A Geração do Mandar Vir



Curso de 50 horas pretende valorizar o calçado tradicional algarvio e transmitir um saber-fazer artesanal a novos públicos.
O Loulé Criativo, projeto da Câmara Municipal de Loulé, em parceria com o CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, promove, entre 29 de outubro e 21 de novembro, o curso de formação certificada “Fabrico Manual de Sapato de Ourelo”, orientado pelo mestre sapateiro Fernando Gonçalves.
O sapato de ourelo é uma expressão singular do património artesanal algarvio, tradicionalmente associado às comunidades piscatórias e rurais da região. Produzido a partir de tiras de tecido, distingue-se pela conjugação de técnicas de construção de calçado e de tecelagem, sendo o sapato tecido diretamente sobre uma forma de madeira.
Mais do que recuperar uma peça de calçado tradicional, esta formação pretende despertar o interesse de novos públicos pelo universo da construção artesanal de calçado, um ofício que enfrenta atualmente importantes desafios de continuidade, nomeadamente a escassez de mestres e a reduzida renovação geracional.
Ao longo de 50 horas, os participantes terão oportunidade de aprender as diferentes etapas de construção do sapato de ourelo, desde a preparação dos materiais e da forma até à tecelagem, montagem, aplicação da sola e acabamentos finais.
A iniciativa insere-se na estratégia do Loulé Criativo de salvaguarda e valorização dos saberes-fazer tradicionais, procurando simultaneamente criar condições para o desenvolvimento de novas abordagens ao calçado artesanal, através do cruzamento entre tradição, criatividade e inovação.
A formação é gratuita e certificada, destinando-se a adultos com idade igual ou superior a 18 anos, empregados ou desempregados. Decorrerá no Palácio Gama Lobo, em Loulé, em horário pós-laboral às quintas e sextas-feiras, das 18h30 às 21h30, e aos sábados, das 10h00 às 18h00.
Informações e inscrições: loulecriativo.oficios@cm-loule.pt
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A conferência WoodGiants decorreu recentemente no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, reunindo especialistas internacionais em construção em madeira. Arquitectos, engenheiros e construtores de vários países e continentes preencheram o auditório do LNEC e uma sala contígua, numa adesão considerada invulgar.
Organizada pelo grupo CarmoWood, o evento apresentou alguns dos maiores edifícios em madeira já concluídos ou ainda em obra, tanto integralmente em madeira como em soluções híbridas. Entre os casos referidos estiveram o Mjøstårnet, na Noruega, com 85,4 metros de altura, o World of Volvo e o Sara Kulturhus, ambos na Suécia e com 75 metros, bem como um edifício híbrido de madeira e betão com mais de 160 metros.
Foi também apresentado o novo edifício-sede da Google em Londres, conhecido como Landscraper, um projecto com cerca de 330 metros de comprimento e onze pisos, concebido pelo Heatherwick Studio em parceria com o Bjarke Ingels Group. Trata-se do primeiro edifício projectado de raiz e detido pela Google fora dos Estados Unidos, com mais de 60 mil metros quadrados e capacidade para cerca de sete mil colaboradores.
Uma das intervenções mais referidas foi a de Pablo van der Lugt, autor de Tomorrow’s Timber, que abordou questões relacionadas com o carbono, a economia circular e o caso de negócio da madeira. O orador procurou desmontar alguns dos preconceitos mais comuns sobre o material, nomeadamente a disponibilidade de matéria-prima, a resistência, a durabilidade, o comportamento face ao fogo, o custo e a sustentabilidade.
No panorama português, a CarmoWood surge como uma das empresas de maior dimensão no sector, com cerca de 350 colaboradores, três unidades de produção no país e exportações para 50 países ao longo de quatro décadas de atividade.
Outras empresas nacionais têm vindo a intervir em projectos de referência. A Jular, com produção na Azambuja, participou no Costa Terra, em Melides. A Portilame, de Viana do Castelo, produziu o Treetop Walk da Fundação de Serralves. A Arolla forneceu CLT para o Aldea Comporta, na zona da Muda. A Kozowood Industries, descrita como uma das unidades fabrilmente mais avançadas do país, forneceu elementos para o hotel Tivoli no Golfe da Estela.
A construção híbrida de madeira e betão tem atraído investimento. O Grupo Casais aposta na solução CREE e o Grupo DST tem vindo a investir na industrialização do seu pólo de Braga.
A DST, através da Domingos da Silva Teixeira, lidera a Agenda Mobilizadora R2UTechnologies, um consórcio de 50 entidades dedicado à construção modular sustentável, com um investimento total de 177 milhões de euros, dos quais 95 milhões provenientes do PRR. O projecto deverá ficar concluído a 31 de Dezembro deste ano.
A próxima edição da WoodGiants está marcada para 29 de Outubro, em Madrid.





© JOSÉ COELHO/LUSA

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

© NUNO VEIGA/LUSA
VTM
A construção do novo ecocentro de Ribeira de Pena, que representa um investimento de cerca de 497.800 euros, já começou.
Segundo o município, esta obra constitui “uma aposta na sustentabilidade ambiental e na melhoria dos serviços disponibilizados à população”.
A obra foi adjudicada a 9 de junho e resultará numa infraestrutura destinada a “melhorar as condições de deposição, recolha e encaminhamento de resíduos no concelho, permitindo uma gestão mais eficiente dos materiais e contribuindo para a valorização dos recursos”.
O novo ecocentro permitirá depositar adequadamente diferentes tipos de resíduos, aumentando as taxas de reutilização e reciclagem e assegurando um encaminhamento mais eficiente dos materiais para valorização.
Segundo a autarquia, o projeto pretende também “incentivar a adoção de boas práticas ambientais pela população, sensibilizando-a para a importância da correta separação e deposição de resíduos”. A participação dos cidadãos é essencial para reduzir o impacto ambiental e promover hábitos mais sustentáveis.
Com esta obra, o município de Ribeira de Pena reforça a sua “capacidade de resposta às necessidades locais no domínio da gestão de resíduos, contribuindo para um concelho mais sustentável, eficiente e ambientalmente responsável”.
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A obra de construção do novo edifício da Unidade de Saúde Familiar de São Brás de Alportel está concluída. Falta agora o apetrechamento da infraestrutura com os equipamentos necessários à sua entrada em funcionamento.
Dado que a então Administração Regional de Saúde do Algarve não cumpriu com o estabelecido no acordo que definia caber à Tutela do Ministério da Saúde equipar a nova estrutura, aproximando-se a data de conclusão da obra sem qualquer procedimento a avançar, a Presidente da Câmara Municipal, Marlene Guerreiro tomou a iniciativa de propor ao Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS), Tiago Botelho, apresentar o município uma candidatura a fundos comunitários do programa Algarve 2030, com a parceria da ULS, para obtenção de apoio para a aquisição do equipamento, orçado em cerca de 308 mil euros, sem o qual não pode a unidade abrir ao público e servir a comunidade, como é o seu propósito.
“Apesar de não estar previsto este custo adicional que é muito significativo para a realidade do Município, a saúde dos são-brasenses é prioridade e não podíamos esperar mais, colocando em causa a abertura da unidade. Aguardamos a aprovação da candidatura, contamos já com um protocolo firmado com a ULS e agradecemos toda a colaboração que nos tem sido prestada pela CCDR Algarve neste processo”.
A conclusão da obra foi assinalada no dia 2 de outubro, com uma visita ao novo equipamento, que contou com a presença do Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde, Dr. Tiago Botelho, acompanhado pela Dr.ª Gabriela Peixoto e pelo Dr. Daniel Custódio, coordenador da Unidade de Saúde Familiar, acompanhado por alguns elementos da sua equipa; bem como os elementos do executivo municipal a tempo inteiro, do Presidente da Assembleia Municipal, Vítor Guerreiro, do Presidente da Junta de Freguesia, João Rosa; e também representantes da empresa responsável pela construção do edifício, Martins e Gago.
Com uma área de 745 m², a nova unidade representa um investimento total de 2.825.000 euros, contando com um financiamento de 2.217.000 euros através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O novo edifício dispõe de 14 gabinetes médicos, de enfermagem e de tratamento, sala de formação e sala polivalente, receção e sala de espera, copa, instalações sanitárias e balneários para funcionários, arrecadações e salas de resíduos, sala de informática, jardim interior e exterior e 49 lugares de estacionamento.
Durante o encontro, a presidente da Câmara Municipal, Marlene Guerreiro, destacou o empenho da empresa construtora, da Unidade de Saúde Local e da equipa técnica do Município, que tem sido inexcedível,
“Em breve, abriremos portas para que todos e todas as são-brasenses possam ter aqui qualidade e excelência para a sua saúde”, frisou.
“Espero que daqui a algum tempo estejamos cá mesmo com este espaço já vivo e recheado de pessoas e que isso possa ocorrer com a mesma velocidade e solidez com quem chegámos aqui a este momento”, afirmou Tiago Botelho no final da visita
Mais respostas de saúde para a comunidade
A transferência da Unidade de Saúde Familiar da Villa para as novas instalações permite, por sua vez, repensar e adaptar os espaços atualmente ocupados no Centro de Saúde, criando a oportunidade de reforçar a oferta de serviços de saúde disponíveis no concelho.
Foi precisamente esta uma das matérias abordadas no encontro de hoje, durante o qual o Município partilhou com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde as suas preocupações e projetos para o futuro da saúde em São Brás de Alportel.
Na ocasião, Marlene Guerreiro, reiterou também a defesa da readaptação do edifício do Centro de Saúde, que após a saída da Unidade de Saúde Familiar, deverá ser dotado de meios de diagnóstico, mais terapias, bem como outras respostas, ao nível da prevenção da maior relevância, nomeadamente nas áreas da cardiologia e da psiquiatria.
A Câmara Municipal está a preparar uma proposta de planeamento deste processo, propondo trabalho em parceria, procurando rentabilizar recursos e espaços, permitindo à população aceder a um conjunto mais alargado de respostas sem necessidade de se deslocar para fora do concelho.
O Município reiterou ainda a sua preocupação relativamente ao Centro de Medicina de Reabilitação do Sul, entre outras questões relacionadas com o reforço das respostas de saúde no território.
A conclusão da nova Unidade de Saúde Familiar representa, assim, o fim de uma importante etapa e o início de uma nova fase de investimento na saúde no concelho, com o Município empenhado em criar melhores condições para a prestação de cuidados e em aproximar novas respostas da comunidade.