Macron proíbe manifestações "ilegítimas" em França
A violência dos protestos é causada por grupos de esquerda radical, acusa o Presidente francês. Manifestações terão de ser autorizadas e algumas já foram suspensas

A violência dos protestos é causada por grupos de esquerda radical, acusa o Presidente francês. Manifestações terão de ser autorizadas e algumas já foram suspensas

A violência dos protestos é causada por grupos de esquerda radical, acusa o Presidente francês. Manifestações terão de ser autorizadas e algumas já foram suspensas

O proprietário de uma loja de artigos de defesa pessoal no centro de Paris afirma que as vendas de spray de pimenta em seu estabelecimento aumentaram desde os distúrbios do último fim de semana, em meio a manifestações que acabaram gerando violência e destruição na capital francesa.
Na loja L’Armurerie de la Bourse, situada no centro da cidade, o proprietário Yves Goletty relatou à Reuters que estabelecimentos próximos ao seu foram saqueados.
Segundo Goletty, os frascos de spray de pimenta estão entre os produtos mais vendidos. Pela legislação francesa, esses itens só podem ser utilizados para fins de legítima defesa.
“Ninguém esperava por isso, ninguém desejava isso, e precisamos torcer para que termine o quanto antes”, adicionou o proprietário.
A França foi palco, no último fim de semana, de sua pior onda de agitação social em anos.
Embora centenas de milhares de pessoas tenham ido às ruas pacificamente, uma prefeitura foi incendiada, lojas foram saqueadas e edifícios, pichados, enquanto grupos violentos entravam em confronto com a polícia em várias cidades do país.
Grupos estudantis e o movimento dos “Coletes Amarelos” convocaram novas manifestações para este sábado (24).
Protestos na França refletem o que será da Europa em 2027, diz especialista
Uma onda de protestos se espalha por diversos países da Europa, impulsionada por uma combinação de fatores que inclui insatisfação com o custo de vida, crise habitacional e dificuldades na manutenção dos serviços públicos.
A editora de Internacional da CNN Mariana Catacci explica, ao Live CNN, como essas questões têm provocado insatisfação popular e ampliado os desafios políticos no continente. O movimento, que ganhou força inicialmente na França, já se expandiu para outros países do continente, colocando governos sob crescente pressão popular.
Segundo Mariana Catacci, os protestos não seguem uma pauta única. “Eles são causados por vários fatores que, somados, levaram a população de vários países às ruas”, afirmou. Ao todo, ao menos sete países registraram manifestações nos últimos dias.
Na França, a insatisfação começou com estudantes do ensino médio e rapidamente atraiu professores, universitários e cidadãos descontentes com o aumento do custo de vida.
O país concentra o maior número de detenções relacionadas aos protestos: mais de duas mil pessoas foram presas até o último fim de semana, tornando-se o epicentro mais expressivo da agitação social no continente.
Na Espanha, um grande protesto foi deflagrado após o despejo de uma mulher de 87 anos, episódio que se tornou símbolo da crise habitacional que afeta o país.
Em Portugal, a situação é semelhante: o custo da moradia cresceu de forma desproporcional em relação ao restante da Europa nos últimos anos, gerando forte insatisfação popular. Ambos os países enfrentam manifestações de grande porte motivadas pela dificuldade de acesso à habitação.
Na Itália, a principal praça de Milão precisou ser esvaziada devido a confrontos entre manifestantes e a polícia.
A Grécia também registrou protestos, enquanto a Albânia apresenta uma situação considerada peculiar: além das manifestações por educação e custo de vida, há descontentamento da população com um empreendimento que deve ser feito na Albânia ligado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A venda de áreas preservadas do litoral albanês para a construção de um resort de luxo tem gerado acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Edi Rama.
De acordo com Mariana Catacci, o denominador comum entre os países é a dificuldade dos governos em manter os serviços públicos funcionando sem onerar excessivamente os cofres públicos.
“O que a gente vê é uma certa incapacidade dos governos de conseguir sustentar os serviços públicos”, disse. Países como França e Grécia, por exemplo, registram níveis recordes de dívida pública na Europa. O movimento, segundo a editora de Internacional, tende a se ampliar e a atrair cada vez mais setores da população.
Transmitido por mosquitos e mais comumente encontrado em bovinos, o vírus Shamonda também já foi detectado em cavalos, alpacas, ovelhas e cabras, informou a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, na sigla em inglês).
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“O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) está monitorando cuidadosamente a situação, após as autoridades francesas terem anunciado o primeiro caso já registrado de infecção humana pelo vírus Shamonda, uma doença que, até agora, afetava apenas animais”, afirmou o ECDC, com sede em Estocolmo, em comunicado.
O ECDC está em contato com autoridades francesas e parceiros europeus para investigar as possíveis implicações para a saúde pública.
O anúncio francês indicou que a hipótese principal é que o paciente tenha sido infectado no leste da França, onde o vírus circulou entre animais nesta primavera e verão.
“Com base no conhecimento disponível sobre esse vírus, nenhum risco à saúde da população em geral foi identificado até o momento”, afirmou o comunicado.
O ECDC informou que o paciente morreu no início de outubro e lembrou que a vítima vinha recebendo tratamento para uma doença grave que a tornava mais suscetível à infecção do que a população em geral.
“Estão em andamento investigações para determinar se o vírus causou ou contribuiu para a morte do paciente e como a infecção foi contraída”, disse.
Atualmente, não há vacinas comercialmente disponíveis contra o vírus Shamonda, informou a WOAH.
Identificado na Nigéria em meados da década de 1960, o vírus Shamonda foi confirmado pela primeira vez na Europa no final de julho, após testes genômicos em bovinos doentes no sul da Alemanha, na Suíça e no leste da França.
Um relatório do boletim semanal de vigilância sanitária animal da França indicou que o vírus também havia sido detectado na Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, em Liechtenstein, Luxemburgo, na Holanda, em Portugal, na Eslovênia, Espanha e na ilha de Jersey, no Reino Unido.
Um estudo feito em nove fazendas leiteiras francesas constatou que a produção de leite caiu em até 75% nos rebanhos afetados.
*(Reportagem adicional de Makini Brice e Jennifer Rigby)
*É proibida a reprodução deste conteúdo
A França relatou, nesta quinta-feira (22), o primeiro caso humano do vírus Shamonda — habitualmente encontrado em animais de criação — em um paciente que veio a falecer.
As autoridades acrescentaram que, neste momento, não há risco para a população em geral.
Suspeita-se que a vítima tenha sido picada por um mosquito portador do vírus no leste da França, região onde o patógeno circulou entre animais durante a primavera e o verão, informou o governo em um comunicado.
O ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças), sediado em Estocolmo, afirmou que está acompanhando a situação.
“O ECDC está em contato com as autoridades francesas e parceiros europeus para investigar as possíveis implicações para a saúde pública”, declarou o órgão em um comunicado.
O paciente faleceu no início de outubro e estava em tratamento para uma doença grave, o que o tornava mais suscetível a infecções do que a população em geral, informou o centro.
“Estão em andamento investigações para determinar se o vírus causou ou contribuiu para a morte do paciente, bem como a forma como a infecção foi contraída”, acrescentou o centro.
A vítima era um homem na faixa dos 60 anos que vivia na região de Lyon, no leste da França, informou o jornal local “Le Progrès”.
“Com base no conhecimento disponível sobre este vírus, nenhum risco à saúde da população em geral foi identificado até o momento”, declarou o governo.
O vírus Shamonda é transmitido por mosquitos do gênero “Culicoides” e é encontrado principalmente em bovinos, embora também tenha sido detectado em cavalos, alpacas, ovelhas e cabras, segundo a OMSA (Organização Mundial da Saúde Animal).
Ele não é classificado como uma doença sob a legislação de saúde animal da União Europeia e não está sujeito a medidas oficiais de vigilância ou controle.
Identificado na Nigéria em meados da década de 1960, o vírus Shamonda foi confirmado pela primeira vez na Europa no final de julho, após testes genômicos realizados em bovinos doentes no sul da Alemanha, na Suíça e no leste da França.
O boletim semanal de vigilância em saúde animal da França informou que o vírus também foi detectado na Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Eslovênia, Espanha e na ilha de Jersey (Reino Unido).
O vírus provoca diversos efeitos nos animais.
Um estudo realizado em nove fazendas leiteiras francesas constatou uma queda de até 75% na produção de leite; os bovinos afetados apresentaram diarreia, fraqueza, perda de apetite e, com menos frequência, febre, informaram as autoridades francesas de saúde animal.

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Pelo menos quatro pessoas morreram em decorrência de tempestades e inundações no sul da França, informaram as autoridades na noite de quarta-feira (21), enquanto as regiões do oeste se preparavam para a chegada de outra tempestade, vinda da Irlanda.
Dezenas de pessoas foram levadas para abrigos de emergência em Mouries e Saint-Martin-de-Crau — duas pequenas cidades situadas entre Montpellier e Marselha — e pelo menos uma pessoa ficou ferida, relataram as autoridades.
Estradas e linhas ferroviárias na região foram afetadas, escreveu o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, em uma publicação na rede social X.
Meteorologistas indicaram que as condições climáticas no sul devem se estabilizar.
No entanto, a agência meteorológica Météo-France informou que a tempestade Austen deve trazer ventos fortes ao noroeste do país, entre o final desta quinta-feira (22) e a sexta-feira (23).
Para as manifestações organizadas por estruturas como os sindicatos vão ser definidos trajetos alternativos. O objetivo, segundo o governo, é proteger os estabelecimentos comerciais.
Macron classificou os grupos de “ultraesquerda de extrema periculosidade”, acusando-os de pretender “derrubar a República”.
“Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que visam derrubar a República”, acusou o presidente francês, após reunião, no Palácio do Eliseu, com todos os serviços de informações.
A menos de 48 horas de nova mobilização na França, o governo procura atenuar a pressão acentuada pelo cenário de confrontos urbanos de 17 de outubro. “Firmeza” é a palavra mais ouvida nos corredores do poder em Paris.
Nos últimos dias, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, apelou aos partidos para que escolham “entre a violência e a República”, isolando nas críticas o partido de extrema-esquerda A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Lecornu convocou os partidos, prometendo “transparência” sobre as “dificuldades encontradas” na resposta aos acontecimentos de sábado.
Diante do balanço sobre roubos, furtos e estragos em cerca de 3 mil lojas, no último fim de semana, os comerciantes temem o que possa acontecer no sábado. “A preocupação é máxima”, resumiu Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes da França, em declarações à agência France-Presse.
As autoridades prometem dispositivo policial em larga escala para o próximo sábado, com recurso a veículos blindados e a várias unidades de elite.
Nas palavras de Macron, “a mão não deve tremer no topo do Estado”.
O recolher obrigatório voltou a ser imposto na noite dessa quarta-feira (21) em diferentes cidades, já tendo sido detidas pelo menos 174 pessoas.
*É proibida a reprodução deste conteúdo.
Os protestos não organizados por sindicatos “serão proibidos” no sábado (24) e nos próximos dias, anunciou o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (22), enquanto as autoridades tentam restabelecer a calma após manifestações no fim de semana evoluírem para os piores distúrbios no país em décadas.
“Qualquer pedido para realizar manifestações ou reuniões — especialmente aqueles feitos por indivíduos ou grupos sem legitimidade para isso — será proibido”, afirmou Macron após presidir uma reunião do conselho de segurança com a participação de ministros e serviços de inteligência. “Este não é o momento; nossa prioridade é o retorno à calma.”
Caso os sindicatos apresentem pedidos para realizar protestos, as autoridades irão analisá-los, mas oferecerão trajetos alternativos “para proteger os centros de nossas cidades — especificamente nossos estabelecimentos comerciais e edifícios públicos”, acrescentou Macron.
O principal sindicato estudantil da França, a UNEF, convocou novas manifestações para sábado, enquanto a CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, afirmou que participará dos protestos.
As autoridades francesas prometeram uma presença policial “maciça” nas ruas e impuseram toques de recolher localizados em algumas cidades ao longo desta semana, após enfrentarem críticas por não terem previsto a dimensão da violência no fim de semana passado.
Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França
Adversários políticos da centro-esquerda à direita se voltaram contra Jean-Luc Mélenchon e seu partido, LFI (França Insubmissa), acusando-os de alimentar a pior onda de distúrbios civis na França em anos.
Mélenchon, que lançou sua quarta candidatura à Presidência em maio e continua sendo a principal esperança da esquerda de chegar ao segundo turno da eleição do próximo ano, enfrenta críticas crescentes desde que os distúrbios atingiram várias cidades francesas. Seus opositores afirmam que anos de discurso confrontador contribuíram para aumentar as tensões que agora chegam às ruas.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu intensificou os ataques na terça-feira (20), dizendo a um parlamentar da LFI que a “agenda política de instilar violência e caos no país” do partido estava agora “totalmente exposta”.
O líder de 75 anos rejeitou as sugestões de que a LFI tenha responsabilidade pelos distúrbios. Em vez disso, acusou o governo de não enfrentar problemas sociais e econômicos profundamente enraizados nos subúrbios mais pobres da França.
Os ataques ressaltam tanto a posição central de Mélenchon na política francesa quanto o desconforto que ele provoca enquanto o país se aproxima de uma eleição presidencial que deve colocar forças antissistema cada vez mais fortes contra um centro político enfraquecido.
Os distúrbios reforçaram esse contraste, deslocando o foco para a esquerda e permitindo que Marine Le Pen, do partido de direita RN (Reagrupamento Nacional), adotasse um tom mais presidencial ao abordar a segurança pública, tema que tradicionalmente favorece seu espectro.
Ainda assim, com o cenário político francês fragmentado em três blocos rivais e os partidos tradicionais de centro-esquerda e centro-direita em dificuldades, analistas afirmam que Mélenchon continua sendo uma força política considerável.
A LFI construiu sua base de apoio mobilizando eleitores mais jovens, muitos dos quais se desiludiram com a política tradicional. Uma pesquisa do IFOP para a emissora LCI, publicada neste mês, colocou Mélenchon com 16,5% das intenções de voto, atrás dos 36% de Le Pen, mas à frente de todos os outros candidatos tradicionais.
Uma pesquisa do instituto Cluster17 constatou que quase metade dos jovens de 18 a 24 anos e mais de um terço dos eleitores de 25 a 34 anos apoiariam Mélenchon.
Isso fez dele uma voz importante para muitos estudantes envolvidos no movimento de protestos e nos distúrbios mais amplos que abalam a França nas últimas semanas.
No entanto, Frédéric Dabi, diretor do instituto de pesquisas IFOP, afirmou que os distúrbios podem reforçar uma das maiores fragilidades eleitorais de Mélenchon: sua dificuldade para conquistar eleitores mais velhos.
“A percepção de que Jean-Luc Mélenchon foi indulgente demais com os responsáveis pela violência é uma linha vermelha absoluta para uma grande parcela do eleitorado”, disse Dabi.
Ainda assim, o partido também construiu forte apoio em áreas urbanas mais pobres e entre muitos eleitores de origem imigrante, que se identificam com a visão de Mélenchon de uma “Nova França”: uma república multicultural que acolhe a diversidade étnica e religiosa e concede maior representação política a comunidades que frequentemente se sentem ignoradas.
Apoiadores afirmam que isso reflete realidades sociais, e não uma política baseada em identidade.
“É a síntese única entre um programa de ruptura revolucionária e o desejo de governar o país”, disse à Reuters o parlamentar da LFI Hadrien Clouet.
Segundo Clouet, isso significa combater a desigualdade e reverter décadas de transferência de riqueza para o setor financeiro e uma pequena elite oligárquica.
Críticos, porém, afirmam que a LFI frequentemente confunde os limites entre o protesto democrático e formas mais radicais de mobilização política.
Mélenchon recorre com frequência à linguagem de insurreição popular. Durante a crise das aposentadorias de 2023, pediu aos apoiadores que “derrubassem a cidadela” do governo do presidente Emmanuel Macron e, em algumas ocasiões, falou favoravelmente da “insurreição cidadã” como uma força democrática.
Apoiadores afirmam que essa linguagem se refere à mobilização política em massa, não à violência. O partido defende oficialmente ações não violentas.
A LFI e seus aliados argumentam que algumas acusações têm motivação política. Nesta semana, o veículo investigativo Mediapart informou, citando um agente de inteligência não identificado, que autoridades haviam recebido instruções para retratar a LFI como responsável pelo movimento de protestos, apesar do que a fonte descreveu como falta de provas. O governo negou a acusação.
Ainda assim, adversários afirmam que as mensagens de Mélenchon são frequentemente ambíguas de propósito.
“Eles dizem ser contra os vândalos, mas, ao mesmo tempo, justificam o uso de máscaras em manifestações”, disse Sylvain Maillard, do partido Renascimento, de Macron. “Nunca acalmam a situação. Sempre dizem que a culpa é da polícia. Eles querem o caos.”
O ex-presidente socialista François Hollande, no entanto, alertou contra a possibilidade de transformar Mélenchon no único foco do debate.
“Não foi um partido político ou uma pessoa que jogou combustível no fogo”, disse Hollande à rádio France Inter. Embora tenha criticado a LFI por, às vezes, estabelecer uma equivalência entre a violência dos manifestantes e a violência policial, ele afirmou: “Fixar-se na LFI é deixar de enxergar o que está acontecendo no país.”
Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França
As obrigações francesas, a 10 anos, atingiram na quarta-feira 21 de outubro um máximo de 24 anos quando ultrapassaram a barreira dos 5%. Um dos factores para esta escalada está ligada às dificuldades na aprovação de um Orçamento para o país, refere o The Guardian, a que se juntam os protestos nas ruas francesas, que já assumiram contornos violentos, e também o défice nas contas francesas.
E o spread [diferença] das obrigações francesas, face às alemãs [que são tidas como referência], atingiu os 157 pontos base, ficando próximo de níveis registados em 2011, salientou a Reuters.
O economista do banco ING, Charlotte de Montpellier, referiu, citado pelo Le Monde, que a perda de confiança representa agora o “maior” risco económico. “A subida das taxas de juro exacerba as condições financeiras já difíceis e provavelmente afetará ainda mais os investimentos e a atividade económica”, acrescentou.
Já o responsável pela estratégia de mercado da plataforma de negociação de moedas e pagamentos Ebury, Matthew Ryan, citado pelo The Guardian, referiu que os prolemas que se fazem sentir em França estão também a pressionar em baixa o euro. “O euro continua a ficar atrás da maioria das principais moedas, uma vez que o prémio de risco político em França dificilmente diminuirá em breve. Ainda não é claro se o orçamento de 2027 será aprovado pelo parlamento e, mesmo que assim seja, parece estar repleto de concessões tanto à esquerda como à direita, deixando o problema do défice sem uma solução adequada”, acrescentou.

Entre os líderes que falaram sobre a violência vivida em França estão Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que apontam a imigração como causa da instabilidade. Já o Presidente francês garante que a manipulação de informação levou a estes comentários "inaceitáveis"

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O mercado online de artigos em segunda mão, Vinted, removeu anúncios de produtos franceses saqueados e intensificou a verificação de anúncios “suspeitos”, numa tentativa das autoridades do país de impedir que bens roubados durante os protestos sejam vendidos online.
A Vinted afirma que as equipes tomaram “medidas imediatas para identificar e remover anúncios ligados aos saques”.
“A venda de produtos roubados, ou a solicitação dos mesmos, é estritamente proibida no Vinted, e temos tolerância zero para isso”, afirmou a empresa em comunicado, observando que “intensificou o monitoramento de anúncios suspeitos”.
Contas que violarem as regras poderão ser banidas permanentemente, afirmou a Vinted, acrescentando que está trabalhando com as autoridades policiais e francesas para “detectar e combater riscos emergentes e comportamentos maliciosos”.
A resposta surge num momento em que o governo francês intensifica a fiscalização dos mercados online, após relatos de que bens roubados durante os protestos no fim de semana apareceram a venda na internet.
Serge Papin, ministro francês para as Pequenas Empresas, disse no X que as autoridades convocaram uma reunião com operadores de mercados online e representantes dos ministérios do Interior e da Justiça.
Na terça-feira (20), ele afirmou que o governo obteve o compromisso das plataformas de detectar e remover anúncios de itens saqueados, e que também estava monitorando as vendas, alertando que qualquer pessoa que vender produtos roubados será rastreada e processada.
Grandes varejistas, incluindo grupos de luxo como Louis Vuitton e Rolex, e a varejista de cosméticos Sephora, foram atingidos pela violência, informou a Reuters.
Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França