❌

Reading view

Lusa. Descontos dos serviços aos media previsto para 2027

Leitão Amaro considera que a agência noticiosa está mais próxima de se tornar num serviço público viável — e deixa a porta aberta para continuar conversa sobre a alteração dos estatutos.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Se o Orçamento do Estado for aprovado, "a 1 de janeiro de 2027 teremos o desconto" para os media, referiu o ministro
  •  

Governo prepara novo código com menos regras para a publicidade. “Vai haver viúvas”


O Governo está a rever as regras da publicidade e prepara um novo código que pretende “reduzir ao ponto de partida, com condensação, atualização e modernização de todas as principais leis do setor”. O anúncio foi feito por António Leitão Amaro, ministro da Presidência, no Dia Nacional da Imprensa 2026, o encontro anual dos media portugueses promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa (API).

“Estamos a reduzir, era o ponto de partida, com condensação, atualização e modernização de todas as principais leis do setor e, evidentemente, a abolição de todas aquelas barreiras, por mais bem intencionadas que fossem”, afirmou.

E deixou um aviso. “Quando a proposta do código sair, vai haver viúvas, vão existir viúvas das leis anteriores e da limitação para isto e para aquilo. Há viúvas e viúvos porque vamos optar por, na desregulamentação de algumas destas limitações, acreditar na liberdade e confiar nos meios”, explicou.

Leitão Amaro deu como exemplo as restrições de horário e de tempo de publicidade na televisão e na rádio, que desaparecem quando o mesmo conteúdo é visto numa aplicação. “Hoje já nem é no sítio ao lado, é na mesma televisão. Ando para as aplicações e entro ali e desapareceu a restrição”, disse. “Mas isto é só a primeira camada.”

A segunda, explicou, é a publicidade dirigida. “Porque é que a publicidade está a fugir? Porque a publicidade nas plataformas é dirigida, é customizada para quem a vê”, argumentou. “Se conseguirmos permitir que os meios de comunicação social façam a mesma utilização da tecnologia, ou equivalente, para utilizar a publicidade dirigida, o preço dispara.”

O ministro recordou, “com muita cautela” e “por respeito institucional”, a decisão da Autoridade da Concorrência que pôs fim à Playce, a ferramenta de publicidade dirigida nas boxes de televisão.

“Uma decisão da Autoridade da Concorrência deitou abaixo um instrumento que as televisões e as operadoras de cabo tinham encontrado e que valia, pasme-se, no ano em que foi destruído, 20 milhões de euros de publicidade. Neste ano estávamos a começar a caminhar para 30”, afirmou. O novo código, defendeu, deve “criar condições” para que os meios possam “aproveitar tecnologicamente as possibilidades” e tornar esse valor “apropriável”.

“Podemos fazer, por intervenções legislativas, um desencadear de receitas que podem ajudar muito. As regras da publicidade são um exemplo”, sublinhou.

Uma decisão da Autoridade da Concorrência deitou abaixo um instrumento que as televisões e as operadoras de cabo tinham encontrado e que valia, pasme-se, no ano em que foi destruído, 20 milhões de euros de publicidade.

António Leitão Amaro

Ministro da Presidência

Amália já em negociações com comunicação social

No apoio à transição digital, o Governo está “a olhar seriamente para o tema da criação das condições de arbitragem necessárias” nas negociações entre os media e as plataformas. E quer dar o exemplo com o Amália, o modelo de linguagem do Estado.

Leitão Amaro contou que, no início do verão, perguntou em Conselho de Ministros quanto é que o Amália pagava aos órgãos de comunicação social. A resposta foi “nada”. Com base num parecer jurídico, o modelo limitava-se a usar conteúdos com mais de dois anos, que não estariam assim protegidos por direitos. O Governo já iniciou conversações com os media para que o Amália passe a ir buscar conteúdos em tempo real “se e apenas se” houver um acordo de pagamento, com termos comerciais, regras de transparência e de referenciação dos conteúdos. O preço será calculado de forma objetiva, em função do tráfego de cada meio. O objetivo é que sirva de exemplo nas negociações bilaterais de cada órgão de comunicação social com as plataformas.

O ministro anunciou também a retoma da linha de apoio à digitalização de arquivos, criada em 2023-2024, e alargada agora ao tratamento de bases de dados.

Lusa até 90% mais barata

Leitão Amaro destacou ainda a verba de até dois milhões de euros prevista no Orçamento do Estado para a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, destinada a “financiar todas as atividades de autorregulação, que podem ir desde o funcionamento normal da Comissão da Carteira até funções novas”, como a formação, a capacitação e a modernização tecnológica dos jornalistas.

Sobre a Lusa, revelou que, a partir de 1 de janeiro de 2027, os órgãos de comunicação social vão ter descontos que “atingem 90% do que é hoje a cobrança da Lusa”, com uma verba de dois milhões de euros inscrita o Orçamento do Estado.

Quanto ao concurso de apoio à distribuição de publicações, o relatório final deverá sair na próxima semana. “Ambos [os concorrentes] colocaram muitas questões sobre a proposta do outro e pedi que houvesse o escrúpulo máximo, exigência máxima, avaliação máxima de todas as observações, para que não subsistam dúvidas nenhumas sobre a integridade da decisão”, explicou. “Quisemos lançar um processo que descobrisse o preço certo e não uma renda pedida”, acrescentou.

Para as rádios, o ministro referiu o apoio extraordinário de 500 mil euros às estações que tiveram retransmissores destruídos pelas tempestades do início do ano e uma verba de 23 milhões de euros no Orçamento para financiar a resiliência da rede de rádio. “São mais de 23 milhões de euros disponíveis para financiar a resiliência da rede de rádios nacionais”, destacou.

Apoio aos órgãos de comunicação locais

O Governo fixou esta sexta-feira uma dotação de mais de 1,4 milhões de euros para o Regime de Incentivos do Estado à Comunicação Social.

O despacho conjunto do Ministro da Presidência, do Ministro de Estado e das Finanças e do Ministro da Economia e da Coesão Territorial fixa, de acordo com o Governo, em 1.417.639,71 euros a dotação para 2026. Segundo o comunicado, o valor representa um aumento de 45,4% face a 2025. O despacho será publicado em Diário da República no início da próxima semana.

No ano passado, o montante total de apoios a atribuir foi de 955.062,45 euros para Portugal Continental, a que se juntaram, numa portaria separada, 19.998 euros para a comunicação social madeirense. Os Açores ficaram de foram destes incentivos, por não terem sido recebidas candidaturas consideradas elegíveis. Os 45,4% avançados pelo Governo parecem resultar da soma destes dois valores. Se a dotação de 2026 disser respeito apenas ao Continente, como o despacho do ano passado, o aumento é de 48,4%.

Os apoios destinam-se a promover a modernização tecnológica, o desenvolvimento digital, a acessibilidade, as parcerias estratégicas e a literacia e educação para a comunicação social, “reforçando a capacidade dos órgãos de comunicação social regionais e locais para responder aos desafios do setor”, explica o executivo.

Divulgação das decisões autárquicas nos media avança

A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, em votação final global, a proposta do Governo que altera o Regime Jurídico das Autarquias Locais. Votaram a favor PSD, Chega, PS, IL, Livre, CDS-PP, BE, PAN e JPP e o PCP absteve-se.

A lei obriga as autarquias a divulgar as suas deliberações na comunicação social regional e local. A obrigação já estava prevista na legislação desde 2013, mas nunca foi regulamentada nem aplicada. O novo texto alarga-a aos meios digitais e define que a regulamentação tem de ser aprovada nos 60 dias seguintes à publicação da lei, que entra em vigor 90 dias depois de publicada.

Durante a sua intervenção no evento, Leitão Amaro acusou PS e Chega de terem retirado a norma que considerava central. “À última hora, havia uma regra mais importante, sagrada de todas: a deliberação autárquica não produz efeito se não for publicitada na comunicação social. Isto, pelas nossas contas, representava muito mais que o porte pago em termos de consumo público. Hoje, o PS e o Chega juntaram-se para retirar essa norma da lei.” E prometeu: “Vou continuar a tentar.”

O novo regime prevê a divulgação obrigatória de um resumo “deliberações dos órgãos autárquicos colegiais destinadas a ter eficácia externa” em meios de comunicação social regionais ou locais, em suporte impresso e digital. O mesmo vale para atos que determinem contratos públicos acima do limiar do ajuste direto, “quando produzam efeitos externos e envolvam a realização de despesa pública”.

Para serem elegíveis, os meios têm de acompanhar com regularidade a atualidade do município ou da freguesia em questão. Os jornais impressos não podem ser gratuitos, têm de sair pelo menos uma vez por mês e têm de estar entre os seis de maior circulação no município. Os digitais têm de ser atualizados todos os dias. Os sítios de internet das rádios regionais e locais são igualmente abrangidos, “com exceção das rádios que apenas façam retransmissão de outros serviços de programas”.

Se o concelho tiver apenas um meio elegível, a divulgação deve ser feita nesse meio. Se tiver vários, as autarquias devem alternar entre eles, com base nos critérios que vão ser definidos. Se não tiver nenhum, deve-se recorrer a um “órgão regional ou local de município limítrofe, de âmbito intermunicipal ou metropolitano, de âmbito regional ou de âmbito nacional”.

As tabelas de referência serão fixadas todos os anos por portaria dos membros do Governo responsáveis pela comunicação social e pela administração local. Antes disso, o Governo terá de ouvir as associações do setor e mediante parecer, no prazo de 20 dias úteis, da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) e da Associação Nacional das Assembleias Municipais (ANAM).

Se o preço proposto por um meio local exceder o valor constante da tabela, a autarquia deve promover a publicação, “em cada modalidade, em órgão de comunicação social de município limítrofe, de âmbito intermunicipal ou metropolitano, de âmbito regional ou de âmbito nacional”. Se todos propuserem um valor superior, o órgão municipal e de freguesia fica dispensado da publicação, “devendo justificar documentalmente essa decisão”.

A legislação prevê ainda a avaliação da aplicação do regime e a previsão de verbas nos Orçamentos do Estado para fazer face aos encargos adicionais das autarquias.

“É uma notícia que a API saúda de forma muito particular, depois de mais de 12 anos de espera pela publicação efetiva deste regime”, afirmou Cláudia Maia, presidente da Associação Portuguesa da Imprensa (API), na abertura do evento e destacou que o trabalho na especialidade “acolheu várias das preocupações e propostas” da associação.

Ainda assim, a presidente da API deixou um aviso: “A aprovação da lei não encerra este trabalho. Pelo contrário, começa agora a fase decisiva da sua execução. Durante mais de 12 anos, uma obrigação prevista na lei ficou sem aplicação efetiva por falta de regulamentação. Não podemos permitir que a história se repita.” A associação pediu que a verba prevista para cobrir os encargos das autarquias tenha “tradução efetiva e atempada no Orçamento do Estado de 2027, para que a falta de recursos não volte a ser um obstáculo à aplicação da medida”.

Histórico

Tal como nota o Plano de Ação para a Comunicação Social, o Regime Jurídico das Autarquias Locais (RJAL) ainda em vigor já obrigava a publicitar, nos jornais regionais e locais, todas as deliberações e decisões com eficácia externa. No entanto, “esta norma é claramente desproporcionada ao nível da sua exigência e complexidade. Assim, esta norma do art.º 56º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, nunca foi regulamentada e, por isso, nunca implementada”, lê-se no documento.

De forma a resolver esta questão, o Governo havia promovido na legislatura anterior uma revisão da mesma, tendo sido aprovada na generalidade em outubro de 2024. Foi até a primeira proposta do plano de ação para os media a ser aprovada. A medida estava já a ser discutida na especialidade, mas acabou por cair com a queda do Governo em março de 2025.

Em janeiro de 2025, num parecer sobre essa versão, o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) avisava que a proposta podia “não ser eficaz” e que continha “formulações imprecisas e equívocas”.

  •  

Todos os projetos de lei sobre os novos estatutos da Lusa rejeitados na generalidade

✇ECO
By: Lusa

Os projetos de lei do PS, IL, PCP e Livre sobre os novos estatutos da Agência Lusa foram rejeitados esta sexta-feira na votação na generalidade na Assembleia da República. Os quatro projetos contaram com o voto contra dos deputados do PSD, CDS-PP e Chega.

O projeto de lei do PS, intitulado “Aprova o modelo societário e os estatutos da Lusa — Agência de Notícias de Portugal”, contou ainda com a abstenção da IL. Já o projeto de lei da IL, “Mais independência para a Lusa”, não teve abstenções, mas contou com os votos contra de Livre, PCP e BE.

Tanto o projeto de lei do PCP (Aprova o modelo societário e os estatutos da Lusa – Agência de Notícias de Portugal, como Entidade Pública Empresarial), como o do Livre (Aprova o modelo societário e os estatutos da Lusa), contaram com os votos contra de PSD, Chega, IL e CDS-PP, sendo que a proposta comunista teve a abstenção do PS.

O plenário aprovou um projeto de resolução (uma recomendação ao Governo, sem força de lei) do Chega que recomenda ao executivo que “assegure a independência editorial, a autonomia institucional, a transparência financeira e o escrutínio parlamentar da Lusa”. A iniciativa contou com a abstenção de IL, PS, Livre, PCP e BE.

A 9 de setembro, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deliberou que a reestruturação da agência “não está conforme com o quadro normativo aplicável” nem com as recomendações e “boas práticas do funcionamento independente de um meio de comunicação social público”, considerando que as desconformidades terão efeitos sobre “os níveis de independência da Lusa face ao poder político”.

  •  

Quando a notícia vira politicagem e a politicagem vira notícia

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a Newsletter da Pública, enviada sempre às sextas-feiras, 8h. Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

Na manhã seguinte à histórica conquista dos trabalhadores brasileiros — o fim da jornada 6×1 —, a manchete do UOL me pega de susto: “Oposição tenta revidar fim da 6×1 com redução da maioridade penal”. Na Folha, o destaque foi o mesmo.

Ver as propostas de duas mudanças constitucionais de grande impacto social colocadas lado a lado apenas como bandeiras de candidatos que se contrapõem, soou, para mim, como nova demonstração da distância entre a imprensa noticiosa e a sociedade brasileira.

Sim, a aprovação do fim da jornada de 44 horas semanais é também uma vitória de Lula, que encampou a bandeira de uma campanha que nasceu no final de 2023, quando um vídeo no TikTok feito por um balconista de farmácia sobre a vida dos que trabalham duro com um dia de descanso viralizou na internet.

Mas, como reconheceu o presidente, essa é uma campanha “que veio da rua”, “uma conquista histórica do povo trabalhador”. E que para emplacar terá que contar com a vigilância implacável da sociedade e das instituições, incluindo, claro, a própria imprensa.

Desde que o desabafo do ex-balconista Rick Azevedo, eleito vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro no ano seguinte – 2024 —, invadiu as redes, a luta pelo fim da 6×1 ganhou as ruas como legítima aspiração popular. E as manifestações só cresceram depois que a reivindicação se tornou uma PEC, em fevereiro de 2025, por iniciativa da deputada federal Erika Hilton (PSOL) e do deputado Reginaldo Lopes (PT).

Os três políticos — Rick, Erika e Lopes — venceram as últimas eleições para deputado federal e são aliados do presidente Lula, ou seja, é esperado do candidato do PT assumir a proposta, que também ganhou força com a adesão dos sindicatos. Aproveitar o momento eleitoral para emplacar mudanças é uma antiga e eficiente estratégia dos movimentos sociais, agora trazendo o apoio decisivo de Lula e obrigando os partidos de direita e extrema direita — desde o início contrários ao projeto — a aprová-la.

Não faz sentido equiparar essa “conquista histórica do povo trabalhador”, “que veio da rua”, como reconheceu o presidente Lula, a ações “populistas”, como fez o Globo, ao encaixá-la entre outras medidas do governo lançadas durante a campanha, que realmente podem ser consideradas “eleitoreiras”, ainda que, no mérito, tenham valor para a população.

O jornalismo tem que se guiar pelo interesse público e isso inclui reconhecer as vitórias da sociedade e denunciar os riscos que determinadas propostas implicam para a democracia e os direitos constitucionais dos cidadãos, como a redução da maioridade penal, assunto grave demais para ser tratado apenas como um “revide” eleitoral.

Até porque, enquanto a primeira proposta nasceu da mobilização popular, a segunda é fruto de um sentimento de insegurança, ressentimento e também de desinformação da população, explorado por políticos e pela própria imprensa de modo a se tornar majoritário na opinião pública, o que, de fato, dificulta o debate.

Mas, como jornalistas, temos que encarar a missão de mostrar o que significa na prática encarcerar adolescentes em cadeias superlotadas onde a revolta e a necessidade de sobrevivência favorecem o recrutamento de jovens pelas facções. Também temos que explicar como essa proposta, além de cruel, é inócua para a segurança pública, onde a esmagadora maioria dos adolescentes é antes vítima do que autora da violência.

Onde está a discussão de interesse público, para além da campanha eleitoral, apontando o risco que isso representa para a Constituição brasileira e para a sociedade, que a imprensa conhece tão bem?

Não sou eu que estou dizendo que reduzir a maioridade penal não reduz crimes — são os especialistas em segurança pública, diversas vezes entrevistados pelos jornais. Não é equilibrado publicar críticas substantivas de estudiosos como opinião e retratar um debate tão complexo como se fosse contraposição de dois lados representados como caricaturas: os “linha-dura” e o “povo dos direitos humanos”. Como o debate vai evoluir partindo de ponto equivocado?

Aliás, a imprensa deveria estar mais preocupada com ética do que nunca, quando sua credibilidade foi colocada em xeque pelas últimas revelações sobre Daniel Vorcaro, que atingem alguns veículos em cheio – e sabe-se lá quantas mais virão.

Além de sites de empresários amigos, como o Platô BR, o banqueiro fraudador montou uma rede de veículos que dependiam de publicidade do Master, como IstoÉ, Brazil Journal, Carta Capital e DCM. Antes disso já havia indícios de compra de influência através de patrocínio do banqueiro no site O Bastidor.

Mas também tem peixe grande na rede de Vorcaro – que parece ter penetrado a imprensa como fez com o Congresso e o STF. O grupo Globo teve que demitir um diretor com 29 anos de casa, flagrado em mensagens com Vorcaro, comprometendo-se a pressionar jornalistas que incomodam os interesses do banqueiro; o portal Metrópoles, de propriedade do empresário Luiz Estevão, chegou a se rebaixar a ponto de liberar a edição de textos ao banqueiro fraudador. Isso sem falar das suspeitas que envolvem a revista Veja, com a publicação às vésperas do primeiro turno do áudio de Vorcaro contra Lula, que, segundo hipótese da PF, teria sido gravado na prisão, a pedido de Flávio Bolsonaro.

Sem credibilidade nem sintonia com a sua função social, esse setor da imprensa, que se declara acima do bem e do mal, ameaça afundar o próprio jornalismo. Talvez seja a hora de os defensores da democracia e dos direitos constitucionais apoiarem com firmeza a imprensa independente — como a Pública, a Ponte, a Alma Preta, o Intercept e tantos outros — que não depende de anúncios nem de favores de poderosos, mas apenas da valorização do jornalismo pela sociedade.

Parabéns aos trabalhadores brasileiros e a todos que se mobilizaram pela conquista da jornada 5×2. Estaremos juntos na cobrança ao cumprimento dessa tão esperada mudança na prática, seja quem for que vencer a eleição.

  •  

Morreu Joaquim Letria, uma das figuras maiores do jornalismo português

O jornalista e escritor morreu esta sexta-feira, aos 82 anos, em casa. Passou pela imprensa, pela rádio e pela televisão, e esteve na fundação de alguns dos títulos que marcaram o pós-25 de Abril. Joaquim Letria morreu esta sexta-feira, 16 de outubro, aos 82 anos, em sua casa, confirmou à Lusa fonte familiar. Estava debilitado havia algum tempo, mas não doente, acrescentou a mesma fonte. Nasceu em Lisboa, a 8 de novembro de 1943. Apaixonou-se cedo pelo jornalismo: aos 18 anos já dava apoio à direção do Diário de Lisboa. Foi militante do PCP até 1968. A escola maior, dizia

  •  

Morreu o jornalista e escritor Joaquim Letria

✇ECO
By: + M

Joaquim Letria, jornalista e escritor, morreu esta sexta-feira, 16 de outubro, aos 82 anos, em casa. A notícia foi avançada pela agência Lusa, que cita fonte familiar.

Nascido em Lisboa a 8 de novembro de 1943, Joaquim José da Conceição Letria iniciou a carreira no Diário de Lisboa, tendo trabalhado também na revista Flama e no Rádio Clube Português. Foi repórter internacional da Associated Press e correspondente da agência alemã Deutsche Presse-Agentur, tendo passado ainda por Londres, onde trabalhou na BBC.

Regressou a Portugal em 1974, após a Revolução de Abril, para assumir funções na direção de informação da RTP. Na televisão pública, apresentou programas de informação e criou formatos que marcaram o percurso da estação, como Tal & Qual. Foi também um dos jornalistas ligados ao histórico debate televisivo entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, em 1975, que ficou na memória coletiva pela expressão “Olhe que não, olhe que não”.

Joaquim Letria integrou a equipa fundadora do Expresso e esteve na origem de O Jornal, lançado em 1975, e do semanário Tal & Qual, fundado em 1980. Em 1988, assumiu a direção da revista Sábado, função que exerceu até 1992.

Foi ainda presidente do Sindicato dos Jornalistas e porta-voz do então Presidente da República, Ramalho Eanes. Foi também autor e apresentador de vários programas de rádio e televisão e dedicou parte da sua atividade ao ensino das Ciências da Comunicação.

  •  

A linha direta de Vorcaro dentro do Grupo Globo: “Quer que peça pra corrigir?”

Um ano antes de se tornar “radioativo”, na tarde de uma quarta-feira de abril de 2024, Daniel Vorcaro recebeu uma oferta de Frederic Kachar, até então CEO da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio: “Quer que a gente o entreviste no Valor?”. A mensagem se referia a Alexandre Afrange, CEO da Veste – antiga Restoque, que detém marcas como Dudalina, John John e Le Lis Blanc –, empresa da qual o banqueiro do Master tinha controle acionário desde 2022. “Não sabia que a Veste tinha esse ceo”, escreveu Kachar, para então oferecer espaço editorial a Vorcaro no jornal de economia do grupo. 

O diálogo faz parte das mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Daniel Vorcaro e apontam que a relação dos dois, nas palavras do próprio banqueiro, em julho do mesmo ano, seria uma “amizade que supera negócios”. Os diálogos mostram que o ex-controlador do Banco Master, preso desde março deste ano como principal investigado pela Operação Compliance Zero, tinha acesso direto ao executivo, onde fazia solicitações diretas e reclamava sobre a linha editorial dos jornais do grupo Globo.

O vazamento das mensagens ganhou força nesta quarta-feira (14), momento delicado para a própria Globo. Isso porque no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, a Rede Globo promovia um de seus eventos publicitários mais importantes do ano, o Upfront Globo. Na ocasião, os executivos mais influentes do Grupo Globo, a exemplo de Fred Kachar, como é conhecido, se reúnem com vários dos artistas mais famosos do conglomerado junto a representantes do mercado publicitário para detalhar os planos das empresas Globo para o ano seguinte. Talvez por isso, a reação ao vazamento, já conhecido nos bastidores da empresa, não tenha sido mais imediato. Nesta quinta (15), Kachar foi desligado, segundo nota oficial do Grupo.

Nota Grupo Globo

Grupo Globo comunica desligamento de Frederic Kachar e reforça independência editorial de seus veículos
O Grupo Globo comunicou hoje o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar. O conteúdo das conversas privadas mantidas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025, às quais a empresa teve acesso ontem, revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante.

A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo.

A empresa reconhece os 29 anos de dedicação de Kachar ao desenvolvimento de seus negócios de mídia e informa que o nome de seu substituto à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio será divulgado em breve.

Comunicação Globo
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2026
Mais informações https://imprensa.globo.com/

Relação delicada

Vorcaro chegou a solicitar, no dia 12 de outubro de 2024, a capa da revista Vogue Brasil para a então namorada, Martha Graeff, que acabara de lançar a Happy Aging, empresa de suplementos voltada à longevidade feminina, lançada nos Estados Unidos à época. “De presente pra ela”, justificou. 

O pedido não foi plenamente atendido por Kachar, que alegou inviabilidade da agenda de produção da revista. Cinco dias depois, no entanto, as versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacavam Graeff, cujos links foram enviados pelo ex-diretor-geral a Vorcaro: “Depois me diz se faltou algo”. O banqueiro agradeceu: “ficaram ótimas”, disse, antes de fazer a ressalva: “só a Marie Claire deu uma batidinha no final rsrs esses repórteres são uma bênção”, concluiu o banqueiro. Kachar apenas assentiu: “o próximo passo é capa na Ela ou Marie Claire, só precisamos de um fato novo”.  

  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo
  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo
  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo

A disponibilidade de Fred Kachar não era exatamente em vão. No dia 6 de fevereiro de 2025, o orçamento para as empresas controladas por Vorcaro foi feito pelo WhatsApp mesmo, após sucessivas tentativas de contato sem êxito. Para a presença das marcas Master, Desincha, Veste, Be Fly e Happy Aging, Kachar propôs participação de R$ 1,79 milhão e outros R$ 4,92 milhões para a presença em camarote carnavalesco na Sapucaí, no Rio de Janeiro. 

Durante 15 dias, o então CEO da Editora Globo buscou Vorcaro 62 vezes até a realização do Baile da Vogue, usando mensagens de tom pessoal – “Vamos poder curtir juntos amanhã?” –, passando pela insistência típica de representantes de negócios – “Querido, me dá um sinal de vida pra eu não ir e dar com a cara na porta rs?” – e chegando a flexibilidade de negociação: “Para não te deixar na mão, te bonifico um branded content [conteúdo patrocinado, ou, em bom português, matéria paga] da marca na Glamour e na Vogue [Brasil], mas desatrelados do Baile [da Vogue]”. No fim, o banqueiro do Master concordou em pagar R$ 1,3 milhão pelos dois eventos e se ausentou do Baile. A conversa só foi retomada na terça-feira, 25 de fevereiro, com a frase “fez falta no sábado”, seguida de outra mensagem: “Estou no voo com Lauro [Jardim], que vai conhecer sua sede nova antes de mim. Desnecessário dizer que estou com ciúmes.”

As mensagens entre Vorcaro e Kochar sugerem que havia uma porta aberta no editorial do Grupo Globo para as demandas e insatisfações do banqueiro. Em 31 de maio de 2024, por exemplo, o grupo noticiou, pelo portal G1, a suposta entrada do banco no ramo de supermercados, o que Kachar se apressou a comentar: “Entrou em supermercados também? Estás incontrolável rs!”. A resposta do banqueiro veio de pronto, um minuto depois, às 19h04: “Info totalmente errada”. Diante do retorno, o executivo do Grupo Globo se prontificou: “Quer que eu peça pra corrigir?”. 

A resposta de Vorcaro foi curta e enfática: “Deve!”. Às 19h27, exatamente 23 minutos após o primeiro alerta de erro, o G1 atualizou a reportagem, retirando a afirmação de compra pelo Banco Master e precisando o papel da gestora como prestadora de serviços ao fundo de terceiros. “Agora ficou certo”, assentiu o banqueiro. 

A Agência Pública procurou Fred Kachar, que não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto à sua manifestação.

BRB: uma relação que também azeda

Segundo a PF, o Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Foi o colunista Lauro Jardim de O Globo, uma das publicações sob o comando de Fred Kachar, que primeiro questionou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pouco antes de Vorcaro, Costa e o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, se reunirem em Zurique, na Suíça para discutir a relação entre os dois bancos. 

Em março de 2025, 58% das ações do Banco Master foram compradas pelo BRB em uma operação de R$ 2 bilhões, aprovada tanto por maioria da Câmara Distrital, pelo governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB)
Ações do Banco Master foram compradas pelo BRB em uma operação de R$ 2 bilhões

Ao longo de um ano e nove meses de mensagens trocadas entre Kachar e Vorcaro, os registros de festas juntos, comentários sobre mulheres, e pedidos para se encontrarem ou se falarem por telefone ou videochamadas foram muito mais numerosos que reclamações pontuais de Vorcaro, às quais o CEO da Editora Globo buscava responder de forma diplomática e quase sempre dizendo concordar em parte com a avaliação do parceiro, inclusive tecendo críticas aos próprios jornalistas de sua equipe. Mas uma publicação acelerou o desgaste da relação entre os dois executivos.

Assinada por Álvaro Campos, a análise “Mercado vê com ressalvas operação entre BRB e Master, mas acordo desarma uma bomba”, publicada em 29 de março do ano passado no Valor Econômico, fez o dono do Master perder a cordialidade. Kachar tentava contato há semanas com Vorcaro, dizendo precisar falar urgentemente, mas apenas após a publicação de análise e reportagem envolvendo o Master, o banqueiro deu sinal de vida em tom de profundo descontentamento.

“Matéria maldosa, malfeita. Isso é porque seu grupo deu o furo da operação. Parceria, como sempre, de uma via apenas”, resumiu antes de completar: “Com toda liberdade de desabafo, me sinto por varias vezes um bobo focando na parceria aí”, disse, ao encaminhar uma lista de 63 publicações das quais, segundo Vorcaro, apenas a Valor teria sido “negativa” e faria “referência a rumor”, em suas palavras.

“As fontes eu não posso te abrir porque seria deselegante, mas não são um ou dois banqueiros”, respondeu, sobre um dos princípios fundamentais do jornalismo de preservação da fonte – que pouco tem a ver com elegância. Kachar respondeu: “O que concordo com você é que não poderia fazer análise sem sua visão do ‘deal’[acordo] e já reclamei”, completou, antes de sacramentar: “Meu amigo, claro que não é pra ficar como está. Se a gente discorda em algumas coisas, temos de conversar”. Pouco mais de duas horas depois, enviou: “O Álvaro [Campos] incluiu aspas suas nessa análise. Vamos falar amanhã?”.

“Não vale a pena pra mim falar. Vira (sic) o caso Malu [Gaspar]. Tudo que eu falo usam contra mim. Deixa correr aí como sempre estão fazendo”, encerra Daniel Vorcaro. Por várias vezes, o banqueiro se queixava a Kachar do que ele questionava ser uma “campanha corporativa” contra ele, que tinha na colunista de O Globo e comentarista da GloboNews e CBN Malu Gaspar seu alvo mais recorrente. “Temos que resolver”, chegou a dizer Vorcaro ao diretor-geral.

Foi justamente nessa época, entre março e abril de 2025, que mensagens encontradas pela PF no celular do banqueiro, desta vez com o publicitário Thiago Miranda, em que ele dizia que precisavam “encontrar algo dessa mulher [Malu] no pessoal”, ao que Miranda respondeu não ter encontrado “nem uma multa na CNH”. O caso foi revelado pela Fatos Online.

A Pública entrou em contato com Campos e Gaspar, mas ambos preferiram não comentar sobre o assunto até o momento. Em caso de manifestações, este espaço será atualizado. A defesa de Vorcaro também foi acionada e informou que se manifestaria ao longo do dia, após depoimento do banqueiro marcado para hoje.

Incômodo de longa data e ameaças agora conhecidas

O trabalho de Lauro Jardim incomodava Daniel Vorcaro desde 2023, bem antes de o nome do colunista aparecer nas mensagens interceptadas pela PF, sobretudo quando da publicação da reportagem “Os cuidados de um banqueiro com a festa de 15 anos da filha”, de 4 de agosto de 2023. Ao longo de 2025, a coluna do jornalista acompanhou de perto a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, o banco estatal do Distrito Federal, e mostrou regularmente o que sustentava a operação.

Em 4 de setembro de 2025, logo depois de o Banco Central vetar o negócio, Jardim escreveu que a principal aposta de Vorcaro nunca tinha sido o balanço do Master, e sim suas conexões políticas. Segundo a coluna, o diretor do Banco Central Renato Gomes, responsável por avaliar a saúde financeira do banco, sofreu pressões intensas nas semanas anteriores, quase todas por parte de políticos do Centrão. Executivos do mercado relataram, inclusive, ameaças. A nota informava ainda que o Master tinha passado agosto tentando renovar, sem sucesso, uma linha de crédito de cerca de R$ 10 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para honrar vencimentos de linhas de investimento do tipo CDB.

Segundo a investigação da PF, foi esse tipo de cobertura que levou o ex-banqueiro a planejar uma agressão contra o Jardim. Em mensagens reveladas em 2026, Vorcaro pede a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, uma espécie de capanga de Vorcaro, que espancasse Jardim em um assalto forjado. Nas palavras do próprio Vorcaro, a ideia era “quebrar todos os dentes” do colunista. A defesa de Vorcaro disse à época que as mensagens foram tiradas de contexto e que ele jamais determinou qualquer ato de violência.

Daniel Vorcaro na prisão
A cobertura do jornalista Lauro Jardim sobre os negócios de Vorcaro teria levado o ex-banqueiro a planejar uma agressão contra Jardim

Ao falar de Malu Gaspar e Lauro Jardim, parte das mensagens de Kachar indicam uma relação entre o jornalista com a fonte, o que é praxe no trabalho de qualquer profissional de imprensa. Kachar se gaba a Vorcaro no mês de julho de 2024 sobre encontros dos jornalistas com o banqueiro nessa condição — encontros que, segundo as mensagens, teriam sido acompanhados por Kachar, superior hierárquico de ambos no Grupo Globo. “Não foi bom?”, disse Kachar a Vorcaro, em referência a Lauro Jardim. “Virou até fonte”, reagiu o CEO em mensagens posteriores.

A insatisfação de Vorcaro com os colunistas, no entanto, era anterior. Ainda em abril de 2024, Malu publicou na rede de microblogs X: “Ministros do STF, STJ e TSE silenciam sobre quem pagou suas despesas em eventos de Londres. Segundo o Poder 360, o Banco Master patrocinou o evento, mas não quis aparecer. O banco tem uma ação no STF. O relator é Gilmar Mendes, que falou no painel ‘Estabilidade Institucional e Segurança Jurídica para Atração de Investimentos Internacionais’”. 

Nas mensagens apreendidas pela PF, datadas de 29 de abril de 2024, este foi o primeiro grande embate e desgaste registrado entre o banqueiro e Kachar. “Chega a ser inacreditável”, disse Vorcaro, seguido de um grande texto que incluía uma ameaça velada a retirar patrocínio a um evento do Valor. 

A postura do então diretor-geral da Editora Globo variava conforme a reclamação, numa tentativa de equilibrar as insatisfações do “amigo” sem fragilizar a credibilidade de sua equipe. Em um dos retornos ao banqueiro, diz que ninguém “escala” Malu, reforçando sua independência editorial: “Mas a Malu é livre. Ninguém a escala”. Em outro, diz não gostar do estilo da jornalista e classifica comentários pontuais dela como “ilações”: “Não estou entendendo esse seu tom comigo. Sempre tivemos uma relação de harmonia e respeito. Se tiver algum erro na coluna da Malu [Gaspar], peço a correção imediata. […] Eu não gosto do que ela postou, por isso reforcei que a cobertura do Globo é a que está no site, onde não há essas ilações”, respondeu.

Nos comentários de Fred Kachar, as críticas à imprensa não se limitavam aos próprios veículos da Globo. Em conversas com Vorcaro, ele diz conhecer “os mecenas” do Poder 360 e rejeita o momento da revista piauí: “virou denuncista”.

Não há, no entanto, nenhuma frase do executivo da Globo que caracterize uma reflexão sobre a relação com o banqueiro que os próprios jornais que dirigia apontavam como suspeitos. Após ser implicado pelas investigações da PF e com o negócio do BRB sendo escrutinado, Vorcaro deixou de receber mensagens da “amizade que supera negócios” e passou três meses sem qualquer contato. A última mensagem disponível nos relatórios da PF, em julho de 2025, não tem resposta disponível. Em novembro, Vorcaro foi preso pela primeira vez e solto pouco depois, voltando a ser detido em março deste ano. O banqueiro segue detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. 

  •  

Adultos têm trabalho, mas habitação faz disparar carência

Negócios: Além do “cheque” para a TAP, Lufthansa traz o triplo para Portugal. Folha de S. Paulo: Senado brasileiro aprova fim da escala 6X1

  •  

Lusa. BE questiona Governo sobre documentos da administração

Fabian Figueiredo cita artigo da revista Sábado e acusa a administração de enviar "não os contratos pedidos, mas uma minuta não expurgada dos elementos" que a Comissão da Carteira considerara ilegais.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Fabian Figueiredo salienta que este episódio "surge num contexto de crescente tensão entre o Conselho de Administração, nomeado pelo Governo em fevereiro, e a redação"
  •  

Papa Leão XIV diagnosticado com cancro do pulmão

DN: 63% dos portugueses adiaram projetos devido ao aumento do custo de vida. Correio da Manhã: Retenção do IRS na fonte vai diminuir 50% em novembro

  •  

Rússia detém jornalista japonês por suspeitas de espionagem

O jornalista escrevia artigos sobre as eleições na Rússia e as relações com Coreia do Norte. No último artigo, falou sobre norte-coreanos em Sacalina, no Extremo Oriente. Pode ser condenado a 20 anos.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Jornalista pode ser condenado a 20 anos.
  •  
❌