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Caminha lança Bienal Internacional de Arte Jovem e Bienal na Escola

A Câmara de Caminha lança em 2027 a EMERGE – Bienal Internacional de Arte Jovem e a Bienal na Escola, projetos culturais inovadores que colocam “os jovens e a criação artística no centro das políticas culturais”.

Em comunicado, o município esclarece que, com a EMERGE, “pretende criar uma plataforma de descoberta, valorização e projeção de jovens talentos, oferecendo oportunidades de participação, experimentação e intercâmbio criativo”.

“Mais do que uma exposição ou um concurso, a Bienal surge com a ambição de afirmar Caminha como um território de cultura, inovação e criatividade, capaz de atrair e dar visibilidade a novos criadores”, observa aquela câmara do Alto Minho.

Associada a este projeto surge a Bienal na Escola, dirigida a jovens entre os 12 e os 18 anos de Caminha, mas também de A Guarda e O Rosal, na Galiza, Espanha.

“Através desta vertente educativa, o município visa aproximar os estudantes das artes contemporâneas, promovendo experiências de criação, reflexão e participação cultural em contexto escolar”, assinala.

Um dos principais eixos da Bienal na Escola “será a realização de oficinas orientadas por artistas convidados, proporcionando aos participantes contacto direto com diferentes linguagens e processos criativos”.

A intenção “é estimular a expressão artística, desenvolver o pensamento crítico e reforçar a ligação dos jovens à identidade, ao património e ao território”.

A primeira Bienal na Escola vai realizar-se ao longo do ano letivo 2026/2027 e termina com um concurso e uma exposição pública dos trabalhos desenvolvidos.

“Estão previstos prémios em dois escalões etários e os projetos distinguidos poderão ainda ser submetidos à apreciação do júri da EMERGE, estabelecendo uma ligação direta entre o universo escolar e a Bienal Internacional de Arte Jovem de Caminha”, indica a autarquia.

As inscrições para a Bienal na Escola decorrem entre 09 e 30 de novembro, através do endereço eletrónico bienal@cm-caminha.pt.

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Caminha lança novo concurso para requalificação de escola após anulação do tribunal

A Câmara de Caminha revelou hoje que vai avançar com um novo concurso para a requalificação da escola básica de Caminha, cuja obra tinha sido adjudicada em abril, e recusa ter “abandonado” o procedimento.

Em comunicado, a Câmara explica que o concurso que levou à adjudicação de abril foi anulado pelo tribunal no dia 13 de outubro e que o município, “apesar de considerar existirem fundamentos sólidos para recorrer, optou por não prolongar o processo judicial”.

A autarquia justifica ter escolhido privilegiar “o interesse público, o bem-estar das crianças e das famílias e a necessidade de acelerar a concretização da intervenção”.

“O procedimento foi anulado por decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, através de sentença datada de 13 de outubro de 2026, no âmbito de uma ação intentada por uma empresa que não chegou a apresentar proposta”, descreve o município.

A 16 de abril, a Câmara de Caminha anunciou que a requalificação da escola foi adjudicada por mais de um milhão de euros, informando que, enquanto decorresse a empreitada, os alunos iam passar a ter aulas no Convento de Santo António.

A autarquia justificava que tal permitiria “que se mantenham juntos no mesmo local, usufruindo de condições de segurança, conforto e espaço adequado para atividades lúdicas, fundamentais ao seu desenvolvimento e bem-estar”.

A Câmara diz que, “relativamente às questões levantadas pelo Tribunal, as retificações efetuadas ao procedimento foram comunicadas a todos os interessados em 05 de março de 2026, facto que a própria sentença dá como provado”.

“Na mesma ocasião, o prazo para apresentação de propostas foi prorrogado por mais 24 dias”, acrescenta.

A autarquia refere também que “os vícios identificados tiveram origem no projeto de execução contratado em dezembro de 2024, cujo prazo de elaboração foi fixado em apenas 20 dias”.

“Apesar dessas circunstâncias, o lançamento do concurso público foi aprovado por unanimidade na reunião de Câmara realizada a 04 de fevereiro de 2026, com o voto favorável de todos os vereadores”, sustenta.

Agora, “o novo procedimento será desenvolvido através de consulta prévia, ao abrigo das alterações introduzidas pelo Código dos Contratos Públicos”, indica a Câmara.

Tal permite “uma tramitação mais célere do que a de um concurso público”, justifica, “reafirmando o compromisso de avançar com a obra o mais rapidamente possível”.

De acordo com a autarquia, a empreitada agora anulada foi adjudicada por cerca de 1,036 milhões de euros, mas estima-se que, com a correção do projeto, o valor da obra fique abaixo de um milhão de euros.

O novo preço base vai ser “definido e devidamente fundamentado a partir da versão corrigida do projeto”.

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Classificação da Serra d’Arga como Área de Paisagem Protegida em consulta pública

A classificação da Serra D’Arga como Área de Paisagem Protegida Regional vai entrar em novembro em discussão pública, por 30 dias úteis, segundo aviso publicado hoje em Diário da República.

O aviso é da Associação de Municípios da Serra D’Arga (AMSA), constituída por Vila Nova de Cerveira, Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima.

Segundo o aviso, assinado por Vasco Ferraz, que preside a associação e a Câmara de Ponte de Lima, o prazo da consulta pública tem início no 10.º dia útil a contar a partir de hoje.

O projeto de regulamento de gestão, a proposta de delimitação geográfica, o relatório de fundamentação e a deliberação do conselho executivo da AMSA estão disponíveis para consulta nas câmaras municipais que integram a associação.

O processo de classificação como Área de Paisagem Protegida Regional da Serra d’Arga (PPRSA) foi iniciado em 2017, na sequência de um estudo realizado no âmbito do projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, apoiado por fundos do Norte 2020, e para impedir o projeto de mineração que o Governo tinha previsto para aquela zona.

Em setembro de 2020, os executivos municipais dos quatro municípios aprovaram, por unanimidade, a constituição desta associação, com fins específicos para garantir a gestão do território a classificar.

Segundo os estatutos da associação, a presidência é assumida pelos presidentes de câmara dos quatro municípios que a integram, de forma rotativa, anualmente.

Em 2022, o Ministério do Ambiente e Ação Climática (MAAC) informou da exclusão da zona de Arga do concurso público para a pesquisa e prospeção de lítio, após meses de contestação da população e autarquias abrangidas pelo território.

No caso da área denominada Arga, núcleo constituído pelas freguesias de Arga de Baixo, Arga de Cima e Arga de São João, no concelho de Caminha, a Avaliação Ambiental Estratégica promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) concluiu que, face à “expectável classificação” da Serra d’Arga como Área Protegida, “mais de metade da superfície é considerada interdita ou a evitar”.

A Serra d’Arga abrange uma área de 10 mil hectares, dos quais 4.280 hectares encontram-se classificados como Sítio de Importância Comunitária.

Em fevereiro, aquele território passou a beneficiar do regime jurídico das Zonas de Especial Conservação (ZEC) que acautela “a conservação de ‘habitat’ conferindo-lhes uma proteção especial, especificamente direcionado à manutenção ou restabelecimento do estado de conservação favorável dos tipos de habitat naturais ou seminaturais e das populações das espécies selvagens com presença significativa nessa zona, incluindo a boa condição ecológica dos biótopos utilizados por estas espécies”.

O estudo realizado em 2017, entre o vale do Âncora e o maciço serrano, incluiu o levantamento dos 10 tipos de ‘habitat’ de importância comunitária, a riqueza florística, com 546 espécies de plantas vasculares, incluindo 32 espécies raras ou ameaçadas de extinção, a presença confirmada de mais de 180 espécies de vertebrados selvagens e do património construído, mais de 600 exemplares.

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Benjamim Pereira admite que expressões sobre sacrifício dos jovens foram infelizes: “Não aludi, em momento algum, à emigração”

O presidente do instituto responsável pela habitação, Benjamim Pereira, admitiu hoje que expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, esclarecendo que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.

“Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor”, afirmou o responsável pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, numa nota de esclarecimento.

Benjamim Pereira esclareceu ainda que “em momento algum disse que os jovens não tinham dificuldades ou que não estavam a sofrer consequências com a carência de habitação”.

“O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria”, acrescentou.

O presidente do IHRU destacou ainda que, quando falou dos portugueses que se sacrificaram para ter casa, foi “com tristeza” e “não com algum tipo de saudosismo”, considerando que “não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora”, pois tal significaria que o país em nada tinha conseguido melhorar em mais de 50 anos de democracia.

“Muito menos aludi, em momento algum, à emigração. Muito pelo contrário, não tivesse eu sofrido na pele a ausência dos familiares, exatamente nesse contexto de exigência que os forçou a sair”, acrescentou.

O responsável salientou que nas declarações também referiu o respeito “pelo direito de manifestação e a compreensão” pelas exigências dos manifestantes.

“Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”

Na quinta-feira, em Vila Nova de Gaia, Benjamim Pereira disse não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, disse aos jornalistas.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o responsável do IHRU disse não querer ir “por esse caminho”.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, prosseguiu, e perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, afirmou que não estava “a dizer isso”.

Pedindo para “concluir o raciocínio”, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram “porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje”.

“É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas”, afirmou.

Frisando que fazia “um apelo” e não “uma crítica”, Benjamim Pereira pediu “a todos que se possam unir”, pois “é um problema que tem de ser resolvido por todos e os jovens também fazem parte desta equação”.

Ministro criticou declarações

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou, numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI na quinta-feira à noite, infelizes as declarações do presidente do IHRU sobre os jovens e o problema da habitação e disse já ter pedido explicações.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

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Esposende começa a cobrar taxa turística no final de novembro

A Taxa Municipal Turística de Esposende, de dois euros na época alta e de 1,5 euros na época baixa, vai começar a ser cobrada dentro de 30 dias, segundo o regulamento hoje publicado em Diário da República.

O regulamento preconiza, concretamente, uma taxa de dois euros entre 01 de abril a 30 de setembro e de 1,5 euros de 01 de outubro a 31 de março.

A taxa de dormida será cobrada, por noite, a hóspedes com idade superior ou igual a 16 anos, até um limite máximo de cinco noites consecutivas.

Respeita a qualquer tipologia de alojamento, incluindo parques de campismo e caravanismo.

Ficam isentos do pagamento, desde logo, hóspede e um acompanhante que se desloquem ao município de Esposende por motivos de saúde, incluindo tratamentos médicos, exames ou consultas, desde que comprovado por documento idóneo que ateste a marcação ou prestação desses serviços.

Hóspedes alojados por expressa determinação de entidades públicas, decorrente de declaração em emergência social ou de proteção civil, também não pagam a taxa.

A isenção abrange ainda hóspedes que, por motivos de conflito ou deslocação forçada dos seus países de origem, residam temporariamente em Portugal, desde que devidamente comprovado pelos serviços competentes responsáveis pelo pedido de asilo.

Os residentes no concelho de Esposende também não pagam.

O regulamento sublinha que, entre 2020 e 2025, o número de hóspedes e de dormidas no concelho aumentou, respetivamente, 74,33 % e 69,37 %, “refletindo uma procura crescente do concelho enquanto destino turístico e traduzindo uma utilização cada vez mais intensa das infraestruturas, equipamentos e serviços municipais por parte dos visitantes”.

Em 2020, Esposende registou 26.325 hóspedes e 57.028 dormidas, números que em 2025 subiram, respetivamente, para 102.568 hóspedes e 186.194 dormidas.

“Este crescimento determina um acréscimo significativo da pressão exercida sobre o espaço público, as infraestruturas municipais, os equipamentos coletivos e os serviços assegurados pelo Município, designadamente nas áreas da limpeza urbana, gestão de resíduos, manutenção de espaços públicos, conservação das zonas balneares, proteção ambiental, mobilidade, segurança, informação ao visitante e valorização do património natural, cultural e paisagístico”, refere ainda o regulamento.

Acrescenta que a resposta a esta procura acrescida exige um esforço financeiro permanente por parte do município, destinado a assegurar a manutenção dos níveis de qualidade, segurança, sustentabilidade e fruição do território, tanto para os residentes como para os visitantes.

Assim, as receitas provenientes da taxa turística destinam-se a financiar, prioritariamente, intervenções relacionadas com a manutenção, conservação, valorização e reforço das infraestruturas, equipamentos, espaços públicos e serviços municipais utilizados ou impactados pela atividade turística.

Financiarão ainda outras medidas destinadas a assegurar a sustentabilidade do destino turístico e a melhoria contínua das condições de acolhimento dos visitantes.

O valor da taxa turística pode ser atualizado anualmente, através do orçamento municipal, de acordo com a taxa de variação média dos últimos 12 meses do índice de preços ao consumidor, quando positiva, publicada pelo Instituto Nacional de Estatística e reportada ao mês considerado para efeitos de elaboração do orçamento municipal.

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Vitória SC procura quebrar ‘jejum’ esta noite

O Vitória SC e o Marítimo procuram hoje interromper longas séries sem triunfos na I Liga portuguesa de futebol, defrontando-se no Minho no encontro de arranque da nona jornada.

Os vimaranenses chegam a este jogo numa série de cinco encontros sem vitórias no campeonato, menos um do que os insulares, com o Vitória a ter apenas um triunfo, recebendo um Marítimo que até entrou bem na I Liga, com duas vitórias a abrir a edição 2026/27.

As duas equipas chegam à nona ronda depois de se qualificarem, com dificuldade, para a quarta eliminatória da Taça de Portugal, com o Vitória a afastar o Lamelas (1-0), da distrital de Viseu, e o Marítimo a bater o Alcochetense (2-1), do Campeonato de Portugal.

O encontro entre o conjunto minhoto, 15.º classificado, com cinco pontos, e o clube madeirense, 12.º, com oito, está marcado para as 20:45, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, e vai ter arbitragem de Diogo Rosa, da Associação de Futebol de Beja.

O FC Porto, campeão e líder da I Liga, visita no sábado o Gil Vicente (sexto), com o Benfica (segundo) a fechar a ronda na segunda-feira, em casa do Santa Clara (quarto), um dia depois de o Sporting (terceiro) receber o Académico de Viseu (sétimo).

Programa da nona jornada

– Sexta-feira, 23 out:

Vitória SC – Marítimo, 20:45

– Sábado, 24 out:

Estrela Amadora – Casa Pia, 15:30

Alverca – Arouca, 18:00

Gil Vicente – FC Porto, 20:30

– Domingo, 25 out:

Estoril Praia – Moreirense, 15:30

Rio Ave – Famalicão, 18:00

Nacional – SC Braga, 18:00

Sporting – Académico de Viseu, 20:30

– Segunda-feira, 26 out:

Santa Clara – Benfica, 17:45 locais (18:45, horas de Lisboa)

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Franclim Carvalho: “Fizemos 17 remates na segunda parte e é isso que pretendo”

Declarações após o jogo SC Braga-Gent (2-0), da segunda jornada da Liga Conferência de futebol, que decorreu hoje no Estádio Municipal de Braga:

– Franclim Carvalho (treinador do SC Braga): “Estamos a viver estes dias com muita intensidade, com muita coisa para fazer neste espaço de tempo que tivemos. Era muito importante ganhar. Começámos muito bem o jogo, mas na primeira parte tivemos pouca objetividade, menos do que pretendemos. Na segunda, o jogo partiu mais, fizemos 17 remates na segunda parte e é isso que pretendo, mais agressividade ofensiva, mais chegada à área e com mais gente.

Depois, houve um momento importante do jogo que foi a defesa do Bernardo [Fontes] que dava o empate, mas nós também tivemos mais duas ou três oportunidades no final. Vitória justa perante uma equipa que é líder do seu campeonato e ainda não tinha perdido nos 90 minutos esta época.

Até onde podemos chegar? Primeiro, temos que passar esta fase, não adianta pensar mais adiante. Temos três pontos, mas há equipas já com seis, temos mais quatro jogos na competição e temos que encarar um a um, no seu devido tempo. Agora é descansar e preparar o jogo com o Nacional [domingo, do campeonato], parece um cliché, mas é mesmo assim. Temos pouco espaço entre jogos até à próxima paragem e vamos pensar jogo a jogo.

Tivemos dois treinos, pedi coisas simples e objetivas aos jogadores para pensarem todos o mesmo durante a maior parte do tempo possível. Depois, o treinador tem que se adaptar às características dos jogadores e encontrar uma forma de enquadrar as nossas ideias. Isto vai levar tempo, mas queremos continuar a trabalhar todas as variantes. Perdemos o controlo sem bola e vamos ter que melhorar muito, mas estou muito satisfeito com a disponibilidade total dos jogadores.

Cada treinador tem o seu cunho. Fizemos cinco remates na primeira parte e na segunda parte fizemos 17. Ao intervalo, disse aos jogadores que não podíamos ter só cinco remates em 45 minutos, temos que fazer mais mossa. Temos muita qualidade na frente e temos que extrair o máximo desses jogadores.

(Está virada a página?) O presidente disse que era o fecho de um ciclo e o início de outro. Sabemos que não se muda de vida e de ciclo de um momento para o outro, mas é importante esse fecho com uma vitória, quebrámos essa série, era importante ganhar, sobretudo nesta prova que é muito curta.

(Jonas Wind de fora) Ele teve um desconforto [no treino na véspera]. Fez 60 minutos num jogo e depois 45, é natural que, face ao que fez na última temporada e meia, tenhamos que o gerir.

Foi um jogo especial, primeiro como treinador principal neste estádio, esta camisola acarreta muita responsabilidade, também foi a estreia nas competições europeias. O apoio dos nossos adeptos foi muito importante, empolgou a equipa. Saí logo para o balneário porque a a vitória é inteiramente deles”.

– Rik de Mil (treinador do Gent): “Começámos mal o jogo, numa boa jogada sofremos o 1-0 e tornou tudo mais difícil. Fomos melhorando e jogámos com mais velocidade e procurámos a profundidade, tivemos boas oportunidades, mas o Braga tem mais qualidade no plantel e sofremos o segundo em contra-ataque. Acho que globalmente o Braga mereceu ganhar.

A performance na primeira parte foi muito difícil, sobretudo o início. Eles mudaram o esquema tático e tivemos que nos adaptar, mas o primeiro golo do Braga mostrou a real qualidade da sua equipa. Tivemos que voltar ao jogo e isso demorou.

Na segunda parte, mudámos um pouco, disse aos jogadores onde estavam os espaços para explorar, como devíamos ser mais agressivos e estivemos muito bem. Mas, sabemos que vamos sofrer aqui e tínhamos que manter a baliza a zero nos primeiros 20 minutos e marcar nas ocasiões que tivemos. Tínhamos que estar a ‘300 por cento’ durante os 90 minutos para levar pontos daqui e não estivemos e, por isso, a vitória do Braga é merecida.

Temos que voltar à realidade, nunca me escondi atrás das lesões, temos jogadores muito jovens e quero protegê-los. Temos que melhorar, a exigência é máxima, mas não nos podemos levar pelas emoções de termos perdido duas vezes seguidas [após eliminação da Taça da Bélgica, no domingo]”.

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João Moutinho: “Saímos desta má fase com uma vitória, mas temos de continuar a vencer”

Declarações na ‘flash-interview’ após o encontro SC Braga-Gent (2-0), da segunda jornada da Liga Conferência de futebol, disputado em Braga:

– João Moutinho (jogador do SC Braga): “Temos qualidade, sabemos disso, mas temos de jogar com mais experiência, inteligência e hoje conseguimos um bom jogo e um bom resultado. Saímos desta má fase com uma vitória, mas temos de continuar a vencer”.

– Ricardo Horta (jogador do SC Braga): “Foi uma semana atípica, mas quem anda no futebol está habituado que isto aconteça quando as coisas não correm bem. A resposta em campo foi muito boa. Tivemos uma conversa séria no balneário, falámos o que tínhamos de falar e tivemos uma reação muito boa. Era a reação que tínhamos de ter. Estamos aqui para a luta”.

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SC Braga vence Gent na estreia de Franclim Carvalho

O SC Braga venceu hoje na receção aos belgas do Gent, por 2-0, na segunda jornada da Liga Conferência de futebol, abrilhantando a estreia do novo treinador, Franclim Carvalho, com uma boa exibição.

Os golos de Victor Gómez (03 minutos) e Gabri Martínez (76) deram um triunfo justo aos minhotos, permitindo quebrar um ciclo de quatro jogos sem vencer e três derrotas consecutivas, que ditou a saída de Carlos Vicens.

Na estreia, Franclim Carvalho promoveu logo a mudança do esquema tático, passando do ‘3-4-3’ (o mais habitual com o técnico espanhol) para um ‘4-2-3-1’ e a equipa deu uma boa resposta, fazendo os primeiros três pontos na prova europeia, depois da derrota na jornada inaugural, em Copenhaga (3-0).

O novo técnico dos bracarenses fez cinco alterações, três delas na defesa, Victor Gómez, Barisic e Arrey-Mbi (como lateral-esquerdo de uma defesa agora com quatro homens), Gabriel Silva e Milosevic.

O Braga não podia querer melhor início, porque, logo aos três minutos, inaugurou o marcador, após uma excelente jogada coletiva: Gorby tabelou com Ricardo Horta já dentro da área e serviu Victor Gómez que, de primeira, fez o primeiro golo da partida.

O Gent é líder do campeonato belga, mas vinha de uma surpreendente eliminação da Taça da Bélgica por uma equipa do terceiro escalão e mostrou pouco poder ofensivo.

Aos 33 minutos, uma oferta de Paskotsi quase foi aproveitada por Pau Victor para fazer o segundo dos bracarenses, mas o Davy Roef defendeu bem para canto e, logo a seguir, foi a vez de Gabriel Silva, com uma boa jogada individual a rematar já de ângulo reduzido, mas obrigando o guardião belga a defesa atenta.

No segundo tempo, o Gent parecia querer mostrar mais e, aos 52 minutos, Sonko rematou com algum perigo, mas ao lado.

A resposta do SC Braga chegou pouco depois, primeiro com um remate de fora da área de Pau Victor, a que Davy Roef se opôs bem – na sequência, Gabriel Silva amorteceu de cabeça para Ricardo Horta que desviou por cima.

Franclim Carvalho foi refrescando a equipa, primeiro com Dorgeles (61) e, 10 minutos depois, com Tiknaz e Gabri Martínez, tentando estancar um certo ascendente do Gent: Van Der Heyden ameaçou com um remate ao lado (70) e Sonko obrigou Bernardo Fontes à defesa da noite com um remate forte já dentro da área (72).

Seria, contudo, o Braga a fazer o segundo e a ‘matar’ o jogo, por Gabri Martínez, de primeira e com o pé esquerdo a marcar o seu primeiro golo na Liga Conferência (e segundo da época), após assistência de Victor Gómez.

O SC Braga embalou para uns minutos finais de domínio completo e esteve perto do terceiro, por Ricardo Horta, que enviou à barra da baliza belga (85), e Gabri Martínez, por duas vezes (88 e 90).

Ficha de jogo

Jogo realizado no Estádio Municipal de Braga.

SC Braga – Gent, 2-0.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores

1-0, Victor Gómez, 03 minutos.

2-0, Gabri Martínez, 76.

Equipas

– SC Braga: Bernardo Fontes, Victor Gómez, Lagerbielke, Barisic (Sergio Barcia, 89), Arrey-Mbi, Gorby (Tiknaz, 71), João Moutinho, Pau Victor, Ricardo Horta (Huseinbasc, 89), Gabriel Silva (Gabri Martínez, 71) e Milosevic (Dorgeles, 61).

(Suplentes: Tiago Sá, Vítor Carvalho, Bajrami, Sergio Barcia, Diego Rodrigues, Tommy Marqués, Tiknaz, Travassos, Huseinbasic, Dorgeles, Gabri Martínez e Fran Navarro).

Treinador: Franclim Carvalho.

– Gent: Davy Roef, Maksim Paskotsi (Kyrell Wilson, 82), Christian Burgess, Siebe Van Der Heyden, Tiago Araújo, Tibe De Vlieger, Hyllarion Goore (El Hadji Seck, 63), Mathias Delorge (Leonardo Lopes, 63), Michel-Ange Balikwisha (Lazló Bénes, 41), Momodou Sonko (Gilles De Meyer , 82) e Ibrahima Cissé.

(Suplentes: Kjeel Peersman, Lazló Bénes, Aimé Omgba, Kyrell Wilson, Leonardo Lopes, Mohammed El Adfaoui, Gilles De Meyer, Abdelkahar Kadri, Abdoul Ayinde, Mamadou Diallo, Matties Volckaert e El Hadji Seck).   

Treinador: Rik De Mil.

Árbitro: Andris Treimanis (Letónia).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Barisic (27), Maksim Paskotsi (32) e Tiago Sá (40).

Assistência: 10.449 espetadores.

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BE requer audição urgente de Benjamim Pereira no Parlamento: “Estas palavras não são uma opinião qualquer”

O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, requereu hoje a audição urgente do presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) no Parlamento, após as suas declarações acerca das manifestações contra a crise neste setor.

Este pedido para audição urgente surge depois de o presidente do IHRU, Benjamim Pereira, ter dito hoje não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

No requerimento apresentado, Fabian Figueiredo – que pede a demissão do responsável – sustenta que “há uma geração em Portugal que não precisa de lições de sacrifício”, apontando que em 2025 “os jovens portugueses saíram de casa dos pais, em média, aos 28,8 anos, dois anos e meio depois da média da União Europeia, segundo dados do Eurostat”.

O bloquista salienta ainda que “os preços da habitação subiram 16,5% no segundo trimestre de 2026 e a renda mediana dos novos contratos de arrendamento subiu 10,2% num ano, chegando aos 17,79 euros por metro quadrado no concelho de Lisboa”.

Para Fabian Figueiredo, “estas palavras não são uma opinião qualquer”, mas sim do “dirigente máximo do instituto” que, segundo a lei, tem por missão “garantir a concretização, coordenação e monitorização da política nacional de habitação”.

“Ao IHRU cabe também conceder comparticipações e empréstimos a programas habitacionais de natureza cooperativa e gerir o Porta 65 Jovem, o programa de apoio ao arrendamento dos jovens. Quem aconselha os jovens a fazer cooperativas preside ao instituto que tem por atribuição financiá-las”, critica o deputado.

Fabian Figueiredo alega ainda que é importante esclarecer “as condições” em que o atual presidente do IHRU “exerce o cargo”. O bloquista afirma que Benjamim Pereira foi nomeado em setembro de 2024, através de uma resolução de Conselho de Ministros “que dissolveu por mera conveniência o conselho diretivo anterior”.

“Segundo a nota curricular publicada em Diário da República, o seu percurso foi feito na política autárquica, tendo presidido à Câmara Municipal de Esposende entre 2013 e 2024, eleito pelo PSD. Já como presidente do IHRU, declarou-se, em março de 2025, “sempre à disposição do PSD” para assumir responsabilidades políticas locais não executivas. Em maio desse ano, a concelhia do PSD de Esposende aprovou a sua candidatura à presidência da Assembleia Municipal. A Constituição vincula a Administração Pública ao princípio da imparcialidade”, sustenta o deputado.

Fabian Figueiredo quer ouvir o responsável no parlamento sobre as declarações em causa, “a forma como o IHRU está a cumprir a sua missão no acesso dos jovens à habitação, nomeadamente no Porta 65 Jovem e no apoio a soluções cooperativas, e as competências técnicas para o exercício do cargo”.

Além deste requerimento, o BE dirigiu um conjunto de perguntas ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, questionando se o executivo se revê na opinião do presidente do IHRU, que critérios presidiram à sua escolha, “quantas candidaturas ao Porta 65 Jovem aguardam decisão e qual foi, em 2025 e em 2026, o tempo médio de decisão”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, disse hoje aos jornalistas Benjamim Pereira, em Vila Nova de Gaia (Porto).

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Tribunal anula suspensão aplicada por colégio de Braga a aluna por conversas no WhatsApp

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a anulação da suspensão por 12 dias aplicada por um colégio de Braga a uma aluna, com base em mensagens que a mesma partilhou num grupo privado e fechado de WhatsApp.

Por acórdão de 29 de setembro, hoje consultado pela Lusa, o STJ refere que as mensagens partilhadas num grupo privado e fechado de WhatsApp “integram a esfera da vida privada dos respetivos participantes, beneficiando da tutela constitucional da reserva da intimidade da vida privada e da confidencialidade das comunicações”.

“Constitui prova ilícita, inadmissível para efeitos de instrução e fundamentação de procedimento disciplinar, a utilização de mensagens trocadas em grupo privado e fechado de WhatsApp obtidas mediante divulgação não autorizada, sendo nulo o procedimento disciplinar que assente em tal meio probatório”, acrescenta.

No entanto, a decisão do STJ não foi consensual, já que uma juíza defendeu que se devia manter a decisão da primeira instância, que dava razão à cooperativa de ensino, por considerar que esta não cometeu qualquer ilicitude no acesso às mensagens.

A Alfacoop decidiu, em fevereiro de 2024 e após processo disciplinar, suspender por 12 dias uma aluna de 16 anos, depois de ter tido conhecimento do teor de conversas que ela teve num grupo fechado e privado no WhatsApp, do qual era administradora e de que eram membros outros nove alunos.

O pai da aluna recorreu para tribunal, pedindo a anulação da suspensão e 140 mil euros de indemnização.

Na primeira instância, o tribunal julgou a ação improcedente, mas o pai recorreu e viu o Tribunal da Relação dar-lhe razão, com a anulação da suspensão.

A Relação determinou ainda que seja apreciado o mérito da indemnização pedida pelos danos psicológicos, emocionais, reputacionais e académicos sofridos pela aluna.

Uma decisão agora confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça, após recurso do colégio.

No processo, a Alfacoop acusou a aluna de manter conversas com juízos depreciativos/difamatórios dirigidos a terceiros, calão e ‘stickers’ atentatórios do bom nome e da reputação de alunos e professores, bem como da sua integridade moral.

Alegou que não praticou qualquer ato que consubstanciasse ingerência na correspondência e comunicações da aluna nem violou o respeito devido pela sua privacidade, já que foram outras duas que as transmitiram aos responsáveis da cooperativa de ensino.

Sustentou ainda que tem a obrigação de promover uma cultura de responsabilidade, bem como salvaguardar a segurança no espaço escolar e o respeito pela integridade física e moral dos alunos.

“Não podia defraudar a confiança dos alunos, dos pais e da própria comunidade no seu projeto educativo”, referiu.

Argumentos que não colheram junto do STJ, que considerou que a circunstância de as mensagens terem chegado ao conhecimento da direção da escola, sem a autorização do titular, não as torna públicas, razão pela qual a prova assim obtida é ilícita e não pode ser utilizada para o efeito de instrução de processo disciplinar.

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António Salvador suspenso por 23 dias

O presidente do SC Braga, António Salvador, foi hoje suspenso por 23 dias pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), ao criticar o árbitro Gustavo Correia após o jogo com o Gil Vicente.

No mapa de processos sumários do CD da FPF, lê-se que, de acordo com os relatórios do árbitro e do delegado da Liga, no final da receção aos gilistas, na segunda-feira, em jogo em atraso da segunda jornada do campeonato, António Salvador foi ao balneário da equipa de arbitragem, deixando críticas ao árbitro da associação do Porto.

“O senhor faça um favor, deixe a arbitragem, falsifica documentos, o senhor psicologicamente não está em condições nenhumas de arbitrar jogos nenhuns, é o estado que a arbitragem portuguesa está”, pode ler-se na transcrição do processo, publicado no sítio oficial da Liga de clubes, como atribuído a Salvador para Gustavo Correia.

Além dos 23 dias de suspensão, o CD da FPF penalizou ainda o presidente dos ‘arsenalistas’ com 4.970 euros de multa.

O SC Braga perdeu com o Gil Vicente 2-1 e, no final, queixou-se que existiu uma falta sobre Pau Victor no início da jogada que viria a resultar no primeiro golo da equipa de Barcelos e que, já no período de descontos, ficou por marcar uma grande penalidade favorável aos bracarenses por suposta falta sobre Ricardo Horta.

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“Não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”

O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) disse hoje não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, disse hoje aos jornalistas Benjamim Pereira, em Vila Nova de Gaia (Porto).

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o responsável do IHRU disse não querer ir “por esse caminho”.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, prosseguiu, e perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, afirmou que não estava “a dizer isso”.

Pedindo para “concluir o raciocínio”, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram “porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje”.

“É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas. Eu já recebi pessoas no IHRU que agora, com os seus 60 e 70 anos, que quando eram da idade dos jovens que agora se estão a manifestar organizaram-se, fizeram cooperativas e fizeram as suas próprias casas”, afirmou.

Frisando que fazia “um apelo” e não “uma crítica”, Benjamim Pereira pediu “a todos que se possam unir” pois “é um problema que tem de ser resolvido por todos e os jovens também fazem parte desta equação”.

Antes, o também ex-presidente da Câmara de Esposende (PSD) tinha dito que vê as manifestações “de forma muito tranquila”.

“Eu acho que as pessoas, os cidadãos devem manifestar-se. Não é [só] pela habitação, é pela habitação, é pela saúde, é por tudo aquilo que entenderem que não está de acordo, enfim, com a sua forma de ver. O que não quer dizer desde logo que tenham razão. Mas podem e devem manifestar-se. Isto só nos dá força para trabalhar mais”, apontou.

Disse ainda haver “algum sentimento de injustiça” para os trabalhadores do IHRU.

“Nós temos trabalhado imenso, temos feito o máximo que está ao nosso alcance para conseguir resolver um problema. Só que é um problema estrutural, não é um problema conjuntural”, sustentou.

Segundo Benjamim Pereira, “não se vai resolver o problema da habitação (…) durante os próximos anos, é preciso todos termos consciência disso”.

Porém, expressou otimismo quanto ao decreto-lei proposto pelo Governo para a habitação, n.º97/2026, “que vai, com toda a certeza, dar um enorme contributo para resolver o problema da habitação”.

“É preciso dar tempo para que ele funcione. Quer o regime simplificado do arrendamento acessível, que vai (…) conter, mas por opção do próprio senhorio, o limite das rendas, que será muito importante”, bem como “os contratos de investimentos de arrendamento”, acrescentou.

Para Benjamim Pereira, estes contratos são “das medidas mais importantes que se tomaram em Portugal nas últimas décadas em relação à habitação” porque convocam o setor privado.

“Os contratos de investimento de arrendamento na sua modalidade, quer da renda moderada, que é obrigatório praticar, quer da renda acessível” podem ser a “bala de prata” com a “obrigatoriedade de manter os imóveis durante 25 anos em arrendamento acessível” para que os jovens “tenham aqui a sua oportunidade”, assinalou.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

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Administração do matadouro em Trás-os-Montes já previa anulação de insolvência

A administração do matadouro do Cachão, Mirandela, vincou, hoje, que a anulação da insolvência já era o esperado, mas os problemas mantêm-se e o funcionamento da unidade de abate só é possível graças a dinheiro injetado pelos municípios.

Em declarações à Lusa, o administrador Michel Monteiro realçou que a anulação do processo de insolvência, pelo Tribunal da Relação de Guimarães, noticiada quarta-feira pela Lusa, “não traz muito de novo”, porque “apesar da incerteza”, havia “uma forte convicção de que o processo ia ter este desfecho”, devido à natureza empresarial do matadouro.

Em abril deste ano, um dos credores do matadouro, a Ares Lusitani, pediu a insolvência da unidade de abate devido a uma dívida que terá chegado a perto de um milhão de euros.

No entanto, a 15 de outubro, o tribunal da relação anulou o processo, alegando que o matadouro do Cachão é uma empresa local, de natureza intermunicipal, estando sujeita a uma legislação especial.

Este desfecho, para Michel Monteiro, significa voltar à “estaca zero”, mantendo-se os problemas financeiros da unidade de abate, provocados pelo “enorme decréscimo”, na ordem dos “30 a 40%”, no abate de animais, pelo aumento do custo do combustível, do gás e da eletricidade, e ainda assim mantendo os mesmos postos de trabalho.

Face à relevância do matadouro para a região, os municípios, garantiu, “têm feito um enorme esforço” para conseguir manter o matadouro em funcionamento e, em resposta às críticas do sindicato sobre a má gestão, salientou que “poucos políticos teriam esta coragem de injetar tanto dinheiro nesta unidade industrial” que “gera valor negativo”.

“O núcleo central do negócio não é autossustentável, a atividade gera valor negativo no seu dia-a-dia, obrigando a empresa a recorrer a financiamento dos acionistas, no caso concreto, ao município de Vila Flor e ao município de Mirandela”, vincou.

Michel Monteiro sublinhou ainda que as câmaras municipais têm também feito um esforço para manter os 23 postos de trabalho, embora preveja um alívio nos gastos com ordenados, visto que “entre 30 a 40% dos trabalhadores” atingiram a idade da reforma e “muitos deles já não conseguem estar na grande parte dos postos de trabalho”.

“Se por cada dois que se vão reformando nós conseguirmos meter uma pessoa com idade jovem, com ambição, com motivação para dali fazer uma carreira, tem tudo para continuar a funcionar o matadouro”, adiantou.

Durante o processo de insolvência os municípios apresentaram um plano de revitalização para esta unidade de abate situada em Frechas, no concelho de Mirandela. No entanto, com a anulação da insolvência, também este plano cai por terra.

Ainda assim, o administrador revelou que os municípios vão ter de negociar a dívida com os credores.

“Sentarmo-nos e tentarmos negociar uma forma ou um prazo bastante diluído, são esses pormenores que terão de ser discutidos, mas enfim, com alguma margem conseguirmos, a seu tempo, conseguir cumprir com as obrigações que outros assumiram no passado e que até à data (…) o matadouro ainda não conseguiu pagar”, referiu.

Desde o início do processo de insolvência, o matadouro industrial do Cachão manteve-se aberto e em funcionamento, mas os trabalhadores chegaram a anunciar uma greve, por alegados atrasos no pagamento de salários e subsídios de férias, mas acabou por ser cancelada.

No nordeste transmontano há ainda mais três matadouros: em Miranda do Douro, Vinhais e Bragança, estando ainda a ser construído outro em Mogadouro.

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Vitória SC: Margarido diz que treinadores “não podem ser únicos responsáveis” por insucesso

O treinador do Vitória de Guimarães, Tiago Margarido, considerou hoje que os treinadores de futebol não podem ser “os únicos responsáveis pelo sucesso ou pelo insucesso desportivo”, a propósito dos vários despedimentos nesta época.

Face às saídas de Carlos Carvalhal do Famalicão, na segunda-feira, e de Carlos Vicens do Sporting de Braga e de Alexandre Santos do Nacional, na terça-feira, a I Liga portuguesa de futebol passou a contabilizar sete mudanças em 2026/27, número superior a qualquer uma das ‘big 5’ na Europa.

“Ao longo do tempo, habituámo-nos a ser o ‘saco de pancada’, mas, num projeto global, há muitos responsáveis. Não podemos ser os únicos responsáveis pelo sucesso ou pelo insucesso desportivo”, disse, à margem da antevisão à receção ao Marítimo, da nona jornada do campeonato, agendada para sexta-feira.

O técnico, de 37 anos, lembrou, aliás, o comunicado da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), publicado na quarta-feira, acerca das saídas verificadas na I e na II Liga, para vincar que a tendência para despedir treinadores após ciclos de maus resultados a abrir temporadas “não é benéfica para a profissão”.

Ao leme de uma equipa que ocupa o 15.º lugar da I Liga, com cinco pontos, fruto de uma vitória, dois empates e cinco derrotas em oito jornadas, Tiago Margarido disse que os treinadores já “sabem lidar” com a “cultura instalada em Portugal” de “uniformizar a avaliação” do desempenho desportivo numa “única pessoa”, o treinador, mesmo quando não é a única culpada.

“Quando as coisas não correm tão bem, nem sempre é culpa dos treinadores. Por vezes, é. Temos de assumir isso, mas, muitas vezes, as estruturas ‘escondem-se’ nos treinadores, quando as coisas não correm tão bem”, disse.

Além dos três despedimentos ocorridos na semana em curso, o Nacional despediu o treinador João Gião após a quarta jornada, sendo o recordista de saídas em 2026/27, o Rio Ave acertou a saída do grego Sotiris Silaidopoulos após a sétima jornada e o Estoril Praia confirmou a saída de Vasco Matos após a oitava, para além de Vasco Seabra, que trocou o Arouca pelos vila-condenses.

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Margarido quer Vitória “ofensivo e envolvente” para derrotar Marítimo

O treinador Tiago Margarido afirmou hoje que o Vitória SC precisa de apresentar “um jogo ofensivo e envolvente” para derrotar o Marítimo, na sexta-feira, em jogo de abertura da nona jornada na I Liga portuguesa de futebol.

Ciente de que os minhotos têm o “desafio de melhorar” face às três anteriores partidas, com Moreirense (1-1), onde os seus jogadores “não estiveram tão bem” quanto esperava, Benfica (derrota por 2-0) e Lamelas, para a Taça de Portugal (triunfo por 1-0), o técnico promete uma equipa “fiel” a um estilo atacante, perante um oponente “com valia”.

“A ‘receita’ [para o encontro] passa muito por jogarmos o nosso futebol ofensivo. O Marítimo é uma equipa bem organizada, com experiência, que sabe ‘ler os momentos do jogo’. Temos de ser fortes. Temos de ter um jogo ofensivo e envolvente, com os laterais a criarem inúmeros desequilíbrios para vencermos”, disse, na antevisão ao desafio marcado para as 20:45, em Guimarães.

Esperançoso no regresso dos vimaranenses a “níveis exibicionais” semelhantes ao da jornada inaugural, pese embora a derrota com o Arouca, do triunfo sobre o Nacional (1-0), na terceira ronda, e do empate com o Casa Pia (0-0), na quinta, o ‘timoneiro’ disse ainda que o Vitória está sempre pressionado para vencer.

“Entramos em todos os jogos para ganhar. Temos a pressão de os ganhar todos. A pressão está bem presente desde o primeiro jogo do campeonato. Os jogadores estão preparados para isso. Precisamos muito dos três pontos. A equipa está tranquila e confiante e quer muito ganhar”, disse, num momento em que os vitorianos somam um triunfo no campeonato e ocupam o 15.º lugar, com cinco pontos.

Tiago Margarido disse ainda que a continuidade de Lucas Furtado na baliza, após ter alinhado frente ao Lamelas, rendendo Oliwier Zych, titular nas primeiras oito rondas do campeonato, é “uma possibilidade”, mas “não uma garantia”, tendo lembrado as várias mudanças operadas na equipa desde o início da época.

O técnico confirmou ainda que o defesa central Thiago Balieiro, totalista no campeonato, permanece em dúvida para a receção aos madeirenses, enquanto o avançado Alioune Ndoye está de regresso às opções após cumprir três jogos de suspensão.

O Vitória SC, 15.º classificado da I Liga portuguesa, com cinco pontos, recebe o Marítimo, 12.º, com oito, em jogo agendado para sexta-feira, às 20:45, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, com arbitragem de Diogo Rosa, da associação de Beja.

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Autarca promete “continuar a trabalhar” para Póvoa de Lanhoso ser cidade: “É só uma questão de tempo e circunstâncias políticas”

A Assembleia da República rejeitou a proposta de elevação da vila da Póvoa de Lanhoso a cidade, defendida por este município, presidido por Frederico Castro (PS), que respeita a decisão, mas não se resigna.

“A voz da população contou: Póvoa de Lanhoso mantém a categoria de vila. A Assembleia da República rejeitou, esta quarta-feira, 21 de outubro, o Projeto de Lei n.º 241/XVII/1.ª, que propunha a elevação da vila da Póvoa de Lanhoso à categoria de cidade”, refere em comunicado a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso (PSD), que sempre se opôs à pretensão da câmara.

Segundo a Junta, liderada por Paulo Silva (PSD), “esta decisão vai ao encontro da vontade expressa pela população na auscultação pública promovida pela Junta de Freguesia”, em maio deste ano, acrescentando ser “um sinal da força da participação cívica e do valor de uma Democracia que se constrói ouvindo as pessoas e respeitando a sua vontade”.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Câmara disse respeitar a decisão do Parlamento, mas reiterou a convicção de que a Póvoa de Lanhoso passará a ter o estatuto de cidade, mais cedo ou mais tarde, sendo “apenas uma questão de tempo”.

Frederico Castro lembrou que a medida foi um objetivo assumido por si na última campanha eleitoral, acrescentando que esta decisão desfavorável da Assembleia da República, votada por PSD, CDS e Chega, “que se uniram” no voto negativo, não o faz resignar, mas antes “continuar a trabalhar” para que um dia Póvoa de Lanhoso seja cidade.

“Não tenho a mais pequena dúvida de que é só uma questão de tempo e de circunstâncias políticas. Póvoa de Lanhoso reúne todos os critérios para ser cidade. Não me vou resignar, vamos continuar a trabalhar, a debater o assunto, a esclarecer as pessoas e os partidos. Não vamos abrir mão nem abdicar desse objetivo”, sublinhou o autarca.

Em maio, a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso realizou uma consulta pública que culminou com 85% de votos contra a proposta de elevação a cidade, apresentada pela câmara.

A consulta pública teve a participação de 882 cidadãos, dos quais 752 (85,3%) votaram contra a elevação da Póvoa de Lanhoso a cidade, 129 a favor (14,6%), havendo um voto nulo/branco.

Na Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso estão recenseados cerca de 5.300 eleitores.

A área territorial proposta para a elevação à categoria de cidade correspondia “exclusivamente ao território da Freguesia da Póvoa de Lanhoso, circunstância que motivou a realização desta auscultação pública por parte da Junta de Freguesia, enquanto órgão representativo direto da população abrangida pelo processo”.

O processo de elevação da vila da Póvoa de Lanhoso a cidade, defendido pelo município, e que seguiu para a Assembleia da República por proposta dos deputados do PS eleitos pelo círculo de Braga, não foi consensual e gerou debate político e social no concelho, face às posições divergentes entre a câmara PS e a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso PSD.

No comunicado agora divulgado, a Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso refere ainda que, “desde o primeiro momento, defendeu que uma decisão com impacto na identidade” local “devia contar com a voz de quem nela vive, de quem conhece a sua história e de quem ajuda, todos os dias, a construir o seu futuro”.

“A população participou, fez ouvir a sua voz e viu a sua vontade refletida nesta decisão. É assim que a democracia ganha sentido na vida de uma comunidade. A Póvoa de Lanhoso mantém-se vila, com a sua história, a sua identidade e o orgulho das suas gentes. Mantém também a ambição de crescer, de melhorar e de criar mais oportunidades para todos”, sublinha a Junta.

Em comunicado divulgado aquando da consulta pública, o PS da Póvoa de Lanhoso disse não reconhecer “a alegada ‘consulta pública’ promovida pela Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Amparo” (Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso) sobre a elevação da vila a cidade.

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Trás-os-Montes: Calor e seca quebram produção de castanha (mas qualidade é boa)

Produtores de castanha falam de uma antecipação da campanha e uma quebra de produção na zona da Padrela, no concelho de Valpaços, devido ao calor e à seca, mas garantem uma boa qualidade do fruto.

Pelos soutos da serra da Padrela espalham-se trabalhadores que, por estes dias, apanham a castanha, a principal fonte de rendimento deste território do distrito de Vila Real.

Artur Esteves, 62 anos, vive em Cabanas, aldeia da União de freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros, onde tem cerca de 80 hectares de castanheiros e de 8.000 árvores de onde prevê colher à volta de 50 a 60 toneladas de castanha.

“Este é um ano fraco, vai haver pouca castanha. A qualidade é boa e o calibre é muito melhor do que no ano passado. Este ano conto colher 50% a 60% do ano anterior”, afirmou à agência Lusa.

A apanha começou também uns dias mais cedo, como aconteceu com a grande parte das colheitas em 2026, desde a uva à azeitona.

“Já colhi 122 toneladas em 2019 e de lá para cá nunca mais lá cheguei. No ano passado colhi à volta de 100 e este ano prevejo lá para as 50, 60 toneladas, mas a gente está a começar a apanha”, apontou.

Esta ainda é, na sua opinião, uma atividade que rende, mas cada vez menos.

“Está tudo muito mais caro, a castanha mantém-se no mesmo preço ou ainda menos (…) A mão de obra é cara, os adubos também, está tudo caríssimo”, frisou, lembrando ainda que a árvore é sensível a doenças, como o cancro e a tinta, que tem secado muitos castanheiros, e que a vespa-das-galhas-do-castanheiro também tem prejudicado a atividade.

É um agricultor orgulhoso dos soutos e do fruto, ao qual se dedica desde a década de 80 com a ajuda da mulher e de dois filhos, a tempo inteiro. “É todos os dias nos castanheiros”, realçou.

Nos seus soutos estão a trabalhar 26 pessoas e espera o reforço de mais duas, entre familiares, residentes em aldeias vizinhas e uma equipa proveniente da Régua, prevendo que a apanha se estenda por 25 dias.

“Até agora tenho conseguido arranjar mão de obra, vamos ver no futuro”, afirmou.

A filha Alexandra Esteves, 31 anos, trabalha num hotel em Chaves e tira três semanas de férias, nesta altura, para a apanha da castanha.

“Venho ajudar os meus pais, sempre que posso venho. É um trabalho duro, mas já estamos habituados, já fazemos isto desde sempre, crescemos aqui e fomos habituados a isto”, referiu.

José Sousa, 61 anos, e Armanda Sousa, 60 anos, são de Tazém, União das Freguesias de Padrela e Tazém, e estão a fazer a apanha sozinhos.

“Este ano nem a máquina ligámos”, afirmou José Sousa, que explicou que a “produção é pouca” por causa da seca e do calor, prevendo colher “só um terço” da produção do ano passado.

A máquina é a da apanha da castanha. O produtor garantiu que a qualidade “é boa, só que é pouca”.

“Podemos fazer muito, mas se o tempo não ajudar (…) A nossa produção é muito menos”, afirmou a mulher, que explicou que os castanheiros têm ouriços, mas que há ouriços que não têm castanhas.

O calor do verão prolongou-se e choveu pouco.

“Desde 2018 para cá, a produção tem vindo sempre a mingar. A gente tem mais plantação, mas tem vindo sempre a mingar porque seca muito castanheiro com a doença da tinta, o cancro e a vespa, é tudo”, referiu Armanda Sousa.

A agricultora realçou também os custos de produção cada vez mais caros, como o combustível, os adubos, tratamentos e a mão de obra. Até agora, acrescentou, o escoamento do fruto tem estado garantido.

Começou a apanha há cerca de uma semana, 10 dias mais cedo do que no ano passado.

“A castanha era em novembro e agora já se faz metade da campanha em outubro”, sublinhou.

Junto à aldeia da Padrela, o empresário agrícola Nicolas Gonçalves, 38 anos, apanha a castanha para um produtor local.

A equipa é de cinco pessoas e vem de Murça. Aproveita o intervalo depois da vindima e antes do começo da apanha da azeitona, no seu caso a 02 de novembro, para dar uma mão à colheita da castanha.

“Este ano começou tudo mais cedo, podemos falar de vindimas, a castanha e a azeitona. A castanha no ano passado começou a 28 de outubro e, se calhar, vamos fechar ao final do mês e já não há castanha”, referiu o empreiteiro, que disse terem começado a apanha há uma semana.

Do que tem observado, antevê também uma quebra de produção de castanha e classificou a falta de mão de obra como um grande problema em Portugal.

“Não há, as pessoas não querem trabalhar (…) Na área da agricultura não falta trabalho”, frisou.

A Câmara de Valpaços alertou para a presença da vespa asiática (vespa velutina) e recomendou cuidados redobrados durante a apanha da castanha e da azeitona.

Para segurança dos trabalhadores, aconselhou a que se verifiquem as árvores e a vegetação antes de iniciar a atividade, a um especial cuidado durante a varejadura, a poda e a utilização de máquinas agrícolas e ao contacto com as entidades competentes.

É na serra da Padrela que se situa a maior mancha de castanha judia da Europa e são 18 as localidades do concelho que fazem parte da DOP “Castanha da Padrela”.

A Feira da Castanha Judia – Castmonte 2026 realiza-se de 06 a 08 de novembro.

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Este monumento nacional em Trás-os-Montes vai entrar em obras para ser atração turística

O Castelo e Vila Amuralhada de Carrazeda de Ansiães vão ser intervencionados, para melhorias de acessibilidade, restauro, atração turística e inovação digital, adiantou, hoje, o presidente do município.

João Gonçalves explicou, à Lusa, que vão ser feitas intervenções nas estruturas arqueológicas da Vila Amuralhada de Ansiães e será melhorada a acessibilidade ao Castelo. Vai ainda ser intervencionada a igreja São Salvador, que está dentro das muralhas, com o intuito de preservação do edifício, e será também melhorada a acessibilidade à igreja São João Batista, já fora das muralhas.

“Vai permitir, com certeza, aumentar o número de visitantes, mas, mais do que isso, também vai-nos permitir que pessoas que (…) neste momento têm dificuldade ou estão mesmo impedidas de lá ir, que possam fazê-lo e isso também, para nós tem um grande valor, tornarmos possível a acessibilidade a qualquer pessoa”, sublinhou.

As obras tiveram o aval do Instituto do Património Cultural, uma vez que o Castelo e a Vila Amuralhada é um monumento nacional.

O autarca João Gonçalves avançou também, à Lusa, que espera lançar a empreitada ainda este ano e que durante o tempo em que as obras decorrerem serão encontradas alternativas para tornar acessível a visitação dos espaços.

O objetivo é “afirmar o Castelo e Vila Amuralhada de Ansiães como um destino de referência para o turismo cultural e patrimonial”, promovendo a sua integração na rota “Castelos e Fortalezas a Norte”.

Além das empreitadas, o município revelou ainda que o local passará a ter recursos digitais, como um “reconstituição virtual em 3D, visitas virtuais a 360 graus, uma maquete tátil e conteúdos acessíveis em Língua Gestual Portuguesa, audioguias e recursos de audiodescrição”.

O projeto de valorização e conservação do Castelo e Vila Amuralhada de Ansiães tem o custo de cerca de 600 mil euros, 55% financiados por Fundos Europeus.

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Hoje há Braga-Gent com estreia de Franclim Carvalho

O SC Braga recebe hoje o Gent, pelas 20:00, na segunda jornada da fase de liga da Liga Conferência de futebol, no jogo de estreia do treinador Franclim Carvalho e em que procura amealhar os primeiros pontos.

O novo treinador sucedeu ao espanhol Carlos Vicens após a derrota caseira na segunda-feira com o Gil Vicente (2-1), em jogo em atraso da segunda jornada da Liga portuguesa, que manteve os ‘arsenalistas’ na oitava posição, com 11 pontos, a 13 do líder FC Porto.

Após a derrota fora frente ao Copenhaga, por 3-0, o SC Braga procura somar os primeiros pontos na prova frente ao líder do campeonato belga, que na ronda inaugural da Liga Conferência venceu em casa por 1-0 o Aarhus, da Dinamarca.

O Gent segue na 13.ª posição da tabela classificativa da terceira prova da UEFA, integrando o grupo dos clubes com três pontos, enquanto o SC Braga ocupa o 35.º e penúltimo lugar, entre os 14 emblemas que não pontuaram na primeira ronda.

Os oito primeiros classificados da fase de liga apuram-se diretamente para os oitavos de final, enquanto as equipas classificadas entre os nono e 24.º postos vão disputar um play-off de acesso à próxima fase, com as restantes a serem eliminadas.

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