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Sindicato alemão diz que Lufthansa pagou preço “excecionalmente elevado” pela TAP. E não está sozinho


Aviões da TAP Air Portugal e da Lufthansa no aeroporto de Lisboa. JOÃO RELVAS/LUSAJOÃO RELVAS/LUSA

O Vereinigung Cockpit, sindicato dos pilotos alemães, considera que a Lufthansa pagou um preço “excecionalmente” caro pela participação minoritária na TAP. E não está sozinho. Analistas e imprensa alemã também apontam para um valor elevado.

“O resultado constitui sobretudo um grande sucesso para o Governo português: consegue um preço excecionalmente elevado por uma participação minoritária e, ao mesmo tempo, mantém a maioria do capital da empresa”, afirma o Vereinigung Cockpit numa nota publicada esta sexta-feira no seu site.

O sindicato sustenta a análise no facto de a oferta da Lufthansa por 44,9%, de 1.025 milhões de euros (pelos 49,9% sobe para 1.201 milhões) ser 21% mais elevada que a da Air France-KLM, cuja proposta foi preterida pelo Governo.

“É igualmente de salientar que a International Airlines Group (IAG), o mais rentável dos três grandes grupos europeus de companhias aéreas de rede, retirou a sua participação no concurso”, afirma Oliver Löwe, vice-presidente da Vereinigung Cockpit, citado no comunicado. “Aparentemente, o fator decisivo foi o facto de uma participação minoritária, sem um caminho garantido para o controlo total, não ser suficientemente atrativa do ponto de vista económico para a IAG”, acrescenta.

O sindicato alemão realça também o que considera ser uma contradição entre a indisponibilidade para ir mais longe na melhoria das condições dos trabalhadores e a oferta generosa feita pela TAP. “Quem em Lisboa convence pela sua força financeira e está disposto a pagar um prémio significativo por uma participação minoritária não pode, ao mesmo tempo, agir perante os seus próprios trabalhadores como se cortes duros fossem inevitáveis. A administração tem de explicar por que razão, aparentemente, se aplicam critérios económicos diferentes às aquisições e às pessoas que, todos os dias, asseguram o sucesso do grupo”, afirma Oliver Löwe.

O Vereinigung Cockpit afirma ainda que vai intensificar ainda mais a sua longa e consolidada cooperação com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) em Portugal. A estrutura portuguesa dirigiu uma carta ao CEO da Lufthansa a transmitir o apreço pela operação e já se congratulou publicamente com a escolha do grupo alemão, considerando que “esta nova etapa poderá representar um passo fundamental para assegurar a estabilidade, competitividade e sustentabilidade futura da companhia aérea portuguesa”. O Sindicato Independente de Pilotos de Linhas Aéreas (SIPLA) também saudou hoje a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP e anunciou que vai solicitar reuniões ao Governo e à gestão da companhia aérea portuguesa.

Carsten Spohr, CEO da Lufthansa.Lufthansa 2024

Analistas também veem preço elevado

O sindicato alemão não é o único a considerar o preço elevado. “A avaliação parece elevada e reflete sobretudo a escassez estratégica do ativo”, afirma o ODDOBHF numa nota enviada aos clientes.

O grupo independente de serviços financeiros franco-alemão assinala que, com base nos resultados da TAP de 2025, a operação da Lufthansa implica múltiplos de 1,1 vezes as receitas e 5,9 vezes o EBITDA recorrente (incluindo dívida de locações sem opção de compra). Sem uma melhoria nas contas da TAP no segundo semestre deste ano, o que normalmente ocorre, o múltiplo poderá atingir 8,3 vezes o EBITDA. “Em comparação, as empresas que acompanhamos negoceiam, em média, a 4,6 vezes o EBITDA de 2026 e 3,8 vezes o de 2027, incluindo as companhias low-cost”, aponta.

“O prémio pago pela Lufthansa é, portanto, significativo e coloca a captura de sinergias no centro da equação financeira”, conclui o ODDO BHF. Assinala, ainda assim, a importância estratégica da aquisição por dar à Lufthansa uma quota de 20% na América do Sul.

Também o banco de investimento Bernstein, que chegou a estimar cerca de 700 milhões de euros para a participação de 44,9% da TAP, considerou o investimento na TAP “estrategicamente sólido, mas caro”, tendo em conta os múltiplos implícitos no negócios.

Na imprensa alemã também há quem questione o preço. “A Lufthansa venceu a disputa por uma participação na TAP Air Portugal e está sobretudo de olho no negócio em direção à América do Sul. Mas a compra é cara”, afirma o site WirtschaftsWoche.

Operação permitirá criar novos empregos

Já o chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, defendeu junto do homólogo português que a aquisição de parte da TAP pela companhia aérea alemã Lufthansa vai “fortalecer a Europa como localização” e permitirá criar novos empregos.

Numa conferência de imprensa conjunta em Berlim, após um encontro com Paulo Rangel, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão destacou a “estreita cooperação estratégica” entre Portugal e Alemanha, relatou a agência Lusa.

Para Wadephul, a decisão do Governo português de escolher a companhia aérea alemã Lufthansa para adquirir parte do capital da TAP vai nesse sentido. “Muito está a ser investido nesta parceria, especialmente em Portugal, e muitos contactos, cooperações e novos empregos vão surgir”, destacou na mesma conferência de imprensa, transmitida em direto através a plataforma Youtube.

Por seu lado, o ministro Paulo Rangel afirmou que o Governo português está “muito satisfeito” com o negócio, que classificou como “um enorme sucesso”. “Algo que distingue as empresas alemãs é a mentalidade. Isso significa que pensam a médio e longo prazo. E claro, isso também ficou muito claro nesta transação”, comentou.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português disse esperar que a compra seja concluída no próximo ano, “com base nas regulamentações europeias” e fez votos de que o negócio “traga frutos positivos para ambos os países, mas também para a Europa”. E, destacou, “é também muito favorável para ambas as empresas”.

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Lufthansa paga sinal de até 30 milhões pela privatização

Valor resulta de um despacho publicado em julho, que fixou a prestação pecuniária inicial em 2,5% do montante oferecido pelas ações a adquirir no âmbito da venda direta de referência.

© MÁRIO CRUZ/EPA

Conclusão da operação está prevista até ao início de 2028
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Nova escola de pilotos: Chega questiona escolha de Tancos

Deputado do Chega quer saber motivo para Tancos ser melhor solução do que Beja para receber a nova escola de pilotos: "Opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo".

© NUNO VEIGA/LUSA

"A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja", frisou o deputado
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Lufthansa tem de pagar ‘sinal’ de até 30 milhões pela compra da TAP


A Lufthansa vai ter de realizar ainda este ano um pagamento inicial ao Estado de 2,5% do valor que ofereceu pela TAP, além de prestar garantias bancárias. Determinação consta da Resolução de Conselho de Ministros que seleciona o grupo alemão para ficar com até 49,9% da companhia aérea.

O caderno de encargos da privatização dava ao Governo a possibilidade de exigir o vencedor um pagamento inicial “no valor de até 5 % do valor global oferecido pelo conjunto das ações da TAP, a adquirir nos termos constantes da proposta selecionada”. Um despacho publicado em junho fixou esse ‘sinal’ em 2,5%.

O diploma aprovado no Conselho de Ministros de quarta-feira passada, diz que “o proponente selecionado deve (…) comprovar a realização do pagamento da prestação pecuniária inicial e prestar a respetiva garantia bancária, ou outro instrumento financeiro idóneo para o mesmo efeito.

Se for considerada a oferta total da Lufthansa de 1.201 milhões de euros pelos 49,9% — que incluem os 5% destinados preferencialmente aos trabalhadores — o pagamento inicial será de 30,03 milhões de euros. Caso o critério sejam os 44,9%, o ‘sinal’ será de 25,63 milhões.

Quando é que é devido o pagamento? O despacho de julho diz que “o pagamento da prestação pecuniária inicial (…) deve ser efetuado até à data da celebração dos instrumentos contratuais que concretizam a venda direta de referência”. Ora o Governo já afirmou que quer assinar os contratos com a Lufthansa até ao final do ano.

A Lufthansa tem também de prestar garantias bancárias para o valor oferecido. No final de junho o grupo alemão tinha disponibilidades de liquidez de 10.727 milhões de euros.

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21h. TAP. PR diz que privatização total precisa de consenso

Chefe de Estado pede cautela na opção posta em cima da mesa pelo primeiro ministro e pela Lufthansa. Ainda, mais de mil manifestantes na Praça D. João I, no Porto, em novos protestos pela habitação.

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12h. Porto. Presidente da CM diz que PSP atuou dentro da lei

Os Manifestantes no Porto denunciaram carga policial com 37 feridos, sendo dois graves. Ainda, presidente executivo da Lufthansa confirma o objetivo de adquirir a totalidade da TAP.

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Compra da TAP pela Lufthansa gera 450 milhões em sinergias

Companhia alemã estima em 450 milhões de euros as sinergias obtida com a participação minoritária na TAP. Maioria dos ganhos é gerada na empresa portuguesa e devolvidos via dividendos à Lufthansa.

© AFP via Getty Images

Presidente executivo da Lufthansa diz que a TAP foi a única companhia lucrativa que a Lufthansa comprou
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9h. Governo quer consenso para privatizar 100% da TAP

Ministro das Infraestruturas fala numa "obrigação moral" de vender TAP a 100%. Ainda, sondagem da Intercampus revela empate técnico entre PS, Chega e AD nas intenções de voto nas eleições legislativas

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Os trunfos que deram a vitória à Lufthansa na corrida à TAP

A oferta mais alta foi decisiva, mas uma proposta de ações para o Estado e uma escola de pilotos em Tancos também contribuíram para a vitória do grupo alemão. A privatização da TAP em 14 respostas.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Pinto Luz e Luís Montenegro relançaram o cenário de venda total da TAP nesta legislatura, mas decisão implica apoio de pelo menos um dos maiores partidos da oposição
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O que ganha Portugal com a privatização da TAP?

Filipe Costa (PS) rejeita privatização total e defende os 49,9%. Jorge Miguel Teixeira (IL) defende venda a 100%, mas pede clareza. Gonçalo Lage (PSD) rejeita dúvidas e destaca o potencial da TAP.

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18h. TAP. Lufthansa disposta a comprar totalidade da empresa

Companhia vencedora da privatização da TAP saúda decisão do Governo e antevê um futuro de sucesso. Ainda, Mário Centeno critica mudanças recentes na Educação, que criaram “problemas que não existiam”.

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17h. TAP. Chega quer assegurar base da empresa em Portugal

Partido de André Ventura anuncia cinco exigências para o Governo na venda da companhia aérea. Ainda, PS diz que privatização parcial vem dar razão ao partido. Il quer conhecer a estratégia do Governo.

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16h. Privatização da TAP. PS reclama os louros do negócio

PS iniciou privatização da TAP em 2023, interrompida pelo Presidente da República. AD lançou um novo processo em 2025. Ainda neste jornal, Livre pede esclarecimentos sobre negócio com a Lufthansa.

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Lufthansa propõe investir 500 milhões na base de Tancos

Proposta do grupo alemão que foi escolhida para a TAP prevê a instalação de escola de pilotos no aeródromo militar de Tancos que envolve o uso da pista também para voos civis. Estado será parceiro.

© TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

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13h. Lufthansa escolhida para privatização da TAP

Decisão anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no final do Conselho de Ministros extraordinário desta quarta-feira. Além da companhia alemã, estava também na corrida a Air France-KLM.

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9h. Presidente do Metro de Lisboa não vê motivos para greve

A paralisação dos trabalhadores do Metro de Lisboa de hoje é sem serviços mínimos. Ainda, é conhecido hoje o vencedor da privatização parcial da TAP.

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