani del Libro di Enoch, dell’Apocalisse di Pietro e del martirio di Giuliano di Anazarbo. Oggi è custodito presso la Bibliotheca Alexandrina con la sigla BAAM 0522, dopo essere stato conosciuto a lungo come P. Cairo 10759 o, più semplicemente, frammento di Akhmim. La sua collocazione è stata ricostruita da H. A. G. Houghton e Mina Monier in uno studio pubblicato dal Journal of Theological Studies.
Il codice viene datato generalmente al VI o al VII secolo. Il testo copiato sulle sue pagine è molto più antico: un vangelo attribuito a Pietro circolava già verso la fine del II secolo. L’identificazione con il frammento egiziano è largamente accettata, anche se le pagine di Akhmim non riportano alcun titolo e potrebbero appartenere a un’opera più ampia. La scheda della North American Society for the Study of Christian Apocryphal Literature lo indica per questo come il principale manoscritto del Vangelo di Pietro, lasciando aperto il problema della sua estensione originaria.
L’autore non era l’apostolo morto nel I secolo. Qualcuno, diverse generazioni più tardi, scelse la sua voce per conferire autorità al racconto. Non si limitò ad apporre un nome famoso: trasformò Pietro nel testimone che parlava dall’interno della storia e affidava al lettore la propria versione degli ultimi giorni di Gesù.
La prima pagina superstite entra nella vicenda senza preamboli. Ponzio Pilato ha già compiuto il gesto ricordato dal Vangelo di Matteo e si è lavato le mani per dichiararsi estraneo alla condanna. Nel racconto di Akhmim, Erode e i giudici ebrei rifiutano di fare altrettanto. Pilato si alza; Erode impartisce gli ordini per l’esecuzione.
La responsabilità della morte di Gesù viene così spostata dalle autorità romane su Erode e sui capi del popolo. Il testo, tuttavia, distingue fra i dirigenti e la popolazione: dopo la crocifissione, molti comprendono la gravità di quanto è accaduto e manifestano pentimento. Joel Marcus ha letto questa differenza come un possibile indizio di una comunità formata da cristiani di origine ebraica vissuti nella Siria del II secolo. È una proposta affascinante, ma la provenienza del vangelo resta sconosciuta.
Anche Giuseppe d’Arimatea riceve una parte più ampia. Chiede a Pilato il corpo di Gesù prima ancora della crocifissione, ma il governatore deve ottenere il consenso di Erode. Il condannato viene poi rivestito di porpora, fatto sedere su un seggio e circondato da aguzzini che fingono di rendergli omaggio.
Sulla croce Gesù rimane in silenzio e l’autore lo descrive come se non provasse dolore. Uno dei criminali crocifissi al suo fianco protesta contro l’ingiustizia della condanna. Gli esecutori, irritati, decidono di non spezzargli le gambe e ne prolungano l’agonia.
A mezzogiorno l’oscurità avvolge la Giudea. Gli abitanti escono con le lampade, convinti che sia già notte. Le ultime parole di Gesù non coincidono con quelle riportate da Marco e Matteo. Nel testo di Akhmim esclama:
«Potenza mia, potenza, mi hai abbandonato».
Dopo il grido viene «elevato». Il corpo è deposto dalla croce e, quando tocca il terreno, la terra trema. Giuseppe lo lava, lo avvolge in un lenzuolo e lo colloca nel proprio sepolcro.
L’autore sembra ricordare liberamente i quattro Vangeli conosciuti. Pilato proviene soprattutto da Matteo, la cronologia avvicina il testo a Giovanni, altri episodi richiamano Marco e Luca. Molti studiosi vedono in questa mescolanza il lavoro di uno scrittore del II secolo che riorganizzò tradizioni già diffuse. Altri gli attribuiscono materiali indipendenti, forse più antichi. Il rapporto con i Vangeli canonici rimane uno dei problemi centrali della ricerca sul testo.
Matteo, Marco, Luca e Giovanni raccontano il ritrovamento della tomba vuota e le apparizioni del risorto. Nessuno di loro mostra il momento esatto in cui Gesù torna in vita. L’autore del Vangelo di Pietro decise di riempire quel silenzio.
Dopo la sepoltura, i capi ebrei chiedono a Pilato di sorvegliare la tomba. Temono che i discepoli possano sottrarre il corpo e annunciare la resurrezione. Il centurione Petronio arriva con alcuni soldati; una grande pietra viene fatta rotolare davanti all’ingresso e sigillata sette volte. Le guardie montano una tenda e iniziano la sorveglianza.
Nella notte fra il sabato e la domenica si ode un grande rumore. I cieli si aprono e due uomini avvolti dalla luce scendono accanto al sepolcro. La pietra si sposta, i due entrano e i soldati svegliano il centurione e gli anziani presenti. Tutti si avvicinano per vedere.
Tre uomini escono dalla tomba. Due sostengono il terzo e sono seguiti da una croce. Le teste dei primi raggiungono il cielo, mentre quella dell’uomo sorretto lo oltrepassa. Il corpo deposto da Giuseppe è diventato una figura cosmica, tanto grande da unire la terra al mondo divino.
Anche la croce ha cambiato natura. Lo strumento dell’esecuzione cammina dietro al risorto e conferma di aver predicato a coloro che dormivano. Non è più un oggetto: diventa testimone e messaggera della vittoria sulla morte.
La scena sembra nascere da una fantasia senza freni. Potrebbe invece essere il risultato di una lettura molto concreta delle Scritture. Deane Galbraith ha collegato il gigante e la croce parlante a un’interpretazione cristologica del Salmo 18 nella versione greca. In quel salmo il sole esce dalla propria dimora come uno sposo e attraversa il cielo simile a un gigante; la voce dei cieli si diffonde su tutta la terra.
Lo scrittore potrebbe aver trasformato quelle immagini poetiche in azioni. Il risorto diventa il gigante che attraversa il firmamento, mentre la voce cosmica viene affidata alla croce. Le parole delle Scritture assumono un corpo, escono dalla tomba e cominciano a muoversi.
Dopo la visione, i soldati corrono da Pilato e dichiarano che Gesù era davvero il figlio di Dio. Il governatore ordina loro di tacere. Soltanto in seguito Maria Maddalena e le altre donne raggiungono il sepolcro, dove incontrano un giovane vestito di luce. Come nel finale originario del Vangelo di Marco, fuggono impaurite. Le autorità hanno visto il prodigio e hanno già deciso di nasconderlo.
Verso la fine del II secolo Serapione, vescovo di Antiochia, visitò la comunità cristiana di Rhossus, una città della costa siriana. Qui era scoppiata una controversia intorno a un vangelo attribuito a Pietro. Serapione non conosceva il libro, ma si fidava dei fedeli e ne permise la lettura.
Qualche tempo dopo seppe che l’opera era apprezzata da cristiani vicini al docetismo. Si procurò una copia, la lesse e cambiò giudizio. La sua lettera è sopravvissuta grazie alla Storia ecclesiastica di Eusebio di Cesarea. Il vescovo riconosceva nel libro molti insegnamenti conformi alla fede della Chiesa, insieme ad aggiunte che considerava inaccettabili. Contestava soprattutto l’attribuzione apostolica: Pietro rimaneva un’autorità, ma il suo nome non poteva rendere autentica un’opera successiva. Eusebio conserva anche il racconto dell’iniziale autorizzazione, concessa prima che Serapione avesse esaminato il testo.
Il docetismo, dal verbo greco che significa «sembrare», comprendeva dottrine secondo le quali l’umanità o la sofferenza fisica di Cristo non erano pienamente reali. La descrizione di Gesù silenzioso, come se non provasse dolore, sembrò offrire una conferma. Anche il grido rivolto alla propria «potenza» e l’affermazione che Cristo venne elevato alimentarono il sospetto che la componente divina lo avesse abbandonato prima della morte.
Il frammento consente però una lettura meno netta. Il silenzio può rappresentare la fermezza del martire, mentre l’espressione «come se» non cancella la realtà del dolore. Jerry McCant ha sostenuto che le pagine di Akhmim non bastano a dimostrare una teologia docetista. Serapione potrebbe aver conosciuto sezioni perdute, oppure aver giudicato il modo in cui il libro veniva usato. Potrebbe persino aver letto una versione diversa.
La vicenda racconta qualcosa di più ampio del destino di un singolo vangelo. Alla fine del II secolo, un testo poteva essere letto in una comunità e ignorato in un’altra. Un vescovo poteva autorizzarlo senza conoscerlo, procurarsene una copia e poi intervenire. I confini fra racconto utile, opera sospetta e Scrittura riconosciuta si stavano formando nella pratica, una lettura dopo l’altra.
Quando i vescovi si riunirono a Nicea nel 325, Matteo, Marco, Luca e Giovanni godevano già da oltre un secolo di un riconoscimento molto più ampio rispetto agli altri racconti sulla vita di Gesù. Il concilio discusse soprattutto la natura di Cristo e il rapporto fra il Figlio e il Padre. La scelta dei quattro Vangeli non fu sottoposta a votazione.
La formazione del Nuovo Testamento avvenne gradualmente. Le comunità confrontarono opere diverse e privilegiarono quelle ritenute legate agli apostoli, lette in territori lontani fra loro e compatibili con la fede professata nelle Chiese. Alla fine del II secolo la raccolta dei quattro Vangeli era sostanzialmente stabilita; la discussione su altri libri continuò ancora a lungo. La complessità di questo processo emerge dalla ricostruzione pubblicata nella New Cambridge History of the Bible.
Il Vangelo di Pietro rimase ai margini. Circolava in ambienti limitati, portava il nome di un apostolo che non lo aveva scritto e aveva suscitato dubbi teologici già nel II secolo. Gli mancavano la diffusione e l’autorità raggiunte dai quattro racconti canonici. Più che espulso da una Bibbia ormai definita, non riuscì mai a entrarvi.
La parola «apocrifo» indica qui un’opera rimasta fuori dal canone. Non implica necessariamente un libro segreto, perseguitato o distrutto. Alcuni apocrifi furono combattuti; altri continuarono a essere letti, copiati e utilizzati nella predicazione o nella devozione popolare.
Il codice deposto nella tomba di Akhmim ne offre una prova. Qualcuno, diversi secoli dopo il giudizio di Serapione, considerava ancora quelle pagine abbastanza importanti da conservarle insieme ad altri scritti religiosi.
Il frammento di Akhmim non è la cronaca alternativa di un testimone della resurrezione. Il suo valore storico riguarda il mondo cristiano che lo produsse.
Quelle nove pagine mostrano come una comunità del II secolo potesse riprendere una storia ormai conosciuta e darle una forma nuova. L’autore distribuì diversamente le responsabilità della condanna, accentuò i prodigi, trasformò il sepolcro in un luogo osservato dalle autorità e rese visibile ciò che i Vangeli canonici avevano lasciato fuori dalla narrazione.
Il silenzio sul momento esatto della resurrezione non gli bastava. Volle mostrare il cielo aperto, gli angeli discesi sulla terra e un Cristo tanto grande da oltrepassare il firmamento. Perfino la croce dovette uscire dalla tomba e confermare che il messaggio aveva raggiunto il regno dei morti.
Ignoriamo il nome dell’autore, il luogo preciso della composizione e l’ampiezza della sua diffusione. Conosciamo invece l’identità che egli scelse: Pietro, l’apostolo che nei Vangeli aveva rinnegato Gesù e che ora diventava narratore della sua vittoria sulla morte.
Il testo non racconta come avvenne la resurrezione. Racconta come, nel II secolo, alcuni cristiani sentirono il bisogno di vederla accadere.
L'articolo Il Vangelo di Pietro su Vanilla Magazine scritto da Matteo Forlani



di Matteo Forlani
Per oltre diciassette secoli il suo nome rimase sepolto in un campo dell’Oxfordshire. A riportarlo alla luce, nell’aprile del 2003, fu il segnale di un metal detector.
Brian Malin stava esplorando un terreno nei pressi di Chalgrove, a meno di sedici chilometri da Oxford, quando lo strumento reagì a qualcosa nascosto fra trenta e sessanta centimetri di profondità. Per lui non era un luogo qualunque: nel 1989, appena trenta metri più in là, insieme al fratello Ian aveva già trovato 4.145 monete romane chiuse in due vasi.
Il nuovo recipiente, modellato in una ceramica grigia di produzione locale, sembrava la continuazione di quella scoperta. I due depositi avevano dimensioni e composizione simili; entrambi terminavano con emissioni di Probo del 278-279. Jérôme Mairat ha proposto che appartenessero alla stessa persona, forse qualcuno che aveva preferito dividere i propri risparmi in nascondigli separati. Non possiamo sapere chi fosse né perché non tornò a recuperarli. Resta però difficile considerare casuale la presenza di due fortune quasi gemelle nello stesso campo.
Dentro il secondo vaso c’erano 4.957 monete coniate fra il 251 e il 279. Erano quasi tutte monete radiate di lega povera, rese più brillanti da un velo d’argento ormai in gran parte scomparso. Sette su dieci provenivano dall’Impero delle Gallie; le altre dalle officine controllate dagli imperatori di Roma. Chi aveva raccolto quel denaro, insomma, usava senza distinzione le valute dei due poteri che si contendevano l’Occidente romano.
Quando venne estratto dal terreno, il tesoro non aveva l’aspetto di una cascata di monete. La corrosione aveva saldato i pezzi fra loro e alle pareti del contenitore, formando un blocco compatto. Il vaso arrivò intatto all’Ashmolean Museum e fu poi affidato ai restauratori del British Museum. Per mesi, acqua tiepida e alcol sciolsero il terreno, mentre ultrasuoni e solventi rimossero le incrostazioni. Ogni esemplare venne separato, asciugato, stabilizzato e protetto. Fu un lavoro lento, quasi una seconda esplorazione del tesoro. All’inizio del 2004, da quella massa indistinta comparve un volto che non avrebbe dovuto esserci.
Il pezzo era ben battuto e mostrava pochissimi segni d’usura. Sul diritto si vedeva il busto barbuto di un uomo con la corona radiata, il mantello e la corazza. Intorno al ritratto correva la legenda:
Per esteso significava Imperator Caesar Domitianus Pius Felix Augustus. Il nome era quello di Domiziano, ma non dell’imperatore flavio assassinato nel 96. Lo stile del ritratto e il tipo monetale appartenevano alla seconda metà del III secolo. Gli studiosi lo chiamano Domiziano II soltanto per distinguerlo dal sovrano vissuto quasi duecento anni prima.
Non bastava a raccontare un regno, ma bastava a dimostrare una pretesa. Un uomo chiamato Domitianus aveva assunto il titolo di Augusto, ottenuto l’appoggio necessario per usare una zecca e fatto incidere il proprio nome sul denaro. Le cronache lo avevano dimenticato; il metallo no.
La scoperta di Chalgrove aveva però un precedente. Il 28 novembre 1900, durante alcuni lavori in un vigneto di Les Cléons, presso Nantes, era emerso un ripostiglio di 1.456 radiati. Fra le monete di Gordiano III, Aureliano e Tetrico ce n’era una intestata a Domiziano. La notizia fu pubblicata l’anno seguente. Proprio l’eccezionalità del ritrovamento, tuttavia, finì per renderlo sospetto.
Nel 1929 l’esemplare entrò nelle collezioni del Musée Dobrée. Poi se ne persero le tracce fra i depositi del museo e per decenni rimase accessibile soltanto attraverso fotografie, disegni e un calco in gesso riprodotto nel Roman Imperial Coinage. Il numismatico Lodovico Laffranchi lo interpretò come una moneta di Tetrico ritoccata; Lawrence Okamura riassunse i dubbi nel titolo di uno studio del 1992, Forging a Usurper in Late Roman Aquitania.
La moneta ricomparve nel 1996 e fu portata a Parigi per essere pulita ed esaminata. Il risultato incrinò l’ipotesi del falso: le lettere di DOMITIANVS erano incorporate in prodotti di corrosione antichi. Nessun falsario moderno poteva averle reincise sopra una legenda precedente senza alterare quelle incrostazioni. Anche il ritratto, pur vicino ai modelli di Vittorino e Tetrico, mostrava caratteristiche proprie.
Poi il presunto falso trovò il proprio gemello.
L’antoniniano inglese era identico per conio a quello di Cléons e persino un poco meglio impresso. Coincidevano il profilo del volto, la posizione delle lettere e le irregolarità più minute. I conii antichi erano incisi a mano: due monete che condividono gli stessi piccoli difetti provengono dalla medesima coppia di matrici, come fogli stampati dallo stesso torchio.
A chiudere la discussione fu soprattutto il contesto. Il nuovo pezzo era ancora saldato a un deposito romano intatto, in mezzo a migliaia di emissioni comuni recuperate in condizioni documentate. Nessuno avrebbe potuto introdurlo in quella massa di corrosione. Domiziano continuava a non avere una biografia, ma da quel momento ebbe un’esistenza storica.
Il momento in cui Domiziano tentò la fortuna era uno dei più confusi della storia romana. Nel 260 l’imperatore Valeriano era caduto prigioniero del re sasanide Sapore I. Suo figlio Gallieno si ritrovò solo al comando di un impero attaccato su più fronti e attraversato dalle rivolte degli eserciti.
In Occidente le truppe acclamarono il generale Postumo, che diede forma a quello che oggi chiamiamo Impero delle Gallie. Comprendeva la Gallia e la Britannia, per qualche tempo anche la Hispania. Il nome può trarre in inganno: non era uno Stato nazionale staccatosi da Roma. Postumo e i suoi successori si consideravano imperatori romani, nominavano consoli e governatori, proteggevano le frontiere e battevano moneta come qualunque altro Augusto.
Postumo riuscì a governare per quasi dieci anni. Nel 269 sconfisse il rivale Leliano, ma vietò ai soldati di saccheggiare Magonza e fu ucciso dai suoi stessi uomini. Gli succedette Mario, rimasto al potere per poche settimane o pochi mesi, quindi Vittorino. Nella primavera del 271 anche Vittorino morì assassinato. Per la terza volta in meno di due anni, il trono gallico era disponibile.
Secondo una tradizione tarda e non del tutto affidabile, Victoria, madre di Vittorino, usò denaro e influenza per favorire Tetrico, allora governatore in Aquitania. Ma un imperatore non poteva imporsi nello stesso istante da una provincia all’altra. Nel tempo necessario a Tetrico per raccogliere consensi, guarnigioni e officine monetarie potevano scegliere altri candidati.
Fu con ogni probabilità in quel vuoto che Domiziano fece la sua mossa.
Le monete lo collocano come un concorrente di Tetrico alla guida dell’Impero delle Gallie, non come il sovrano di un regno britannico e neppure come un avversario in grado di minacciare direttamente Aureliano. La città in cui fu proclamato e i reparti che lo sostennero restano sconosciuti. Il suo tentativo, però, superò il fragore di un’acclamazione militare: arrivò fino a un’officina monetaria.
Per battere denaro servivano incisori, metallo, tondelli, incudini, martelli e maestranze abituate a lavorare in serie. Domiziano controllò quell’organizzazione almeno per il tempo necessario a preparare due conii e avviare la produzione. Non era dunque soltanto un nome gridato dai soldati: uomini, strumenti e metallo erano stati messi al servizio della sua candidatura.
Il pezzo di Chalgrove è un antoniniano di 22 millimetri e 2,07 grammi. La corona radiata indossata dal sovrano identifica la denominazione. Il colore attuale è quello del bronzo, ma all’origine una sottile argentatura copriva la lega povera e faceva apparire la moneta assai più preziosa di quanto fosse davvero.
Dal ritratto non ricaveremo il vero volto di Domiziano. Barba, sguardo fermo, mantello e corazza appartenevano al repertorio con cui gli incisori costruivano l’immagine di un imperatore. Eppure non si limitarono a cambiare il nome su un modello di Tetrico. Il diritto venne preparato appositamente per Domiziano, e il rovescio fu inciso per la stessa emissione. Anche un potere destinato a durare pochissimo volle dunque un’immagine propria.
Sul rovescio compare Concordia, con la coppa delle libagioni in una mano e una cornucopia nell’altra. La legenda CONCORDIA MILITVM significa «la concordia dei soldati». Nessun messaggio poteva essere più opportuno. In un’epoca in cui gli imperatori salivano al potere sulle spalle delle legioni e spesso morivano per mano delle stesse truppe, Domiziano presentava l’esercito come compatto attorno a lui. Forse descriveva una realtà momentanea; forse esprimeva soltanto un desiderio.
I conii conservano anche una traccia del disordine di quei mesi. Il diritto sembra opera dell’incisore legato alla cosiddetta officina II; il rovescio ricorda invece la mano attiva nell’officina I e anticipa alcune monete di Tetrico. Una matrice, o forse lo stesso artigiano, potrebbe essersi spostata fra le due zecche durante la crisi. Persino la sede della coniazione è ancora discussa: il catalogo dell’Ashmolean indica Colonia, mentre MER-RIC assegna l’emissione a Treviri. Sono divergenze che raccontano quanto poco conosciamo ancora dell’organizzazione delle zecche galliche.
Quei piccoli dischi erano il mezzo di comunicazione più capillare di cui disponesse un sovrano. Entravano nelle paghe, passavano di mano nei mercati e viaggiavano insieme agli eserciti. Il ritratto annunciava chi comandava, i titoli ne proclamavano l’autorità e il rovescio spiegava su quale sostegno diceva di fondarsi. Domiziano parlò lo stesso linguaggio degli imperatori che lo avevano preceduto.
I due esemplari sicuramente autentici provengono dalla stessa coppia di conii, un indizio forte di una produzione limitata. Non significa che fossero le uniche matrici: altre monete possono essere state ritirate, rifuse o perdute. Per questo i «quattro giorni di regno» spesso attribuiti a Domiziano sono una formula giornalistica senza fondamento. Possiamo dire che la sua occasione durò poco, non contare i giorni.
Il ritrovamento inglese non prova che Domiziano governasse la Britannia. Il vaso fu sepolto negli anni Ottanta del III secolo, anni dopo l’emissione. L’antoniniano ebbe tempo per attraversare la Manica: documenta il viaggio della moneta, non i confini del suo potere.
Una volta accertata l’esistenza di Domiziano, restava da capire chi fosse. Le fonti antiche offrono due possibili tracce, entrambe troppo incerte per trasformarsi in un’identità.
La Historia Augusta attribuisce la vittoria sui Macriani nel 261 a Domitianus, «il più valoroso e attivo» dei comandanti di Aureolo. Aggiunge che si diceva discendente dell’imperatore Domiziano e di Domitilla. Se quel comandante fosse l’uomo delle monete, il tentativo del 271 sarebbe l’ultima tappa di una carriera militare lunga almeno dieci anni, non il gesto improvviso di uno sconosciuto.
La fonte, però, impone prudenza. La Historia Augusta mescola documenti, errori e personaggi inventati ed è stata composta molto tempo dopo i fatti. La discendenza dalla dinastia flavia assomiglia a una genealogia costruita per nobilitare il protagonista. Il racconto può custodire un dato autentico, ma non basta a sovrapporre con sicurezza il generale e il pretendente.
All’inizio del VI secolo Zosimo ricordò invece Epitimio, Urbano e Domiziano come innovatori rapidamente arrestati e puniti durante il regno di Aureliano. Non disse dove avessero agito, quali truppe li sostenessero o quale autorità avessero sfidato. Nome e cronologia possono adattarsi all’usurpatore gallico; la certezza, ancora una volta, resta fuori portata.
La sua fine resta completamente oscura. Potrebbe essere caduto combattendo Tetrico, essere stato abbandonato dalle truppe o essere sopravvissuto abbastanza da subire la punizione di Aureliano. Quando Tetrico consolidò il potere, il rivale era già scomparso dalla scena. Tre anni più tardi anche l’Impero delle Gallie cessò di esistere e le province occidentali tornarono sotto Roma.
Persino il numero ordinale «II» appartiene alla storiografia moderna. Sulle monete compare soltanto DOMITIANVS e nessun contemporaneo lo chiamò «secondo». Un possibile terzo antoniniano proveniente dalla regione bulgara di Vidin è stato attribuito allo stesso pretendente, ma stile, dimensioni e rovescio sono diversi. Finché l’attribuzione resterà discussa, la sua storia continuerà a poggiare sui due esemplari di Cléons e Chalgrove.
Uno rimase dimenticato nel deposito di un museo. L’altro trascorse oltre diciassette secoli dentro un vaso, confuso fra migliaia di pezzi corrosi. Insieme conservano ciò che gli storici antichi non raccontarono: nel 271 un uomo assunse il titolo di Augusto, riuscì per breve tempo a servirsi di una zecca e cercò di prendere il controllo dell’Impero delle Gallie.
Il suo potere scomparve quasi subito. Le due monete sopravvissero abbastanza a lungo da restituirgli un posto nella storia.
L'articolo Domiziano II: l’imperatore romano restituito alla storia da due monete su Vanilla Magazine scritto da Arianna Mecozzi


O Museu Municipal de Loulé convida as famílias a embarcarem numa viagem pelo património marítimo com a atividade “Famílias Navegadoras”, no próximo dia 28 de agosto, às 18h30.
O evento decorre na Antiga Lota de Quarteira, no âmbito da exposição “Com os Pés na Terra e as Mãos no Mar. 6000 anos de História de Quarteira”.
A iniciativa propõe um fim de tarde dinâmico que cruza cultura, história e lazer. O programa arranca com uma visita orientada projetada para dar a conhecer a evolução do território e da comunidade que moldou a economia e a identidade local ao longo dos séculos.
A jornada culmina com um peddy paper desafiante, no qual os participantes vestem a pele de verdadeiros exploradores e utilizam o “Diário de Bordo” como mapa para desvendar a exposição de forma envolvente. Trabalhando em equipa, as famílias serão convidadas a desvendar desafios didáticos e de observação enquanto percorrem os quatro núcleos da exposição: «Explorar a Terra», «Explorar o Mar», «Ocupar e Viver» e «Território».
As vagas são limitadas. Os interessados devem realizar a sua inscrição através do e-mail servicos.educativos@cm-loule.pt ou pelo telefone 289 400 611.

