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Novo quadro comunitário vai criar tensões entre Agricultura e Coesão

20 October 2026 at 18:48

A arquitetura do novo quadro financeiro plurianual vai criar tensões entre a agricultura e a coesão, de acordo com governantes próximos ao processo.

“A Europa não quer que haja uma boa relação entre Agricultura e Coesão”, gracejou o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, apontando que esta será uma das consequências das mudanças do novo QFP: coesão e agricultura dentro do mesmo plano”.

“Há aqui um problema”, corrobora o ministro da Agricultura. “De uma forma muito simpática o nosso excelente e competentíssimo secretário de Estado dizia que poderá haver aqui alguma tensão”, sublinhou José Manuel Fernandes, numa alusão à relação de amizade evocada anteriormente por Hélder Reis.

Ambos falavam no Parlamento, numa conferência sobre o próximo quadro financeiro plurianual (2028-2034) e recursos próprios, que decorreu esta terça-feira.

“O dinheiro para Agricultura e Coesão está todo junto: 31,6 mil milhões de euros. Ainda tem 900 milhões de euros para as migrações e mais de 900 milhões para o Fundo Social Climático. Portanto, vai haver aqui uma disputa. É evidente que vai haver uma disputa”, sublinhou o ministro da Agricultura.

Com base na sua longa experiência em negociações europeias, José Manuel Fernandes disse que “juntar o dinheiro é a melhor forma de esconder os cortes e poder chegar à Coesão e dizer ‘vocês ainda vão ter mais dinheiro porque se calhar a agricultura não executa’. E chegam à agricultura e dizem: ‘aquela malta da coesão tem a regra N+3 e nunca executa. Vocês podem executar o que eles não executam e há mais flexibilidade’. A Política de Coesão continua a ser fundamental para nós”, frisou.

“Teremos de sacrificar uma parte de um para promover o outro”, admitiu Hélder Reis, sublinhando que “há um conjunto de minudência que é preciso conhecer para poder repensar bem o futuro”.

O responsável defende que quando se fala em competitividade, fala-se em coesão. “Claro que são chavões diferentes, com implicações diferentes, em que muitas vezes, ter-se-á de abdicar de um ou sacrificar uma parte de um para se obter mais do outro. Há um trade-off entre eficiência e equidade, competitividade e promover eficiência”, explicou.

O ministro da Agricultura reiterou que Portugal já tem garantidos 7,4 mil milhões de euros para apoiar o rendimento dos agricultores e mais 2,5 mil milhões para o desenvolvimento rural. Mas José Manuel Fernandes admite a tentação no Governo de colocar projetos de abastecimento público de água nesta gaveta de 2,5 mil milhões, mas alerta que não vai deixar porque esse é um projeto de coesão.

A estes montantes poderão acrescer ainda os 1,6 mil milhões de euros que a proposta cipriota ‘angariou’ para Portugal, mas esse é um valor que ainda não está “certo”, sublinhou o antigo eurodeputado. Fechada está também a possibilidade de cada Estado-membro antecipar 45 mil milhões de euros destinados à agricultura, o que para Portugal significa poder usar 2,41 mil milhões logo de início.

José Manuel Fernandes apontou o dedo ao “fetiche de que em termos de pagamentos o Orçamento da União Europeu limitado a 1%” e criticou o facto de os frugais esquecerem que todas as regiões da Europa têm política de coesão com acesso Feder e Fundo Social Europeu (FSE), mas só aqueles que têm um rendimento nacional bruto de 90%, ou seja dez pontos percentuais abaixo da média europeia, podem aceder ao Fundo de Coesão.

Mas o ministro da Agricultura também alerta para o facto de as divergências entre regiões em Portugal poderem afinal estar a agudizar-se, porque há fundos da coesão a ser aplicados em zonas mais ricas. “Um dia destes, corremos o risco de fazer as contas e chegar à conclusão que usamos fundos da Política de Coesão e aumentamos as assimetrias regionais, em vez de as diminuirmos. Estar sempre a colocar recursos em zonas que por vezes são mais ricas só agravam os problemas porque aumenta a atratividade e não beneficia o equilíbrio de Portugal, que é aquilo que todos devemos defender”, concluiu.

O ministro está confiante de que se vai chegar a acordo sobre as regiões ultraperiféricas, porque não ter uma verba a elas alocada viola os tratados europeus. Para Portugal são 743 milhões de euros que atualizados ao deflator de 2%, aplicado no cálculo do novo quadro financeiro plurianual, se pode traduzir em 900 milhões de euros. “Estou convencido que estes 900 milhões de euros serão tidos em conta”, disse.

Num resumo do estado da arte das negociações, Hélder Reis explicou que, de acordo com o último trabalho feito pela presidência irlandesa, Portugal tem no primeiro pilar (agricultura e coesão) uma dotação que ronda os 35,2 mil milhões de euros, e que se “traduz um ganho nominal de 7,6% e uma perda de 5,7% quando comparado em termos reais”. “Em termos de dotação geral temos uma evolução nominal de 3,6%, uma quebra real de 9,2%. Esta quebra real é agora inferior à inicialmente prevista, porque em virtude das negociações a presidência do Chipre alocou uma parcela que ao nosso país deu mais de 1.500 milhões de euros para os países da coesão”, acrescentou.

TAP: Autarca de Beja diz existir estratégia para indústria aeronáutica na região

By: Lusa
20 October 2026 at 18:24

O presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, revelou que a estratégia em discussão para o concelho passa pela indústria aeronáutica, rejeitando que o concelho pudesse acolher a escola de pilotos anunciada para Tancos.

A posição do autarca surge após o anúncio do Governo, no passado dia 14, de que a proposta da Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital da TAP inclui um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém. Esta opção foi criticada, no dia seguinte, pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), que defendeu a instalação desta escola em Beja.

Numa publicação divulgada na rede social Facebook, na segunda-feira e consultada esta terça-feira pela agência Lusa, o autarca eleito pelo movimento Beja Consegue (que junta PSD, CDS-PP e IL), escreveu compreender o “desagrado” manifestado por muitos “com a decisão de instalar em Tancos a nova escola de pilotos associada à entrada da Lufthansa na TAP”.

Contudo, lembrou Nuno Palma Ferro, a Base Aérea n.º 11 (BA11), em Beja, é atualmente a unidade da Força Aérea Portuguesa (FAP) “com maior tráfego aéreo do país, com quatro esquadras e cinco frotas sediadas”, havendo ainda “a perspetiva de receber uma quinta”.

“O nosso espaço aéreo está muito ocupado e uma escola de pilotos, com atividade intensa e horários fixos, não é compatível com esta utilização”, argumentou. Por isso, continuou, para acolher a escola “Beja teria de abdicar de grande parte da sua base aérea”, o que “não é possível, nem estrategicamente desejável”.

Em contraponto, existe “uma estratégia, há muitos meses a ser discutida com parceiros, que centra a aposta [local] na indústria aeronáutica”, esclareceu. “É aí que Beja pode ser verdadeiramente estratégica para o país e é aí que temos de estar na primeira linha”, afirmou.

O autarca deu como exemplo a possível instalação no concelho de uma fábrica da brasileira Embraer, “já reconhecida como projeto de interesse público” pelo Governo e que, “a concretizar-se, poderá representar cerca de 300 postos de trabalho diretos”. “Se investimentos desta natureza forem para outras regiões, a Câmara Municipal de Beja far-se-á ouvir com toda a firmeza”, assegurou.

Nuno Palma Ferro escreveu ainda que, relativamente ao comunicado da CIMBAL, divulgado no passado dia 15, a Câmara de Beja, “apesar de ocupar a vice-presidência dessa entidade, não foi consultada e não se revê no seu conteúdo”.

Na sua publicação, o presidente da Câmara de Beja afirmou que, “durante demasiados anos, com diferentes governos (incluindo os do PSD) e executivos”, o país “não foi justo” para com a região. “Contudo, temos de saber exigir porque, quando reclamamos tudo por igual, perdemos credibilidade e foco. Escolher as nossas causas não significa desistir de outras, significa garantir que, quando Beja levanta a voz, é levada a sério”, concluiu.

A escolha de Tancos para acolher uma nova escola de pilotos da Lufthansa foi também criticada pelo deputado do Chega por Beja, António Carneiro, que considerou tratar-se de “uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito”.

Por sua vez, o deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, afiançou que a utilização permanente do espaço aéreo em Beja pela FAP não era “compatível com a utilização do aeródromo para a formação de pilotos com alta intensidade, por uma empresa como a Lufhtansa Tecnics”.

O assunto já levou inclusivamente o antigo presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio (PS), a revelar, na sua página na rede social Facebook, que, em julho de 2025, uma comitiva da Lufthansa deslocou-se à cidade, informando que pretendia instalar em Portugal uma escola de pilotagem.

“Quando reuni com o Grupo Lufthansa e os seus responsáveis por este investimento, percebi claramente que a sua preferência para esta escola recaía em Beja. Algo se passou, portanto, entre julho de 2025 e outubro de 2026”, afirmou o ex-presidente da autarquia alentejana.

Preço dos transportes públicos em Braga vai descer 25%, gratuitidade apontada para 2029

By: Lusa
20 October 2026 at 16:12

Os passes dos Transportes Urbanos de Braga vão ficar cerca de 25% mais baratos em 2027, naquele que é mais um passo no sentido da gratuitidade, que deverá acontecer até ao final deste mandato, foi anunciado esta terça-feira.

“Até ao final do mandato, durante os próximos anos, mas com muita probabilidade até ao final do mandato, vamos conseguir instituir o transporte público gratuito em Braga (…), a não ser que haja aí uma questão qualquer que eu não prevejo que venha a acontecer”, disse o presidente da Câmara, João Rodrigues, aos jornalistas, no final da reunião quinzenal do executivo.

Em 2026, o preço dos passes já sofreu um corte de 14%, estando para 2027 previsto um outro “à volta” dos 25%. “Não tenho o número certo, não tenho o número fechado, mas andará à volta dos 25%”, referiu.

O assunto dos preços dos transportes públicos foi levado a reunião pelo vereador do PS Pedro Sousa, que propôs um valor igual para os moradores da zona urbana e para os da periferia, ao contrário do que acontece atualmente, em que os que moram mais longe do centro pagam mais.

Para João Rodrigues, esta proposta não faz sentido, face à próxima gratuitidade dos transportes. Além disso, João Rodrigues frisou que o valor da redução do preço em cerca de 25% “será sempre superior ao da eliminação das duas coroas”.

Pedro Sousa contrapôs que, apesar disso, os residentes nas freguesias mais distantes do centro continuarão a pagar mais.

Dinamarquesa ‘energiza’ fábrica de Esposende com investimento de 50 milhões e 580 trabalhadores

20 October 2026 at 13:00

A gigante dinamarquesa NKT investiu cerca de 50 milhões de euros na expansão da produção de cabos de energia de média e alta tensão em Esposende, reforçando também em centena e meia o número de trabalhadores integrados na fábrica da antiga Solidal, que emprega agora um total de 580 pessoas neste concelho do distrito de Braga.

Comprada em junho de 2024 à Njord Partners numa operação avaliada, em termos de enterprise value, em 192 milhões de euros — o fundo de private equity tinha adquirido o negócio em 2019 –, a unidade industrial fundada em 1968, e que em meados dos anos 1990 passou a ser controlada a 100% pelo grupo Quintas & Quintas, produz cabos para tensões de 1 kV a 225 kV.

A conclusão deste investimento, que amplia a capacidade produtiva e introduz novas valências técnicas para “responder à forte procura de sistemas de cabos de energia impulsionada pela transição energética”, foi assinalada esta terça-feira pela empresa cotada na Nasdaq de Copenhaga, que emprega 6.500 pessoas a nível global e que no ano passado registou um volume de negócios de 3,6 mil milhões de euros.

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“Em pouco mais de dois anos, passámos da aquisição da Solidal [faturava 150 milhões de euros] à integração e expansão significativa da unidade. O reforço da capacidade produtiva e as novas valências técnicas aumentam a nossa capacidade de apoiar os clientes na expansão e modernização das suas redes elétricas, ao mesmo tempo que afirmam Esposende como uma parte importante da rede de unidades industriais da NKT na Europa”, destacou Carlos Fernandez, vice-presidente executivo e responsável pela área de distribuição da NKT.

Num contexto de “maior eletrificação, integração de energias renováveis e crescimento da procura de eletricidade”, o responsável da empresa nórdica, que opera a partir de mais de 30 localizações, sublinhou ainda o “compromisso de longo prazo” com Portugal, a valorização das competências e da tradição industrial que já existiam na unidade minhota e o facto de “contribuir para o papel do país na cadeia de fornecimento europeia de cabos elétricos”.

Investimento aumenta a nossa capacidade de apoiar os clientes na expansão e modernização das suas redes elétricas e afirma Esposende como parte importante da rede de unidades industriais da NKT na Europa.

Carlos Fernandez

Vice-presidente executivo e responsável pela área de distribuição da NKT

Numa mensagem transmitida em vídeo, o ministro da Economia e da Coesão Territorial relevou a importância desta aposta “também para o futuro industrial de Portugal e para a transição energética da Europa”. “É o tipo de investimento que queremos atrair e reter. Queremos uma economia industrial competitiva, aberta ao investimento internacional, fortemente ligada às cadeias de valor europeias e cada vez mais capaz de combinar produção industrial, tecnologia, inovação e sustentabilidade”, referiu Manuel Castro Almeida.

Continental Mabor constrói centro tecnológico com 500 trabalhadores em Famalicão

20 October 2026 at 12:55

A gigante alemã Continental Mabor vai avançar para a construção de um novo centro de competências tecnológicas no complexo industrial localizado em Lousado, no concelho de Vila Nova de Famalicão, onde produz anualmente mais de 18 milhões de pneus.

Este novo espaço da quarta maior exportadora portuguesa vai juntar cerca de 500 colaboradores de áreas tecnológicas e “proporcionar um ambiente de trabalho moderno, concebido para promover a colaboração, a investigação, a engenharia e a especialização digital”.

Segundo a informação partilhada pelo grupo e pela autarquia, “este investimento representa um importante passo para o desenvolvimento da empresa e para a dinamização económica da região, encontrando-se atualmente o projeto em fase de terraplanagem”.

A cerimónia que assinala o arranque das obras está agendada para esta quinta-feira, 22 de outubro, nas instalações da empresa que iniciou a atividade em 1946 como Mabor e que em 1990 foi integrada no Grupo Continental, tendo recentemente atingido ali a produção do seu pneu número 450 milhões.

O grupo alemão emprega atualmente mais de 3.800 pessoas em Famalicão, distribuídas por quatro empresas integradas no negócio de pneus: Continental Mabor, Continental Solutions Center, Continental Pneus Portugal e Continental Indústria Têxtil do Ave.

Pedro Carreira, presidente da Continental Mabor Portugal, em entrevista ao ECORicardo Castelo/ECO

Em junho, a multinacional alemã, que tem feito grandes investimentos ao longo dos últimos anos na fábrica de Lousado e que em Portugal é liderada por Pedro Carreira, garantiu ao ECO que tem “vários investimentos em curso, uns iniciados já no ano passado e que [pretende] continuar” a investir no Norte de Portugal.

Na mesma altura, assinou um memorando de entendimento com o município de Famalicão e a Escola Profissional Tecnológica do Vale do Ave (FORAVE), uma instituição que “desempenha um papel fundamental na preparação de jovens talentos para a indústria moderna, oferecendo formação em automação, robótica, manutenção industrial, eletrónica e mecatrónica, entre outras áreas”.

Projeto de capacitação em IA para micro e PME arranca na região de Leiria com 50 participantes

20 October 2026 at 12:09

O projeto-piloto de capacitação em inteligência artificial (IA) para micro, pequenas e médias empresas (PME) arrancou esta terça-feira em Leiria, abrangendo nesta primeira fase cerca de 50 trabalhadores.

Promovida pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), em parceria com a NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, a iniciativa será desenvolvida pela Shaken Academy e pretende ajudar os participantes a integrar ferramentas de IA no trabalho diário, através de exercícios práticos orientados para as necessidades das empresas.

Integrado no projeto “PME Digital+”, o programa terá duas edições, envolvendo um total de 100 participantes. A formação incidirá sobre a utilização de soluções de inteligência artificial generativa e a sua aplicação em contexto empresarial, incluindo a automatização de tarefas, a análise de dados e a produção de conteúdos.

“A tecnologia não é um fim em si mesma. A transformação digital deve traduzir-se em mais crescimento, mais valor, produtos e serviços inovadores e emprego mais qualificado”, afirma o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, citado em comunicado, salientando que “a inteligência artificial representa uma das maiores oportunidades de transformação económica das próximas décadas”.

Além da componente prática, o projeto prevê a recolha e partilha de metodologias e exemplos de utilização de IA que possam ser aproveitados por outras empresas. A iniciativa servirá também para avaliar os resultados deste modelo de formação intensiva e perceber em que medida poderá ser alargado a outras PME.

O objetivo é que este projeto-piloto abra caminho a um programa de maior dimensão, que pretende formar cerca de 100 mil trabalhadores de micro e pequenas empresas em todo o país ao longo de três anos, acelerando a adoção de ferramentas de inteligência artificial no tecido empresarial português.

Espanhol Banca March chega a Portugal em 2027 com centro de negócios em Lisboa

20 October 2026 at 11:38

O banco espanhol Banca March vai iniciar operações em Portugal no início do próximo ano, com a abertura de um centro de negócios na Praça Duque de Saldanha, em Lisboa, no âmbito de uma estratégia de expansão internacional assente numa nova filial no Luxemburgo.

Em comunicado, a instituição financeira, especializada em banca privada e aconselhamento a empresas, anunciou que vai começar a operar com licença bancária própria no Luxemburgo a 1 de janeiro de 2027. A atual sucursal, aberta no Grão-Ducado em 2012, passará a filial, que servirá de base “operacional, jurídica e estratégica” para o crescimento do banco fora de Espanha.

A presença em Portugal será assegurada através de uma sucursal dependente da nova filial luxemburguesa. Segundo o banco, esta estrutura permitirá reforçar a “capacidade de desenvolvimento” e a “distribuição internacional” de produtos de investimento, incluindo ao abrigo do enquadramento regulamentar europeu aplicável aos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (UCITS).

O Banca March pretende também alargar a “oferta de produtos de investimento alternativo” e os “canais de comercialização das [suas] soluções de coinvestimento”, que permitem aos clientes investir nos mesmos produtos que a própria instituição.

A instituição espanhola não adianta, no comunicado, o montante do investimento previsto para a operação em Portugal, nem o número de trabalhadores que pretende contratar para o centro de negócios de Lisboa.

Luxemburgo como plataforma de expansão

A transformação da operação no Luxemburgo numa filial com licença bancária própria é apresentada pelo Banca March como um passo estratégico para reforçar a sua presença internacional, através de crescimento orgânico e de possíveis integrações.

“Trata-se de um movimento estratégico de grande alcance para o Banca March”, afirmou José Manuel Arcenegui, presidente do Banca March Luxemburgo, citado no comunicado. O responsável defende que a nova estrutura permitirá levar a outros mercados o modelo de negócio do banco, assente na solvência, especialização e acompanhamento local.

A expansão será apoiada pela plataforma tecnológica desenvolvida pelo centro de alta especialização do banco, situado em Palma, nas Ilhas Baleares. A infraestrutura permitirá ainda integrar as posições financeiras dos clientes e disponibilizar uma visão global do património, bem como capacidades operacionais em diferentes jurisdições.

O Banca March, que se apresenta como o único banco espanhol com capital integralmente familiar, celebra este ano o seu centenário. A instituição pretende reforçar a oferta de serviços de banca privada e patrimonial, respondendo à procura de aconselhamento e de oportunidades de investimento em mercados internacionais.

Direito à manifestação “nunca esteve em causa” na cidade do Porto, garante Pedro Duarte

20 October 2026 at 09:49

O presidente da Câmara Municipal do Porto garantiu esta terça-feira que “o direito à manifestação não pode estar em causa na cidade do Porto e nunca esteve”, mas alertou para a necessidade de os protestos decorrerem “dentro do quadro democrático em que vivemos”. Em declarações às televisões, horas depois de o protesto se ter desmobilizado da Praça D. João I perante a ameaça de intervenção policial, Pedro Duarte afirmou esperar que “às sete da tarde tudo esteja resolvido” — hora em que se prevê o regresso dos manifestantes àquele espaço público.

Esta madrugada, no Porto, o grupo que estava há uma semana acampado na Praça D. João I em protesto pela falta de habitação, decidiu desmontar o acampamento perante a ameaça de uma intervenção policial. A situação foi idêntica ao que aconteceu na cidade de Lisboa, com a PSP a efetuar um ultimato aos presentes, exigindo a retirada das dezenas de tendas e ameaçando com a detenção dos resistentes. Ao contrário do que ocorreu no Porto, em Lisboa foi necessária a intervenção policial para quebrar um cordão humano.

“Nós vivemos com regras dentro de um Estado de Direito democrático. Tenho ouvido algumas pessoas confundir um pouco o direito à manifestação com estar aqui em causa uma causa justa — que eu também considero: é uma causa muito justa. Mas o direito à manifestação não existe porque a causa é justa. Mesmo se considerássemos que a causa era muito injusta, o direito à manifestação mantinha-se”, explicou o autarca.

Todavia, Pedro Duarte alertou para a necessidade de manter os protestos dentro do que é o quadro legal em vigor: “No que diz respeito ao cumprimento da lei e do Estado de Direito democrático, eu serei intransigente.”

Nós dissemos que queríamos, evidentemente, a praça libertada. A forma como isso foi feito já não passa pela Câmara Municipal do Porto”

Pedro Duarte

Presidente da Câmara Municipal do Porto

Assembleias populares sem “qualquer legitimidade”

Dito isto, o autarca admitiu que a Câmara manifestou interesse em que a praça fosse desocupada: “O meu papel aqui é libertar a praça para usufruto de todos e não permitir que a praça seja ocupada por alguns. É aí que a câmara intervém. Nós dissemos que queríamos, evidentemente, a praça libertada. A forma como isso foi feito já não passa pela Câmara Municipal do Porto”, avançou o presidente da Invicta.

Pedro Duarte também afirmou não reconhecer “qualquer legitimidade democrática a assembleias populares”, pois “isso não existe”. Já antes, tinha acrescentado que “o poder local autárquico é uma grande conquista de Abril”.

“Tudo o que seja dentro do quadro democrático em que vivemos é tudo muito bem vindo. E nós, enquanto responsáveis públicos, todos nós, e a sociedade no geral, não podem deixar de ouvir aquilo que é dito pelos manifestantes, nomeadamente quando têm soluções e propostas concretas para a resolução desses problemas”, continuou, afirmando não ter ainda recebido “nenhuma resposta do movimento” à sugestão para a realização de “uma reunião” na Câmara Municipal.

O ex-ministro de Luís Montenegro garantiu também estar “com seriedade a querer resolver o problema da habitação”, salientando que é para isso “apenas” que quer “ouvir os manifestantes”. “Não contribuo para circos mediáticos nem para manobras de diversão de alguns extremistas mais radicais que, eventualmente, possam estar a liderar esses movimentos, possam estar a deturpar uma causa justa e que eu sinto que é defendida por muita gente na cidade e no país”, indicou.

Por fim, Pedro Duarte admitiu que a resposta ao pedido para prolongar a manifestação até ao final do ano está a ser analisado pelos “serviços jurídicos” da autarquia. “Admito que ainda durante o dia de hoje tenham essa resposta”, indicou.

Startup portuguesa usa inteligência artificial para ler faturas linha a linha

20 October 2026 at 07:08

Quatro portugueses e a vontade de desenvolver uma solução que facilitasse o trabalho dos contabilistas certificados. Foi esta a receita para a criação do Kangaroo Files. Uma startup que, mais do que um arquivo digital legal, usa a inteligência artificial (IA) para ler as faturas linha a linha, sejam elas carregadas diretamente na plataforma ou enviadas por Whatsapp, preparando o seu lançamento e libertando estes profissionais de tarefas rotineiras que retiram tempo para exercerem a sua verdadeira função: serem parceiros estratégicos das empresas.

Foi há três anos que o Kangaroo Files foi criado. No início, o objetivo era resolver um problema de comunicação. “Os contabilistas trabalhavam muito e os clientes achavam que só mexiam em papeis, tratavam das faturas, e não percebiam porque é que a avença era tão elevada”, começa por explicar ao EContas Leonardo Domingues, CEO da startup e também um dos quatro fundadores: dois formados em Finanças pela Universidade Politécnica do Cávado e do Ave (UPCA) e dois em Ciências pela Universidade do Minho.

Leonardo Domingues, CEO do Kangaroo Files

“Resolvemos atacar esse problema com a criação de uma área de cliente onde os clientes podiam disponibilizar a documentação diretamente para o contabilista, poupando telefonemas e emails, e o contabilista ao longo do ano vai preenchendo a área de cliente com o que anda a fazer. O cliente acaba por ver em tempo real o trabalho que o contabilista está a fazer. Desenvolvemos isto e tivemos um enorme sucesso. Tínhamos clientes em Lisboa, Porto, Algarve, Évora”, continua o responsável. Acabaram por ir mais longe.

“A área de cliente trata de toda a documentação da empresa que não é faturação. Mas depois existe na lei portuguesa o arquivo digital legal para as faturas que permite desmaterializá-las. E pensámos: a IA está cá para ajudar neste tipo de situações. Acabámos por desenvolver um arquivo digital legal em que a IA ajuda a extrair informação dos documentos e com essa informação começámos a automatizar processos da contabilidade”, detalha Leonardo Domingues. Este é o produto atual desta empresa que tem os contabilistas certificados como clientes e que, por sua vez, a incorporam nas empresas com que trabalham.

Existe na lei portuguesa o arquivo digital legal para as faturas que permite desmaterializá-las. E pensámos: a IA está cá para ajudar neste tipo de situações. Acabámos por desenvolver um arquivo digital legal em que a IA ajuda a extrair informação dos documentos e com essa informação começámos a automatizar processos da contabilidade.

Leonardo Domingues

CEO do Kangaroo Files

Do contabilista para as empresas

“O contabilista tem a sua carteira de clientes e começa a instalar a solução dentro do gabinete. Aquele processo de digitalização de cada cliente é feito dependendo do ritmo que o contabilista quiser e da vontade de digitalização de cada um dos clientes”, diz o CEO do Kangaroo Files, revelando que alguns destes profissionais têm carteiras com mais de 1.000 clientes.

De acordo com o responsável, o que difere esta solução de outras no mercado é o facto de a IA ajudar a ler as faturas linha a linha, classificando automaticamente cada uma das despesas. Quando há dúvidas, recorre sempre ao contabilista certificado, aprendendo e evoluindo de acordo com as suas indicações.

“Um contabilista quando está a fazer um lançamento contabilístico está – simplificando – a pegar numa despesa e a classificá-la. A forma como a maior parte dos softwares de contabilidade funciona é que permitem dizer assim: tudo o que vier deste fornecedor vamos assumir uma classificação. Por exemplo, somos um restaurante. Vou assumir que tudo o que vem da Makro é matéria-prima. Já dá uma ajuda aos contabilistas porque 99% das faturas da Makro vão ser matéria-prima. Onde perdem tempo é com a possibilidade de uma dessas faturas ter lá, por exemplo, um forno ou uma panela. Se em mil faturas pode haver uma que tenha um forno, os contabilistas vão ter de ver as mil”, refere.

Onde é que esta solução entra? “Ao ler linha a linha e ter uma IA que percebe a atividade da empresa, vai avisar o contabilista. O contabilista chega ao programa, vê 999 faturas a verde e uma amarela. Só tem de ir ver essa e poupa tempo. Além de termos a IA a avisar, também sugere uma classificação”, continua Leonardo Domingues.

Esta plataforma, que tem um fee mensal de 59,90 euros a que se soma um valor adicional por cada cliente dependendo do número de documentos que passa pelo programa, permite ainda tirar uma fotografia às faturas e enviar diretamente por Whatsapp. De acordo com o responsável, “há um número de telefone do Kangaroo. Os empresários tiram uma fotografia à fatura e enviam para o Kangaroo como se fosse uma mensagem. Vai diretamente para o programa, que identifica a informação da fatura, extrai a documentação toda, prepara o lançamento e o contabilista chega lá e já tem o documento e o lançamento prontos. Basta clicar para aprovar. Os empresários conseguem usar a plataforma sem terem de entrar nela”.

Ao ler linha a linha e ter uma IA que percebe a atividade da empresa, vai avisar o contabilista. O contabilista chega ao programa, vê 999 faturas a verde e uma amarela. Só tem de ir ver essa e poupa tempo. Além de termos a IA a avisar, também sugere uma classificação.

Leonardo Domingues

CEO da Kangaroo Files

Crescer para alcançar até 1.500 empresas

A maior procura de novos clientes por esta solução, bem como a integração gradual de clientes já existentes, está a fazer com que a startup esteja a dar passos para desenvolver o software, aumentando a sua capacidade para analisar mais documentos. “Estamos a preparar-nos informaticamente para quando chegar a dezembro termos cerca de 250 mil documentos por mês a passar pela IA. Atualmente, diria que estamos com 100 mil documentos por mês”, detalha Leonardo Domingues.

Esta evolução acontece numa altura em que o “Kangaroo já é utilizado por gabinetes de contabilidade no tratamento da documentação de mais de 600 empresas” e tem como objetivo “alcançar as 1.000 a 1.500 empresas até ao final do ano”, com o CEO a apontar mais para o topo do intervalo. “A maior parte das empresas já reconhece que não devia ser a norma guardar capas, tanto do lado do contabilista como do lado dos empresários”, realça, notando também uma maior abertura por parte dos contabilistas certificados para adotar este tipo de solução criada tendo em conta os riscos associados à utilização das novas tecnologias.

O Kangaroo já é utilizado por gabinetes de contabilidade no tratamento da documentação de mais de 600 empresas e temos como objetivo alcançar as 1.000 a 1.500 empresas até ao final do ano.

Leonardo Domingues

CEO do Kangaroo Files

“A IA é sempre utilizada dentro de uma estrutura de revisão. Vai ser tudo feito de forma determinística e a IA vai rever e dar a sua opinião e chamar, ou não, a atenção ao contabilista. Não podemos dar-nos ao luxo de termos um falso positivo, que é dizer que está tudo bem e não está. Temos de criar um equilíbrio entre a natureza probabilística da IA e um sistema determinístico. E conseguimos esse equilíbrio”, garante, revelando que é também com a ajuda das novas tecnologias que estão a desenvolver um software para as empresas que recebe faturas, extrai as informações e coloca-as no programa de faturação.

“As empresas também sentem necessidade de reduzir o trabalho manual no que se refere a colocar as faturas dentro do software. É um trabalho manual que ainda se faz e nós estamos na posição para o automatizar”, conclui.

TAP. Ex-autarca de Beja revela contacto da Lufthansa em 2025 sobre escola de pilotos

By: Lusa
19 October 2026 at 16:54

Uma comitiva da Lufthansa, empresa vencedora da privatização da TAP, reuniu-se em 2025 com a Câmara de Beja para avaliar a possibilidade de instalar uma escola de pilotos na cidade, indicou o ex-presidente do município.

A revelação foi feita pelo agora vereador do PS Paulo Arsénio, que liderou a Câmara de Beja entre 2017 e 2025, após o anúncio do Governo, no passado dia 14, de que a proposta da Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital da TAP inclui um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém.

Numa nota publicada na sua página pessoal no Facebook, consultada pela agência Lusa, Paulo Arsénio revelou ter recebido, a 18 de junho de 2025, um “e-mail muito particular”, assinado por Maximilian Kiewel, responsável da Lufthansa pela Política de Defesa e Relações com a NATO.

Segundo Paulo Arsénio, Kiewel indicou na mensagem “que Beja era uma solução de excelência para uma escola de pilotos de nova geração da Força Aérea Alemã (formados atualmente pela Lufthansa), bem como da NATO“.

O responsável da Lufthansa, acrescentou o socialista, disse também “que acreditava que o projeto seria, a médio e longo prazo, uma tremenda mais-valia para Beja […], nomeadamente com a possibilidade de criação de muitos novos postos de trabalho”.

Quase um mês depois, a 16 de julho de 2025, uma comitiva da Lufthansa, liderada precisamente por Maximilian Kiewel, foi recebida na Câmara de Beja, onde anunciou que pretendia instalar em Portugal uma escola de pilotos ou, “na prática”, duas.

“Uma para formação de pilotos militares da NATO, que começaria com pilotos alemães, numa fase inicial, e que progressivamente se estenderia a pilotos de vários países”, e, por outro lado, “uma escola, de menor dimensão, para treinos de pilotos da Lufthansa“, escreveu Paulo Arsénio.

Segundo o antigo presidente da câmara, “a Lufthansa veio, como cortesia, informar-nos que Beja era uma forte possibilidade para instalação destas valências”.

Por isso, Paulo Arsénio manifestou-se agora “surpreendido” com a escolha de Tancos para acolher a nova escola de pilotos da Lufthansa em Portugal, embora reconheça que não são permitidas escolas de pilotagem na Base Aérea n.º 11, Beja.

“Porém, esta ‘escola de pilotagem’, caso tivesse sido instalada em Beja, seria totalmente diferente das demais”, porque “seria uma escola vocacionada, em primeiro lugar, para a formação de pilotos da área militar” e, depois, “iria abranger o universo NATO”, argumentou.

Na nota que publicou nas redes sociais, Paulo Arsénio considerou “importante saber quem tomou a decisão de Tancos em ‘desfavor’ de Beja e com que argumentos”. “Quando reuni com o Grupo Lufthansa e os seus responsáveis por este investimento, percebi claramente que a sua preferência para esta escola recaía em Beja. Algo se passou, portanto, entre julho de 2025 e outubro de 2026”, frisou o ex-presidente.

O investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no âmbito da privatização da TAP, foi igualmente questionado, na semana passada, pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

“A opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo e, evidentemente, mais um contributo para desvalorizar estrategicamente e de forma clara o Aeroporto de Beja”, disse à Lusa o presidente da CIMBAL, António José Brito.

Também o deputado do Chega por Beja, António Carneiro, criticou a escolha de Tancos para acolher uma escola de pilotos em detrimento da região, considerando tratar-se de “uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito”.

Por sua vez, o deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, afiançou que a utilização permanente do espaço aéreo em Beja pela Força Aérea Portuguesa não era “compatível com a utilização do aeródromo para a formação de pilotos com alta intensidade, por uma empresa como a Lufhtansa Tecnics”.

“A Bolsa Vila Verde + Superior nasceu da preocupação em apoiar quem pretende prosseguir estudos superiores”

19 October 2026 at 14:52

Criar oportunidades para os jovens e investir no seu desenvolvimento pessoal e cultural são os objetivos de dois projetos do Município de Vila Verde distinguidos na 7.ª edição do Prémio Autarquia do Ano – Grupo Mosqueteiros. A Bolsa Vila Verde + Superior procura garantir que as dificuldades económicas não condicionam o acesso ao ensino superior, enquanto o FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro aproxima crianças e jovens das artes, estimulando a criatividade e o gosto pela expressão teatral. Com estas iniciativas, o município pretende reforçar a igualdade de oportunidades e promover a educação e a cultura como pilares do desenvolvimento da comunidade.

O que representa para a vossa autarquia ter sido distinguida no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros?

Para o Município de Vila Verde, receber duas distinções no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros representa um motivo de enorme satisfação e orgulho, sobretudo pelo significado dos projetos reconhecidos e pelo impacto que procuram gerar na comunidade.

Por um lado, a Bolsa Vila Verde + Superior traduz a preocupação em criar melhores oportunidades para os jovens prosseguirem os seus estudos e concretizarem os seus objetivos. Por outro, o FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro de Vila Verde demonstra a aposta na cultura como espaço de aprendizagem, criatividade e descoberta, aproximando as novas gerações das artes e da expressão teatral.

São dois prémios que reconhecem áreas distintas, mas que partilham uma mesma essência: investir nas pessoas e criar condições para que cada geração possa construir o seu próprio caminho.

Recebemos este reconhecimento não como um ponto de chegada, mas como um incentivo para continuar a fazer mais e melhor por Vila Verde. Porque o desenvolvimento de um município não se mede apenas pelas obras que realiza, mas também pelas oportunidades que proporciona, pelos horizontes que abre e pelo futuro que ajuda a construir para a sua comunidade.

Quais foram as razões e necessidades que estiveram na origem do(s) projeto(s) distinguidos?

Na origem dos dois projetos distinguidos estiveram necessidades concretas e uma visão comum: criar melhores oportunidades para as pessoas e investir naquilo que consideramos essencial para o futuro de Vila Verde — os nossos jovens, a sua formação e o seu desenvolvimento pessoal e cultural.

A Bolsa Vila Verde + Superior nasceu da preocupação em apoiar quem pretende prosseguir estudos superiores, reconhecendo que as dificuldades económicas nunca devem condicionar percursos académicos ou limitar ambições. Acreditamos que o acesso à educação exige condições reais para que cada jovem possa concretizar o seu potencial.

Por sua vez, o FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro de Vila Verde surgiu da vontade de aproximar as novas gerações da cultura, estimulando a criatividade e o gosto pelas artes. Mais do que proporcionar espetáculos, trata-se de cultivar desde cedo uma relação com a cultura que contribua para a formação de cidadãos mais criativos, participativos e atentos ao mundo.

Apesar das suas naturezas distintas, ambos os projetos partilham a mesma convicção: uma comunidade desenvolve-se verdadeiramente quando investe nas pessoas. Foi essa visão que orientou estas iniciativas e que continua a guiar a nossa atuação — construir um concelho onde os jovens possam concretizar os seus projetos de vida, tendo a educação e a cultura como pilares do futuro coletivo.

Que principais desafios enfrentaram no desenvolvimento e concretização do(s) projeto(s) — e de que forma foram superados?

Os desafios foram distintos em cada projeto, mas ambos partiram de uma preocupação comum: criar oportunidades reais para as novas gerações de Vila Verde.

No caso da Bolsa Vila Verde + Superior, o principal objetivo é assegurar que os jovens possam prosseguir os seus estudos sem que as dificuldades económicas condicionem os seus sonhos e ambições. Superar este desafio implica olhar para a educação como o maior investimento no futuro, promovendo uma verdadeira igualdade de oportunidades.

Já no FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro de Vila Verde, o desafio passou por aproximar as crianças e os jovens do teatro, despertando o interesse pelas artes e integrando a cultura no seu crescimento. Esta concretização exigiu capacidade de mobilização e uma programação que tornasse a experiência artística apelativa e acessível.

Em ambos os casos, a resposta consistiu em transformar necessidades em iniciativas concretas, com uma visão orientada para o futuro. Mais do que ultrapassar obstáculos, procurámos criar respostas com significado profundo para a comunidade.

A distinção de Vila Verde nestas duas áreas demonstra que o desenvolvimento de um concelho não se mede apenas por infraestruturas, mas sobretudo pelo investimento nas pessoas. É este compromisso com a educação, com a cultura e com o futuro que nos motiva a continuar a trabalhar por uma Vila Verde cada vez mais próspera e inclusiva.

De que maneira o(s) projeto(s) distinguidos têm impactado a vida da comunidade local? Pode partilhar algum exemplo concreto?

O impacto destes dois projetos vai muito além dos seus objetivos imediatos: traduz-se em oportunidades que se abrem, horizontes que se alargam e experiências que podem marcar o percurso de uma vida. É essa capacidade de fazer a diferença na vida das pessoas que dá verdadeiro sentido ao trabalho desenvolvido pelo Município de Vila Verde.

Com a Bolsa Vila Verde + Superior, procuramos que as condições económicas não sejam um obstáculo à concretização dos sonhos académicos dos nossos jovens. Este apoio representa uma forma de reconhecer o mérito das suas ambições, apoiar as famílias e reforçar a importância da educação como instrumento de mobilidade social e de construção de futuro. Cada jovem que encontra condições para prosseguir os seus estudos representa uma oportunidade de crescimento pessoal e um contributo para o desenvolvimento do nosso concelho.

Por sua vez, o FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro de Vila Verde cria oportunidades para que as crianças e os jovens descubram a riqueza do teatro e das artes, desenvolvam a criatividade e contactem com novas formas de expressão. O envolvimento dos públicos mais jovens e da comunidade educativa é fundamental para criar hábitos culturais e demonstrar que a cultura não é apenas um espetáculo a que se assiste, mas também uma experiência que nos transforma, nos questiona e nos ajuda a compreender melhor o mundo.

Embora atuem em áreas diferentes, os dois projetos partilham um impacto essencial: ajudam a criar condições para que os jovens cresçam com mais oportunidades, mais conhecimento e uma visão mais ampla do futuro.

É este o legado que queremos construir em Vila Verde: um concelho onde ninguém sinta que os seus sonhos estão limitados pelas circunstâncias e onde cada criança e cada jovem tenha a oportunidade de descobrir o seu potencial. Porque investir na educação e na cultura é, acima de tudo, investir nas pessoas e na comunidade que queremos deixar às próximas gerações.

Quais são as perspetivas de futuro em relação a este(s) projeto(s)? Pretendem dar continuidade, expandi-los ou adaptá-los a outras áreas?

A nossa visão para o futuro é clara: queremos dar continuidade a estes projetos, reforçar o seu impacto e garantir que continuam a responder às ambições da população de Vila Verde. Esta distinção dupla é um reconhecimento importante, mas representa sobretudo a responsabilidade de continuar a fazer destas iniciativas verdadeiros motores de desenvolvimento local.

No caso da Bolsa Vila Verde + Superior, pretendemos manter esta aposta estratégica no futuro dos jovens, assegurando que a situação económica nunca seja um impedimento à concretização de objetivos académicos. Cada estudante apoiado é um investimento direto no futuro coletivo do nosso concelho.

Quanto ao FIT — Festival Infantojuvenil de Teatro de Vila Verde, queremos continuar a valorizar a iniciativa, alargando o envolvimento das escolas, das famílias e da comunidade. A nossa ambição é que o festival cresça de forma sustentada, despertando talentos e formando novos públicos para a cultura.

Em suma, o nosso propósito vai além de dar continuidade ao que já existe: queremos inovar, melhorar as respostas e ampliar os benefícios para a comunidade. A expansão desta experiência a outras áreas continuará a ser guiada pelas necessidades reais do território e pelo valor que acrescenta à vida dos nossos cidadãos.

Semear Cinfães passa de 500 para 7.200 participantes em três anos

19 October 2026 at 13:35

O Município de Cinfães foi distinguido na 7.ª edição do Prémio Autarquia do Ano – Grupo Mosqueteiros por projetos que procuram responder a necessidades concretas da população, em áreas tão diversas como o apoio às famílias, a educação, o desporto, a agricultura e o turismo. Entre as iniciativas distinguidas, o Semear Cinfães destaca-se pelo crescimento da participação, passando de 500 inscritos, em 2023, para mais de 7.200 participantes, em 2026. Já o Cuidar Cinfães, dedicado à identificação precoce de dificuldades no desenvolvimento infantil, acompanhou cerca de 300 alunos desde o seu início, em outubro de 2024. O município faz o balanço dos projetos e revela as perspetivas de continuidade e desenvolvimento.

O que representa para a vossa autarquia ter sido distinguida no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros?

As distinções atribuídas ao Município de Cinfães no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros representam um motivo de enorme orgulho e o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver em diferentes áreas de intervenção municipal, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população e promover o desenvolvimento do concelho.

Este reconhecimento valoriza projetos que procuram responder a necessidades concretas da comunidade, desde o apoio às famílias e a promoção da inclusão até à educação, ao desporto, à dinamização da economia local e à valorização do património e dos recursos turísticos do território.

Mais do que distinguir iniciativas individuais, estas distinções constituem um incentivo à continuidade de uma estratégia de desenvolvimento assente na proximidade às pessoas, na valorização dos recursos locais, na cooperação com as instituições e na construção de respostas ajustadas às características e necessidades do concelho.

Recebemo-las, por isso, com satisfação, mas também com um sentido acrescido de responsabilidade para continuar a inovar, a consolidar os projetos existentes e a criar oportunidades que contribuam para um território mais inclusivo, dinâmico e sustentável.

Quais foram as razões e necessidades que estiveram na origem do(s) projeto(s) distinguidos?

Apoio Social — Apoio à Família | «SóEntreNós»

O projeto surgiu da necessidade de reforçar o acompanhamento das famílias, promovendo o desenvolvimento de competências parentais, a literacia em saúde infantojuvenil e a identificação precoce de eventuais sinais de alerta no desenvolvimento das crianças e dos jovens. A sua criação procura, acima de tudo, estabelecer uma relação de proximidade com as famílias, proporcionando-lhes informação, orientação e apoio ajustados às suas necessidades.

Desporto e Vida Saudável — Desporto Inclusivo | «Programa Municipal de Desporto Inclusivo»

Este projeto responde à necessidade de promover a igualdade de oportunidades no acesso à prática desportiva, reduzindo barreiras que possam limitar a participação de pessoas com diferentes capacidades físicas ou cognitivas. Pretende criar condições para uma prática mais acessível, regular e inclusiva, reconhecendo o desporto como um instrumento de participação, bem-estar e integração social.

Desporto e Vida Saudável — Apoio ao Desporto Amador | «Programa Municipal de Apoio ao Desporto Amador»

A iniciativa surgiu da importância de reforçar as condições para a prática desportiva não profissional, apoiando o movimento associativo e incentivando a participação dos munícipes em atividades físicas e desportivas. Pretende contribuir para uma oferta desportiva mais acessível, promover hábitos de vida saudáveis e valorizar o papel dos clubes e das associações na dinamização da comunidade.

Economia — Incentivos à Agricultura | «Semear Cinfães»

O projeto nasceu da necessidade de valorizar a agricultura e reforçar a ligação da população ao mundo rural, promovendo o aproveitamento dos recursos e dos terrenos disponíveis e contribuindo para a economia familiar. Simultaneamente, procura incentivar a recuperação de terrenos abandonados, favorecendo uma gestão mais cuidada do território e contribuindo para a prevenção do risco de incêndio rural.

Educação — Bem-Estar e Saúde Mental em Contexto Escolar | «Gabinete Psicoterapêutico – Cuidar Cinfães»

A criação deste projeto resultou da identificação de necessidades de intervenção precoce em crianças, em particular em idade pré-escolar, ao nível da linguagem e comunicação, das competências cognitivas e do desenvolvimento socioemocional. Através de uma resposta ajustada às necessidades identificadas, pretende-se promover o desenvolvimento harmonioso das crianças, apoiar as famílias e prevenir o agravamento de dificuldades que possam comprometer o percurso educativo e o bem-estar emocional.

Turismo — Turismo Rural | «Quinta da Forna»

O projeto surgiu da vontade de preservar e transmitir às novas gerações os saberes, as práticas e as tradições associados à vida rural cinfanense. A valorização de um espaço ligado à memória agrícola permite criar oportunidades de aprendizagem, participação comunitária e contacto com o património local, transformando os recursos e a identidade rural num fator de valorização cultural e de atratividade turística.

Turismo — Turismo Religioso | «Itinerários de Peregrinação a Cádiz»

Esta iniciativa enquadra-se numa estratégia de valorização dos recursos territoriais através do turismo religioso e de peregrinação, procurando associar a dimensão espiritual e cultural à descoberta do território. O projeto pretende contribuir para a diversificação da oferta turística e para a dinamização local, promovendo uma abordagem que articule a valorização do património, a sustentabilidade e as oportunidades de desenvolvimento das comunidades.

Que principais desafios enfrentaram no desenvolvimento e concretização do(s) projeto(s) — e de que forma foram superados?

Um dos principais desafios consiste em garantir que os projetos chegam efetivamente aos seus destinatários, promovendo o conhecimento das iniciativas e incentivando uma participação cada vez mais alargada da população. Esta dimensão assume particular importância num território com características e necessidades diversificadas, que exige respostas ajustadas aos diferentes públicos.

A sustentabilidade financeira constitui igualmente um desafio, implicando uma gestão criteriosa dos recursos municipais e a procura de soluções que permitam assegurar a continuidade das iniciativas e potenciar o seu desenvolvimento.

A resposta a estes desafios assenta na valorização das parcerias locais, na articulação com as instituições e os agentes do território e numa gestão orientada para a continuidade e a adequação das respostas às necessidades identificadas.

A experiência adquirida com a implementação dos projetos permite também consolidar aprendizagens, identificar oportunidades de melhoria e reforçar a capacidade de intervenção municipal. Mais do que concretizar iniciativas isoladas, o objetivo é garantir que estas se mantêm relevantes, acessíveis e sustentáveis, produzindo benefícios duradouros para a comunidade.

De que maneira o(s) projeto(s) distinguidos têm impactado a vida da comunidade local? Pode partilhar algum exemplo concreto?

Os projetos «Semear Cinfães» e «Cuidar Cinfães» têm vindo a afirmar-se nas respetivas áreas de intervenção, alcançando um número crescente de participantes e beneficiários e respondendo a necessidades concretas da comunidade.

O projeto «Semear Cinfães» evidencia uma evolução expressiva na adesão da população, passando de 500 inscritos em 2023 para mais de 7.200 participantes em 2026. Este crescimento demonstra a adesão e o interesse suscitados pela iniciativa, reforçando a sua relevância na valorização da agricultura, na promoção da ligação ao mundo rural e no envolvimento da comunidade na dinamização do território.

Por sua vez, o projeto «Cuidar Cinfães», iniciado em outubro de 2024, tem permitido acompanhar crianças de todos os jardins de infância e escolas básicas do concelho. Até à data, foram abrangidos cerca de 300 alunos, através de uma intervenção orientada para a identificação precoce de dificuldades e para a promoção do desenvolvimento infantil e do sucesso escolar. A articulação com a comunidade educativa constitui uma dimensão fundamental deste trabalho, permitindo aproximar os serviços das necessidades das crianças e reforçando a importância de dar continuidade e aprofundar esta resposta.

Estes dois projetos ilustram diferentes formas de intervenção municipal. Em ambos os casos, a evolução das iniciativas reforça a importância de manter e consolidar respostas próximas das pessoas e ajustadas às necessidades do concelho.

Quais são as perspetivas de futuro em relação a este(s) projeto(s)? Pretendem dar continuidade, expandi-los ou adaptá-los a outras áreas?

A perspetiva de futuro passa por consolidar os projetos que já se encontram implementados, reforçar o seu impacto e continuar a adaptá-los à evolução das necessidades da população.

Nas áreas do desporto, da economia e da educação, os quatro projetos distinguidos — os dois programas municipais de desporto, o «Semear Cinfães» e o «Cuidar Cinfães» — têm já um percurso de implementação que importa valorizar, dando continuidade ao trabalho desenvolvido e procurando melhorar as respostas disponibilizadas à comunidade.

Na área do turismo, a «Quinta da Forna» e os «Itinerários de Peregrinação a Cádiz» apresentam oportunidades de valorização e desenvolvimento, através da promoção dos recursos locais, do reforço da atratividade do território e da consolidação de uma oferta turística diferenciadora e sustentável.

Por sua vez, o «SóEntreNós», enquanto projeto mais recente na área social, terá continuidade, estando em análise a possibilidade de alargar a sua intervenção à área da saúde, com o objetivo de reforçar a articulação entre respostas e proporcionar um acompanhamento mais abrangente das famílias.

De forma transversal, pretendemos continuar a investir em projetos que respondam a necessidades concretas, reforçar a cooperação com as instituições e os agentes locais e identificar novas oportunidades de melhoria. O objetivo é consolidar o trabalho realizado, potenciar os resultados alcançados e garantir que o reconhecimento agora recebido se traduz num incentivo para continuar a servir a população e a valorizar Cinfães.

Góis combate o isolamento social com o Projeto Aproximar

19 October 2026 at 11:54

O isolamento social e o envelhecimento da população colocam desafios acrescidos aos territórios de baixa densidade. Em Góis, o Projeto Aproximar procura responder a estas necessidades através de atividades regulares dirigidas às pessoas mais velhas, promovendo o convívio, a participação comunitária e o bem-estar. Iniciada em 2025, a iniciativa abrange atualmente quatro localidades do concelho e foi distinguida na 7.ª edição do Prémio Autarquia do Ano – Grupo Mosqueteiros. Os resultados da avaliação inicial são encorajadores: dos 11 participantes que responderam ao questionário, oito afirmaram sentir-se «muito melhor» e três «melhor» desde que começaram a frequentar as atividades.

O que representa para a vossa autarquia ter sido distinguida no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros?

Esta distinção representa um importante reconhecimento do compromisso do Município de Góis com a promoção do bem-estar, da inclusão social e da qualidade de vida das suas populações, particularmente das pessoas mais velhas que residem em localidades mais isoladas do concelho.

O Prémio Autarquia do Ano constitui um motivo de orgulho para o Município, mas também um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos técnicos, entidades parceiras e, sobretudo, pelas próprias comunidades, cuja participação tem sido fundamental para o sucesso do Projeto Aproximar.

Mais do que distinguir uma iniciativa municipal, este prémio valoriza uma forma de intervenção social assente na proximidade, na escuta ativa e na construção de respostas ajustadas às necessidades reais das pessoas.

Quais foram as razões e necessidades que estiveram na origem do(s) projeto(s) distinguidos?

O Projeto Aproximar surgiu da preocupação do Município de Góis em desenvolver uma resposta de proximidade dirigida às populações residentes em localidades mais isoladas do concelho, promovendo o envelhecimento ativo, o combate ao isolamento social e a criação de oportunidades de convívio e participação comunitária.

A identificação das localidades para a implementação do projeto teve por base os resultados dos questionários realizados no âmbito da iniciativa Porta a Porta, desenvolvida pela equipa do Projeto Radar Social, que permitiram conhecer de forma mais aprofundada as condições de vida, necessidades e vulnerabilidades das populações.

Desta forma, foi possível fundamentar a escolha das localidades de Carvalhal do Sapo e Malhada, onde o projeto teve início em 2025, tendo sido posteriormente alargado, em 2026, às localidades de Fonte Limpa e Milreu.

O Projeto Aproximar constitui, assim, uma resposta municipal de intervenção social de proximidade, orientada para a promoção do bem-estar, da participação ativa e da melhoria da qualidade de vida das populações.

Que principais desafios enfrentaram no desenvolvimento e concretização do(s) projeto(s) — e de que forma foram superados?

Um dos principais desafios esteve relacionado com as características geográficas e demográficas do concelho de Góis, marcado pela dispersão territorial, pelo envelhecimento da população e pela existência de pequenas localidades com acesso mais limitado a atividades e serviços.

A mobilização e o envolvimento das pessoas constituíram igualmente um desafio, sobretudo numa fase inicial, em que foi necessário conquistar a confiança das comunidades e incentivar a participação regular nas atividades.

Estes desafios foram ultrapassados através de uma intervenção assente na proximidade, na valorização das relações de confiança e na articulação entre o Município, as Comissões de Melhoramentos, as Juntas de Freguesia e as entidades parceiras, designadamente a Unidade de Cuidados na Comunidade Góis Vive, a GNR e o CLDS 5G.

A utilização de espaços disponibilizados pelas próprias comunidades e a dinamização de atividades ajustadas aos interesses e capacidades dos participantes permitiram criar um ambiente de familiaridade, pertença e participação, contribuindo para a consolidação do projeto.

De que maneira o(s) projeto(s) distinguidos têm impactado a vida da comunidade local? Pode partilhar algum exemplo concreto?

O Projeto Aproximar tem contribuído para reforçar as relações interpessoais, combater o isolamento social e proporcionar novas oportunidades de participação e convívio às pessoas mais velhas das localidades abrangidas.

A realização de encontros regulares, com atividades de estimulação cognitiva, exercício físico, promoção da saúde, criatividade e partilha de experiências, tem permitido criar espaços de encontro e de valorização pessoal, contribuindo para o bem-estar e para o fortalecimento dos laços comunitários.

Os resultados da avaliação realizada na fase inicial do projeto evidenciam este impacto positivo. Entre os 11 participantes que responderam à avaliação, oito referiram sentir-se «muito melhor» e três «melhor» desde que começaram a frequentar as atividades. Todos manifestaram vontade de continuar a participar e afirmaram que recomendariam o projeto a outras pessoas.

Um exemplo particularmente significativo foi a comemoração do primeiro aniversário do Projeto Aproximar, que reuniu 19 participantes das quatro localidades abrangidas, proporcionando um dia de convívio e descoberta de diferentes espaços do concelho. Esta iniciativa permitiu reforçar os laços entre participantes de comunidades distintas, demonstrando que o projeto vai além das atividades semanais, promovendo também o sentimento de pertença a uma comunidade mais alargada.

Quais são as perspetivas de futuro em relação a este(s) projeto(s)? Pretendem dar continuidade, expandi-los ou adaptá-los a outras áreas?

O Município de Góis pretende dar continuidade ao Projeto Aproximar, consolidando a intervenção nas quatro localidades atualmente abrangidas e procurando reforçar a diversidade e a adequação das atividades desenvolvidas.

A experiência adquirida e os resultados positivos alcançados demonstram a importância de manter respostas de proximidade, particularmente em territórios de baixa densidade populacional, onde o isolamento e o envelhecimento constituem desafios relevantes.

Neste sentido, o Município continuará atento às necessidades identificadas junto das comunidades, avaliando a possibilidade de alargar progressivamente o projeto a outras localidades do concelho, em função das necessidades existentes e dos recursos disponíveis.

Pretende-se igualmente fortalecer as parcerias locais e promover novas oportunidades de participação, aprendizagem e convívio, assegurando que o Projeto Aproximar continue a constituir uma resposta dinâmica, participativa e ajustada à realidade das populações.

O objetivo é continuar a aproximar pessoas, serviços e comunidades, contribuindo para um concelho mais inclusivo, participativo e solidário.

“A participação comunitária pode fazer parte da construção de uma freguesia mais cuidada, solidária e próxima”

19 October 2026 at 10:22

A melhoria do espaço público e o reforço da proximidade com a população estão no centro da Task Force Bairro a Bairro, um projeto da Junta de Freguesia de São Sebastião distinguido na 7.ª edição do Prémio Autarquia do Ano – Grupo Mosqueteiros. A iniciativa mobiliza trabalhadores da Junta, voluntários, associações e representantes autárquicos em ações de limpeza, manutenção e valorização dos bairros, promovendo simultaneamente a participação dos moradores e a identificação das necessidades locais. O objetivo é construir uma freguesia mais cuidada, solidária e próxima da comunidade.

O que representa para a vossa autarquia ter sido distinguida no Prémio Autarquia do Ano 2026 – Grupo Mosqueteiros?

Esta distinção representa um enorme orgulho para a Junta de Freguesia de São Sebastião, mas, acima de tudo, um reconhecimento de uma forma de estar no serviço público: próxima das pessoas, participativa e construída em conjunto com a comunidade.

O projeto Task Force Bairro a Bairro nasceu da convicção de que uma autarquia não deve limitar-se a trabalhar para as pessoas, mas deve também criar oportunidades para trabalhar com elas.

Receber este prémio é reconhecer o empenho dos nossos trabalhadores e trabalhadoras, das pessoas voluntárias, das associações e de todos os que acreditam que pequenos gestos coletivos podem produzir grandes transformações.

É um prémio que nos orgulha, mas que também aumenta a nossa responsabilidade de continuar a fazer mais e melhor pela nossa freguesia.

Quais foram as razões e necessidades que estiveram na origem do(s) projeto(s) distinguidos?

São Sebastião é uma freguesia com realidades sociais e territoriais muito diferentes, onde existem necessidades de manutenção e valorização do espaço público, mas também uma necessidade permanente de reforçar a proximidade entre a autarquia e a população.

Percebemos que era importante encontrar uma forma de intervir nos bairros que fosse além das respostas habituais, aproximando os serviços da Junta das pessoas e criando oportunidades de participação ativa.

Foi assim que nasceu a Task Force Bairro a Bairro: uma iniciativa que reúne trabalhadores e trabalhadoras da Junta, pessoas voluntárias, associações e representantes autárquicos em ações organizadas de melhoria dos espaços públicos. Mas o projeto não se resume à limpeza, à pintura ou à manutenção. Trata-se também de ouvir quem vive nos bairros, identificar problemas, recolher sugestões e construir uma relação de confiança.

No fundo, quisemos transformar cada intervenção numa oportunidade de aproximar a autarquia da comunidade e a comunidade do seu próprio território.

Que principais desafios enfrentaram no desenvolvimento e concretização do(s) projeto(s) — e de que forma foram superados?

Um dos principais desafios foi mobilizar a comunidade para uma iniciativa diferente, demonstrando que a participação voluntária não substitui as responsabilidades da autarquia nem o trabalho dos seus profissionais.

Desde o primeiro momento, procurámos deixar claro que a Task Force é um complemento ao trabalho diário da Junta, permitindo reforçar intervenções, aproximar serviços e envolver as pessoas na valorização dos espaços que partilham.

Outro desafio tem sido a organização logística e operacional, porque cada bairro apresenta necessidades diferentes e exige articulação entre equipas, equipamentos, serviços e participantes.

Temos procurado superar estas dificuldades através do planeamento antecipado, da definição de equipas de intervenção, da colaboração com entidades locais e da avaliação de cada edição.

Também aprendemos que a mobilização não se constrói apenas através de cartazes ou redes sociais. Constrói-se sobretudo através do contacto direto, da confiança e da demonstração de que a participação das pessoas tem resultados concretos.

De que maneira o(s) projeto(s) distinguidos têm impactado a vida da comunidade local? Pode partilhar algum exemplo concreto?

O impacto da Task Force Bairro a Bairro faz-se sentir em duas dimensões complementares: na melhoria dos espaços públicos e no fortalecimento da relação entre a autarquia e a população.

Ao longo das primeiras edições, intervimos em diferentes bairros da freguesia, nomeadamente Vale do Cobro, Terroa, Peixe Frito e Pinheirinhos, através de trabalhos de limpeza, manutenção, reparação e valorização dos espaços comuns.

Na intervenção dos Pinheirinhos, por exemplo, foram abrangidas 12 ruas, removidos aproximadamente 1.540 quilos de resíduos, plantadas quatro árvores e realizadas reparações de calçada, entre outros trabalhos.

Mas existe um resultado que consideramos igualmente importante: o contacto com os moradores e moradoras. Nessa mesma edição foram identificadas 15 ocorrências, das quais quatro ficaram resolvidas no próprio dia, permitindo encaminhar as restantes para acompanhamento posterior.

Estes momentos ajudam-nos a conhecer melhor as necessidades de cada bairro, incluindo situações que nem sempre chegam aos serviços através dos canais habituais.

O maior impacto do projeto está precisamente nesta combinação: melhorar o espaço público, ouvir as pessoas e mostrar que a participação comunitária pode fazer parte da construção de uma freguesia mais cuidada, solidária e próxima.

Quais são as perspetivas de futuro em relação a este(s) projeto(s)? Pretendem dar continuidade, expandi-los ou adaptá-los a outras áreas?

A Task Force Bairro a Bairro não foi pensada como uma iniciativa pontual, mas como um projeto de continuidade.

Queremos continuar a percorrer os diferentes bairros de São Sebastião, reforçando a participação comunitária e adaptando cada intervenção às necessidades identificadas no território.

Pretendemos também aprofundar a dimensão social e de proximidade do projeto, valorizando cada vez mais o contacto com os moradores e moradoras, a identificação de situações que necessitam de acompanhamento e a colaboração com as associações e instituições locais.

Outro objetivo é criar condições para que as pessoas que participam nas diferentes edições possam manter uma ligação mais permanente ao projeto, contribuindo para uma rede de participação e cidadania ativa.

Acreditamos que o futuro da Task Force passa por evoluir de um conjunto de intervenções nos bairros para uma verdadeira dinâmica comunitária de proximidade. Porque, para nós, uma freguesia não se constrói apenas através das obras e dos serviços que realiza. Constrói-se também através das relações que estabelece, da confiança que gera e da capacidade de envolver as pessoas no seu próprio futuro.

Bragança candidata-se a Cidade Europeia do Cereal em 2027

16 October 2026 at 18:16

 

Bragança quer afirmar-se como referência na produção e valorização dos cereais e vai candidatar-se a Cidade Europeia do Cereal em 2027. O anúncio foi feito esta sexta-feira, Dia Mundial do Pão, com a autarquia a querer dar visibilidade à tradição cerealista de Trás-os-Montes e ao trabalho desenvolvido por agricultores, empresas e investigadores.

“É importante dar visibilidade a tantos trabalhos que são feitos na área dos cereais, de inovação, de recuperação de espécies, e de valorização do trabalho também dos nossos empresários, agricultores e investigadores nesse domínio“, assinala a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira. A autarca destaca, por isso, a importância dos cereais e do pão para a identidade e a economia da região.

A candidatura será apresentada à Rede de Cidades do Cereal (REDCCER), entidade responsável pela atribuição anual do título, que distingue projetos dedicados à cultura cerealista. A Câmara de Bragança chama a participar na candidatura a Universidade Politécnica de Bragança, através dos centros de investigação CIMO e SusTEC, o MORE CoLAB, produtores agrícolas, padarias, empresas, restaurantes, escolas e associações locais.

No âmbito da candidatura, a autarquia tem programadas diversas atividades, que vão desde a criação de um “Pavilhão Vivo do Cereal”, integrado na Feira de Agricultura, onde os visitantes poderão acompanhar as várias fases do processo do fabrico, desde as sementes e variedades de cereais até à moagem, panificação e utilização na gastronomia.

É importante dar visibilidade a tantos trabalhos que são feitos na área dos cereais, de inovação, de recuperação de espécies, e de valorização do trabalho também dos nossos empresários, agricultores e investigadores nesse domínio.

Isabel Ferreira

Presidente da Câmara Municipal de Bragança

O município tenciona ainda criar a “Rota do Cereal e do Pão”, que ligará padarias, moinhos, produtores, restaurantes e espaços patrimoniais, além da iniciativa “Doze Meses, Doze Sabores”, que desafiará estabelecimentos de restauração, padarias e pastelarias a apresentar mensalmente criações à base de cereais.

Será ainda lançado o desafio “Bragança Cereal Lab” a estudantes, investigadores e empresas para desenvolverem novos produtos alimentares e soluções relacionadas com os cereais e os seus subprodutos.

Está prevista também a recolha de memórias e testemunhos relacionados com a atividade cerealista, a celebração do “Dia Mundial do Cereal”, a 7 de março, e a realização do Festival “Bragança, Pão e Futuro”, no outono.

Porto junta 14 instituições de ensino superior em projeto UNIK

16 October 2026 at 16:42

O município do Porto e 14 instituições do ensino superior com presença na cidade assinaram um acordo de cooperação que oficializa a criação do UNIK Porto – University Network for Innovation and Knowledge.

Afirmar o Porto como um território de excelência no conhecimento, na inovação e na retenção de talento, envolvendo os mais de 60 mil estudantes e investigadores no desenvolvimento local. É este o mote para a constituição do UNIK Porto – University Network for Innovation and Knowledge por parte do município e 14 instituições de ensino superior, além da Federação Académica do Porto (FAP).

O projeto UNIK Porto surge da vontade de “aproximar estas instituições, articular competências e construir uma visão partilhada, capaz de valorizar o talento que existe na cidade“, salientou o presidente da Câmara, Pedro Duarte, após a assinatura do acordo.

Nesse sentido, o autarca social-democrata coloca as universidades como protagonistas pelo contributo “decisivo para a formação de gerações, produção de conhecimento, e desenvolvimento económico, social e cultural da cidade”.

O Porto tem a felicidade de reunir uma comunidade científica de enorme valor, cujo contributo queremos valorizar cada vez mais na definição das políticas públicas e na procura de soluções para os problemas concretos das pessoas.

Pedro Duarte

Presidente da Câmara Municipal do Porto

É este conhecimento das universidades que poderá alavancar o talento e inovação na cidade, assim como ajudar a enfrentar desafios da atualidade em áreas tão diversas como a habitação, mobilidade, sustentabilidade ambiental ou transformação digital e qualidade dos serviços públicos.

O projeto prevê, como assinala a autarquia, “um novo paradigma de governação urbana e académica, orientado para a afirmação do Porto como um território de excelência no conhecimento, na inovação e na retenção de talento”.

Matilde Gouveia Rocha, vereadora da Educação e do Talento e Conhecimento na Câmara Municipal do Porto

“O Porto tem a felicidade de reunir uma comunidade científica de enorme valor, cujo contributo queremos valorizar cada vez mais na definição das políticas públicas e na procura de soluções para os problemas concretos das pessoas”, sustentou o presidente da Câmara.

Já a vereadora da Educação e do Talento e Conhecimento, Matilde Gouveia Rocha, citada na mesma nota de imprensa, vê o UNIK Porto como um “motor de competitividade económica, de atração de investimento e de reforço da estratégia municipal TERA”, ao contribuir para a “atração, fixação e retenção de talento”.

Os cinco eixos de intervenção do projeto:

  • Afirmar o Porto como cidade universitária de referência, com uma marca territorial forte e uma identidade comum para a academia portuense;
  • Construir uma estratégia integrada para atrair e reter pessoas qualificadas, promover o empreendedorismo jovem e aproximar estudantes e investigadores das empresas e dos empregadores da região;
  • Trabalhar para criar condições de habitação dignas e acessíveis, nomeadamente através da identificação e cedência de edifícios municipais para residências universitárias, com espaços de estudo e de convívio;
  • Qualificar o espaço público e as áreas envolventes aos polos universitários, com mais zonas verdes, espaços de lazer, equipamentos desportivos e culturais e soluções de mobilidade sustentável;
  • Desenvolver uma plataforma digital comum que reúna informação da comunidade académica, dê visibilidade aos recursos existentes e disponibilize uma agenda cultural e científica partilhada.

Como atrair e manter o talento e o conhecimento na cidade foi precisamente o que esteve em discussão numa mesa-redonda realizada na quinta-feira nos Paços do Concelho, que contou com os contributos da secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico; do presidente do INESC TEC, João Claro; de Frederico Carpinteiro, CEO da Amparo; e da investigadora Francisca Albuquerque.

Carros elétricos e híbridos ‘carregam’ na Alfândega do Porto com “18 novidades absolutas”

16 October 2026 at 14:22

Alguns dos principais construtores e importadores de automóveis vão estar a apresentar até domingo ao público português os modelos mais recentes de veículos elétricos e híbridos, durante um evento na Alfândega do Porto.

A 10.ª edição do Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico (SAHE) abriu portas esta sexta-feira, com a organização a destacar “18 novidades absolutas no mercado nacional”, incluindo vários lançamentos durante os três dias, que podem ser vistos e comparados em primeira mão.

Além de poderem ver de perto as mais recentes propostas híbridas e elétricas, os visitantes podem realizar experiências ao volante e esclarecer dúvidas sobre carregamento, autonomia e custos de utilização, com a organização a sublinhar que a edição deste ano acontece num “momento decisivo” para o setor devido ao aumento do preço dos combustíveis.

“Numa altura de crise energética, o automóvel elétrico deixou de ser uma promessa para o futuro e passou a ser uma resposta para o presente. (…) O mercado automóvel europeu está a mudar depressa e o novo equilíbrio com a China vai mexer com a oferta e os preços”, salienta o diretor do Salão, José Oliveira.

Entre os lançamentos, a organização destaca o Audi A2 e-tron, o BMW i3, o Cupra Raval Extreme VZ 100% elétrico, o Jeep Avenger, os modelos da Leapmotor B05 e B03X, ou o ID. Cross e o ID. Polo GTI, ambos da Volkswagen. Outras marcas como a Changan, Dongfeng, DS, KGM, Kia , Mercedes-Benz, Škoda e Volvo ‘estacionam’ também as novidades na Invicta.

A chinesa Geely, que acaba de chegar a Portugal com três modelos eletrificados e 15 concessionários, estreia-se também neste salão com a exposição da sua gama nacional: o SUV 100% elétrico Geely E5, o SUV híbrido plug-in Starray EM-i e o Geely E2, que apresenta como o compacto elétrico mais vendido no mundo em 2025.

O novo Geely E2 chega ao mercado português com um preço a partir de 23.775 euros.

Portugal tem três regiões com risco de pobreza e exclusão social acima da média europeia

16 October 2026 at 14:03

Os Açores são a região portuguesa que, em 2025, tinha mais pessoas em risco de pobreza ou exclusão social (21,6%), ligeiramente acima da média da União Europeia (20,9%), seguida da Madeira (20,5%) quase colada à região do Oeste e Vale do Tejo com 20,4%. Ainda assim, os Açores não ultrapassam os valores mais elevados registados noutras zonas europeias, como acontece na Guiana Francesa (54,8%) ou na região italiana da Calábria (45,3%), segundo dados regionais do Eurostat divulgados esta sexta-feira. Já no extremo oposto do mapa português, está a Grande Lisboa (16%).

O mapa regional publicado pelo Eurostat mostra que o risco não se distribui de forma uniforme pela Europa. Em 2025, 92,7 milhões de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia, o equivalente a uma em cada cinco pessoas (20,9% da população).

Em 24 das 243 regiões europeias para as quais existem dados disponíveis, pelo menos 31,5% da população estavam nesta situação.

O indicador de risco de pobreza ou exclusão social considera pessoas expostas a pelo menos uma de três situações: risco de pobreza monetária, privação material e social severa ou residência em agregados familiares com muito baixa intensidade de trabalho.

No computo geral a nível nacional, 18,6% da população estava em risco de pobreza ou exclusão social em 2025, abaixo da média da União Europeia, que se fixou em 20,9%.

Fonte: Eurostat16 outubro, 2026

Ainda assim, as diferenças são bem visíveis, com os Açores a destacarem-se pela negativa com 21,6% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, ligeiramente acima da média da União Europeia (20,9%), enquanto no extremo oposto surge a Grande Lisboa com 16%.

A Madeira, com 20,5%, aproxima-se da média europeia, quase colada à região do Oeste e Vale do Tejo com 20,4%. Segue-se depois a região Centro, com 19,9%, e o Alentejo, com 19,7%. A Península de Setúbal apresenta uma taxa de 18,9%, o Norte de 18,7% e o Algarve de 17,1%.

Mais de metade da população da Guiana francesa em risco

É na Guiana Francesa, região ultraperiférica, que o risco de pobreza ou exclusão social atinge o valor mais elevado (54,8%), afetando mais de metade da população desta região.

No pódio das cinco regiões europeias com maior risco de pobreza ou exclusão social surge depois a Calábria (45,3%) e a Sicília (44%), ambas no sul de Itália, seguidas da região autónoma de Melilha, Espanha, com 43,7%, e a ilha francesa Reunião (42,3%).

De acordo com a Eurostat, “em 24 das 243 regiões da UE para as quais existem dados disponíveis, classificadas no nível 2 da Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS), pelo menos 31,5% da população encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social“.

São as regiões do sul e do leste da Europa, assim como as regiões ultraperiféricas da UE, que lideram o risco de pobreza ao analisar o mapa europeu. Entre estas regiões, Espanha contabilizava cinco regiões neste grupo, enquanto a Bulgária, a Grécia e a Itália apresentavam quatro, cada. França surge com três regiões ultraperiféricas e a Roménia duas.

Este grupo engloba igualmente duas regiões predominantemente urbanas em países da UE ocidental: a região da capital da Bélgica, Région de Bruxelles-Capitale / Brussels Hoofdstedelijk Gewest, e Bremen, no noroeste da Alemanha.

Habitação. Governo “não vai ceder aos gritos que vêm da rua”

By: Lusa
16 October 2026 at 12:55

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou esta sexta-feira que o problema da habitação “não se resolve com bandeiras da Palestina”, nem com tumultos e avisou que o Governo “não vai ceder aos gritos que vêm da rua”.

As declarações foram feitas durante uma interpelação ao Governo agendada pelo PCP sobre a subida do custo de vida, na qual o deputado do CDS-PP Paulo Núncio trouxe ao debate a intervenção policial no protesto pela habitação no Porto, na madrugada desta quinta-feira.

O líder da bancada centrista apelou ao executivo, à Câmara do Porto e às forças de segurança que tenham “determinação e coragem” para “pôr na ordem” o que caracterizou como uma “minoria de arruaceiros que ocupou ilegalmente o espaço público, enchendo a Praça D. João I de tendas, graffiti e de toda a espécie de lixeira”.

Na réplica, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o Governo defende o direito à manifestação, mas que todos os direitos devem obedecer a regras.

"Encaramos o problema da habitação como um problema muito sério, […] mas que se desenganem todos aqueles que julgam que as soluções para esse tipo de problemas nascem do tumulto, da turbulência e da desorganização, da falta de ordem pública.”

Ao longo do debate, em resposta às críticas da esquerda, o ministro acusou ainda o líder do BE, José Manuel Pureza, de ter apelado à insurreição e deixou um aviso: “O Governo não vai ceder aos gritos que vêm da rua”.

“Este Governo resolve problemas com políticas públicas, com soluções sérias, com soluções construídas (…). Nós resolvemos os problemas com os ingredientes da realidade e tentando sempre e conseguindo resolvê-los dentro do espírito da moderação, do humanismo e da defesa do Estado de Direito”, acrescentou.

Abreu Amorim defendeu que este problema “resolver-se-á com políticas públicas sérias, calibradas e que é isso que o Governo está a fazer”, acrescentando que a crise na habitação “não se resolve com bandeiras da Palestina, que não têm o condão de construir casas”.

“O problema da habitação não se resolve com ‘slogans’, não se resolve com a alteração da ordem pública e por isso este Governo estará sempre na primeira linha da defesa da ordem pública, da segurança e da tranquilidade dos cidadãos”, insistiu.

PS quer saber se “uso da força foi adequado e proporcional”

Já o líder do PS pediu que se assumam “todas as responsabilidades” e se apure se o uso da força policial “foi adequado e proporcional” na manifestação da habitação do Porto, acusando o Governo de “só trabalhar empurrado”.

“Este primeiro-ministro e este Governo só trabalham empurrados. Foi precisa a indignação dos cidadãos para que o Governo só agora tenha decidido abrir o inquérito por parte da IGAI aos acontecimentos vividos no Porto”, disse José Luís Carneiro numa posição enviada à agência Lusa.

Para o secretário-geral do PS, “é fundamental apurar com rigor se o uso da força [policial] foi adequado e proporcional e assumir todas as responsabilidades”.

"A defesa da segurança e da ordem públicas tem de ser compatível com o exercício das liberdades cívicas, entre elas o direito de manifestação.”

De acordo com o jornal Público, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) informou esta sexta-feira que “abriu um processo administrativo” à intervenção policial ocorrida na madrugada desta quinta-feira, num protesto pela habitação, no Porto.

Na quinta-feira, José Luís Carneiro já tinha pedido “explicações urgentes” do ministro da Administração Interna sobre a intervenção policial nas manifestações pela habitação no Porto, que considerou comprovarem “o falhanço” do Governo nesta área.

O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou uma carga policial, na madrugada de quinta-feira, que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave. De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.

A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”. Já o presidente da Câmara do Porto disse que a PSP se viu “forçada” a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.

Na quinta-feira à noite, os manifestantes que desde sábado protestam a crise da habitação na Praça D. João I, no Porto, regressaram a este local após terem levado o protesto à porta da Câmara do Porto, durante a concentração após a carga policial registada na madrugada anterior.

 

 

Portugal Events. Entidades regionais de turismo passam a gerir apoios

16 October 2026 at 11:48

Depois de ter prolongado o sistema de incentivos Portugal Events até 2028, com a dotação a crescer de 30 milhões — num máximo de 16 milhões por ano — para os 75 milhões de euros, o Governo volta a mexer neste programa que promove a captação e realização de eventos para reforçar o papel das entidades regionais de turismo na gestão dos apoios a eventos locais.

Um diploma publicado em Diário da República esta sexta-feira, assinado pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, redesenha o circuito de contratualização e pagamento dos apoios aos planos anuais de eventos regionais, reconhecendo a “relevância” destas entidades “num quadro de proximidade geográfica” aos eventos abrangidos.

O regulamento passa a definir como “entidades gestoras dos planos de eventos regionais” as entidades regionais e as secretarias regionais de turismo, atribuindo-lhe competências na contratualização e gestão dos apoios concedidos aos beneficiários finais, assim como no acompanhamento da execução material, financeira e contabilística dos projetos.

Assim, o Turismo de Portugal transfere para cada entidade gestora 50% do apoio na contratualização, com o restante a ser libertado em até duas parcelas, mediante declaração de que, pelo menos, 80% do montante já transferido chegou aos beneficiários finais. E é-lhes dado um prazo de 20 dias úteis para celebrarem esses contratos, sob pena da perda desses apoios.

Já aos beneficiários, as entidades gestoras pagam 50% na contratualização e uma parcela adicional de 25%, mediante pedido e justificação de despesas. O restante só é libertado após a verificação da conclusão física e financeira da operação. Em caso de resolução de contrato, devem fazer essa comunicação ao Turismo de Portugal e devolver as verbas.

O apoio financeiro aos eventos incluídos nos planos anuais de eventos de natureza local ou regional tem um limite máximo de 500 mil euros por cada entidade gestora. Até 30 de abril do ano seguinte devem apresentar um relatório final a demonstrar a execução física e financeira integral do plano regional e a aplicação adequada dos fundos que receberam.

Demonstrar impacto do evento e saúde financeira das empresas

Entre as alterações ao regulamento, que entram em vigor de imediato, está também a obrigação de os beneficiários desenvolverem um mecanismo de avaliação do impacto do evento, com objetivos e metas específicas, e de reportarem os resultados alcançados com o pedido de pagamento final.

Por outro lado, as empresas passam a ter de comprovar uma situação líquida positiva no ano anterior à candidatura ou, se isso não tiver acontecido, demonstrarem que cumprem essa condição à data da candidatura através da apresentação de um balanço intercalar certificado por um contabilista.

De acordo com o balanço feito pelo Governo, até ao final do ano passado, o Portugal Events já tinha apoiado 643 eventos, com um investimento superior a 380 milhões de euros e um incentivo de cerca de 28 milhões de euros desde 2023, ano em que foi retomado, após uma primeira vida em 2021 como incentivo no período pós-pandemia.

Destinados à captação e realização de eventos que contribuam para a projeção internacional de Portugal e das suas regiões, a diversificação da experiência turística e a dinamização das economias locais, em particular nos territórios de baixa densidade, estes são apoios a fundo perdido e não podem ser acumulados com outros concedidos pelo Turismo de Portugal ao mesmo evento.

Para os eventos associados a produtos turísticos estratégicos, o apoio pode atingir 300 mil euros, correspondendo a uma taxa de comparticipação definida em função do grau de relevância do projeto. Já no caso dos eventos associativos e corporativos, o financiamento é calculado com base no número de dormidas previstas, com um limite máximo de 50 mil euros.

 

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