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França mobiliza 70.000 agentes face a novos protestos

23 October 2026 at 15:05
Além das convocatórias para manifestações feitas por vários sindicatos, organizações estudantis e grupos políticos, foram observados "inúmeros apelos" à violência por parte da "extrema-esquerda".

© MOHAMMED BADRA/EPA

O ministro do Interior informou ainda que caberá aos autarcas decidirem, caso a caso, quais as manifestações e concentrações que serão permitidas

O "Batman" de Paio Pires e a nobre arte de arrancar cartazes

23 October 2026 at 08:47
De fato de casamento limpou cartazes de D. Pedro IV, jurou não ser polícia em portunhol e virou "máquina" para Ventura. O Batman de Paio Pires é o "novo herói de civismo extraordinário".

8h. Vigília por família despejada em Marvila esta tarde

23 October 2026 at 08:15
Os manifestantes fazem uma pausa nos protestos em Lisboa, mas está marcada uma mobilização para uma vigília em Chelas, esta tarde. Ainda, o presidente do IHRU sofre críticas da esquerda e da direita.

7h. Acampada. Noite calma, mas há nova vigília marcada hoje

23 October 2026 at 07:19
No Rossio, apenas 11 manifestantes dormiram na rua. Ao fim da tarde, a acampada realiza uma vigília solidária em Marvila. Ainda, o perfil de Benjamim Pereira, presidente do IHRU.

"Jovem que compra casa de 200 mil euros não é privilegiado"

23 October 2026 at 06:55
Miranda Sarmento contesta a ideia expressa pelo Livre de que as medidas de apoio à compra de casas pelos jovens beneficia os jovens mais privilegiados. Em Lisboa jovens encerram duas escolas.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

6h. Onze manifestantes passaram a noite sem tendas no Rossio

23 October 2026 at 06:13
Para hoje, há uma vigília marcada para as 18h, na Praça Fernando Amado, em Marvila. Segue-se depois nova assembleia popular. Ainda, Benfica vence o Omonia Nicosia, em Chipre, por 4-1.

À sexta noite, não houve acampada nem "aconchada" no Rossio

23 October 2026 at 05:01
Assembleia Popular votou contra nova noite ao relento no Rossio. Manifestantes vão trocar o Rossio por Marvila esta sexta-feira, para recuperar caso de viúva despejada pelo município de Lisboa.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Houve quem chegasse ao Rossio pronto para pernoitar, mas só 11 manifestantes permaneceram no local durante a madrugada

Ambulâncias em marcha lenta em Lisboa no dia 26

23 October 2026 at 00:18
Liga Portuguesa de Ambulâncias diz que empresas privadas de transporte de doentes foram excluídas dos apoios ao combustível e acusam SNS de atrasar pagamentos.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

"Não queremos deixar de transportar doentes. Queremos que o Governo nos dê condições para continuar a fazê-lo", afirma a LPA

Liberté, égalité, impasse

23 October 2026 at 00:13

A França habituou-se a fazer da rua uma extensão do Parlamento. O que hoje inquieta é a possibilidade de a rua estar a substituir uma política que deixou de oferecer saídas. Entre escolas degradadas, contas públicas exaustas e uma Presidência sem autoridade suficiente para unir o país, a crise francesa tornou-se uma disputa sobre a própria promessa republicana: o que pode ainda o Estado exigir aos cidadãos quando tantos deixaram de acreditar naquilo que recebem em troca?

Maio de 68 regressa inevitavelmente à conversa. A comparação exige prudência. Aquela revolta enfrentava uma sociedade em crescimento, mas rígida nas hierarquias e nos costumes. A contestação atual nasce numa sociedade envelhecida, endividada e receosa de perder o que conquistou. Em 1968, a juventude queria transformar o mundo. Hoje, muitos jovens procuram perceber se ainda terão lugar nele. A diferença está na confiança no futuro.

A dívida pública atingiu 119% do PIB no segundo trimestre de 2026. Não é apenas um problema contabilístico. Quanto mais recursos absorvem os juros, menos liberdade existe para melhorar escolas, hospitais ou transportes. A França mantém um Estado social exigente e uma máquina administrativa pesada, cuja eficácia nem sempre corresponde ao custo. As prestações de proteção social representavam 31,9% do PIB em 2024. Essa proteção é uma conquista civilizacional; garantir o seu financiamento tornou-se uma responsabilidade que sucessivos governos adiaram.

O bloqueio agrava-se quando quem paga sente que os serviços pioram e quem depende deles teme qualquer mudança. A acumulação de estruturas administrativas dispersa responsabilidades e torna difícil perceber quem responde pelo fracasso. Entretanto, os jovens enfrentam uma distribuição de recursos que protege posições adquiridas sem lhes garantir oportunidades equivalentes. A dívida prolonga esse desequilíbrio, transferindo para amanhã parte do custo político de hoje.

Chirac e Alain Juppé enfrentaram a contestação de 1995. Sarkozy e François Fillon fizeram avançar mudanças nas pensões. Hollande procurou reformar o trabalho, com Manuel Valls, pagando um elevado preço político. Macron retomou a ambição reformista. Seria historicamente errado dizer que nada mudou. Mudaram leis, idades de reforma e regras laborais. Faltou transformar essas alterações num compromisso social duradouro. Reformar tornou-se uma operação imposta por um governo e contestada até à oportunidade seguinte de a desfazer.

Macron prometeu romper esse ciclo. A sua responsabilidade mede-se pela distância entre essa promessa e o resultado. Quis representar a ambição europeia, a autonomia estratégica e a influência francesa no mundo. Essa intervenção externa era necessária. Mas faltou-lhe construir, dentro de França, uma estratégia reconhecível para ligar competitividade, proteção social e mobilidade. A dissolução parlamentar de 2024 agravou a fragmentação. O Presidente continuou a explicar o lugar da França no mundo enquanto perdia capacidade para explicar aos franceses o seu lugar na França.

Também convém precisar o diagnóstico tecnológico. O país possui excelência na aeronáutica, no nuclear e na inteligência artificial. O problema reside na dificuldade de disseminar inovação, fazer crescer empresas e converter conhecimento em produtividade por toda a economia. A existência de campeões tecnológicos não resolve a estagnação dos territórios que ficaram afastados deles. Sem crescimento suficiente, a promessa de preservar todas as prestações e baixar impostos acaba financiada por dívida ou desmentida pelo orçamento seguinte.

Sobre este desgaste sobrepõem-se três Franças. Uma deixou de reconhecer legitimidade à autoridade pública. Nela coexistem motivações distintas: exclusão territorial, discriminação, descrença nas instituições e radicalismos que fazem da confrontação um objetivo. Isso não transforma todos os manifestantes em inimigos do Estado. Obriga a distinguir reivindicação democrática, violência e criminalidade, sem desculpar estas últimas nem reduzir o protesto às suas expressões destrutivas.

Outra França exige um Estado forte que faça cumprir regras, proteja pessoas e recupere o controlo. A insegurança e a perceção de impunidade aproximam parte desse eleitorado da extrema-direita. Entre ambas, um centro perde espaço porque já não convence como promessa de mudança nem como garantia de estabilidade. A autoridade que falha enfraquece a moderação; a moderação sem resultados acaba confundida com impotência.

É neste terreno que Marine Le Pen prepara 2027. A sua chegada ao poder permanece uma possibilidade, dependente das urnas e da configuração institucional. Mas o debate mudou: a extrema-direita apresenta-se como solução de governo e obriga os restantes partidos a reagir às suas prioridades. A crise beneficia quem promete ordem e proteção, mesmo quando as contas dessa promessa continuam por demonstrar.

Le Pen propõe cortar a contribuição francesa para a União Europeia e questiona novos financiamentos para a Ucrânia. Uma redução unilateral enfrentaria compromissos jurídicos e resistência dos parceiros. Ainda assim, a ameaça tem consequências: dificulta o próximo quadro financeiro europeu e fragiliza a previsibilidade do apoio a Kiev. O problema estrutural francês pode, assim, converter-se num problema de segurança europeu. Moscovo não precisa de decidir as eleições francesas para beneficiar das suas consequências.

Nas ruas existe, porém, uma inquietação que os governos deveriam escutar melhor. Os jovens falam de habitação, educação, emprego e rendimentos, mas entre as suas reivindicações também aparece a recusa da guerra. Não há uma juventude politicamente uniforme. Há quem peça uma Europa capaz de falar a uma só voz pela paz e de oferecer uma perspetiva de vida que ultrapasse a preparação permanente para novas crises. Escutar essa aspiração exige discutir seriamente como alcançar uma paz sustentável.

A defesa da Ucrânia e o investimento nas escolas precisam de uma explicação política comum: proteger a possibilidade de um futuro livre. Apresentá-los como escolhas necessariamente incompatíveis facilita o trabalho de quem promete resolver a crise social abandonando compromissos externos. Mas exigir sacrifícios sem explicar prioridades, custos e resultados também destrói apoio. Os líderes europeus revelam essa dificuldade nas negociações orçamentais, onde cada ambição coletiva encontra uma resistência nacional.

A França precisa de recuperar capacidade para produzir, reformar e fazer cumprir a lei com legitimidade. Precisa também de devolver sentido à solidariedade entre gerações. Nenhum destes objetivos sobreviverá muito tempo sem os outros. O perigo para a República começa quando a liberdade parece desordem, a igualdade parece promessa incumprida e a fraternidade deixa de alcançar quem vive do outro lado da barricada. É desse impasse que a política tem de a retirar.

Guterres alerta para onda global de protestos

22 October 2026 at 23:43
Do Médio Oriente ao Sudão, da Europa ao Irão, o secretário-geral da ONU denuncia um mundo a arder — em conflitos e em descontentamento social.

© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Guterres afirmou que o mundo enfrenta atualmente uma espécie de "El Niño da guerra", em que conflitos localizados provocam consequências a milhares de quilómetros de distância
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