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AIPAR de Faro chega às 20 famílias de acolhimento e quer alargar rede

18 October 2026 at 15:00

A Associação de Proteção à Rapariga e à Família (AIPAR), com sede em Faro, atingiu as 20 famílias de acolhimento certificadas e pretende aumentar este número para responder às diferentes necessidades das crianças e jovens. O marco foi assinalado a 11 de outubro, num encontro na Quinta do Meloal, na freguesia da Conceição de Faro.

A iniciativa reuniu famílias acompanhadas pela associação para uma manhã de convívio e partilha de experiências. Segundo a nota de imprensa enviada ao POSTAL, há outras famílias em processo de certificação.

“Sentimos uma enorme gratidão pelas vinte maravilhosas famílias que se juntaram à AIPAR e abraçaram a missão de ser famílias de acolhimento”, afirmou Filomena Rosa, presidente da direção. “Quero que saibam que nunca estarão sozinhas. A nossa equipa acompanha-as em cada passo e, a partir de agora, têm também umas às outras”, acrescentou.

Mais famílias para responder a diferentes necessidades

A AIPAR pretende certificar o maior número possível de famílias, tendo em conta que cada uma apresenta disponibilidades e condições próprias.

A associação explica que algumas famílias com filhos preferem acolher crianças de determinada idade ou género para facilitar a convivência, enquanto outras estão preparadas para receber grupos de irmãos ou crianças mais velhas.

O alargamento da rede permite, por isso, acompanhar mais situações e encontrar uma resposta familiar ajustada às necessidades de cada criança. “Cada família tem o acompanhamento da nossa equipa, mas há coisas que só outra família de acolhimento compreende. É necessário criar momentos como este”, salientou Filomena Rosa.

O encontro decorreu num espaço da própria associação e começou com uma sessão de ioga do riso, seguindo-se um brunch preparado pelo serviço de catering da AIPAR. Enquanto os adultos conversavam, as crianças participaram em atividades ao ar livre, acompanhadas por uma equipa da instituição. No final, cada família recebeu um certificado e um saquinho de lufas, esponjas vegetais cultivadas e secas na quinta.

Uma resposta temporária fora das instituições

O acolhimento familiar é uma medida de proteção temporária que permite a crianças e jovens retirados à família de origem viverem num ambiente familiar, em alternativa ao acolhimento residencial. Para contextualizar esta resposta, a AIPAR cita o relatório CASA 2024: das 6.349 crianças e jovens em acolhimento em Portugal, 361 viviam com famílias de acolhimento, cerca de 6% do total. A maioria permanecia em casas de acolhimento residencial.

A AIPAR atua como instituição de enquadramento do acolhimento familiar ao abrigo de um acordo de cooperação com o Instituto da Segurança Social, celebrado em novembro de 2022. De acordo com a associação, podem candidatar-se pessoas ou casais com mais de 25 anos e residência em Portugal. As famílias recebem formação, acompanhamento técnico permanente e apoio financeiro mensal.

Fundada em 1932 e reconhecida como Instituição Particular de Solidariedade Social desde 1988, a AIPAR trabalha na proteção de crianças, jovens e famílias, mantendo também respostas como a Casa de Acolhimento, o CAFAP, o Apartamento de Autonomização, o CACI e a Cantina Social.

Os interessados em conhecer o processo de candidatura podem contactar a associação através do telefone 966 683 137 ou do endereço protecao.acolhimentofamiliar@gmail.com.

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ZERO rejeita incineração e quer ampliar tratamento de resíduos no Algarve

18 October 2026 at 11:00

O Algarve deve responder à pressão sobre os aterros com a melhoria e ampliação das duas unidades de tratamento mecânico e biológico da Algar, em vez de apostar na incineração, defende a associação ambientalista ZERO.

Em declarações à Lusa em 6 de outubro, o engenheiro ambiental Rui Berkemeier explicou que as propostas tinham sido transmitidas à ministra do Ambiente numa reunião realizada na sexta-feira anterior.

Separar resíduos domésticos dos produzidos pelas empresas

“Propusemos, para já, um primeiro passo, separar os resíduos de origem doméstica dos de origem das atividades económicas, como os resíduos dos hotéis”, afirmou o ambientalista.

Segundo Rui Berkemeier, os produtores de mais de 1.100 litros diários de resíduos equiparados a urbanos devem ter um sistema próprio de gestão. O responsável considera que esta obrigação não está a ser inteiramente respeitada na região, contribuindo para o enchimento dos aterros.

Para os resíduos indiferenciados, a ZERO propõe aproveitar e reforçar as instalações existentes, “em vez da construção de novas instalações ou da aposta na incineração”. Berkemeier argumentou que procurar novas localizações traria dificuldades políticas acrescidas.

Matéria orgânica deve ser tratada antes de chegar ao aterro

O tratamento mecânico e biológico permite tratar a matéria orgânica, incluindo restos de comida, que está na origem de problemas como odores, produção de metano e águas residuais mais difíceis de tratar, explicou o engenheiro ambiental.

A associação considera insuficiente o Plano de Ação para os Resíduos Urbanos (PAPERSU) da Algar, gestora do sistema de resíduos no Algarve, sustentando que deixa cerca de 70 mil toneladas sem tratamento.

“Não podem receber resíduos orgânicos em bruto como estão a receber hoje”, afirmou Rui Berkemeier, defendendo que o tratamento da matéria orgânica “deve ser assegurado antes da deposição em aterro”.

Nova célula do aterro recebeu decisão ambiental condicionada

A ZERO aponta a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da nova Célula D do Aterro Sanitário do Sotavento, em Loulé, como um reforço dos seus argumentos. Emitida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, a decisão é favorável condicionada. Prevê uma capacidade de cerca de 875 mil toneladas, uma deposição anual de 150 mil toneladas e uma vida útil estimada entre cinco e oito anos.

O documento destaca os contributos da ZERO e da Almargem na consulta pública, nomeadamente os alertas para a deposição de resíduos orgânicos não tratados e para as insuficiências dos sistemas de recolha e triagem.

A DIA refere que a deposição de resíduos com fração orgânica não estabilizada “constitui uma ilegalidade” à luz do Regime Jurídico da Deposição de Resíduos em Aterro. Para Berkemeier, esta conclusão reforça a necessidade de alterar as práticas nos aterros existentes, evitando a deposição direta de resíduos indiferenciados com matéria biodegradável.

Estudo da APA deve avaliar alternativas já em funcionamento

A associação criticou ainda a ministra por destacar publicamente a incineração sem mencionar o tratamento mecânico e biológico. Segundo o ambientalista, a governante tinha afirmado na reunião que “todas as soluções estão em aberto”.

A ZERO defende que o estudo a realizar pela Agência Portuguesa do Ambiente avalie as soluções existentes no Algarve e alternativas em funcionamento noutras regiões do país, nomeadamente no Alentejo.

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Culatra vai testar hidrogénio para armazenar energia solar

18 October 2026 at 10:00

Uma comunidade de energia renovável na ilha da Culatra deverá aproveitar os excedentes de eletricidade solar para produzir e armazenar hidrogénio, que permitirá gerar novamente eletricidade quando a procura aumentar e a produção solar diminuir. A solução integra o projeto internacional H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora (UÉ).

Iniciado em 2024, com duração prevista até 2030 e um orçamento global de nove milhões de euros, o projeto reúne 29 parceiros de sete países, entre universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas.

Num comunicado divulgado em 13 de outubro e citado pela Lusa, a universidade explicou que a iniciativa pretende testar aplicações concretas no Algarve e no Alentejo, abrangendo a produção, o transporte, o armazenamento e a utilização de hidrogénio renovável.

Culatra combina armazenamento com redes inteligentes

Na Culatra, a demonstração prevê integrar o armazenamento de energia sob a forma de hidrogénio com redes inteligentes. O sistema utilizará a eletricidade excedente nas horas de maior produção solar, guardando esse recurso para responder a períodos de menor disponibilidade.

A vertente algarvia complementa as intervenções previstas no Alentejo, onde o projeto procura criar um “vale do hidrogénio”, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos.

O objetivo é “passar da investigação e planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, edifícios e sistemas energéticos locais”, refere a UÉ.

Sines terá unidade de produção com 15 megawatts

Em Sines, no distrito de Setúbal, está projetada uma unidade de eletrolisadores de 15 megawatts para produzir hidrogénio renovável, também conhecido como hidrogénio verde.

“O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injetado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo”, explicou a universidade.

No conjunto, o H2tALENT prevê produzir mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a aplicações na indústria, na mobilidade e nos edifícios.

Frotas municipais e piscina entre as aplicações previstas

Em Alandroal, no distrito de Évora, está previsto apoio à conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio.

Na cidade de Évora, o foco será o aquecimento de edifícios. Entre as demonstrações programadas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal.

Hugo Gonçalves Silva, professor de Física da UÉ e coordenador do H2tALENT, salientou que a iniciativa pretende “ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”.

O projeto, coordenado pela Universidade de Évora, é financiado pelo programa Horizon da Comissão Europeia, através da Clean Hydrogen Joint-Undertaking.

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Algarve tem 24 vagas para formação de médicos de família

18 October 2026 at 09:00

A formação especializada em Medicina Geral e Familiar conta com 24 vagas no Algarve no âmbito do Internato Médico 2026. O mapa nacional disponibiliza 2.338 lugares, distribuídos por especialidades e instituições de formação, segundo o aviso publicado em Diário da República, citado pela Lusa.

Aprovado por despacho do secretário de Estado da Gestão da Saúde, de 29 de setembro, o mapa servirá de base ao processo de escolhas dos médicos que ingressam na formação especializada. A oferta supera em oito lugares as 2.330 vagas do ano anterior.

A Medicina Geral e Familiar é a especialidade com maior oferta, reunindo 675 vagas para formação de médicos de família. Nesta área, Lisboa e Vale do Tejo concentra 237 lugares, seguindo-se o Norte, com 226, e o Centro, com 121.

O Alentejo dispõe de 41 vagas, o Algarve de 24, os Açores de 18 e a Madeira de oito.

No conjunto do mapa, as especialidades hospitalares somam 1.595 lugares. Há ainda 59 vagas para Saúde Pública e nove para Medicina Legal.

Entre as especialidades hospitalares, a Medicina Interna apresenta o maior número de vagas, com 216, seguida da Pediatria, com 110, e da Anestesiologia, com 102.

A Psiquiatria dispõe de 82 lugares, a Cirurgia Geral de 72, a Ginecologia/Obstetrícia de 71, a Ortopedia de 70 e a Medicina Intensiva de 69.

Seguem-se Patologia Clínica, com 59 vagas, Medicina Física e de Reabilitação, com 52, Oncologia Médica, com 50, Radiologia, com 47, Cardiologia, com 44, e Medicina de Urgência e Emergência, com 42.

Instituições públicas e privadas integram o mapa

No extremo oposto, Cardiologia Pediátrica e Medicina Desportiva têm uma vaga cada. A Cirurgia Torácica disponibiliza duas e a Cirurgia Cardíaca três.

As vagas estão distribuídas por centenas de instituições públicas e privadas do continente e das regiões autónomas.

Entre as instituições abrangidas encontram-se os hospitais de Santa Maria e de São José, as unidades locais de saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, Amadora/Sintra, Almada/Seixal e Loures/Odivelas, o Instituto Português de Oncologia de Lisboa e várias unidades hospitalares privadas.

No Norte, a oferta inclui as ULS São João, Santo António, Braga, Gaia/Espinho e Matosinhos, bem como o Instituto Português de Oncologia do Porto.

Na região Centro, estão contempladas, entre outras, as ULS Coimbra, Região de Aveiro, Região de Leiria e Viseu Dão-Lafões. Nos Açores, o mapa prevê vagas em Medicina Geral e Familiar, Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Pediatria e Psiquiatria, entre outras áreas.

Na Madeira, o Hospital Nélio Mendonça recebe lugares em diversas especialidades. A formação em Medicina Geral e Familiar abrange vários centros de saúde da região.

O mapa publicado pela ACSS integra o procedimento concursal de ingresso no Internato Médico 2026, definindo a distribuição dos lugares por área de especialização e instituição.

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Águas do Algarve desafia instituições a transformar chapéus de chuva em arte

18 October 2026 at 08:00

Um chapéu de chuva é o ponto de partida para as obras de arte do concurso “A Água e o Mar para Mim”, promovido pela Águas do Algarve. A quinta edição tem inscrições abertas até 30 de novembro de 2026 e dirige-se a instituições da região que acompanham crianças, jovens, pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros públicos de respostas sociais.

A iniciativa decorre em 2026/2027, sob o mote “A Obra conta uma história”, e desafia os participantes a trabalhar em conjunto, reutilizando materiais e tomando a água e o mar como inspiração. O lançamento foi assinalado a 1 de outubro, Dia Nacional da Água.

Reutilizar materiais e partilhar histórias de vida

Além da sensibilização ambiental, a organização pretende criar oportunidades de convívio, aprendizagem e participação, valorizando as capacidades e as experiências de vida dos participantes. “Mais do que criar obras de arte, pretende-se criar oportunidades”, lê-se na nota de imprensa enviada ao POSTAL.

A proposta procura envolver pessoas que nem sempre encontram espaços para dar a conhecer os seus conhecimentos, memórias e formas de olhar para o mundo.

A preservação dos recursos hídricos, a biodiversidade marinha, a poluição dos oceanos e as alterações climáticas estão entre os temas sugeridos. As memórias associadas à água e a relação pessoal com o mar também podem orientar os trabalhos.

As obras integrarão posteriormente exposições itinerantes em vários municípios algarvios, permitindo apresentar as criações fora das instituições e dar visibilidade aos seus autores. O cartaz anuncia ainda o registo em filme da história das instituições participantes.

Edição anterior reuniu 55 projetos

Segundo a Águas do Algarve, a quarta edição, realizada em 2025/2026, registou 44 candidaturas e 55 projetos, o maior número de sempre.

A cerimónia de entrega de prémios, na Fundação Pedro Ruivo, em Faro, reuniu cerca de 300 participantes de vários municípios da região.

O projeto recebeu também, em 2025, o primeiro prémio na categoria de Responsabilidade Social e Ambiental dos Prémios Essência do Ambiente.

A empresa enquadra o concurso na sua estratégia de educação ambiental e responsabilidade social, procurando aproximar a proteção da água de públicos nem sempre abrangidos pelas iniciativas tradicionais.

Regulamento disponível para as instituições interessadas

As condições de participação, os procedimentos e os prazos podem ser consultados no regulamento disponibilizado em www.aguasdoalgarve.pt. Os pedidos de informação devem ser dirigidos à Área de Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, através do endereço comunicacao.ada@adp.pt.

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Arménio Aleluia: a grandeza de não esquecer | Editorial de Henrique Dias Freire

18 October 2026 at 07:30

Uma roda de ferro, feita por um ferreiro para um menino brincar, pode parecer um episódio pequeno. Nas palavras de Arménio Aleluia Martins, torna-se memória de uma pessoa, de um ofício e de uma terra. O menino era ele; o ferreiro, José Martins.

Talvez esteja aqui uma das qualidades mais bonitas do seu percurso: reconhecer grandeza onde outros poderiam ver apenas uma história sem importância. Aos 86 anos, o jornalista e escritor publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro. Reúne 63 biografias, cruzando recordações com fotografias, documentos e testemunhos. Mas faz mais do que guardar o passado: devolve presença às pessoas que ajudaram a construir a comunidade.

A entrevista publicada nesta edição mostra um homem para quem o afeto não dispensa o rigor. A gratidão, explica, não autoriza a acrescentar qualidades ou acontecimentos. É uma lição de jornalismo e também de respeito: homenagear alguém exige conhecer a sua vida, não inventar-lhe uma grandeza conveniente.

Esse compromisso atravessa um percurso que merece reconhecimento. Dirigiu A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve, trabalhou na rádio e nas agências noticiosas e fundou a Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha. Ao jornalismo juntou o associativismo, o teatro, a música e o desporto. Não se limitou a contar a vida da sua terra: participou nela.

Ao recordar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques, entre as fundadoras de A Avezinha, dá também lugar às mulheres que escreveram e fizeram a história local.

Paderne pode orgulhar-se deste trabalho. E o Algarve deve reconhecer ne-le uma forma de serviço público: preservar aquilo que nenhuma estatística consegue substituir, a experiência concreta das pessoas. Uma região também se conhece pela atenção que dedica a quem a construiu, longe da notoriedade.

Esta homenagem não pretende encerrar um percurso. Pretende agradecer uma presença e acompanhar o trabalho que continua. Quem dedicou tantas páginas aos outros merece encontrar, nestas páginas, o reconhecimento da comunidade.

A roda do ferreiro sobreviveu na memória do menino. Arménio transforma agora essa memória numa herança partilhada.

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