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Calleri faz dois gols, e São Paulo vence o Vitória por 2 a 1

Com dois gols de Calleri e o retorno de Lucas Moura, o São Paulo derrotou o Vitória por 2 a 1, na noite deste sábado (10), diante de 22.618 espectadores no Morumbis, pela 30ª rodada do Brasileiro. Martínez descontou para os baianos.

A vitória deu duplo alívio para o tricolor paulista. O primeiro porque vinha de duas derrotas. O segundo porque se afastou mais da zona de rebaixamento. Chegou aos 39 pontos (oito à frente do Inter, o 17º) e ultrapassou Coritiba (38) e Red Bull Bragantino (37), que têm uma partida a menos. É, por ora, o nono colocado na tabela do Campeonato Brasileiro.

O São Paulo volta a jogar no sábado (17) novamente no Morumbis, às 21h, contra o Vasco, que empatou sem gols neste sábado com o Remo, em São Januário, no Rio.

Sem ganhar como visitante nesta edição do Brasileiro (5 empates e 10 derrotas em 15 partidas), o Vitória, que permaneceu com 36 pontos (é o 12º), vai enfrentar o Corinthians na segunda-feira (19), às 20h, em São Paulo.

O jogo

Sob chuva, o São Paulo entrou com muito mais velocidade e atento que o clube baiano. Dorival Júnior optou na defesa com Newton ajudando os zagueiros Arboleda e Sabino e, novamente, com Calleri na frente sendo servido por Artur e Iago (Luciano não foi relacionado novamente). Outras novidades foram Rafael Tolói no banco e o retorno do goleiro Rafael.

Lucas Moura também foi outra presença nova no Morumbis. O meia, que rompeu o tendão de Aquiles em 3 de maio, voltou a ser relacionado para o banco.

O esquema tático paulista deu certo com ajuda do Vitória, que entrou visivelmente com a tática de atuar no contra-ataque e praticamente com cinco jogadores perto da sua própria grande área.

Com domínio de bola de quase 70%, o São Paulo incomodou bem a defesa baiana até furar a retranca aos 19 minutos. Iago recebeu na esquerda e cruzou para Calleri, no meio dos zagueiros baianos, cabecear e abrir o placar.

O Tricolor paulista permaneceu com domínio da partida, mas a partir dos 35 minutos viu o Vitória chegar principalmente pelo lado esquerdo do ataque. E os anfitriões levaram o gol em um lance de falta de sorte.

Aos 39 minutos, Erick tocou da direita para trás para Martínez dentro da meia-lua. O argentino chutou, a bola desviou em Bobadilla e ‘matou’ o goleiro Rafael.

O São Paulo voltou a criar um lance de perigo aos 48 minutos depois de novamente acertar uma série de passes, mas Gustavo Santana teve o chute interceptado pela zaga rubro-negra.

“Aconteceu o mesmo que nos últimos dois jogos”, disse Calleri para a Sportv, no intervalo, se referindo às partidas em que tomou gols de Santos e do Cruzeiro por recuar demais.

As duas equipes voltaram sem substituições, mas a diferença se fez notar no Vitória, que passou a ocupar mais o meio-campo e tirou o São Paulo da zona de conforto.

Sem criação, Dorival Júnior só foi alterar o time aos 14 minutos quando colocou Lucas Moura e Marcos Antônio nos lugares de Djhordney e Lucas Ramon, respectivamente. Assim, Artur foi recolocado na ponta direita e o primeiro lance de perigo após as substituições saiu de seus pés. Aos 19 minutos, Lucas Moura começou a jogada até a bola chegar em Artur, que cruzou, mas Calleri chegou atrasado dentro da área para completar.

O gol saiu aos 25 minutos em jogada que começou com Lucas Moura, a bola sobrou para Gustavo Santana acertar chute, o goleiro Lucas Willians fez boa defesa, mas o rebote ficou com Calleri, livre na área, só completar.

Dois minutos depois o São Paulo por pouco não ampliou com Gustavo Santana, mas o atacante chegou atrasado após toque de cabeça de Calleri.

Aos 47 minutos, na pressão, o goleiro Rafael salvou os anfitriões em chute à queima-roupa de Matheus Silva na pequena área.

Ficha técnica

São Paulo 2 x 1 Vitória

Competição: 30ª rodada do Brasileirão
Local: Morumbi, São Paulo – SP
Data e hora: sábado, 10 de outubro de 2026, às 21h (de Brasília)
Árbitro: Braulio da Silva Machado
Assistentes: Bruno Boschilia e Anne Kesy Gomes de Sa
VAR: Wagner Reway
Gols: Calleri 2x (19′, 1ºT e 24′, 2ºT) (SPFC); Emmanuel Martinez (39′, 1º) (VIT)
Amarelos: Gustavo Santana, Djhordney, Iago, Arboleda, Marcos Antônio (SPFC); Matheuzinho, Cacá, Renato Kayser (VIT).

São Paulo: Rafael, Newton Jr., Arboleda, Sabino, Lucas Ramon (Marcos Antônio), D. Bobadilla, Djhordney (Lucas), Iago, Artur (Pedro Ferreira), G. Santana (Pedro Lima) e Calleri.

Vitória: Lucas Arcanjo, Mateus Silva, Cacá, Luan Cândido, Jamerson, Caique Gonçalves, Martínez (Alex Bruno), Matheuzinho (Anderson), Lucas Silva (Pochettino), Erick e Renê (Renato Kayzer). (Dani Blaschkauer/FOLHAPRESS)

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Wagner Moura e artistas do Oscar alertam sobre eleições

Em uma carta conjunta divulgada neste sábado (10) pela revista Variety, 58 membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, entre eles o ator Wagner Moura, os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles e o produtor Rodrigo Teixeira, se dizem preocupados com os possíveis desdobramentos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

O texto cita propostas de Flávio Bolsonaro (PL) de reescrever a Constituição, o desmonte da cultura sob o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Aborda ainda o caso, revelado pela Folha, da criptomoeda B22, que oferecia tokens a quem divulgasse conteúdos que incentivassem o voto em Flávio e dizia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.

Artistas temem retrocessos na cultura

“Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário”, diz o texto. “Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia.”

Menciona ainda os planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, noticiados pelo The Guardian, sob a acusação de que a corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.

Carta pede atenção internacional às eleições

A carta, assinada também por nomes como Alice Braga, Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto, Sônia Braga e outros, pede maior atenção internacional ao pleito no país.

“Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional.”

Veja a lista completa dos signatários

  • Adrian Teijido
  • Alê Abreu
  • Alice Braga
  • Andrea Barata Ribeiro
  • Anita Rocha da Silveira
  • Anna Muylaert
  • Anna Van Steen
  • Bernardo Uzeda
  • Carlos Segundo
  • Carolina Markowicz
  • Claudia Kopke
  • Daniel Filho
  • Daniel Rezende
  • Daniela Thomas
  • Eduardo Serrano
  • Eliza Capai
  • Emilie Lesclaux
  • Emilio Domingos
  • Fernando Meirelles
  • Flávia Amon
  • Flávia de Souza
  • Gabriel Domingues
  • Gabriel Mascaro
  • Helena Solberg
  • Heloisa Passos
  • Ilda Santiago
  • Jefferson De
  • Jorge Bodanzky
  • José Joffily
  • Juliana Rojas
  • Karen Akerman
  • Karen Harley
  • Karim Ainouz
  • Kleber Mendonça Filho
  • Lais Bodanzky
  • Lucy Barreto
  • Maeve Jinkings
  • Marcelo Caetano
  • Maria Augusta Ramos
  • Mariana Oliva
  • Matheus Farias
  • Miriam Biderman
  • Otto Guerra
  • Paula Barreto
  • Pedro Kos
  • Petra Costa
  • Plínio Profeta
  • Renata Almeida Magalhães
  • Rodrigo Teixeira
  • Sara Silveira
  • Sônia Braga
  • Tatiana Leite
  • Thales Junqueira
  • Vânia Catani
  • Vera Hamburger
  • Wagner Moura
  • Waldir Xavier
  • Wilssa Esser

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Vídeo da Eurocidade do Guadiana recebe prémio ‘Impacto Emocional’ nos ACES Video Awards 2026

A peça audiovisual, inserida na candidatura do território a Comunidade Europeia do Desporto 2026, foi premiada na 6.ª edição destes concursos internacionais, recebendo também uma das maiores ovações entre as produções desportivas exibidas no Teatro Lauro Rossi, em Macerata.

A Eurocidade do Guadiana soma, assim, um novo marco ao seu percurso desportivo e de integração transfronteiriça após ter conquistado o prémio de “Impacto Emocional” (Emotional Impact Award) na 6. ª edição dos ACES Video Awards 2026, realizada no âmbito do Festival Internacional de Cinema Overtime.

O concurso, organizado sob o lema “Sport & Society – The Values of Sport” (Desporto e Sociedade – Os Valores do Desporto), reconhece produções audiovisuais que se destacam pela sua capacidade de divulgar os valores do desporto, a sustentabilidade, a inclusão social e a identidade territorial. 

O audiovisual premiado integra-se no projeto com que Ayamonte, Vila Real de Santo António e Castro Marim promovem ao título de Comunidade Europeia do Desporto 2026, uma distinção atribuída pela Associação Europeia de Capitais e Cidades do Desporto (ACES Europe).

A obra destacou-se entre as candidaturas internacionais pela sua sensibilidade ao retratar a união entre Espanha e Portugal através da atividade física, da saúde, da inclusão e da superação pessoal em torno do rio Guadiana. A produção e a realização do vídeo estiveram a cargo de Toño Méndez.

A categoria de Impacto Emocional premia expressamente as peças que conseguem conectar-se com o espectador através de histórias humanas de esforço e coesão comunitária.

Este reconhecimento coloca a Eurocidade do Guadiana num lugar de destaque no panorama desportivo europeu, consolidando o trabalho conjunto das administrações locais para posicionar a região como uma referência transfronteiriça no turismo desportivo, na integração e na qualidade de vida.

A peça audiovisual destaca as principais provas desportivas transfronteiriças, as modalidades desportivas de maior relevo e as instalações e recursos desportivos existentes na Eurocidade, ao mesmo tempo que retrata a paisagem e a diversidade natural do território. O vídeo conta com legendas bilingues em português e espanhol.

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Anitta declara voto em Lula e critica bolsonarismo

Anitta declarou nesta sexta-feira (9) que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a cantora criticou o bolsonarismo, explicou os motivos de seu apoio ao presidente e admitiu que subestimou a força eleitoral do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu tava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo, mas eu tava errada, né? É importante a gente reconhecer e descer do salto”, afirmou.

Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL) na votação do dia 25. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, realizado no último domingo (4), enquanto o atual presidente teve 45,16%.

Anitta diferencia bolsonarismo da direita tradicional

A cantora também fez questão de diferenciar o bolsonarismo da direita tradicional. Para ela, o movimento transformou as disputas eleitorais em conflitos pessoais e religiosos, em vez de debates sobre propostas de governo.

“A direita sempre existiu e as coisas não eram assim. A direita e a esquerda de verdade apresentavam propostas reais de governo e aí o cidadão escolhia um lado ou outro lado”, disse.

Cantora critica mistura de religião e política

Anitta criticou especialmente o uso da religião como argumento político. “O pior mau caráter de todos, que para mim é o início do fim, é misturar religião com política”, afirmou. Segundo ela, não é aceitável apresentar uma eleição como uma escolha entre valores religiosos e comportamentos considerados imorais.

Artista justifica apoio a Lula

Anitta declara voto em Lula no segundo turno das eleições presidencial | Foto: Reprodução

Ao justificar o apoio a Lula, a artista reconheceu que o presidente pode ser alvo de críticas, mas defendeu que os resultados de seus programas sociais também sejam considerados.

“O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, isso não pode apagar os benefícios que os projetos trouxeram e ainda trazem há anos para tantas pessoas necessitadas, tanta gente que saiu da miséria”, argumentou.

A cantora, que já havia apoiado Lula na eleição de 2022, afirmou ainda que perdeu milhões de seguidores por seus posicionamentos políticos. Desta vez, reforçou que não pretende deixar de se manifestar.

“Posicionamento não é um dia. Não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias”, declarou. (Isabela Faggiani/FOLHAPRESS)

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Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em frente a um fundo branco, vestindo camiseta azul e o adesivo com o número da legenda do Partido Liberal (PL), o deputado federal cearense reeleito André Fernandes aparece em um vídeo que lista sete fatos curiosos sobre a sua atuação no Congresso. Apesar da simplicidade da produção, a publicação atingiu a marca de mais de 1 milhão de impressões nas redes sociais da Meta – Instagram e Facebook. O alcance, contudo, não foi fruto apenas da proposta audiovisual: o deputado pagou uma bagatela de R$ 100 mil a 125 mil para impulsionar o conteúdo. 

Segundo a Agência Pública apurou, Fernandes, que vai para o seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi o que mais gastou com impulsionamentos nas redes sociais da Meta nos últimos 90 dias – o que inclui o período de campanha eleitoral -, dentre os vinte deputados federais mais votados nestas eleições. 

O levantamento exclusivo da Pública mostra que, entre esses vinte políticos com mais votos, os dez mais votados de partidos de direita gastaram o dobro que os puxadores de voto à esquerda. Foram R$ 5,3 milhões de um lado contra R$ 2,6 milhões do outro.

Infográfico mostra os 10 deputados federais mais votados da esquerda e o gasto em anúncios na Meta
Infográfico mostra os 10 deputados federais mais votados da direita e o gasto em anúncios na Meta

Dentre os políticos da direita mais votados, os que mais gastaram no mesmo período são todos do PL – o partido recebeu a maior fatia das verbas do fundo eleitoral e teve o maior número de deputados federais eleitos. Após André Fernandes, que gastou cerca de R$ 1,8 milhão, estão Lucas Pavanato, com R$ 1,3 milhão, e o Delegado Caveira, com R$ 646 mil investidos em anúncios em suas redes. 

No campo da esquerda, os maiores gastos foram da professora Luciele Cavalcante, com R$ 628 mil, Fernanda Melchior, R$ 442 mil, e Guilherme Cortez, R$ 326 mil, todos filiados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que conquistou 14 vagas na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. 

O professor Afonso Albuquerque, do curso de Estudos de Mídias da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que o segredo do engajamento não está somente no quanto os candidatos investem, mas também na forma como as plataformas entregam os conteúdos aos seus usuários. Segundo ele, as Big Techs estão alinhadas aos interesses políticos e ideológicos de Donald Trump. “Então, a extrema-direita brasileira se alinha, naturalmente, com interesses das plataformas”, defende. 

“Para mim, não é o caso da extrema direita usar melhor as mídias sociais. As mídias sociais usam a extrema direita […] A linguagem da extrema direita é mais apelativa que argumentativa, feita para produzir engajamento”, argumenta. 

Audiência de Nikolas Ferreira rivaliza com perfis muito maiores

O pacote de publicações impulsionadas com maior engajamento do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira – eleito com o maior número de votos do país – custou entre R$ 25 mil e 30 mil. Entre os conteúdos, um vídeo com mais de um milhão de impressões apresenta o deputado ao lado do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, que pede ao eleitorado mineiro que vote em Nikolas. A publicação atingiu, em sua maioria, homens e mulheres, entre 25 e 34 anos, em Minas Gerais. 

Entre os deputados federais de direita com mais votos, Nikolas fez o sexto maior investimento em anúncios nas redes sociais da Meta, com R$ 312,5 mil. Uma das suas contas alternativas no Instagram, com cerca de 5 milhões de seguidores, foi a escolhida para os impulsionamentos.

Nikolas é um caso que foge aos padrões: o perfil do Instagram do político com mais seguidores tem muito mais alcance que de outros políticos ou mesmo celebridades com têm mais seguidores que ele.

Donald Trump, por exemplo, presidente dos Estados Unidos, tem mais de 44 milhões de seguidores. Seus últimos dez vídeos têm uma média de 9,47 milhões de visualizações. Já os dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas, que tem metade dos seguidores do presidente dos EUA, tem mais de quatro vezes mais alcance, com uma média de 41,76 milhões de visualizações.

A disparidade do alcance de Nikolas é surpreendente até quando se comparam ao alcance de celebridades, como Kylie Jenner. Mesmo o perfil mais seguido do Instagram no mundo, o do jogador de futebol português Cristiano Ronaldo, com seus impressionantes 680 milhões de seguidores. Enquanto o CR7 tem quase 30 vezes a quantidade de seguidores de Nikolas, seus últimos dez vídeos tem pouco mais de três vezes o alcance do deputado mineiro.

Dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas têm mais alcance que os de Trump, que tem o dobro de seguidores
Dez vídeos mais recentes do Instagram de Nikolas têm mais alcance que os de Trump, que tem o dobro de seguidores

Zanatta x Hilton: duas estratégias e gastos diferentes com redes

Ela porta uma faca e uma melancia, dentro de uma cozinha, trajando um vestido azul sem decotes e uma cruz de prata. Nesse cenário, a deputada bolsonarista Julia Zanatta (PL-SC) criou o seu vídeo com o maior alcance pago em seus perfis de Instagram e Facebook. 

A melancia, segundo a parlamentar que foi a mais votada de Santa Catarina, simbolizava candidatos que se apresentam como de direita – pela casca verde –, mas que, por dentro, seriam de esquerda, em referência à cor vermelha do interior da fruta.

No vídeo, Zanatta esfaqueia a parte vermelha da melancia e come pedaços da fruta, enquanto dialoga com o eleitor, tecendo críticas aos seus adversários e se colocando como a candidata que nunca abandonou a direita bolsonarista. 

A publicação gerou mais de um milhão de interações em suas redes, mas o alcance não foi apenas orgânico: a política pagou entre R$ 20 mil e 25 mil para impulsionar a publicação. 

Julia Zanatta gastou R$ 616 mil para impulsionar conteúdos na Meta nos últimos 90 dias
Julia Zanatta gastou R$ 616 mil para impulsionar conteúdos na Meta nos últimos 90 dias

No outro campo da representatividade política de deputadas mulheres, um corredor de uma casa foi o cenário escolhido por Erika Hilton para gravar o seu conteúdo pago de maior alcance, publicado em 1 de outubro, a poucos dias do primeiro turno das eleições. Na gravação, ela desmente uma suposta fake news de que a extrema direita estaria anunciando que a então candidata do PSOL não precisava de votos, porque “já estaria eleita”. 

A gravação, cujo alcance foi entre 700 mil e 800 mil interações, custou à campanha cerca de R$ 7 mil. A audiência foi, em sua maioria, mulheres entre 25 e 34 anos e moradoras do estado de São Paulo. 

Erika não foi a candidata com maior gastos com redes sociais entre os deputados federais da esquerda mais bem votados. O investimento da campanha foi pouco mais de R$ 160 mil. 

Erika Hilton gastou R$ 161 mil com anúncios nas redes da Meta no período
Erika Hilton gastou R$ 161 mil com anúncios nas redes da Meta no período

O retorno do pagamento com anúncio nas redes

Maurício Marcon, do PL do Rio Grande do Sul, figura entre os dez deputados federais de partidos de direita mais votados nestas eleições. Apesar disso, ele não gastou um centavo com impulsionamento de conteúdos na Meta – ao menos segundo as informações passadas para a plataforma da empresa. Ainda assim, 379 mil eleitores digitaram o seu número na urna. A página do Facebook do político gaúcho tem mais de 1,1 milhões de seguidores, o perfil de Instagram, 857 mil . 

Em contrapartida, André Fernandes, do mesmo partido, gastou R$ 1,8 milhões nas mesmas plataformas e obteve 684 mil votos. Feita a conta, é como se o político tivesse investido R$ 2,63 em impulsionamento para cada voto recebido, a conta mais cara entre os 20 nomes analisados. 

Um dado é curioso: enquanto os dez deputados federais mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com impulsionamento, os dez da esquerda pagaram R$ 2,6 milhões. No entanto, a direita obteve mais votos, cerca de 9,9 milhões, contra 4,8 milhões na esquerda. Dividindo os gastos pelos votos adquiridos, o resultado é que a média entre gasto com impulsionamento e os votos da direita e esquerda são quase iguais: R$ 0,53 contra R$ 0,55.

A simetria se repete quando analisamos os políticos do topo da tabela de cada uma das vertentes políticas. Nikolas Ferreira foi o deputado federal mais votado da direita, com 3,1 milhões, e gastou R$ 312 mil reais em anúncios. Feita a divisão, é como se cada eleitor custasse para Nikolas R$ 0,10. Já Erika Hilton, a deputada federal votada da esquerda com 1,6 milhões de votos, gastou R$ 160,8 mil. No caso dela, cada voto teria lhe custado também R$ 0,10. Adversários políticos, os dois pagaram o mesmo preço, sendo um dos mais baixos da lista. 

A conta costuma pesar mais para quem tem menos público e precisa contar ainda mais com as publicações impulsionadas. Lucilene Cavalcante (PSOL-SP) fez o maior gasto dentre os dez deputados federais mais votados da esquerda, com R$ 624,6 mil, mas teve a menor votação do grupo com, 253,7 mil votos. Então, cada voto teria custado cerca de R$ 2,5.

No outro extremo, Ana Elisa, do Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais, gastou R$ 24,6 mil e obteve a segunda maior votação entre os mineiros: 524,2 mil votos. Cada voto, portanto, teria lhe custado R$ 0,05. A média mais barata no grupo.

O caso mais curioso é do deputado Lucas Pavanato (PL-SP). Seus R$ 1,3 milhões o tornaram o segundo maior anunciante dos deputados federais mais votados. Junto com André Fernandes, eles respondem por mais da metade dos gastos da direita. Os dois, sozinhos, gastaram mais do que os dez nomes da esquerda somados. Contudo, com 3 milhões de votos, o custo hipotético do voto de Pavanato ficou em R$ 0,43, mais caro que o de muitos de seus adversários. 

Na visão do professor da UFF, os altos investimentos em anúncios nas plataformas digitais não devem ser o único meio de transformar investimentos em votos. Para ele, é preciso estabelecer uma relação com o usuário que só acontece com o tempo. 

“Capital social de plataforma, ele é construído na relação com os usuários. E você pode gastar um milhão, e esse um milhão vai aumentar a sua exposição aos usuários, mas não vai aumentar a sua relação com eles, que é construída através do tempo”, avalia Albuquerque. 

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Publicidade: O fornecimento de energia será interrompido nos dias horas e locais abaixo indicados – anúncio 103 – 2026

       A Empresa de Electricidade da Madeira, SA informa que, por motivo de trabalhos de conservação/remodelação na rede de distribuição, o fornecimento de energia será interrompido, nos dias, horas e locais abaixo indicados: CAMPANÃ�RIO – Ribeira Brava Dia 13/10/2026 das 09:00 às 10:00 horas Dia 14/10/2026 das 15:00 às 16:00 horas – Sítio da Eira […]
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Terror das feministas: radicais, deputadas conservadoras disputam poder na extrema direita

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

O terror das feministas. É como se autointitulam Ana Caroline Campagnolo e Eduarda Campopiano, as deputadas estaduais mais votadas em Santa Catarina e São Paulo. Ambas do Partido Liberal (PL), elas se apresentam como amigas em posts nas redes sociais e se dizem admiradoras  de Olavo de Carvalho. Juntas, as duas somaram mais de 2,3 milhões de votos na eleição de 2026. Ao lado delas, ocupando o posto de deputada estadual mais votada do Estado, está Índia Armelau, também do PL, que conquistou 248.504 votos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

São mulheres que se unem ao clã de Michelle Bolsonaro (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Bia Kicis (PL-DF) e Celina Leão (PP-DF) pela pauta anti-identitária e antiaborto, mas que, segundo especialistas ouvidas pela Agência Pública, não pertencem ao mesmo grupo de suas antecessoras, inclusive considerando a construção de narrativas para o eleitorado. 

Na visão de Lívia Reis, coordenadora de Religião e Política no Instituto de Estudos da Religião (ISER), a extrema-direita conquistou uma pluralidade de candidaturas femininas nesta eleição, o que pode criar uma disputa pelo poder de influência entre as próprias eleitas. 

“O Valdemar [Costa Neto, presidente do PL] não está preocupado com o alinhamento ideológico de uma influenciadora, ele quer que ela seja eleita e vote com ele”, argumenta a antropóloga em referência a eleição de Eduarda Campopiano, atualmente com mais de 2,5 milhões de seguidores do Instagram. “Vejo que talvez isso seja também um dos atritos que a própria Michelle vai ter com ele, porque ela quer centralizar o PL Mulheres e as candidaturas femininas, mas o próprio PL vai apostar em quem quiser”, explica Reis. 

Vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, Eduarda Campopiano foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo como uma espécie de discípula de Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado da história do país, com mais de 22 milhões de seguidores no Instagram. Outro aliado é o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), que detém mais de 5 milhões de seguidores na rede social da Meta e foi eleito para deputado federal com mais de 3 milhões de votos. 

“O PL sabe o poder das redes sociais. Todas as candidaturas se forjam ali, eles estão elegendo influenciadores há muito tempo e agora chegaram ao ápice dos candidatos mais votados serem os influenciadores. Por isso, eu diria que a Eduarda chega [ao partido] com tanto poder quanto a Michelle. E vai disputar isso”, explica Reis. 

A esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, protagonizou em junho deste ano o seu primeiro embate público com o Partido. Após a rejeição da sigla ao nome indicado por ela ao Senado pelo Ceará, o da deputada Priscila Costa (PL-CE), Michelle publicou um vídeo contando que Flávio Bolsonaro a havia desrespeitado durante a formação dos arranjos partidários nos estados. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou a ex-primeira dama.

No vídeo, ela exaltou sua atuação à frente do PL Mulher, ala de mulheres conservadoras do partido: “[em 2024] elegemos 45,8% mais mulheres que em 2020. Foram 1.005 mulheres eleitas”, disse. Com a instauração da crise, que abalou a campanha à presidência de Flávio Bolsonaro, e após se reunir com Costa Neto, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. 

Na visão de parlamentares próximos ao PL, Campopiano representa um discurso mais radical da extrema-direita, capitaneado por Olavo de Carvalho, conhecido como o “guru” do bolsonarismo. “Eu acho que ela [Eduarda] vem muito daquela linha do Olavo de Carvalho, que é essa juventude conservadora formada. Mas creio que com a maturidade ela vai entender que a pauta feminina não é uma pauta feminista. A gente vai ter ainda um tempo para fazer esse convencimento”, disse à Pública a senadora Damares Alves, que também afirmou que irá dialogar nesse sentido com a deputada Índia Armelau.   

A pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) Jacqueline Teixeira aponta que o discurso de Campopiano pode ser entendido a partir dos efeitos produzidos por políticas que começaram, entre 2014 a 2016, a proibir gênero nos parâmetros curriculares. Segundo a antropóloga, que realiza pesquisas na área de gênero, raça, sexualidade e religião, trata-se de uma geração jovem que cresceu em uma “escuta mais próxima do antifeminismo” e que, portanto, se apresenta como “mais refratária” às conquistas do movimento. 

“Estamos falando de coisas que aconteceram no cenário político e que produziram efeitos direto nas escolas nos últimos 12 anos. Então, é a chegada desse grupo muito jovem no cenário democrático, com uma série de entendimentos, sem necessariamente terem conseguido produzir um repertório de várias dessas heranças e da importância delas. Eles acabam se engajando mais numa proposta disruptiva de política, que vai, consequentemente, levar a um lugar mais conservador para pensar as políticas públicas”, analisa Teixeira. 

Uma das professoras de Campopiano nesse aspecto é a deputada estadual Ana Carolina Campagnolo, eleita, pela segunda vez, como a mais votada no estado de Santa Catarina. Em sua biografia no Instagram, a parlamentar se classifica como “conservadora, cristã e antifeminista”, e frequentemente se refere a Olavo de Carvalho para basear suas propostas e conteúdos publicados na rede social. Ela é autora do livro “Feminismo: perversão e subversão”. 

“Em São Paulo, a sua deputada estadual é Eduarda Campopiano, que eu tenho orgulho em dizer que é minha amiga, minha leitora (…) Se você quer ter a sua deputada que parece com a Ana Campagnolo aí em São Paulo, tenho certeza que essa pessoa é a Eduarda Campopiano”, afirma Campagnolo em vídeo no Instagram ao lado de Eduarda. “Ana, a nossa intenção é barrar os avanços da extrema esquerda no estado de São Paulo assim como você consegue fazer tão bem”, completa Campopiano na publicação. 

Defensora da pauta anti-identitária e do homeschooling, Campagnolo chegou a pedir em maio deste ano apoio na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ao Projeto de Lei 2.577/2026 apresentado na Câmara dos Deputados, que “concede anistia a pais ou responsáveis que tenham sido investigados, processados, condenados ou penalizados administrativa, civil ou criminalmente pela prática de educação domiciliar”. 

A proposta é de autoria da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), eleita agora para o Senado com 2.694.918 votos. Também é dela o PL 4.213/2020, que altera a Lei nº 9.504/97 para extinguir a reserva mínima de 30% das vagas para mulheres nas candidaturas para mandatos eletivos preenchidos pelo sistema proporcional (deputadas federais, estaduais e vereadores).

Ao lado delas, está a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), reeleita com 560.223 votos. Em comemoração, no último domingo, 4 de outubro, a parlamentar caminhou entre seu apartamento e o comitê de campanha, em Florianópolis, dando chicotadas na rua. Uma de suas principais referências também é Olavo de Carvalho, de quem foi aluna e até visitou em Virgínia, nos Estados Unidos. Em 2024, Zanatta apresentou na Câmara o PL 3.338/2024, que “assegura aos pais e responsáveis o direito de vedar a participação de seus filhos em atividades pedagógicas de gênero em âmbito nacional”. 

Já em 2025, a parlamentar apresentou um projeto de lei para alterar a Lei Maria da Penha, para prever punições a mulheres que fizerem falsas acusações de violência ou utilizarem de maneira “indevida” as medidas protetivas de violência doméstica. Zanatta também é contra o PL da Misoginia. 

Negação do feminicídio

Em uma das postagens de Campopiano mais republicadas nas redes sociais, a vereadora afirma que “feminicídio não existe”. A questão, no entanto, é reconhecida por parlamentares que buscam encabeçar o movimento de mulheres da direita na política, caso da própria senadora Damares e de Celina Leão, também amiga de Michelle Bolsonaro, e atual candidata ao governo do Distrito Federal. 

“Eu acho um erro isso [a ideia de que feminicídio não existe], é um erro, é um reforço. Como é que a gente saberia quantas mulheres são assassinadas se você não tivesse a tipificação desse crime?”, afirmou Celina Leão à Pública. À frente do governo Distrito Federal, após o então governador Ibaneis Rocha renunciar ao cargo em março de 2026, Celina disputa no segundo turno, à reeleição, contra o candidato Leandro Grass, do PT.  

Ela terminou o pleito com 825.530 votos, o que representa 49,93% do total de votos válidos. Fortemente apoiada por Michelle, que adotou a estratégia do voto casado ao Senado para ela e Bia Kicis, Celina disse a jornalistas na última terça-feira,  6 de outubro, que acredita não ter sido eleita no primeiro turno devido à “confusão” dos eleitores ao escolherem o número na urna. No domingo, mais de 26 mil pessoas no Distrito Federal digitaram 22, o número do PL, ao votarem para governador, apesar de não haver um candidato ao posto com essa identificação. 

“Claro que existe uma concentração de coisas mais à direita, mas essas mulheres acabam sendo levadas a defender pautas e determinadas políticas públicas que as puxam mais para o centro do que para a extrema-direita. Pode acontecer com a Damares, por exemplo, no Senado. Você vê que a Damares ali é bem mais centro-direita do que era, por exemplo, quando ela estava no governo Bolsonaro”, avalia Jacqueline Teixeira. 

Questionada pela reportagem sobre a expectativa em relação às pautas que serão tratadas por Michelle no Senado, Damares afirmou, inclusive, que não haverá “retrocesso de direitos”, uma das principais críticas de eleitoras contrárias ao movimento de mulheres conservadoras na política. 

“A Michelle é uma mulher conservadora, mas de um coração voltado para o social. Então está todo mundo preocupado ‘vai ter retrocesso de direitos’. Não vai, nós teremos sentinelas aqui dentro”, afirmou Alves. Sem detalhar possíveis ações da ex-primeira dama, a senadora afirmou que Michelle vai se dedicar a pautas ligadas à proteção de mães atípicas e das crianças. “Nenhum retrocesso, nenhum direito a menos, e nada sobre nós sem nós, com a presença deles o tempo todo aqui dentro”, disse a senadora. 

Na visão de Lívia Reis, do ISER, o que une essa heterogeneidade de candidaturas de mulheres da extrema-direita é, sobretudo, a agenda anti-identitária, mobilizada por elas mesmas. “Quando a Michelle fala naquele vídeo, de crítica ao Flávio, que estava sofrendo violência de gênero, ela está nomeando a violência que ela sofre a partir de uma identidade. Isso é histórico na direita, eles mobilizam pautas identitárias, acusando o outro de identitários, mas eles nunca deixaram de mobilizar suas identidades para atuar politicamente, e não está sendo diferente agora”, conclui. 

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Por que as pessoas estão votando em Flávio Bolsonaro?

Vários fatores ajudam a explicar a perda de votos de Lula e o crescimento de Flávio Bolsonaro nas urnas. A repórter Amanda Audi ouviu especialistas em política e explica os principais: a ausência de debates entre os dois candidatos, a apropriação do discurso antissistema pela extrema direita, o impacto dos escândalos, as dificuldades do governo Lula diante de um Congresso hostil, a força da direita nas redes e o voto útil já no primeiro turno.

Assista o vídeo e entenda por que Flávio Bolsonaro ganhou espaço entre os eleitores.

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Município promove “Outubro: Mês da Pessoa Idosa” com várias iniciativas

VTM

Valorizar quem tanto nos deu é um compromisso de todos os dias. Ainda assim, outubro assume um significado especial, convidando-nos a celebrar a experiência, a sabedoria e o contributo das pessoas idosas, reforçando a importância de uma comunidade mais inclusiva, solidária e promotora do seu bem-estar.

Entre as iniciativas programadas, destaca-se o Fórum do Envelhecimento 2026, que terá lugar no dia 14 de outubro, no Teatro Auditório Municipal de Alijó, sob o tema “Longevidade e Envelhecimento: Desafios e Oportunidades”.

Integrado neste fórum, o seminário “EnvelheSer: Ser na Idade Maior” será um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios e as oportunidades associados à longevidade. O programa inclui a apresentação de dados estatísticos sobre o concelho de Alijó, uma reflexão sobre o tempo como oportunidade, conduzida por António M. Fonseca, professor da Universidade Católica Portuguesa, e uma abordagem à temática da idade sem prazos, por José Carreira, presidente da Associação STOP Idadismo.

Dirigido a pessoas idosas, profissionais das áreas social e da saúde, cuidadores, representantes de instituições e autarquias, empresários e à população em geral, o fórum pretende estimular o debate, aprofundar conhecimentos e promover uma visão do envelhecimento centrada na dignidade, na autonomia e na participação ativa na sociedade.

Porque envelhecer deve significar continuar a viver com dignidade, oportunidades e qualidade de vida, o Município de Alijó convida toda a comunidade a associar-se a estas iniciativas.

As inscrições para o Fórum do Envelhecimento 2026 são gratuitas e podem ser feitas no site do Município de Alijó, através do Balcão Virtual.

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Centro esquerda e extrema direita: a diferença essencial que a imprensa não fez

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Imagine por um minuto que em vez de um candidato de extrema direita houvesse um candidato da esquerda radical em disputa com qualquer outro moderado. Como seria a cobertura das eleições? Será que se buscaria um falso equilíbrio entre as duas forças como acontece desde que os Bolsonaro passaram a disputar a presidência do Brasil?

A resposta é óbvia e a pergunta uma provocação para pensar no embuste que é a imparcialidade da imprensa desde a ascensão da extrema direita pós-redemocratização. Em especial nessas eleições, quando a aliança entre os Bolsonaro e a extrema direita dos Estados Unidos já interfere na nossa soberania, inclusive nas próprias eleições.

Nem assim a imprensa cumpriu o papel de informar com rigor quais são os projetos políticos em disputa no país. Com o argumento da “polarização”, apresentou, e continua a apresentar, a centro-esquerda de Lula como pólo inverso e, portanto, equivalente à extrema direita de Flávio Bolsonaro – um erro, também jornalístico, que enviesa toda a cobertura da campanha.

A esquerda caminhou para o centro enquanto a direita se deslocou para a ponta extrema, esse é o fato oculto sob a suposta “polarização” dos eleitores. A terceira via, tão desejada pela imprensa, está na chapa Lula-Alckmin como sabemos desde 2022. Em termos simples, à moda das redes, Lula não é comunista, mas Flávio é fascista, e a imprensa poderia ter deixado essa diferença clara para a população.

Tendo como escudo a alegada isenção e a falsa equiparação como método, a imprensa contornou o tema mais importante das eleições nacionais, as primeiras depois de uma tentativa de golpe de Estado, quando enfim o país conseguiu condenar presidente e generais que conspiraram contra a nossa suada democracia. E que agora, tem a soberania ameaçada pelos Estados Unidos de Donald Trump e Marco Rubio.

Não estou cobrando de jornais e emissoras de rádio e TV, de propriedade de famílias ricas, que sejam sequer progressistas, como são, aliás, a esmagadora maioria dos jornalistas que para eles trabalham, mas que pelo menos honrem o lugar que ocupam entre as instituições democráticas brasileiras. Assim como não existe democracia sem imprensa livre, não existe imprensa livre sem democracia.

Nem o risco à liberdade de imprensa e de expressão, que deveria ser valor inegociável de jornais, emissoras de TV e rádio, fez com que expusessem claramente a possibilidade real, e já ensaiada, de Flávio Bolsonaro rasgar a Constituição.

O monitoramento e a investigação de questões cruciais dessas eleições, como o lobby dos Bolsonaro no governo Trump, a farsa do Dark Horse, a predominância dos aliados políticos de Flávio no Caso Master e em outros casos envolvendo o crime organizado, a interferência dos Estados Unidos e das Big Techs ficou a cargo de veículos menores, feitos por jornalistas, que podem exercer a profissão de forma totalmente independente.

A imprensa também se esquivou de alertar os cidadãos sobre o que a eleição de Flávio Bolsonaro tiraria dos brasileiros e que afeta todos nós (excluindo o 1% mais rico que ganha 31,6 vezes mais que a metade mais pobre da população). Os usuários do SUS, os médicos, professores, dentistas, e outros profissionais da saúde e educação, assim como as famílias que utilizam os equipamentos públicos não foram alertados do risco que correm os sistemas públicos de educação e saúde – mesmo com muitos exemplos a retirar da pandemia da Covid, incluindo a contribuição desastrosa dos hospitais federais do Rio, gerenciados por indicados pelo próprio Flávio Bolsonaro no governo do pai.

Enquanto cobrava dos candidatos e eleitores o debate sobre “propostas”, e noticiava escândalos com base em vazamentos seletivos, permitiu a omissão de Flávio não apenas em relação às explicações devidas no caso Vorcaro, mas em se posicionar claramente sobre temas que afetam diretamente os direitos individuais e coletivos, como a demarcação de terras indígenas e quilombolas, ou as políticas para a promoção de igualdade de gêneros e de proteção aos direitos das pessoas LGBTQIA+ – inexistente em seu programa de governo e ainda mais relevantes pelo sofrimento imposto às pessoas trans pelo governo Donald Trump, inspiração confessa dos Bolsonaro. Sem falar nos jornalistas, cientistas, artistas e professores perseguidos no governo de Jair e de Trump.

Não se procurou nem ouvir as pessoas de verdade, com reportagens destacadas sobre comunidades que seriam ainda mais ameaçadas pelo garimpo e outros crimes, ou sobre famílias que têm um filho ou filha trans sob ameaça de violência, assim como aquelas que saíram da miséria e temem voltar para ela, ou com adolescentes que dependem de bolsas e programas sociais para ficar na escola e agora não têm garantia de futuro – ainda mais ameaçado com o fim das políticas contra o racismo e a desigualdade de gêneros.

Reduzidas a iniciativas eleitoreiras – mesmo que a crítica também caiba – também não contribuiu para o debate sobre o mérito de políticas como o fim da jornada 6×1 (uma iniciativa da sociedade), a proibição das bets e o aumento ao Bolsa Família. Nem pressionou Flávio para saber o que acontecerá com medidas de evidente interesse público, que têm que ser defendidas como direitos dos cidadãos e já são alvo de críticas, senão pelo próprio Flávio, por medo de perder votos, por seus aliados políticos – incluindo o “mercado”.

Esses e outros exemplos estão expostos agora nas redes sociais na onda que pegou os cidadãos conscientes do desequilíbrio das propostas e da possibilidade de evitar o tsunami anticonstitucional que seria a aliança Bolsonaro-Trump através do convencimento de eleitores menos radicais, apáticos ou ausentes. Não estão errados. Embora os resultados da primeira pesquisa Datafolha de 2º turno coloquem Flávio quatro pontos à frente de Lula, eu não subestimo o poder das formiguinhas em campanhas eleitorais. A ver.

Longa vida aos jornalistas combativos, à mídia independente, e sobretudo aos brasileiros que ainda buscam o diálogo como ferramenta para manter e aprimorar a democracia e garantir a liberdade e os direitos de todos os cidadãos.

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STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

O Supremo Tribunal Federal (STF) está longe de ser perfeito na análise de três juristas especialistas em direito constitucional, direitos humanos e reforma do Estado ouvidos pela Agência Pública. As suas imperfeições e a recente crise institucional que a mais alta instância do poder judiciário no Brasil e “guardiã da Constituição Federal” está passando, não devem ser, entretanto, usadas como justificativa do jogo político que visa aumentar a impunidade. E é consenso entre os três, que o risco existe. 

“O desgaste do STF pode ser usado politicamente não apenas para corrigir excessos da Corte, o que é legítimo, mas para reduzir sua capacidade de funcionar como limite ao poder político”, afirma Amarílis Costa, doutora em Direitos Humanos e diretora-executiva da Rede Liberdade, que atua em casos de violação de direitos e liberdades individuais. “Uma coisa é democratizar, tornar mais transparente e limitar excessos do STF. Outra é submeter a Corte à maioria parlamentar de ocasião”, argumenta.

Costa destaca a importância da Corte e de sua estabilidade justamente para aqueles que não estão nas rodas do poder. “Isso importa especialmente em direitos humanos, porque minorias e grupos historicamente vulnerabilizados dependem de uma jurisdição constitucional capaz de conter maiorias quando seus direitos estão em risco”, acrescenta.

Advogada Amarillis Costa
Advogada Amarillis Costa vê tentativa de limitar ações do STF contra políticos no poder

O professor de direito na PUC-SP e ex-secretário Nacional de Reforma do Judiciário no governo Dilma Rousseff, Flávio Crocce Caetano, concorda com a advogada. Ele acrescenta que “ a conjuntura política se tornaria muito favorável a medidas autoritárias de um eventual governo Bolsonaro, com diminuição do papel do STF, possível impeachment de ministro, além da redução do prazo de mandatos atuais, aumento do número de cadeiras para obtenção de imediata maioria e parceria perene com o Legislativo”. 

Para Caetano, “experiências autocráticas” em outros países são exemplos de concentração de poder nas mãos do Executivo, com ajuda do Legislativo, para o “apequenamento do Judiciário”. 

O também professor Rubens Beçak, livre-docente em Teoria Geral do Estado na USP, acompanha seus pares sobre o risco de Flávio Bolsonaro, se eleito presidente, “tentar minar o papel do Supremo, mesmo enfrentando “reações da opinião pública, da comunidade jurídica e provavelmente do próprio tribunal”. 

Ele ressalva que isso não significa que “discutir a redução do ativismo judicial, o excesso de decisões monocráticas e até os critérios de indicação dos ministros” não seja legítimo. “Essas mudanças podem contribuir para um Supremo melhor”, avalia Beçak que não descarta a possibilidade de se realizar uma Reforma do Judiciário. 

Reforma do Judiciário pode sanar excesso de decisões individuais

Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff
Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff

Já Flávio Caetano diz que “é necessária uma Reforma do Judiciário, que também atinja o Supremo.” Segundo o professor da PUC, estamos “diante de uma crise institucional, e de uma disfuncionalidade do STF”. Essa conjuntura “tem levado a posturas muito individuais dos ministros” e um acúmulo de decisões monocráticas, que faz o Plenário da Corte ficar diminuído. 

Amarílis Costa denomina o problema de individualização excessiva do poder, o que, segundo ela, “não significa eliminar decisões monocráticas”. “Elas são necessárias em situações urgentes. O problema surge quando uma decisão concebida como provisória produz, por longo período, efeitos equivalentes aos de uma decisão definitiva”, explica.

As decisões monocráticas foram alargadas nas práticas das últimas décadas do Supremo, e por isso deveriam ser “extremamente limitadas” na análise de Rubens Beçak. “Não é desejável que um ministro tenha poder individual sobre questões tão importantes”, afirma. “O correto é que a decisão individual, depois de tomada, seja prontamente submetida à Turma ou ao Plenário”, complementa. 

O comportamento do STF em período eleitoral

Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP
Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP, considera correta postura de presidente do STF, Edson Fachin, sobre processo sobre caso Master

Além da concentração de poder, os ministros do STF são, comumente, criticados por decisões que podem influenciar a opinião pública e as intenções de voto em período eleitoral. Para os juristas entrevistados pela Pública, porém, os casos precisam ser analisados de acordo com a realidade e contexto de cada um. 

O presidente do STF Edson Fachin, por exemplo, recebeu críticas de parte do eleitorado do presidente Lula (PT) por manter não dar seguimento às investigações do inquérito do Master e do INSS que ele recolheu ao seu gabinete após os embates entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Os juristas, no entanto, formaram consenso sobre a postura correta do ministro presidente. “Diante de uma situação tão conturbada, achei acertada a decisão do ministro [Edson Fachin]. Ele adotou uma medida provisória, que não me parece representar uma decisão definitiva. Considerei a decisão uma medida um pouco profilática. O presidente tem essa função”, comenta Rubens Beçak.   

Avaliação compartilhada por Flávio Caetano que considera a “decisão do presidente do Supremo de centralizar os casos que envolvam eventuais indícios ou suspeitas envolvendo ministros da própria Corte, tanto nos casos do Banco Master como do INSS, correta”. 

Amarílis Costa também afirma que há fundamento jurídico para a remessa. A advogada, no entanto, pondera que “a preocupação começa quando a preservação de competência se confunde com controle da investigação. Encaminhar informações ao tribunal competente é legítimo. Transformar a Presidência em filtro sobre o que pode ou não ser investigado seria outra coisa”. 

Para ela, “independência judicial não significa imunidade investigativa.” “O modelo será legítimo se proteger a regularidade do procedimento. Se produzir uma estrutura de autoproteção institucional, teremos um problema democrático”, ressalta.

No caso de ministros do Supremo, Flávio Caetano explica que crimes comuns são julgados pelo Plenário do STF. Quando se trata de crime de responsabilidade, o Senado Federal passa a ser o responsável. “O que não está muito claro é como haver uma investigação administrativa de algum ministro do Supremo”, diz. Na interpretação do professor, de toda forma, a “apuração administrativa ou disciplinar” sobre seus próprios membros é um procedimento adequado ao Pleno da Corte.  

A liberdade de Jair Bolsonaro analisada por Nunes Marques

Quando se trata da análise pelo ministro Nunes Marques da revisão criminal do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, os juristas divergem em alguns pontos. 

Flávio Caetano, professor da PUC, afirma que não vê possibilidade desta análise ser feita de forma monocrática porque seria a revisão de algo que foi decidido pelo colegiado. Portanto, apenas o colegiado poderia julgar. 

Já o docente da USP, Rubens Beçak, considera que o ministro poderia sim tomar uma decisão, favorável ou não ao ex-presidente, já que a defesa tem o direito de solicitar essa revisão. Beçak salienta que mesmo sendo “impactante” conceder uma liminar para a libertação do ex-presidente, estaria “dentro do conjunto de competências de quem analisa um pedido de revisão criminal”.

Uma medida cautelar do relator não é “juridicamente impossível” na análise de Amarillis Costa que nesse ponto concorda com Beçak. Por outro lado, a advogada  declara que uma “decisão individual capaz de suspender os efeitos de uma condenação definitiva e alterar a situação de liberdade de um ex-presidente, exigiria fundamentação especialmente robusta e rápida apreciação pelo colegiado”, se aproximando da visão de Caetano.

“O ponto mais delicado é o calendário eleitoral. O Judiciário precisa compreender a conjuntura política sem permitir que ela se transforme em critério jurídico. A pergunta relevante é se a mesma decisão seria tomada, no mesmo momento e com os mesmos fundamentos, caso o condenado fosse outra pessoa e não estivéssemos em período eleitoral”, diz Costa.

Para Caetano, “eventualmente pode haver — não estou dizendo que há — alguma conotação política para um julgamento antecipado de uma revisão que talvez ainda não fosse o momento de ser julgada. Isso tem que ser observado em relação a casos similares, como o Supremo tem se posicionado. A partir daí, pode-se analisar se há um componente de conveniência política ou não”, acrescenta.

Após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem dizendo que o ministro Nunes Marques pretendia soltar uma liminar sobre o pedido de revisão criminal da defesa de Jair Bolsonaro. Por nota, o gabinete do ministro informou que ele encaminharia a solicitação ao Plenário. Na última quarta-feira, 7 de outubro, reconsiderou afirmando que só analisaria o pedido após o segundo turno. 

“O ministro Nunes Marques entendeu, até acertadamente, que deixaria a análise para depois do segundo turno. Não necessariamente por ser presidente do TSE, mas porque foi uma decisão de bom senso, considerando que isso poderia conturbar ainda mais as eleições”, concluiu Rubens Beçak.

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Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula

A divulgação de um áudio em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter financiado o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, ampliou a disputa política entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ganhou novos contornos após o diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, denunciar um suposto acordo no qual Flávio negociaria uma delação de Vorcaro contra Lula e, em contrapartida, se comprometeria a proteger o banqueiro caso fosse eleito. A denúncia ainda precisa ser comprovada.

A revista Veja publicou nesta sexta-feira (9) trechos de uma gravação atribuída a Vorcaro, na qual ele afirma ter colocado dinheiro na produção do documentário sobre Lula e diz que o financiamento teria ocorrido de maneira irregular. Segundo a publicação, os pagamentos envolveriam cerca de R$ 30 milhões em espécie, além de repasses ao Instituto Lula. Até o momento, os valores mencionados não foram comprovados publicamente.

Antes da publicação da Veja, Rovai afirmou, em publicação na rede X nesta quinta-feira (8), que o vazamento estaria relacionado a um suposto entendimento entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Segundo o diretor da Fórum, o banqueiro teria interesse em divulgar informações contra Lula, enquanto o senador se comprometeria a protegê-lo caso fosse eleito presidente.

Celular de Vorcaro não registra o suposto pagamento

Uma apuração publicada pelo UOL nesta sexta-feira acrescentou informações ao caso. Segundo o veículo, as conversas extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, não apresentam registros de pagamentos ou patrocínios ao documentário de Oliver Stone. O aparelho contém, porém, referências a investimentos em produções sobre Jair Bolsonaro e Michel Temer.

O UOL também informou que o documento com o relato detalhado dos pagamentos de R$ 30 milhões em espécie, citado pela Veja, não aparece nas três propostas de delação apresentadas pela defesa do banqueiro. Uma dessas propostas, entretanto, mencionava o patrocínio a filmes sobre Lula e Michel Temer. Fontes ouvidas pelo UOL na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na PF disseram desconhecer a gravação e o documento específico descrito pela revista.

A PGR rejeitou a proposta de colaboração de Vorcaro por considerar que ela não apresentava novidades relevantes em relação às provas já obtidas. Segundo o UOL, o banqueiro não chegou a prestar depoimento oral no âmbito das tratativas. A defesa de Vorcaro afirmou que ele teria elementos para sustentar suas declarações.

Relação de Flávio com Vorcaro entra no radar da PF

A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro também aparece nas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens relacionadas à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar a produção. Segundo informações publicadas pelo UOL, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos para custear o projeto. Os valores negociados não devem ser confundidos com os recursos efetivamente transferidos.

Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, e afirmou que a reunião tratou do encerramento de sua participação no projeto. As movimentações financeiras relacionadas ao filme são objeto de investigação da Polícia Federal.

Campanha de Lula anuncia medidas judiciais

A controvérsia ganhou força às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A campanha de Lula negou as acusações relacionadas ao documentário e anunciou medidas judiciais contra Vorcaro e a revista Veja. Também acusou os envolvidos de tentar interferir no processo eleitoral. Entre as providências anunciadas estão pedidos de investigação e medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação das acusações.

O Grupo Prerrogativas também acionou a Polícia Federal para pedir a investigação de uma suposta articulação envolvendo Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro. A representação solicita que sejam verificadas informações sobre negociações para uma entrevista do ex-banqueiro a uma emissora de televisão e sobre a existência de uma gravação atribuída a ele. O grupo afirma que não teve acesso ao áudio e pede que as informações sejam apuradas pela polícia.

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“Supplying Crimea is turning into a nightmare”: Ukrainian drones hit Russian trucks 770 times in September, and winter will make it worse, analyst says

russian radar occupied crimea didn't see ukrainian drones coming became 28th air-defense asset wrecked · post supply trucks burning mariupol-melitopol highway main road russia's land corridor 29 2026 exilenova+ -

  • Ukraine's "middle strikes" on Russian logistics haven't let up
  • Ukrainian drones hit Russian trucks 770 times in September
  • A shift to protected convoys hasn't reduced the truck losses

Ukraine's campaign of so-called "middle strikes" targeting Russian supply lines isn't generating the same headlines it did back in the spring, when the campaign was intensifying.

But that doesn't mean Ukrainian units aren't launching thousands of drones a month and blowing up a lot of Russian trucks. Indeed, the pace of Ukrainian strikes, concentrated along the main supply routes threading through occupied southern Ukraine into occupied Crimea, has leveled off without ever really decreasing since an early summer surge.

It's evident Ukraine's middle-strike campaign "didn't stop and wasn't slowed down," noted French mapper Clément Molin, one of the most important observers of the counterlogistics campaign.

For September, Molin tallied 770 confirmed drone strikes on Russian trucks in the logistical zone 10 km beyond the line of contact. That's up from 630 strikes in August, 656 in July, and 586 in June, the month the campaign really got underway. There were just 214 strikes in May and at most a few dozen in each of the previous three months.

Whether Ukrainian troops can take advantage of the Russians' weakening logistics anytime soon is less evident.

Since June, the Ukrainians have hit around 700 Russian trucks a month that analysts can confirm with video and photographic evidence. There are undoubtedly many more damaged and destroyed trucks that left no digital evidence.

In southern Ukraine 🇺🇦 mid-range drone strikes continue to relentlessly target Russian 🇷🇺 road logistics

In total, more than 3 000 trucks and vehicles have been hit on key roads since May 2026, while the R-280 road remains at the heart of the attacks.

🧵THREAD🧵1/13 ⬇ pic.twitter.com/u9hixSvLAV

— Clément Molin (@clement_molin) October 7, 2026

There are thousands of Russian trucks on the road in Ukraine every day, so hitting 700 of them in a month won't immediately strangle Russian logistics. But that accumulating destruction does strain Russian logistics—and terrify the truck drivers who are in the drone crosshairs. "Russian drivers post videos on a daily basis, showing how dangerous a ride in southern Ukraine is getting," Molin wrote.

What's remarkable is that the counterlogistics campaign hasn't faltered even as the Russians have adapted. Early on, Russian trucks mostly traveled alone and without protection, making them fairly easy picking for a bevy of Ukrainian middle-strike drone types including the Hornet, the B-2, the RAM 2X, the Chaklun, and various high-endurance first-person-view quadcopters.

The drones ride along Ukraine's overlapping command and control systems, which include Starlink satellite terminals (some dangling from balloons) as well as mesh radio networks. Many of the drones have built-in AI for autonomously detecting and homing in on trucks in the final seconds of flight.

The moment the Hornet UAV struck a logistics vehicle in the occupied Kherson region. pic.twitter.com/Hc0DCcTnef

— Exilenova+ (@Exilenova_plus) October 7, 2026

Convoy operations

Reeling from the truck strikes, the Russians adapted this spring. Commanders began requiring all trucks to travel in convoys including mobile fire support groups, analysis group Tochnyi reported in May, citing Dmytro Putiata, a retired command post battle captain from the Ukrainian Unmanned Systems Forces 20th Brigade "K2."

Today the Russian convoys have a standard structure, according to Molin. "Convoys usually gather three to five trucks and two to three air-defense trucks." Combined with radio jamming gear that's increasingly common on both the supply trucks and the gun trucks, that's seemingly a lot of protection.

But the drones target the gun trucks, too, peeling back the protection in order to expose the supply trucks to follow-on attacks. In that way, the Ukrainians have sustained their attacks on the supply trucks despite the increase in mobile air defense activity along the most important supply routes.

Ukrainian drones hit 770 Russian military trucks in September 2026
Map: Euromaidan Press

And it's going to get worse for the Russians as fall wears into winter. "Supplying Crimea is turning into a nightmare and the arrival of winter and more difficult conditions will not help," Molin wrote.

There will be less foliage on the trees lining the roads, and thus less cover from Ukrainian surveillance. Moreover, Molin pointed out, "it will be more difficult to go off-road" and avoid the big paved roads that are the main drone kill zones.

Russian logistics are under pressure, and that pressure is only increasing. Ultimately, the Ukrainians aim to starve Russian forces in Crimea. Strikes on cargo ships plying the Black Sea prevent the Russians from simply shifting the logistics off the coast. Meanwhile, strikes on overland logistics "may lead to substantial softening of front-line positions," Tochnyi noted in May.

Softening those front-line positions to the point of melting away could facilitate what Tochnyi described as "eventual breakthrough operations" in occupied southern Ukraine.

It's not inconceivable. Ukraine's 3rd Army Corps recently proved, by way of its successful Operation Vivaldi, that local Ukrainian counteroffensives are possible.

But that doesn't mean they're easy. To win, the 3rd Army Corps had to carefully husband its forces and meticulously prepare the battlefield under conditions of strict secrecy before attacking. That same kind of preparation is underway along the supply lines into Crimea, but it's unclear whether local Ukrainian forces have enough combat power in reserve to shift from defense to offense and exploit Russia's deepening supply woes.

At least not yet.

3rd Army Corps troops.
Explore further

Ukraine retook 240 square km north of Lyman and nobody reported it for three months

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Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48% dos votos válidos no 2º turno

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52% das intenções de votos válidos no segundo turno da eleição presidencial de 2026, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). É o primeiro levantamento do instituto após a definição da disputa entre os dois candidatos.

Na simulação com votos totais, Flávio registra 49%, enquanto Lula soma 45%. Os eleitores indecisos representam 1%, e 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Por isso, a diferença de quatro pontos nos votos totais está no limite da margem de erro do levantamento.

Na pesquisa anterior do Datafolha, divulgada antes do primeiro turno, Lula tinha 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 46% de Flávio, cenário de empate técnico.

O resultado das urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, também favoreceu o senador do PL. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

Avaliação do governo Lula

O levantamento também mediu a avaliação do governo federal. Para 40% dos entrevistados, a gestão de Lula é ruim ou péssima. Outros 35% consideram o governo ótimo ou bom, enquanto 24% avaliam a administração como regular.

Na avaliação pessoal do presidente, 49% disseram desaprová-lo, ante 48% que afirmaram aprová-lo.

A pesquisa ouviu 2.520 eleitores entre os dias 6 e 7 de outubro. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02949/2026.

A campanha do segundo turno segue até a votação de 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo presidente da 

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Armored assaults aren’t dead. Robots got the credit, but it was Ukrainian infantry in armored trucks that reversed a year of Russian gains near Lyman

3rd Army Corps troops disembark from an armored vehicle.

  • Defying the trend toward footborne infantry assaults, the Ukrainian 3rd Army Corps deployed armored vehicles for Operation Vivaldi
  • The operation was a reminder that vehicles are still useful despite the ever-present danger from drones
  • But vehicles need a lot of support to give them a fighting chance

Armored vehicles aren't dead in Ukraine—they just need a lot of help. That's one of the biggest lessons from the Ukrainian 3rd Army Corps' Operation Vivaldi, its recent successful counteroffensive just north of the town of Lyman in eastern Ukraine's Donetsk Oblast.

Russia spent 18 months building its salient toward Sloviansk; Ukraine took much of it back in three. By 30 September, three of four planned phases in, the operation had returned 176 sq km to Ukrainian control, taken 250 Russian prisoners, and cost Russia more than 5,000 killed and wounded, Ukraine's presidential office said. It also foiled a Russian plan to break into the rear of the Sloviansk-Kramatorsk urban area, the office said.

Defying critics who insisted vehicles couldn't possibly survive in the drone-patrolled gray zone, the 3rd Army Corps repeatedly deployed mechanized forces as it counterattacked across a roughly 100 sq km salient the Russian 20th and 25th Combined Arms Armies had extended toward Sloviansk, one of the last two big free cities in Donetsk Oblast.

Maneuvering for months under a veil of secrecy, the 3rd Army Corps found and exploited gaps along the flanks of the 20th and 25th CAAs, ultimately breaking into the Russian armies' rears and forcing them to pull back across the Zherebets River in order to avoid encirclement.

Armored vehicles were key to the Ukrainian effort. They sped assault troops into battle, dropped them off under fire, and then supported them as they clashed with the Russians. "Maneuver warfare isn't going anywhere," stated Ryan O'Leary, a US Army veteran who once commanded volunteers in Ukraine.

475th Assault Regiment tanks under drone escort.
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Ukraine is now sending its tanks into battle with drone escorts: they can drive into a Russian kill zone and come back alive

3rd Army Corps commanders knew they were taking a risk deploying armored vehicles in a Russian-controlled salient patrolled by first-person-view drones from Russia's elite Rubicon Center drone unit. But they clearly believed that, with adequate support, the vehicles could accomplish their missions—and survive.

They were right. A dramatic video shot by 3rd Army Corps troopers depicts the troopers disembarking from their armored trucks and rushing into the fight while small arms fire clatters all around them.

Given the intensity of the Russian fire, a mechanized assault "was the only real way to push positions in an effective manner to keep losses low as well as gain and hold momentum and aggression," O'Leary wrote. Walking into battle under the cover of trees might help the infantry avoid the attention of overhead drones, but it takes too long to sustain an aggressive assault, and it can be difficult to mass enough footborne infantry to overcome stiff enemy defenses.

"This is something that hasn't changed even with the advent of drone warfare coming of age," O'Leary added. "Suppression tactics and such have changed and now there is more than just indirect fires and counterassaults that you must be able to suppress and plan for."

But the concept of the infantry-carrying armored vehicle "isn't going anywhere," O'Leary stressed. "Especially when it takes a drone tens of minutes to get to target area, acquire target and hit the target. Right now, the front is extremely susceptible to maneuvering forces on assaults if it is planned right and executed properly."

The 3rd Army Corps' Operation Vivaldi is an excellent example of an operation that was planned right and executed properly—in ways that helped the corps' mechanized forces fight and survive.

New footage shows Ukrainian forces storming and clearing Russian positions during the "Vivaldi" counteroffensive in the Lyman direction. The assault was captured firsthand by Ukrainian soldiers using GoPro cameras. pic.twitter.com/qxyNHl0n3A

— Vijesti (@Vijesti11111) October 6, 2026

Careful preparation

The corps explained that it deployed footborne scouts to find the best paths for follow-on vehicular assaults—and subsequent medical evacuations. Scouts "conducted recon of the front lines, ensured the breakthrough of equipment and led adjacent units along secret paths while evacuating the wounded," the 3rd Army Corps stated.

Ukraine liberates area above Lyman in Operation Vivaldi. Map: Euromaidan Press
Ukraine liberates area above Lyman in Operation Vivaldi. Map: Euromaidan Press

Before the armored vehicles rolled into action along the pre-scouted paths, the 3rd Army Corps deployed robotic engineering vehicles to clear Russian mines. After that, the corps sent in old BTR-60 wheeled armored vehicles modified for remote control and packed with anti-tank mines. These "robotic kamikaze complexes ... were used to demolish the enemy's strongest fortifications," the corps said.

Only after the assault routes were scouted and cleared of mines and Russian strongpoints did the manned vehicles and their precious infantry cargo roll out. We don't know how many losses the 3rd Army Corps' mechanized infantry suffered on the attack, but we do know they ultimately prevailed—when the battered Russian 20th and 25th CAAs retreated.

A BTR-60B. Source: Ukraine's Ministry of Defense.
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In Ukraine’s Vivaldi offensive, nobody rides in the BTR-60s. Bulgaria’s old troop carriers go into Russian bunkers packed with mines

"Recent Ukrainian operations demonstrate that maneuver is not dead," stressed Mick Ryan, a retired Australian army general. "Despite the difficulty in ground operations maneuver observed in eastern Ukraine over the past few years, offensive operations are still possible in modern war. But they need the intellectual effort to develop new techniques to make them viable and repeatable at scale."

In addition to the reconnaissance and robots-first engineering and suppression tactics the 3rd Army Corps employed, Ryan recommended commanders deploy more drone-grounding electronic warfare and use AI tools to help plan attacks.

But ages-old human elements are still essential, Ryan wrote. "Developing viable methods for offensive tactical and operational maneuver in the 21st century also demands the inclusion of older ideas about the employment of mass, logistic support and casualty evacuation [and the] maintenance of morale and leader's provision of purpose to their people."

Even when the assault route is clear, it's understandably terrifying to ride in an armored vehicle across drone-patrolled terrain. But a good leader can motivate their troops to try.

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Quem é Ana Elisa, jovem de 21 anos que saiu das redes para Câmara dos Deputados

Aos 21 anos, Ana Elisa Santos Silva deixou o ambiente das redes sociais para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, a estudante de Direito foi eleita deputada federal pelo PT com 524.219 votos e se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para o cargo. Ela também será a deputada federal mais jovem eleita pelo estado.

A votação consolidou nas urnas uma trajetória que começou antes da política institucional. Ana Elisa ganhou projeção na internet produzindo conteúdo sobre temas como racismo, feminismo, direitos sociais, educação e política. Sua presença digital cresceu durante a campanha e ultrapassou a marca de 2 milhões de seguidores no Instagram.

O desempenho nas redes chamou a atenção da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após o primeiro turno, Ana Elisa foi chamada para participar das discussões sobre a comunicação digital do candidato no segundo turno, em um momento em que a campanha petista passou a ampliar a aposta nas plataformas digitais.

Da internet para a política

A eleição de 2026 foi a primeira disputa eleitoral de Ana Elisa. Antes de entrar na corrida por uma vaga na Câmara, ela já utilizava as redes para tratar de questões políticas e sociais, estabelecendo uma comunicação voltada principalmente ao público jovem.

A estudante chegou a deixar um estágio no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais para disputar a eleição. Entre as pautas que defende estão a redução da jornada de trabalho, a defesa da educação pública, direitos trabalhistas e políticas de igualdade racial e de gênero.

Com 524.219 votos, Ana Elisa terminou a disputa como a segunda candidata mais votada para deputado federal em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). O resultado também garantiu sua eleição pelo sistema proporcional.

Quem é Ana Elisa, jovem de 21 anos que saiu das redes para Câmara dos Deputados
Deputada eleita pelo PT mineiro, Ana Elisa Santos Silva, é uma das apostas da campanha presidencial para 2º turno | Foto: Ricardo Stuckert

Filha de professora

A história familiar também aparece na trajetória da jovem parlamentar. Ana Elisa é filha de uma professora de português da rede pública e foi criada por uma mãe solo.

A educação ocupa espaço importante em sua história. Antes de chegar à Câmara, ela cursou Direito e chegou a obter nota 9,1 na redação do vestibular, resultado que costuma mencionar ao falar de sua trajetória acadêmica.

Fora da política, a mineira também compartilha aspectos pessoais nas redes sociais. Entre eles estão referências ao signo de Leão, a festa de 15 anos e registros de viagens com o namorado.

Reinado e Santa Efigênia

A ligação com a cultura e a religiosidade mineira também faz parte da identidade de Ana Elisa. Em Divinópolis, ela participa do Reinado, manifestação cultural e religiosa de forte presença em Minas Gerais e marcada por elementos de matriz afro-brasileira.

Em uma publicação nas redes sociais, a deputada eleita relacionou o Reinado à sua formação e destacou a importância da comunidade e da fé em sua história.

A devoção a Santa Efigênia também aparece em seus relatos. Para Ana Elisa, a relação com a santa está ligada à história familiar e à comunidade em que cresceu.

A combinação entre atuação política, presença digital e elementos da vida pessoal ajudou a construir a imagem pública da jovem que, aos 21 anos, se prepara para chegar à Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027.

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Com Flávio, o Brasil pode virar um grande garimpo

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O amor da família Bolsonaro pelo garimpo não é novidade. Ficou famosa a frase de Jair Bolsonaro de que ele mesmo gostava de “faiscar”, de pegar uma bateia e sair em busca de pepitas de ouro. Porém, essa visão romântica de como funciona a mineração não ajudou a esconder os enormes danos causados pela ilegalidade garimpeira nos quatro anos de sua gestão.

Dados da plataforma independente Amazon Mining Watch revelam que, durante o governo Bolsonaro, a velocidade de crescimento dos garimpos foi exorbitante. No início de 2019, quando se tornou presidente, o monitoramento por imagens de satélite mostrava que existiam 201,5 mil hectares de áreas de mineração de ouro na Amazônia. Quatro anos depois, já eram 401,5 mil hectares, uma área igual a 3,3 vezes a cidade do Rio de Janeiro e 92% maior que no início do governo.

Para fins de comparação, a mesma ferramenta, que utiliza inteligência artificial para analisar imagens Sentinel-2 com resolução de 10 metros, indica que, durante o governo de Lula 3, a taxa de crescimento foi bem menor – 24,3%, elevando o total de áreas de garimpo na Amazônia a 499 mil hectares até a metade desde ano. Este resultado coincide com o aumento de ações de fiscalização durante a gestão petista. A repressão ocorreu principalmente em áreas de mineração nas terras indígenas e pela apreensão de máquinas usadas pelos criminosos ambientais.

Durante o governo de Bolsonaro, foram muitas as evidências de que os garimpeiros ilegais tinham portas abertas nos gabinetes de Brasília. Uma investigação do The Intercept revelou gravações nas quais Eduardo Bim, então presidente do Ibama, órgão que deve zelar pela proteção ao meio ambiente, pedia para fiscais aliviarem a barra de uma empresa investigada por falsificar lavras de extração de ouro. 

Essas evidências, de que os interesses escusos estão intimamente conectados ao clã Bolsonaro, foram reforçadas na semana passada com uma reportagem da Agência Pública mostrando que um dos chefões dos garimpos na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foi um dos articuladores da fuga para os Estados Unidos de Alexandre Ramagem, o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão Bolsonaro. Foragido da justiça, Ramagem está condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista. 

Já faz mais de uma década que os arautos da extrema direita gostam de “lacrar” dizendo que o Brasil governado pelos candidatos de esquerda, como Lula e Dilma, estava a um passo de se tornar a Venezuela. Uma grande fake news: nada do que ocorreu aqui nas últimas duas décadas se compara com os sofrimentos causados pelos erros do chavismo no país vizinho. Aqui não houve mudança na Constituição para acabar com o limite de mandatos presidenciais. As eleições foram respeitadas e sempre aferidas por observadores transparentes. A autonomia entre os poderes segue preservada.

Mas é no tema da soberania sobre seus recursos naturais onde, infelizmente, Brasil e Venezuela estão se aproximando cada vez mais. A invasão promovida na Venezuela por Trump para impor um governo subserviente aos interesses dos Estados Unidos gerou uma nova corrida pelo ouro e minérios daquele país. A atual presidente, Delcy Rodríguez, tem se mostrado pródiga em deixar a exploração de petróleo e ouro nas mãos do governo norte-americano – em 18 de setembro, por exemplo, o Financial Times noticiou que  31 toneladas em barras de ouro estavam sendo negociadas para serem transferidas da Venezuela para o Banco Central dos EUA.

Isso ocorre exatamente no momento em que operações do exército venezuelano, com ajuda militar norte-americana, tentam dominar a atuação de grupos ilegais no Arco Mineral do Orinoco, uma grande zona mineira criada em 2016 por Nicolás Maduro com o objetivo de gerar novas receitas para seu regime autoritário. Nunca deu certo, pois as minas de ouro foram sempre controladas pelos chamados “sindicatos”, organizações infra-legais atuando em conluio com militares corruptos.

Até o momento, as ações de repressão também não estão funcionando. Como mostrou o site de notícias Armando.info, os grupos criminais continuam hackeando o sistema e contrabandeando ouro ilegal para dentro do mercado norte-americano. Na verdade, mais do que isso: a Venezuela se tornou um hub de lavagem de ouro ilegal. Os garimpos que ainda continuam operando em territórios indígenas no Brasil têm usado a estrutura clandestina do país vizinho para exportar ouro à Índia, Oriente Médio, EUA e Europa.

Assim como a venezuelana Delcy Rodríguez, Flávio Bolsonaro mostrou-se disposto a sacrificar a soberania de seu país. Já deu muitos sinais de que vai abrir portas para uma intervenção norte-americana para combater o crime organizado, caso eleito. Em todos os países da América Latina onde isso ocorreu, os resultados têm sido desastrosos. A presença dos Estados Unidos na Colômbia, no Peru, no México e na Venezuela não alterou o quadro de ilegalidade generalizada. Apenas levou a uma valorização dos produtos ilícitos, intensificação da violência e impulsionou a reorganização dos grupos criminosos.

Talvez o leitor menos conhecedor das agruras geradas pela mineração ilegal na Amazônia possa perguntar porque afinal não deveria o Brasil aproveitar a oportunidade e lucrar com as altas cotações do ouro. A questão é que, por detrás dos garimpos, há uma cadeia de danos ambientais e sociais. Se aqui, como na Venezuela, o caminho for fazer um acordo com os Estados Unidos, é muito provável que eles fiquem com os ganhos e nós com a contaminação dos rios e matas.

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40% de quem faltou ao 1º turno descartam votar no segundo, diz Real Time Big Data

A participação dos eleitores que não foram às urnas no primeiro turno pode se tornar um dos pontos de atenção da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Levantamento divulgado nesta quinta-feira (8) pelo Real Time Big Data mostra que 78% das pessoas que deixaram de votar na primeira etapa não demonstram intenção de comparecer no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Desse total, 40% afirmam categoricamente que não irão votar novamente. Outros 38% consideram provável que permaneçam fora da votação. O levantamento aponta ainda que 8% estão em dúvida sobre o comparecimento, enquanto 7% dizem que provavelmente irão às urnas e outros 7% garantem que votarão.

O comportamento desse eleitorado ganha relevância diante do resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os dois candidatos faz com que a busca por votos entre os eleitores que escolheram outros candidatos e a tentativa de ampliar o comparecimento às urnas estejam entre os fatores que podem influenciar a disputa.

Eleitores de candidatos derrotados avaliam nova escolha

A pesquisa também mediu o quanto os eleitores dos candidatos que não avançaram para o segundo turno já decidiram quem apoiarão na próxima votação.

Entre aqueles que escolheram Augusto Cury (Avante), o cenário é de maior abertura para mudanças. Mais da metade, 52%, afirma que está com a decisão praticamente tomada, mas ainda admite alterar o voto.

Já 22% desse grupo consideram a escolha totalmente definida. Outros 14% ainda não decidiram em quem votarão, enquanto 12% aparecem na pesquisa na condição de indecisos.

O eleitorado de Renan Santos (Missão) apresenta um quadro diferente. A maior parte, 77%, afirma já ter definido completamente o voto para o segundo turno.

A parcela que ainda pode mudar de posição corresponde a 10%. Outros 10% também demonstram indefinição sobre a escolha, classificados pelo levantamento como bastante indefinitivos. Apenas 3% dizem estar totalmente sem definição sobre o voto.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, a pesquisa identificou uma disposição maior para participar da votação. O levantamento aponta que 74% pretendem comparecer às urnas no dia 25.

Outros 16% consideram provável que votem. Há ainda 5% que não sabem se irão participar da votação, enquanto 3% provavelmente não comparecerão. Os que descartam o voto de forma definitiva representam 2%.

Disputa chega ao segundo turno após vantagem de Flávio

A primeira etapa da eleição terminou com Flávio Bolsonaro na primeira colocação. O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%.

Na sequência, Augusto Cury alcançou 2,89% e terminou em terceiro lugar. Renan Santos teve 2,24% e ficou na quarta posição. Ronaldo Caiado registrou 2,18%, terminando a primeira etapa em quinto.

Agora, Lula e Flávio disputam os votos dos candidatos eliminados e dos eleitores que não participaram da primeira votação. Para a campanha petista, a mobilização de quem se absteve está entre as estratégias para tentar reduzir a vantagem conquistada pelo adversário.

O levantamento foi realizado pelo Real Time Big Data nos dias 6 e 7 de outubro, com 1,6 mil entrevistados. A amostra foi formada por quatro grupos de 400 pessoas: eleitores de Augusto Cury, eleitores de Renan Santos, eleitores de Ronaldo Caiado e eleitores indecisos.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

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Disputa pela PEC do fim da 6×1 opõe governo e oposição no Senado antes do 2º turno

A tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 ganhou novo peso no Senado em meio à reta final do segundo turno das eleições presidenciais. O governo trabalha para acelerar a análise e tentar levar a proposta à votação antes de 25 de outubro, enquanto a oposição, liderada pelo PL, busca postergar a decisão para depois do pleito.

Na quarta-feira (7), os senadores realizaram a segunda das cinco sessões de discussão previstas antes da votação em primeiro turno. Assim como na primeira sessão, a presença de parlamentares da oposição foi reduzida, enquanto integrantes da base governista participaram em maior número. Uma terceira sessão está prevista para esta quinta-feira (8), seguida de outras duas na próxima semana.

Pelo calendário divulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a expectativa é que o primeiro turno ocorra em 15 de outubro. A votação, porém, pode ter o cronograma alterado caso seja aprovado um requerimento para acelerar a tramitação.

Oposição quer deixar votação para depois das eleições

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, defende que a PEC não seja votada durante o período eleitoral. Para ele, uma mudança dessa dimensão deveria ser analisada fora do contexto das eleições.

Marinho classificou a discussão neste momento como oportunista e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria tentando recuperar espaço junto ao eleitorado.

Apesar da intenção de atrasar a análise, a oposição ainda não fechou uma estratégia única para a votação. Parlamentares do grupo, principalmente do PL, defendem que o Senado siga rigorosamente as regras regimentais e que não haja mudanças no rito para acelerar o processo.

O tema também gera um dilema eleitoral para os oposicionistas. Há preocupação de que a aprovação da PEC possa favorecer a candidatura de Lula, mas, ao mesmo tempo, uma eventual posição contrária à redução da jornada poderia trazer dificuldades para a campanha de Flávio Bolsonaro.

O candidato do PL afirmou na quarta-feira (7) que possui uma alternativa ao modelo defendido pelo governo para acabar com a escala 6×1. Marinho também se posicionou contra o texto em discussão e defendeu uma proposta que já tramita no Senado.

A alternativa prevê maior flexibilidade na organização das jornadas, com possibilidade de remuneração proporcional às horas trabalhadas. Na avaliação de Marinho, a definição da escala não deveria ser imposta de maneira única e poderia ser estabelecida por meio de negociações.

Governo articula calendário especial

Enquanto a oposição tenta ganhar tempo, a liderança do governo no Senado trabalha para reduzir o prazo de tramitação. A líder governista, Teresa Leitão (PT-PE), articula a coleta de assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial.

A intenção é permitir que a PEC avance mais rapidamente e seja votada antes do segundo turno. Para isso, o governo pretende utilizar uma possibilidade prevista no regimento do Senado que permite reduzir o intervalo entre as votações.

Atualmente, o rito estabelece cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e outras três antes da segunda votação. Também existe previsão de um intervalo de cinco dias úteis entre os dois turnos, chamado de interstício.

O regimento, porém, permite que esse intervalo seja dispensado caso o plenário aprove a medida. É justamente essa possibilidade que o governo pretende utilizar para tentar acelerar a conclusão da análise.

Alcolumbre afirmou que, caso um requerimento seja apresentado à Mesa, colocará a proposta em votação para que os próprios senadores decidam sobre a mudança no calendário.

PEC estava parada desde maio

A proposta permaneceu sem avanço no Senado desde maio, quando foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Alcolumbre havia evitado colocar a matéria em discussão no plenário nos meses seguintes, argumentando que o tema poderia interferir no ambiente eleitoral.

As negociações para destravar a tramitação avançaram no fim de agosto, durante um almoço que reuniu Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, foi discutida a pauta da semana de esforço concentrado, que acabou incluindo a PEC.

Com o acordo para retomar a discussão, o Senado iniciou nesta semana o calendário de sessões que antecedem a votação. Pelo cronograma anunciado por Alcolumbre, a primeira análise em plenário pode ocorrer em 15 de outubro.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado | Foto: Divulgação

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