Pesticidas considerados tóxicos demais para utilização dentro da União Europeia (UE) continuam sendo fabricados por empresas do bloco e exportados para dezenas de países ao redor do mundo. No Dia Mundial da Alimentação, relatório da Oxfam aponta que o Brasil foi o segundo maior importador desses produtos proibidos pela UE, recebendo cerca de 15 mil toneladas em 2024. Os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar.
A Oxfam concluiu que as políticas e regulamentações da UE levam à aplicação de critérios desiguais e de caráter colonial em relação aos agrotóxicos altamente perigosos (AAPs). Isso porque tais mecanismos de regulação seguem protegendo parcialmente sua própria população e meio ambiente enquanto permitem que substâncias proibidas continuem sendo produzidas e exportadas para outros países.
Em países como Brasil e África do Sul, as plantações são pulverizadas com grandes quantidades de AAPs fabricados pelas empresas europeias. A Oxfam ressalta que, além das frutas, vegetais e commodities agrícolas, trabalhadores rurais, suas comunidades e o meio ambiente são expostos aos impactos desses produtos químicos tóxicos.
“Não é aceitável que a União Europeia proíba determinados agrotóxicos para proteger sua própria população e, ao mesmo tempo, permita que essas mesmas substâncias sejam produzidas e exportadas para outros países”, apontou a diretora da Oxfam Brasil, Viviana Santiago.
Dados do relatório mostram que, em 2024, os Estados-Membros da UE exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos dentro do bloco, mais do que o dobro do volume exportado em 2018.
Segundo o doccumento, 93 países importam agrotóxicos perigosos da UE, sendo 75% deles de baixa e média renda do Sul Global
A Oxfam alerta que os pesticidas altamente perigosos representam cerca de um terço dos ingredientes ativos utilizados em todo o mundo e são empregados principalmente em países do Sul Global, onde os mecanismos de proteção e regulamentação costumam ser mais frágeis.
“Esse duplo padrão transfere os riscos para trabalhadores rurais, comunidades e territórios do Sul Global, enquanto os benefícios econômicos ficam concentrados em poucas empresas”, acrescentou Viviana Santiago.
A análise aponta que, no Brasil, os AAPs correspondem a 49% de todos os agrotóxicos vendidos, uma proporção muito superior à observada em países da UE, como a Alemanha, onde representam apenas 12% das vendas.
O relatório destaca ainda que seis dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia, mas continuam sendo pulverizados sobre lavouras e áreas próximas a florestas por tratores, aviões e drones.
“Esse uso intensivo está diretamente ligado ao modelo agrícola baseado em grandes monoculturas voltadas para exportação, como soja, café e cana-de-açúcar, altamente dependentes de agrotóxicos”, apontou a Oxfam, em nota.
Além dos impactos para a saúde humana e o meio ambiente, o relatório mostra como esse sistema beneficia um pequeno grupo de grandes corporações. Segundo os dados analisados, quatro empresas controlam 61% do mercado global de pesticidas e obtiveram cerca de € 2,7 bilhões em receitas (R$ 15,37 bilhões) pela venda de pesticidas altamente perigosos.
A Oxfam avalia que tais números evidenciam a concentração nas mãos das grandes multinacionais agroquímicas do poder econômico e dos lucros gerados por esse comércio de produtos tóxicos. Enquanto isso, os riscos à saúde e ao meio ambiente são transferidos para países do Sul Global.
“É preciso interromper a exportação de agrotóxicos proibidos e avançar em regras que coloquem a saúde, os direitos das pessoas e a proteção ambiental acima dos interesses comerciais”, afirmou Viviana Santiago.
Apesar do cenário em que há amplo uso de agrotóxicos, a Oxfam aponta que a expansão do mercado brasileiro segue acelerada. “Em 2025, o país registrou um novo recorde de aprovações, com 725 novos pesticidas autorizados, um aumento de quase 10% em comparação com o recorde anterior de 663 produtos registrados em 2024”, apontou a entidade.
A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério da Agricultura e aguarda posicionamento.
O desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal com base no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Com a queda, o desmatamento nos dois biomas em um ano chegou às menores extensões das séries históricas. Veja abaixo:
Amazônia: de 5.731 km² para 3.335 km², a menor área desde 1988;
Cerrado: de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², a menor área desde 2001.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, comemorou os números, que classificou como "um sonho para ambientalistas como ele".
“Quantas vezes não ouvimos essa frase de que é impossível obter o desmatamento zero? Estamos trazendo resultados concretos para os biomas Amazônia e Cerrado”, disse.
Segundo ele, a redução gradativa, ano a ano, pode ser explicada com base em três “pilares essenciais”, que garantem a execução de políticas de combate ao desmatamento.
O ministro descreve que o primeiro pilar é seguir a ciência, respeitando dados e estudos; o segundo é a democracia, trazendo a sociedade para participar dos debates, com conselhos estaduais e municipais; e o terceiro pilar é o pacto federativo, com prefeitos e governadores aderindo ao plano de combate ao desmatamento, não importando o partido ou se são políticos de oposição ou da base do governo federal.
Vista do Rio Itapecuru, que abastace mais de 50 municípios do Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, também reforçou a importância da integração entre todos esses fatores.
“Houve uma coordenação ministerial eficaz para contribuir com esse resultado. Houve cooperação com estados e municípios e participação da sociedade. Foi um jogo de ganha-ganha. Todo mundo trabalhou”.
O governo federal acrescenta que, entre as ações que contribuíram para a queda no desmatamento, estão o fortalecimento das operações da Polícia Federal, com quase 8 mil inquéritos instaurados sobre crimes contra o meio ambiente entre 2023 e 2026.
Também foi citado o aumento do investimento no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a criação de 18 novas unidades de conservação e a homologação de 20 terras indígenas.
Agronegócio
Na opinião do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o mercado exportador do agronegócio nacional é o maior beneficiário da redução do desmatamento. Ele cita a exigência cada vez maior de vários países e blocos de países de que seus parceiros comerciais promovam uma agricultura sustentável.
André de Paula citou como exemplo a União Europeia, que proíbe a entrada de produtos oriundos de áreas desmatadas.
“Esse é um passaporte para entregar os produtos brasileiros. Sem esses números, seria muito difícil comercializar os produtos brasileiros no mundo”.
Segundo ele, o Brasil superou os Estados Unidos em 2026 e se tornou o maior exportador de alimentos do mundo.
A distinção será entregue em fevereiro, durante os Actor Awards, e reconhece não só o legado artístico de uma das figuras mais emblemáticas de Hollywood, mas também o contributo para a sociedade.
Da herança têxtil da Covilhã à criação de esculturas tridimensionais, Ana Rita Arruda transforma fibras de lã em peças que desafiam os limites do artesanato e da arte contemporânea. Depois de uma carreira na tradução, encontrou na feltragem a sua verdadeira vocação, dedicando-se à exploração das formas orgânicas, à experimentação artística e à formação de novas gerações.
Aligação de Ana Rita Arruda aos têxteis nasceu entre memórias familiares, tradições artesanais e o fascínio pelas cores e texturas dos tecidos. Natural da Covilhã, cidade profundamente marcada pela indústria têxtil, cresceu num ambiente onde o saber-fazer manual ocupava um lugar especial. A avó materna, professora de trabalhos manuais no antigo liceu de meninas da cidade, dominava técnicas como o bordado, o croché, o tricô e a costura, transmitindo-lhe, desde cedo, a proximidade com este universo criativo. Em criança, Ana Rita sonhava ser estilista. Fascinava-a a diversidade de tecidos e a possibilidade de transformar materiais em peças únicas. O percurso profissional, porém, começou longe das artes têxteis. Formou-se em Línguas e trabalhou durante vários anos como tradutora e intérprete de neerlandês, alemão e inglês, sem nunca abandonar por completo o interesse pelos trabalhos manuais. A mudança decisiva surgiu através do encontro com uma artista têxtil neerlandesa que, ao conhecer os trabalhos que Ana Rita desenvolvia nos tempos livres, reconheceu o seu potencial e a convidou a aprender uma nova técnica de feltragem. A experiência revelou-se determinante: em apenas três anos, deixou a tradução para se dedicar a tempo inteiro à criação artística. Hoje, a feltragem é a base de um trabalho que transforma fibras de lã soltas em esculturas sólidas e formas tridimensionais.
Sem necessidade de tecnologia complexa, o processo depende sobretudo das mãos, da água, do sabão e de um trabalho físico persistente. Através da fricção, as fibras entrelaçam-se e compactam-se, dando origem a materiais resistentes e a formas surpreendentes. Trata-se de uma técnica ancestral, preservada em diferentes tradições artesanais, nomeadamente na Mongólia, em Marrocos e na Turquia, que Ana Rita reinventa através de uma linguagem artística contemporânea. No seu ateliê, no Porto, encontra o espaço ideal para experimentar materiais, desenvolver ideias e explorar novas possibilidades. As suas criações inspiram-se frequentemente nas estruturas e formas da natureza: intestinos, ondas de água, moluscos e líquenes são algumas das referências que alimentam o seu imaginário. O resultado são peças de forte expressão orgânica, onde o contraste entre materiais, texturas e acabamentos assume um papel central.
A lã, de aparência baça e suave, pode combinar-se com superfícies brilhantes ou elementos de maior rigidez, criando esculturas que oscilam entre o acolhedor e o inquietante, o familiar e o misterioso. Algumas parecem quase vivas, evocando formas animais ou organismos que poderiam existir num universo desconhecido. Por detrás da aparente delicadeza destas obras está um processo exigente, que requer tempo, experimentação e capacidade de superar obstáculos. Para Ana Rita, criar implica investigar, inventar e aceitar que o erro faz parte do caminho até à concretização de uma peça.
Os desafios variam consoante a dimensão e a complexidade do trabalho. Se as peças mais pequenas exigem precisão e atenção ao detalhe, as esculturas de grandes dimensões colocam dificuldades físicas consideráveis. Quando molhada, a lã pode tornar-se extremamente pesada, chegando uma única peça a atingir os 15 quilos. Dobrar, movimentar e organizar o material exige, por isso, técnicas específicas e, em determinados projetos, a colaboração de assistentes.
Entre os trabalhos que marcaram o seu percurso está O Caos e a Diva, criado para o New Hand Lab, na Covilhã. Instalado numa antiga fábrica, este espaço conjuga património industrial têxtil, criação artística e colaboração entre profissionais. A obra de Ana Rita explora o conceito matemático do caos através de uma forma entrelaçada que evoca uma borboleta, cruzando a feltragem tradicional com o tufting, técnica que permite inserir fios numa superfície com recurso a ferramentas específicas. A criação artística não esgota a atividade de Ana Rita Arruda.
A formação e a partilha de conhecimento ocupam também um lugar importante no seu percurso. Ao longo dos anos, colaborou com instituições como a Escola Secundária Soares dos Reis e a Escola Secundária António Arroio, contribuindo para aproximar os estudantes das possibilidades expressivas das artes têxteis. Quando começou a trabalhar com feltragem, a oferta formativa nesta área em Portugal era praticamente inexistente. Perante essa realidade, assumiu o compromisso de divulgar a técnica, promover a aprendizagem e contribuir para a criação de uma comunidade em torno desta prática artística, levando-a a escolas e universidades. O seu trabalho demonstra que as técnicas tradicionais não têm de permanecer confinadas ao passado. Pelo contrário, podem constituir um ponto de partida para novas linguagens, cruzamentos disciplinares e formas de expressão. O futuro de Ana Rita Arruda passa pela participação em exposições, novos projetos e residências artísticas, incluindo uma experiência prevista na Estónia. Entre as áreas que pretende continuar a explorar está a ligação entre o têxtil e a tecnologia, nomeadamente através da soft robotics, ou robótica suave, procurando novas possibilidades de integração com a feltragem. Entre formações, encomendas personalizadas para arquitetos e colaborações multidisciplinares, a artista continua a alargar os horizontes de uma matéria-prima tão antiga quanto versátil. Na sua obra, a lã deixa de ser apenas um material associado à tradição para assumir novas formas, volumes e significados. O percurso de Ana Rita Arruda mostra como a memória artesanal pode alimentar a inovação e como, através da experimentação e da persistência, uma fibra natural se pode transformar numa expressão singular da arte contemporânea.
Há coisas que não se aprendem na escola. A classe, por exemplo. Não estou a falar daquela classe que vem no boletim de notas, nem da classe económica do avião, embora esta última já tenha pouca coisa de classe e muito de económica. Falo da outra. Da classe de saber estar, saber vestir, saber comer, saber trabalhar, saber respeitar e, sobretudo, saber viver em comunidade. E, meus amigos, essa classe anda pelas ruas em vias de extinção.
Comecemos pela roupa, que é um assunto delicado. Não porque cada um não tenha o direito de vestir o que quiser, que tem, e muito bem. Mas há uma diferença entre vestir aquilo de que gostamos e vestir aquilo que calhou estar mais à mão. Há também uma coisa chamada ocasião. Parece simples, mas pelos vistos já exige formação. Uma noite de marchas não é uma gala do fado. Uma gala do fado não é o jantar dos chicharros. E o jantar dos chicharros, por muito importante que seja — e sabemos que é — também não é propriamente a cerimónia de entrega dos Óscares. Cada momento tem o seu ambiente, a sua roupa, o seu bocadinho de bom senso. Não é preciso ir buscar um alfaiate a Paris para aparecer bem vestido, mas também não é necessário aparecer numa gala do fado com o mesmo entusiasmo têxtil com que se vai comprar pão ao domingo de manhã. Roupa cara não dá classe. Se desse, bastava comprar a etiqueta. Classe é saber o que vestir, quando e como.
Depois temos a classe à mesa. Ah, a mesa… Essa grande prova de carácter. Basta haver um almoço ou jantar comunitário e lá aparece o arquiteto do prato. A pessoa chega ao buffet e começa a construir uma obra que desafia as leis da gravidade: arroz, massa, batatas, carne, salada, sobremesa, mais um bocadinho de tudo porque “é só para provar”. O prato fica tão cheio que já não é um prato, é um condomínio. E depois, com toda a serenidade, olha para a travessa e pergunta: “Ainda há mais?”. Classe é perceber isso. É não encher o prato como se amanhã fechassem os supermercados. É servir o que se vai comer, voltar depois se ainda houver e, sobretudo, lembrar que há outras pessoas à mesa. Porque comunidade também é isto: não sermos sempre nós primeiro.
E depois há a classe na profissão, que é outra espécie em vias de extinção. Sobretudo quando aparecem câmaras, fotógrafos, entrevistas e aquela maravilhosa oportunidade de mostrar ao mundo que também estávamos lá. Parece que, mal aparece uma máquina fotográfica, desenvolve-se em algumas pessoas uma espécie de atração magnética pelo enquadramento. Há uma câmara? Lá vai alguém passar à frente. Há um fotógrafo agachado a tentar conseguir uma imagem? É precisamente por ali que alguém decide atravessar. Há uma entrevista a decorrer? É o momento perfeito para passar mesmo atrás do entrevistado, de preferência devagar, para garantir que fica bem registado. Meus amigos, não é preciso. Todos conseguimos o melhor plano. Acreditem. Não precisamos de estragar a fotografia ou a imagem do colega para conseguirmos a nossa. Há espaço para todos, há trabalho para todos e, no fim, todos queremos a melhor imagem. E às vezes, claro, acontece. Estamos longe em pensamentos, distraídos, preocupados com outra coisa, a tentar resolver cinco problemas ao mesmo tempo e, quando damos por nós, já atravessámos a frente da câmara de alguém. Acontece. E sabem o que se faz? “Desculpa.” E segue-se a vida. Pedimos desculpa. Simples. É uma palavra pequenina, mas tem uma classe enorme.
Aliás, talvez o problema seja mesmo esse: perdemos o hábito das palavras simples. Obrigado. Desculpa. Com licença. Faça favor. Não é preciso muito mais para uma comunidade funcionar melhor. Mas hoje parece que até pedir licença é uma afronta. Há pessoas que entram numa fila como se tivessem comprado prioridade vitalícia. Chegam depois de toda a gente, olham para a fila, fazem uma cara de quem acabou de descobrir uma injustiça histórica e começam lentamente a aproximar-se da frente. E ninguém sabe exatamente como aconteceu, mas cinco minutos depois já estão três pessoas atrás de quem estava primeiro. Na estrada é igual. O pisca parece ter-se tornado um acessório opcional. Dar passagem é visto como um ato de generosidade extraordinária. E agradecer quando alguém nos deixa passar? Isso então já é quase diplomacia internacional.
Também nas redes sociais a classe anda desaparecida. Toda a gente tem opinião sobre tudo, o que é perfeitamente legítimo. O problema é que agora parece obrigatório insultar quem discorda. Antigamente dizia-se: “Não concordo consigo.” Hoje, antes de chegarmos à parte do “não concordo”, já fomos informados sobre a nossa inteligência, a nossa família, a nossa profissão e, se houver tempo, até sobre os nossos antepassados. Discordar não é faltar ao respeito. Faltar ao respeito é achar que só podemos ter razão se o outro for tratado como um idiota.
E depois há aquela necessidade permanente de competir. “Eu fiz.” “Eu fiz melhor.” “Eu tenho.” “Eu tenho mais.” “Eu conheço.” “Eu conheço melhor.” “Eu estive lá.” “Eu estive lá três vezes.” Há pessoas que não conversam, fazem classificações. Até o jantar dos chicharros pode transformar-se numa competição internacional de quem conhece mais gente, quem tem a melhor mesa, quem tirou a melhor fotografia e quem conseguiu chegar mais perto da banda. E, no meio disto tudo, esquecemo-nos de uma coisa muito simples: ninguém está a entregar medalhas. Embora muitos só queiram andar de medalhinha no peito. Classe é também perceber que o outro tem falhas, aceitar as suas imperfeições e compreender que ninguém é perfeito. É saber respeitar, sem julgar, e ter empatia mesmo quando não concordamos. A classe não está no carro que conduzimos, na roupa que vestimos, no dinheiro que temos ou no tamanho da casa. Está na maneira como tratamos os outros. Está em saber esperar. Está em saber ouvir. Está em não interromper. Está em deixar comida para quem vem atrás. Está em perceber que há ocasiões diferentes e que não precisamos de aparecer sempre vestidos como se tivéssemos acabado de sair de uma sessão. Está em respeitar os outros e a forma de ser dos outros. Talvez a maior classe de todas seja perceber que não somos mais importantes do que os outros. Que o nosso trabalho vale, mas o trabalho dos outros também. Que a nossa fotografia é importante, mas a fotografia do colega também. Que queremos comer, mas os outros também. Que gostamos de estar bem vestidos, mas não precisamos de transformar cada jantar numa passadeira vermelha. Que podemos ter opinião sem precisar de esmagar a opinião alheia.
Classe não custa dinheiro. Não se compra numa loja, não vem numa marca e não se mede pelo tamanho da carteira. Vem de casa, aprende-se com os outros e demonstra-se nos pequenos gestos: num “bom dia”, num “obrigado”, num “desculpa” e no respeito por quem nos rodeia. Classe é saber estar, saber trajar e respeitar os trajes do nosso folclore. É não falar nem bater com os talheres no prato enquanto alguém discursa. É não passar à frente da câmara dos outros para conseguir a melhor fotografia. Classe é também saber organizar festas comunitárias sem amontoar tudo. Às vezes, mais simples é mais bonito, mais elegante e mais barato. Menos excessos, mais bom gosto. No fundo, todos podemos comer, vestir bem e aparecer na fotografia. Mas nem todos percebemos que a verdadeira classe está na atitude, no respeito e na educação.
E já agora: menos com menos dá mais. Menos vaidade, menos exagero e menos exibicionismo dão mais classe, mais respeito e uma comunidade onde dá gosto estar. Ainda!. Sejam felizes.
Bragança quer afirmar-se como referência na produção e valorização dos cereais e vai candidatar-se a Cidade Europeia do Cereal em 2027. O anúncio foi feito esta sexta-feira, Dia Mundial do Pão, com a autarquia a querer dar visibilidade à tradição cerealista de Trás-os-Montes e ao trabalho desenvolvido por agricultores, empresas e investigadores.
“É importante dar visibilidade a tantos trabalhos que são feitos na área dos cereais, de inovação, de recuperação de espécies, e de valorização do trabalho também dos nossos empresários, agricultores e investigadores nesse domínio“, assinala a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira. A autarca destaca, por isso, a importância dos cereais e do pão para a identidade e a economia da região.
A candidatura será apresentada à Rede de Cidades do Cereal (REDCCER), entidade responsável pela atribuição anual do título, que distingue projetos dedicados à cultura cerealista. A Câmara de Bragança chama a participar na candidatura a Universidade Politécnica de Bragança, através dos centros de investigação CIMO e SusTEC, o MORE CoLAB, produtores agrícolas, padarias, empresas, restaurantes, escolas e associações locais.
No âmbito da candidatura, a autarquia tem programadas diversas atividades, que vão desde a criação de um “Pavilhão Vivo do Cereal”, integrado na Feira de Agricultura, onde os visitantes poderão acompanhar as várias fases do processo do fabrico, desde as sementes e variedades de cereais até à moagem, panificação e utilização na gastronomia.
É importante dar visibilidade a tantos trabalhos que são feitos na área dos cereais, de inovação, de recuperação de espécies, e de valorização do trabalho também dos nossos empresários, agricultores e investigadores nesse domínio.
O município tenciona ainda criar a “Rota do Cereal e do Pão”, que ligará padarias, moinhos, produtores, restaurantes e espaços patrimoniais, além da iniciativa “Doze Meses, Doze Sabores”, que desafiará estabelecimentos de restauração, padarias e pastelarias a apresentar mensalmente criações à base de cereais.
Será ainda lançado o desafio “Bragança Cereal Lab” a estudantes, investigadores e empresas para desenvolverem novos produtos alimentares e soluções relacionadas com os cereais e os seus subprodutos.
Está prevista também a recolha de memórias e testemunhos relacionados com a atividade cerealista, a celebração do “Dia Mundial do Cereal”, a 7 de março, e a realização do Festival “Bragança, Pão e Futuro”, no outono.
Milhanas está de regresso para apresentar o novo disco, “Surto”. Do cinema ao tom pop de “Se o jardim secar”, a cantora mostra uma nova forma de encarar a melancolia.
El Premio Planeta ha celebrado su 75.ª edición por todo lo alto con la elección de Isabel Allende como ganadora en una velada celebrada en Barcelona. La autora, históricamente vinculada al grupo rival Penguin Random House a través de sellos como Plaza & Janés, su editorial de referencia en España y en Hispanoamérica desde La casa de los espíritus hasta obras recientes como El viento conoce mi nombre, se ha alzado con el millón de euros del galardón gracias a su obra La hora antes del alba. La novela es una secuela de La casa de los espíritus, su obra más conocida y más vendida.
No es la primera vez que Planeta da con su premiado entre los autores de su principal competencia editorial, la ocasión más sonada, entre las ediciones más recientes, en 2019 cuando el ganador fue Javier Cercas y Manuel Vilas el finalista. Con Isabel Allende el grupo se asegura que el galardón que anualmente genera ventas millonarias alcance con las expectativas comerciales. Más aún con la secuela de su obra más conocida. "Una novela que se ha gestado a lo largo de los últimos cuarenta años", ha afirmado la autora escrita hace 45 años. "Espero ganar lectores con este premio y el prestigio del premio, también lo quiero, aunque sea muy mayor", destacó la chilena,
Nuevos públicos
El galardón a la obra finalista ha recaído en Sergio Hernández, autor de manga que da el salto a la novela de ficción histórica con una trama centrada en un intento de asesinato a Antonio Machado. Su elección refleja la apuesta del grupo por este perfil de creadores, en sintonía con las declaraciones de Jesús Badenes, director del área editorial de Planeta, sobre la relevancia y el auge del género en su balance anual realizado ayer en rueda de prensa.
Según destacó Badenes al analizar las tendencias del mercado: “Los motores del crecimiento fundamentalmente son la ficción, tanto entendida como novela, pero también como cómic, porque hay un subgénero del cómic que es el manga que está creciendo muchísimo”. Esta visión respalda la incorporación de narradores provenientes del cómic a la narrativa.
Asimismo, el directivo subrayó la posición estratégica del grupo en este ámbito: “Sabéis que tenemos una posición muy fuerte en Planeta Cómic, particularmente en manga, y a ellos se va a unir también claramente una orientación hacia novela gráfica”. El reconocimiento a Hernández consolida así esta línea de crecimiento del universo del cómic y de este sello de Planeta en el que Hernández ha cosechado su mayor éxito hasta el momento con Backhome (Planeta Cómic, 2020). Una obra, ilustrada por Toni Caballero y publicada inicialmente en la revista Planeta Manga, dio el salto internacional tras traducirse al francés y al italiano.
El 75.º aniversario del Premio Planeta se ha celebrado por todo lo alto con la elección de Isabel Allende como flamante ganadora en una velada literaria celebrada esta noche en la Fira de Barcelona que ha contado con la presencia de los reyes de España. En una fecha especial para el grupo multimedia, el premio que nació en 1952 recae en una firma con peso en la literatura como es el de Allende, tras años en los que los nombres de los autores estaban muy vinculados a los canales del grupo como Juan del Val y Sonsoles Ónega. Nombres que contrastaban con una tradición literaria con autores como Ana María Matute, Camilo José Cela, Mario Vargas Llosa o Eduardo Mendoza y que levantaron sonadas críticas. El finalista, Sergio Hernández, guionista y autor de manga se estrena con una novela y se convierte en una apuesta de la editorial para llegar a nuevos públicos.
Isabel Allende se ha alzado con el premio con la novela La hora antes del alba, una novela sobre una joven torturada bajo la dictadura que tendrá que sanar tanto las heridas de su traumática experiencia como las de su país. Allende ha recibido el premio visiblemente emocionada ante la gran ovación del público presente. "Nunca me había presentado a un concurso, era un desafío tan peligroso como casarse a los ochenta años".
La autora ha desvelado que la novela es la secuela de La casa de los espíritus que publicó hace 45 años. Una historia que se ha animado a escribir en este momento ante el crecimiento de los nacionalismo extremos y el fascismo, ha asegurado.
"Es una novela que se gestó en cuarenta años preguntándome por la vida de Alba", ha destacado la escritura. "En Chile la democracia se terminó en horas. Alba es un víctima de la dictadura pero pertenece a una familia muy especial con espíritus", afirma. La autora asegura que no es una continuación en sentido estricto sino una "una novela que cierra el universo de La casa de los espíritus, pero que puede ser leída de manera independiente".
Nacida en 1942, Isabel Allende dio sus primeros pasos en el periodismo en Chile. El golpe de Estado de 1973 la empujó al exilio en Venezuela, donde concibió su ópera prima y éxito superventas internacional La casa de los espíritus (1982). Una novela que inauguró una narrativa marcada por la memoria colectiva de América Latina y la lucha por el espacio de la mujer en el continente.
A lo largo de cuatro décadas, sus libros ha transitado por la novela histórica, la autoficción, el relato breve y la narrativa juvenil, con títulos como De amor y de sombra, Eva Luna, Paula, Hija de la fortuna o la más reciente Violeta que se han llegado a convertir en coleccionables de kiosko. Reconocida con el Premio Nacional de Literatura de Chile (2010) y la Medalla Presidencial de la Libertad en EE. UU. (2014), la autora compagina su labor literaria con la Fundación Isabel Allende, dedicada a la protección de mujeres y niñas en situación de vulnerabilidad.
"Yo empecé a escribir en pleno boom latinoamericano hace 45 años. Ahora vivo en EE.UU y me he vuelto más concisa, más directa en mi forma de escribir y en lo que leo", destacó en la rueda de prensa. La escritora sensible con las realidades sociales que hay en cada momento, asegura las tiene que reflejar en sus novelas.
Un autor de manga para el finalista
El finalista de esta edición es Sergio Hernández Carrasco que se ha destacado por una novela de ficción histórica en la que la trama gira en torno al intento de asesinato de Antonio Machado. La añoranza es una novela protagonizada por la poesía y el exilio. Hernández es autor valenciano de varias novelas gráficas de manga y esta es su primera obra de narrativa. Se dio a conocer en el panorama del cómic con Backhome (Planeta Cómic, 2020). Una obra, ilustrada por Toni Caballero y publicada inicialmente en la revista Planeta Manga, dio el salto internacional tras traducirse al francés y al italiano. "Mi padre ha sido librero y sé lo que significa este premio", ha dicho un emocionado Hernández. " La añoranza es una novela que me ha transformado al escribirla a mí y a mi idea del país en el que vivimos", ha destacado.
Documentário "Esta vida de marinheiro" vai estrear no festival Doclisboa este sábado. Três temas inéditos, realizados pelo músico que integrou a antiga banda portuguesa Sitiados, serão apresentados.
João Aguardela "era adicto" à música, alguém que começava o dia sempre a ouvir um álbum, que vivia para a música, que, num tempo de descoberta da Internet, fazia compilações e oferecia às pessoas
C’è un luogo in cui la musica per il cinema nasce prima ancora di arrivare sullo schermo: lo studio del compositore, tra appunti, partiture, prove ed errori. È lì che vuole portare il pubblico SLAM – Festival Internazionale delle Colonne Sonore, che torna per la sua seconda edizione dall’11 al 13 dicembre 2026 negli spazi di Triennale Milano, tra Cuore, Voce e il Teatro.
Promosso da CAM Sugar, il più grande catalogo al mondo di colonne sonore del cinema italiano, e da Triennale Milano, il Festival propone tre giorni di concerti, proiezioni, DJ set, listening session, workshop e talk. Il filo conduttore è il processo creativo: come si costruisce l’identità sonora di un film, dalle partiture di Ennio Morricone e Piero Umiliani fino alle sperimentazioni della scena internazionale di oggi.
Il primo nome è di quelli che pesano: Jeff Mills, pioniere della techno di Detroit e figura centrale dell’elettronica mondiale, porta in Triennale il concerto Tomorrow Comes the Harvest. Accanto a lui il regista Romain Gavras, che con i suoi videoclip ha ridisegnato il linguaggio visivo della musica contemporanea: sarà protagonista di un talk seguito dalla proiezione de La battaglia di Algeri di Gillo Pontecorvo.
C’è poi Hania Rani, pianista e compositrice tra le voci più originali della nuova scena europea, autrice della colonna sonora di Sentimental Value, Premio Oscar 2026, che terrà una masterclass. Il giornalista e scrittore Stefano Nazzi sarà in scena con un live seguito dalla proiezione di San Babila ore 20: un delitto inutile di Carlo Lizzani.
Il compositore e regista Christophe Chassol presenta in prima italiana il suo progetto live Funny How?, mentre il music supervisor Randall Poster, storico collaboratore di Wes Anderson, Martin Scorsese e Sofia Coppola, guiderà una listening session. Atteso anche Pino Donaggio, firma di celebri colonne sonore thriller e horror, l’ultima per Her Private Hell di Nicolas Winding Refn, presentato a Cannes 2026.
Nel centenario della nascita di Piero Umiliani, il Festival gli dedica un omaggio: la cantautrice Joan Thiele, insieme ad Andrea Fabrizii, entrerà in dialogo con la sua musica in una listening session che ne esplora l’eredità musicale e culturale.
Ad aprire il percorso sarà, domenica 29 novembre, il Teatro alla Scala. Per la serie di cineconcerti Fotogrammi, la Filarmonica della Scala diretta da Timothy Brock eseguirà dal vivo le musiche di Nino Rota durante la proiezione di 8½ di Federico Fellini, in collaborazione con Cineteca di Bologna e Mediaset – RTI.
Il legame con Fellini non finisce qui: proprio da un suo disegno originale nasce l’identità visiva dell’edizione 2026.
In linea con l’idea di aprire le porte del laboratorio creativo, CAM Sugar ha presentato una selezione di fotografie inedite dello studio di Ennio Morricone, realizzate da Niccolò Barca con la collaborazione della famiglia del maestro.
«SLAM rappresenta l’espressione più compiuta del lavoro svolto da CAM Sugar», spiega Alessandro Sugar, Head of CAM Sugar. «Il Festival è il momento di massima apertura verso il pubblico, offrendo un accesso privilegiato ai materiali d’archivio e valorizzando il lavoro di ricerca, conservazione e diffusione che CAM porta avanti», con l’obiettivo di trasmettere quest’opera alle nuove generazioni.
Per Carla Morogallo, direttrice generale di Triennale Milano, SLAM «è un progetto capace di attivare pienamente la vocazione interdisciplinare di Triennale, mettendo in dialogo musica, cinema e ricerca». Una seconda edizione che consolida un percorso avviato lo scorso anno e che ha già dimostrato di saper coinvolgere pubblici diversi.
VII Conferência Internacional "Ordem do Templo, Cavalaria Espiritual e Templarismo" começa esta sexta-feira e prolonga-se durante três dias, em Vila Nova da Barquinha.
Concerto em Lisboa faz parte de uma digressão que vai passar por 25 cidades, para recordar "um dos álbuns mais marcantes da carreira do cantautor irlandês", descreve a promotora.
O Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, assinala o seu 109.º aniversário no dia 24 de outubro, com uma programação que cruza “memória, fotografia e música”.
O Município celebra a data com a inauguração da exposição TEATRA, pelas 16h, seguida do concerto de Rodrigo Leão, “O Rapaz da Montanha”, pelas 21h30, que conta com a participação do Grupo Coral Infantil da Academia de Música de Tavira.
A exposição TEATRA reúne retratos de algumas das mais relevantes figuras do teatro português. O conceito parte de um desafio singular: “atores e encenadores foram convidados a assumir uma personagem que nunca interpretaram, mas que gostariam de ter levado ao palco”. O resultado, de acordo com o Município, cruza “fotografia, figurino e caracterização”. Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Maria do Céu Guerra, João Mota, Lurdes Norberto, Fernanda Lapa, Márcia Breia, Cucha Carvalheiro, Rui Mendes e Sinde Filipe são alguns dos nomes representados.
Fundado em 24 de outubro de 1917, com a designação de Teatro Popular, o espaço foi rebatizado, em 1942, como Teatro António Pinheiro, em homenagem a uma das figuras mais marcantes do teatro português, sendo que em 1968 passou a chamar-se Cineteatro António Pinheiro. Décadas mais tarde, após uma intervenção de reabilitação e modernização, reabriu ao público a 27 de setembro de 2025.
A Igreja Matriz de Lagoa recebe, a 1 de novembro, pelas 18h00, um concerto de órgão e harpa, protagonizado por Ricardo Toste e Rebeca Csalog, respetivamente. O espetáculo integra o XIX Festival Internacional de Órgão do Algarve, organizado pela Associação Música XXI, e tem entrada livre, estando sujeito à lotação do espaço.
Natural da ilha Terceira, nos Açores, Ricardo Toste iniciou os estudos de órgão em 2001 e prosseguiu a sua formação na Universidade de Aveiro, onde concluiu a licenciatura em Música e dois mestrados, em Teoria e Formação Musical e em Órgão de Tubos. Com experiência em concertos a solo no continente e nos Açores, concilia a atividade de intérprete com a docência de Formação Musical e Órgão em várias instituições de ensino artístico. É também organista titular da Catedral de Aveiro, mantendo uma ligação à música litúrgica e à formação de jovens músicos.
Rebeca Csalog, harpista luso-húngara nascida em Lisboa, iniciou o percurso musical no violino, tendo posteriormente escolhido a harpa. Depois de se licenciar em Antropologia e concluir um mestrado em Migrações, Inter-Etnicidades e Transnacionalismo, regressou à formação musical em 2020, com um mestrado em Harpa na Escola Superior de Música de Lisboa e uma pós-graduação em Milão.
Atualmente, colabora com algumas das principais orquestras portuguesas e desenvolve projetos a solo e de música de câmara, explorando repertórios para além da tradição clássica.
O concerto integra a programação da 19.ª edição do Festival Internacional de Órgão do Algarve. A entrada é gratuita, sendo aceites donativos destinados a apoiar as instituições que acolhem os espetáculos.
Cláudio Pereira, conhecido artisticamente como Kelad, vai lançar hoje às 18h o seu novo single “Menina de Tavira”, inspirado numa “fase muito feliz” da sua vida no Algarve.
Apesar de ser natural de Castro Daire, no distrito de Viseu, em 2024 viveu e trabalhou em Tavira durante quase seis meses. Mesmo longe de casa, diz ter sido uma experiência que o marcou “profundamente” e aponta como causas a beleza da cidade, que considera uma das mais bonitas de Portugal, as pessoas que conheceu e os momentos que viveu. De tal forma que decidiu dar vida a uma canção que “eternizasse” essa fase feliz da sua vida.
Ao contrário dos seus temas anteriores – “mais ligados à dor e ao fim de relações” -, “Menina de Tavira” é uma canção “assumidamente feliz, embora marcada pela saudade”.
A homenagem a Tavira prolonga-se também no videoclipe, mostrando algumas das suas ruas, casas tradicionais, azulejos e a emblemática ponte romana, num formato de curta-metragem romântica, “inspirada no cinema e em histórias de amor em que duas pessoas se cruzam repetidamente até finalmente se encontrarem”.
Musicalmente, o tema parte da inspiração de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mas procura uma identidade nacional cruzando bossa nova, pop, R&B e música tradicional, com a presença da guitarra portuguesa.
A música foi gravada nos Satori Studios, em Viseu, e contou com Bernardo Vicente na guitarra clássica, Pedro Bento no baixo e nas guitarras clássica e elétrica, Francisco Henriques na guitarra portuguesa e, na bateria, Daniel Tejo e Pedro Bento. A mistura e a masterização ficaram a cargo de Pedro Bento.
A canção vai estrear às 18h de hoje e pode ser ouvida (e vista) aqui.