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JBS oferece troca de US$ 2,5 bilhões em títulos de dívida nos EUA

23 October 2026 at 12:07

A JBS iniciou uma oferta de troca de até US$ 2,5 bilhões em títulos de dívida (senior notes) no mercado americano. A operação envolve US$ 1,5 bilhão em papéis com juros anuais de 5,625% e vencimento em 2037 e outros US$ 1 bilhão em títulos com taxa de 6,4% e vencimento em 2057.

Segundo o prospecto apresentado à SEC (Securities and Exchange Commission), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, os investidores poderão trocar os títulos já emitidos por novos papéis de igual valor e com os mesmos termos financeiros, agora registrados sob a legislação americana de valores mobiliários.

A oferta atende a um compromisso assumido pela companhia com os compradores originais dos títulos. Os papéis foram emitidos em 13 de abril de 2026, e o acordo previa a realização de uma oferta de troca após o registro das novas notas na SEC.

A operação não prevê entrada de novos recursos para a companhia. Os títulos antigos entregues pelos investidores serão retirados de circulação, enquanto os novos terão condições financeiras e cláusulas contratuais substancialmente idênticas às dos papéis substituídos.

A principal diferença é que os novos títulos registrados não estarão sujeitos às mesmas restrições de transferência nem aos direitos de registro previstos para os papéis originais. Os investidores que não aderirem à oferta continuarão com os títulos antigos e suas respectivas restrições de negociação.

O prospecto ainda está sujeito à conclusão do processo de registro, e a operação depende da efetivação do registro e do cumprimento das condições previstas no documento. A companhia informou que não pretende listar os novos títulos em bolsas de valores ou sistemas automatizados de negociação.

Como integridade e governança podem destravar a mobilidade urbana

23 October 2026 at 11:00

Nos últimos anos, a infraestrutura de mobilidade e transporte se tornaram o verdadeiro motor do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Do escoamento de safras à rotina diária de milhões de trabalhadores nos trens, metrôs e rodovias, o setor movimenta bilhões de reais em investimentos e estabelece contratos públicos de longa duração.

No entanto, essa mesma complexidade, que é marcada por uma intensa e contínua agenda e interface entre o setor privado e a administração pública por razões de Parcerias Público Privadas (PPPs), Licitações e Concessões, carrega um histórico de riscos sistêmicos de fraude e corrupção. Enfrentar esse gargalo não é apenas uma exigência moral ou regulatória, mas uma condição indispensável para a eficiência e para a atração de capitais de longo prazo.

Embora a aprovação da Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) tenha representado um marco para a implementação de programas de compliance nas empresas, a prática demonstra que esforços isolados têm um alcance, por vezes, limitado. Quando uma única empresa adota controles rigorosos de integridade e outras do mercado operam sob regras desconhecidas ou não públicas, cria-se um dilema competitivo e injusto. É precisamente aqui que o debate setorial precisa avançar, uma vez que a integridade não pode ser encarada como uma vantagem individual, mas como um padrão mínimo e coletivo de todo o ecossistema de transporte e logística.

A solução para problemas sistêmicos exige respostas igualmente coletivas. Quando concessionárias de rodovias e ferrovias, operadoras de transporte rodoviário de cargas, sistemas metroviários e suas respectivas cadeias de fornecimento (o que inclui as pequenas e médias empresas) se unem ao poder público e a órgãos reguladores, o ambiente de negócios se transforma.

A presença de atores como a Controladoria-Geral da União, o Ministério dos Transportes, a ANTT e entidades representativas como a CNT, ABCR, ABTC e ANPT na mesma mesa de discussão sinaliza que a transparência passa a ser uma regra do jogo compartilhada por todos.

Na prática, a construção de um ambiente mais íntegro no setor de mobilidade exige compromissos concretos. É urgente capacitar milhares de profissionais anualmente nas operações e nas pontas das cadeias de valor, mapear os riscos específicos inerentes a contratos de concessão e criar regras de governança que desestimulem o favorecimento e o superfaturamento.

Para o cidadão, o reflexo direto de um setor mais transparente é a garantia de serviços públicos de melhor qualidade, a redução de atrasos em obras estruturantes e a aplicação correta dos recursos.

A mudança de cultura no setor de mobilidade brasileira já não é uma possibilidade futura, mas uma urgência do presente. Iniciativas de cooperação que reúnem empresas, reguladores e a sociedade civil mostram que é possível elevar a régua da governança sem comprometer a competitividade. Combater a corrupção na infraestrutura é, em última análise, defender a eficiência econômica e o direito do país a uma mobilidade moderna, previsível e sustentável.

*Juliana Penelli é gerente de Compliance Sênior do Pacto Global da ONU – Rede Brasil

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.

Copacol quer ampliar produção de tilápia para 300 mil por dia em 2027

23 October 2026 at 08:30

A paranaense Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata) quer ampliar os negócios com tilápia em 2027, apoiada no crescimento do consumo doméstico e na possibilidade de ampliar o processamento em suas instalações no Paraná. Há potencial para abater 300 mil tilápias ao dia, alta de 42,9% em relação à capacidade atual, de 210 mil peixes.

O volume se concentra nas duas unidades de processamento de peixes no oeste do Paraná, nos municípios de Nova Aurora e Toledo, este último tem operação de apenas um turno, o que abre espaço para dobrar o volume processado na unidade, explica Alexandre Lachi, gerente de marketing da cooperativa.

A Copacol é a maior produtora e processadora de tilápia do Brasil, e uma das maiores da América Latina. No varejo, difundiu as vendas desse peixe e popularizou o comércio porcionado de produtos frescos e congelados.

A estratégia, entretanto, vai além da capacidade operacional. De acordo com o gerente, “é preciso ajustar a oferta à demanda para preservar os preços e o valor da categoria”, que são competitivos e asseguram que a população brasileira agregue a tilápia no cardápio diário.

Por isso, acrescenta, a Copacol definiu plano de crescimento “mais sustentável”, o que significa investimentos mais rígidos e ampliação da capacidade mais lenta.

A expectativa é aproveitar a estrutura disponível à medida que o mercado absorva os volumes adicionais.

Segundo Lachi, a Copacol detém aproximadamente 33% do mercado nacional de tilápia no varejo e comercializa mais de mil toneladas por mês do pescado no Brasil.

O executivo relata um desempenho recorde da categoria na cooperativa em 2026, acompanhado de maior presença do produto nas refeições durante a semana.

Na avaliação dele, mudanças nos hábitos alimentares abrem oportunidades para o pescado. Lachi inclui nesse movimento a disseminação dos medicamentos à base de GLP-1 – as canetas emagrecedoras -, que a cooperativa acompanha como uma tendência com potencial para influenciar as escolhas dos consumidores.

Atualmente, o Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil, com uma marca de 273,1 mil toneladas registradas, de acordo com Associação Brasileira da Piscicultura – Peixe BR. O país alcança recordes de produção de pescado, com destaque para a tilápia, cuja produção anual é de mais de 700 mil, conforme o Observatório do Peixe, da Alianima. 

Estrutura do frango pode apoiar exportações

A expansão internacional é outra frente de interesse. Segundo Lachi, as duas unidades de peixes têm habilitações para exportar, mas o avanço das vendas depende da abertura dos mercados pretendidos.

A cooperativa quer aproveitar a experiência adquirida com a carne de frango, exportada para 85 países, para ampliar a presença do pescado no exterior.

“Temos cadeia, logística, e, para incluir o pescado, é meio caminho andado”, diz à CNN. O controle das etapas produtivas é apontado pelo executivo como um diferencial para essa estratégia com rastreabilidade ao longo da cadeia.

O modelo, afirma Lachi, permite controlar características como qualidade e sabor e acompanhar o produto nas diferentes fases da produção.

Negócio integra cooperativa de R$ 11,1 bilhões

A piscicultura faz parte de uma estrutura diversificada, que reúne atividades como avicultura, produção de grãos, suinocultura e bovinocultura de leite. Fundada em 1963 e sediada em Cafelândia, no oeste do Paraná, a cooperativa registrou faturamento de R$ 11,1 bilhões em 2025, alta de 4,7% sobre o ano anterior.

No mesmo exercício, a Copacol distribuiu R$ 224,9 milhões em sobras, complementações e juros sobre o capital aos cooperados. Segundo a instituição, a diversificação das atividades contribuiu para os resultados em um período de custos elevados e desafios logísticos e sanitários.

Os indicadores atualmente divulgados pela cooperativa apontam 10,5 mil cooperados e 16,8 mil colaboradores. A estrutura processa 58,1 milhões de peixes e 217,4 milhões de aves por ano, além de receber 2,3 milhões de toneladas de grãos anualmente.

Na tilápia, cuja operação industrial se consolidou em 2008, a próxima etapa de expansão deve acompanhar a evolução do consumo.

A prioridade, segundo Lachi, é usar o espaço disponível nas fábricas sem comprometer o equilíbrio entre oferta, demanda e remuneração da cadeia.

Tomate desafia padrão histórico de preços e surpreende na inflação de 2026

23 October 2026 at 08:30

Um dos itens mais sensíveis da cesta básica, o tomate tem registrado forte oscilação de preços em 2026. Embora o fruto tenha uma peso pequeno na inflação geral – entre 0,2% e 0,35% -,nos últimos 12 meses apareceu em praticamente todos os relatórios mensais do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Especialista no mercado de hortifrutis, João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), conta que a volatilidade é uma característica dessa cultura. Porém, o comportamento de 2026 fugiu da curva tradicional.

“A volatilidade se dá em função de fatores como área cultivada, calendário de plantio e produtividade. A colheita este ano tem variado muito principalmente em função do clima. Com as temperaturas mais baixas, a maturação fica bastante retraída. Quando as temperaturas sobem, a maturação acelera e a oferta aumenta pressionando os preços. Todos esses fatores explicam as oscilações mais fortes ao longo deste ano”, destaca Deleo.

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Os dados IPCA ajudam a desenhar a trajetória do tomate

Entre setembro e dezembro de 2025 o preço do fruto registrou sucessivas retrações influenciando diretamente o grupo Alimentação e Bebidas do IPCA. Teve queda acentuada sem setembro (-11,52%),  novembro (-10,38%) e dezembro (-3,95%).

2026 começa com elevação

Já no primeiro semestre de 2026 o movimento se inverte e uma sequência de altas chamam a atenção. A primeira registrada em janeiro: 20,52%, seguida por valorizações acentuadas em março (+20,31%), em abril (+6,13%) e também em maio (+20,62%).

O alívio veio no meio do ano com a chegada da safra de inverno e melhora temporária na produtividade. Porém, depois de acumular alta de mais de 65% no primeiro semestre os preços não caíram na mesma proporção.

Em julho o tomate registrou a maior retração do período -29,09%, influenciando diretamente no grupo alimentação no domicílio que registrou queda de 1,14% no mês.

O movimento de recuo continuou em agosto: 10,94%. Em setembro de 2026, a surpresa: o tomate registra alta recorde para o período de 37,76%.

Clima e mercado definem rumos do preço

Enquanto o comportamento histórico aponta que os preços mais altos do tomate se concentram no primeiro semestre do ano, período em que a entressafra e as chuvas reduzem a produtividade, esse percentual de setembro contrariou as estatísticas.  De acordo com o pesquisador do Cepea, o movimento atípico de alta tem justificativas climática e mercadológica.

Os dias chuvosos e nublados prejudicaram a fotossíntese das plantas, gerando frutos de menor calibre e reduzindo o potencial produtivo nas principais regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste.

“Tradicionalmente temos preços mais baixos para o tomate no segundo semestre, principalmente em agosto e setembro. O tempo seco e dias ensolarados aceleram a maturação. Este ano a gente viu um cenário diferente. Os valores entre setembro e outubro atingiram os picos, mais altos inclusive do que registrado em maio”, explica Deleo.

Área plantada menor pelo segundo ano

Outro fator que impactou a oferta do produto foi a redução da área plantada. Nas regiões monitoradas pelo Cepea as áreas dedicadas ao cultivo de tomate estão em retração pelo segundo ao consecutivo.

A estimativa dos pesquisadores é de redução de 5,4% na área de 2026 e de 16,3% em dois anos.  “Os produtores de tomate vem reduzindo a área cultivada devido aos prejuízos em safras anteriores”.

Expectativas não são positivas para o consumidor

Somado os problemas de produtividade e os atrasos na maturação, os preços do tomate devem se manter em patamares mais elevados e volatilidade não deve dar trégua tão cedo.

“No Sul e Sudeste, a expectativa é de excesso de chuvas, além de temperaturas elevadas em alguns momentos, o que pode reduzir a produtividade. No Nordeste, e em determinados momentos no Centro-Oeste, o clima mais seco pode elevar a presença de pragas e com a estimativa de temperaturas acima da média, prejudicando as lavouras. A volatilidade deve seguir na tomaticultura. Mas os preços tendem a ficar num patamar mais alto mas o clima que deve determinar isso”, completa João Paulo Deleo.

Apple aposta que iPhone Duo revolucionará mercado de celulares dobráveis

23 October 2026 at 08:10

Por quase duas décadas, a Apple fez apenas pequenas alterações no iPhone, sua máquina de fazer dinheiro. Isso muda nesta sexta-feira (23), quando a empresa começa a vender seu primeiro telefone dobrável, o iPhone Duo, apostando que o dispositivo pode fazer pelo mercado de pequenos dobráveis ​​o que o iPhone fez pelos smartphones.

A sua recepção poderá representar um teste inicial para o novo CEO da Apple, John Ternus, o antigo chefe de hardware que apresentou o iPhone Duo apenas uma semana depois de assumir o cargo, em setembro.

Isso também pode ter grandes implicações para uma categoria de nicho na qual rivais como a Samsung e a Huawei já vendem produtos premium há anos.

Poucos minutos após a abertura da pré-venda na última sexta-feira, a previsão de entrega do Duo pela Apple foi adiada para o final de janeiro, já que a demanda superou a oferta. A empresa classificou a resposta dos clientes como “nada menos que extraordinária”.

Avaliações do iPhone Duo foram mistas

As primeiras análises elogiaram o design premium do Duo de US$ 1.999, bem como sua dobradiça robusta e quase invisível. Esse é um grande feito para telefones cuja tela com vinco proeminente tem sido, por muito tempo, uma grande desvantagem e um potencial fator de dissuasão para os compradores.

Mas os analistas também disseram que as concessões na câmera, incluindo a ausência de uma lente teleobjetiva e aplicativos de terceiros que ainda precisam ser adaptados ao novo tamanho da tela, podem decepcionar alguns compradores.

Eles observaram que o iPhone Duo, em seu formato menor e dobrado, é menos prático para a infinidade de tarefas rápidas que a maioria dos usuários realiza diariamente em iPhones padrão, levando vários analistas renomados a desaconselharem o Duo para muitos clientes da Apple.

“Foi muito divertido testar o Duo por uma semana, mas a sensação é de que usei um protótipo extremamente refinado — não um produto final que eu gostaria de comprar e usar”, escreveu John Gruber, comentarista veterano da Apple e autor do blog Daring Fireball, em uma análise.

O comentarista de tecnologia Marques Brownlee, popularmente conhecido como MKBHD, disse em uma análise no YouTube que “se você é uma pessoa comum que não faz muito mais do que enviar mensagens de texto, usar redes sociais e navegar aqui e ali, então provavelmente não vale a pena. Mas se US$ 2.000 não significam muito para você, e você gosta da ideia, depois da curva de aprendizado e de se acostumar a não ter reconhecimento facial, é um telefone realmente divertido”.

Difícil de encontrar

A disponibilidade limitada pode decepcionar os fãs da Apple, que já estão formando filas em frente às lojas para comprar o Duo.

A Apple informou à Reuters que a disponibilidade nas lojas físicas variará de acordo com o país, com estoques limitados nos EUA, Austrália, Canadá, México e grande parte do Reino Unido e da Europa. Na China, França, Hong Kong, Índia e Japão, as unidades estarão disponíveis apenas para clientes que fizeram o pedido online.

Em Macau, território administrado pela China, onde o iPhone Duo estará disponível apenas para clientes que comparecerem pessoalmente, fãs já começaram a formar filas horas antes, conforme mostram publicações em redes sociais e reportagens da mídia.

“Os dispositivos dobráveis ​​são uma categoria consolidada há anos, mas sua adoção tem permanecido relativamente limitada em comparação com os smartphones convencionais. A entrada da Apple nesse mercado pode levar o formato a um público muito mais amplo”, disse Francisco Jeronimo, vice-presidente da empresa de pesquisa de mercado IDC.

A IDC prevê que a Apple deterá 44% do valor do mercado de dispositivos dobráveis ​​em 2026, com 31% das unidades vendidas. Até 2027, a empresa se tornará líder de mercado na categoria, tanto em valor quanto em unidades comercializadas.

“A Apple apresentou argumentos convincentes para esse formato”, disse Jeronimo após passar uma semana com o Duo.

“Agora vem o próximo desafio: transformar a empolgação em disponibilidade, adoção e um novo capítulo duradouro para o mercado de smartphones”, acrescentou Jeronimo.

Sustentabilidade: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem

23 October 2026 at 08:00

A capacidade de atender a demanda global por alimento a partir de preceitos de produção sustentável é uma das metas da cadeia agropecuária. Nos últimos anos, embargos e rigor de negociações entre parceiros comerciais mostraram que sustentabilidade, mais que obrigação, se tornou um ativo econômico necessário para comprar, vender e distribuir comida, fibras e bioenergia. 

Os planos de governo dos candidatos à presidência em 2026, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentam propostas amplas para este tema, que não são diretamente relacionadas ao agronegócio, mas incluem o setor nas metas planejadas. 

Os dois planos citam alvos para combater o desmatamento, ampliar os biocombustíveis e remunerar a conservação ambiental, ao mesmo tempo que se diferenciam em abordagem e detalhamento sobre sustentabilidade. Os instrumentos previstos para associar sustentabilidade e desenvolvimento econômico também são diferentes entre os candidatos. 

No plano do candidato do PL, o termo sustentabilidade é citado uma vez ao longo de 76 páginas. No documento do candidato do PT, a palavra é mencionada 16 vezes em 84 páginas.

Na proteção das florestas, Flávio propõe zerar o desmatamento ilegal até 2029. Já Lula estabelece o compromisso de alcançar o desmatamento líquido zero até 2030. As formulações têm escopos diferentes: a primeira se refere às derrubadas que descumprem a legislação; a segunda considera o balanço entre perdas e recuperação da cobertura florestal. 

Para a produção agropecuária, os planos reúnem medidas como rastreabilidade, recuperação de áreas degradadas, incentivos à conservação e aproveitamento de resíduos para geração de energia. Mercado de carbono e bioeconomia também aparecem nos dois programas. Confira mais detalhes abaixo: 

FLÁVIO BOLSONARO 

Desmatamento e fiscalização ambiental 

O candidato propõe zerar o desmatamento ilegal até 2029 e combater queimadas ilegais. Para isso, prevê integrar informações fundiárias e ambientais, imagens de satélite, inteligência artificial e bancos de dados em tempo real. 

O plano aponta como prioridades o combate à grilagem, à ocupação ilegal de terras públicas e às organizações criminosas envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira e garimpo ilegal. Também prevê ampliar a cooperação com países vizinhos contra crimes ambientais, citando a Amazônia. 

Conservação e remuneração dos produtores 

O plano prevê ampliar o pagamento por serviços ambientais para remunerar produtores, comunidades e proprietários rurais que conservam a vegetação nativa, recuperam áreas degradadas e protegem recursos hídricos. 

O candidato também propõe consolidar o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e utilizar assistência técnica, capacitação, tecnologia e crédito para transformar a conservação em fonte de renda. 

Rastreabilidade 

O candidato propõe instituir a rastreabilidade completa das cadeias produtivas, com integração de cadastros fundiários e ambientais, guias de trânsito animal, autorizações de supressão vegetal e monitoramento por satélite. 

Segundo o documento, o sistema deve comprovar a origem da produção e reduzir a necessidade de apresentar as mesmas informações a diferentes órgãos públicos. 

Adaptação às mudanças climáticas 

O programa prevê ampliar a infraestrutura de prevenção a eventos climáticos extremos, com barragens, reservatórios para controle de cheias, diques, canais e obras de drenagem. Também propõe fortalecer o monitoramento, os alertas e a resposta da Defesa Civil. 

Mercado de carbono e financiamento 

O plano propõe consolidar o mercado regulado de carbono com segurança jurídica e posicionar o Brasil como fornecedor global de ativos ambientais. 

Também prevê fortalecer o RenovaBio e ampliar seu alcance para o exterior, com o objetivo declarado de permitir a venda de créditos de carbono brasileiros ao mundo, mas não define meios e metas para desenvolver o projeto. 

Bioeconomia e desenvolvimento da Amazônia

O plano propõe estimular biotecnologia, fármacos, cosméticos e novos materiais produzidos a partir da biodiversidade. 

Para a Amazônia, prevê apoiar cadeias produtivas sustentáveis, manejo responsável e agregação de valor aos produtos da floresta, com orientação, regularização e oportunidades de renda para as comunidades locais.

Regras ambientais 

O candidato propõe definir prazos para o licenciamento ambiental e conceder a licença quando o órgão responsável não decidir nem se manifestar dentro do período estabelecido, desde que o empreendedor tenha cumprido as exigências. 

LULA 

Desmatamento e fiscalização ambiental 

O programa estabelece a meta de desmatamento líquido zero até 2030, com continuidade dos planos de prevenção e controle e implementação plena do Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo. 

O documento prevê assegurar a efetividade do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica, ampliar o monitoramento por satélite e o uso de inteligência artificial na fiscalização. Também propõe avançar na destinação de terras públicas para unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos. 

Conservação e remuneração dos produtores 

O programa propõe aprimorar pagamentos por serviços ambientais voltados à biodiversidade e reconhecer legalmente a restauração “biocultural” como estratégia de Estado, complementar à restauração florestal convencional. 

Prevê incentivos à recuperação de áreas degradadas e à conservação de nascentes na agricultura familiar, incluindo ampliação dos sistemas agroflorestais e do Programa Nacional de Florestas Produtivas.

Produção agropecuária e rastreabilidade 

O plano destaca apoio a rastreabilidade individual do rebanho bovino, do nascimento ao abate, para atender às exigências dos mercados internacionais. Também propõe dialogar com o setor produtivo sobre mecanismos de rastreabilidade e devida diligência nas cadeias produtivas. 

Na pecuária, o programa inclui a continuidade da recuperação de pastagens degradadas, o melhoramento genético e a nutrição animal de precisão, com o objetivo de reduzir o ciclo de abate e as emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne. 

Adaptação às mudanças climáticas 

O candidato propõe buscar a implementação de um programa nacional de resiliência climática no campo, com conservação dos solos, irrigação, agricultura de precisão, plantio direto e modernização dos alertas meteorológicos. 

No documento, menciona-se fortalecer o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e, como política ambiental, inclui financiamento para adaptação no semiárido, combate à desertificação e restauração ecológica da Caatinga.

Mercado de carbono e financiamento 

O programa prevê avançar na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, em articulação com a política industrial. 

Para financiar a descarbonização, propõe manter e ampliar instrumentos como Fundo Clima e Eco Invest. Também prevê implementar a governança do Fundo Florestas Tropicais para Sempre para viabilizar o início dos investimentos. 

O documento reafirma o compromisso com a meta climática brasileira de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em 59% a 67% até 2035, em relação a 2005. 

Bioeconomia e desenvolvimento da Amazônia

O programa prevê expandir atividades industriais, farmacêuticas, alimentares e de cosméticos derivadas da biodiversidade, com apoio do Fundo Amazônia a projetos de desenvolvimento sustentável, porém não dá detalhes de como irá cumprir a meta.  

Na política externa, propõe fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica em bioeconomia, ciência, financiamento verde e combate aos ilícitos transnacionais. 

Regras ambientais 

Uma das propostas é ampliar os investimentos da Petrobras em exploração terrestre e marítima, revitalizar campos maduros e explorar novas reservas com cuidados socioambientais. 

Ao mesmo tempo, propõe orientar a companhia para a transição energética, com investimentos em fontes de baixo carbono e redução das emissões operacionais, em alinhamento com o Acordo de Paris e a meta climática brasileira.

Governo publica edital para compra de dívidas no Desenrola 3.0

23 October 2026 at 02:22

O Ministério da Fazenda publicou nesta quinta-feira (22) em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) a portaria que estabelece os critérios para a compra de dívidas antigas pelo governo federal no âmbito do Desenrola Brasil 3.0.

O texto também torna público o edital de manifestação de interesse para instituições financeiras e outros credores interessados em ofertar carteiras de crédito à União.

O prazo para envio das informações termina às 23h59 do dia 30 de outubro. A iniciativa busca levantar o volume de débitos que poderão ser adquiridos pelo governo e subsidiar a organização de um procedimento competitivo para a compra das carteiras.

A expectativa da Fazenda é receber ofertas que somem até R$ 90 bilhões em dívidas. Como o programa prevê desconto mínimo de 90% na aquisição dos créditos, o desembolso da União poderia chegar a R$ 9 bilhões caso todo esse volume fosse comprado nas condições mínimas estabelecidas.

A participação no chamamento, no entanto, não garante que as carteiras serão adquiridas pelo governo. O procedimento desta etapa é voltado aos credores e tem como objetivo reunir informações para estruturar o futuro leilão.

Quais dívidas poderão ser incluídas

A primeira etapa abrange dívidas de pessoas físicas, incluindo MEIs (microempreendedores individuais), com valor original de até R$ 10 mil e atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, considerando a data de referência de 25 de setembro de 2026.

Entre as modalidades contempladas estão débitos de cartão de crédito rotativo e parcelado, crédito pessoal sem consignação e cheque especial. Para os MEIs, também são consideradas operações de crédito sem garantia real, conforme os critérios definidos na portaria.

Os créditos devem ter sido originados em operações contratadas com instituições financeiras constituídas por lei ou autorizadas a funcionar pelo Banco Central.

O chamamento também permite a manifestação de interesse de companhias securitizadoras, FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) e outras pessoas jurídicas detentoras de carteiras elegíveis.

Os credores deverão apresentar informações sobre a quantidade de devedores, o número de contratos e o valor dos créditos, com a separação dos dados por modalidade de operação, faixa de renda e tempo de inadimplência, entre outros critérios previstos no edital.

Desconto mínimo de 90%

A compra das carteiras deverá observar um deságio mínimo de 90% sobre o valor original atualizado dos créditos, incluindo juros, multas e encargos.

Isso significa que a União pagará, no máximo, 10% do valor considerado para a aquisição, respeitadas as condições aplicáveis ao procedimento.

O desconto mínimo, contudo, não impede que o governo busque condições mais vantajosas na disputa entre os credores.

A definição das carteiras que serão efetivamente adquiridas dependerá das informações recebidas e das regras do procedimento competitivo a ser realizado posteriormente.

O governo também pretende avaliar o volume de dívidas por perfil de renda para estruturar a operação.

A prioridade anunciada é atender devedores de menor renda e microempreendedores individuais, embora o levantamento contemple diferentes faixas de rendimento.

Leilão deve ocorrer entre novembro e dezembro

A publicação da portaria dá continuidade à preparação do Desenrola 3.0, anunciado pelo governo federal em setembro.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a etapa de manifestação de interesse permitiria dimensionar as carteiras disponíveis e organizar o leilão, previsto para novembro ou dezembro.

Após o levantamento, o governo deverá definir o volume de créditos que pretende adquirir e as condições para a disputa entre os credores.

A expectativa inicial divulgada pela equipe econômica era de que o programa pudesse envolver até R$ 150 bilhões em renegociações, mas a estimativa para as carteiras a serem apresentadas nesta primeira chamada é de R$ 90 bilhões.

A etapa publicada nesta quinta-feira não representa a abertura da renegociação para os consumidores.

Neste momento, pessoas físicas e MEIs não precisam procurar os bancos para aderir ao programa. As condições para renegociar os débitos, incluindo prazos, juros e formas de pagamento, dependerão das etapas posteriores de implementação.

A proposta é permitir que pessoas com dívidas antigas recuperem o acesso ao crédito em condições mais favoráveis, a partir dos descontos obtidos na aquisição das carteiras pela União.

Tesouro dos EUA suspende restrições a investimentos ligados à Venezuela

23 October 2026 at 00:52

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou nesta quinta-feira (22) uma proposta de regulamentação para a análise de investimentos no exterior na China, na Rússia e em outros países – uma lista que não inclui mais a Venezuela, agora que o ex-presidente do país Nicolás Maduro não está mais no poder.

O Tesouro aceitará comentários até 7 de dezembro sobre as regras propostas, que foram determinadas pela Lei Abrangente de Segurança Nacional para Investimentos no Exterior de 2025 (COINS Act), aprovada pelo Congresso em dezembro, mas que surgiu de um esforço bipartidário iniciado pelo ex-presidente Joe Biden em 2023.

A Lei COINS marcou uma expansão significativa dos controles sobre os investimentos externos dos EUA, exigindo que empresas e indivíduos norte-americanos notifiquem o Tesouro sobre certos planos de investimento, ao mesmo tempo em que os proíbe totalmente em outros casos para evitar danos à segurança nacional dos EUA.

Ela ampliou a lista de países abrangidos e incluiu a biotecnologia como um dos setores restritos, conferindo ao Tesouro a autoridade para adicionar outros setores conforme necessário.

O programa de investimentos no exterior tinha inicialmente como alvo apenas a China, mas a legislação COINS ampliou a lista de países “motivos de preocupação” para incluir Cuba, Irã, Coreia do Norte, Rússia e Venezuela “sob o regime de Nicolás Maduro”.

Mas o Tesouro afirmou que retirou a Venezuela da lista, uma vez que o governo Maduro “não existe mais” após a captura do ex-presidente por forças norte-americanas em janeiro, acrescentando que o atual governo, liderado pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, não se enquadrava na definição.

A regra proposta ainda poderia se aplicar a certos investimentos em entidades venezuelanas, afirmou o Tesouro, sem dar mais detalhes.

O presidente Donald Trump recebeu o presidente chinês Xi Jinping para uma luxuosa visita de Estado a Washington no mês passado e tem adotado uma abordagem menos restritiva em relação às tecnologias chinesas em seu segundo mandato, mas a divulgação, nesta quinta-feira, das regras propostas pode sinalizar um desejo de manter alguma pressão sobre as ambições tecnológicas de Pequim.

“A ideia por trás do programa de investimentos no exterior é garantir que tenhamos a capacidade de monitorar e, potencialmente, proibir os tipos de investimentos” que representam riscos à segurança nacional dos EUA, disse à Reuters o secretário-adjunto do Tesouro, Chris Pilkerton, responsável por questões de segurança de investimentos.

“Não se trata apenas do investimento em si; não se trata apenas do dinheiro. Trata-se da rede, da cadeia de suprimentos e de aspectos como esses que decorrem desse investimento”, disse ele, acrescentando que uma teia tão complexa de relações seria difícil de regulamentar de outra forma, por meio de controles de exportação ou outras medidas.

O Tesouro afirmou que as regras propostas não proibiriam todos os investimentos em países que suscitam preocupação.

Em vez disso, elas visariam investimentos específicos em entidades envolvidas em tecnologias de dupla utilização que beneficiem programas militares, Estados de vigilância e países com violações dos direitos humanos.

As regras propostas exigem notificação sobre investimentos potenciais em seis setores e cinco países designados, ao mesmo tempo em que os proíbem totalmente no caso da inteligência artificial.

Queda de Maduro amplia atração de investimentos na Venezuela

KPGM: Presença de mulheres nos conselhos chega a 17%

23 October 2026 at 00:45

A participação de mulheres nos conselhos de administração de empresas abertas brasileiras atingiu 17% em 2026, o maior patamar registrado nos últimos 13 anos. O dado é resultado de uma pesquisa da KPMG que analisou 261 companhias listadas na Bolsa de Valores.

Em 2013, as mulheres ocupavam apenas 6% desses cargos, percentual que avançou para 16% em 2023 e chegou ao atual índice de 17%. Apesar do avanço expressivo em pouco mais de uma década, o número ainda é considerado baixo quando comparado a outros países.

Brasil ainda abaixo da média internacional

Fernanda Allegretti, que participou de entrevista ao CNN Money para comentar os resultados da pesquisa, destacou que o índice brasileiro fica aquém de referências internacionais.

“Se você pega as grandes empresas da S&P, por exemplo, você tem mais de 34% das empresas com mulheres no conselho de administração”, afirmou.

Ela também citou que os países da OCDE registram uma média de 29%. “Com 17% mostra que a gente ainda tem um caminho a percorrer”, pontuou Allegretti.

Fatores que impulsionam a mudança

Segundo Allegretti, o avanço da governança corporativa, a regulação e a pressão dos chamados stakeholders são os principais fatores que têm impulsionado a maior presença feminina nesses espaços. Ela ressaltou que a demanda por diversidade vai além do gênero.

“Quando a gente fala de diversidade, não é só de gênero, mas também de formação, de idade”, explicou. Ela também mencionou que os próprios funcionários das empresas têm demandado mais diversidade, não apenas nos conselhos, mas na liderança como um todo.

Barreiras culturais ainda persistem

Ao ser questionada sobre os obstáculos que ainda limitam o avanço do percentual, Fernanda Allegretti apontou a cultura corporativa como um dos principais entraves.

“Eu não acho que é uma questão de formar as mulheres, as mulheres já estão formadas, muitas vezes super preparadas e até mais do que os homens, porque elas sabem que elas enfrentam barreiras maiores para chegar lá”, afirmou.

Para ela, o desafio está em fazer com que os próprios conselheiros e a liderança das empresas abram espaço para que as mulheres alcancem esses fóruns de decisão.

Governança e gerenciamento de riscos

A pesquisa também revelou que 96% das empresas analisadas consideram seus controles internos adequados. Allegretti ponderou que verificar essa percepção exigiria uma análise individual de cada companhia, e questionou se esse adequação contempla riscos emergentes, como ataques cibernéticos e o uso equivocado de inteligência artificial.

Outro dado destacado aponta que 83% das empresas informam contar com uma área específica para gerenciamento de riscos, ante 61% em 2010.

“As empresas estão visualizando que os riscos estão aumentando e que elas têm que se preparar para eles”, concluiu.

Mais de 60% das mulheres empreendem sobrecarregadas, diz pesquisa

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Newcastle pode pressionar preço do frango no Brasil em 2027, diz Itaú BBA

23 October 2026 at 00:15

O aumento da produção brasileira de carne de frango, combinado com possíveis restrições às exportações após a confirmação de um caso de doença de Newcastle em Santa Catarina, pode pressionar os preços da proteína no mercado interno no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, que aponta riscos para a comercialização da produção catarinense caso os mercados importadores demorem a retomar as compras.

Em relatório divulgado, a consultoria destaca que o impacto do episódio sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, mas pode ser mais significativo para os produtores e frigoríficos de Santa Catarina. O estado é o segundo maior produtor de frango do país e tem forte dependência do mercado externo, com cerca de 63% da produção destinada às exportações.

Em 2025, Santa Catarina produziu aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de carne de frango, o equivalente a 13,4% da produção nacional. No comércio exterior, respondeu por 1,2 milhão de toneladas exportadas, que geraram US$ 2,45 bilhões, representando 22,5% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras da proteína.

A confirmação do foco de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense, levou alguns países a impor restrições às compras. A China suspendeu 14 unidades de Santa Catarina entre as 61 plantas brasileiras habilitadas, enquanto Arábia Saudita e Chile também adotaram medidas direcionadas ao estado. México e Malásia, por sua vez, suspenderam as importações de carne de frango de todo o Brasil.

Segundo o Itaú BBA, a extensão e a duração dessas restrições serão determinantes para avaliar os efeitos econômicos do episódio. Caso os embarques não sejam retomados rapidamente, parte da produção que seria exportada poderá permanecer no mercado brasileiro ou precisar ser armazenada por mais tempo, elevando os custos das empresas.

Esse cenário pode aumentar a disponibilidade interna de carne de frango justamente em um período em que a produção nacional já apresenta crescimento. Entre janeiro e setembro de 2026, os abates de frangos avançaram 3,7%, enquanto o volume de carne produzido aumentou 6,2%, de acordo com os dados citados no relatório. Para o ano, a expectativa é de expansão próxima de 6% na produção.

Com mais produto disponível e dificuldades para escoar parte dos volumes ao exterior, frigoríficos podem recorrer a descontos para vender os estoques, pressionando as cotações. O efeito, porém, dependerá da capacidade de redirecionar as exportações para outros destinos, da velocidade de reabertura dos mercados suspensos e do comportamento da demanda doméstica.

Equilíbrio do mercado

O Brasil vinha registrando crescimento na produção e nas vendas externas de carne de frango em 2026, com possibilidade de alcançar um novo recorde anual de exportações. Nesse contexto, a perda temporária de acesso a determinados mercados pode dificultar o escoamento da oferta, sobretudo para empresas com maior exposição a Santa Catarina.

A China representou cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. A Arábia Saudita também tem peso relevante, tendo sido o terceiro principal destino da proteína brasileira no período, com aproximadamente 327,8 mil toneladas, o equivalente a cerca de 8% dos embarques.

A possibilidade de redirecionar os volumes para outros compradores pode reduzir os efeitos das suspensões, mas não elimina necessariamente os custos de transição. Mudanças de destino podem exigir renegociação de contratos, ajustes logísticos e maior tempo de armazenamento, com consequências para o fluxo de caixa dos frigoríficos e cooperativas.

O relatório ressalta que a duração dos embargos comerciais pode ser tão importante quanto o controle sanitário do foco. Em episódios anteriores, a retomada das compras variou conforme o país importador e as regras adotadas para regionalizar as restrições, o que torna incerto o prazo de normalização dos embarques.

Mercado doméstico

Para o mercado doméstico, o início de 2027 concentra um risco adicional. A demanda por carne costuma perder força sazonalmente no primeiro trimestre, enquanto o eventual redirecionamento de volumes antes destinados à exportação pode ampliar a oferta disponível no país.

Se a produção continuar crescendo e as restrições comerciais persistirem, a combinação de maior disponibilidade e demanda sazonalmente mais fraca poderá pressionar os preços do frango. O movimento também dependerá do ritmo de consumo, dos estoques acumulados e da capacidade de absorção do mercado interno.

Além dos preços da carne, uma eventual redução dos abates em Santa Catarina pode repercutir na cadeia de insumos, com efeitos sobre a demanda por milho e farelo de soja utilizados na alimentação das aves. Integrados, cooperativas e frigoríficos também podem enfrentar ajustes nos alojamentos, nos contratos e na remuneração ao longo da cadeia produtiva.

Apesar dos riscos regionais, o Itaú BBA avalia que o efeito agregado sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, desde que não ocorram novos focos e que as restrições sejam gradualmente revistas. A consultoria recomenda acompanhar a evolução sanitária, as decisões dos países importadores e a retomada das compras, fatores que ajudarão a dimensionar a pressão sobre os preços e as margens do setor nos próximos meses.

Infra S.A. prevê concluir estudo da Transnordestina até o fim do ano

22 October 2026 at 23:45

A Infra S.A. prevê concluir até o fim deste ano o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental necessário para avançar com as obras do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina.

A informação foi dada pelo diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, em entrevista ao programa Conexão Infra. Segundo ele, a empresa está atendendo às exigências do tribunal para demonstrar a viabilidade do investimento público no trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco.

O TCU (Tribunal de Contas da União) cobra estudos atualizados que comprovem a viabilidade socioeconômica do empreendimento antes de autorizar o avanço físico das obras. Em julho, o tribunal esclareceu que a restrição não impede a continuidade de licitações, a assinatura de contratos e outros atos preparatórios, mas mantém a exigência de comprovação da viabilidade para o início da execução física.

No entanto, mesmo assim, a Corte de Contas suspendeu as obras no ramal entre Salgueiro e Suape. Havia a previsão de que o processo fosse deliberado no TCU na última semana, porém, o tema saiu da pauta.

Nesse sentido, Bastos falou que a Infra S.A está em conversas com o ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, relator do processo, para tentar viabilizar a retomada das obras.

Bastos também defendeu a continuidade do projeto e argumentou que a avaliação da ferrovia deve considerar não apenas o retorno financeiro, mas também os benefícios sociais e logísticos. Na avaliação dele, a execução com recursos públicos pode viabilizar um trecho que, em um primeiro momento, não seria atrativo para a iniciativa privada.

“Qualquer ferrovia que se faça tem viabilidade. Talvez no primeiro momento, não econômica, mas social, não tenho a menor dúvida que isso é”, disse.

O presidente da Infra S.A. também afirmou que, após a conclusão das obras, a ferrovia poderá se tornar mais atrativa para uma futura concessão, com a perspectiva de ampliar o transporte de cargas.

Devolução de trechos

Em outra frente envolvendo a Transnordestina, na última quarta-feira (21), o TCU deu aval para as bases de um acordo de devolução de 2,9 mil quilômetros de trilhos atualmente sem operação pela Ferrovia Transnordestina Logística, empresa controlada pela CSN – Companhia Siderúrgica Nacional.

A repactuação prevê que a concessionária devolva os trechos à União e pague indenização de R$ 1,8 bilhão. O acordo também prevê investimentos em projetos de VLTs (veículos leves sobre trilhos) em Campina Grande (PB) e Arapiraca (AL). Em maio, o tribunal ajustou condições do acordo após analisar recursos apresentados pela empresa.

A devolução está relacionada à concessão da Malha Nordeste, operada pela CSN, e não se confunde com a conclusão do trecho Salgueiro–Suape, cuja estruturação está sob responsabilidade da Infra S.A. A negociação sobre a malha devolvida busca reorganizar a concessão e definir a destinação de segmentos que deixaram de operar.

A concessão original da Transnordestina tinha cerca de 4,2 mil quilômetros de extensão, distribuídos por sete estados do Nordeste. Com a repactuação, a empresa deverá manter uma malha menor, concentrada em trechos considerados estratégicos para o transporte de cargas, enquanto o governo terá de definir a destinação dos segmentos devolvidos.

Gargalos ferroviários

Durante a entrevista, Bastos também apontou dificuldades para ampliar as concessões ferroviárias no país. Segundo ele, parte da malha brasileira é antiga, tem infraestrutura precária e atravessa áreas urbanas, fatores que dificultam a modernização e reduzem a atratividade dos projetos para investidores privados.

Os últimos governos tentaram avançar nos projetos de concessões ferroviárias. Porém, até o momento, a carteira acumula atrasos. Para 2027, o Ministério dos Transportes prevê a realização de oito leilões de concessão.

O presidente da Infra S.A. defendeu a atualização dos estudos e a busca por modelos de financiamento que tornem os empreendimentos mais competitivos. Como exemplo, citou a EF-118 e a possibilidade de utilizar mecanismos de investimentos cruzados para ampliar os recursos disponíveis ao setor.

Bradesco aprova recompra de ações

22 October 2026 at 22:52

​O Bradesco ​anunciou nesta quinta-feira (22) que seu conselho de administração aprovou a recompra de cerca ⁠de ​3,55% das ações ​ordinárias e aproximadamente ⁠1% dos ⁠papeis preferenciais em ​circulação, ‌em um ⁠programa que terá duração de 18 meses, ‌segundo fato ⁠relevante.

O ‌banco afirmou que vai recomprar até ⁠53.413.506 ⁠ações ordinárias e até ‌53.171.375 papeis preferenciais.

A ação ordinária do Bradesco encerrou nesta quinta-feira ‌cotada a R$ 17,91, em queda de ⁠1,97% na sessão, e a preferencial ​fechou a R$ 20,22, ​baixa de 2,08%.

 

 

G5 ao Capital Insights: Há dúvida sobre como governo eleito tratará fiscal

22 October 2026 at 23:01

Na reta final da campanha eleitoral para presidente da República, as propostas econômicas apresentadas até aqui ainda não oferecem garantias concretas de ajuste fiscal, avalia o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Segundo ele, falta um plano detalhado capaz de responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.

“Há um rombo maior do que havia antes e muitas dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos vai lidar com esse rombo maior no início de 2027”, afirma, em entrevista ao Capital Insights – parceria entre a Broadcast e o CNN Money – desta quinta-feira (22).

Ele lembra que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, aumentou despesas, o que deve pressionar o Orçamento do ano que vem, enquanto promessas do adversário, Flávio Bolsonaro, como a de cortar R$ 200 bilhões em gastos, foram recebidas com desconfiança.

Para Leal, o ponto central do debate macroeconômico segue sendo o fiscal. Ele afirma que as expectativas de inflação futura carregam um “prêmio de risco fiscal”, isto é, parte relevante do que se projeta para os preços adiante não deriva da demanda aquecida, mas da desconfiança com a trajetória das contas públicas.

Na avaliação do economista, sem esse risco fiscal, a inflação tenderia a convergir para a meta, porque o mercado confia no Banco Central. “Hoje há confiança na política monetária, e não na fiscal”, resume.

A economia brasileira também é um desafio para o próximo presidente da República, acrescenta Leal. Na entrevista, ele afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre “deve ser negativo” e não descarta um desempenho ruim também no quarto trimestre, num ambiente em que crédito mais seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais restringem consumo e investimento.

Ao discutir o ambiente político, Leal argumenta que a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral. Segundo ele, o motivo central é que a melhora de índices agregados não se converteu em sensação de alívio no bolso.

O endividamento das famílias, na leitura do economista, segue como o principal limitador: a renda não acompanhou o crescimento das dívidas, o que mantém a percepção de aperto, mesmo quando a inflação corrente desacelera.

Esse quadro, diz Leal, ajuda a explicar por que o Banco Central começou a reduzir juros levando em conta não apenas o comportamento dos preços, mas também o peso do endividamento sobre a atividade.

A queda dos juros, porém, não resolve automaticamente o problema do crédito. Para o economista, os bancos tendem a ser mais seletivos na concessão, depois de um período em que modalidades caras, como o cartão de crédito, ganharam protagonismo e contribuíram para o aumento do risco e da inadimplência.

No exterior, Leal vê um cenário ainda dominado por inflação resiliente e juros em alta, o que reduz a disposição global por risco e aumenta a competição por capital com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Esse quadro, segundo ele, afeta diretamente emergentes como o Brasil, pressionando prêmios de risco e tornando mais difícil sustentar um ciclo doméstico de alívio monetário sem impacto no câmbio.

Ao olhar para os Estados Unidos, o economista projeta um cenário de turbulência política. Ele avalia que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e que, mesmo se vencer, enfrentará forte oposição, com possibilidade de novas crises institucionais, incluindo tentativas de impeachment.

No pano de fundo, Leal afirma que o Federal Reserve ainda pode elevar juros mais uma vez neste ano, possivelmente em dezembro – movimento que, se confirmado, apertaria as condições financeiras globais e aumentaria a pressão sobre câmbio e expectativas no Brasil, justamente num momento em que o país tenta equilibrar desaceleração econômica e fragilidade fiscal.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

Bradesco tem lucro de R$ 7,1 bilhões no 3º tri, alta de 14,6%

22 October 2026 at 22:28

O Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado, em linha com as previsões no mercado, mostrou o balanço divulgado nesta quinta-feira (22) pelo banco, sem mudanças nas previsões para o ano. Na comparação trimestral, o resultado subiu 0,8%.

A carteira de crédito da instituição totalizou R$ 1,15 trilhão no final de setembro, aumento de 11,1% ano a ano e de 1,1% em relação ao final de junho, enquanto o índice de inadimplência acima de 90 dias no terceiro trimestre ficou em 4,6%, de 4,1% um ano antes e 4,3% no segundo trimestre de 2026.

O custo do crédito, representado pela PDD (despesa de provisões) expandida, cresceu 24,3% ano a ano e 6,6% na comparação trimestral, para R$ 10,6 bilhões.

O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) ficou em 15,6%, de 14,7% no mesmo intervalo do ano passado e 16,2% no segundo trimestre do ano. Desconsiderando o aumento de capital recente, o ROAE foi de 16,1%.

SpaceX diz que fusão com a Tesla depende de aprovação de Musk

22 October 2026 at 22:07

A SpaceX SPCX.O revelou na quinta-feira (22) que sua potencial fusão com a Tesla TSLA.O precisará da aprovação de seu investidor controlador, Elon Musk, dias depois de o homem mais rico do mundo ter dito que não pode participar das discussões dos comitês especiais.

Musk afirmou na terça-feira (20) que uma fusão de suas duas empresas, SpaceX e Tesla, seria “uma boa ideia” e que comitês especiais foram formados para discutir essa união.

Avanço da IA pressiona pesquisadores de matemática avançada

22 October 2026 at 22:06

Durante séculos, a matemática avançou no ritmo do pensamento humano. Alguns problemas exigiram décadas de tentativas até que alguém encontrasse uma resposta. Outros seguem sem solução.

Agora, a inteligência artificial desafia essa lógica. A OpenAI, dona do ChatGPT, revelou este mês que um modelo de IA foi submetido a 4 mil problemas matemáticos e conseguiu resolver 377 deles — incluindo questões que especialistas tentavam desvendar há anos.

A companhia divulgou os resultados num repositório no GitHub, com descobertas em áreas como teoria dos números, topologia, lógica matemática, álgebra e ciência da computação teórica. De acordo com a empresa, cada um dos 377 resultados consumiu, em média, recursos computacionais equivalentes a três horas de processamento do ChatGPT Pro.

Parte da comunidade científica reagiu mal ao anúncio. Isso por conta do que esse processo representa para a matemática — uma atividade que, historicamente, dependeu de anos de trabalho, intuição e investigação humana.

A inteligência artificial já demonstra capacidade de avançar em questões que desafiam especialistas com anos de experiência, levantando uma pergunta sobre o futuro do próprio campo de estudo: se as máquinas conseguem encontrar soluções em uma escala inigualável para os humanos, o que sobra para a matemática?

Para Fábio Tal, professor do Departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP (Universidade de São Paulo), os resultados representam uma transformação profunda na maneira de produzir matemática. Ele acredita que, mesmo que as demonstrações ainda precisem ser revisadas, o avanço da IA não deve ser subestimado.

“A coisa é muito impactante, muito forte e vai trazer transformações muito importantes na matemática”, afirma.

A avaliação é compartilhada pelo especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias.

“O que a OpenAI divulgou aponta para um horizonte em que resolver problemas matemáticos em aberto deixa de ser trabalho humano. Isso pesa mais do que qualquer um dos resultados tomado isoladamente”, diz.

Objetivo nem sempre é a resposta

Uma das principais questões levantadas pelos especialistas é a diferença entre resolver um problema e compreender o que a resposta significa. Isso porque, na matemática, a investigação não se resume ao resultado.

É justamente esse processo que preocupa Fábio Tal. Segundo o matemático, a resolução de um problema costuma ser parte de uma investigação mais ampla, que ajuda os pesquisadores a formarem uma linha de raciocínio, encontrar ferramentas para lidar com problemas e produzir conhecimento.

“Enquanto o problema era o foco, ele não era o objetivo. E a IA está meio tratando todos os problemas como se fossem objetivos”, afirma Tal.

Para ele, a produção em grande escala pode dificultar a compreensão dos resultados. A comunidade matemática precisa não apenas verificar se as demonstrações estão corretas, mas também descobrir como elas se relacionam com o que já existe, se apresentam técnicas realmente novas e quais outras questões podem ajudar a resolver.

O volume de material produzido pela OpenAI dificulta esse trabalho. Tradicionalmente, uma demonstração matemática complexa pode levar anos para ser revisada por especialistas. Agora, os pesquisadores se deparam com centenas de resultados divulgados de uma só vez.

Na avaliação de Álvaro Machado Dias, a dificuldade de medir a importância das descobertas não é uma novidade na matemática. A diferença está na velocidade e na quantidade de material que precisa ser analisado.

“O que se tornou diferente foi a proporção entre o conteúdo que entra e o número de gente capaz de julgar: uma comunidade dimensionada para absorver um gotejamento de provas recebeu, num único dia, um volume que levaria anos para digerir”, diz.

O especialista ressalta que a dimensão do avanço não significa que todos os resultados tenham a mesma importância científica. A OpenAI poderia selecionar problemas que a tecnologia tem maior chance de apresentar resultados expressivos, e esses problemas nem sempre correspondem às prioridades da comunidade matemática.

Nesse caso, o desafio é transformar a produção da IA em conhecimento que possa ser compreendido, debatido e aproveitado por pesquisadores humanos. Sem esse esforço, a resolução da IA pode até estar certa, mas seu impacto na ciência seguirá limitado.

Quem verifica as respostas da IA?

Antes de incorporar os resultados ao conhecimento matemático, os pesquisadores precisam verificar se as demonstrações estão corretas.

Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é o Lean, que verifica resultados e a lógica por trás da resolução. Ela ajuda a conferir a consistência de uma demonstração, mas não substitui a avaliação científica.

Fábio Tal explica que a revisão tradicional depende de especialistas capazes de acompanhar os argumentos apresentados em um artigo, identificar falhas e verificar se cada etapa está devidamente justificada.

O matemático diz que a comunidade já começou a examinar os resultados produzidos pela IA, mas ainda não há uma avaliação definitiva. Inclusive, erros já apareceram e devem continuar aparecendo nessa correção.

A própria divulgação da OpenAI reconhece que alguns resultados ainda podem apresentar problemas. A empresa afirma que pretende corrigir eventuais falhas e financiar workshops, conferências e programas voltados à compreensão das descobertas produzidas pela IA.

Isso não elimina a dimensão do avanço. Para Tal, mesmo depois das correções, o conjunto poderá representar um volume de descobertas superior ao que pesquisadores humanos conseguiriam produzir no mesmo período.

“Eles [empresas de IA] estão fazendo coisas que a gente não estava conseguindo fazer antes com a IA. Eu acho que vai mudar muito como é feito matemática ou como se entende o fazer matemática”, defende.

Machado também destaca que a verificação formal não encerra o trabalho dos matemáticos. É necessário compreender o que cada resultado acrescenta à área, quais conhecimentos anteriores foram utilizados e quais novas perguntas podem surgir a partir das demonstrações.

IA coloca formação dos matemáticos em xeque

Se a inteligência artificial agora consegue resolver em pouco tempo problemas que antes eram desafios para pesquisadores em formação, uma das consequências mais imediatas pode aparecer nas universidades.

Fábio Tal chama a atenção para o papel do erro no aprendizado da matemática. Durante um mestrado ou doutorado, um estudante recebe um problema, testa caminhos, identifica falhas e constrói as habilidades necessárias para conduzir pesquisas mais complexas.

“Você aprendia muito em matemática errando. O jeito de se aprender em matemática não é só acertando, é você tentar, errar e descobrir porque deu errado. E faz isso tantas vezes até a hora que você consegue entender porque a coisa funciona de certo jeito e consegue chegar no próximo lugar”, afirma.

Nesse processo, o estudante desenvolve ferramentas próprias e uma intuição que poderá utilizar em pesquisas futuras. A possibilidade de recorrer a um modelo capaz de encontrar imediatamente uma solução muda as condições desse aprendizado.

“Algo precisa ser feito para pegar esse tipo de produção [por parte da IA] e transformar em conhecimento, e não só resolução de problemas”, diz Tal.

A questão não é apenas se os alunos poderão usar inteligência artificial, mas como aprenderão a trabalhar com ela sem abrir mão da capacidade de compreender e defender os resultados que apresentam como seus.

Para o matemático, a responsabilidade do pesquisador permanece mesmo quando uma demonstração é produzida com auxílio de uma máquina. Quem assina um artigo precisa entender o que está sendo afirmado e ser capaz de sustentar seus argumentos.

Álvaro Machado Dias amplia o problema para a própria estrutura da profissão. Se a resolução de problemas se tornar uma atividade automatizada, a formação de novos matemáticos poderá perder parte de sua justificativa tradicional.

“O problema é que não será preciso gente o suficiente nesses espaços para justificar a formação na área”, afirma.

IA é criativa?

Até que ponto os resultados representam descobertas originais da inteligência artificial ou apenas uma combinação de conhecimentos já produzidos por matemáticos humanos?

Para Fábio Tal, a matemática sempre avançou a partir da combinação de ideias anteriores. Uma descoberta raramente surge do nada: pesquisadores utilizam conceitos, técnicas e demonstrações desenvolvidos por outras pessoas para construir novos resultados.

A diferença da IA, segundo ele, está na capacidade dos modelos de reunir conhecimentos de áreas distintas em uma velocidade que não seria possível para um pesquisador individual.

Já para Machado, a criatividade da máquina tem uma característica diferente da humana. Em vez de depender da própria intuição, os sistemas podem rodar diversas combinações em paralelo até encontrar uma que funcione.

Para ele, a máquina testa alternativas que um matemático dificilmente conseguiria explorar individualmente. A descoberta pode surgir de uma combinação bem-sucedida, sem que exista um pesquisador humano.

Quem escolhe os problemas que merecem ser resolvidos?

Mesmo com o avanço dos modelos, Fábio Tal identifica atividades que continuarão sendo importantes para os pesquisadores: verificar as demonstrações, traduzir os resultados para outros humanos e, principalmente, escolher quais perguntas merecem ser investigadas.

No entanto, ele evita estabelecer uma fronteira definitiva entre as capacidades humanas e as da inteligência artificial, justamente pelo ritmo de avanço da IA.

Para Álvaro Machado, a escolha das perguntas também revela uma assimetria entre empresas de inteligência artificial e pesquisadores independentes.

Semanas antes da resolução dos 377 problemas matemáticos, a OpenAI já havia revelado que sua IA resolveu a equação de Navier-Stokes, considerado o “Problema do milênio”. Segundo o especialista, a desenvolvedora decidiu concentrar esforços no problema depois de saber que dois matemáticos estavam próximos de um avanço.

A OpenAI negou ter acessado os dados produzidos pelos pesquisadores.

O que sobra para a matemática?

A possibilidade de automatizar parte da pesquisa matemática coloca a comunidade diante de um dilema. De um lado, há o potencial de ampliar as fronteiras do conhecimento e chegar a resultados que levariam anos para serem encontrados por humanos. De outro, existe o risco de que a velocidade da produção ultrapasse a capacidade de compreender as descobertas e de formar novos pesquisadores.

Para Fábio Tal, tentar impedir o uso da tecnologia não parece ser uma solução. O desafio é encontrar maneiras responsáveis de incorporá-la ao trabalho científico, preservando a capacidade de entender os resultados e desenvolver novas perguntas.

O matemático também reconhece que o objetivo da área não pode ser simplesmente garantir que humanos continuem sendo melhores do que as máquinas em resolver problemas. Ele avalia que, se a inteligência artificial permitir descobrir mais sobre o mundo, abrir mão desses avanços apenas para preservar o processo tradicional de pesquisa pode significar deixar de produzir conhecimento.

O desafio, então, se torna adaptar instituições, métodos de pesquisa e formação profissional à nova realidade.

Brasil está entre os países que mais usam inteligência artificial

 

Justiça nega liminar que pedia suspensão de IA de advocacia

22 October 2026 at 21:58

A Justiça Federal negou uma liminar da OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) que pedia a interrupção das atividades jurídicas ofertadas pela Enter, empresa de inteligência artificial voltada para advogados. A decisão faz parte de uma ação civil pública movida pela Ordem contra a companhia de IA, citando a prática de “advocacia sem advogado”.

A OAB SP acionou a Justiça no início deste mês. Entre os pedidos, estavam a preservação de provas relativas ao funcionamento do sistema da Enter, a suspensão de publicidades que apresentem o produto como um substituto ao advogado e restrições a novas contratações.

A Ordem também pediu a imposição de uma supervisão humana “efetiva, verificável e auditável por advogados” em todas as etapas, transparência e o impedimento de que o serviço seja ofertado para profissionais não advogados.

Na decisão de quarta-feira (21), a juíza federal Raquel Fernandez Perrini negou a suspensão da publicidade e a proibição de novas contratações por parte da Enter.

A Justiça aceitou apenas um dos pedidos: o de que a empresa deve preservar documentos e registros de toda a sua operação desde 1º de janeiro de 2024. Isso inclui contratos com clientes e escritórios, versões de modelos e manuais da empresa, e fluxos de remuneração e preços por acesso.

A entidade afirma que os elementos apresentados pela OAB SP revelam “controvérsia plausível” sobre a extensão dos serviços da Enter e que o risco de alteração ou descarte dos registros justifica a preservação imediata.

Entenda o embate entre OAB SP e Enter

A Enter usa inteligência artificial para apoiar advogados e escritórios de advocacia. A empresa afirma que seus agentes de IA produzem a primeira versão de cada etapa de um processo judicial antes que o profissional intervenha no caso.

Os serviços são ofertados tanto a escritórios de advocacia quanto aos clientes finais. O portfólio inclui Bradesco, Mercado Livre, Nubank e LATAM.

Para a OAB SP, a atividade da Enter configura o que a entidade chama de “advocacia sem advogado”, o que motivou o pedido de liminar no início de outubro. A instituição

“A Ordem de São Paulo entende que, diante da escala da operação e do grau de automação empregado, é necessário assegurar que o advogado responsável tenha condições efetivas de analisar, revisar e validar o conteúdo pelo qual responde pessoal e disciplinarmente”, escreveu a Ordem.

A instituição ainda afirmou, à época, que não é contra a tecnologia, mas contra a “advocacia sem advogado“.

“A inteligência artificial pode ampliar produtividade, capacidade de análise e eficiência do trabalho jurídico, porém, deve preservar uma premissa essencial: a decisão jurídica e a responsabilidade profissional precisam permanecer efetivamente sob controle do advogado”, afirmou em comunicado.

Após a decisão da Justiça de aceitar apenas uma das três liminares, a OAB SP escreveu em comunicado que a ação não pede o fechamento da Enter nem a proibição de ferramentas de IA, mas de salvaguardas que garantam a independência do advogado e a identificação de quem responde por cada etapa do processo. Outras liminares ainda serão analisadas.

A Enter diz que já havia se oferecido voluntariamente a preservar os documentos e que vai colaborar com a determinação da Justiça.

A empresa também revelou que demonstrou que todo o conteúdo de sua plataforma passa pelos processos de auditoria, revisão e edição humana, e que a decisão final é sempre do advogado habilitado.

“A Enter recebe a decisão com serenidade e confiança em sua operação. A empresa cumprirá integralmente a determinação de preservação, apresentará sua defesa no momento processual oportuno e segue aberta ao diálogo institucional com a OAB/SP”, escreveu.

Fundos contestam fusão entre Marfrig e BRF em arbitragem de R$ 60 milhões

22 October 2026 at 21:57

A MBRF informou nesta quinta-feira (22) que foi formalizado o termo de arbitragem envolvendo uma disputa societária relacionada à incorporação de ações da BRF pela Marfrig, concluída em setembro de 2025. O procedimento, instaurado por dois fundos de investimento, tem valor total de R$ 60 milhões para fins de cálculo das taxas de administração da CAM (Câmara de Arbitragem do Mercado).

Os requerentes são o Nova Almeida Fundo de Investimento Financeiro Multimercado e o Latache IV Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado, que estimaram a disputa em R$ 10 milhões. Já a MBRF e a BRF, que figuram como requeridas no processo, apresentaram pedido contraposto de R$ 50 milhões.

Segundo comunicado divulgado ao mercado, o termo de arbitragem foi disponibilizado pela CAM em 13 de outubro de 2026. A demanda havia sido recebida pelas companhias em 14 de outubro de 2025 e questiona a operação aprovada em assembleias gerais extraordinárias realizadas em 5 de agosto daquele ano, com fechamento em 22 de setembro.

Os fundos eram acionistas da BRF e passaram a deter ações da Marfrig após a operação. Eles alegam que o processo teria sido conduzido sob suposto conflito de interesses, sem independência efetiva dos comitês especiais e dos assessores financeiros envolvidos na negociação.

Também questionam a relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, que consideram desfavorável aos acionistas minoritários da companhia, além de apontarem suposto tratamento desigual entre investidores.

Os requerentes pedem a anulação das deliberações das assembleias que aprovaram a operação e o desfazimento dos atos relacionados à sua conclusão.

Também solicitam que as companhias sejam condenadas a reparar os prejuízos alegados, cujo valor deverá ser definido em uma etapa posterior, além de reembolsar as despesas do procedimento arbitral e os honorários envolvidos.

A MBRF e a BRF defendem a regularidade da operação e sustentam que os fundos abusaram de seus direitos como acionistas e do direito de recorrer à arbitragem. As companhias pedem que as solicitações sejam julgadas improcedentes e requerem que os investidores sejam condenados, solidariamente, a indenizá-las por danos materiais e morais, em valores a serem apurados durante o processo. Também solicitam o pagamento integral dos custos da arbitragem pelos requerentes.

A operação foi negociada por comitês especiais constituídos conforme o Parecer de Orientação nº 35 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e contemplou a distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas que permanecessem nas companhias.

Como último andamento relevante, o tribunal arbitral emitiu a Ordem Processual nº 1, que estabeleceu o calendário do procedimento. Não há acordo celebrado entre as partes sobre a demanda.

A MBRF informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos da arbitragem.

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