O Brasil tem mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar no segundo turno, no próximo domingo (25 de outubro). Os brasileiros terão de escolher entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de a igualdade absoluta de votos ser um cenário difícil e nunca registrado em eleições presidenciais brasileiras, a Justiça Eleitoral estabelece um critério para definir o vencedor.
O cálculo para determinar a vitória em um eventual empate considera exclusivamente os votos válidos, isto é, aqueles destinados a uma das candidaturas registradas. Votos em branco e votos nulos são desconsiderados e não entram na contabilização da maioria nem na verificação de empate.
Desse modo, se Lula e Flávio terminarem o segundo turno com exatamente a mesma quantidade de votos válidos, Lula será declarado vencedor por ser mais velho que o adversário.
O presidente tem 80 anos e o senador tem 45.
A regra, porém, só se aplica em caso de igualdade absoluta na contagem dos votos válidos. Uma diferença de apenas um voto já seria suficiente para definir o resultado da eleição.
Our Latin America correspondent, Tom Phillips, heads to Roraima to hear what’s at stake for the rainforest and the communities that live there in the Brazilian presidential runoff on Sunday. Send your comments and questions to tif.questions@theguardian.com
For the Amazon and the communities who live there, the stakes in Sunday’s Brazilian presidential election runoff could scarcely be higher.
Our Latin America correspondent, Tom Phillips heads to Roraima, the country’s most northern state, to hear from voters, preachers and politicians in a region that heavily backed Flávio Bolsonaro in the first round.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou tanto na sua vida de heranças malditas, jeito que ele encontrou de sempre por a culpa nos outros, até herdar de fato uma maldição: a maldição do incumbente.
É um fantasma que assombra quem está no poder não importa em que país. Com Lula, parece um pouco pior essa assombração, pois ele gastou o que tinha e não tinha para ganhar votos e continua enfrentando uma situação muito difícil e apertada para virar a desvantagem com a qual saiu do primeiro turno.
Em termos eleitorais, o retorno para tanta gastança tem sido muito baixo. Seu adversário sofre com situação semelhante.
As eleições para o Legislativo consolidaram uma imensa vantagem para a centro direita. As pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro continua o favorito para vencer as eleições, mas por margem mais apertada do que logo após o primeiro turno.
É claro que a onda prejudicando Lula é a onda que diretamente beneficia Flávio.
Mas, sobretudo, nas pesquisas chamadas qualitativas, que não são registradas no TSE. Elas trazem um sentimento generalizado de mudança, causado por outro sentimento, o de que as coisas não melhoram.
Esses são fatores amplos, de longo prazo, nem um pouco novos. Já os de curto prazo são imprevisíveis. Podem ser o que acontece num último debate, pode ser algum tipo de humor do público que se consolida nas últimas 24 horas, até mesmo nas últimas horas antes do fechamento.
Lula diz que soube sempre lidar com heranças malditas. Com esta que enfrenta agora ainda não provou que consegue.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), apoia o senadorFlávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio ocorreu em um evento em Goiânia, em 6 de outubro.
Caiado ficou em quinto lugar no primeiro turno, com 2,18% dos votos válidos, cerca de 2,6 milhões de votos. Sem avançar na disputa, passou a integrar o grupo de apoiadores do senador.
Como foi anunciado o apoio?
Ao formalizar sua posição, Caiado afirmou que as convergências com Flávio superavam as diferenças e apresentou o apoio como uma escolha para derrotar o PT.
“Estarei com Flávio de corpo inteiro. Vou, sem dúvida nenhuma, estar ao seu lado“, declarou o ex-governador. Na ocasião, ele entregou ao candidato uma pasta com sugestões de propostas e agendas.
O encontro reuniu também o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Foi o primeiro evento público de Flávio após a votação do primeiro turno.
Qual foi o resultado do primeiro turno?
Na votação de 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, enquanto Lula alcançou 45,16%, aproximadamente 53,8 milhões.
O escritorAugusto Cury (Avante) apoia o senadorFlávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi anunciada em 8 de outubro, após uma conversa por videochamada entre os dois.
Cury terminou o primeiro turno na terceira posição, com 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos válidos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A votação ocorreu em 4 de outubro.
Quais compromissos foram negociados?
O apoio foi condicionado a uma carta com oito compromissos. Entre eles estão a defesa do fim da reeleição presidencial, a ampliação da educação integral e do ensino técnico, a valorização dos professores e a expansão da telemedicina integrada ao SUS.
O documento também contempla proteção às mulheres, incentivo às cooperativas, financiamento de micro empreendimentos, aumento da produção de alimentos e pacificação nacional. O texto afirma que o entendimento não envolve troca de cargos ou vantagens pessoais.
“O apoio será sempre acompanhado do direito de cobrar, questionar, criticar e exigir coerência entre as palavras e os atos“, estabelece a carta.
Apesar do apoio, eleitores de Cury têm demonstrado outra preferência. Pesquisa da Ideia mostrou, nesta semana, que 48% dos votantes do escritor escolhem Lula mesmo com a sinalização dele de apoiar seu rival, que leva 36% do sufrágio.
Os eleitores de Augusto Cury são também os que mais aprovam o governo do presidente Lula entre os grupos analisados pela pesquisa Real Time divulgada após o primeiro turno. Segundo o levantamento, 44% dos eleitores de Cury aprovam a atual gestão, enquanto 56% desaprovam.
Como foi o primeiro turno?
Flávio avançou à segunda etapa com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos. Lula recebeu 45,16%, aproximadamente 53,8 milhões. A diferença foi de 1,87 ponto percentual.
En la víspera del último debate televisado (este viernes) y a menos de tres días del balotaje en Brasil, el sondeo de Datafolha refleja un ascenso de Lula respecto a anteriores encuestas.
Apesar da fala de Renan, ele tem criticado de forma mais dura a campanha de Flávio e seus aliados. Nesta terça-feira (20), o líder do Missão rebateu as críticas de Pablo Marçal, aliado do candidato do PL (Partido Liberal) que o comparou ao líder nazista Adolf Hitler e chamou seus eleitores de “moleques esquisitos”.
Em resposta nas suas redes sociais, Renan comentou o acontecido e afirmou que o eleitor que escolhe votar em Flávio Bolsonaro no segundo turno “está perdendo o seu tempo”.
Mesmo se posicionando de forma oposta à eleição de Flávio, Renan reforça que também não apoia o adversário petista, e afirmou que está entre “anular” o voto ou “nem votar” neste domingo.
Apesar das críticas, o líder do Missão reafirmou que não vai dizer aos seus eleitores o que eles devem fazer neste segundo turno.
Essa foi a primeira eleição de Renan Santos, que ficou em quarto lugar no primeiro turno da corrida presidencial e conseguiu 2.675.887 milhões de votos, 2,24% dos votos válidos.
A corrida pela Presidência da República alcançou um cenário de igualdade numérica na reta final do segundo turno. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22/10) atribuiu 50% dos votos válidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 50% ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A eleição ocorrerá no domingo (25/10).
O levantamento confirmou a redução da diferença entre os candidatos ao longo das últimas semanas. Na primeira rodada do segundo turno, Flávio registrou 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Na pesquisa seguinte, os percentuais passaram para 51% e 49%, respectivamente. Agora, ambos aparecem com 50%.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios, entre terça-feira (20/10) e quinta-feira (22/10). O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.
O presidente alcançou 46% das intenções de voto no cenário que considera todos os entrevistados, um ponto acima dos 45% registrados na semana anterior. Flávio permaneceu com 47%, enquanto os votos brancos e nulos recuaram de 6% para 5%. Os indecisos continuaram em 2%.
As oscilações ocorreram dentro da margem de erro e não permitem afirmar que houve mudança efetiva na preferência do eleitorado. A pesquisa representa o comportamento dos entrevistados no período da coleta, sem antecipar o resultado das urnas.
Entre os entrevistados que declararam participação na votação de 4 de outubro, Flávio alcançou 51% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 49%.
O recorte destacou a importância da participação eleitoral no segundo turno, após uma abstenção superior a 21% na primeira etapa da disputa. A capacidade de atrair eleitores ausentes poderá alterar a composição do eleitorado que comparecerá às urnas.
Na modalidade espontânea, sem apresentação prévia dos nomes dos concorrentes, Flávio obteve 47% das intenções de voto, ante 46% de Lula. Os percentuais repetiram os resultados da semana anterior.
O número de entrevistados sem candidato definido nessa modalidade passou de 3% para 4%. Apesar disso, 94% dos participantes afirmaram que já decidiram em quem votar.
Entre os eleitores de Lula, esse índice chegou a 96%. No grupo de apoiadores de Flávio, alcançou 95%.
Embora as intenções de voto estejam numericamente empatadas, a percepção sobre o desfecho da eleição apresentou diferença expressiva.
Segundo o Datafolha, 53% dos entrevistados acreditam na vitória de Flávio Bolsonaro, enquanto 39% esperam a reeleição de Lula. Outros 8% não souberam responder.
A expectativa dos entrevistados sobre quem vencerá não corresponde à intenção de voto nem constitui previsão estatística do resultado eleitoral.
A pesquisa também investigou as razões que orientam o voto. Para 73% dos entrevistados, a decisão decorre da preferência pelo candidato escolhido. Outros 18% afirmaram que pretendem votar principalmente para impedir a vitória do adversário.
Entre os eleitores de Lula, 81% apontaram a preferência pelo presidente como principal motivação, contra 13% que declararam voto de oposição a Flávio.
No eleitorado do senador, 65% afirmaram escolher o candidato por considerá-lo a melhor opção, enquanto 23% indicaram a intenção de derrotar Lula.
O levantamento identificou diferenças regionais importantes. No Sudeste, região que concentra 42% do eleitorado nacional, Flávio registrou 51% das intenções de voto totais, contra 41% de Lula.
No Sul, o senador alcançou 58%, enquanto o presidente apareceu com 33%. Entre os evangélicos, os percentuais foram de 69% para Flávio e 26% para Lula.
O presidente manteve vantagem no Nordeste, com 65% das intenções de voto, ante 30% do adversário. Entre os eleitores de menor renda, Lula registrou 54%, contra 39% de Flávio. No segmento de menor escolaridade, os índices foram de 53% e 40%, respectivamente.
Flávio ampliou sua presença entre as mulheres, grupo que representa 51% do eleitorado. O senador passou de 40% para 44% das intenções de voto, enquanto Lula permaneceu com 49%.
Entre os homens, que correspondem a 49% dos eleitores, o presidente avançou de 40% para 44%. Flávio oscilou de 52% para 50%.
Os resultados indicaram aproximação numérica entre os candidatos nos dois segmentos, embora as variações isoladas não comprovem mudanças fora da margem de erro.
A rodada do Datafolha ocorreu após uma sequência de acontecimentos políticos que marcaram a campanha presidencial.
Lula intensificou a divulgação de medidas governamentais, entre elas a antecipação do Bolsa Família. A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado também integrou o debate político da reta final.
Flávio concentrou parte de sua estratégia na campanha eleitoral, nas críticas ao governo e nas mobilizações de rua associadas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Os dois candidatos participaram do debate promovido pela Band no domingo (18/10), marcado por confrontos diretos e acusações recíprocas.
Lula e Flávio chegaram à disputa decisiva após um primeiro turno de diferença reduzida. O senador conquistou 47,03% dos votos válidos em 4 de outubro, enquanto o presidente recebeu 45,16%.
A igualdade numérica identificada pelo Datafolha nesta quinta-feira reforçou o cenário de disputa equilibrada a três dias da votação. O resultado definitivo dependerá dos votos depositados nas urnas no domingo (25/10).
Os candidatos à Presidência FlávioBolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentam nesta sexta-feira (23), no último debate presidencial previsto para o segundo turno das eleições de 2026. O encontro será transmitido ao vivo pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1, a partir das 21h20, logo após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli.
Por causa da transmissão e da programação especial, a Globo não exibirá a novela “Quem Ama Cuida” nesta sexta.
O debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. A proposta da emissora é permitir que os candidatos apresentem e discutam seus planos de governo. O primeiro confronto entre os dois, realizado pela Band no último domingo (18), foi marcado por ataques e discussões acaloradas.
Quais são as regras e formato do debate?
Os três primeiros blocos terão temas determinados. No primeiro, serão seis rodadas de perguntas sobre questões relacionadas às diferentes regiões do país e um tema prioritário de âmbito nacional. Cada candidato terá três minutos por rodada, distribuídos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica.
No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão e farão perguntas um ao outro, seguindo a mesma dinâmica de tempo.
O quarto bloco será de tema livre. Cada presidenciável terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções. Ao fim do encontro, os dois terão espaço para considerações finais.
Globo terá regra contra provocações
Nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra poderá se movimentar pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar a sua vez de falar. No último bloco, cada candidato poderá circular livremente pelo seu lado do cenário.
A medida busca evitar situações como a do debate da Band, quando Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula em diferentes momentos, em cenas que repercutiram nas redes sociais.
A regra já havia sido definida antes de a campanha petista reclamar do comportamento do senador em reunião com as campanhas, no dia 13 de outubro.
Debate não terá checagem ao vivo na TV
Apesar de pedidos de internautas e de mobilizações nas redes sociais, a Globo não fará a checagem de declarações ao vivo na televisão. O g1 publicará verificações na página do Fato ou Fake durante o confronto.
A Folha de S.Paulo e a Agência Lupa também farão análises das falas dos candidatos ao longo do debate, com publicações no site e transmissões no Instagram.
O que acontece depois do debate?
Após o confronto, os candidatos poderão participar de uma entrevista coletiva na sala de imprensa com duração de 10 minutos para cada um. A ordem foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos: Lula falará primeiro e depois Flávio Bolsonaro.
A disputa pela quebra de sigilos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se desdobrou ao longo de toda a semana em uma série de movimentos políticos e jurídicos.
O episódio dominou a agenda da reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, culminando em um acordo firmado nesta quinta-feira (22) no Tribunal Superior Eleitoral.
O ponto de partida foi uma provocação feita por Lula durante o debate presidencial na Band, no último domingo (18), quando ele desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário e telefônico.
Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, durante o Hora H desta quinta-feira, o desafio feito pelo presidente não foi planejado: “De improviso, não foi treinado, não teve nada disso”, afirmou.
Protocolo no TSE e silêncio inicial de Flávio
Na segunda-feira (19), a campanha de Lula anunciou que protocolaria formalmente no TSE a autorização para a abertura de seus dados. Na terça-feira (20), the protocolo foi efetivado.
Até esse momento, Flávio Bolsonaro permanecia em silêncio sobre o assunto. “Ele achou que essa onda ia passar”, observou a âncora Thais Herédia.
Flávio aceita, mas impõe condições
Como o tema não perdeu força, Flávio Bolsonaro decidiu responder na quarta-feira (21), aceitando a proposta, mas acrescentando novas exigências.
Entre os itens incluídos por sua campanha estavam dados relacionados ao ex-chefe de gabinete Marcola, ao cartão corporativo, à agenda da primeira-dama Janja e ao Palácio da Alvorada. Ainda na quarta-feira, Lula aceitou as condições propostas.
Na quinta-feira (22), os advogados das duas campanhas foram ao TSE para formalizar o acordo por meio de procuração, estabelecendo a abertura simultânea dos dados dos presidenciáveis, de seus familiares e de empresas associadas.
Agenda negativa desviada
Para Venceslau, o episódio funcionou como um elemento estratégico que desviou a atenção das chamadas agendas negativas de ambos os candidatos.
“Um trucou, o outro aceitou, os dois estão falando sobre esse assunto. Ajudou a tirar as agendas negativas dos dois lados da frente, só se fala disso agora”, avaliou.
Ele destacou ainda que, do ponto de vista prático, há pouco tempo hábil para abrir os sigilos e analisar esse material antes da eleição. “É muito pouco provável que alguém consiga abrir esse sigilo, tirar alguma coisa dele até domingo. Muita espuma para pouca informação.”
Venceslau apontou também que a agenda estaria mais desfavorável para Flávio Bolsonaro neste momento, citando as investigações relacionadas ao advogado Willer Tomaz.
Nesse contexto, manter o foco na disputa de sigilos seria, segundo o analista, mais conveniente para a campanha de Flávio do que para a de Lula.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
A duas semanas do segundo turno das eleições brasileiras, o norte-americano Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde dos Estados Unidos e expoente do movimento antivacina, esteve no Rio de Janeiro para casar seu filho, Conor Kennedy. A noiva era a cantora Giulia Be, que, apesar de ter declarado voto em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, é membro de outro clã da direita, a família Marinho, ligada aos Bolsonaro. Seu pai, Paulo Marinho, foi um dos principais nomes da campanha de Jair em 2018 e é suplente de Flávio no Senado.
A cerimônia religiosa foi na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro do Rio de Janeiro, onde Dom Pedro I e Dom Pedro II foram coroados. Com pompa e circunstância, a celebração ganhou cobertura internacional.
Apenas uma semana depois do casamento, em São Paulo, apoiadores de Flávio Bolsonaro carregaram um míssil inflável com os dizeres “Trump nuke Brazil” (Trump, faça um ataque nuclear ao Brasil), em mais uma demonstração de subserviência ao governo de Donald Trump.
Casamento de direita reúne André Marinho (ao centro) e Robert Kennedy Jr. (à esquerda) no Rio de Janeiro, duas semanas antes das eleições
Os dois eventos revelam a crescente proximidade da extrema direita brasileira com a norte-americana. Uma eventual vitória de Flávio representaria a consolidação do projeto por trás da Doutrina Donroe, que promove o retorno do domínio norte-americano sobre a América Latina, na opinião do cientista político Guilherme Casarões, da Florida International University.
“A Doutrina Monroe, a original do século 19, tinha como ideia básica proteger o hemisfério americano dos interesses europeus e consolidar a hegemonia dos EUA. O que o Trump tenta fazer agora é justamente revitalizá-la com características novas, que se baseiam não só na imposição de um certo poderio militar e de relações econômicas, mas também envolvem a construção de uma aliança ideológica nas Américas”.
Terras raras: do fundo do poço para o bolso de Trump Jr.
No início de abril, André Marinho, o irmão da noiva do casamento no Rio, esteve nos EUA, onde se encontrou com o vice-presidente americano, J.D. Vance. O encontro foi articulado por Robert Kennedy Jr.. Na ocasião, Marinho disse ter tratado com Vance da expansão do crime organizado no Rio de Janeiro e das conexões de facções criminosas com redes internacionais.
De lá pra cá, uma profusão de digitais dos EUA apareceu nas articulações do bolsonarismo para as eleições de 2026, da abertura de uma filial brasileira da Rockbridge, rede de financiadores da extrema direita criada por Vence, ao financiamento do filme “Dark Horse”, realizado por meio de um fundo estabelecido no Texas.
Na frente econômica, chamou atenção o documento produzido por André Marinho com as possíveis vantagens de uma administração de Flávio Bolsonaro para o governo e os negócios da família Trump. O “Prosperity Partnership”, de autoria do irmão da noiva, mostra como os EUA explorariam terras raras – elementos químicos essenciais para a produção de ímãs de alta potência em turbinas, eletrônicos e armamento – em mais um governo de extrema direita no Brasil.
Revelado pelo jornalista Guilherme Amado, o plano foi elaborado em março deste ano, cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos EUA para se reunir com Vance. Marinho negou que o documento, com a capa “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”, tivesse relação com a campanha bolsonarista.
Segundo o “Prosperity Partnership”, um novo governo Bolsonaro “posicionará o Brasil como o principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental”; não tornará o país “dependente” de cadeias de processamento chinesas; e, por fim, “se alinhará com os Estados Unidos na construção de um sistema de abastecimento paralelo”. O documento também fala em “aceleração no processo regulatório”, em consonância com o programa de governo de Flávio Bolsonaro, que, ao tratar do tema, promete “licenciamento ágil e técnico”.
Procurado pela reportagem, Marinho afirmou que o “assunto é superado exatamente por não haver qualquer consequência prática na realidade”. Em seguida, mandou nota em que disse que “o estudo foi elaborado por iniciativa exclusivamente pessoal, como um exercício hipotético de análise de cenários. Não se tratava de proposta oficial nem foi produzida a pedido de qualquer campanha, autoridade ou organização.”
Marinho disse ainda que não enviou o material à “campanha de Flávio Bolsonaro, a autoridades ou organizações americanas, nem foi objeto de qualquer reunião ou tratativa”. Completou que seu encontro com Vance, em abril de 2026, “não teve qualquer relação com esse estudo”.
Acesso facilitado a recursos naturais
As ideias do apoiador de Flávio e mais novo integrante da família de Robert Kennedy Jr. se alinham aos pilares econômicos da Doutrina Donroe, fundamentados no acesso facilitado dos EUA a recursos naturais de países latino-americanos.
A doutrina vem sendo aplicada com êxito por Trump na Venezuela. Após intervir militarmente no país vizinho, multinacionais americanas e empresários alinhados a Trump já conseguiram contratos para exploração de petróleo e, em agosto, o governo dos EUA anunciou um acordo que garante ao país a concessão, por 100 anos, para extrair barris de 17 campos de petróleo venezuelanos.
Já na Argentina, um decreto do presidente Javier Milei revogou a lei que impunha restrições à compra de terras por estrangeiros. Apesar da resistência popular e nos tribunais, a Suprema Corte do país primeiro confirmou a decisão de Milei, mas agora reverteu o entendimento.
O desequilíbrio de poder entre os EUA e os países latino-americanos levanta dúvidas sobre o futuro da exploração de terras e recursos naturais com o fortalecimento da Doutrina Donroe. Casarões destaca que, em um cenário de “subserviência ao governo norte-americano”, caso Flávio vença a eleição, “pode ser que os países da América do Sul, sobretudo Brasil e Argentina, mas também Colômbia e Chile, entrem numa espécie de corrida para o fundo do poço. Um leilão às avessas, com uma dinâmica de quem cede mais [aos EUA]”.
O fundo 1789 Capital, que tem como sócio Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, já investiu na norte-americana Vulcan Elements, que, por sua vez, faz parte de uma cadeia de empresas envolvidas no Projeto Caldeira, de exploração de terras raras no sul de Minas Gerais.
A Pública mostrou que outra empresa envolvida no projeto, a australiana Meteoric, responsável pela extração de minério, assinou um memorando com a canadense Ucore, que garantiu investimentos do Departamento de Defesa dos EUA para desenvolvimento de uma planta de separação de terras raras.
Milícia e mortes de crianças
Não menos importante para o governo Trump é a afinidade com a abordagem bolsonarista ao combate ao tráfico de drogas. Em maio de 2026, dias depois do encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca, o governo dos EUA designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Esta é considerada uma das principais vitórias de Flávio Bolsonaro, que atribuiu a si a reivindicação.
Por outro lado, as conexões de Flávio com a milícia e o caso da menina Ana Clara, morta por um tiro de fuzil de um policial em Niterói (RJ), em 2021, por enquanto passam ao largo das discussões sobre segurança entre a extrema direita. Além de defender o policial autor da morte da menina em Niterói, em 2021, Flávio também já justificou o assassinato de outra criança, dessa vez nos EUA. Tamir Rice, de 12 anos, brincava com uma arma de brinquedo num parque de Cleveland, em 2014, quando foi morto pela polícia.
“Os policiais chegaram para abordar esse menor, que estava com a arma na cintura, e disseram: ‘Mãos ao alto!’ O menino meteu a mão na arma e a puxou apontando para os policiais. Ele foi alvejado na hora, como tem que ser”, disse em 2007, em discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual.
“A imprensa brasileira ou grande parte dela trata isso como um erro grave porque morreu uma criança. O fato é, sim, lamentável. Quem não se incomoda com isso? E se fosse uma arma de verdade?”, completou.
O Brasil faz parte do Escudo das Américas, que reúne pelo menos 13 países da região, sob liderança dos EUA. O grupo foi criado em março de 2026 e reúne governos aliados de Trump, com o propósito de se tornar uma espécie de Otan da região para enfrentar o crime organizado.
Em outubro, o The New York Times revelou que os EUA já estão enviando centenas de soldados para treinar e realizar exercícios com forças locais na América Latina, com o argumento de combater o narcotráfico na região. Há presença militar americana no território de países signatários da aliança, como Panamá, Colômbia e Equador.
Casarões aponta a contradição entre a postura bolsonarista receptiva ao intervencionismo norte-americano e o pensamento militar que a família sempre disse defender, que, paradoxalmente, defende a mesma soberania que se tornou bandeira de Lula nesta eleição:
“Depois do golpe de 1964, mesmo os militares tinham muitos problemas em aceitar qualquer tipo de presença ou ingerência militar norte-americana no Brasil. Os novos tempos têm convidado a família Bolsonaro a fazer uma coisa muito distinta daquilo que eles supostamente defendem, que é o legado dos militares no Brasil.”
Agendas espelhadas no Legislativo
No novo Congresso brasileiro, eleito no primeiro turno, algumas das figuras mais votadas também emulam pautas trumpistas e de candidatos que concorrem nas eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para 3 de novembro, menos de dez dias depois do segundo turno brasileiro. O pleito vai renovar toda a Câmara dos Deputados e 35% do Senado norte-americano.
Anúncio do Partido Republicano acusa candidato democrata do estado de Ohio de apoiar mudança de sexo para menores de idade
Eduarda Campopiano (PL), a deputada estadual mais votada de São Paulo, não acredita em feminicídio. Lucas Pavanato (PL), o mais votado para a Câmara Federal pelo mesmo estado, apostou no pânico moral dos banheiros trans, assim como Nikolas Ferreira (PL), reeleito para a Casa com recorde de mais de 3 milhões de votos.
Nos EUA, as discussões sobre atletas trans e tratamento para transição de gênero em menores fazem parte da agenda moral de vários candidatos conservadores. Pesquisa do FactCheck.org, ONG ligada à Universidade da Pensilvânia, identificou mais de US$ 100 milhões em gastos pelo Partido Republicano com pelo menos 200 anúncios desde 1º de agosto, com as palavras “mudança de sexo”. Somente nas eleições para o Senado, os gastos superaram US$ 77 milhões.
A Justiça Eleitoral determinou nesta quinta-feira (22) que a Meta, empresa responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, explique em até 12 horas os motivos do alcance “privilegiado” dos perfis de NikolasFerreira (PL), PabloMarçal (PRTB), FlávioBolsonaro (PL) e o candidato a vice na sua chapa, AlfredoGaspar (PL).
A decisão, assinada pelo ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Ricardo Villas Bôas Cuevas, exige que a empresa detalhe a origem das visualizações, a proporção de seguidores e não seguidores que viram as publicações e a quantidade de contas alcançadas. A ordem faz parte de uma ação movida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Os dados deverão ser acompanhados de explicação objetiva das métricas de distribuição do alcance utilizadas, com identificação da origem das visualizações, da proporção proveniente de seguidores e não seguidores e das principais superfícies de distribuição, esclarecendo-se, na medida tecnicamente possível, a distinção entre visualizações, contas efetivamente alcançadas e reproduções repetidas, bem como eventuais limitações das informações fornecidas“, diz o texto.
O descumprimento do prazo poderá resultar em multa de R$ 100 mil por hora de atraso, o equivalente a R$ 2,4 milhões por dia.
Para justificar a ordem à Meta, Cuevas citou na decisão números do perfil de Nikolas Ferreira no X (antigo Twitter) e disse que o alcance dos posts do deputado no Instagram exige esclarecimento técnico.
Segundo a decisão, o perfil @nikolas_dm esteve entre 25 de agosto e 14 de outubro num filtro que impede a recomendação do candidato. Com o filtro ativo, os seguidores respondiam por entre 80% e 91% das impressões do perfil em setembro. Depois da retirada do filtro, entre 14 e 18 de outubro, essa fatia caiu para entre 28% e 41%.
Ou seja, após o filtro sair, a maior parte das visualizações passou a vir de não seguidores, o que, para o ministro, mostra a influência dos mecanismos de recomendação na circulação do conteúdo, e “reforça a necessidade de esclarecimentos técnicos acerca das métricas de distribuição e alcance“.
Em posicionamento divulgado nesta quinta-feira, a Meta afirmou que “é o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo“.
Segundo a plataforma, vídeos que acumulam visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em pouco tempo tendem a alcançar mais usuários.
“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma parcela maior de seu público estiver ativa e visualizar, interagir, republicar ou compartilhar seu conteúdo“, diz a empresa, acrescentando que isso não representaria “qualquer tratamento preferencial“.
A justificativa da Meta veio após reportagem da Folha de S.Paulo mostrando que um vídeo, sem som, de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste alcançou 160 milhões de visualizações no Instagram nesta quinta-feira, número superior ao de publicações de nomes como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. A reportagem explica que quando o vídeo não tem som, isso pode reduzir o engajamento do público, mas não foi o que aconteceu.
Segundo o levantamento do jornal, Cristiano Ronaldo, que tem aproximadamente 679 milhões de seguidores, publicou neste ano apenas um vídeo com mais visualizações do que o vídeo de Nikolas. Já Messi, com cerca de 517 milhões de seguidores, e Neymar, com 241 milhões, têm dois vídeos cada um acima dessa marca. Nikolas tem 25 milhões de seguidores no Instagram
A Meta já havia sido instada a prestar esclarecimentos. Na terça-feira (20), a empresa negou favorecer candidatos e disse que plataformas sob sua gestão (Facebook, Instagram e WhatsApp) aplicam as mesmas regras de distribuição de conteúdo para todos os candidatos e têm adotado uma série de medidas para evitar abusos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), articula a realização de 93 eventos de mobilização em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no estado até sábado (24), véspera do segundo turno das eleições. A programação inclui carreatas, motociatas, adesivaços e manifestações organizadas por aliados e apoiadores.
Segundo fontes próximas a Flávio e Tarcísio, estão previstos 15 eventos nesta quinta-feira (22), seis na sexta-feira (23) e outros 72 no sábado. As atividades devem ocorrer em municípios do interior paulista, da região metropolitana e do litoral, entre eles Campinas, Ribeirão Preto, Guarulhos, Piracicaba e São Bernardo do Campo.
Mirando divulgar a programação e ampliar a participação, foi criada uma plataforma online com os eventos previstos e possibilidade de cadastrar novas atividades até sábado. A expectativa é que o número de mobilizações aumente com a inclusão de novos cadastros.
A iniciativa ocorre na reta final da disputa presidencial, em que Flávio enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Durante o segundo turno presidencial, o governador tem participado de atos e encontros políticos em apoio a Flávio, inclusive fora de São Paulo.
Tarcísio também viajou a Brasília para auxiliar na preparação de Flávio para o último debate contra Lula na TV, marcado para a próxima sexta-feira (23).
Na reta final da campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensifica a aproximação com Augusto Cury para tentar conquistar uma parcela dos eleitores que votaram no escritor no primeiro turno.
Segundo avaliação do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°, a presença de Cury nas redes sociais de Flávio tem sido frequente, aparecendo em stories e em eventos de campanha.
Uma pesquisa Quest revelou que, entre os eleitores de Augusto Cury, 48% apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 33% declaram intenção de voto em Flávio Bolsonaro.
Conforme apontou Pedro Venceslau, Cury é o único candidato do primeiro turno cujos eleitores se dividiram majoritariamente em favor de Lula, o que reduziu a vantagem de Flávio Bolsonaro nesse segmento.
Cenário entre eleitores de outros candidatos
O quadro é diferente quando se observam os eleitores de outros candidatos eliminados no primeiro turno. Entre os que votaram em Renan Santos — que tem adotado uma postura ambígua, mais crítica a Flávio Bolsonaro do que favorável a Lula —, 51% apoiam Flávio e 25% apoiam Lula.
Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado, que, segundo Venceslau, “deu uma sumida” da campanha de Flávio Bolsonaro, 57% estão com Flávio e 21% com Lula. Romeu Zema também tem feito algumas aparições em apoio a Flávio Bolsonaro.
Estratégia de Lula para conquistar o centro
Do outro lado, Lula adota uma estratégia voltada ao eleitorado de centro. A campanha tem escalado Geraldo Alckmin para gravar vídeos e fazer intervenções públicas reforçando que ele não é de esquerda.
“A direita e a esquerda somos todos brasileiros”, é a mensagem que Alckmin tem transmitido. Venceslau destacou que Alckmin fez uma aliança inusitada com Lula em 2022, mas que isso não o transformou em socialista.
Além disso, a campanha de Lula tem explorado depoimentos de ex-bolsonaristas que mudaram de posição.
Nomes como Alessandro de Frota, Joyce Hasselman e Tony de Paula aparecem em vídeos veiculados nas redes sociais e no horário eleitoral.
Em alguns casos, esses nomes declaram apoio direto a Lula; em outros, apenas afirmam ser de direita e defender a candidatura de Lula especificamente contra Flávio Bolsonaro.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Congressistas dos Estados Unidos enviaram uma carta direcionada a Mark Zuckerberg, CEO da Meta, com questionamentos sobre o tratamento dado a Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à disputa presidencial brasileira. O documento foi assinado por 12 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders.
O texto pontua que os parlamentares estão preocupados com relatos de que plataformas da empresa estariam restringindo ou suprimindo conteúdo associado à campanha de Lula, enquanto amplificariam ou recomendariam conteúdo associado à campanha de Flávio. A Meta é dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook.
A campanha do petista alega ser alvo de restrição na entrega de anúncios e de desabilitação da conta de anúncios, além de apontar aprovação de anúncios pagos do exterior sem rótulo, conteúdo sintético em período vedado e perfis de inteligência artificial.
“Considerando o papel fundamental que as redes sociais desempenham na comunicação política, é inaceitável que qualquer plataforma de rede social favoreça um candidato ou partido político em detrimento de outro, seja de forma deliberada ou inadvertida”, destacaram os políticos dos EUA.
Os congressistas americanos pontuaram que têm responsabilidade de garantir que plataformas de redes sociais americanas não influenciem os resultados de eleições em outros países.
“Instamos vocês a tomarem medidas imediatas para assegurar que, daqui em diante, os candidatos e suas respectivas campanhas em eleições democráticas recebam tratamento e acesso equitativos em suas plataformas”, ressaltaram.
Pediram esclarecimentos adicionais sobre as medidas tomadas pela Meta, além da adoção de providências para garantir “condições de disputa equilibradas” nas redes sociais.
Por fim, os congressistas solicitaram uma reunião de esclarecimento com a Meta para esta sexta-feira (23) e que a empresa responda a seis questionamentos até o dia 4 de novembro.
As perguntas incluem como a empresa orientou seus funcionários para gerenciar a moderação de conteúdo em eleições estrangeiras, incluindo as eleições brasileiras de 2026, e quais iniciativas ela adotou para cumprir as determinações do Tribunal Superior Eleitoral.
Além disso, questionam se a Meta permitirá que um auditor independente tenha acesso aos dados internos sobre moderação e distribuição, “especificamente os dados relacionados a conteúdo político referente às eleições brasileiras” para confirmar se há tratamento igualitário aos candidatos em suas plataformas.
Questionamento é feito em meio a período eleitoral nos EUA
Os questionamentos dos congressistas americanos relacionados à eleição no Brasil são feitos em meio ao próprio período eleitoral: democratas e republicanos se preparam para a disputa das Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, que renovarão a Câmara e o Senado em 3 de novembro.
Uma fonte ligada ao Congresso dos Estados Unidos afirmou à CNN Brasil que esse fator, assim como a agilidade com que os políticos se mobilizaram, demonstra preocupação genuína com o cenário no Brasil e a atuação da Meta.
“O que torna esta carta particularmente significativa é a rapidez com que os membros do Congresso se mobilizaram para elaborá-la e divulgá-la, especialmente na reta final das eleições de meio de mandato, momento em que, compreensivelmente, sua atenção está voltada para as campanhas eleitorais”, destacou a fonte.
“O fato de terem se disposto a agir com tamanha agilidade, apesar de suas agendas extremamente lotadas, demonstra o quanto levam a sério essas preocupações”, adicionou.
A TV Globo decidiu limitar a circulação dos candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o debate desta sexta-feira (23) nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro. O encontro será o último televisionado entre os postulantes ao Palácio do Planalto antes do segundo turno das eleições.
Ao contrário do debate da Band realizado no último domingo (18), na Globo, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente nos três primeiros blocos, mas o adversário deverá se manter em seu púlpito até chegar a sua vez de falar.
Além disso, no quarto bloco, que será de tema livre, cada candidato poderá se movimentar livremente, mas apenas pelo seu lado do cenário.
Fontes afirmaram à CNN que quando os assessores entraram no palco durante o intervalo para orientar os candidatos, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, teria feito uma reclamação aos diretores da Band. Assim que o debate voltou ao vivo, um dos moderadores pediu que “os candidatos não atrapalhem as respostas um do outro, sem expressar reações e movimentos físicos bruscos que atrapalhem a compreensão do telespectador”.
Outro ponto que se difere do debate da Band é que a Globo fará uma checagem das declarações dos candidatos.
Segundo a emissora, essa verificação vai ser feita pelo site g1 e deve começar ainda durante o encontro, com publicações das verificações na página do “Fato ou Fake”. O processo vai contar com uma equipe de mais de 30 jornalistas do grupo para dar agilidade ao processo.
“O trabalho seguirá pela madrugada, em conjunto com os sites dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e da Rádio CBN”, informou.
O debate de sexta vai começar a partir das 21h20, ao vivo, após o Jornal Nacional. O encontro será mediado pelo jornalista César Tralli.
O embate será baseado em perguntas entre os candidatos para buscar um aprofundamento de suas propostas para o governo federal. Segundo a emissora, a dinâmica do encontro, assim como a configuração do cenário e a disposição dos candidatos, foi concebida para reforçar esse propósito.
O debate vai ser composto por quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três serão de temas determinados e um, de tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteio feito ao vivo pelo apresentador.
O primeiro bloco vai contar com seis rodadas de perguntas com assuntos relacionados às regiões do país e um tema de âmbito nacional. Cada candidato terá três minutos por rodada — dividido entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
No segundo e terceiro blocos, Flávio e Lula deverão escolher entre os temas apresentados no telão para elaborar suas perguntas, com a mesma dinâmica de tempo.
No quarto, o tema será livre e cada um deles terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções.
Em entrevista ao CNN 360°, Lucas Ribeiro (PP), governador reeleito da Paraíba, avaliou o cenário político nacional às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Para ele, o país atravessa um momento de profunda divisão, e a disputa deve entrar para a história como uma das mais acirradas já registradas.
“Estamos vivendo um ambiente cada vez mais dividido. Essa vai ser uma eleição que vai ficar marcada na nossa história, uma eleição acirrada, uma eleição dura, que ninguém está conseguindo prever o resultado”, afirmou Lucas Ribeiro, destacando que as pesquisas apontam para um cenário de empate técnico entre os candidatos.
Apoio a Lula e parceria com o governo federal
Apesar de o PP ter declarado apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, Lucas Ribeiro manteve seu posicionamento em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador ressaltou que essa posição não é recente e reflete uma parceria construída ao longo de seu primeiro mandato.
“Nosso governo anterior à eleição já tinha essa parceria com o presidente Lula, com o governo federal, que se transforma em obras importantes e em políticas públicas importantes aqui no nosso estado”, declarou.
Ele também mencionou um aporte de mais de R$ 2 bilhões enviados pelo governo federal à Paraíba nos últimos anos, além do programa que zerou a fila de cirurgias eletivas no estado, e obras relacionadas à transposição do Rio São Francisco.
Expectativa de maior participação no segundo turno
Lucas Ribeiro demonstrou confiança em um aumento do comparecimento às urnas no segundo turno.
Segundo ele, a votação mais simplificada — com apenas um cargo em disputa na Paraíba, o de presidente da República — deve reduzir as filas e facilitar a participação do eleitorado.
“No primeiro turno, você tem um eleitorado que teve dificuldade para votar porque são cinco votos, demora muito, as filas demoraram bastante. E nesse segundo turno, além de ser um voto mais rápido, também há o engajamento das pessoas”, explicou.
O governador também observou que o acirramento da disputa tem mobilizado eleitores que se abstiveram no primeiro turno.
“Muitas pessoas que não foram votar no primeiro turno, por algum desânimo, estão mais engajadas a decidir nessa eleição, a votar pelo acirramento que as pessoas estão vendo”, disse, acrescentando que os movimentos de apoio a Lula nas ruas da Paraíba têm sido constantes.
Postura independente do resultado
Questionado sobre como conduziria seu segundo mandato caso Lula não seja reeleito, Lucas Ribeiro adotou um tom pragmático.
Ele afirmou que, assim como governa para todos os 223 municípios da Paraíba independentemente da orientação política de seus prefeitos, espera que qualquer presidente eleito tenha o mesmo compromisso com a população.
“Qualquer presidente, governador que esteja sentado ali na cadeira, deve ter esse compromisso, acima de tudo, com a população brasileira”, declarou.
Ao ser questionado sobre a ascensão de gestores jovens em diferentes espectros políticos, ele ponderou que a juventude, por si só, não é suficiente. “Não adianta juventude sem você ter o compromisso de fazer gestão, de servir as pessoas”, afirmou.
Para ele, o eleitorado paraibano reconheceu não apenas a renovação, mas também o histórico de entregas de seu governo.
“As pessoas confiaram no nosso trabalho por ter a esperança de renovação, da gente poder renovar a política, mas uma renovação com responsabilidade”, concluiu.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu mudar a postura do candidato para o debate da TV Globo, marcado para a sexta-feira (23). O novo lema nos bastidores é “mais Tarcísio e menos Marçal”, segundo apuração da âncora Tainá Falcão para o Bastidores CNN desta quinta-feira (22).
A mudança de estratégia ocorre após uma avaliação crítica interna sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro no debate da Band, no último domingo (18).
A campanha entendeu que o candidato ficou excessivamente agressivo e pouco propositivo naquela ocasião, o que teria sido explorado pela campanha adversária para construir uma imagem negativa do senador.
Segundo Tainá, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) está presente no QG de Flávio Bolsonaro e participará pessoalmente dos treinamentos, conduzidos pelo marqueteiro Duda Lima.
A campanha busca, agora, diminuir a influência de Pablo Marçal (PRTB-SP) sobre o estilo do candidato.
Segundo Tainá, Tarcísio já havia manifestado, nos bastidores, preocupação com essa influência e com o quanto ela começou a ser usada contra Flávio pela campanha adversária, que passou a descrevê-lo como “agressivo” e “raivoso”.
Propostas e temas prioritários para o debate
Aliados de Flávio Bolsonaro consideram que ele precisa apresentar mais propostas e demonstrar domínio e profundidade sobre os temas que abordará, além de evitar respostas repetitivas.
A orientação é priorizar críticas ao custo de vida da população e ao endividamento das famílias, além de falar sobre segurança pública e economia, temas que aparecem no topo das preocupações dos brasileiros, segundo as pesquisas.
Na área econômica, Flávio deve abordar programas de renegociação de dívidas de famílias, redução de impostos e corte de gastos, incluindo a promessa de diminuir o número de ministérios em pelo menos dez.
Na segurança pública, o candidato deve falar sobre endurecimento de penas, redução da maioridade penal, combate às facções criminosas e monitoramento por câmeras.
Defesa sobre benefícios sociais e ataques ao adversário
Flávio também deve responder às acusações sobre possíveis cortes em benefícios sociais, que ganharam força após declarações de Daniella Marques sobre um período de transição para o Bolsa Família. A estratégia é continuar negando que o Bolsa Família ou qualquer outro benefício social será extinto.
Outra frente de ataque prevista é a investigação dos desvios do INSS e as suspeitas envolvendo Lulinha.
A preparação também contempla respostas sobre possíveis provocações relacionadas à relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto, e sobre áudios trocados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nos quais Flávio pediu dinheiro para o filme “Dark Horse”.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta entregue relatório técnico sobre a atuação do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A determinação atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que quer verificar se a empresa cumpriu o plano de conformidade entregue à Justiça Eleitoral, documento em que as big techs listam as medidas adotadas para prevenir e mitigar riscos à integridade das eleições.
Segundo o ministro, o objetivo é confrontar o que foi informado ao tribunal com o funcionamento do canal.
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A Meta, responsável pelo Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, deverá informar se identificou comportamento coordenado, sincronização de atividades, replicação sistemática de conteúdos ou articulação entre contas, canais e plataformas. Terá de explicar também os critérios que usa para distinguir mobilização legítima de atuação coordenada potencialmente irregular, além de apresentar dados sobre alcance, compartilhamento e circulação das publicações, amplificação artificial e eventual impulsionamento pago.
Google e X também terão 24 horas para informar se identificaram amplificação coordenada de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro em indicadores como buscas em alta, sugestões de pesquisa e Assuntos do Momento.
As duas plataformas foram incluídas na apuração após a campanha de Flávio afirmar ao TSE que o “Exército do Lula” incentivou seguidores a pesquisar no Google a expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” e a impulsionar hashtags no X.
Janones sustenta que a mensagem publicada no canal tinha caráter de pergunta e não apresentava a expressão como uma afirmação.
Dois dias depois, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula informou o endereço ao tribunal, mas afirmou que o fez apenas para cumprir a determinação, sem assumir a administração nem a responsabilidade pelo espaço. Na mesma noite, o canal saiu do ar e só voltou no dia seguinte, após nova decisão do ministro.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negou nesta quinta-feira (22) o pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para suspender o envio de mensagens do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo WhatsApp, durante as eleições.
Na ação apresentada à Corte, Flávio acusa o adversário de utilizar a estrutura pública para favorecer a campanha à reeleição.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, considerou, porém, que a solicitação teria alcance excessivo e poderia interromper comunicações de utilidade pública, inclusive orientações sobre saúde, benefícios e proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.
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Flávio questionava mensagens sobre programas e serviços, como Bolsa Família, Farmácia Popular e prova de vida do INSS. Além da suspensão dos envios, pediu a retirada da marca e do slogan “União e Reconstrução” das contas oficiais, a apresentação de documentos e a preservação de registros digitais.
Na decisão, Cueva avaliou que, em análise preliminar, as mensagens apresentadas têm conteúdo aparentemente informativo, sem referências a candidaturas, pedidos de voto ou manifestações de apoio eleitoral.
O ministro citou, como exemplo, uma comunicação sobre o Disque 100, canal destinado a denúncias de violações de direitos humanos.
“A legislação eleitoral não impõe a paralisação dos serviços públicos nem impede a transmissão de informações necessárias à sua execução”, destacou.
Cueva também negou os pedidos de retirada da marca e do slogan do governo, de apresentação de autorizações e de requisição imediata de documentos. Quanto à preservação dos registros digitais, concedeu prazo de 48 horas para que Flávio especifique quais dados pretende conservar e quem deverá ser responsável pela medida.