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“Vai haver pouca castanha”: Produtores apontam para quebra de produção em Valpaços

Produtores de castanha falam de uma antecipação da campanha e uma quebra de produção na zona da Padrela, no concelho de Valpaços, devido ao calor e à seca, mas garantem uma boa qualidade do fruto.

Pelos soutos da serra da Padrela espalham-se trabalhadores que, por estes dias, apanham a castanha, a principal fonte de rendimento deste território do distrito de Vila Real.

Artur Esteves, 62 anos, vive em Cabanas, aldeia da União de freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros, onde tem cerca de 80 hectares de castanheiros e de 8.000 árvores de onde prevê colher à volta de 50 a 60 toneladas de castanha.

“Este é um ano fraco, vai haver pouca castanha. A qualidade é boa e o calibre é muito melhor do que no ano passado. Este ano conto colher 50% a 60% do ano anterior”, afirmou à agência Lusa.

A apanha começou também uns dias mais cedo, como aconteceu com a grande parte das colheitas em 2026, desde a uva à azeitona.

“Já colhi 122 toneladas em 2019 e de lá para cá nunca mais lá cheguei. No ano passado colhi à volta de 100 e este ano prevejo lá para as 50, 60 toneladas, mas a gente está a começar a apanha”, apontou.

Esta ainda é, na sua opinião, uma atividade que rende, mas cada vez menos.

“Está tudo muito mais caro, a castanha mantém-se no mesmo preço ou ainda menos (…) A mão de obra é cara, os adubos também, está tudo caríssimo”, frisou, lembrando ainda que a árvore é sensível a doenças, como o cancro e a tinta, que tem secado muitos castanheiros, e que a vespa-das-galhas-do-castanheiro também tem prejudicado a atividade.

É um agricultor orgulhoso dos soutos e do fruto, ao qual se dedica desde a década de 80 com a ajuda da mulher e de dois filhos, a tempo inteiro. “É todos os dias nos castanheiros”, realçou.

Nos seus soutos estão a trabalhar 26 pessoas e espera o reforço de mais duas, entre familiares, residentes em aldeias vizinhas e uma equipa proveniente da Régua, prevendo que a apanha se estenda por 25 dias.

“Até agora tenho conseguido arranjar mão de obra, vamos ver no futuro”, afirmou.

A filha Alexandra Esteves, 31 anos, trabalha num hotel em Chaves e tira três semanas de férias, nesta altura, para a apanha da castanha.

“Venho ajudar os meus pais, sempre que posso venho. É um trabalho duro, mas já estamos habituados, já fazemos isto desde sempre, crescemos aqui e fomos habituados a isto”, referiu.

José Sousa, 61 anos, e Armanda Sousa, 60 anos, são de Tazém, União das Freguesias de Padrela e Tazém, e estão a fazer a apanha sozinhos.

“Este ano nem a máquina ligámos”, afirmou José Sousa, que explicou que a “produção é pouca” por causa da seca e do calor, prevendo colher “só um terço” da produção do ano passado.

A máquina é a da apanha da castanha. O produtor garantiu que a qualidade “é boa, só que é pouca”.

“Podemos fazer muito, mas se o tempo não ajudar (…) A nossa produção é muito menos”, afirmou a mulher, que explicou que os castanheiros têm ouriços, mas que há ouriços que não têm castanhas.

O calor do verão prolongou-se e choveu pouco.

“Desde 2018 para cá, a produção tem vindo sempre a mingar. A gente tem mais plantação, mas tem vindo sempre a mingar porque seca muito castanheiro com a doença da tinta, o cancro e a vespa, é tudo”, referiu Armanda Sousa.

A agricultora realçou também os custos de produção cada vez mais caros, como o combustível, os adubos, tratamentos e a mão de obra. Até agora, acrescentou, o escoamento do fruto tem estado garantido.

Começou a apanha há cerca de uma semana, 10 dias mais cedo do que no ano passado.

“A castanha era em novembro e agora já se faz metade da campanha em outubro”, sublinhou.

Junto à aldeia da Padrela, o empresário agrícola Nicolas Gonçalves, 38 anos, apanha a castanha para um produtor local.

A equipa é de cinco pessoas e vem de Murça. Aproveita o intervalo depois da vindima e antes do começo da apanha da azeitona, no seu caso a 02 de novembro, para dar uma mão à colheita da castanha.

“Este ano começou tudo mais cedo, podemos falar de vindimas, a castanha e a azeitona. A castanha no ano passado começou a 28 de outubro e, se calhar, vamos fechar ao final do mês e já não há castanha”, referiu o empreiteiro, que disse terem começado a apanha há uma semana.

Do que tem observado, antevê também uma quebra de produção de castanha e classificou a falta de mão de obra como um grande problema em Portugal.

“Não há, as pessoas não querem trabalhar (…) Na área da agricultura não falta trabalho”, frisou.

A Câmara de Valpaços alertou para a presença da vespa asiática (vespa velutina) e recomendou a cuidados redobrados durante a apanha da castanha e da azeitona.

Para segurança dos trabalhadores, aconselhou a que se verifiquem as árvores e a vegetação antes de iniciar a atividade, a um especial cuidado durante a varejadura, a poda e a utilização de máquinas agrícolas e ao contacto com as entidades competentes.

É na serra da Padrela que se situa a maior mancha de castanha judia da Europa e são 18 as localidades do concelho que fazem parte da DOP “Castanha da Padrela”.

A Feira da Castanha Judia – Castmonte 2026 realiza-se de 06 a 08 de novembro.

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Fusões e aquisições caem 37% em Portugal no primeiro semestre

O número de fusões e aquisições em Portugal caiu 37% no primeiro semestre deste ano, para 82 operações, enquanto o valor das transações recuou cerca de 87%, para 800 milhões de euros, segundo um estudo da Forvis Mazars.

De acordo com o relatório “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, elaborado pela Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, o valor das operações realizadas em Portugal compara com os 6,3 mil milhões de euros registados no primeiro semestre de 2025.

A evolução do mercado português contrasta com a do Sul da Europa, onde o valor das fusões e aquisições aumentou 37%, para 147,7 mil milhões de euros, impulsionado por operações de grande dimensão e pelo interesse dos investidores internacionais.

Em Portugal, a maior operação anunciada no primeiro semestre envolveu o Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco, num negócio de 600 milhões de euros que incluiu um novo investimento da Miura Partners e o reforço da participação da Schroders de 2% para 20%.

A segunda maior operação foi realizada no setor do turismo e lazer, com a aquisição do Caesar Park, um hotel de cinco estrelas e ‘resort’ de golfe em Sintra, pela Catterton Management e pela Cedar Capital Partners, por 140 milhões de euros.

Segundo o estudo, as três maiores operações realizadas no mercado português foram lideradas por compradores internacionais, provenientes do Reino Unido, Espanha e Países Baixos, evidenciando a importância do investimento estrangeiro.

Apesar da quebra da atividade, a senior manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, Filipa Matias, considera que continuam a existir oportunidades no mercado nacional.

“A atividade subjacente em operações de menor e média dimensão continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”, afirma, citada no estudo.

Segundo a responsável, as perspetivas são sustentadas pelo interesse dos investidores estrangeiros, por operações apoiadas por fundos de capital de risco e pela consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, serviços empresariais, indústria e ativos imobiliários e hoteleiros.

O relatório salienta ainda que Portugal é o único mercado do Sul da Europa onde o número anual de operações de fusões e aquisições aumentou ou se manteve estável em todos os anos desde 2016, uma tendência cuja continuidade fica agora em aberto perante a quebra registada no primeiro semestre.

Ainda assim, foram identificadas 33 potenciais oportunidades de fusões e aquisições em Portugal, distribuídas por 12 setores, num total de 608 oportunidades sinalizadas no Sul da Europa.

No conjunto da região, que inclui Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia, foram anunciadas 1.858 operações no primeiro semestre, menos 6% do que no período homólogo, apesar do aumento de 37% no valor agregado das transações, passando de 107,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para 147,7 mil milhões de euros.

Itália liderou o mercado regional, com 754 operações, no valor de 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha, com 600 operações e 28,7 mil milhões de euros.

Os investidores de fora da região foram responsáveis por cerca de 41% do valor total das transações, equivalente a mais de 61,2 mil milhões de euros, destacando-se os compradores norte-americanos (139 operações num total de 23,7 mil milhões de euros) e britânicos (88 operações num total de 23,3 mil milhões de euros).

Para os próximos meses, a Forvis Mazars antecipa a manutenção de oportunidades de investimento, apoiadas pelas condições de financiamento, pelos processos de sucessão empresarial e pela consolidação de setores, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia e as políticas comerciais continuem a representar fatores de incerteza.

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Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses

Euribor

A taxa Euribor subiu hoje a três meses e desceu a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 3,019%, menos 0,011 pontos percentuais que na quarta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também recuou hoje, para 3,262%, menos 0,001 pontos que na véspera.

Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, pela quinta sessão consecutiva, ao ser fixada em 2,677%, mais 0,007 pontos.

Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.

Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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“A Arte da Guerra é um milagre no mundo dos podcasts em Portugal”

Ouça e acompanhe “A Arte da Guerra” também em formato podcast:

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O protagonista de um programa que já leva uma existência de quase seis anos, o Embaixador Francisco Seixas da Costa, fala sobre o próprio programa – que desta vez tem a ilustre participação de público ao vivo e de um convidado: Jorge Silva Carvalho. Seixas da Costa não se esqueceu de agradecer a preciosa participação externa de um dos mais presentes protagonistas ao longo de sucessivas semanas: Donald Trump.

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Barclays sobe lucros para 7 mil milhões até setembro e corta 5 mil postos de trabalho devido à IA

O banco britânico Barclays anunciou hoje lucros atribuíveis de 5.837 milhões de libras (6.963 milhões de euros) até setembro, um aumento de 17% em termos homólogos, e um corte de 5.000 postos de trabalho devido à implementação de IA.

Num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Londres, a instituição britânica aponta que o lucro antes de impostos atingiu 8.388 milhões de libras (10.007 milhões de euros), mais 15% que no mesmo período do ano passado, enquanto as receitas totais aumentaram 8% para 23.866 milhões de libras (28.471 milhões de euros).

Já as despesas operacionais cresceram 4% face ao período homólogo para 13.625 milhões de libras (16.254 milhões de euros).

O banco anunciou, ainda um programa de recompra de ações no valor de 500 milhões de libras (597 milhões de euros).

Citado no comunicado, o presidente executivo do Barclays, C. S. Venkatakrishnan, enalteceu o bom desempenho do banco no período e reforçou a confiança de que a instituição vai atingir as metas de 2028.

“No terceiro trimestre tivemos um crescimento homólogo de 7% na concessão de empréstimos nas nossas unidades de negócio com maior rentabilidade no Reino Unido, destacando-se especialmente a banca corporativa no Reino Unido, que teve um aumento homólogo de 14%”, referiu.

Venkatakrishnan justificou ainda o programa de recompra com a “forte criação de capital” e bom rácio de fundos próprios.

Depois do anúncio dos resultados, a administradora financeira do Barclays, Anna Cross, anunciou que a instituição prevê cortar este ano 5.000 postos de trabalho – o equivalente a 5% da sua força laboral – devido à integração de inteligência artificial (IA).

Em conferência de imprensa, em Londres, Anna Cross explicou que já foram eliminados mil postos de trabalho desde o início do ano e que se esperam reduzir outros 4.000 até ao final do trimestre.

Segundo o banco, a maior parte dos cortes vai afetar funções operacionais e de gestão em toda a instituição.

De acordo com Venkatakrishnan, a decisão resulta “dos investimentos em tecnologia” que têm sido feitos ao longo dos anos e que continuam a ser realizados.

A tecnologia, de acordo com o responsável, permitiu otimizar fluxos de trabalho e reduzir a necessidade de determinados perfis, como programadores.

Em Portugal, o Barclays vendeu, em 2016, o negócio da banca de retalho ao Bankinter.

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“CR7? FPF devia fazer um levantamento de ativos e marcas para rentabilizar”

“Uma marca de prestígio não se trata como as outras”: a frase é da advogada Márcia Martinho da Rosa e resume o pensamento desta especialista sobre o caso que envolveu Cristiano Ronaldo e a Federação Portuguesa de Futebol.

Com a diplomacia económica cada vez mais entrelaçada no futebol, pode este episódio mexer com a reputação de Portugal e prejudicar empresas e empresários nacionais num contexto global cada vez mais exigente? Márcia Martinho da Rosa, advogada na MMR Legal Services, deixa a sua análise sobre o tema.

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