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Corinthians registra segunda maior dívida entre principais clubes do Brasil

O Corinthians acumula uma dívida de R$ 2,8 bilhões até o fim de 2025. É o que aponta levantamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), que criou um ranking dos clubes mais endividados das Séries A e B do Brasileirão.

A equipe paulista fica atrás apenas do Atlético-MG, que registra uma dívida de R$ 2,66 bilhões. O Botafogo fecha o top 3 com uma dívida de R$ 1,78 bilhão.

Segundo o painel, o Timão possui uma dívida de R$ 700 milhões que vencem a curto prazo, ou seja, em até 12 meses. O valor é aproximadamente 34% do total da pendência. Os outros 66% somam R$ 1,38 bilhão e vencem a longo prazo, depois de 12 meses.

No primeiro semestre deste ano, o Corinthians registrou um déficit de R$ 246 milhões, conforme o balanço financeiro divulgado pelo clube. No mesmo período de 2025, o déficit havia sido de R$ 55,2 milhões.

A Anresf é um órgão independente criado pela CBF que tem como objetivo fiscalizar e regular o Fair Play Financeiro das três principais divisões do futebol brasileiro.

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Juros da dívida sobem a dois, cinco e 10 anos

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quarta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, bem como com os de França no prazo mais longo.

Às 08:20 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,950%, contra 3,938% na quarta-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,515%, contra 3,502%.

Os juros a dois anos avançavam para 3,211%, contra 3,196% na véspera.

Os juros da dívida francesa subiam para 5,046%, um máximo desde julho de 2002, contra 5,012% na véspera.

Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, desciam, para 3,400%, contra 3,417%, bem como os dos Estados Unidos, que cediam para 5,078%, contra 5,121%.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para 164,7 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:20:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

22/10…….3,211…3,515…..3,950

21/10…….3,196…3,502…..3,938

Espanha

22/10…….3,234…3,587…..4,084

21/10…….3,228…3,571…..4,076

Grécia

22/10…….3,332…3,878…..4,440

21/10…….3,320…3,846…..4,410

Itália

22/10…….3,613….4,082…..4,613

21/10…….3,574….4,043…..4,576

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

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Mercado revê aposta na Argentina enquanto dívida de 2027 entra no radar

O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos.

Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira.

São mais de US$ 30 bilhões em principal e juros no próximo ano, segundo levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional). A conta inclui compromissos com credores privados e organismos internacionais.

O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.

O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta.

Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes.

A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: “o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto.

Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras.

Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.

Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes.

No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante.

Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário.

Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões até o fim do ano.

A aposta ficou menos otimista

Se os fatores técnicos ajudam a explicar a velocidade do movimento recente, há também uma mudança mais profunda na maneira como investidores enxergam a economia argentina.

Para Fabio Giambiagi, argentino que é pesquisador no FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o mercado exagerou no otimismo em relação à capacidade de recuperação do país.

“O mercado fez uma aposta na Argentina que estava ‘comprando lotes na Lua’. Era delirante”, afirma.

Os números ajudam a entender a crítica. No início de 2025, o REM (Relevamiento de Expectativas de Mercado), levantamento do Banco Central argentino semelhante ao Focus brasileiro, apontava crescimento próximo de 3,7% para a economia em 2026. A expectativa de inflação para este ano estava em torno de 15%.

As projeções mudaram. No REM mais recente, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é projetado em apenas 1,5% em 2026. A inflação estimada para dezembro chegou a 30%.

“Aos poucos, o mercado foi percebendo a dimensão do problema. No começo havia uma perspectiva irrealista da evolução das principais variáveis”, diz Giambiagi.

A eleição presidencial argentina acontece apenas no próximo ano e a capacidade de Milei de manter apoio político e dar continuidade ao programa econômico começa a importar mais à medida que o calendário avança.

“Achar que o governo vai aprovar o que quiser é uma prova de miopia da análise econômica sobre a política”, diz Giambiagi. Para o economista, investidores subestimaram as dificuldades políticas do governo e também os efeitos do próprio estilo do presidente na construção de alianças.

Nesta semana, uma nova controvérsia surgiu durante uma viagem de Milei à Espanha. O argentino chamou o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, de “ditador inapresentável” pouco mais de um mês antes das eleições espanholas. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha respondeu dizendo que não aceita interferências externas e classificou a postura do presidente argentino como “indigna”.

Giambiagi cita episódios semelhantes dentro da própria Argentina e aponta para a postura que falta ao mandatário do país platino: “presidente em uma república faz política”.

O próximo governo continuará dependendo do Congresso para aprovar reformas e o ambiente político pode afetar diretamente a confiança dos investidores.

Giambiagi vê o calendário com preocupação. Segundo ele, a popularidade de Milei caiu em relação aos níveis observados no início do governo e uma eventual disputa de segundo turno pode se tornar especialmente difícil caso a oposição consiga concentrar o voto contrário ao presidente.

O país entra em 2027 com uma situação muito diferente daquela encontrada por Milei no início do governo. A inflação caiu, o resultado fiscal melhorou, as reservas cresceram e a balança comercial melhorou.

Ao mesmo tempo, as expectativas ficaram menos exuberantes e o mercado começa a olhar com mais atenção para a capacidade política do governo de sustentar o programa econômico.

“O mercado aos poucos está percebendo que não é uma festa”, diz Giambiagi.

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