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Mercado revê aposta na Argentina enquanto dívida de 2027 entra no radar

22 October 2026 at 07:14

O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos.

Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira.

São mais de US$ 30 bilhões em principal e juros no próximo ano, segundo levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional). A conta inclui compromissos com credores privados e organismos internacionais.

O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.

O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta.

Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes.

A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: “o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto.

Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras.

Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.

Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes.

No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante.

Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário.

Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões até o fim do ano.

A aposta ficou menos otimista

Se os fatores técnicos ajudam a explicar a velocidade do movimento recente, há também uma mudança mais profunda na maneira como investidores enxergam a economia argentina.

Para Fabio Giambiagi, argentino que é pesquisador no FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o mercado exagerou no otimismo em relação à capacidade de recuperação do país.

“O mercado fez uma aposta na Argentina que estava ‘comprando lotes na Lua’. Era delirante”, afirma.

Os números ajudam a entender a crítica. No início de 2025, o REM (Relevamiento de Expectativas de Mercado), levantamento do Banco Central argentino semelhante ao Focus brasileiro, apontava crescimento próximo de 3,7% para a economia em 2026. A expectativa de inflação para este ano estava em torno de 15%.

As projeções mudaram. No REM mais recente, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é projetado em apenas 1,5% em 2026. A inflação estimada para dezembro chegou a 30%.

“Aos poucos, o mercado foi percebendo a dimensão do problema. No começo havia uma perspectiva irrealista da evolução das principais variáveis”, diz Giambiagi.

A eleição presidencial argentina acontece apenas no próximo ano e a capacidade de Milei de manter apoio político e dar continuidade ao programa econômico começa a importar mais à medida que o calendário avança.

“Achar que o governo vai aprovar o que quiser é uma prova de miopia da análise econômica sobre a política”, diz Giambiagi. Para o economista, investidores subestimaram as dificuldades políticas do governo e também os efeitos do próprio estilo do presidente na construção de alianças.

Nesta semana, uma nova controvérsia surgiu durante uma viagem de Milei à Espanha. O argentino chamou o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, de “ditador inapresentável” pouco mais de um mês antes das eleições espanholas. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha respondeu dizendo que não aceita interferências externas e classificou a postura do presidente argentino como “indigna”.

Giambiagi cita episódios semelhantes dentro da própria Argentina e aponta para a postura que falta ao mandatário do país platino: “presidente em uma república faz política”.

O próximo governo continuará dependendo do Congresso para aprovar reformas e o ambiente político pode afetar diretamente a confiança dos investidores.

Giambiagi vê o calendário com preocupação. Segundo ele, a popularidade de Milei caiu em relação aos níveis observados no início do governo e uma eventual disputa de segundo turno pode se tornar especialmente difícil caso a oposição consiga concentrar o voto contrário ao presidente.

O país entra em 2027 com uma situação muito diferente daquela encontrada por Milei no início do governo. A inflação caiu, o resultado fiscal melhorou, as reservas cresceram e a balança comercial melhorou.

Ao mesmo tempo, as expectativas ficaram menos exuberantes e o mercado começa a olhar com mais atenção para a capacidade política do governo de sustentar o programa econômico.

“O mercado aos poucos está percebendo que não é uma festa”, diz Giambiagi.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

Milei hace política exterior a golpe de insultos: choques con Sánchez, Lula, Petro y Arce

22 October 2026 at 05:00

Javier Milei ha convertido sus insultos en una seña de identidad que levanta polvareda allí donde va. España y Brasil han vivido de forma esporádica lo que en Argentina ocurre a diario: opositores, periodistas y economistas críticos son calificados como “mierdas humanas”, “basuras repugnantes”, “imbéciles”, “idiotas” y “corruptos”, entre muchos otros agravios. En el exterior, sus blancos favoritos son líderes políticos progresistas, a los que denosta sin importar que sus palabras causen crisis diplomáticas inéditas entre países con lazos históricos.

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Javier Milei y Flávio Bolsonaro en São Paulo, en julio.

Milei agita la campaña con insultos a Sánchez y abrazos a Ayuso

22 October 2026 at 04:30

Cuando se confirmó que Javier Milei volvía a España pero esta vez en plena precampaña electoral, el equipo de campaña del presidente del Gobierno, Pedro Sánchez, no daba crédito. Parecía un regalo perfecto. Y lo fue. Hasta el alcalde de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, del PP, admitió que el viaje era un caramelo para el presidente. “Pedro Sánchez será el primero que esté muy feliz por la propaganda que le ha dado Milei hoy, estoy seguro”, llegó a decir el regidor.

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El líder del PP, Alberto Núñez Feijóo (i) y el presidente de la Junta de Andalucía, Juanma Moreno Bonilla (d),  este miércoles en Sevilla.El PSOE exhibe una lona en su sede de Ferraz durante la visita a España del presidente argentino, Javier Milei, este miércoles.

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La presidenta de la Comunidad de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, se reúne con el presidente de la República Argentina, Javier Milei, en las instalaciones del Canal de Isabel II de la capital, este miércoles.

El PP confía en que el impacto de la visita de Milei se diluya el 29-N: “Si llega a venir la última semana sería distinto”

22 October 2026 at 04:30

No es la primera vez que sucede. Hace dos años, en junio de 2024, en la anterior visita de Javier Milei a España, Isabel Díaz Ayuso incomodó a Génova al otorgar al presidente de Argentina la medalla internacional de la Comunidad de Madrid, en un acto con toda la pompa del que fue ajeno el líder del PP. Ahora, en plena precampaña electoral, la presencia del histriónico mandatario latinoamericano vuelve a ser incómoda para el PP, salvo para la presidenta de la Comunidad de Madrid, que ha vuelto a reivindicarlo como un referente, al recibirlo calurosamente y exhibir complicidad con un abrazo mientras el líder de su partido lo ignoraba y ponía tierra de por medio con un acto en Sevilla centrado en las políticas de vivienda. Los populares son conscientes de que los insultos de Milei en Madrid a Pedro Sánchez, a quien llamó este miércoles “impresentable dictador”, pueden activar al electorado progresista, pero confían en que el impacto de la visita del presidente argentino se diluya porque aún faltan 40 días para la cita con las urnas. “Menos mal que ha venido ahora y no el 21 de noviembre, porque si llega a venir la última semana de campaña el escenario sería distinto”, admite un dirigente.

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La presidenta de la Comunidad de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, se reúne con el presidente de la República Argentina, Javier Milei, en las instalaciones del Canal de Isabel II de la capital, este miércoles.

Milei cede en Diputados: restituyen la ley que limita la venta de tierras a extranjeros

22 October 2026 at 00:59
La Cámara de Diputados aprobó por 124 votos contra 119, con seis abstenciones decisivas, el proyecto del ministro de Desregulación, Federico Sturzenegger, pero el oficialismo debió ceder: restituyó la ley que limita la compra de tierras rurales por extranjeros, que el decreto de Javier Milei había derogado. El texto vuelve al Senado.
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