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Portugal foi o país da União Europeia onde os preços das casas mais subiram desde 2020

23 October 2026 at 16:41

Os preços da habitação em Portugal aumentaram 41,5% entre 2020 e 2025 e 81,9% desde 2010, respetivamente a maior e a terceira maior subidas da União Europeia, segundo o Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

De acordo com dados estatísticos compilados pela FFMS para um novo conteúdo intitulado “Factualmente”, cuja primeira edição reúne dados sobre a habitação, entre 2020 e 2025 houve em Portugal um aumento de 41,5% nos preços da habitação, o maior incremento entre os 18 países da União Europeia que apresentaram subidas.

Recuando uma década mais, até 2010, o aumento dos preços da habitação no país atinge os 81,9%, o terceiro maior entre os 23 países que registaram crescimentos.

Já tendo por base o “Barómetro das Cidades” da FFMS, 66% dos portugueses inquiridos apontam a habitação como a grande prioridade para a intervenção pública e quase 80% rejeita a ideia de que é fácil encontrar habitação adequada a preço razoável.

Esta percentagem sobe para 82% e 88% nas áreas metropolitana de Lisboa e do Porto, respetivamente, sendo que, a nível nacional, 51% afirma que os custos com a habitação condicionam outras despesas.

Por sua vez, o “Barómetro da Habitação” da FFMS, datado de 2023, indicava que seis em cada 10 pessoas sentiam dificuldade em fazer face aos custos mensais com a habitação e que um em cada quatro inquiridos “já viu importantes decisões de vida condicionadas devido às dificuldades no acesso à habitação”.

Na altura, um em cada nove inquiridos temia perder a casa nos cinco anos seguintes e 34% afirmava não ter para onde ir caso tivesse de sair da casa onde vivia.

Os dados hoje compilados pela fundação dão ainda conta que, em 2025, foram construídas cerca de 27.000 novas casas em Portugal, mais 11% do que no ano anterior, mas “menos de um quarto do valor registado no início do século”, tendo a quebra mais acentuada na construção ocorrido “durante e após a crise iniciada em 2011, com uma redução anual de 35% em 2012 e 2013”.

Por sua vez, no livro “O Papel da Casa nas Finanças Pessoais”, da autoria de Ana Isabel Sá e publicado este ano pela FFMS, a ideia de que “Portugal é um dos países da zona euro com mais famílias a viver em casa própria” é desmontada como sendo “imprecisa”.

“Segundo o Eurostat, em 2024, 73% das famílias portuguesas moravam em habitação própria, o que, em comparação com a média da zona euro (65%), indica uma forte preferência pela aquisição de casa. No entanto, ao analisar o ‘ranking’ dos países com maior percentagem de famílias a viver em casa própria, verifica-se que Portugal ocupa apenas a 9.ª posição entre os 20 países da zona euro”, precisa.

Já “verdadeira” é a perceção de que “Portugal tem pouca habitação social quando comparado com outros países da zona euro”.

De acordo com a publicação, embora não existam dados oficiais sobre a percentagem de habitação social em cada país da UE, a estimativa da OCDE aponta Portugal como um dos países com menor percentagem (1% em 2021), apenas à frente da Lituânia.

Já considerado “falso” é o conceito de que, “atualmente, a maior motivação dos portugueses para a compra de casa é a preferência por habitação própria, independentemente de ser ou não um bom investimento”.

“De acordo com o ‘Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2020’, […] apenas 24% das famílias que compraram casa entre 2011 e 2020 indicaram preferência por casa própria independentemente do retorno financeiro”, sendo que “a maioria apontou motivos económicos: 39% indicaram que a prestação do empréstimo era menor do que o valor da renda e 36% consideraram a compra um bom investimento”.

A publicação da FFMS elenca ainda como “verdadeiros” os conceitos de que “a maior parte dos arrendatários preferiria comprar casa, mas não tem condições financeiras para o fazer” e de que “os jovens portugueses compram casa mais tarde do que as gerações anteriores”.

“Dados dos Censos de 2021 indicam que 42% dos jovens entre os 25 e os 34 anos (nascidos entre 1987 e 1996) tinham casa própria.

Na mesma idade, as gerações anteriores apresentavam uma percentagem de proprietários muito mais elevada: 61% para os nascidos entre 1977 e 1986, 70% para os nascidos entre 1967 e 1976 e 55% para os nascidos entre 1957 e 1966. A única exceção é a geração nascida entre 1947 e 1956, que registava 42% de proprietários para a faixa etária dos 25 aos 34 anos”, precisa.

Já como “imprecisa” é classificada a ideia de que “o problema da habitação poderia ser resolvido com a ocupação dos imóveis vagos”, tendo por base um estudo do Banco de Portugal segundo o qual “em alguns municípios localizados na área metropolitana do Porto, Grande Lisboa, Oeste, região de Aveiro e península de Setúbal, o número de imóveis vagos é relativamente reduzido face às pressões da procura”.

Ainda assim, o trabalho admite que, “para a maioria dos municípios, em teoria, seria possível diminuir essas pressões colocando os imóveis vagos no mercado de compra ou arrendamento”, embora “muitos destes imóveis” não possam ser colocados imediatamente no mercado “por necessitarem de obras de reabilitação, estarem associados a processos de heranças ou terem questões jurídicas pendentes”.

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Casas compradas por estrangeiros são quase 50% mais caras

23 October 2026 at 15:31
INE revela que compras de casas feitas por quem tem domicílio fiscal no estrangeiro (uma aproximação imperfeita de estrangeiros) são 47% mais caras em Lisboa e 38% no Porto.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Casas mais caras em Braga, Guimarães e Barcelos, mas ‘cidade-berço’ regista maior desaceleração do país

23 October 2026 at 13:01

Os preços da habitação aceleraram no segundo trimestre em 10 dos 24 municípios com mais de 100.000 habitantes, destacando-se Loures e Matosinhos com os maiores acréscimos. Guimarães regista a desaceleração mais acentuada, divulgou hoje o INE.

De acordo com as últimas “Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local” do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativas ao período de abril a junho, o município de Loures registou um aumento da taxa de variação homóloga de 9,7 pontos percentuais e Matosinhos de 9,5 pontos percentuais, enquanto Guimarães recuou 13,4 pontos percentuais.

Por sua vez, os municípios de Lisboa e do Porto registaram decréscimos de 8,9 e 5,4 pontos percentuais nas taxas de variação homólogas do primeiro para o segundo trimestre de 2026.

No período em análise, todos os municípios com mais de 100.000 habitantes da Grande Lisboa, Península de Setúbal e Área Metropolitana do Porto, com exceção de Santa Maria da Feira, registaram preços medianos de habitação superiores ao valor nacional (2.445 euros por metro quadrado) (€/m2).

Na Área Metropolitana do Porto, apenas Gondomar (22,9%) e Maia (18,8%), apresentaram taxas de variação homóloga superiores à nacional (18,4%), enquanto na Grande Lisboa, apenas Oeiras (13,0%) e Lisboa (8,9%) ficaram aquém do crescimento do país, tendo Odivelas igualado o valor nacional.

Na Península de Setúbal apenas o município de Almada (14,1%) apresentou uma taxa de variação homóloga inferior à do país.

O INE destaca os municípios de Lisboa (5.299 €/m2), Cascais (5.200 €/m2) e Oeiras (4.704 €/m2 ) com os preços medianos de habitação mais elevados, superiores a 4.500 €/m2.

Já o Funchal apresentou um preço mediano e uma taxa de variação homóloga superiores às nacionais (3.636 €/m2 e 24,2%), tendo Barcelos (2.000 €/m2 e 28,7%), Guimarães (2.060 €/m2 e 28,6%) e Braga (2.417 €/m2 e 21,6%) também superado a taxa de variação homóloga do país.

Tomando como referência as 156.713 vendas realizadas entre julho de 2025 e junho de 2026, Lisboa registou o preço mediano da habitação mais elevado entre os 24 municípios com mais de 100.000 habitantes, em ambas as categorias de domicílio fiscal do comprador: 5.143 €/m2 por compradores do território nacional e 6.588 €/m2 por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro.

Para além de Lisboa, também Cascais, Oeiras e Porto registaram, simultaneamente, preços medianos de alojamentos familiares superiores a 3.500 €/m2 em transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional e superiores a 4.350 €/m2 por compradores no estrangeiro.

Os municípios de Lisboa, Cascais, Oeiras e Porto distinguiram-se também por apresentarem os preços medianos mais elevados, entre os 24 municípios com mais de 100.000 habitantes, nas duas categorias do setor institucional do comprador consideradas.

Por sua vez, o município de Loures apresentou o maior diferencial de preços entre setores institucionais do comprador: 1.386 €/m2.

Entre julho de 2025 e junho de 2026, 22 dos 24 municípios com mais de 100.000 habitantes registaram preços medianos de alojamentos novos superiores aos preços dos alojamentos existentes.

As exceções foram a Amadora, onde o preço mediano dos alojamentos existentes foi superior em 576 €/m2 ao dos novos (3.360 €/m2 e 2.784 €/m2, respetivamente) e Santa Maria da Feira, onde foi superior em 2€/m2 (1.767 €/m2 os existentes e 1.765 €/m2 os novos).

Santa Maria da Feira registou o menor preço mediano de alojamentos novos e Lisboa (6.434 €/m2) e Cascais (5.260 €/m2) os valores mais elevados, superiores a 5.000 €/m2.

Já Lisboa apresentou o maior diferencial entre os preços de alojamentos novos (6.434 €/m2) e existentes (5.030 €/m2): 1.404 €/m2.

Entre os municípios com mais de 100.000 habitantes, o INE distingue ainda Cascais por apresentar o preço mais elevado na tipologia T4 ou superior (5.063 €/m2) e Lisboa com os valores medianos mais elevados nas restantes tipologias de alojamento consideradas.

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Preços das casas subiram 18,4% no segundo trimestre, diz INE

23 October 2026 at 11:03
Subida é desaceleração em relação à taxa de 19,8% que tinha sido registada no trimestre anterior, também em termos homólogos. No entanto, a subida dos preços acelerou em 10 dos maiores 24 municípios.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Municípios de Lisboa e do Porto registaram decréscimos de 8,9 pontos percentuais e 5,4 pontos percentuais nas taxas de variação homólogas

Corretores de imóveis ganham novas ferramentas de trabalho

22 October 2026 at 22:51

 

Uma pesquisa do Grupo OLX revela que 64% dos consumidores consideram o corretor indispensável na jornada imobiliária, embora cheguem cada vez mais informados às negociações.

Diante das novas exigências desse público, a companhia, responsável pelos portais OLX, ZAP Imóveis e Viva Real, reforçou sua parceria com os profissionais do setor durante a 13ª edição do Conecta Imobi, realizada nos dias 21 e 22 de outubro, em São Paulo, ao unir conteúdo e novas ferramentas voltadas à gestão de anúncios e ao atendimento dos clientes.

A pesquisa também revela o que os consumidores valorizam no atendimento. A honestidade aparece em primeiro lugar, citada por 58% dos entrevistados. Outros 43% afirmam que relatórios com comparativos e histórico de preços aumentam a confiança nas recomendações, enquanto 42% preferem corretores com conhecimento aprofundado da região onde o imóvel está localizado.

Com tantas informações disponíveis, o profissional precisa esclarecer dúvidas sobre financiamento, precificação e localização do imóvel, além de orientar decisões de compra ou locação. O acesso dos consumidores a ferramentas digitais amplia a importância de um atendimento técnico e consultivo, baseado no conhecimento do mercado e nas necessidades de cada cliente.

 

Capacitação e troca de experiências

Os dois dias do evento, que reuniu corretores, representantes de imobiliárias, incorporadoras e especialistas, foram dedicados a apoiar os profissionais nesse cenário, com mais de 100 painéis e palestras distribuídos em cinco palcos, além de espaços de relacionamento.

Na abertura, Olivier Aizac, CEO do Grupo OLX, destacou a importância da colaboração entre os diferentes participantes do setor.

“Ninguém, absolutamente ninguém, transforma um mercado sozinho. O mercado imobiliário é feito de conexões e quanto mais conectados estivermos, mais forte ele será. Juntos, evoluímos, e o Conecta Imobi é uma das maiores expressões dessa crença”, afirmou.

A programação foi organizada para contribuir com a qualificação dos profissionais, combinando conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais. Entre os temas abordados estavam ferramentas digitais, negociação e vendas, gestão de equipes e tendências do mercado imobiliário.

No painel sobre o futuro do financiamento imobiliário, representantes de instituições financeiras e especialistas discutiram as mudanças no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), as fontes de recursos e o impacto dos juros sobre a capacidade de compra das famílias. Já o debate sobre gestão de estoques reuniu representantes de incorporadoras para analisar estratégias comerciais que consideram o perfil dos compradores, a concorrência e as condições de financiamento, sem comprometer as margens dos negócios.

As novas demandas habitacionais também estiveram em discussão. Especialistas abordaram projetos voltados ao envelhecimento da população, à autonomia dos moradores e à convivência, enquanto outro painel examinou as oportunidades de transformar edifícios existentes por meio do retrofit.

A profissão de corretor ganhou espaço em uma conversa com jovens profissionais, que compartilharam experiências de uma geração que iniciou a carreira com ferramentas digitais incorporadas ao trabalho.

 

O papel do corretor na jornada imobiliária

Mesmo com o avanço dos recursos digitais, a compra ou locação de um imóvel continua envolvendo decisões que exigem orientação individualizada, como reforçou Rafael Nader, vice-presidente de Imóveis do Grupo OLX, ao relacionar a atuação dos corretores à realização de projetos pessoais e profissionais.

“Segundo o Sebrae, os dois maiores sonhos do brasileiro são conquistar a casa própria e ter o próprio negócio. E esses dois sonhos se encontram nesta plenária: vocês ajudam a realizar o primeiro e muitos aqui já realizaram ou buscam realizar o segundo”, afirmou.

Mais do que reafirmar a importância do profissional para a transação dos imóveis e fortalecer sua qualificação, o evento também apresentou novas soluções para tornar o dia a dia mais eficiente.

 

Essencialmente humano, mas com ajuda do digital

A tecnologia foi abordada como aliada não só nos paineis, mas também nos produtos apresentados para apoiar diferentes etapas do trabalho, desde a administração da carteira de imóveis até a identificação de oportunidades de negócio.

Entre as novidades do Grupo OLX estão recursos que combinam os dados obtidos por meio dos 6 milhões de anúncios disponíveis nas plataformas do Grupo OLX e inteligência artificial para orientar decisões comerciais e identificar imóveis compatíveis com o perfil dos interessados.

O Especialista PRO analisa os anúncios de uma imobiliária, cruza informações de oferta e demanda e recomenda ações para melhorar o desempenho das publicações. Entre as sugestões estão atualizações de preços e descrições, além da indicação de imóveis que merecem maior destaque.

Já o Lead Turbinado reúne informações sobre o comportamento dos interessados nos portais, incluindo regiões pesquisadas, características dos imóveis, filtros selecionados e preferência por compra ou locação. Com esses dados, identifica outras opções disponíveis na carteira do anunciante que correspondem ao perfil de cada cliente.

As duas ferramentas estão disponíveis aos mais de 20 mil clientes profissionais do Grupo OLX. A companhia também oferece a assistente virtual Izi, responsável pela triagem inicial de interessados, e o serviço de Garantia Locatícia, desenvolvido em parceria com a CredAluga.

Lilian Goldstein Ferraz, diretora de Produtos do Grupo OLX, apresentou durante o encontro a estratégia da companhia para os serviços destinados ao mercado profissional.

“Durante muito tempo, o valor de um portal foi medido pela quantidade de contatos entregues. Contatos continuam importando, mas o que o corretor quer é visita marcada e negócio fechado”, afirmou.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”.

17h. Governo aprova novas regras para desbloquear heranças

22 October 2026 at 17:15
A iniciativa do Governo passa por desbloquear heranças e libertar imóveis para o mercado. Ainda, em Paris, uma decisão judicial abriu caminho a uma manifestação estudantil, esta tarde.

Governo previa 3 leilões de imóveis do Estado, só um avançou

21 October 2026 at 18:05
Governo previa vender 16 imóveis em 2026, mas até agora só foi realizado um leilão onde foram alienados três. Receita das vendas deve ser aplicada "ao serviço da habitação pública”.

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

"Desumana é a lei atual", diz Pinto Luz em resposta ao PS

21 October 2026 at 11:55
José Luís Carneiro disse que a proposta de reformulação da lei do arrendamento é "desumana e injusta". Em entrevista ao Observador, ministro Pinto Luz culpa o PS pelos preços proibitivos na habitação.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

"Eu quero muito o entendimento com o Chega, com o PS, com o Livre, com todos os partidos da Assembleia da República", afirmou Pinto Luz.

A construção pode ser mais sustentável?

16 October 2026 at 10:13
João Crispim, Artur Varum e Ana Oliveira debatem como reduzir o impacto ambiental na construção e o papel do financiamento verde no setor imobiliário.

"É um tema. Falta de casas trava investimento em Portugal"

15 October 2026 at 17:16
Ricardo Amaro, economista português em Dublin, revela que crise no acesso à habitação está a levar investidores estrangeiros a recear trazer ao país o investimento de que necessita para "dar o salto".

© FOTOILUSTRAÇÃO INÊS CORREIA / OBSERVADOR

Ricardo Amaro é um economista português que vive há 10 anos em Dublin, na Irlanda, e trabalha para uma das mais influentes consultoras financeiras da Europa

PCP acusa Governo de agir como especulador imobiliário

15 October 2026 at 00:27
Paula Santos diz que medidas da AD agravam acesso à habitação e facilitam despejos. Chega e IL responderam a questionionar o património do PCP.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Governo da AD "prepara-se agora para facilitar ainda mais os despejos e aumentar a precariedade e a instabilidade no arrendamento, com aumentos exorbitantes em contratos antigos" diz Paula Santos

Como é que as lojas físicas continuam estratégicas?

13 October 2026 at 12:07
As lojas físicas estão longe de perder relevância. Mas o que esperam hoje os consumidores destes espaços? Veja o vídeo e descubra como a experiência pode fazer a diferença.

INCC pode encarecer imóvel na planta e gerar cobrança irregular

Comprar um imóvel na planta costuma ser uma forma de diluir o pagamento ao longo da obra. Mas um detalhe que passa despercebido para muitos consumidores pode fazer o saldo devedor crescer muito além da inflação e acrescentar dezenas de milhares de reais ao preço final do apartamento.

O ponto de atenção está no contrato com a incorporadora. Quando está prevista a incidência do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) indicador que acompanha a variação dos custos da construção durante a fase de construção, o índice é aplicado sobre o saldo devedor e pode elevar progressivamente o valor que o comprador ainda tem a pagar. A conta fica mais pesada quando a correção é mensal e incide sobre um saldo elevado por um período prolongado.

Além disso, uma cláusula aparentemente secundária pode fazer diferença relevante no valor pago ao longo do contrato e tem sido alvo de processos na Justiça: a periodicidade de aplicação do índice de correção.

Justiça considera irregular parcela residual em contrato

Uma decisão da Justiça de São Paulo de maio deste ano considerou ilegal a inserção de uma parcela de R$ 1.000 de um imóvel de R$ 1,28 milhão. O contrato previa correção mensal pelo INCC, com o fluxo principal de pagamentos terminando em 17 meses. A parcela residual de R$ 1.000, no entanto, foi colocada para quase dois anos depois da última parcela relevante.

Para o juiz Rafael Campedelli Andrade, da 5ª Vara Cível de Santo Amaro, a parcela não tinha função econômica compatível com o contrato e serviu para estender artificialmente o prazo de 36 meses exigido para a correção monetária mensal.

Na sentença, o magistrado afirmou que houve tentativa de burlar o prazo mínimo exigido pela lei e declarou nula a cláusula que previa a correção mensal. A incorporadora, neste caso, foi condenada a devolver em dobro a diferença entre os valores corrigidos mensal e anualmente.

O advogado Roberto Amaral, que representou o comprador na ação, afirma que a parcela residual era o principal indício da irregularidade.

“Essa parcelinha de R$ 1.000 destacada é um forte indício que está ali havendo uma cobrança irregular e deve ser encarada como um alerta”, diz.

Lei estabelece prazo mínimo para correção mensal

A legislação estabelece que a cobrança da correção monetária de forma mensal só é permitida em contratos imobiliários com prazo superior a 36 meses. Se o prazo real do contrato for inferior, o reajuste deve obrigatoriamente respeitar a periodicidade anual.

Porém, tribunais estaduais têm analisado ações de compradores que questionam contratos considerados artificialmente alongados.

Em dois julgamentos de setembro de 2025, a 34ª Câmara de Direito Privado analisou contratos com prazo inferior a 36 meses nos quais havia uma parcela residual de R$ 1.000 colocada depois de uma parcela muito maior. Em um dos casos, o contrato tinha valor de cerca de R$ 1,71 milhão, e a última parcela relevante era de R$ 400 mil. Em outro, o imóvel custava aproximadamente R$ 428 mil e a parcela anterior à residual era de quase R$ 320 mil.

Segundo o advogado Luiz Busta, especialista em direito imobiliário, essa irregularidade muitas vezes só é percebida após a entrega das chaves ou até mesmo depois da quitação total do imóvel, quando o comprador olha o histórico financeiro da transação, o que tem motivado diversas ações de revisão contratual e pedidos de restituição de valores pagos indevidamente no Judiciário.

Parcela de R$ 1.000 pode ser sinal de alerta

Amaral afirma que, no caso de Américo, a parcela residual de R$ 1.000 nem sequer permanecia efetivamente em aberto no momento do financiamento. O valor era incorporado ao saldo devedor informado pela construtora ao banco, embora continuasse previsto no contrato como uma parcela futura. Para o advogado, essa dinâmica reforçou a tese de que o alongamento do prazo tinha função apenas formal.

Segundo ele, o consumidor deve olhar principalmente o quadro de pagamento do contrato e identificar quando termina o fluxo relevante de parcelas e se existe algum valor residual muito pequeno colocado posteriormente.

Segundo o comprador que ganhou a causa em maio, que pediu para não ser identificado, a informação sobre a parcela residual estava na cláusula que trata das datas de pagamento das parcelas.

“No meu caso teve uma entrada, uma segunda parcela, o valor a ser pago por meio de financiamento em 2023 e então essa quarta parcela, de R$ 1.000, para ser paga dois anos depois”, contou.

O advogado especialista em direito imobiliário, Daniel Vicentini, diz que o consumidor costuma falhar em monitorar a evolução do saldo que fica sob a incidência do INCC durante as obras. Segundo ele, “o comprador concentra sua atenção apenas no valor inicial das parcelas e no preço total anunciado para o imóvel”.

“Embora o INCC seja previsto contratualmente, sua cobrança deve observar os limites estabelecidos na legislação e no próprio contrato. Em determinadas situações, especialmente quando há atraso na entrega do empreendimento ou cobranças realizadas de forma inadequada, o consumidor pode ter direito à revisão dos valores ou até mesmo à restituição de quantias pagas indevidamente”, diz Vicentini.

A avaliação depende das características de cada contrato. Uma parcela pós-chaves ou um prazo superior a três anos não significa sempre que há irregularidade. O comprador pode ter negociado um fluxo mais longo, por exemplo, para reduzir o valor das prestações durante a obra. A questão é saber se o prazo mais longo corresponde a uma negociação efetiva ou se foi criado apenas formalmente.

O que observar antes de fechar negócio

  • Qual é o prazo efetivo do contrato.
  • Quando ocorre a entrega das chaves.
  • Se existem parcelas muito pequenas concentradas no fim do cronograma.
  • Como será corrigido o saldo devedor.
  • Qual o impacto estimado do INCC sobre o valor final do imóvel. (Ana Paula Branco/FOLHAPRESS)

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Mais 36 Habitações para famílias do Concelho de Loulé

29 September 2026 at 06:23

Decorreu dia 24 mais uma sessão pública de sorteio de fogos habitacionais no concelho de Loulé, desta vez referente à atribuição de 36 casas para arrendamento acessível. No Salão de Festas de Loulé – e também online – foram muitos os que quiseram acompanhar, a par e passo, mais um momento importante da Estratégia Local de Habitação do Município de Loulé 2019-2032.

Num total de 285 candidaturas de agregados familiares e habitacionaios elegíveis, foram 36 os que ouviram o seu número ser chamado, num processo “transparente e equitativo”. Um momento de muita alegria para os sorteados já que permitirá uma renda com um valor abaixo dos preços atuais do mercado imobiliário. As habitações localizam-se na Urbanização Clona, em Loulé (34) e em Quarteira (2), nas tipologias, T1, T2, T3 e T4.

Este sorteio destinou-se fundamentalmente à classe média, a profissionais das forças e segurança, professores, jovens até aos 35 anos de idade e também famílias residentes no concelho há mais de 4 anos.

A maioria dos fogos (34) foram financiados pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.

O presidente da Autarquia de Loulé, Telmo Pinto, destacou a importância do direito à habitação enquanto “direito à dignidade” e sublinhou o esforço do Município para dar resposta às dificuldades habitacionais, informando que estão a ser preparadas novas soluções, desde logo as mais imediatas como o aumento do apoio ao arrendamento para mitigar o impacto das rendas elevadas, visando alcançar “400 a 500 famílias”.

Recorde-se que o trabalho desenvolvido desde 2019, no âmbito da Estratégia Local de Habitação, já permitiu aumentar o parque habitacional municipal de 280 para mais de 500 soluções. Entre casas já entregues, em construção ou projetadas, destacam-se: 387 em Loulé, 71 Quarteira, 18 em Salir, 18 no Parragil, 12 Boliqueime, 9 na Tôr, 8 em Almancil e 6 no Ameixial. Na reunião camarária de onte foi aprovada a construção de 7 fogos em Quarteira, e amanhã, na Assembleia Municipal, vai estar em aprovação o projeto para 56 novas habitações no concelho. “Queremos responder a todos, estamos focados em dar respostas em todo o território, do litoral ao interior”, disse ainda Telmo Pinto.

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