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Alemanha considera ameaça russa de sabotagem "significativa"

Bundeswehr classifica ameaça como "significativa". Moscovo terá capacidade e intenção crescente de atacar infraestruturas para enfraquecer apoio alemão à Ucrânia.

© MAXIMILIAN VON LACHNER/EPA

A Alemanha é um dos principais países europeus que prestam assistência militar à Ucrânia
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Zelensky favorável a reunião trilateral com Rússia e EUA o mais rapidamente possível

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By: Lusa

O Presidente ucraniano afirmou esta quarta-feira ser favorável a uma reunião trilateral entre Kiev, Moscovo e Washington “o mais rapidamente possível”, após o Kremlin ter demonstrado esta quarta-feira abertura para a realização de um encontro em novembro.

“Ficámos a saber que a Rússia (…) é favorável a uma reunião trilateral ao nível das nossas delegações. A parte norte-americana propõe organizar esta reunião o mais rapidamente possível. Estamos favoráveis a isso”, afirmou Volodymyr Zelensky, em declarações à comunicação social.

As declarações do chefe de Estado ucraniano surgem no seguimento da visita do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, a São Petersburgo, onde se reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin.

No rescaldo da reunião desta quarta-feira, o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse aos jornalistas que Moscovo tenciona, “em princípio”, retomar as conversações após o dia 10 de novembro, e que as negociações trilaterais vão focar-se na “criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”.

Ushakov, citado pela agência russa TASS, indicou ainda que esta nova ronda de negociações poderá ter lugar em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Também Witkoff referiu nas redes sociais que as reuniões que manteve na terça-feira com Zelensky, em Oslo, na Noruega, e esta quarta-feira com Vladimir Putin, foram positivas e que “irão prosseguir com conversações trilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia a nível técnico”.

“Reunimo-nos com o Presidente Putin para dar continuidade aos progressos alcançados em Oslo com o Presidente Zelensky” e “discutir um quadro de paz”, referiu Witkoff na mesma mensagem publicada na rede social X.

Horas antes, numa entrevista à estação norte-americana Fox News, Zelensky afirmou que é necessária uma pausa na frente de batalha como ponto de partida para as negociações de paz.

Zelensky reiterou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.

Também foi proposta por Putin uma reunião a três com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) no próximo mês, na China.

Trump também já se mostrou disponível para participar nesta reunião de líderes e, embora Pequim ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto, Ushakov afirmou esta quarta-feira que a China já tinha iniciado os preparativos para a reunião.

O Presidente russo recebeu também esta quarta-feira em São Petersburgo o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, após conversar três horas com o enviado da Casa Branca sobre a Ucrânia e o possível encontro dos líderes de Rússia, Estados Unidos e China em novembro.

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Líderes europeus procuram solução para défice de 70 mil milhões da Ucrânia em 2027


Os líderes da União Europeia (UE) vão reunir-se a 26 e 27 de novembro para procurar uma solução para as necessidades de financiamento da Ucrânia em 2027, estimadas em 70 mil milhões de euros, e discutir o próximo orçamento comunitário para o período de 2028 a 2034, segundo adiantou um funcionário do bloco envolvido nos preparativos à Reuters.

Apesar de Bruxelas prever disponibilizar 45 mil milhões de euros à Ucrânia no próximo ano, o montante será insuficiente para cobrir as necessidades financeiras de Kiev, enquanto a guerra com a Rússia prosseguir. Os Estados-membros terão, por isso, de encontrar uma nova forma de financiamento, que poderá passar por outro empréstimo, segundo a fonte citada pela agência noticiosa.

Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou ao bloco europeu para arranjar forma de conceder mais 70 mil milhões de euros para 2027, avisando que a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros” no próximo ano.

O Executivo comunitário contava também com contribuições adicionais de países que não pertencem à UE, como Noruega, Suíça, Canadá, Japão e Reino Unido, num total de 45 mil milhões de euros repartidos entre 2026 e 2027. No entanto, parte desse financiamento ainda não se concretizou, aumentando a pressão para encontrar alternativas.

Em setembro, a Comissão Europeia indicou que o Canadá está a negociar a participação no empréstimo da União à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, lembrando que o regulamento do Empréstimo de Apoio à Ucrânia para 2026-2027 abre a porta a que alguns países terceiros participem no programa sob condições específicas.

A cimeira servirá também para discutir o orçamento comunitário de longo prazo para 2028-2034. Os governos europeus pretendem chegar a acordo sobre o próximo quadro financeiro ainda este ano, antes de as campanhas eleitorais previstas para 2027 em países como França, Itália, Polónia, Grécia, Estónia, Finlândia e Eslováquia tornarem as negociações mais politizadas.

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Militares do NRP Mondego absolvidos de segredo de Estado

Tribunal considerou que as informações enviadas às associações não estavam classificadas e que a acusação do MP foi "imponderada". Defesa fala em "notável honestidade intelectual".

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Além disso, as informações que constam nos documentos enviados pelos militares não estavam "classificadas por entidade competente", diz a juíza
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Ex-chefes militares alertam para “panorama sombrio” de falta de efetivos nas Forças Armadas

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By: Lusa

O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), que reúne vários ex-chefes militares, alertou esta quarta-feira para um “panorama sombrio e preocupante” de falta de efetivos nas Forças Armadas, sugerindo a criação de um órgão independente dedicado a questões remuneratórias.

Num texto intitulado “As Forças Armadas, os recursos e a falta de pessoal”, este grupo de reflexão composto por oficiais generais na reserva incluindo ex-chefes militares como o almirante Melo Gomes, o general Pinto Ramalho ou o general Taveira Martins, alerta que as notícias em torno da Defesa têm estado mais focadas na aquisição de equipamentos – com programas como os empréstimos europeus SAFE – mas que o pessoal “(ou a falta dele) também é assunto”.

O GREI aponta que a crise de efetivos “não é nova”, “só que agora o panorama é mais sombrio e preocupante”.

Num diagnóstico detalhado, o grupo defende que a exigência e o risco inerentes à profissão militar “contrastam com níveis remuneratórios pouco competitivos, progressões lentas e incentivos insuficientes”, além de “fragilidades na assistência na saúde, na ação social complementar e a perspetiva de reformas futuras pouco compensadoras”.

“Perante um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, as Forças Armadas enfrentam dificuldades crescentes para captar e manter talento qualificado, comprometendo a prontidão e capacidade operacional, bem como a renovação geracional. Sem pessoas não há capacidades militares, e sem capacidades militares não há sistema de forças e uma garantia plena de defesa nacional”, avisam.

Entre as várias propostas do GREI para enfrentar este problema está a criação de um órgão, ou uma comissão de acompanhamento, “independente e isento”, que se dedicaria às questões do sistema remuneratório dos militares – lembrando que estes profissionais não têm o direito à negociação coletiva ao contrário de outras profissões, como as forças de segurança.

Esse órgão seria “constituído por personalidades de reconhecido mérito nomeadas pelo senhor Presidente da República”, reportando ao Comandante Supremo das Forças Armadas, ao Governo e à Assembleia da República, e teria “suporte legal para produzir propostas e pareceres vinculativos, à semelhança do que já existe em vários países da Europa e da NATO”.

Utilizando dados do Exército, o GREI indica que, desde 2000, se candidataram ao ramo, em média, 5.737 cidadãos por ano. Destes, apenas 2.302 por ano (cerca de 40%) chegaram a completar o serviço militar.

É ainda apontado que a 1 de março deste ano, o Exército dispunha de 4.565 praças para um efetivo autorizado de 9.096 para o triénio 2023/2025 – cerca de metade do previsto. Também a Marinha, em março deste ano, dispunha apenas de 59% dos praças autorizados.

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, tem insistido que a tendência de queda de efetivos nas fileiras militares está a ser revertida, mas o GREI aponta que “mesmo nos anos em que se registou um incremento do número de incorporados – com particular expressão em 2023 e 2024 -, esse crescimento revelou-se manifestamente insuficiente para compensar as saídas acumuladas, perpetuando um défice estrutural de efetivos, em especial na categoria de praças”.

O “desencanto pela profissão” não se fica apenas nas categorias mais baixas, com o grupo a alertar para saídas de militares com muitos anos de experiência e altamente qualificados, como médicos, engenheiros e pilotos.

O grupo sustenta que as alterações feitas ao Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR) nos últimos 25 anos foram altamente penalizadoras dos militares, quer em termos de progressão na carreira, quer em termos de vencimentos.

Na ótica do GREI, o financiamento da Defesa Nacional tem vindo a resultar “de decisões casuísticas e de critérios únicos de oportunidade política, sem qualquer racional ou estudo subjacente”. Estes militares também lamentam que o SAFE se foque na aquisição de material e esqueça a vertente pessoal.

“Não há Forças Armadas sem material adequado e condigno – navios, carros de combate ou aeronaves, mas também não haverá Forças Armadas sem pessoal – marinheiros, soldados ou aviadores – habilitados e altamente proficientes e motivados”, avisam, realçando que não está em causa “uma questão corporativa” mas sim “uma questão de soberania e de responsabilidade política”.

Neste documento, o GREI defende ainda que o Estado deve cobrir o “défice crónico” registado na Assistência na Doença dos Militares (ADM), à semelhança do que é feito com a ADSE, e não atribuir essa responsabilidade ao Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA).

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UE investiga suspeitas de desinformação russa em torno dos protestos em França


A União Europeia (UE) está a analisar possíveis campanhas de desinformação e interferência estrangeira nas redes sociais relacionadas com os recentes motins em França e episódios de violência e pilhagem noutros países europeus. Contas pró-russas estarão a divulgar vídeos violentos e falsas narrativas para agravar a instabilidade, avançou o Financial Times, citando responsáveis de segurança e especialistas.

As autoridades estão a avaliar o papel de redes de influência ligadas a Moscovo, mas também possíveis operações associadas ao Irão e à Argélia. O objetivo passa por perceber se estas campanhas estão a amplificar a violência e de que forma as plataformas digitais contribuem para a propagação de conteúdos falsos ou incitamentos ao ódio.

“Queremos saber qual é o nível de cooperação das plataformas. É possível que estejam a ocorrer campanhas de informação russas, mas as plataformas não devem amplificá-las através dos seus algoritmos”, afirmou um funcionário da União, citado pelo jornal britânico.

França é, segundo o Serviço Europeu para a Ação Externa, o segundo país da Europa continental mais visado por operações estatais de manipulação da informação, atrás da Ucrânia.

David Colon, investigador da Sciences Po especializado em desinformação, disse ao mesmo jornal que influenciadores pró-Kremlin associados à Storm-1516 — operação russa de desinformação e influência digital ligada ao Kremlin e aos serviços de inteligência da Rússia, ativa pelo menos desde 2023 — “amplificaram os acontecimentos e divulgaram várias narrativas falsas”.

Contudo, ressalvou que estes influenciadores “não estão na origem das manifestações” nem terão tido impacto no desenrolar dos acontecimentos.

Um dos exemplos identificados pelo Financial Times envolve uma conta na rede social X, com cerca de cinco mil seguidores, que publicou um vídeo de manifestantes a lançar fogo de artifício e que acumulou quase seis milhões de visualizações. As imagens foram apresentadas como sendo de França, mas tinham sido gravadas durante protestos em Tbilisi, na Geórgia, em 2024.

A Comissão Europeia reuniu-se esta semana com as autoridades francesas e com o regulador dos meios de comunicação, Arcom, para discutir a atuação das plataformas digitais, incluindo a X, o Instagram e o TikTok. “Queremos saber até que ponto as plataformas estão a cooperar”, afirmou um responsável europeu citado pelo jornal.

Apesar das suspeitas de interferência estrangeira, não existem provas concretas de que agentes russos tenham organizado ou provocado diretamente os motins. Um responsável europeu dos serviços de informações considerou que a explicação mais simples continua a ser a radicalização política interna, embora atores estrangeiros possam aproveitar o descontentamento para ampliar a instabilidade.

“Existe uma mobilização genuína de pessoas zangadas com as instituições devido às suas próprias queixas, e atores estatais estrangeiros tentam amplificá-la”, vincou outra fonte dos serviços de informações europeus ao jornal, alertando para que o papel destas redes não seja sobrestimado.

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15h. Militares absolvidos de violação de segredo de Estado

Em causa estão os militares que recusaram embarcar no NPR Mondego. E ainda, interrogatórios judiciais aos 55 manifestantes ontem detidos na Praça do Rossio, só vão ter lugar para a semana.

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Qatar, Turquia, Paquistão e Indonésia formalizam aliança na indústria de defesa

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By: Lusa

Qatar, Turquia, Paquistão e Indonésia assinaram esta quarta-feira um memorando de entendimento sobre a indústria de defesa, que permitirá reforçar a cooperação e multiplicar as exportações militares entre os quatro países. A assinatura teve lugar em Doha, capital do Qatar, no âmbito da visita dos representantes da Defesa dos três países.

O acordo assenta, em concreto, em projetos de defesa já existentes entre os quatro países, procurando reforçar a cooperação multilateral.

Além do fornecimento de sistemas militares entre todos, o objetivo último da aliança é avançar para a produção conjunta e para a transferência de tecnologia, interoperabilidade e integração das cadeias de abastecimento, indicou o Secretariado das Indústrias de Defesa da Turquia.

O acordo assinado em Doha é particularmente atrativo para Ancara, que se destaca como a maior potência industrial entre os países signatários.

A Turquia viu as suas exportações de armamento aumentarem 122% nos últimos cinco anos, tornando-se o 11.º maior exportador mundial de material militar, destinado sobretudo aos seus parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

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Hospital das Forças Armadas tem mais de 20 milhões para módulo cirúrgico


O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) recebeu autorização do Governo de aproximadamente 20,3 milhões de euros para construir o módulo cirúrgico do Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, nos anos de 2025 a 2029. A operação será garantida por verbas da Lei de Infraestruturas Militares inscritas no orçamento do EMGFA.

O montante, ao qual acresce IVA à taxa legal em vigor, representa um reforço de cerca de 5,57 milhões de euros face aos 14,71 milhões inicialmente autorizados, em março de 2025.

O aumento da despesa resulta da revisão do projeto de execução elaborado em 2016 e atualizado em 2025, que identificou “a necessidade de atualizar diversas especialidades, designadamente ao nível das instalações de climatização e ventilação, segurança contra incêndios, gases medicinais, instalações elétricas e requisitos de eficiência energética”, lê-se numa resolução do Conselho de Ministros publicada esta quarta-feira em Diário da República.

A atualização do projeto levou também à revisão do prazo da empreitada, inicialmente previsto até 2027, que passa agora a abranger o período até 2029. O Governo justifica o aumento dos custos com “a evolução dos preços no setor da construção verificada na última década, designadamente no que respeita ao custo dos materiais e da mão de obra”.

Dessa forma, o Executivo de Luís Montenegro autorizou o “Estado-Maior-General das Forças Armadas a assumir o encargo plurianual e a realizar a despesa para a edificação do módulo cirúrgico do Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, com a construção do edifício H05, nos anos de 2025 a 2029, até ao montante global máximo de 20 274 857,06 euros“.

O encargo orçamental autorizado distribui-se por cinco anos económicos, sem poder exceder nos anos de 2027 a 2029 os seguintes montantes:

  • 2025: 150 000 euros
  • 2026: 5 565 570,73 euros
  • 2027: 6 198 455,28 euros
  • 2028: 6 348 455,28 euros
  • 2029: 2 012 375,77 euros
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França investiga incursão de drones sobre base naval e outras zonas militares


A Marinha Francesa abriu uma investigação judicial depois de vários drones não autorizados terem sido detetados junto e sobre instalações militares no sudeste de França. Entre os locais afetados estão a base naval de Toulon, uma instalação da Direção-Geral do Armamento e um regimento de artilharia em Hyères. As autoridades ainda não determinaram a origem dos sobrevoos.

Durante um exercício militar de grande escala que decorreu de 5 a 16 de outubro, “drones não autorizados foram detetados na zona de exclusão aérea, perto e acima de instalações militares“, afirmou a Armada francesa em comunicado de imprensa, citada pelo Politico.

Os incidentes ocorreram durante o exercício Typhon, destinado a treinar a proteção de instalações militares terrestres e marítimas na região de Toulon, em coordenação com as forças de segurança internas. Em cada ocorrência, foram ativados dispositivos antidrones, mas a Marinha francesa garante que, até ao momento, nenhuma infraestrutura sensível foi ameaçada.

A base naval de Toulon é uma das principais instalações militares francesas no Mediterrâneo e acolhe o porta-aviões Charles de Gaulle e submarinos de ataque.

Europa em alerta para ameaças híbridas

Os incidentes surgem num contexto de crescente preocupação europeia com incursões de drones junto de instalações militares e infraestruturas críticas, algumas das quais atribuídas por autoridades nacionais à Rússia.

Em setembro, o Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu um plano para proteger infraestruturas críticas perante a intensificação dos ataques híbridos que Paris atribui a Moscovo, afirmando que a “natureza da agressividade russa” mudou e anunciando uma nova cimeira do G7.

Na Alemanha, o Governo responsabilizou oficialmente a Rússia por ataques com drones equipados com explosivos na zona de segurança do aeroporto de Leipzig, um importante centro de logística militar. No caso da Dinamarca, os serviços de informações anunciaram ter detetado preparativos concretos para operações de sabotagem russas contra empresas da indústria de Defesa.

O comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, avisou que a União Europeia (UE) deve responder à Rússia com medidas “tão dolorosas” como os danos provocados por eventuais ataques híbridos, defendendo que Moscovo não deve ter conhecimento antecipado de qual será a resposta europeia.

No caso francês, as autoridades não identificaram a origem dos drones detetados em Toulon nem atribuíram os sobrevoos a qualquer país. A investigação judicial deverá apurar as circunstâncias dos incidentes.

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Maratona tecnológica europeia de defesa em Leiria tem vencedores. Saiba quem são


A UB Robotics conquistou o primeiro lugar na edição de Leiria do EUDIS Defence Hackathon 2026 com uma plataforma de autonomia robótica que permite coordenar diferentes tipos de robôs sem depender de GPS, internet ou redes convencionais, a UBR Brain. A Nautilo e a UBIAT viram também as suas soluções serem reconhecidas na maratona tecnológica de defesa.

A competição decorreu entre 15 e 17 de outubro, em Leiria, no âmbito do programa europeu EU Defence Innovation Scheme (EUDIS), apoiado pelo Fundo Europeu de Defesa. Sob o tema “Autonomia no Campo de Batalha”, o hackathon reuniu 62 participantes de 12 nacionalidades para desenvolver soluções tecnológicas destinadas a operar em ambientes onde os sistemas de navegação por satélite podem estar indisponíveis ou ser perturbados.

Esta foi a terceira maratona tecnológica do EUDIS realizada em Portugal, mas desta vez com a Startup Leiria como organizadora do evento. O desafio incluiu a navegação sem GPS, a coordenação de enxames de drones e o desenvolvimento de plataformas capazes de lançar, coordenar e recolher diferentes sistemas não tripulados.

A maratona de Leiria decorreu em simultâneo com a de Itália, Chipre, Suécia, Irlanda, Áustria, Letónia e Noruega que acolheram a edição de outono do programa EUDIS, integrado no Fundo Europeu de Defesa da Comissão Europeia para impulsionar a inovação no setor da defesa até 2030.

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Quais os projetos vencedores?

A equipa UB Robotics venceu com o projeto UBR Brain, desenvolvido para responder ao desafio GNSS-Denied Navigation, centrado na operação de sistemas autónomos em ambientes sem acesso fiável a sinais de posicionamento por satélite.

A solução consiste numa plataforma de software de autonomia robótica que permite a um único operador coordenar diferentes tipos de máquinas, incluindo veículos terrestres não tripulados (UGV), veículos aéreos não tripulados (UAV) e robôs humanoides. O sistema recorre a sensores instalados nos próprios equipamentos e a comunicações rádio ponto a ponto, para permitir a navegação e a partilha de informação sem depender de GPS, ligação à internet ou infraestruturas de rede convencionais.

A equipa vencedora é composta por Filipe Martins, Francisco Leal, Pedro Oliveira, Rodrigo Capeleiro e Ruben Dinis.

A vitória na edição portuguesa permite à equipa avançar para a fase seguinte do programa europeu. Segundo a organização do hackathon, os vencedores nacionais beneficiam de dois meses de mentoria europeia e têm oportunidade de apresentar as soluções a representantes dos Estados-membros. As melhores propostas poderão ainda chegar a um evento tecnológico internacional.

A Nautilo conquistou o segundo lugar com uma plataforma naval autónoma concebida para patrulhar a Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa durante várias semanas. “Alimentada por energias renováveis e equipada com sistemas de baixa manutenção, a plataforma funcionaria como uma base móvel para prolongar o alcance operacional de sistemas não tripulados mais pequenos, permitindo uma monitorização marítima contínua e persistente”, refere a Startup Leiria.

Já o terceiro lugar foi para o sistema autónomo de combate a drones da UBIAT. Concebida para responder a ameaças como os drones de ataque Shahed, a solução combina uma “plataforma aérea principal com pequenos drones intercetores, que podem ser lançados para neutralizar ameaças identificadas através de câmaras térmicas e visuais”, refere a Startup Leiria.

“Através de uma rede de comunicação entre os drones e de um sistema de coordenação supervisionado por um operador humano, a plataforma permite distribuir alvos, acompanhar a situação e reajustar as missões em tempo real”, refere ainda.

Trata-se de uma solução de uso dual, já que a “arquitetura proposta poderá também ter aplicações civis, nomeadamente na deteção de incêndios florestais e em operações de busca e salvamento”.

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Força Aérea tem até 4,4 milhões de euros para inspeção e manutenção dos F-16


A Força Aérea Portuguesa obteve luz verde do Governo de cerca de 4,4 milhões de euros para realizar ações de manutenção associadas às aeronaves F-16, com financiamento através de verbas a inscrever no orçamento do ramo das Forças Armadas. A Força Aérea também recebeu autorização para conservar o simulador para o Multinational Helicopter Training Centre e fornecer cursos táticos de helicópteros, com montante máximo de 1,4 milhões de euros.

“A Força Aérea tem de cumprir com os requisitos permanentes de aeronavegabilidade relativos às aeronaves F-16, conforme estabelecido pelo fabricante das mesmas, por forma a garantir a segurança da operação, o que implica a realização regular de ações de manutenção complexas, denominadas ‘inspeções de fase’ (IF), integradas com outras ações de manutenção”, lê-se numa resolução do Conselho de Ministros publicada esta quarta-feira em Diário da República.

“Afigura-se necessária a aquisição do serviço de IF de 300 horas de voo e ações de manutenção associadas, por forma a regenerar o potencial de célula consumido pela operação normal destas aeronaves”, pode ler-se na resolução.

Nesse sentido, a Força Aérea foi autorizada “a realizar a respetiva despesa com a aquisição de serviços de inspeção de fase de 300 horas de voo e ações de manutenção associadas do sistema de armas F-16, para os anos de 2027 e 2028, até ao montante máximo de 4 406 000 euros, ao qual acresce o imposto sobre o valor acrescentado (IVA), à taxa legal em vigor”.

O encargo orçamental autorizado distribui-se por dois anos económicos, sem poder exceder os seguintes montantes:

  • 2027: 2,16 milhões de euros
  • 2028: 1,246 milhões de euros

1,4 milhões para manutenção de simulador de helicópteros

O Governo também deu aval à Força Aérea de cerca de 1,4 milhões de euros para adquirir serviços de operação e manutenção do simulador para o Multinational Helicopter Training Centre (MHTC), para o ano de 2027, e de ministrar cursos táticos de helicópteros, com verbas específicas do MHTC, a inscrever no orçamento da Força Aérea no próximo ano.

O MHTC, sediado na Base Aérea de Sintra, é o maior centro europeu de formação de tripulações de helicópteros militares e a sua “operação e manutenção do simulador existente, deve ser mantida, com vista ao fornecimento contínuo de cursos táticos de helicópteros”, pode ler-se na Portaria datada de 14 de outubro e publicada esta quarta-feira em Diário da República.

Como está previsto que a capacidade operacional total dos novos simuladores apenas deverá ser alcançada em 2028, “é necessário proceder à aquisição de serviços de operação e manutenção do simulador existente no MHTC, por um período de 12 (doze) meses, com início em 1 de janeiro de 2027 e término a 31 de dezembro de 2027”.

Para tal, a Força Aérea assume “o encargo plurianual, para o ano de 2027, referente à aquisição de serviços de operação e manutenção do simulador para o Multinational Helicopter Training Centre e fornecimento de cursos táticos de helicópteros, até ao montante máximo de 1 413 578 euros (um milhão, quatrocentos e treze mil, quinhentos e setenta e oito euros), ao qual acresce o imposto sobre o valor acrescentado à taxa legal em vigor”.

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Encontro entre Zelensky e Witkoff foi “positivo”, diz Rubio

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By: Lusa

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou positivos os contactos entre o emissário dos Estados Unidos Steve Witkoff, e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na terça-feira, em Oslo.

Rubio acrescentou que Witkoff estava, naquele momento, a caminho de um encontro com as autoridades russas, nomeadamente com o presidente, Vladimir Putin, em São Petersburgo, onde já chegou. “Foi positivo, nada de inesperado, nada de surpreendente. Agora, com estas ideias, ele pode ir a São Petersburgo e partilhá-las com o lado russo. Vamos ver se conseguimos obter alguns avanços”, declarou Marco Rubio aos jornalistas na Índia, onde se encontra a realizar uma visita oficial.

A iniciativa diplomática de Witkoff ocorre após uma semana de forte tensão entre a Ucrânia e os Estados Unidos, sobretudo no que diz respeito à partilha de informações e às comunicações via SpaceX, a empresa de telecomunicações e de alta tecnologia de Elon Musk.

A este propósito, o chefe da diplomacia norte-americana reiterou que os Estados Unidos não foram previamente informados sobre a redução da velocidade das comunicações via satélite da SpaceX — utilizadas pela Ucrânia nas operações no campo de batalha contra a Rússia. “O Presidente [dos Estados Unidos] não tem qualquer relação com as decisões tomadas pela Starlink, pela Starshield ou por [Elon] Musk”, afirmou. “É uma empresa privada. O Presidente não dirige essa empresa e não lhe pode ordenar nada (…). Não houve qualquer conhecimento prévio” sobre o assunto, acrescentou.

Segundo o Wall Street Journal, Elon Musk ordenou a limitação dos serviços da rede de satélites Starshield na Ucrânia, embora o multimilionário tenha afirmado, anteriormente, que qualquer restrição a este sistema teria sido decidida, em última instância, por Donald Trump.

Ao abordar as negociações diplomáticas em curso, Rubio observou que no centro delas estão as zonas do Donbass que a Rússia reivindica. Questionado se o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, vai participar na próxima semana numa reunião dos países do G20 em Atlanta, Estados Unidos, disse esperar que o ministro esteja presente, embora não tenha confirmado a eventual presença.

É possível que o Presidente russo “também compareça” na cimeira do G20 em Miami, em dezembro, “embora não tenhamos confirmação disso”, acrescentou Marco Rubio.

O Presidente Donald Trump convidou a Rússia a participar nos encontros que se vão realizar nos Estados Unidos.

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Nova iniciativa da ONU visa abordar usos militares da IA

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By: Lusa

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai lançar uma nova iniciativa sobre as utilizações militares da inteligência artificial (IA), para enfrentar as preocupações sobre a ameaça que o desenvolvimento da tecnologia representa para a humanidade.

A iniciativa, do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento (UNIDIR, na sigla em inglês), tem lançamento previsto para esta quinta-feira e vai estabelecer o primeiro fórum internacional para que os principais interessados procurem enfrentar a questão.

O diretor do instituto sediado em Genebra, Robin Geiss, alertou em conferência de imprensa da ONU na terça-feira que “a margem para o julgamento humano é cada vez mais estreita, incluindo no domínio nuclear”. É difícil avaliar o quão próximo o mundo está de máquinas que possam vir a agir fora do controlo humano, disse Geiss, acrescentando que a incerteza “é a questão” que se está a “tentar resolver”.

Um dos problemas é que a IA está a penetrar, cada vez mais, em diversas áreas — sistemas de alerta precoce, recolha de informação e reconhecimento — e “é muito difícil determinar em que ponto estamos, de facto, a perder o controlo”, afirmou.

Segundo Geiss, durante algum tempo houve uma resistência generalizada em estabelecer salvaguardas para a IA. Contudo, a proliferação das capacidades e o potencial impacto da tecnologia levaram a “uma crescente perceção de que estamos perante uma encruzilhada e que agora é o momento de agir, incluindo no que diz respeito à IA militar”.

Geiss observou que a ONU reconhece que a competição global pela liderança em IA impõe obstáculos sérios. “Mas as preocupações com o impacto da IA já transcendem os blocos geopolíticos e estão a levar as grandes potências a tomar medidas”, disse, mencionando uma proposta feita em setembro para que os EUA e a China criem um sistema de alerta de segurança em IA, dirigido a questões que possam ameaçar a segurança nacional.

Os riscos associados à IA foram um tema central nos discursos dos líderes de muitas das 193 nações-membros da ONU, durante a reunião anual de alto nível realizada em setembro.

Este verão, o UNIDIR estabeleceu um Centro de Excelência em IA, Paz e Segurança, a primeira plataforma permanente da organização mundial dedicada a estes temas. Geiss afirmou que a iniciativa recebeu financiamento das cinco principais potências nucleares: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França.

Na quinta-feira, o UNIDIR vai lançar um novo fórum, ligado ao centro, para reunir “atores de todos os setores relevantes e de diferentes partes do mundo”, de forma a trabalhar na questão da IA nas aplicações militares.

Geiss não detalhou exatamente o que a iniciativa fará, mas mencionou que integrará outros esforços relacionados com a IA que o centro lançará esta semana. Outra iniciativa irá focar-se no papel da indústria, visando desenvolver “uma estrutura para uma conduta industrial responsável”, explicou.

As decisões tomadas pelas empresas durante as fases de conceção e desenvolvimento “determinam se as capacidades militares baseadas em IA serão, de facto, fiáveis e previsíveis, e se poderão operar em conformidade com o direito internacional”, disse Geiss.

Por esse motivo, o UNIDIR está a desenvolver uma estrutura de conduta industrial responsável que fornecerá “orientações práticas e voluntárias”, alinhadas com o direito internacional e orientadas para a garantia dos direitos humanos, acrescentou.

O UNIDIR está também a lançar uma iniciativa dirigida aos riscos do uso indevido de IA por grupos armados, alertou Geiss, sublinhando que tais grupos já utilizam a tecnologia para apoiar o planeamento operacional, a execução de ações e a logística.

“A questão urgente da IA no âmbito militar não pode mais permanecer nas sombras”, afirmou Geiss. “Chegou o momento de unir forças e enfrentar, de frente, a questão da IA no setor militar”, acrescentou.

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Exército prepara zona de testes para tecnologias de defesa em três regiões


O Exército Português está a preparar a criação de uma zona livre tecnológica para testar e validar novas tecnologias de Defesa em três regiões do país. A infraestrutura, designada Zona Livre Tecnológica (ZLT) D. Afonso Henriques, deverá abranger áreas militares em Santa Margarida, no concelho de Constância, São Jacinto, em Aveiro, e Beja. A gestão da ZLT será assegurada pelo Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx). Consolidar Portugal como “um espaço de referência para a experimentação tecnológica e operacional no contexto europeu e da NATO” está entre os objetivos.

“A futura ZLT permitirá disponibilizar infraestruturas militares, meios tecnológicos e recursos humanos especializados para a experimentação de soluções inovadoras, com especial incidência nas áreas da Segurança e Defesa, incluindo tecnologias de duplo uso, com aplicações militares e civis”, refere porta-voz do Exército ao ECO/eRadar.

O projeto, em processo de aprovação, pretende aproximar as Forças Armadas, a indústria e a academia, permitindo experimentar tecnologias em condições próximas das operações militares antes de uma eventual integração nas capacidades do Exército.

O Exército já realiza anualmente um exercício operacional em Santa Margarida, o Artex, permitindo a empresas e entidades, testar em ambiente real as suas soluções. E, recentemente, o CEMTEx, organismo a quem cabe a gestão da ZLT — “será responsável por planear, coordenar e acompanhar os testes, bem como pela articulação com as entidades reguladoras e pela disponibilização dos meios técnicos, operacionais e logísticos necessários” — passou a integrar a rede de centros de testes e experimentação da NATO DIANA, uma iniciativa da Aliança Atlântica visando acelerar o desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de startups ou PME no setor da defesa.

Com a criação da ZLT o ramo das Forças Armadas dá um novo passo ampliando os ambientes de experimentação. “A distribuição por Santa Margarida, São Jacinto e Beja constitui uma das principais características diferenciadoras do projeto, permitindo realizar testes em ambientes terrestres, aéreos e aquáticos. As infraestruturas previstas incluem extensas áreas terrestres, superfícies de água interiores, acesso ao mar através da Ria de Aveiro, um aeródromo militar, espaços aéreos segregados e instalações de apoio à monitorização e segurança dos testes”, descreve porta-voz do Exército Português.

“Esta diversidade permitirá experimentar sistemas autónomos e não tripulados, sensores, comunicações, robótica e outras tecnologias emergentes, incluindo soluções que integrem diferentes domínios operacionais“, destaca a mesma fonte do ramo das Forças Armadas.

Mas mais do que ampliar áreas de experimento projeto, cuja gestão será assegurada pelo Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx) — que “será responsável por planear, coordenar e acompanhar os testes, bem como pela articulação com as entidades reguladoras e pela disponibilização dos meios técnicos, operacionais e logísticos necessários” — tem outro objetivo.

A distribuição por Santa Margarida, São Jacinto e Beja constitui uma das principais características diferenciadoras do projeto, permitindo realizar testes em ambientes terrestres, aéreos e aquáticos. As infraestruturas previstas incluem extensas áreas terrestres, superfícies de água interiores, acesso ao mar através da Ria de Aveiro, um aeródromo militar, espaços aéreos segregados e instalações de apoio à monitorização e segurança dos testes.

Porta-voz

Exército Português

“Pretende criar uma ligação permanente entre as necessidades operacionais das Forças Armadas, a investigação científica e a capacidade de inovação da indústria, transformando conhecimento e tecnologia em soluções concretas para a Defesa”, refere porta-voz do Exército Português.

A ZLT D. Afonso Henriques posiciona-se como uma plataforma de inovação aberta, acessível a empresas, startups, universidades, centros de investigação e parceiros internacionais. “Ao permitir testar tecnologias em condições operacionais exigentes, o projeto poderá contribuir para reduzir riscos de desenvolvimento, acelerar a maturação tecnológica e reforçar a competitividade das empresas portuguesas nos mercados internacionais”, aponta o porta-voz do Exército.

Constitui ainda “um instrumento para atrair investimento, projetos de investigação e desenvolvimento e talento especializado, promovendo o fortalecimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa nacional”, destaca.

A iniciativa enquadra-se na “estratégia de modernização e transformação do Exército Português, procurando consolidar Portugal como um espaço de referência para a experimentação tecnológica e operacional no contexto europeu e da NATO”.

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Força Aérea reforça com dois novos satélites Constelação Atlântico


A Constelação Atlântico foi reforçada esta terça-feira com dois novos satélites que vão ser operadoras pela Força Aérea e que adicionam capacidade soberana de Portugal para observar e monitorizar o território nacional e o espaço atlântico.

“Com estes dois novos satélites, Portugal reforça a sua capacidade soberana de observar, compreender e proteger aquilo que é seu. Mais capacidade no Espaço significa maior liberdade de ação na Terra”, afirma o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e Autoridade Aeronáutica Nacional, General Sérgio da Costa Pereira, citado em comunicado.

Adquiridos pelo CTI Aeroespacial, no âmbito da Agenda New Space, do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), os dois satélites, CA-02 e CA-03, foram lançados esta terça-feira a bordo da missão Bandwagon-5, da SpaceX, através de um Falcon 9, a partir do Space Launch Complex 40, em Cabo Canaveral, na Florida, Estados Unidos da América. Inicialmente, o lançamento esteve apontado para 19 de outubro.

Construídos pela finlandesa ICEYE, os dois satélites são equipados com tecnologia de Radar de Abertura Sintética (SAR), permitindo observar a superfície terrestre independentemente das condições meteorológicas e da hora do dia, e serão operados pela Força Aérea.

Os dois satélites já estabeleceram comunicações, encontrando-se em curso as operações de rotina necessárias à sua entrada em funcionamento.

“A capacidade soberana de Portugal em tecnologia SAR para o Atlântico dá um importante passo em frente com a adição destes dois satélites à sua constelação. A partir de Lisboa, continuaremos a desenvolver esta capacidade em colaboração com a CTI Aeroespacial e a Força Aérea Portuguesa”, afirmou Rui Costa, CEO da ICEYE Portugal, citado em comunicado.

A empresa finlandesa abriu recentemente a sua operação em Portugal, estando ligada à futura fábrica de satélites de Alverca, o Space Hub de Alverca, que está a ser criado em instalações da Força Aérea. Será nesse espaço que serão construídos os satélites adquiridos por Portugal no âmbito do SAFE.

Os satélites e o hub — com financiamento de 15 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) — faz parte da estratégia do ramo das Forças Armadas no domínio espaço, do qual faz ainda parte adicionar capacidades de lançamento a partir de Santa Maria, para o qual a Força Aérea recebeu um financiamento de 15 milhões via PRR.

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A nova estratégia de Von der Leyen para a região do Ártico


Um centro de segurança marítima, mais navios quebra-gelos e um sistema de vigilância por satélite estão entre as iniciativas da nova estratégia europeia para o Ártico, apresentada por Ursula von der Leyen. Bruxelas quer reforçar a capacidade de monitorização da região, proteger infraestruturas críticas e melhorar a capacidade europeia para operar em condições árticas, numa resposta ao reforço da presença militar russa e às ameaças híbridas.

“Acabámos de adotar a nossa nova Estratégia Europeia para o Ártico. Já era tempo de o fazer. Não é a fronteira de outra pessoa. Faz parte da União Europeia. Três dos nossos Estados-Membros são países do Ártico, e mais de meio milhão de cidadãos da UE vivem no Ártico”, afirmou a líder do Executivo comunitário em Estrasburgo. No discurso em que apresentou a nova estratégia, a responsável defendeu que a Europa tem de adaptar a sua posição estratégica perante a evolução das ameaças, sem perder de vista a prosperidade das comunidades locais e a proteção ambiental.

A nova estratégia, publicada no site da Comissão Europeia, identifica três projetos de referência diretamente associados à segurança. O plano inclui ainda iniciativas para reforçar as comunicações por cabo e satélite e a investigação polar, áreas relevantes para a resiliência e a autonomia estratégica europeias.

Centro de segurança marítima para vigiar infraestruturas críticas

A Comissão Europeia quer desenvolver um Maritime Security Hub, um centro destinado a facilitar a partilha de informações sobre segurança, desde o fundo do mar até ao espaço.

A iniciativa será desenvolvida com os Estados-membros interessados e parceiros do Ártico, em linha com o plano de ação europeu para a segurança dos cabos submarinos. A primeira etapa passa pela criação de um centro dedicado aos cabos do Atlântico Norte e do Ártico, com funções de monitorização, proteção e apoio à reparação destas infraestruturas.

No seu discurso, Von der Leyen alertou para o facto de a Rússia estar a reconstruir a sua presença militar no Ártico e a desenvolver estratégias híbridas contra os países vizinhos, alterando o quadro de segurança da região. “Quando vemos a Rússia a reconstruir a sua presença militar no Ártico, a prosseguir estratégias híbridas contra os seus vizinhos e a transformar a segurança da região, isso tem impacto na União Europeia como um todo”, afirmou.

Reforço de navios quebra-gelos

Outro dos eixos passa pelo reforço da capacidade europeia para operar em águas cobertas de gelo. A Comissão pretende mapear as capacidades industriais disponíveis e as necessidades operacionais na região, além de apoiar o desenvolvimento tecnológico e a aquisição conjunta de quebra-gelos avançados. A estratégia prevê também a partilha de recursos entre países europeus para aumentar a disponibilidade destas embarcações.

Os navios desta tipologia permitem manter o acesso a zonas marítimas condicionadas pelo gelo e apoiar operações científicas, logísticas e de vigilância. A sua disponibilidade é, por isso, relevante para a presença europeia no Ártico, incluindo no apoio às comunidades locais e na capacidade de atuar em condições ambientais extremas.

Vigilância por satélite

A estratégia de Von der Leyen inclui um projeto-piloto específico para o Ártico, previsto para 2027, destinado a melhorar a consciência situacional e a vigilância do espaço marítimo. A iniciativa deverá combinar uma monitorização mais intensa por satélite com a partilha de dados entre os participantes. A intenção é permitir um acompanhamento mais completo da atividade na região e melhorar a capacidade de identificar riscos.

A vigilância constitui uma das prioridades de segurança identificadas por Bruxelas, que pretende aumentar a preparação europeia e reforçar a resposta a ameaças em diferentes domínios. O projeto-piloto integra o esforço para aproximar a informação recolhida por diferentes sistemas e autoridades, num território vasto e marcado por condições que dificultam a observação e as operações no terreno.

Cabo submarino entre a Gronelândia e a Europa

Para além dos três projetos incluídos diretamente no eixo da segurança, a estratégia prevê iniciativas de conectividade com relevância para a resiliência das infraestruturas europeias. Uma delas é o Pan-Arctic Cable, um projeto de ligação por cabo submarino que deverá ligar diretamente a Gronelândia à Europa, podendo haver futuras extensões para o Canadá e o Japão.

A iniciativa pretende garantir ligações mais seguras e resilientes numa região onde as infraestruturas digitais estão a ganhar importância económica e estratégica. O projeto deverá aproveitar investimentos europeus já realizados e parcerias internacionais na área da conectividade.

Satélites IRIS 2 para comunicações governamentais seguras

A estratégia inclui ainda o reforço da cobertura ártica do IRIS 2, o sistema europeu de conectividade por satélite destinado, entre outras aplicações, às comunicações governamentais seguras. A Comissão prevê acrescentar satélites para alargar a cobertura na região, em cooperação com os Estados-membros e os parceiros europeus.

O objetivo é melhorar a disponibilidade de comunicações seguras numa área onde a geografia e as condições ambientais dificultam a instalação e a manutenção de redes terrestres convencionais.

Centro europeu de investigação polar

A Comissão também apresenta a criação de um EU Polar Research Hub, um centro destinado a reforçar a ligação entre a ciência e a decisão política. A iniciativa deverá reforçar o European Polar Coordination Office (Escritório Europeu de Coordenação Polar), aproximando as atividades de investigação, observação e as infraestruturas científicas. A Comissão quer também melhorar o acesso aos recursos de investigação e reforçar a coordenação, incluindo com os povos indígenas.

A investigação polar é especialmente relevante para acompanhar os efeitos das alterações climáticas, que Von der Leyen colocou também no centro da estratégia. Segundo a presidente da Comissão, o Ártico está a aquecer “quase quatro vezes mais rápido que a média global”, com consequências para os padrões meteorológicos, os ecossistemas, a agricultura e os sistemas de água europeus.

“É por isso que a nossa estratégia mantém uma forte aposta na proteção do ambiente do Ártico e no avanço da transição limpa”, afirmou a líder do Executivo comunitário.

A Comissão procura, deste modo, manter a proteção ambiental como uma prioridade, mesmo num contexto em que a região ganha importância estratégica e económica. Para Von der Leyen, a segurança e o desenvolvimento do Ártico não podem ser separados dos efeitos das alterações climáticas.

Para tal, a estratégia inclui os projetos OceanEye, uma iniciativa de monitorização e observação dos oceanos que deverá reunir Estados-membros da União Europeia e parceiros internacionais, incluindo o Canadá e a Noruega, para recolher e partilhar dados oceânicos, e ainda o Destination Earth, o gémeo digital do planeta desenvolvido pela UE. A iniciativa combina dados do programa europeu de observação da Terra Copernicus, capacidade de supercomputação e ferramentas de previsão baseadas em inteligência artificial.

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Rubio defende diálogo entre EUA, Rússia e China

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By: Lusa

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendeu esta terça-feira o diálogo entre Estados Unidos, Rússia e China, perante críticas de Kiev sobre uma possível cimeira entre os líderes das três potências nucleares.

“É preciso amadurecer um pouco no que diz respeito à política externa. Sinceramente, não creio que seja fora do normal que os líderes das três potências nucleares mais poderosas da Terra comuniquem entre si”, afirmou Rubio durante uma visita à Índia.

O chefe da diplomacia norte-americana reagia às críticas sobre uma eventual reunião entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para novembro em Shenzhen, na China.

Rubio argumentou que países podem manter “fortes divergências” sem que o diálogo represente uma concessão, posição que atribuiu também a Trump.

“Como é que se vai alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia se não se falar com eles? É preciso falar com eles, certo?”, questionou. Segundo Rubio, manter canais de comunicação com a outra parte constitui “a base da diplomacia e das negociações”.

O secretário de Estado considerou também que uma conversa ao mais alto nível entre Washington, Moscovo e Pequim sobre temas como o controlo de armamentos seria “muito positiva para o mundo”.

“É importante que os líderes dos países com os arsenais nucleares mais poderosos do mundo, pelo menos, comuniquem entre si”, acrescentou Rubio.

A possibilidade de uma reunião tripartida foi criticada na segunda-feira pelas autoridades ucranianas, que avisaram que um encontro sem a participação de Kiev poderia encorajar Moscovo a prosseguir a guerra.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que convidar Putin para uma reunião deste género “alimentaria o seu desejo de engrandecimento e dar-lhe-ia um estatuto que não merece”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou na segunda-feira que a possibilidade de um encontro entre os três dirigentes foi mencionada durante a conversa telefónica entre Putin e Trump em 9 de outubro.

Peskov afirmou, contudo, que não foi apresentada qualquer proposta concreta nem alcançado um acordo para a realização da reunião durante a cimeira da APEC.

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NATO anuncia mobilização de meios adicionais para o mar Negro

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By: Lusa

A NATO vai mobilizar meios adicionais para o mar Negro, na sequência de uma série de ataques com drones contra navios comerciais, anunciou uma porta-voz da Aliança Atlântica. Os embaixadores da NATO reuniram-se esta terça-feira para debater o assunto em Bruxelas.

Desde o início de outubro, os incidentes têm-se multiplicado ao largo da Bulgária e da Roménia, países membros da União Europeia e NATO, com ataques atribuídos a drones russos, no contexto da guerra travada pela Rússia na Ucrânia.

A Aliança “enviará recursos adicionais para a região, nomeadamente para apoiar as atividades de vigilância, reconhecimento e investigação“, sublinhou a porta-voz da NATO, Allison Hart, no final da reunião.

“Continuaremos a apresentar uma frente comum e a garantir que estamos preparados e aptos a fazer face a qualquer ameaça”, assegurou.

Um avião norte-americano de patrulha marítima e reconhecimento, o P-8 Poseidon, começou a operar sobre o mar Negro a pedido da Bulgária, informação que foi confirmada pelo primeiro-ministro búlgaro, Roumen Radev.

Na quinta-feira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, reuniu-se em Bruxelas com Radev e o Presidente romeno, Nicusor Dan, e garantiu na altura que a Aliança iria continuar a adaptar a sua capacidade de defesa e dissuasão perante os recentes ataques contra navios comerciais no mar Negro.

Na mesma ocasião, o Presidente romeno afirmou que os aliados mantêm “o compromisso de defender cada centímetro” do território da Roménia, incluindo as águas e o espaço aéreo.

“A situação no mar Negro é grave. Estão a ocorrer ataques e afundamentos de navios mercantes. Há marinheiros mortos, feridos e desaparecidos muito perto das costas da Roménia e da Bulgária”, afirmou Dan. Segundo o chefe de Estado romeno, estão em causa “vidas humanas, o comércio mundial e as infraestruturas críticas”.

A Roménia anunciou no sábado ter abatido dois drones russos sobre o mar Negro. A 6 e a 13 de outubro, quatro navios mercantes foram atingidos por drones na zona económica exclusiva da Bulgária no Mar Negro. Dois afundaram-se e 21 marinheiros estão desaparecidos.

O mar Negro constitui uma artéria marítima essencial para a exportação mundial de cereais, recursos energéticos e matérias-primas para a indústria, o que torna a sua estabilidade vital para a segurança alimentar e energética internacional.

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, denunciou esta terça-feira a intensificação dos ataques russos na região, advertindo que poderão provocar uma crise alimentar mundial. Nas mesmas declarações, a representante europeia instou Moscovo a deixar de impedir a exportação de cereais ucranianos.

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