O calendário de IPO (ofertas públicas iniciais de ações) do setor de tecnologia, que antes era bastante robusto, agora se resume apenas à Anthropic.
A companhia de inteligência artificial está seguindo em frente para realizar seu IPO em meados de novembro, após prever a divulgação do prospecto da operação no final deste mês, segundo fontes a par do assunto, que alertam que o plano e as datas estão sujeitos a alterações.
O IPO da Anthropic testará se sua posição no centro do próspero setor de IA, que alguns investidores acreditam ser digna de uma avaliação potencial de US$ 1,5 trilhão, será capaz de superar um ambiente de mercado que normalmente levaria banqueiros e advogados especializados em transações a aconselhar um adiamento.
O mercado espera que a Anthropic comece a negociar suas ações para investidores em potencial durante a semana de 9 de novembro, disse uma das fontes.
Outras empresas dos setores de infraestrutura de inteligência artificial e centrais de processamento de dados adiaram suas aberturas de capital, enfrentando um aumento nas taxas de juros que ajudou a alimentar uma onda de vendas maciças de ações e títulos de dívida de operadores de IA, como a CoreWeave, além de questionamentos mais amplos sobre a sustentabilidade dos gastos com a tecnologia.
Esse contraste ressalta o apelo da Anthropic aos investidores, mesmo com as preocupações sobre a concorrência de modelos de código aberto e a segurança da IA pesando sobre o setor.
A Anthropic se recusou a comentar.
Avaliação sob pressão
A retração do setor de IA segue uma série de adiamentos e cancelamentos de IPOs desde setembro, à medida que a volatilidade do mercado e o aumento das taxas de juros tornaram mais difícil para as empresas garantirem preços atraentes.
A Switch, operadora de data centers, e a Nscale, provedora de infraestrutura de IA, adiaram seus planos de IPO para o final deste ano, disseram fontes a par do assunto, embora tenham enfatizado que os planos permanecem em aberto e sujeitos a alterações.
A SB Energy, apoiada pela SoftBank, também adiou sua abertura de capital, conforme noticiado anteriormente pela Reuters.
A NScale se recusou a comentar. A Switch não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Elice, startup sul-coreana de chips de IA, foi uma das últimas a arquivar seus planos de abertura de capital da noite para o dia. A AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, e a Firmus, apoiada pela Nvidia, também retiraram ou suspenderam suas ofertas, segundo reportagem da Reuters.
O recente IPO da Oura aumentou a cautela entre os emissores em potencial.
A oferta atraiu pouca participação de investidores que operam apenas com posições compradas, disse uma fonte a par do assunto, levantando preocupações sobre o tamanho da demanda por parte de investidores institucionais, que normalmente fornecem uma base estável de acionistas para empresas recém-listadas.
O Spotify previu nesta quinta-feira (22) um lucro no quarto trimestre acima das estimativas de Wall Street, já que a empresa sueca de streaming de música aposta em seus recursos baseados em IA para impulsionar o crescimento do número de usuários na importante temporada de festas de fim de ano.
Os investidores têm acompanhado de perto a lucratividade da empresa, no momento em que ela investe em IA para melhorar a descoberta de músicas e o engajamento, a fim de atrair mais usuários e se defender de rivais emergentes da geração musical, como Suno e Udio.
O Spotify espera um lucro operacional de 820 milhões de euros (US$ 920,53 milhões), em comparação com a estimativa média dos analistas de 813,4 milhões de euros, de acordo com dados compilados pela LSEG.
Os recursos da empresa baseados em IA incluem o AI DJ, que seleciona mixagens musicais personalizadas com comentários falados, e playlists baseadas em requisições do usuário que permitem aos usuários descrever um estado de espírito ou preferência musical para gerar seleções sob medida.
“Construímos um negócio sólido que continua a crescer exponencialmente; investimos quando vemos um caminho para o crescimento, nossos custos estão se moderando e há mais espaço para avançar”, disse o co-CEO Alex Norstrom em um comunicado.
No terceiro trimestre, o lucro operacional do Spotify, de 672 milhões de euros, ficou em linha com a estimativa média dos analistas compilada pela Visible Alpha, de 671,8 milhões de euros.
A empresa registrou receita de 4,97 bilhões de euros nos três meses encerrados em 30 de setembro, em comparação com uma estimativa compilada pela LSEG de 4,98 bilhões de euros. O lucro por ação foi de 2,48 euros, contra estimativas de 2,80 euros.
A previsão da Spotify de 818 milhões de usuários ativos mensais para o quarto trimestre ficou ligeiramente abaixo das estimativas da Visible Alpha, de 819 milhões, enquanto sua projeção de um aumento de cerca de 10 milhões de assinantes premium, para 316 milhões, ficou acima das expectativas de 314,7 milhões.
Seus usuários ativos mensais cresceram 1% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre, atingindo 788 milhões.
No início desta semana, o Spotify anunciou um acordo de licenciamento com a distribuidora musical Believe para sua futura ferramenta paga destinada a covers e remixes criados por fãs com inteligência artificial.
A empresa também assinou acordos de licenciamento com a Universal Music Group, Merlin e Kobalt para a ferramenta.
Os interessados em fazer parte do corpo de funcionários da Braskem devem ficar atentos ao prazo de inscrição do Programa de Estágio 2027. Com 100 vagas espalhadas por polos nacionais, as inscrições seguem até o dia 30 de outubro, na página da iniciativa.As oportunidades estão espalhadas pelas unidades da companhia nos estados de Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Na Bahia, são nove oportunidades para Camaçari e seis para Salvador.Os novos estagiários terão direito a bolsa-auxílio entre R$ 2.200 e R$ 2.800, vale-transporte e vale-refeição para vagas de escritório, ou transporte fretado e refeitório para vagas nas plantas, além de plano de saúde e seguro de vida.
Quem pode se inscrever?As inscrições são destinadas a estudantes que tenham previsão de conclusão da graduação entre junho de 2028 e dezembro de 2029, sem restrição de idade. A empresa também não exige experiência profissional anterior.Dentre os principais cursos buscados para os cargos estão Engenharias (Química, Civil, Elétrica e de Produção), Ciência da Computação, Segurança da Informação, Ciência de Dados, Química, Química Industrial, Biotecnologia, Administração, Economia, Ciências Contábeis, Direito, Psicologia, Marketing e Publicidade.
Ter uma moradia digna significa mais do que dispor de um imóvel. Para que a casa própria seja uma possibilidade real, o custo da aquisição e das despesas mensais precisa caber no orçamento familiar sem comprometer gastos essenciais, como alimentação, saúde, educação e transporte.
Esse equilíbrio é conhecido como affordability, conceito que relaciona o custo da moradia à capacidade de pagamento das famílias. Na habitação, ele ajuda a avaliar se uma pessoa consegue comprar ou manter um imóvel sem comprometer outras necessidades básicas.
Por isso, ampliar o acesso à moradia exige tanto a oferta de imóveis adequados quanto condições comerciais compatíveis com a renda da população. Programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, e modelos de construção voltados a diferentes faixas de renda fazem parte dessa discussão.
O que é déficit habitacional?
O déficit habitacional é um indicador utilizado para dimensionar situações em que as condições de moradia exigem a criação ou reposição de unidades habitacionais. Ele mede a carência ou a insuficiência de moradias adequadas em uma determinada região, e envolve não apenas a falta total de um teto (pessoas em situação de rua), mas também imóveis precários e famílias cujas condições de moradia desrespeitam o direito à dignidade.
De acordo com os dados mais recentes da Fundação João Pinheiro (FJP), o déficit habitacional do Brasil em 2024 foi estimado em 5.773.983 domicílios, o equivalente a 7,4% dos domicílios particulares ocupados. O número representa uma redução de 3,4% em relação a 2023 e o menor percentual da série histórica.
O déficit é formado por três componentes principais: ônus excessivo com aluguel urbano, coabitação e habitação precária. Em 2024, o primeiro continuou sendo o mais representativo.
O ônus excessivo com aluguel urbano corresponde às situações em que famílias urbanas com renda de até três salários mínimos comprometem mais de 30% da renda com o pagamento do aluguel.
Em 2024, esse componente atingiu 3.587.777 domicílios. Já a coabitação ficou em cerca de 1,03 milhão de domicílios, enquanto a habitação precária alcançou aproximadamente 1,15 milhão.
Os números mostram que o desafio habitacional brasileiro envolve diferentes realidades. Para parte das famílias, a dificuldade está no custo de permanecer no imóvel; para outras, na precariedade da habitação ou na necessidade de compartilhar a moradia com outros núcleos familiares.
O que é habitação de interesse social?
A Habitação de Interesse Social (HIS) reúne políticas, programas e iniciativas voltados à ampliação do acesso à moradia adequada para a população de menor renda.
No Brasil, essa abordagem está relacionada ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), criado pela Lei nº 11.124/2005 com o objetivo de promover o acesso à moradia digna, especialmente para a população de baixa renda, que concentra grande parte do déficit habitacional brasileiro.
A proposta, portanto, não se resume à construção da unidade habitacional. A moradia precisa oferecer condições adequadas de habitabilidade e ser compatível com a capacidade financeira de quem vai ocupá-la, de modo que as despesas com a casa não comprometam outras necessidades básicas.
Essa visão também aparece nas políticas habitacionais federais. O próprio conceito de moradia digna está associado ao desenvolvimento urbano, à geração de trabalho e renda, à habitabilidade e à qualidade de vida.
Como o Minha Casa, Minha Vida amplia o acesso à moradia?
O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) é uma das principais políticas públicas brasileiras voltadas à ampliação do acesso à habitação. Além de promover a construção de moradias, o programa oferece condições de financiamento que podem facilitar a compra do imóvel por famílias elegíveis.
Segundo o Ministério das Cidades, o programa conta com diferentes modalidades e condições de atendimento, que variam conforme a renda familiar e as regras de cada linha. Dependendo do enquadramento, as famílias podem ter acesso a subsídios e taxas de juros reduzidas, o que pode diminuir o valor necessário para a entrada, o montante financiado ou as prestações.
Esses mecanismos ajudam a aproximar o custo de aquisição da capacidade de pagamento das famílias. Ainda assim, a possibilidade de comprar um imóvel depende da análise das condições de financiamento, da renda familiar e dos critérios aplicáveis a cada modalidade.
A acessibilidade financeira também exige considerar as despesas posteriores à compra. Avaliar o valor das parcelas, os encargos previstos em contrato e os custos de manutenção ajuda a entender se a moradia poderá ser mantida ao longo do tempo sem comprometer gastos essenciais.
Qual é o papel da MRV no acesso à moradia?
A produção de moradias é uma das dimensões do desenvolvimento das cidades. Para ampliar o acesso à casa própria, a oferta de imóveis precisa considerar não apenas a construção de unidades habitacionais, mas também as condições que permitem às famílias adquiri-las e mantê-las.
Nesse sentido, a MRV, maior construtora da América Latina, atua na construção de moradias para diferentes perfis de compradores, com destaque para aqueles que podem ser compatíveis com a capacidade de aquisição das faixas de renda menores.
Segundo a empresa, sua atuação abrange, ainda, investimentos em espaços e equipamentos urbanos como praças, creches, escolas, postos de saúde, avenidas e espaços de convivência. A MRV está presente em mais de 80 cidades de 22 estados brasileiros.
A oferta de moradias e os investimentos associados à infraestrutura urbana fazem parte de uma discussão mais ampla sobre desenvolvimento. Para que esse acesso seja efetivo, porém, também é necessário que o custo da habitação seja compatível com a realidade financeira das famílias.
Como avaliar se uma moradia cabe no orçamento?
O preço do imóvel é apenas um dos fatores que precisam ser considerados na decisão de compra. Para avaliar a acessibilidade financeira, é importante observar o conjunto de despesas envolvidas na aquisição e na manutenção da casa própria.
Entrada: verificar quanto será necessário desembolsar inicialmente e se há possibilidade de obter subsídios.
Parcelas: analisar se o valor mensal é compatível com a renda familiar, considerando as demais despesas essenciais.
Juros e correções: compreender as condições previstas no financiamento e no contrato de compra.
Custos adicionais: incluir despesas relacionadas à aquisição, ao condomínio, aos tributos e à manutenção do imóvel, quando aplicáveis.
Reserva financeira: evitar que os pagamentos comprometam todos os recursos disponíveis e impeçam a família de lidar com imprevistos.
Esses fatores ajudam a avaliar não apenas se é possível comprar um imóvel, mas também se será viável manter a moradia ao longo do tempo. A acessibilidade financeira depende de um equilíbrio entre o custo habitacional e os recursos disponíveis para as demais necessidades da família.
Uma moradia digna deve reunir condições adequadas de habitabilidade e um custo compatível com a capacidade de pagamento de seus moradores. É uma conquista que, para as famílias, representa mais do que o imóvel em si – representa progresso, segurança, qualidade de vida e a abertura de novas perspectivas, sendo elemento-chave para o desenvolvimento das pessoas e das comunidades.
As vendas da Tesla na Europa dispararam em setembro de 2026, indicando que a montadora de veículos elétricos de Elon Musk segue ganhando espaço em uma região onde concorrentes chineses também avançam rapidamente.
Os novos emplacamentos de carros da Tesla – usados como sinal de vendas – saltaram 72,5% na comparação anual, para 68.776 unidades, nos mercados da União Europeia, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
O ritmo acelerou de forma clara em relação a agosto, quando o aumento havia sido de apenas 4% – mês que costuma ser mais fraco para registros, já que muitas concessionárias na Europa fecham nas férias de verão do Hemisfério Norte.
O avanço sugere que consumidores europeus continuam aderindo à Tesla apesar da concorrência mais intensa, sobretudo de marcas chinesas.
No mesmo recorte, a ACEA informou que montadoras chinesas registraram altas expressivas. Os emplacamentos da BYD quase dobraram, em salto de 99%, para 49.953 veículos.
A SAIC Motor avançou quase 24%, para 41.987 unidades, e a Leapmotor teve alta superior a quatro vezes, para 14.594 veículos.
Em contraste, grupos tradicionais europeus mostraram desempenho mais fraco: a Volkswagen registrou queda de 2,9%, para 308.474 unidades, e a Renault recuou 0,7%, para 114.726.
O desempenho da Tesla ocorre enquanto a empresa busca ampliar aprovações para seu sistema de direção assistida Full Self-Driving (FSD) na União Europeia.
Em abril de 2026, a Holanda foi o primeiro país do bloco a autorizar o sistema em funções como mudança de faixa e navegação em torno de veículos e objetos. Segundo a própria Tesla, o FSD não torna o carro totalmente autônomo e deve ser usado com o motorista totalmente atento.
Desde então, países como Lituânia, Estônia e Dinamarca reconheceram a autorização holandesa, permitindo que a Tesla disponibilize o FSD nesses mercados enquanto autoridades europeias avaliam um pedido para expandir a autorização para todo o bloco.
Em setembro, o mercado europeu de veículos 100% elétricos a bateria cresceu quase 60%, segundo a ACEA. Os emplacamentos de híbridos subiram 5,3%, enquanto as de híbridos plug-in avançaram 24%.
No total, os registros de automóveis de passageiros aumentaram 10% na Europa como um todo e 9,3% na União Europeia, com alta de 9% na Alemanha, 12% na França e 9,8% na Itália.
A Pan-Amazônia, região que engloba nove países da América do Sul, tem pelo menos 232 políticas, programas e instrumentos públicos relacionados à bioeconomia. Segundo analistas, esse potencial produtivo esbarra na falta de integração entre governos, nas dificuldades de acesso ao crédito e em obstáculos à implementação efetiva dos negócios.
Para facilitar a articulação entre os países, a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia lança nesta quinta-feira (22) o Radar Bioecon, plataforma que reúne informações sobre instrumentos públicos voltados a atividades econômicas baseadas na biodiversidade da região.
A ferramenta será apresentada durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia.
O levantamento abrange nove países e territórios: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
O mapeamento inclui desde estratégias nacionais de bioeconomia até mecanismos de crédito, compras públicas, incentivos à produção e instrumentos de apoio a empreendimentos comunitários.
A plataforma permite consultar e comparar essas iniciativas, com o objetivo de identificar experiências que possam ser compartilhadas e oportunidades de cooperação regional.
O potencial econômico da bioeconomia amazônica já aparece em atividades ligadas à floresta em pé e aos conhecimentos locais. Na Amazônia Legal brasileira, apenas 13 produtos da sociobiodiversidade contribuem com pelo menos R$ 12 bilhões anuais para o Produto Interno Bruto (PIB), segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, liderado pelo WRI Brasil. Entre os exemplos, estão o açaí e a castanha.
Segundo Juliana Simões, co-líder do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e especialista em políticas públicas e bioeconomia na organização The Nature Conservancy (TNC) Brasil, é necessário garantir que os recursos e programas cheguem a cooperativas, associações e empreendimentos locais.
“Para que a bioeconomia se consolide como uma alternativa de desenvolvimento econômico para a Pan-Amazônia, precisamos tratá-la como uma agenda de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das políticas públicas”, defende Juliana.
Políticas dispersas
O levantamento identificou que as iniciativas estão distribuídas entre diferentes órgãos governamentais e nem sempre são classificadas como políticas de bioeconomia.
Conforme o país, aparecem sob denominações como biocomércio, bionegócios, empreendedorismo verde ou economias indígenas e comunitárias.
No Brasil, entre os instrumentos destacados estão o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que abrem mercados para produtores locais. Também está a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio), que estabelece preços mínimos para 17 produtos extrativistas e busca reduzir oscilações na renda dos produtores.
Na Colômbia, o mapeamento aponta mecanismos de apoio a negócios sustentáveis. No Equador, foram identificadas iniciativas de crédito para cooperativas e empreendimentos comunitários.
Para Bruno Castro Lacerda, co-líder do grupo de trabalho da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e consultor em bioeconomia para a conservação na organização Conservação Internacional, a comparação entre as políticas ajuda a identificar lacunas e experiências que podem inspirar outros países.
“Essa visão regional é importante para fortalecer a cooperação entre os países e construir políticas que tenham continuidade no longo prazo, contribuindo para consolidar a bioeconomia como uma agenda estratégica de desenvolvimento”, afirma.
Financiamento
O acesso a recursos financeiros é outro obstáculo apontado pelo levantamento. Um estudo da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia mapeou 141 mecanismos de financiamento voltados à bioeconomia na região. Desse total, apenas 8,5% atendem à sociobiodiversidade.
Embora existam fundos climáticos, linhas de crédito e programas de incentivo, exigências de garantias e procedimentos burocráticos dificultam o acesso de cooperativas, associações e empreendimentos comunitários.
O relatório defende a adaptação desses instrumentos às características da produção amazônica e uma maior integração entre políticas econômicas, produtivas e ambientais.
O Radar Bioecon foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia. Os usuários poderão sugerir novas políticas ou atualizações dos registros existentes, que passarão por um processo de curadoria. A iniciativa é apresentada como a primeira etapa de um trabalho destinado a identificar lacunas de implementação e oportunidades de integração regional.
A American Airlines teve prejuízo líquido de US$ 269 milhões no terceiro trimestre de 2026, mais do que o dobro da perda de US$ 114 milhões apurada em igual período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (22).
Com ajustes, a companhia aérea norte-americana registrou prejuízo por ação de US$ 0,28 entre julho e setembro, menor do que a perda projetada por analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,36.
A receita avançou 19,3% na comparação anual do trimestre, para US$ 16,3 bilhões, ligeiramente acima do consenso da FactSet, de US$ 16,2 bilhões.
Para o quarto trimestre, a empresa prevê crescimento da receita entre 20% e 23% e prejuízo ajustado por ação de US$ 0,50 a US$ 1,10. A projeção da FactSet era de prejuízo ajustado de US$ 0,52 por ação.
Para 2026, a American agora prevê resultado ajustado que vai de prejuízo de US$ 1 por ação a lucro de US$ 1,60 por ação, refletindo, segundo a companhia, o impacto da alta do combustível, apesar da continuidade da força da receita.
A empresa também afirmou que espera desaceleração do crescimento de sua malha em 2027, em meio a preços elevados do querosene de aviação.
A P&G (Procter & Gamble) registrou lucro líquido de US$ 4,73 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, encerrado em setembro, ante US$ 4,75 bilhões no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (22).
O lucro ajustado por ação foi de US$ 2,00, ante US$ 1,99 um ano antes. O resultado ficou acima da projeção de US$ 1,88 de analistas consultados pela FactSet.
A receita líquida avançou 4% na comparação anual, a US$ 23,28 bilhões, ante expectativa de US$ 22,79 bilhões da FactSet.
As vendas orgânicas, que desconsideram efeitos cambiais e aquisições, também cresceram 4%, impulsionadas pelo aumento de volumes e pela composição favorável de produtos.
A margem bruta recuou 1,6 ponto porcentual, pressionada principalmente pelo encarecimento de matérias-primas e pelos investimentos em produtos. O segmento de beleza registrou crescimento orgânico de 5% nas vendas, enquanto o de cuidados com a saúde avançou 3%.
Para o ano fiscal de 2027, a companhia elevou sua previsão de crescimento da receita líquida para uma faixa de 2% a 4%, refletindo a aquisição da Thorne. A P&G manteve a projeção de expansão de 1% a 3% nas vendas orgânicas e de lucro ajustado por ação entre US$ 6,89 e US$ 7,11.
A empresa também reiterou a expectativa de distribuir mais de US$ 10 bilhões em dividendos e recomprar cerca de US$ 5 bilhões em ações no ano fiscal.
O Barclays anunciou que cortará cerca de 5.000 empregos, ou 5% de sua força de trabalho, este ano, à medida que utiliza tecnologias como a inteligência artificial para reduzir custos fixos e melhorar a rentabilidade geral.
Os cortes de pessoal foram apresentados quando o Barclays divulgou lucro no terceiro trimestre de 2,3 bilhões de libras (3,08 bilhões de dólares), acima do registrado no ano anterior, mas abaixo das previsões dos analistas, devido ao desempenho abaixo do esperado do negócio de negociação de renda fixa.
O banco informou ter realizado mais 201 milhões de libras em “medidas de redução de custos estruturais” no terceiro trimestre, como parte de seu plano de longo prazo para reduzir despesas, como custos com pessoal, por meio de maior uso de tecnologia.
Cerca de 60% do total de cortes de pessoal afetará funcionários em funções de apoio, como desenvolvedores, disse a diretora financeira Anna Cross aos repórteres, em um dos sinais mais claros até agora, vindo de um grande banco, de como a IA está permitindo que as empresas reduzam o quadro de funcionários nessas funções.
Cross disse que 1.000 cargos já foram eliminados, com o restante a ser cortado até o final do ano.
As ações do Barclays caíam 2,5% no início do pregão, apresentando desempenho inferior ao de outras instituições financeiras.
As ações do banco caíram 14% neste ano, em linha com os pares europeus, que sofreram correção após anos de alta, à medida que as taxas de juros mais elevadas impulsionaram os lucros.
A Shore Capital afirmou em uma nota que os resultados ficaram abaixo do esperado devido ao desempenho decepcionante do banco de investimentos.
O banco de investimentos do Barclays registrou receita total no terceiro trimestre de 3,1 bilhões de libras, abaixo das previsões de 3,3 bilhões de libras.
Os resultados do terceiro trimestre dos concorrentes do Barclays em Wall Street, divulgados no início deste mês, mostraram a natureza cíclica da receita dos bancos de investimento, à medida que as negociações desaceleraram e as mesas de renda fixa apresentaram desempenho abaixo do esperado, com apenas a negociação de ações mantendo o forte ímpeto observado no primeiro semestre do ano.
A farmacêutica suíça Roche superou as expectativas de vendas do terceiro trimestre nesta quinta-feira, impulsionada pela demanda constante por medicamentos-chave, como o Ocrevus, para ganhar tempo enquanto busca no exterior reabastecer seu pipeline diante de expirações iminentes de patentes.
A receita do grupo cresceu 7% a taxas de câmbio constantes, atingindo 16,13 bilhões de francos suíços (US$19,61 bilhões), superando a previsão consensual elaborada pela empresa, de 15,75 bilhões de francos (US$19,15 bilhões).
No entanto, o trimestre trouxe um sinal precoce de pressão competitiva — as vendas do medicamento Xolair ficaram abaixo das previsões do mercado após o lançamento do primeiro genérico mais barato, gerando vendas de 848 milhões de francos (US$ 1,03 bilhão) contra expectativas de 925 milhões de francos (US$1,12 bilhão).
As ações caíam 1,1% no pregão da manhã.
Com vários medicamentos de grande sucesso mais antigos se aproximando do vencimento das patentes, a Roche aposta em seus principais produtos para impulsionar o crescimento no curto prazo, ao mesmo tempo em que intensifica as negociações externas para tratamentos de última geração.
A empresa fechou um acordo no valor de mais de US$ 15 bilhões com a chinesa Hansoh Pharma, segundo notícia divulgada na segunda-feira.
Com foco no ecossistema de biotecnologia da Europa, o presidente-executivo Thomas Schinecker afirmou na quinta-feira que cerca de 50% dos acordos de licenciamento externos do grupo nos últimos quatro anos foram firmados nos EUA e os outros 50% na China e na Ásia.
“Isso mostra um pouco a situação em que a Europa se encontra em termos de inovação”, disse Schinecker.
A administração também observou que o impacto negativo das reformas nos preços dos serviços de saúde na China estava diminuindo, apesar das quedas de dois dígitos no país, com a divisão de diagnósticos — que cresceu 5%, para 3,54 bilhões de francos — devendo retornar a um crescimento “normal” na faixa de um dígito médio a alto no próximo ano.
A Roche também se beneficiou da estabilização do dólar em relação ao franco suíço, aliviando o impacto prolongado das taxas de câmbio no mercado norte-americano, que responde por quase metade da receita do grupo.
Os medicamentos mais vendidos impulsionaram a unidade farmacêutica, liderada pela injeção para esclerose múltipla Ocrevus, cuja receita cresceu 9% em moedas constantes, atingindo 1,84 bilhão de francos.
A Nestlé divulgou nesta quinta-feira (22) um crescimento orgânico das vendas no terceiro trimestre acima do esperado e informou que excluiu sua unidade russa das demonstrações financeiras consolidadas após Moscou ter confiscado o negócio.
A diretora financeira da Nestlé, Anna Manz, disse que o negócio na Rússia, que contribuía com cerca de 2% das vendas do grupo, não estava mais sendo consolidado nos resultados financeiros a partir do final de setembro, sem impacto nas vendas orgânicas, nos volumes e nos preços.
No entanto, a medida afeta as vendas reportadas, o lucro operacional subjacente e o fluxo de caixa livre a partir do quarto trimestre, disse Manz, observando que o desreconhecimento dos ativos líquidos teria um impacto negativo na dívida líquida de aproximadamente 900 milhões de francos suíços (US$ 1,09 bilhão) para 2026.
A Nestlé informou que estava desreconhecendo ativos na Rússia no valor de 1,6 bilhão de francos e reconhecendo um encargo não monetário de cerca de 1,4 bilhão de francos referente a ajustes cumulativos de conversão cambial.
As ações da Nestlé registraram alta de 1,3% nas negociações pré-mercado.
Crescimento do volume impulsiona vendas orgânicas
A fabricante dos cubos de caldo Maggi e do café Nescafé manteve sua perspectiva de vendas orgânicas para o ano inteiro de 2026 em um crescimento de 3% a 4% e registrou um aumento de 4% nas vendas orgânicas trimestrais, acima das expectativas dos analistas, que apontavam para um aumento de 3,4%.
Os aumentos de preço de 1,1% da Nestlé ficaram abaixo da estimativa média dos analistas, de 1,9%. O crescimento interno real (RIG) — ou volume de vendas — foi de 2,8%, superando as expectativas de um aumento de 1,5%.
O RIG, um indicador-chave na estratégia da Nestlé, tem melhorado constantemente desde que Philipp Navratil assumiu o cargo de presidente-executivo em setembro de 2025.
“Estou contente com o nosso progresso”, disse Navratil. “Mas não estou satisfeito. Ainda há muito mais a ser feito para concretizar o potencial do negócio.”
A Hermès afirmou nesta quinta-feira (22) que o crescimento das vendas perdeu fôlego no terceiro trimestre, à medida que diminuem as esperanças de uma recuperação da demanda por artigos de luxo.
A casa de luxo francesa registrou receita de 4,1 bilhões de euros no trimestre encerrado em setembro, alta de 4,3% em relação ao mesmo período de um ano antes, a taxas de câmbio constantes.
No segundo trimestre, a fabricante parisiense de bolsas de alto padrão e lenços de seda havia registrado avanço orgânico de 6,7% na receita.
Empresas do setor de luxo vêm enfrentando um mercado difícil nos últimos anos, principalmente por causa da queda da demanda por produtos de alto padrão, sobretudo na China, onde marcas europeias também lidam com a concorrência crescente de grifes locais.
O momento de uma recuperação na China tem sido uma das principais dúvidas para a indústria, que passou a depender dos gastos dos consumidores mais ricos do país, dentro e fora de suas fronteiras.
No entanto, a economia chinesa segue instável, levando os consumidores a manter o orçamento apertado.
Na semana passada, a LVMH, dona da Louis Vuitton, alertou que a demanda fraca na China pesou no desempenho de sua importante divisão de moda e artigos de couro.
A Hermès afirmou que, apesar das incertezas econômicas, geopolíticas e monetárias, continua esperando crescimento da receita, a taxas de câmbio constantes, no médio prazo.
A Nokia afirmou nesta quinta-feira (22) que continua vendo força na demanda ligada a IA (inteligência artificial) e à expansão de data centers, à medida que a empresa finlandesa amplia sua participação no fornecimento de infraestrutura de rede para esse ciclo de investimentos.
No terceiro trimestre, as vendas do negócio de infraestrutura de redes – que concentra tecnologias de rede voltadas a IA e data centers – cresceram 17% na comparação anual, impulsionadas por demanda de clientes de IA e nuvem nas Américas.
No período, a Nokia registrou 1,5 bilhão de euros em pedidos desses clientes e manteve a expectativa de que as vendas anuais desse segmento avancem entre 12% e 14% em 2026.
Já as vendas de equipamentos de infraestrutura móvel – área tradicional de tecnologia e serviços para comunicações móveis – subiram 5% na comparação anual, com os maiores avanços vindo de Japão, Índia e da região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), segundo a companhia.
A Nokia também reiterou a projeção de lucro operacional comparável do grupo para o ano cheio entre 2,1 bilhões e 2,6 bilhões de euros, apesar de prever custos maiores com reestruturação e iniciativas de redução de despesas.
A empresa agora estima encargos de 1,1 bilhão de euros, acima da previsão anterior de 800 milhões de euros, após ampliar o alcance de alguns programas de reestruturação para acelerar a simplificação das operações.
O Barclays teve lucro líquido atribuível de 1,65 bilhão de libras no terceiro trimestre deste ano, avanço de 18% em comparação a igual período de 2025, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira.
O resultado veio levemente acima da expectativa de analistas consultados pelo próprio banco britânico, que previam lucro de 1,64 bilhão de libras no período.
Por outro lado, o lucro antes de impostos teve aumento de 12% no ano, a 2,322 bilhões de libras, abaixo da previsão de 2,42 bilhões de libras.
A receita do Barclays teve avanço anual de 3% no trimestre, para 7,365 bilhões de libras, também aquém do esperado por analistas. A previsão era de receita total de 7,62 bilhões de libras entre julho e setembro.
Apesar disso, o comunicado reitera expectativa de alcançar as projeções financeiras para o ano completo de 2026.
As provisões do banco britânico para perdas de crédito, que cobrem empréstimos inadimplentes, recuaram para 503 milhões de libras no trimestre, queda anual de 20%. Nos nove meses até setembro, contudo, as provisões subiram para 1,9 bilhão de libras, de 1,74 bilhão de libras um ano antes.
Em nota, o Barclays anunciou um programa de recompra de ações de 500 milhões de libras, elevando o total de recompra neste ano para 2,8 bilhões de libras e atribuindo o programa adicional à “forte geração de capital orgânico”.
Ainda assim, o valor veio abaixo do consenso do mercado, que esperava recompras de 579 milhões de libras.
A vistoria de entrega é uma etapa importante para quem está prestes a receber um apartamento novo. Antes de assinar o termo de recebimento e formalizar essa etapa da compra, o proprietário precisa verificar se o imóvel está de acordo com o contrato e o memorial descritivo, além de conferir as condições dos acabamentos e o funcionamento das instalações elétricas e hidráulicas.
A orientação da construtora MRV, é realizar uma inspeção cuidadosa, observando os diferentes componentes da unidade e comunicando ao representante da construtora qualquer problema identificado. A vistoria permite registrar falhas aparentes e encaminhar os reparos necessários, conforme as condições de entrega do imóvel.
Para facilitar a avaliação, o comprador pode levar uma lista de verificação, o memorial descritivo e o contrato. Fotografar os pontos que precisam de atenção e anotar cada ocorrência também ajuda a documentar o estado do apartamento no momento da entrega.
O que conferir durante a vistoria do apartamento?
A MRV aponta que a inspeção deve abranger tanto os aspectos visuais quanto os itens que precisam ser testados. O memorial descritivo é uma referência importante para verificar se os materiais, acabamentos e componentes instalados correspondem ao que foi contratado.
O roteiro a seguir reúne os principais pontos a observar:
Instalações elétricas
Interruptores e lâmpadas: acione os interruptores e confira se os pontos de iluminação funcionam.
Tomadas: observe se estão firmes, sem danos aparentes e devidamente instaladas.
Quadro elétrico: verifique se está acessível, identificado e sem sinais visíveis de danos.
Pontos elétricos previstos: confira se a disposição e a quantidade correspondem ao projeto e ao memorial descritivo.
Não desmonte tomadas nem abra o quadro elétrico para realizar testes. Se houver sinais de aquecimento, peças soltas ou qualquer irregularidade, registre o problema e solicite a avaliação de um profissional responsável.
Instalações hidráulicas
Torneiras: abra os registros e confira o fluxo de água.
Pias e lavatórios: observe se há vazamentos nas conexões e na parte inferior das cubas.
Descargas: acione os mecanismos e verifique se funcionam corretamente.
Ralos e escoamento: observe se a água escoa sem sinais aparentes de obstrução.
Tubulações e conexões visíveis: procure manchas de umidade, gotejamentos ou sinais de vazamento.
A presença de água em locais inesperados, o escoamento lento ou o retorno de odores podem indicar a necessidade de uma avaliação técnica. Anote em qual ambiente o problema ocorreu e, se possível, registre em uma foto ou um vídeo.
Portas, janelas e esquadrias
Abra e feche portas e janelas para conferir se os movimentos ocorrem sem dificuldade. Verifique também:
fechaduras, maçanetas, trincos e demais mecanismos;
alinhamento das folhas e facilidade de fechamento;
vidros sem trincas ou quebras;
esquadrias sem amassados, riscos ou danos aparentes;
vedação aparente e ausência de frestas incomuns.
Quando houver varanda ou outros vãos externos, observe especialmente as condições aparentes de vedação, sem realizar intervenções nos componentes.
Pisos e revestimentos
Observe os pisos e revestimentos de todos os cômodos, incluindo cozinha, banheiro, área de serviço e varanda, quando existentes.
Confira se há peças trincadas, quebradas, soltas ou com lascas, além de diferenças de acabamento que destoem do padrão contratado. Observe também os rejuntes e os encontros entre pisos, paredes e soleiras.
Se perceber desníveis ou suspeitar de falhas na fixação, registre o local para avaliação técnica. Não é necessário remover peças para verificar possíveis problemas.
Pintura, paredes e tetos
A inspeção visual deve identificar manchas, descascamentos, riscos, falhas de cobertura e diferenças acentuadas de acabamento.
Examine paredes e tetos em todos os ambientes, prestando atenção a fissuras, marcas de umidade e alterações de cor. Caso encontre uma ocorrência, fotografe-a e indique em qual cômodo está localizada.
Nem toda diferença visual representa um defeito construtivo. Por isso, o registro deve descrever o que foi observado, deixando a avaliação técnica para o profissional responsável.
Impermeabilização aparente e sinais de umidade
A impermeabilização nem sempre fica visível depois que o imóvel está concluído. Durante a vistoria, portanto, o comprador deve se concentrar nos sinais aparentes que possam indicar problemas, como manchas, bolhas na pintura, descascamentos, umidade persistente e indícios de infiltração.
Banheiros, áreas de serviço, cozinhas e varandas merecem atenção especial, conforme as características da unidade. Observe também os encontros entre paredes e pisos e as áreas próximas a janelas.
A ausência de manchas durante uma única inspeção não comprova, por si só, que não há falhas de impermeabilização. Se houver indícios de infiltração ou outras irregularidades, registre-os e solicite avaliação.
Funcionamento dos pontos e conferência dos acabamentos
Além dos testes elétricos e hidráulicos, confira os demais itens instalados no apartamento e compare-os com o memorial descritivo.
Verifique, conforme o que foi contratado:
louças, metais e acessórios instalados;
portas, ferragens e mecanismos de abertura;
pontos de água, esgoto e energia;
acabamentos previstos para cada ambiente;
itens de personalização eventualmente contratados.
Se o imóvel tiver acabamentos escolhidos pelo comprador, vale conferir se foram executados conforme o pedido e o registro contratual. A MRV orienta que as escolhas de personalização sejam verificadas durante a vistoria, para que eventuais divergências sejam identificadas antes da conclusão da entrega.
Como registrar ressalvas antes de assinar o termo de recebimento?
Se algum item apresentar defeito, dano ou divergência em relação ao que foi contratado, o comprador deve comunicar a ocorrência ao representante responsável pela vistoria e solicitar que ela seja registrada formalmente.
O registro precisa ser específico. Em vez de escrever apenas “problema no banheiro”, por exemplo, é mais útil indicar “vazamento observado na conexão abaixo do lavatório do banheiro social”.
Para documentar as ressalvas:
Identifique o local: informe o cômodo e, quando necessário, a posição do item.
Descreva o que foi observado: registre a falha de maneira objetiva, sem presumir a causa.
Faça fotos ou vídeos: produza imagens que mostrem o problema e ajudem a identificar sua localização.
Confira o documento: leia as observações registradas pelo representante e solicite a inclusão de itens que tenham ficado de fora.
Guarde uma cópia: mantenha o checklist, as imagens e os documentos relacionados à vistoria.
O comprador deve conferir se as ressalvas foram incluídas no documento formal utilizado pela construtora e solicitar uma cópia ou confirmação escrita do registro. Fotos e mensagens podem complementar a documentação, mas não substituem a formalização exigida no procedimento de entrega.
O que acontece com os itens apontados na vistoria?
Quando a inspeção identifica problemas, as ocorrências devem ser registradas para que sejam avaliadas e encaminhadas à correção, conforme a natureza do item e os procedimentos aplicáveis à entrega.
A MRV explica que o profissional que acompanha a inspeção verifica os itens e anota aqueles que precisam de reparo ou substituição, além das observações apresentadas pelo comprador. A orientação é comunicar as ocorrências durante a vistoria para que possam ser consideradas antes da entrega das chaves.
Se houver pendências, o comprador deve esclarecer com o representante da construtora quais serão os próximos passos, como os reparos serão acompanhados e de que forma a conclusão dos serviços será confirmada. Quando houver possibilidade de formalizar o recebimento com ressalvas, é importante que as pendências e os compromissos assumidos estejam documentados por escrito.
A assinatura do termo merece atenção: antes de firmar o documento, leia seu conteúdo e confirme o que ele declara sobre o estado do imóvel, as pendências e o recebimento das chaves. Se houver dúvida sobre os efeitos da assinatura ou sobre a possibilidade de receber o imóvel com itens em aberto, peça esclarecimentos formais antes de prosseguir.
A existência de uma ressalva não deve ser confundida automaticamente com a conclusão do reparo. O comprador precisa acompanhar o encaminhamento dos itens registrados e guardar os comprovantes pertinentes.
Como a MRV realiza o atendimento após a entrega do apartamento?
A MRV disponibiliza um portal de assistência técnica com acesso a serviços relacionados a reparos na unidade, manutenção preventiva e gestão do condomínio. O canal distingue o atendimento para reparos no imóvel daquele voltado à gestão condominial.
O canal adequado e as condições de atendimento dependem da situação encontrada e da etapa em que o imóvel se encontra. Por isso, é importante seguir as orientações fornecidas durante a entrega e consultar os canais oficiais da construtora caso seja necessário registrar uma solicitação posteriormente.
A vistoria não deve ser tratada apenas como uma formalidade para receber as chaves. Ela permite comparar o apartamento com o que foi contratado, documentar possíveis divergências e esclarecer como cada pendência será tratada antes da conclusão da entrega.
Administrar uma conta digital segura não depende apenas da tecnologia oferecida pelo banco. Parte importante da proteção está nas configurações escolhidas pelo próprio cliente e nos hábitos adotados no dia a dia.
Recursos como biometria, autenticação adicional, notificações em tempo real e limites transacionais podem funcionar como diferentes camadas de proteção. Quando estão corretamente configurados, ajudam a reduzir o risco de acessos indevidos e permitem identificar rapidamente movimentações suspeitas.
No Inter, essas ferramentas estão reunidas em diferentes mecanismos de segurança do Super App. Segundo head de Prevenção a Fraudes da instituição, Newton Marques Junior, a instituição utiliza múltiplas camadas de autenticação, monitoramento e modelos de Machine Learning para avaliar o risco das transações em tempo real.
Configurações de segurança devem ser ativadas no Inter
A primeira medida é acessar a Central de Segurança do Super App e habilitar as camadas de proteção disponíveis, além de ativar a biometria, revisar os limites de transação e manter os dados de contato atualizados. Logo após abrir uma conta, algumas configurações merecem atenção especial:
Biometria facial ou digital: adiciona uma camada de autenticação para acessar a conta
Modo vigilante: reforça a proteção da conta em situações de risco
Geolocalização: pode ser utilizada na avaliação de risco e, em determinadas situações, como fator de autenticação
Proteção de chamada: acrescenta uma camada de segurança relacionada às ligações
Limites de transação: devem ser compatíveis com o uso cotidiano e não permanecer no máximo sem necessidade
Chaves Pix: o ideal é manter apenas as necessárias e verificar periodicamente as chaves cadastradas em “Minhas Chaves”
Telefone e e-mail: devem permanecer atualizados, pois podem ser utilizados para o recebimento de tokens de segurança
O que é a Central de Segurança do Inter?
O serviço reúne mecanismos que permitem ao cliente configurar diferentes níveis de proteção da conta. Entre eles estão recursos relacionados à biometria, geolocalização, Modo Vigilante e definição de áreas ou redes consideradas seguras.
Dependendo da configuração, o cliente pode reduzir limites de transação fora de determinados locais ou restringir o acesso a áreas sensíveis do aplicativo, como Cartão, Empréstimos e Investimentos.
Como funcionam a biometria, o I-Safe e as outras autenticações do Inter?
O Inter utiliza autenticação em múltiplas camadas. As transações são monitoradas por modelos de Machine Learning que avaliam o comportamento da conta e podem solicitar fatores adicionais de autenticação quando identificam uma situação de risco. Entre os principais mecanismos estão:
Biometria facial: utiliza validação de prova de vida para comparar o rosto apresentado em tempo real com a selfie cadastrada. Pode ser solicitada em processos como atualização cadastral, desbloqueio de acesso e operações consideradas críticas
Senha da conta: é utilizada no acesso ao aplicativo. Em situações consideradas suspeitas, o sistema pode exigir uma alteração de senha
I-Safe: funciona como um gerador de códigos de autenticação dentro do aplicativo. É utilizado, entre outras situações, para acesso ao Internet Banking pelo computador, validação de acesso via QR Code e determinadas transações de maior valor
Tokens por SMS ou e-mail: podem ser utilizados para confirmar alterações de senha, atualização de dados cadastrais e outras operações sensíveis
Geolocalização: quando autorizada pelo cliente, pode integrar a avaliação de risco da transação e, em determinados casos, contribuir para a autenticação
Essa combinação cria um modelo de defesa em camadas. Em vez de depender de uma única senha, diferentes sinais podem ser analisados para determinar se uma operação apresenta comportamento compatível com o histórico da conta.
Como a inteligência artificial ajuda a prevenir fraudes
De acordo com Newton Marques Júnior, o Inter utiliza modelos de Machine Learning para avaliar o risco de transações em tempo real. A análise comportamental considera padrões da conta e pode identificar desvios em relação ao comportamento esperado. Quando uma operação apresenta características de risco, os sistemas podem aumentar o nível de autenticação, reduzir limites ou bloquear determinadas ações.
O objetivo é equilibrar segurança e experiência do cliente, fazendo com que verificações adicionais sejam concentradas principalmente em situações que apresentam maior risco.
Saiba configurar limites e monitorar movimentações para aumentar a segurança
Manter os limites de transação compatíveis com a rotina e acompanhar movimentações em tempo real são duas das medidas mais simples para reduzir riscos financeiros. O cliente pode utilizar diferentes recursos para acompanhar o que acontece na conta:
Extrato em tempo real: permite identificar rapidamente uma movimentação não reconhecida
Notificações push: informam sobre transações realizadas
Histórico de acessos: ajuda a verificar quando e de onde a conta foi acessada
Limites personalizados: podem reduzir a exposição financeira em operações do cotidiano
Alertas e bloqueios automáticos: sistemas antifraude podem restringir operações ou dispositivos diante de comportamentos considerados suspeitos
Em determinadas situações, os limites podem ser zerados automaticamente quando o sistema identifica uma tentativa de transação associada a um destinatário de risco. Segundo as orientações fornecidas pelo Inter, esses limites podem ser restabelecidos automaticamente após 24 horas ou mediante um fluxo de atualização de segurança disponível no aplicativo.
Por que manter limites baixos pode aumentar a segurança
Um limite elevado que raramente é utilizado amplia desnecessariamente a exposição da conta. Por isso, uma estratégia recomendada é manter limites compatíveis com os gastos habituais e realizar ajustes temporários quando uma transação maior for realmente necessária. A ideia não é impedir o uso da conta, mas criar uma barreira adicional caso um terceiro consiga acessar o dispositivo ou as credenciais.
O que fazer quando o celular é perdido ou roubado
Em caso de perda ou roubo do aparelho, a orientação é agir imediatamente: comunicar o Inter, bloquear o acesso e registrar a ocorrência. Medidas preventivas, como cadastrar o aparelho no Celular Seguro e ativar os mecanismos de proteção nativos do smartphone, também são recomendadas. Antes de qualquer incidente, o cliente pode tomar algumas medidas:
Ativar os recursos de segurança do Android ou iOS disponíveis no próprio dispositivo
Nunca armazenar senhas no celular, seja em bloco de notas, mensagens, fotos ou aplicativos sem proteção adequada
Manter limites de transação compatíveis com a rotina
Habilitar as camadas adicionais da Central de Segurança
Se o aparelho for perdido ou roubado, a recomendação do Inter é comunicar imediatamente o ocorrido pelo canal de atendimento da instituição. O registro permite bloquear o acesso à conta e iniciar a avaliação de segurança.
É possível recuperar o acesso após perda ou roubo de celular?
Sim. Nesse caso, é necessário realizar uma atualização de segurança que envolve:
Selfie com prova de vida
Foto de documento válido, como RG ou CNH
Validação de tokens enviados por SMS e e-mail
Alteração da senha
Cadastramento do novo dispositivo
Também é recomendável registrar um Boletim de Ocorrência, detalhando o ocorrido
Hábitos que podem comprometer a segurança da conta
Mesmo com sistemas avançados de proteção, comportamentos inadequados podem aumentar a exposição do usuário. Entre os principais erros estão:
Deixar a senha anotada no próprio celular
Manter limites de transação no máximo sem necessidade
Não ativar recursos da Central de Segurança
Instalar o aplicativo em dispositivos não confiáveis
Ignorar alertas ou notificações de bloqueio
Permanecer conectado em dispositivos compartilhados
Utilizar redes Wi-Fi públicas sem proteção adequada
Clicar em links suspeitos
Baixar aplicativos fora das lojas oficiais
Uma revisão periódica dessas configurações ajuda a transformar a segurança em um processo contínuo, e não em uma medida tomada apenas depois que ocorre um problema.
Como fazer uma revisão completa da segurança da conta
O procedimento envolve as seguintes ações:
1. Central de Segurança
Verifique e habilite as camadas de proteção disponíveis, como biometria, geolocalização e Modo Vigilante.
2. Biometria
Confirme se o acesso por biometria está ativado no aplicativo e no próprio celular.
3. Senhas
Apague senhas armazenadas no aparelho e utilize um método seguro para gerenciá-las.
4. Limites
Revise os limites de Pix, transferências e demais operações e reduza aqueles que estiverem acima da necessidade cotidiana.
5. Chaves Pix
Entre em “Minhas Chaves” e confira se todas as chaves cadastradas continuam sendo necessárias.
6. Dados de contato
Mantenha telefone e e-mail atualizados para receber mecanismos de autenticação.
7. Dispositivo
Ative as ferramentas de segurança oferecidas pelo sistema operacional do celular.
8. Celular Seguro
Faça o cadastro preventivo do aparelho.
9. Monitoramento
Acompanhe notificações, extrato e histórico de acessos regularmente.
A segurança digital funciona melhor quando tecnologia e comportamento caminham juntos. Não existe uma configuração única capaz de eliminar todos os riscos, mas combinar autenticação, limites adequados, monitoramento e atenção aos sinais de fraude pode criar uma proteção significativamente mais robusta.
FAQ – Perguntas frequentes sobre segurança da conta Inter
Qual é a configuração mais importante para proteger a conta?
Não existe uma única configuração. A recomendação é combinar biometria, recursos da Central de Segurança, limites adequados, dados de contato atualizados e monitoramento das movimentações.
Devo deixar meu limite de Pix alto para facilitar o uso?
O ideal é manter o limite compatível com a rotina. Quando houver necessidade de uma transferência maior, o limite pode ser ajustado conforme os procedimentos de segurança aplicáveis.
O que é o Modo Vigilante do Inter?
É uma das camadas de proteção disponibilizadas na Central de Segurança para reforçar a proteção da conta.
Para que serve a geolocalização no aplicativo?
Quando autorizada pelo cliente, a localização pode ser utilizada na avaliação de risco das transações e, em determinadas situações, como fator adicional de autenticação.
O que é o I-Safe?
É um mecanismo de geração de códigos de autenticação dentro do aplicativo, utilizado em situações como acesso ao Internet Banking, validação por QR Code e determinadas transações de maior valor.
O que fazer se meu celular for roubado?
Comunique imediatamente o Inter pelos canais oficiais de atendimento, para que o acesso à conta seja bloqueado e o dispositivo seja submetido aos procedimentos de segurança. Também é recomendável registrar um Boletim de Ocorrência e utilizar o Celular Seguro.
É seguro salvar a senha do banco no celular?
Não é recomendável deixar a senha anotada em bloco de notas, mensagens, fotos ou outros locais sem proteção adequada. O ideal é utilizar um método seguro de gerenciamento de credenciais.
Como saber se houve uma movimentação suspeita na conta?
Extrato em tempo real, notificações e histórico de acessos ajudam a identificar rapidamente operações ou acessos que não reconhece.
A inteligência artificial é usada para prevenir fraudes?
Sim. Segundo Newton Marques Junior, o Inter utiliza dezenas de modelos de Machine Learning para avaliar o risco das transações em tempo real e identificar comportamentos fora do padrão.
Qual é o melhor momento para revisar as configurações de segurança?
A revisão pode ser feita agora e repetida periodicamente, especialmente depois de trocar de celular, alterar dados cadastrais, perceber uma movimentação incomum ou mudar significativamente o padrão de uso da conta.
O faturamento das empresas brasileiras não significa a mesma coisa que margem de lucro. Um levantamento da Conta Azul identificou que, dependendo do modelo de negócio, a parcela que efetivamente sobra ao descontar custos e impostos fica entre 33,8% e 13,4% do faturamento inicial.
Os dados foram compilados para o Índice Quanto Sobra 2026, por meio da comparação de seis tipos de operação a partir de dados públicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da legislação do Simples Nacional.
Em valores, se o faturamento mensal for de R$ 35 mil, isso significa que a sobra estimada varia entre R$ 11.831 e R$ 4.682 ao mês.
O índice considera “sobra” o resultado que permanece na empresa depois do pagamento de fornecedores, funcionários, impostos, custos operacionais e retirada do dono.
Entre as operações analisadas, o serviço recorrente, como os escritórios de contabilidade, software house, consultoria em gestão e escola de idiomas apresentam a maior sobra proporcional (33,8%).
Enquanto isso, o comércio B2C, como os mercadinhos, padarias, farmácia, loja de roupas, restaurante, bar e lanchonete, tem o menor valor proporcional (13,4%).
No meio do caminho estão:
avulso de obra (construtora, empreiteira de infraestrutura, instalações elétricas e hidráulicas e acabamento), com 21,7%;
indústria (fábrica de móveis, confecção, metalúrgica pequena, fábrica de alimentos e gráfica), com 21%;
serviço avulso de conserto (oficina mecânica, assistência técnica de celular e informática e conserto de eletrodomésticos), com 18,4%;
e comércio B2B/atacado (distribuidora de bebidas, atacadista de alimentos e distribuidora de autopeças), com 18,2%.
Ainda, do grupo que menos consegue reter o faturamento no final do mês, 20% dos bares e restaurantes do país operam em prejuízo, 37% empatam e 42% estão no lucro, de acordo com amostra coletada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
De acordo com o índice da Conta Azul, parte desse resultado estaria atribuída à própria estrutura da operação.
No mesmo cenário de um negócio que fature R$ 35 mil, o Simples Nacional – o regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido para micro e pequenas empresas, criado no país pela Lei Complementar 123/2006 – equivale entre 6,2% e 9,3% do faturamento.
Já o custo de operar – que inclui mercadorias, folha, encargos e estrutura – varia de 56,9% a 80,4%. Assim, o índice mostra que o imposto não é irrelevante na conta, mas sim o que mais aperta o pequeno negócio: a operação.
Nesse mesmo contexto, o índice ainda revelou que aumentar o faturamento também não significa, necessariamente, aumentar a quantidade que sobra depois dos custos.
Na metodologia utilizada, o percentual de sobra diminui gradualmente conforme a receita aumenta, em razão principalmente da progressividade do Simples Nacional.
No serviço recorrente, a sobra estimada passa de 35% nas menores faixas de faturamento para 30,9% na faixa de R$ 250 mil a R$ 300 mil mensais. No varejo, varia de 13,7% para 12,6%.
No topo de um dos sites europeus da Ryanair, lê-se “voe A PARTIR DE 24,99 euros”.
A companhia aérea irlandesa é uma das transportadoras de baixo custo mais lucrativas do mundo, com uma malha que cobre toda a Europa. O sucesso está no compromisso com seu modelo de negócios, que reduz os custos operacionais ao mínimo enquanto cobra dos passageiros por tudo.
O modelo de negócios das companhias de baixo custo domina os voos de curta distância na Europa, respondendo, segundo analistas, por mais de 40% dos assentos disponíveis. Muitos passageiros já se acostumaram a voar sem regalias, pagando por cada serviço adicional além do assento.
No ano passado, a Ryanair transportou mais de 200 milhões de passageiros. A companhia de baixo custo inglesa easyJet transportou quase 100 milhões de passageiros, a húngara Wizz Air quase 70 milhões e a espanhola Vueling carregou 38 milhões.
No entanto, esse mesmo modelo de negócios tem tido dificuldade em se consolidar nos Estados Unidos. A maior companhia aérea de baixo custo norte-americana, a Frontier, transportou apenas 33 milhões de passageiros no mesmo período.
Parte disso é cultural — os norte-americanos têm menor tolerância a serviços básicos e não gostam de pagar por extras nos voos. Mas há também razões geográficas, como distâncias mais curtas entre os voos; além de razões econômicas, como pressões inflacionárias e aumento das tarifas aéreas.
As companhias de baixo custo operam de forma diferente na Europa
Mas esse sucesso levou “30 anos de tomada de decisões, em que o custo operacional é o principal fator”, segundo Mike Arnot, consultor do setor aéreo.
O modelo das companhias de baixo custo, disse ele, é construído em torno da eliminação do maior número possível de despesas na operação de uma companhia aérea, como operar com um único tipo de aeronave, minimizar os custos de manutenção ou usar escadas em vez de pontes de embarque para economizar nas taxas aeroportuárias.
Garth Lund, que atuou em cargos de liderança no grupo de companhias aéreas de baixo custo Wizz Air por quase oito anos, afirmou que as aéreas de baixo custo europeias são “inabaláveis em seu compromisso com os custos baixos”.
“Elas realmente se mantiveram fiéis ao modelo de negócios original e não se deixaram distrair, e como resultado, preservaram sua estrutura de custos melhor do que as aéreas americanas fizeram”, disse Lund.
Um exemplo, segundo ele, é que as companhias aéreas europeias elaboram os horários de voo de forma que as tripulações não precisem pernoitar em cidades fora de casa, economizando custos com hotéis.
Ele também aponta para as horas que as tripulações das companhias aéreas podem trabalhar. Na Europa, há menos sindicatos que limitam os turnos.
“Essa eficiência tem um grande efeito cascata na estrutura de custos”, disse Lund.
“Na Europa, os aeroportos hoje em dia são realmente projetados para as companhias aéreas de baixo custo”, disse Lund.
Compare, por exemplo, os tempos de rotatividade, ou seja, quanto tempo leva para desembarcar os passageiros, realizar a manutenção de uma aeronave e carregá-la para a próxima partida. Quanto mais tempo leva, menos voos uma aeronave consegue realizar em um dia e menos dinheiro a companhia aérea arrecada.
Os aeroportos norte-americanos podem registrar de 45 minutos a uma hora. Muitos aeroportos europeus chegam de 25 a 30 minutos, afirmou ele.
Isso ocorre porque o embarque na Europa pode acontecer pela parte dianteira e traseira da aeronave, dependendo do aeroporto, e nem sempre utiliza pontes de embarque como a maioria das companhias norte-americanas faz.
Na Europa, também há muitos aeroportos secundários em grandes cidades. Isso torna mais fácil – e mais barato – de abrir novas rotas.
Por exemplo, o Aeroporto Internacional de Munique é um grande hub para a Alemanha, mas uma alternativa de baixo custo fica a pouco mais de uma hora de distância, no Aeroporto de Memmingen. A Wizz Air e a Ryanair operam por lá em vez de voar diretamente para Munique.
O Aeroporto de Heathrow, em Londres, também tem alternativas populares entre as companhias de baixo custo: o London Stansted e o London Luton Airport.
“Na Europa, os aeroportos secundários tornaram-se aeroportos bastante grandes por si mesmos”, disse Lund.
Aeroportos secundários também existem nos EUA, como o Dallas Love Field, próximo ao Aeroporto Internacional DFW, ou o Aeroporto Chicago-Midway, que é menor em relação ao O’Hare International Airport de Chicago.
No entanto, nem sempre há múltiplas opções como na Europa, e muitos desses aeroportos secundários são dominados por companhias como a Southwest.
Poucas companhias aéreas de baixas tarifas sobrevivem nos EUA
As companhias aéreas de baixo custo norte-americanas não encontraram o mesmo sucesso que as europeias.
Isso se deve em parte ao fato de os consumidores dos EUA terem dificuldade em distinguir entre baixos custos e baixas tarifas, disse Arnot. Eles presumem que “baixo custo” se refere ao preço da passagem, mas na verdade trata-se de manter os custos operacionais baixos.
Às vezes, as companhias aéreas de baixo custo realmente oferecem as tarifas mais baratas. Mas se essas tarifas baixas não superarem a base de custos no médio prazo, as companhias irão à falência, disse ele.
“Poucas companhias aéreas de baixas tarifas sobreviveram, mas há bons exemplos de companhias de baixo custo que prosperaram”, disse Arnot.
“Especialmente na ponta do mercado de baixo custo e baixas tarifas, a demanda é altamente elástica, que é uma palavra sofisticada do marketing para dizer que os consumidores podem pegar o ônibus, ou simplesmente não viajar, se a tarifa não for o que desejam pagar.”
E como as companhias aéreas de desconto dos EUA atendem a viajantes de lazer sensíveis ao preço, elas têm mais dificuldade em aumentar as tarifas. Isso é difícil quando o aumento dos custos comprime suas margens já estreitas, como os preços crescentes do combustível relacionados ao conflito no Oriente Médio.
Ambas as companhias não conseguiram se consolidar e foram encerradas poucos anos depois, quando os preços do combustível dispararam. Mas as empresas-mãe adotaram algumas lições dessas experiências, como tempos de rotatividade mais rápidos.
Europeus gostam das companhias aéreas de baixo custo; norte-americanos fazem piadas sobre elas
Os europeus também não associam uma imagem negativa às companhias aéreas de baixo custo, dizem os analistas, enquanto os norte-americanos frequentemente esperam que elas sejam de baixa qualidade ou ofereçam um mau atendimento ao cliente.
“Nos EUA, tenho a sensação de que há quase um estigma associado a voar com uma companhia aérea de baixo custo, então a Spirit era famosamente alvo de muitas piadas”, disse Lund.
Esse é muito menos o caso na Europa, disse ele, onde os passageiros podem estar voando na classe executiva da British Airways em uma semana e, na seguinte, não hesitar em pegar um assento de classe econômica na easyJet.
O colapso da Spirit também ensinou às companhias aéreas tradicionais norte-americanas, como a Delta e a United, como se defender das companhias de baixo custo, de acordo com Shye Gilad, ex-comandante de aviação e professor de negócios da Georgetown University.
Isso inclui equiparar os preços das passagens ou oferecer promoções, além de introduzir tarifas de economia básica que concorrem diretamente com as companhias aéreas de baixo custo.
“Elas se baseavam nas tarifas mais baixas possíveis e, claro, nos poucos serviços associados a isso”, disse Gilad. “Mas acho que o contraste era mais acentuado porque elas frequentemente competem diretamente com as grandes companhias aéreas tradicionais, o que gera um contraste bastante grande.”
A consultora internacional Bain & Company pretende contratar quase 50 pessoas para o escritório de Lisboa, para atingir os 150 trabalhadores em Portugal, até ao final do próximo ano. A empresa de assessoria estratégica a organizações e fundos de investimento tem como objetivo crescer de forma transversal em todos os departamentos, da consultoria à tecnologia.
Especializada em fusões e aquisições, transformação digital e sustentabilidade, a consultora norte-americana conta neste momento com pouco mais de uma centena colaboradores em Portugal, onde está presente desde 2022.
O objetivo do recrutamento é “continuar a servir empresas que operam nos principais setores económicos, assim como de continuar a fazer crescer o negócio a um ritmo de duplo dígito”, disse fonte oficial da Bain & Company ao ECO. As áreas que precisam de reforços são consultoria, conhecimento e desenvolvimento de metodologias, serviços globais ao negócio, inteligência artificial (IA) e analítica e perceções do consumidor (consumer insights).
O movimento surge na sequência da inauguração do novo escritório na capital portuguesa, mais precisamente no Príncipe Real. Este verão, a empresa decidiu reunir, num mesmo espaço, a atividade de consultoria e as equipas dedicadas às outras funções mais digitais e de análise de dados, que também trabalham para outros mercados globais. A sede lisboeta da Bain instalou-se noempreendimento Anjos Urban Palace e conta com cerca de 2.000 metros quadrados distribuídos por quatro pisos e capacidade para até 250 pessoas.
“O novo escritório e o polo de competências avançadas assinalam uma nova fase do compromisso da Bain com Portugal, com mais escala e maior amplitude de capacidades. Reunimos hoje, sob o mesmo teto, diferentes valências da Bain, desde a consultoria às equipas de conhecimento, serviços globais e IA, numa operação em Lisboa cada vez mais preparada para responder ao mercado nacional e contribuir para clientes e equipas da Bain em todo o mundo”, disse o sócio Álvaro Pires, aquando da inauguração oficial em setembro.
O sócio Francisco Montenegro explicou que Portugal superou as expectativas iniciais. “No primeiro ano, atingimos mais de 50% do plano projetado para 2028, um resultado que demonstra a robustez da nossa operação e o impacto que a Bain já está a ter no mercado. Estamos agora numa fase de crescimento acelerado, em equipa, volume de negócio e impacto junto dos clientes, que marca uma nova etapa da presença da Bain em Portugal”, referiu.
Em entrevista ao jornal espanhol Expansión, divulgada na semana passada, o presidente global da Bain & Company confirmou que o negócio na Península Ibérica estava a crescer a um ritmo superior. “Globalmente, a nossa previsão para este ano é de um aumento de 12% no número de colaboradores, devido ao crescimento do negócio. Em Espanha e em Portugal, aumentaremos o pessoal em mais de 20%, em linha com as vendas”, revelou Manny Maceda, quando questionado sobre os receios de vagas de despedimentos no setor da consultoria devido à IA.
A la medianoche del 15 de octubre de 2026, mientras los reyes Felipe y Letizia le entregaban un trofeo en forma de globo terráqueo y un cheque de un millón de euros ante 4.000 invitados puestos en pie aplaudiéndola durante 10 minutos, los editores de Penguin Random House se enteraban de que Isabel Allende, la reina madre de su catálogo, les dejaba por otra. Por Planeta, concretamente, el gigante de la competencia, a cuyo celebérrimo premio se había presentado Allende anónimamente sin decirles ni media, junto a otros 1.423 escritores, y que, gracias al prodigioso olfato del jurado, había ganado de calle. Acababa así, por las bravas, una relación profesional, y personal, de 44 años que comenzó con la publicación, en 1982, del superventas mundial La casa de los espíritus y siguióconotras 30 obras siempre rentables para todos. Hasta aquí, una de tantas historias de cuernos profesionales, y personales, en los que el cornudo es el último en enterarse. Pero, más allá de guerras editoriales y cálculos de mercado, me interesan las razones íntimas por las que Allende, una mujer de 84 años con la vida resuelta y los suculentos dividendos de sus libros engordándole las arcas cada fin de año, da semejante campanazo. Se me dirá que por dinero, claro, que nunca es suficiente. Por el millón del premio, multiplicado por tres o cuatro, más los derechos del siguiente libro, más equis prebendas, porque cuando se ficha a una grande, se suele fichar el lote, como cuando la muy fina revista ¡Hola!contratadesde la pedida de mano, la boda, la luna de miel, el embarazo, el bautizo y hasta el divorcio de una pareja de famosos, que ahora se divorcian hasta en las mejores familias. Poderosas razones que, sospecho, no explican del todo el volantazo de la chilena.