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Marques Mendes foi o único com contas negativas na campanha presidencial. Cotrim lucrou 127 mil euros

A candidatura presidencial de João Cotrim Figueiredo apresentou um saldo positivo de 127,4 mil euros, enquanto Luís Marques Mendes foi o único candidato a declarar um resultado negativo, de cerca de quatro mil euros.

Os dados constam das contas das campanhas das últimas eleições presidenciais entregues à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), que foram divulgadas hoje.

Cotrim de Figueiredo, apoiado pela IL, foi o candidato que apresentou o maior resultado líquido positivo nas contas, de 127,37 mil euros, declarando receitas de 871,9 mil euros e despesas de 744,5 mil euros.

Nas contas entregues à ECFP, este excedente surge inscrito na rubrica de fundos patrimoniais, mas não no ativo, cujo valor declarado é de zero euros.

Do lado da receita, o antigo líder da IL, que ficou em terceiro lugar na primeira volta com 16% dos votos, recebeu 721,7 mil euros de subvenção pública, 148,6 mil de donativos e cerca de 1.600 euros de angariação de fundos. Não recebeu qualquer contribuição de partidos políticos.

Os maiores gastos de Cotrim foram feitos em estruturas, cartazes e telas (206,9 mil euros), comícios (196,5 mil euros) e conceção da campanha e agências de comunicação (163,6 mil euros).

O liberal tinha previsto, no orçamento entregue à ECFP antes das eleições, que a campanha custaria 500 mil euros e que a sua subvenção pública ficaria pelos 350 mil euros.

O único candidato além de Cotrim de Figueiredo a apresentar resultados positivos, embora bastante inferiores, foi Henrique Gouveia e Melo com um resultado líquido de cerca de 10 mil euros.

O antigo chefe do Estado-Maior da Armada, que antes das eleições previa que a sua campanha custasse 1,02 milhões de euros, declarou receitas totais de 994,7 mil euros e despesas de 984,7 mil euros e teve com principais fontes de receita os 621,3 mil euros de subvenção pública e 345,6 mil euros em donativos.

A estes somam-se 27,8 mil euros correspondentes a donativos em espécie e cedência de bens a título de empréstimo.

As principais despesas de Gouveia e Melo foram comícios, espetáculos e caravanas, que representaram 323,6 mil euros, seguindo-se a conceção da campanha e agências de comunicação (218,9 mil euros), estruturas, cartazes e telas (198,5 mil euros) e custos administrativos e operacionais (173,8 mil euros).

Em sentido contrário, a candidatura de Luís Marques Mendes, apoiada pelo PSD e CDS-PP, foi a única a apresentar contas negativas, de 4.041 euros, tendo declarado receitas de 876,6 mil euros e despesas de 880,6 mil euros.

O antigo líder social-democrata, que foi o quinto candidato mais votado, com 11,3% dos votos, recebeu 583,9 mil euros de subvenção pública, 256,6 mil em donativos e 36,2 mil euros em contribuições de partidos políticos. Somados, foram insuficientes para cobrir os gastos da candidatura.

Marques Mendes teve como principais despesas a conceção da campanha e agências de comunicação, que custaram 279,2 mil euros, seguindo-se os cartazes (230,3 mil euros), os custos administrativos e operacionais (187,2 mil euros) e os comícios, espetáculos e caravanas (147,7 mil euros).

Antes das eleições, o candidato tinha previsto que a subvenção ascenderia a um milhão de euros (quase o dobro do que efetivamente recebeu), e que a campanha custaria 1,32 milhões de euros – acabou por gastar menos cerca de 439,4 mil euros do que esperava.

Das restantes candidaturas com contas divulgadas pela ECFP, todas apresentaram resultados nulos, com receitas iguais às despesas.

Dos 11 candidatos, não entregaram contas à ECFP Humberto Correia e Manuel João Vieira.

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Continental investe 10 milhões para potenciar inovação em Famalicão

A fabricante de pneus Continental vai investir mais de 10 milhões de euros num centro de competências tecnológicas em Lousado, Vila Nova de Famalicão, que deverá estar pronto em inícios de 2028, foi hoje anunciado.

Segundo o administrador da empresa Pedro Carreira, o centro terá capacidade para acolher cerca de 500 trabalhadores.

Os primeiros ‘ocupantes’ do edifício serão os “200 e muitos” funcionários que trabalham nas diversas áreas de tecnologia na Continental em Lousado e que atualmente estão espalhados por vários espaços.

Posteriormente, e à medida das necessidades do mercado e dos talentos que houver disponíveis na região, o número deverá ir subindo até ao meio milhar.

“A inovação já existe, estamos a fazê-la, vamos continuar a fazê-la, mas o facto de as sinergias se colocarem todas no mesmo sítio torna o efeito potenciador muito maior. Tê-los todos dentro do mesmo espaço, todos a discutir em conjunto, será um primeiro passo fortíssimo para o desenvolvimento de novas ideias e conceitos”, sublinhou Pedro Carreira.

Acrescentou que, embora a Continental seja sobretudo conhecida em Portugal pela produção de pneus, a atividade da empresa “vai muito além disso”.

“A inovação e as novas tecnologias fazem parte do nosso ADN […]. Pretendemos criar um local de trabalho moderno e inspirador que promova a colaboração, impulsione a inovação e ajude a atrair e a desenvolver talento altamente qualificado”, frisou.

Para o gestor da Continental Solutions Center Ricardo Martins, o futuro centro de competências vai “romper deliberadamente com o conceito tradicional de escritório”.

“Um ambiente de trabalho moderno, colaborativo e inovador, onde as pessoas possam desenvolver o seu potencial e contribuir para projetos com impacto global”, referiu.

O centro vai focar-se, em grande parte, nas áreas da investigação e desenvolvimento e das tecnologias da informação.

“Vamos ter laboratórios de desenvolvimento, vamos ter laboratórios informáticos de desenvolvimento, mecânicos… É um centro de competências que está a ser montado, nas diferentes áreas onde a Continental precisa. Desde a manufatura até ao desenvolvimento de soluções informáticas, passando por soluções que vão ligar aos automóveis e aos pneus”, referiu Ricardo Martins.

No mesmo sentido, o responsável pela Investigação e Desenvolvimento da Continental, Edwin Goudswaard, destacou o contributo que o futuro centro dará para fomentar a criatividade, a troca de conhecimento e o desenvolvimento de novas soluções.

“A tecnologia e a inovação assumem um papel cada vez mais determinante para a competitividade das empresas”, apontou.

O futuro centro de competências terá 7.600 metros de espaço utilizável, dividido por três pisos.

Inaugurada em 1946 como Mabor e integrada no Grupo Continental em 1990, a fábrica de Lousado é atualmente uma das maiores unidades de produção de pneus da empresa em todo o mundo.

Em Lousado, o grupo tem quatro empresas no negócio de pneus: Continental Solutions Center, Continental Pneus Portugal, Continental Indústria Têxtil do Ave e Continental Mabor.

No total, e segundo o município de Famalicão, a Continental emprega em Lousado mais de 3.800 colaboradores.

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André Ventura gastou 3,7 milhões na campanha das presidenciais, o triplo de António José Seguro

O presidente do Chega, André Ventura, gastou 3,7 milhões de euros na campanha eleitoral das presidenciais, o triplo dos 1,2 milhões gastos por António José Seguro, que o derrotou na segunda volta do sufrágio.

Os dados constam das contas das campanhas entregues pelos candidatos das últimas eleições presidenciais à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) e divulgadas hoje.

André Ventura foi, com larga margem, o candidato que apresentou maiores despesas, num total de 3,73 milhões de euros, mais cerca de 2,8 milhões do que os 900 mil inicialmente previstos no orçamento entregue à ECFP antes das eleições.

Os principais gastos do líder do Chega correspondem a estruturas, cartazes e telas, nos quais investiu 1,72 milhões, seguindo-se os brindes e outras ofertas, categoria em que registou um gasto de 972 mil euros.

A campanha de Ventura gastou ainda 346,6 mil euros em propaganda, 210,7 mil euros em comícios, 175,5 mil euros em custos administrativos e 143,5 mil euros na conceção da campanha e em agências de comunicação, além de 156,4 mil euros classificados como outras despesas.

Do lado das receitas, a candidatura recebeu 1,03 milhões de euros de subvenção pública e 2,7 milhões de euros de partidos políticos para financiar a campanha. Os donativos de particulares totalizaram apenas 760 euros.

André Ventura ficou em segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais, com 23,5% dos votos, e foi derrotado na segunda volta por António José Seguro, que venceu com 66,8% dos votos.

António José Seguro, que se candidatou como independente com o apoio do PS, tinha orçamentado uma campanha de 1,13 milhões de euros, mas acabou por gastar 1,22 milhões, mais cerca de 90 mil euros do que previu.

A maior parcela da despesa da candidatura do atual Presidente da República correspondeu a comícios, em que gastou 412,9 mil euros, seguindo-se os cartazes (329,5 mil euros), a conceção da campanha e agências de comunicação (206,4 mil euros), propaganda (140,7 mil euros), custos administrativos (77,8 mil euros) e brindes (55,9 mil euros).

A candidatura vencedora recebeu 1,03 milhões de euros de subvenção pública e 125,6 mil euros de angariação de fundos.

Indicou ainda que recebeu 71,1 mil euros de partidos políticos, depois de ter previsto, no orçamento entregue à ECFP antes das eleições, que não iria receber qualquer verba de forças partidárias.

Depois dos dois candidatos da segunda volta – que tiveram, por isso, campanhas maiores -, surgem os nomes de Henrique Gouveia e Melo, que gastou 984,7 mil euros, Luís Marques Mendes, com despesa de 880,6 mil euros, e João Cotrim Figueiredo, que gastou 744,5 mil euros.

Entre os candidatos que não receberam qualquer subvenção pública, António Filipe investiu 329 mil euros, Catarina Martins 89 mil e Jorge Pinto gastou 82 mil euros – os três tiveram as campanhas largamente financiadas pelos respetivos partidos. André Pestana ficou pelos 5,9 mil euros de despesa, totalmente financiados por donativos e cedência de bens a título de empréstimo.

Dos 11 candidatos, não entregaram contas à ECFP Humberto Correia e Manuel João Vieira.

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Governo aprova diploma que regula novas regras para desbloquear heranças indivisas

O Governo aprovou hoje um decreto-lei que regula as novas regras destinadas a desbloquear a separação das heranças indivisas entre herdeiros, anunciou o ministro da Presidência, António Leitão Amaro.

O diploma procura responder ao “flagelo das heranças indivisas”, no final da reunião do Conselho de Ministros.

O decreto-lei dá sequência à lei, aprovada no parlamento, em julho, em votação final global, pelo PSD, CDS-PP, PS, IL e JPP.

“Quando há dificuldade de acesso à habitação por falta de casas, termos tantas e tantas casas vazias em condições de serem habitadas porque as heranças estão bloqueadas é inadmissível”, afirmou, especificando que Portugal tem 485 mil casas vagas, das quais mais de metade “em boas condições, dizem os censos”.

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Investigadores portugueses descobrem variante de proteína que pode ajudar a controlar o cancro

Uma nova variante de proteína que pode ajudar a controlar o cancro e o envelhecimento celular foi descoberta por uma equipa de investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC), anunciou hoje a instituição portuguesa.

A equipa identificou, pela primeira vez, uma nova variante da proteína p53, que tem um papel direto no controlo do envelhecimento celular e propriedades anticancerígenas.

“A descoberta abre novas portas para compreender como travar o envelhecimento celular e a multiplicação de células tumorais”, avançou a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.

O estudo – liderado pelo grupo de investigação Envelhecimento Molecular, Química do RNA e Oncogénese do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento da UC – identificou a nova variante, que tem o nome de Delta246p53, e conseguiu mostrar que esta induz o processo pelo qual as células deixam de se dividir e inibe a formação de tumores em células.

“A Delta246p53 controla várias vias que envolvem outras proteínas essenciais ao controlo da senescência, promovendo este processo e limitando a proliferação de células tumorais ou de células com danos”, explicou o líder da investigação, Marco Candeias.

Segundo o investigador, se se conseguir “manter a expressão desta nova proteína restrita apenas às células em risco de transformação oncológica”, poderá ser perspetivado “um possível prolongamento da esperança de vida, mantendo ou reforçando em simultâneo a defesa contra o cancro”.

Esta variante é uma nova proteína produzida a partir do TP53, que é “um dos genes mais poderosos do genoma humano, frequentemente chamado ‘guardião do genoma’”.

“Controla a divisão das células, repara o ADN quando este sofre mutações e promove a morte celular sempre que necessário. Uma alteração ou falha no seu funcionamento leva a alterações celulares significativas que podem resultar em envelhecimento precoce e aparecimento de cancro”, referiu a UC.

Comparativamente a outras proteínas já identificadas, a nova variante do gene TP53 agora descoberta é uma proteína com funções mais específicas, o “que pode abrir caminho a intervenções mais diretas para travar o envelhecimento e problemas oncológicos”.

Esta investigação contou com a participação da Universidade de Quioto (Japão), do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e da Universidade de Trento (Itália).

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Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP em greve no dia 30 de outubro

Os revisores, trabalhadores das bilheteiras e chefias da CP vão cumprir a 30 de outubro um dia de greve por melhores condições de trabalho, estando previstas perturbações na circulação de comboios, segundo a empresa e fonte sindical.

“Por motivo de greve convocada, pelo sindicato SFRCI [Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante], para dia 30 de outubro [uma sexta-feira], preveem-se perturbações na circulação de comboios, com possíveis impactos também no dia anterior e seguinte”, informou a CP-Comboios de Portugal num comunicado publicado no seu ‘site’.

Contactado hoje pela agência Lusa, Luís Bravo do SFRCI, disse que a greve de 24 horas visa a valorização do trabalho e “dignidade das suas condições de vida”, agravada pelo aumento dos combustíveis, habitação, bens alimentares essenciais e a subida dos preços do gás e da eletricidade.

Segundo o Sindicato, “esta realidade tem provocado uma contínua perda do poder de compra e uma degradação das condições de vida das famílias ferroviárias, tornando insuficientes as valorizações salariais alcançadas até ao momento para compensar o aumento generalizado dos encargos suportados pelos trabalhadores”.

“O aumento dos combustíveis é particularmente grave para estes trabalhadores devido aos horários de trabalho e por não haver transportes em determinados horários. Os trabalhadores têm de se deslocar em viatura própria. Em alguns sítios têm de pagar também estacionamento”, disse à Lusa Luís Bravo.

Perante esta realidade, o Sindicato pede “que a CP e o Governo adotem medidas concretas e eficazes que permitam recuperar o poder de compra perdido, valorizar os trabalhadores ferroviários e garantir condições de vida dignas a quem assegura diariamente o funcionamento de um serviço público essencial ao país”.

Os trabalhadores reivindicam a valorização do subsídio de deslocação/transporte ainda durante o ano de 2026, com efeitos retroativos a julho, de forma a compensar o aumento extraordinário dos custos de mobilidade.

Reivindicam igualmente a conclusão das negociações relativas à valorização do trabalho prestado em dias de descanso não compensado, a publicação imediata do Boletim do Trabalho e Emprego (BTE) de todos os acordos salariais e regulamentares atualmente em vigor e a abertura urgente de negociações para a revisão do Acordo de Empresa e do Regulamento de Carreiras.

Os trabalhadores exigem também a publicação em BTE dos aumentos salariais alcançados em 2025 e 2026 e dos diversos acordos bilaterais atualmente em vigor.

Denunciam também que “a imagem e o profissionalismo dos seus trabalhadores perante os passageiros e opinião pública estão a ser injustamente afetados pelos sucessivos atrasos provocados por problemas na infraestrutura ferroviária””.

Por isso, o Sindicato pede “a adequação dos horários dos comboios às condições reais da infraestrutura sempre que se verifique, de forma sistemática, a ocorrência de atrasos significativos, evitando a degradação da qualidade do serviço prestado e a exposição injusta de trabalhadores perante os passageiros”.

O Sindicato diz ainda que os trabalhadores vão assegurar a prestação, durante a greve, dos serviços necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações em todas as vertentes”.

A CP – Comboios de Portugal informa que os clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, podem pedir o reembolso, no valor total do bilhete adquirido, ou a sua troca gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe.

A greve dos trabalhadores vai ocorrer num dos dias em que está marcada uma greve parcial do Metropolitano de Lisboa (ML), entre as 05:00 e as 10:00.

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Rita Matias propõe criação de sala de amamentação no Parlamento

A deputada Rita Matias, do Chega, propôs a criação de uma sala de amamentação na Assembleia da República, defendendo que o Parlamento deve dar o exemplo nesta matéria e garantir uma solução que possa ficar para o futuro.

Em declarações à agência Lusa, Rita Matias, que foi mãe há pouco mais de um mês, indicou que fez uma “proposta formal” na conferência de líderes do passado dia 07 para que existam no Parlamento condições adequadas à extração e armazenamento do leite materno.

A parlamentar referiu que o “Chega já tinha várias vezes tido discussões internas sobre o tema” e que esta sugestão “não foi motivada necessariamente” pela sua circunstância atual, “mas porque poderia já ter acontecido com outras deputadas”.

“Entrámos também posteriormente em contacto com o gabinete do presidente da Assembleia da República e soubemos através de uma das suas assessoras que vão reunir com a secretária-geral e tentar perceber na gestão dos espaços do Parlamento se é possível ou não acomodar uma sala para a amamentação”, disse.

Rita Matias justificou que atualmente não existe na Assembleia da República “nenhum espaço condigno” para a extração e armazenamento de leite materno e destacou que “esta resposta pode ficar até para o futuro, para garantir que nenhuma mulher tenha que sentir que eventualmente tem que abdicar da amamentação para poder voltar ao exercício das suas funções ou que não tem um espaço condigno”.

“Acho que era um legado positivo que o Chega poderia deixar nesta casa, também em defesa das mulheres e da sua participação, para que não tenham de abdicar do seu espaço político, do espaço que é conquistado muitas vezes a pulso, apenas e só porque foram mães”, defendeu.


A deputada do Chega disse esperar que “o gabinete do presidente da Assembleia da República e a secretária-geral possam ser sensíveis ao tema, porque certamente que há mais mulheres que vão enfrentar esta situação”, mas ainda não teve uma previsão.

Rita Matias admitiu que este pedido “não seja fácil para a gestão da Assembleia” no que toca à organização dos espaços, mas é “algo necessário” agora e para o futuro, podendo ser usado tanto por deputadas como por funcionárias.

“É algo que muitas empresas no privado já dão, alguns espaços públicos também já, e portanto não faz sentido a casa da democracia não ser também um exemplo de referência para os demais espaços onde há mulheres”, sustentou.

Sobre o seu regresso às funções poucos dias depois de ter sido mãe e a decisão de não gozar a licença parental, apesar de a lei laboral prever um período obrigatório de licença de 42 dias para a mãe imediatamente após o parto, Rita Matias justificou que se está a reger pelo estatuto dos deputados.

“Nós estamos ao abrigo de um regime jurídico diferente. Para trabalhadores por conta de outrem é verdade, no entanto eu não tenho um contrato com a Assembleia da República, nem a Assembleia da República comigo, é um cargo público e, portanto, essa questão não se colocou e eu consigo conciliar também pela excecionalidade das funções parlamentares”, sustentou.

A deputada disse também que quis “dar um sinal de que não é preciso fazer uma escolha” entre uma carreira política e a maternidade.

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