❌

Reading view

TCU aprova contas do BC de 2025 após desvincular processo do Master

Logo Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, nesta terça-feira (20), as contas do Banco Central (BC) referentes ao exercício de 2025 e concedeu quitação plena aos nove responsáveis pela gestão analisada, entre eles o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. A decisão foi tomada pela Segunda Câmara da Corte, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira, uma semana depois de o julgamento ter sido suspenso por causa de possíveis desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.

Com a nova deliberação, o TCU considerou regulares as contas anuais do Banco Central e encerrou esse processo. A decisão, no entanto, não representa o fim da apuração sobre a atuação da autoridade monetária na liquidação extrajudicial do Banco Master, que continua sendo examinada em procedimento separado no tribunal.

Recuo

Notícias relacionadas:

Na semana anterior, a Segunda Câmara havia suspendido o julgamento das contas do Banco Central a pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU). A justificativa era que os fatos investigados no caso Master poderiam ter consequências para a avaliação da gestão da instituição.

Na ocasião, os ministros decidiram aguardar o trânsito em julgado da deliberação sobre a atuação do Banco Central no caso. Isso significa esperar que a decisão do processo relacionado à liquidação do Master se torne definitiva, sem possibilidade de novos recursos na via correspondente.

Nesta terça-feira, porém, o relator Jorge Oliveira retomou a análise das contas e reconheceu que a prestação de contas de 2025 deveria ser examinada com base nos elementos específicos daquele processo.

Segundo a avaliação registrada no julgamento, os documentos reunidos não demonstravam irregularidades capazes de comprometer a regularidade das contas. O entendimento também estava alinhado à análise da área técnica do TCU, que já havia recomendado a aprovação.

O que foi aprovado

A decisão trata da prestação de contas anual do Banco Central, procedimento pelo qual o TCU verifica se a gestão de um órgão público respeitou as normas legais e administrativas aplicáveis.

Nesse tipo de análise, o tribunal examina, entre outros aspectos, a legalidade dos atos de gestão, a administração dos recursos públicos e o cumprimento das responsabilidades institucionais.

A Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (AudBancos), responsável pela análise técnica do caso, havia considerado regulares as contas dos nove responsáveis e recomendado a concessão de quitação plena.

A quitação significa que, no âmbito desse processo de prestação de contas, o tribunal reconhece como regular a gestão examinada e dá por cumpridas as obrigações dos responsáveis relativas ao período analisado.

Com a aprovação, o processo de contas de 2025 foi encerrado. A decisão não equivale, porém, a uma declaração geral de que todos os atos do Banco Central relacionados ao Banco Master foram regulares.

Caso Master segue aberto

A investigação sobre a atuação do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master tramita em outro processo no TCU, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus. Até esta terça-feira, não havia data definida para o julgamento pelo plenário da Corte.

O procedimento examina a atuação da autoridade monetária na fiscalização e na supervisão do Banco Master, incluindo as medidas que levaram à liquidação extrajudicial da instituição, decretada em novembro de 2025.

A apuração também envolve questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo Banco Central no acompanhamento das atividades do banco. A conclusão desse processo dependerá da análise específica dos fatos e dos documentos reunidos.

Portanto, a aprovação das contas anuais não antecipa o resultado da investigação. O TCU poderá avaliar a atuação do Banco Central no caso Master de acordo com as provas e os argumentos apresentados no processo próprio.

Entenda a liquidação

A liquidação extrajudicial é um regime aplicado pelo Banco Central a instituições financeiras em determinadas situações previstas em lei, com o objetivo de encerrar suas atividades de forma organizada e proteger os interesses envolvidos, como os de credores e depositantes, conforme as regras aplicáveis.

No caso do Banco Master, a decisão de liquidar a instituição passou a ser objeto de questionamentos no TCU, que busca verificar se a autoridade monetária observou os procedimentos legais e exerceu adequadamente suas atribuições de fiscalização e supervisão.

A análise do tribunal não se confunde com a decisão administrativa do Banco Central. Cabe ao TCU fiscalizar a legalidade dos atos e procedimentos examinados, sem substituir automaticamente a autoridade monetária em suas competências regulatórias.

Impasse entre órgãos

O caso ganhou repercussão no início de 2026, quando o ministro Jhonatan de Jesus determinou uma inspeção para examinar os procedimentos que levaram à liquidação do banco. Ele apontou a necessidade de obter esclarecimentos e documentos sobre a atuação do Banco Central.

A autoridade monetária questionou a determinação, argumentando que a inspeção deveria ser autorizada por decisão colegiada do TCU. Posteriormente, a medida foi suspensa para que a controvérsia fosse submetida ao plenário.

Em janeiro, após uma reunião com Gabriel Galípolo, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que um entendimento entre as instituições havia afastado a necessidade de uma medida cautelar para suspender a liquidação do Banco Master.

A investigação, contudo, permaneceu em andamento. A aprovação das contas de 2025, decidida nesta terça-feira, resolve apenas a análise anual da gestão do Banco Central e não encerra os questionamentos específicos sobre o caso Master.

  •  

‘Dark Horse da Shopee’: 2º filme sobre Bolsonaro teve convite a Vorcaro e é alvo da Ancine

Um segundo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro guarda muitas semelhanças com Dark Horse, produção que ficou famosa por ter recebido pelo menos R$ 62 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e por ter colocado o candidato à presidência Flávio Bolsonaro sob investigação da Polícia Federal. Entidades ligadas ao documentário A Colisão dos Destinos, que estreou em maio nos cinemas com salas vazias, também receberam emendas parlamentares de deputados bolsonaristas — entre eles Mario Frias (PL-SP). Assim como Dark Horse, o documentário está mencionado em mensagens do celular de Vorcaro, que foi convidado a ver a obra em uma sessão particular junto com Flávio e Jair. A diferença, no entanto, é o valor da produção.

Enquanto a produção internacional teve custo declarado de R$ 75,1 milhões – valor maior que grandes produções como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto -, A Colisão dos Destinos teria gasto apenas R$ 4,5 mil, conforme declarou a produtora à Agência Nacional de Cinema (Ancine).

Por conta deste valor, considerado baixo pela agência para um longa-metragem, a Ancine abriu uma diligência contra a produtora Dori Filmes, responsável pelo documentário. O filme foi lançado simultaneamente em 17 estados, em maio deste ano, e tem participações do ex-presidente e seus filhos, além de políticos bolsonaristas.

Em um documento obtido pela Agência Pública, a Ancine solicita que a Dori Filmes confirme o valor do financiamento. “O valor informado não condiz com os custos de uma obra audiovisual”, justificou a diligência. Em resposta, a produtora alegou que não houve gastos com produção e finalização porque “todos os técnicos trabalharam de forma voluntária, como parceiros da obra”, tratando-se de um projeto “inteiramente sem dinheiro”.

Peça de divulgação de documentário sobre Jair Bolsonaro, que estreou em maio

Apesar da alegação, a Dori Filmes e outra entidade audiovisual também ligada ao diretor Doriel Francisco receberam R$ 860 mil em emendas parlamentares dos deputados federais Mario Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, além de R$ 22 mil da cota parlamentar de Frias. Além disso, também houve pagamentos de R$ 600 mil por meio do diretório do Partido Liberal e R$ 84 mil da ONG Academia Nacional de Cultura, comandada por Karina Gama, a produtora de Dark Horse. O montante total recebido pelas entidades ligadas ao documentário foi de R$ 1,5 milhão.

Os recursos entraram no caixa das entidades ligadas ao documentário A Colisão dos Destinos no período em que estava sendo produzido. Somente a Dori Filmes, de propriedade de Francisco, ficou com R$ 106,4 mil desse total.

O relatório da Ancine também aponta que o deputado federal Mário Frias ocupou a função de produtor executivo do filme, cargo que é responsável pela gestão financeira da produção. O documento cita ainda que o argumento do documentário foi escrito por Frias em parceria com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que foi cassado em 2025 e que atualmente vive nos Estados Unidos.

A Pública foi ao endereço oficial da Dori Filmes, na zona rural de Sobradinho, no Distrito Federal. Em vez de uma sede empresarial, a reportagem encontrou casas simples e sem muro em um terreno de difícil acesso por estrada de terra. Não há indícios físicos da produtora no local, e um vizinho afirmou desconhecer a existência da empresa. Disse também nunca ter ouvido falar de Doriel Francisco.

Endereço que consta como sendo da produtora Dori Filmes

Além da diligência sobre o valor da obra, a Ancine também abriu uma investigação para apurar os dados de exibição do documentário nos cinemas. A agência informou, em resposta à Pública via Lei de Acesso à Informação, que a distribuidora de A Colisão dos Destinos (função que foi exercida pela própria Dori Filmes) não reportou quantas salas exibiram a obra e qual foi o tamanho do público. O envio destas informações é obrigatório. A empresa foi notificada e está correndo o prazo para enviar os dados de forma voluntária.

A Colisão dos Destinos estreou em 14 de maio, em 56 salas de cinema que permaneceram esvaziadas. O lançamento ocorreu um dia depois de O Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para produzir Dark Horse. Este valor, no entanto, é superior aos R$ 75,1 milhões declarados pela produtora de Karina Gama à Ancine. Por conta disso, o candidato à presidência é investigado por suspeita de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. 

Nos bastidores da Ancine, A Colisão dos Destinos foi apelidada de “Dark Horse da Shopee” por remeter a uma versão de baixo orçamento do longa de produção internacional.

Frias queria exibir filme a Vorcaro junto com Flávio e Jair Bolsonaro

A Colisão dos Destinos também aparece nas conversas vazadas do celular de Vorcaro, às quais a Pública teve acesso. Em 21 de março de 2025, Mario Frias procurou o banqueiro às 7h25 da manhã. “Bom dia, irmão”, ele disse. Em seguida, enviou um arquivo de vídeo com o trailer do documentário.

O deputado disparou várias mensagens em sequência para Vorcaro:

“Quando você quer assistir ao documentário? Aí no dia sala? Só me fala dia e hora convida o Ciro kkkk [sic]. E bora assistir ‘A Colisão dos Destinos’. O único documentário do mundo feito sobre o homem. Tmj”, escreveu. Vinte minutos depois, Vorcaro respondeu apenas “Bom dia”.

Frias continuou: “Só marcar. Tá pronto. Chama quem você quiser e me fala dia e hora, irmão. Vc vai adorar o filme.” O banqueiro sinalizou que poderia “na outra semana”, “pois a que vem não irei a bsb”, continuou. O deputado respondeu: “Fechado”.

Em outra conversa, de 27 de março de 2025, o empresário e lobista Thiago Miranda diz a Vorcaro que Flávio Bolsonaro e Frias pediram para levar Jair Bolsonaro para assistir ao documentário na casa de Vorcaro. “Flavio e Mario me pediram isso. Querem levar o presidente na sua casa para assistirem juntos com vc o documentário”, disse.

O banqueiro mais uma vez foi sucinto: “Vamos marcar sim”. Miranda insistiu: “Me passa duas opções de data que fica melhor pra você semana que vem?” Não fica claro, pelas mensagens, se o encontro aconteceu. Na época, a assessoria de Flávio negou que tenha ocorrido.

Na pré-estreia do filme, o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, disse à CNN que o filme iria reforçar a campanha de Flávio à presidência da República. “Eu vou fazer campanha com este documentário nos municípios do meu estado para todos verem a história de um homem que admiramos.” O filho de Bolsonaro teve 47% dos votos válidos no primeiro turno das eleições.

Nós procuramos Doriel Francisco, Dori Filmes, Mario Frias, Marcos Pollon e Eduardo Bolsonaro, mas não obtivemos resposta até a sua publicação. O espaço permanece aberto.

Dinheiro de ONG ligada a Dark Horse

A Colisão dos Destinos também tem relação com a ONG Academia Nacional de Cultura, comandada por Karina Gama, a produtora de Dark Horse. A ONG fez um repasse de R$ 84 mil para a Dori Filmes entre 2025 e 2026. A informação consta de um relatório da Polícia Federal, revelado pela Folha de S.Paulo, no contexto das investigações sobre o Dark Horse. Até o momento, a produtora não se manifestou sobre o motivo do pagamento.

Em 2024, ano em que A Colisão dos Destinos foi rodado, Mário Frias repassou R$ 22,4 mil de sua cota parlamentar à Dori Filmes por serviços de divulgação do mandato, como revelado pelo Metrópoles. Segundo as notas fiscais apresentadas à Câmara, com valores entre R$ 3,5 mil e R$ 7 mil, a produtora teria confeccionado folders e vídeos sobre a atuação do deputado.

Ainda naquele ano, Frias também destinou uma emenda parlamentar de R$ 180 mil, via Ministério da Cultura, para a ONG Passos da Liberdade. O diretor Doriel Francisco integra a presidência da entidade como primeiro secretário e é coautor de outras obras audiovisuais da organização.

A Passos da Liberdade ainda recebeu verbas de emendas de Eduardo Bolsonaro, enquanto ainda tinha mandato, e do deputado Marcos Pollon, nos valores de R$ 500 mil e R$ 180,9 mil, respectivamente. Na época, os deputados disseram que o dinheiro seria para o financiamento do documentário Nós (anteriormente chamado de Genocidas), sobre regimes autoritários comunistas. Doriel Francisco é creditado como co-roteirista do filme. As emendas passaram a ser descritas no site da ONG depois de reportagem do UOL.

O diretório do PL também enviou R$ 600 mil do fundo partidário para a Passos da Liberdade sob a justificativa de “prestação de serviços de assessoria de comunicação e de produção audiovisual” em Minas Gerais. À Folha, a organização confirmou o contrato com o PL para “prestação de serviços de comunicação institucional”.

Com sede em Porto Alegre, a ONG é presidida por Rodrigo Cassol Lima, que foi o número dois da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Cultural durante o governo Bolsonaro. Na época, o órgão era subordinado à Secretaria Especial de Cultura, chefiada por Mário Frias. O filme Nós é dirigido por outro ex-membro do governo Bolsonaro: Gustavo Lopes, que foi secretário nacional de Audiovisual.

Em resposta à Pública, a Passos da Liberdade disse que não teve participação financeira e nem envolvimento com a produção de A Colisão dos Destinos. A organização também disse que o documentário Nós deve ser lançado em streaming em novembro e que o contrato com o PL é de natureza institucional. Leia a íntegra.

Prestação de serviços em campanhas bolsonaristas

Após a estreia de A Colisão dos Destinos, a Dori Filmes foi contratada por duas campanhas bolsonaristas nas eleições deste ano para produção de vídeos. A vereadora de São Luís, Flávia Bethier (PL-MA), que se autointitula “a bolsonarista do Maranhão” e é presidente do PL Mulher no estado, pagou R$ 30 mil pelos serviços da Dori e mais R$ 19.700 para a Star City, empresa da qual Doriel se tornou sócio em junho deste ano. Ela concorreu a uma vaga como deputada federal e passou como suplente.

Cena do documentário mostra Jair jovem com os três filhos mais velhos

Entre junho e julho, Berthier patrocinou uma caravana que levou exibições gratuitas do filme a São Luís e mais de 20 cidades do interior do Maranhão. Flávio Bolsonaro gravou um vídeo agradecendo a política pela iniciativa. “Bora resgatar o Brasil começando pelo Maranhão”, diz ele. Também houve apresentações em cidades de Pernambuco.

Outro candidato que contratou o diretor do documentário de Bolsonaro para prestar serviços para sua campanha, por R$ 20 mil, foi Vilmar Vigo, conhecido como “Bolsonaro da Shopee” por se parecer fisicamente com o ex-presidente. Vigo concorreu à Câmara Federal pelo Mato Grosso, mas não se elegeu.

Doriel Francisco entrou como sócio em duas empresas – a Star City Mídia e Capital Facilities Gestão Administrativa e Imobiliária – em junho deste ano, pouco antes do período eleitoral. Ele se tornou sócio de Deuselis Braga André Filho, lotado como assessor parlamentar do senador Izalci Lucas (PL).

Deuselis é dono de páginas nas redes sociais que reúnem influenciadores de direita e faz campanha para Flávio Bolsonaro. Ele também comanda páginas que agrupam atos conservadores pelo Brasil e organiza protestos de direita. Mais recentemente, organizou uma motocarreata em Brasília. O próprio candidato gravou um vídeo, ao lado de Deuselis, chamando para o ato.

A página de Deuselis nas redes sociais, chamada “Influenciadores de Direita”, é mencionada como “parceira” na produção de A Colisão dos Destinos, junto com uma agência de marketing político de Brasília de pequeno porte. Berthier e Deuselis não responderam ao pedido de entrevista.

O documentário A Colisão dos Destinos exibe a “história não contada” do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, retratado como uma figura simples que foi escolhida por Deus para comandar o país. As filmagens aconteceram antes de ele ser condenado por tentativa de golpe de Estado e proibido de dar entrevistas.

  •  

Master: Em mensagens, Vorcaro declarou lado sem margem para dúvida: “apoiamos a direita”

Há um mês, uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que mais entrevistados acreditavam que o escândalo do Banco Master envolvia mais políticos de esquerda (34%) do que de direita (27%). Naquele retrato da opinião nacional, divulgado em 18 de setembro, havia ainda 13% do velho “tá todo mundo envolvido”. A dúvida não parece ser a mesma quando quem fala é o próprio dono do Master, Daniel Vorcaro, ao trocar mensagens com um amigo pessoal: “apoiamos a direita”, escreveu o banqueiro em conversas de WhatsApp interceptadas pela Polícia Federal (PF) às quais a Agência Pública teve acesso.

Em uma conversa com o pastor e líder da Igreja Batista da Lagoinha, André Valadão, Vorcaro afirmou apoiar a direita brasileira. A declaração foi feita após o empresário demonstrar irritação com uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), em 27 de abril de 2024.

Daniel Vorcaro, que mantém uma relação próxima com André Valadão, encaminhou um link ao pastor e demonstrou insatisfação com uma publicação do deputado. A postagem compartilhada pelo parlamentar trazia a seguinte mensagem: “Ministro do STF, STJ e TSE silenciam sobre quem pagou suas despesas em Londres”. Na legenda, Nikolas classificou a reportagem como “interessante”.

“Nikolas repostou a Malu [Gaspar]. Loucura isso. Aliás, narrativa ruim pra ele mesmo”, escreveu o empresário. “Quem me mandou foi um blog de esquerda, que sabe que apoiamos a direita. Olha a bola de neve que pode virar”, disse.

“Eu apoio diversos eventos e debates, e nesse caso o apoio foi com a palestra do Tony Blair com quem tive um debate de altíssimo nível. No evento, várias pessoas de direita, apoiadores do evento inclusive vários que apoiaram ele [Nikolas], como nós. Acaba ficando ruim ele incentivar e propagar um ataque a mim, como fez agora. Só preciso saber se estamos do mesmo lado ou agora estamos um contra o outro”, finalizou o banqueiro.

Horas depois de afirmar ao amigo que conversaria com Nikolas Ferreira, André Valadão retomou o diálogo e informou que o deputado desconhecia que o evento mencionado na reportagem da jornalista Malu Gaspar havia sido organizado pelo Banco Master.

“Resumindo, ele [Nikolas] nem sabia sobre o banco e você, “palavras dele né“, e daí pediu perdão demais e vai contornar tudo. Deve te chamar também, ele me disse. Disse da gratidão com você e por aí vai.”

Mensagens no Whatsapp de André Valadão com Nikolas Ferreira sobre 'Dani', Daniel Vorcardo do Banco Master
publicação de Nikolas Ferreira no X com o comentário “Interessante.”, ao compartilhar uma publicação da jornalista Malu Gaspar sobre o silêncio de ministros do STF, STJ e TSE a respeito de quem pagou suas despesas em um evento em Londres, relacionado ao Banco Master.
Publicação de Nikolas Ferreira no X em que afirma que solicitará, via Lei de Acesso à Informação, os gastos de ministros do STF, STJ e TSE e de integrantes do governo Lula em viagem a Londres para um evento jurídico.

Em março de 2025, antes de pedir ajuda de Vorcaro, Nikolas encaminha áudio ao banqueiro, retoma o assunto e pede desculpa pelas publicações com críticas ao evento organizado pelo Master. “Troquei ideia lá com o pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem. Eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o banco do Dani etc. e tudo, senão, obviamente, eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas, enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar de a gente se encontrar também, tá bem?”, disse Nikolas.

Apoio e reciprocidade

A relação do Banco Master vai além de críticas pontuais de um ou outro deputado e passa também por manobras no exercício de seus mandatos. Quando diz que “apoiamos a direita”, Vorcaro entende o ecossistema que se formou em torno de sua empresa (e família) e tem rastro de uso de seus recursos para isso.

Em 2022, por exemplo, Fabiano Campos Zettel, pastor da igreja Lagoinha em Belo Horizonte, casado com a irmã de Vorcaro e que muitas vezes atuava para resolver as missões financeiras do empresário, foi oficialmente o sexto maior doador das Eleições 2022. Em nome dele, como já registrou a Pública, foram destinados R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ao governo de São Paulo e outros R$ 3 milhões para a campanha à presidência de Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas.

Zettel segue preso, na mesma investigação de fraude nas operações do Master que investiga Vorcaro. As 54 empresas do grupo seguem sendo controladas por Natália Vorcaro Zettel, irmã de Daniel e esposa de Fabiano, com quem se uniu em regime de separação de bens, como também apontou a Pública.

Do outro lado do balcão, o apoio se mostra mútuo, especialmente em momentos delicados de crise. No início das suspeitas de fraude de suas operações de crédito, a saída para o Banco Master foi a compra pelo Banco de Brasília (BRB), uma operação que envolveu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o dirigente partidário Antônio Rueda (União Brasil-RJ) e o então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF).

Nogueira ainda foi defensor, no Congresso Nacional, da ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ao mesmo tempo, ainda foi avaliado por deputados e senadores um projeto de lei, proposto por Cláudio Cajado (PP-BA) para permitir que o Congresso destituísse presidentes e diretores do Banco Central em regime de urgência.

A Pública procurou Daniel Vorcaro para comentar a divulgação das mensagens e a declaração de apoio. A assessoria de imprensa do empresário informou que se manifestaria a partir de segunda-feira (19).

Os Bolsonaros

Entre setembro e novembro de 2025, quem fez contatos recorrentes com Vorcaro foi o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro. Ele cobrou mais de 60 milhões de dólares prometidos pelo banqueiro, que oficialmente seriam utilizados na produção do filme Dark Horse, ainda sem previsão de estreia e sem prestação pública de contas que comprove o destino dos valores.

Flávio Bolsonaro negou o contato. Classificou a denúncia original, do Intercept Brasil, como uma mentira de militante. Depois voltou atrás. Uma, duas, várias vezes. Meses depois, com as eleições, próximas da conclusão, passou de “nem conhecer a figura” para a pessoa que diz que “quem tem que explicar é o PT”, porque ele, um senador da República, estaria apenas fazendo uma “captação privada para um filme privado”.

Não apenas o presidenciável estava no radar do banqueiro Vorcaro. Quando ainda estava em liberdade, o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de estado e outros quatro crimes, fez uma postagem na rede social X “de negócio que ele sabe nem o que é”, reclamou Vorcaro a André Valadão.

  •  

Defesa de Vorcaro pede investigação sobre vazamento de conversas

Logo Agência Brasil

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou nesta sexta-feira (16) uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a abertura de investigação sobre o vazamento de conversas privadas que fazem parte das investigações do caso Master.

No documento, que foi endereçado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, os advogados afirmam que Vorcaro está sofrendo um “processo de linchamento público”.

Notícias relacionadas:

A defesa reclama da divulgação de fatos sobre a intimidade do ex-banqueiro e conversas com advogados.

“Toda e qualquer conversa travada pelo peticionário tornou-se de conhecimento público – sem qualquer forma de confirmação sobre sua idoneidade e veracidade ou a forma em que obtidas - em um processo sem precedentes na história nacional, em que se permite e se admite que um investigado tenha sua vida e sua privacidade exposta para todo o Brasil”, afirmou a defesa.

Na avaliação dos advogados, as conversas vazadas não podem resultar em investigações contra o ex-banqueiro. 

“A única repercussão jurídica da exposição da intimidade e de sua vida pessoal é a instauração de inquérito policial para averiguar e determinar os responsáveis, para que, posteriormente, venham a ser criminalmente responsabilizados com toda a força e a intensidade da Lei Penal”, completou a defesa.

Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

O ex-banqueiro é alvo das investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).

  •  

PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse

Logo Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação, por 90 dias, do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o delegado responsável pela apuração, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a prorrogação é necessária para conclusão de perícias contábeis e para aguardar a tramitação do pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses.

Notícias relacionadas:

Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master.

Os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.

O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.

O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.

Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.

Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.

  •  

Terry Tao Is on the Front Lines of the Debate Over AI and the Future of Math

The Fields Medalist Terence Tao is on the front lines of a debate about artificial intelligence and the future of his field.

© Ariana Drehsler for The New York Times

Terence Tao's celebrated status has made him an unofficial spokesman for mathematics, a job that for now is consuming most of his time.
  •  

Quando a notícia vira politicagem e a politicagem vira notícia

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a Newsletter da Pública, enviada sempre às sextas-feiras, 8h. Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

Na manhã seguinte à histórica conquista dos trabalhadores brasileiros — o fim da jornada 6×1 —, a manchete do UOL me pega de susto: “Oposição tenta revidar fim da 6×1 com redução da maioridade penal”. Na Folha, o destaque foi o mesmo.

Ver as propostas de duas mudanças constitucionais de grande impacto social colocadas lado a lado apenas como bandeiras de candidatos que se contrapõem, soou, para mim, como nova demonstração da distância entre a imprensa noticiosa e a sociedade brasileira.

Sim, a aprovação do fim da jornada de 44 horas semanais é também uma vitória de Lula, que encampou a bandeira de uma campanha que nasceu no final de 2023, quando um vídeo no TikTok feito por um balconista de farmácia sobre a vida dos que trabalham duro com um dia de descanso viralizou na internet.

Mas, como reconheceu o presidente, essa é uma campanha “que veio da rua”, “uma conquista histórica do povo trabalhador”. E que para emplacar terá que contar com a vigilância implacável da sociedade e das instituições, incluindo, claro, a própria imprensa.

Desde que o desabafo do ex-balconista Rick Azevedo, eleito vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro no ano seguinte – 2024 —, invadiu as redes, a luta pelo fim da 6×1 ganhou as ruas como legítima aspiração popular. E as manifestações só cresceram depois que a reivindicação se tornou uma PEC, em fevereiro de 2025, por iniciativa da deputada federal Erika Hilton (PSOL) e do deputado Reginaldo Lopes (PT).

Os três políticos — Rick, Erika e Lopes — venceram as últimas eleições para deputado federal e são aliados do presidente Lula, ou seja, é esperado do candidato do PT assumir a proposta, que também ganhou força com a adesão dos sindicatos. Aproveitar o momento eleitoral para emplacar mudanças é uma antiga e eficiente estratégia dos movimentos sociais, agora trazendo o apoio decisivo de Lula e obrigando os partidos de direita e extrema direita — desde o início contrários ao projeto — a aprová-la.

Não faz sentido equiparar essa “conquista histórica do povo trabalhador”, “que veio da rua”, como reconheceu o presidente Lula, a ações “populistas”, como fez o Globo, ao encaixá-la entre outras medidas do governo lançadas durante a campanha, que realmente podem ser consideradas “eleitoreiras”, ainda que, no mérito, tenham valor para a população.

O jornalismo tem que se guiar pelo interesse público e isso inclui reconhecer as vitórias da sociedade e denunciar os riscos que determinadas propostas implicam para a democracia e os direitos constitucionais dos cidadãos, como a redução da maioridade penal, assunto grave demais para ser tratado apenas como um “revide” eleitoral.

Até porque, enquanto a primeira proposta nasceu da mobilização popular, a segunda é fruto de um sentimento de insegurança, ressentimento e também de desinformação da população, explorado por políticos e pela própria imprensa de modo a se tornar majoritário na opinião pública, o que, de fato, dificulta o debate.

Mas, como jornalistas, temos que encarar a missão de mostrar o que significa na prática encarcerar adolescentes em cadeias superlotadas onde a revolta e a necessidade de sobrevivência favorecem o recrutamento de jovens pelas facções. Também temos que explicar como essa proposta, além de cruel, é inócua para a segurança pública, onde a esmagadora maioria dos adolescentes é antes vítima do que autora da violência.

Onde está a discussão de interesse público, para além da campanha eleitoral, apontando o risco que isso representa para a Constituição brasileira e para a sociedade, que a imprensa conhece tão bem?

Não sou eu que estou dizendo que reduzir a maioridade penal não reduz crimes — são os especialistas em segurança pública, diversas vezes entrevistados pelos jornais. Não é equilibrado publicar críticas substantivas de estudiosos como opinião e retratar um debate tão complexo como se fosse contraposição de dois lados representados como caricaturas: os “linha-dura” e o “povo dos direitos humanos”. Como o debate vai evoluir partindo de ponto equivocado?

Aliás, a imprensa deveria estar mais preocupada com ética do que nunca, quando sua credibilidade foi colocada em xeque pelas últimas revelações sobre Daniel Vorcaro, que atingem alguns veículos em cheio – e sabe-se lá quantas mais virão.

Além de sites de empresários amigos, como o Platô BR, o banqueiro fraudador montou uma rede de veículos que dependiam de publicidade do Master, como IstoÉ, Brazil Journal, Carta Capital e DCM. Antes disso já havia indícios de compra de influência através de patrocínio do banqueiro no site O Bastidor.

Mas também tem peixe grande na rede de Vorcaro – que parece ter penetrado a imprensa como fez com o Congresso e o STF. O grupo Globo teve que demitir um diretor com 29 anos de casa, flagrado em mensagens com Vorcaro, comprometendo-se a pressionar jornalistas que incomodam os interesses do banqueiro; o portal Metrópoles, de propriedade do empresário Luiz Estevão, chegou a se rebaixar a ponto de liberar a edição de textos ao banqueiro fraudador. Isso sem falar das suspeitas que envolvem a revista Veja, com a publicação às vésperas do primeiro turno do áudio de Vorcaro contra Lula, que, segundo hipótese da PF, teria sido gravado na prisão, a pedido de Flávio Bolsonaro.

Sem credibilidade nem sintonia com a sua função social, esse setor da imprensa, que se declara acima do bem e do mal, ameaça afundar o próprio jornalismo. Talvez seja a hora de os defensores da democracia e dos direitos constitucionais apoiarem com firmeza a imprensa independente — como a Pública, a Ponte, a Alma Preta, o Intercept e tantos outros — que não depende de anúncios nem de favores de poderosos, mas apenas da valorização do jornalismo pela sociedade.

Parabéns aos trabalhadores brasileiros e a todos que se mobilizaram pela conquista da jornada 5×2. Estaremos juntos na cobrança ao cumprimento dessa tão esperada mudança na prática, seja quem for que vencer a eleição.

  •  

Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação, diz UOL

A direção do portal Metrópoles submetia a Daniel Vorcaro reportagens antes de serem publicadas, atendia pedidos dele de edição nos textos e sugeria matérias que pudessem favorecer os negócios do Master. As informações constam em mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro. Pelo menos 14 textos do site foram enviados previamente a Vorcaro, e 11 deles foram alterados após pedidos feitos por ele. Há também registros de duas reportagens publicadas a pedido do dono do Master.

A linha direta entre Vorcaro e a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan, foi estabelecida em 2024, mesmo ano em que o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”. Questionada sobre o envio de textos para Vorcaro ler, Lilian respondeu que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”.

Diálogos mostram que o banqueiro orientou e editou reportagens contra Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central que apertou a fiscalização sobre o Master. Em uma das conversas, Tahan encaminhou a Vorcaro o texto de uma reportagem e perguntou: “Me diga o que acha!”. O banqueiro respondeu com sugestões de alterações, incluindo retirar menção à falência do banco e incluir informações sobre supostas divergências dentro do BC. Uma hora depois, Tahan devolveu o texto com as alterações sugeridas e avisou que seria publicado.

Mensagens também revelam negociações entre Tahan e Vorcaro sobre o patrocínio das transmissões do Campeonato Brasileiro da Série D pelo portal. A CEO apresentou o projeto ao banqueiro, que respondeu: “Pode contar comigo sempre”. Em julho, o Metrópoles anunciou acordo com a CBF para transmissão dos jogos, e o patrocínio foi firmado com o Will Bank, instituição vinculada ao Grupo Master.

Lilian Tahan afirma que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles não tinha nenhuma relação com a cobertura de interesse do banco. “Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras”, declarou.

The post Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação, diz UOL appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

A misoginia de diálogos de Vorcaro e CEO que expôs atrizes: “Mulher não pode fazer isso”

Com a boca vermelha e a pele totalmente pintada de verde, Deborah Secco adentrou o Baile da Vogue de 2024, no Copacabana Palace, alternando entre sorrisos fartos e carão carregado nos olhares sensuais, um combo recorrente que já virou tradição no evento, no qual é convidada de destaque. A atriz encarnava um ser extraterrestre de roupas curtas, brancas, com direito a um bebê alien a tiracolo, no estilo carnavalesco típico da celebração, uma das grandes apostas publicitárias da Vogue Brasil e da Editora Globo nas semanas que antecedem o Carnaval.

Mas enquanto posava para os fotógrafos de dezenas de publicações e curtia a festa com sua tradicional animação, Deborah, que dividia o espaço com a nata executiva do Grupo Globo, estava desavisada do julgamento de alguns dos presentes mais relevantes do evento. “Eu só olhava pra bunda dela rs”. As palavras são do então diretor-geral de mídias impressas e rádios da Editora Globo, Frederic Kachar, para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, horas depois. “Mas tava muito feia kkk”, rebateu o banqueiro. “Concordo que a fantasia era broxante”, completou Kachar. “Tá doido, mulher não pode fazer isso”, disparou Vorcaro.

Os diálogos fazem parte de um conjunto de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF), entre outubro de 2023 e julho de 2025, cujo vazamento ganhou força nesta semana e levou à demissão do executivo de mídia nesta quinta-feira (15). Em nota, o Grupo Globo não menciona o conteúdo misógino das mensagens como um dos motivos da demissão, mas sim a preservação da independência editorial da Editora Globo.

Nota na íntegra

Grupo Globo comunica desligamento de Frederic Kachar e reforça independência editorial de seus veículos.

O Grupo Globo comunicou hoje o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar. O conteúdo das conversas privadas mantidas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025, às quais a empresa teve acesso ontem, revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante.

A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo.

A empresa reconhece os 29 anos de dedicação de Kachar ao desenvolvimento de seus negócios de mídia e informa que o nome de seu substituto à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio será divulgado em breve.

Comunicação Globo
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2026
Mais informações: https://imprensa.globo.com/

Além de comentários objetificando atrizes ligadas ao próprio Grupo Globo, o conteúdo revela comentários machistas e convites mútuos para festas com mulheres, discrição “sem celular” e encontros descritos como idas à “Ucrânia”.

Um baile de machismo

“Muita mulher pro crime e só gay. Elas tavam dando em cima mesmo acompanhado”, foi assim que Fred Kachar descreveu o ambiente do evento da revista até então sob sua responsabilidade. E completou: “Me fodi. Minha ex foi e marcou em cima”. Ele fazia menção à atriz Monique Alfradique, que também chegou a se envolver com Daniel Vorcaro meses depois. De acordo com a assessoria de imprensa da atriz, no entanto, o relacionamento dos dois não chegou a ser um namoro e o título de “ex”, usado por Kachar, não seria apropriado. 

Em seguida, o ex-diretor-geral passou a comentar sobre convidadas que trabalham no Grupo Globo. “Deborah secco tava pra jogo”, escreveu Kachar. O executivo da Globo ainda relata que a atriz seria madrinha do camarote do Grupo no Carnaval do Rio de Janeiro e teria dito querer “curtir solteira” nos festejos. “Relação aberta. Preciso de uma dessas”, escreveu Kachar. “Todos nós”, respondeu Vorcaro.

A assessoria de Déborah Secco repudiou a associação indevida do nome da atriz a comentários de teor machista, desrespeitoso e irresponsável, disse que a atriz não conhece Daniel Vorcaro e que sua relação com Fred Kachar sempre foi estritamente profissional. “Tiveram encontros em trabalhos, onde foram fotografados, sem qualquer vínculo entre eles”. A equipe da atriz também destacou que os comentários que se tornaram públicos diz respeito a um evento “onde ambas estavam trabalhando”.

“É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa que não corresponde à sua realidade. Também é lamentável a forma como mulheres foram mencionadas, em comentários que não devem ser tratados com naturalidade nem usados para alimentar especulações”, diz a nota.

Leia a nota na íntegra

Diante das informações divulgadas, a assessoria de Déborah Secco repudia a associação indevida do nome da atriz a comentários de teor machista, desrespeitoso e irresponsável.

Déborah Secco não conhece Daniel Vorcaro. Sua relação com Fred Kachar sempre foi estritamente profissional, tiveram encontros em trabalhos, onde foram fotografados, sem qualquer vínculo entre eles.

É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa que não corresponde à sua realidade. Também é lamentável a forma como mulheres foram mencionadas, em comentários que não devem ser tratados com naturalidade nem usados para alimentar especulações.

A assessoria repudia qualquer tentativa de envolver a atriz Déborah Secco nesses acontecimentos. Sua trajetória, construída ao longo de anos de trabalho, merece ser tratada com responsabilidade e respeito.

Também é importante esclarecer que o comentário de teor machista e misógino surgiu a partir da presença de Sabrina Sato e Deborah Secco no Baile da Vogue 2024, onde ambas estavam trabalhando. Algumas publicações, no entanto, vêm apresentando os fatos de forma descontextualizada, dando a entender que elas estariam em uma festa com Daniel Vorcaro e Fred Kachar, o que não corresponde à realidade. Daniel Vorcaro, inclusive, não estava
presente no evento.

O banqueiro reagia às impressões do amigo, cuja relação seria uma “amizade que supera negócios”, mas não esteve presente no evento de 2024, em que suas empresas figuravam como patrocinadoras. A tabela com o orçamento para patrocínio em 2025, compartilhada no WhatsApp, considerava reajuste sobre os valores do ano anterior, que supostamente somaram R$ 1,7 milhão no Baile da Vogue e no Carnaval em 2024.

Outra artista citada no contexto da festa e de que estaria “pra jogo” foi a apresentadora Sabrina Sato. “Sabrina [Sato] também. Aniversário dela.”, disse Fred Kachar em relato para o banqueiro Vorcaro. “Soltinha”, resumiu o executivo sobre a profissional que estava em uma festa carnavalesca.

Sabrina Sato disse nunca ter tido contato com Daniel Vorcaro e relata que encontrou Kachar apenas em uma premiação de revista, quando foram fotografados, mas nega qualquer vínculo entre eles. “É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa alheia à sua realidade. O respeito à dignidade das mulheres não é uma concessão. É um direito. E comentários desta natureza não podem ser tratados com naturalidade, reproduzidos ou utilizados para alimentar especulações”, afirmou em nota à Pública.

Nota na íntegra

Diante das informações divulgadas, a assessoria de Sabrina Sato repudia a associação indevida do nome da apresentadora a um comentário de teor machista, desrespeitoso e irresponsável.

Sabrina nunca teve qualquer contato com Daniel Vorcaro e encontrou Fred Kachar apenas em uma premiação de revista, ocasião em que foram fotografados, sem qualquer vínculo entre eles.

É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa alheia à sua realidade.

O respeito à dignidade das mulheres não é uma concessão. É um direito. E comentários desta natureza não podem ser tratados com naturalidade, reproduzidos ou utilizados para alimentar especulações.

Qualquer tentativa de envolver Sabrina nesses acontecimentos é repudiada. Sua trajetória, construída ao longo de anos de trabalho, merece ser tratada com responsabilidade e respeito.

Não é sobre fama, nem sobre desejo

A Agência Pública questionou o grupo Globo se denúncias foram feitas ao compliance da companhia quanto à relação de atrizes e outras artistas e sua relação com figuras de poder como Kachar na dinâmica corporativa da empresa, mas não obteve resposta até o momento.

“O que mais me chama a atenção nesse episódio, para além da gravidade do conteúdo das conversas divulgadas, é a relação entre poder, comportamento e silêncio. Quando alguém ocupa uma posição de influência, suas atitudes têm consequências que ultrapassam as relações individuais”, resume a psicóloga organizacional e fundadora do Instituto Internacional em Segurança Psicológica (IISP), Patrícia Ansarah. O IISP atua na prevenção de riscos psicossociais, de assédio, de sobrecarga e de violência organizacional.

Segundo Ansarah, quando comportamentos machistas e misóginos são naturalizados, minimizados ou protegidos por relações de poder, perpetuamos uma cultura patriarcal que legitima a desigualdade e a reação da sociedade a esse tipo de episódio vivenciado pelas atrizes do Grupo Globo ajuda a definir o que é tolerado, o que pode ser questionado e quais são as consequências para quem decide reagir.

“Em uma sociedade marcada por profundas assimetrias de poder, discordar, impor limites ou denunciar comportamentos abusivos pode ter um custo muito alto. E isso se torna ainda mais grave para as mulheres, que, historicamente, enfrentam barreiras para serem ouvidas, levadas a sério e protegidas quando decidem denunciar. A escolha entre expor publicamente uma violência e se preservar, neste contexto, é fácil: o silêncio predomina.”

A manifestação do economista Fred Kachar a respeito de mulheres, no entanto, não se limitava a famosas de seu convívio no Grupo Globo. Em 19 de janeiro de 2024, semanas antes do Baile da Vogue sobre os quais os comentários machistas foram feitos, o executivo e o banqueiro discutiam a proposta de patrocínio do Banco Master para o período carnavalesco quando Kachar perguntou se Vorcaro iria à Sapucaí. Vorcaro disse que precisava “fugir esse ano” e brincou que só Kachar conseguia “passar ileso tanto tempo” no Carnaval. Ao que o ex-diretor-geral da Globo respondeu: “Ileso nada. Três ex minhas nesse ano. Vou pôr um tatame na pista. Só vou ligar o foda-se. Todas achando que estão comigo. E eu vou fingir demência.”

Preocupação apenas com “indiscrições”

As mensagens vazadas entre Kachar e Vorcaro registram ainda convites do banqueiro para eventos restritos. Em 7 de fevereiro de 2024, o banqueiro disparou: “Bora hoje, que vai ser animado. Tem dois oligarcas russos indo e plantel [equipe]”. Vorcaro continuou descrevendo que seria no bairro dos Jardins, em São Paulo, em “lugar fechado, só convidado”. Kachar não teria comparecido. Dois dias depois, o banqueiro escreveu: “Seu bolo tá anotado. Perdeu”.

Os encontros do gênero passam a ser mencionados com expressões de guerra nas semanas seguintes. Em 12 março de 2024, Vorcaro disse que o plano da noite seria um “ataque soviético”. Mais tarde, Kachar perguntou se ele já estava “na Ucrânia”. Dias depois, o executivo quis saber se haveria “guerra na Ucrânia nessa semana”. “Tem hoje. Bora?”, respondeu o banqueiro, informando que começaria às 23h. Em maio, Vorcaro disse que as festas aconteciam “toda terça”.

Em 15 de maio de 2024, em Nova York, na semana do prêmio Personalidade do Ano da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Vorcaro disse que não iria a outro evento da programação e escreveu: “Fechei um lugar. Sem celular. E sem risco. Pra verdadeira festa rsrs”. Kachar respondeu: “É nessa que eu vou! Posso, né?”. “Óbvio. Convidado de honra”, disse o banqueiro. O executivo da Globo chegou ao local perto da meia-noite.

No dia seguinte, Kachar agradeceu o convite: “Será que alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou rs?” e disse ter ido embora às 0h45. Vorcaro contou que chegou às 4h e acordou às 7h. “Ídolo. Se eu faço isso saio de ambulância do quarto”, escreveu Kachar. O banqueiro completou: “Só que fiz isso 3 dias seguidos. Ainda com a Fabíola me esperando no hotel kkkk”. O executivo respondeu: “Não acredito. Ela veio? Ídolo máximo, então. Isso eu jamais consegui” e depois conclui: “Eh um accomplishment [realização marcante]”.

Kachar e Vorcaro foram procurados pela Pública, mas até o momento não se pronunciaram sobre o caso. Em caso de manifestação, este espaço será atualizado.

  •  

A linha direta de Vorcaro dentro do Grupo Globo: “Quer que peça pra corrigir?”

Um ano antes de se tornar “radioativo”, na tarde de uma quarta-feira de abril de 2024, Daniel Vorcaro recebeu uma oferta de Frederic Kachar, até então CEO da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio: “Quer que a gente o entreviste no Valor?”. A mensagem se referia a Alexandre Afrange, CEO da Veste – antiga Restoque, que detém marcas como Dudalina, John John e Le Lis Blanc –, empresa da qual o banqueiro do Master tinha controle acionário desde 2022. “Não sabia que a Veste tinha esse ceo”, escreveu Kachar, para então oferecer espaço editorial a Vorcaro no jornal de economia do grupo. 

O diálogo faz parte das mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Daniel Vorcaro e apontam que a relação dos dois, nas palavras do próprio banqueiro, em julho do mesmo ano, seria uma “amizade que supera negócios”. Os diálogos mostram que o ex-controlador do Banco Master, preso desde março deste ano como principal investigado pela Operação Compliance Zero, tinha acesso direto ao executivo, onde fazia solicitações diretas e reclamava sobre a linha editorial dos jornais do grupo Globo.

O vazamento das mensagens ganhou força nesta quarta-feira (14), momento delicado para a própria Globo. Isso porque no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, a Rede Globo promovia um de seus eventos publicitários mais importantes do ano, o Upfront Globo. Na ocasião, os executivos mais influentes do Grupo Globo, a exemplo de Fred Kachar, como é conhecido, se reúnem com vários dos artistas mais famosos do conglomerado junto a representantes do mercado publicitário para detalhar os planos das empresas Globo para o ano seguinte. Talvez por isso, a reação ao vazamento, já conhecido nos bastidores da empresa, não tenha sido mais imediato. Nesta quinta (15), Kachar foi desligado, segundo nota oficial do Grupo.

Nota Grupo Globo

Grupo Globo comunica desligamento de Frederic Kachar e reforça independência editorial de seus veículos
O Grupo Globo comunicou hoje o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar. O conteúdo das conversas privadas mantidas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025, às quais a empresa teve acesso ontem, revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante.

A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo.

A empresa reconhece os 29 anos de dedicação de Kachar ao desenvolvimento de seus negócios de mídia e informa que o nome de seu substituto à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio será divulgado em breve.

Comunicação Globo
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2026
Mais informações https://imprensa.globo.com/

Relação delicada

Vorcaro chegou a solicitar, no dia 12 de outubro de 2024, a capa da revista Vogue Brasil para a então namorada, Martha Graeff, que acabara de lançar a Happy Aging, empresa de suplementos voltada à longevidade feminina, lançada nos Estados Unidos à época. “De presente pra ela”, justificou. 

O pedido não foi plenamente atendido por Kachar, que alegou inviabilidade da agenda de produção da revista. Cinco dias depois, no entanto, as versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacavam Graeff, cujos links foram enviados pelo ex-diretor-geral a Vorcaro: “Depois me diz se faltou algo”. O banqueiro agradeceu: “ficaram ótimas”, disse, antes de fazer a ressalva: “só a Marie Claire deu uma batidinha no final rsrs esses repórteres são uma bênção”, concluiu o banqueiro. Kachar apenas assentiu: “o próximo passo é capa na Ela ou Marie Claire, só precisamos de um fato novo”.  

  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo
  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo
  • Versões online de Vogue Brasil, Marie Claire e Ela destacaram Martha Graeff, namorada de Vorcaro, após pedido do banqueiro ao executivo

A disponibilidade de Fred Kachar não era exatamente em vão. No dia 6 de fevereiro de 2025, o orçamento para as empresas controladas por Vorcaro foi feito pelo WhatsApp mesmo, após sucessivas tentativas de contato sem êxito. Para a presença das marcas Master, Desincha, Veste, Be Fly e Happy Aging, Kachar propôs participação de R$ 1,79 milhão e outros R$ 4,92 milhões para a presença em camarote carnavalesco na Sapucaí, no Rio de Janeiro. 

Durante 15 dias, o então CEO da Editora Globo buscou Vorcaro 62 vezes até a realização do Baile da Vogue, usando mensagens de tom pessoal – “Vamos poder curtir juntos amanhã?” –, passando pela insistência típica de representantes de negócios – “Querido, me dá um sinal de vida pra eu não ir e dar com a cara na porta rs?” – e chegando a flexibilidade de negociação: “Para não te deixar na mão, te bonifico um branded content [conteúdo patrocinado, ou, em bom português, matéria paga] da marca na Glamour e na Vogue [Brasil], mas desatrelados do Baile [da Vogue]”. No fim, o banqueiro do Master concordou em pagar R$ 1,3 milhão pelos dois eventos e se ausentou do Baile. A conversa só foi retomada na terça-feira, 25 de fevereiro, com a frase “fez falta no sábado”, seguida de outra mensagem: “Estou no voo com Lauro [Jardim], que vai conhecer sua sede nova antes de mim. Desnecessário dizer que estou com ciúmes.”

As mensagens entre Vorcaro e Kochar sugerem que havia uma porta aberta no editorial do Grupo Globo para as demandas e insatisfações do banqueiro. Em 31 de maio de 2024, por exemplo, o grupo noticiou, pelo portal G1, a suposta entrada do banco no ramo de supermercados, o que Kachar se apressou a comentar: “Entrou em supermercados também? Estás incontrolável rs!”. A resposta do banqueiro veio de pronto, um minuto depois, às 19h04: “Info totalmente errada”. Diante do retorno, o executivo do Grupo Globo se prontificou: “Quer que eu peça pra corrigir?”. 

A resposta de Vorcaro foi curta e enfática: “Deve!”. Às 19h27, exatamente 23 minutos após o primeiro alerta de erro, o G1 atualizou a reportagem, retirando a afirmação de compra pelo Banco Master e precisando o papel da gestora como prestadora de serviços ao fundo de terceiros. “Agora ficou certo”, assentiu o banqueiro. 

A Agência Pública procurou Fred Kachar, que não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto à sua manifestação.

BRB: uma relação que também azeda

Segundo a PF, o Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Foi o colunista Lauro Jardim de O Globo, uma das publicações sob o comando de Fred Kachar, que primeiro questionou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pouco antes de Vorcaro, Costa e o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, se reunirem em Zurique, na Suíça para discutir a relação entre os dois bancos. 

Em março de 2025, 58% das ações do Banco Master foram compradas pelo BRB em uma operação de R$ 2 bilhões, aprovada tanto por maioria da Câmara Distrital, pelo governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB)
Ações do Banco Master foram compradas pelo BRB em uma operação de R$ 2 bilhões

Ao longo de um ano e nove meses de mensagens trocadas entre Kachar e Vorcaro, os registros de festas juntos, comentários sobre mulheres, e pedidos para se encontrarem ou se falarem por telefone ou videochamadas foram muito mais numerosos que reclamações pontuais de Vorcaro, às quais o CEO da Editora Globo buscava responder de forma diplomática e quase sempre dizendo concordar em parte com a avaliação do parceiro, inclusive tecendo críticas aos próprios jornalistas de sua equipe. Mas uma publicação acelerou o desgaste da relação entre os dois executivos.

Assinada por Álvaro Campos, a análise “Mercado vê com ressalvas operação entre BRB e Master, mas acordo desarma uma bomba”, publicada em 29 de março do ano passado no Valor Econômico, fez o dono do Master perder a cordialidade. Kachar tentava contato há semanas com Vorcaro, dizendo precisar falar urgentemente, mas apenas após a publicação de análise e reportagem envolvendo o Master, o banqueiro deu sinal de vida em tom de profundo descontentamento.

“Matéria maldosa, malfeita. Isso é porque seu grupo deu o furo da operação. Parceria, como sempre, de uma via apenas”, resumiu antes de completar: “Com toda liberdade de desabafo, me sinto por varias vezes um bobo focando na parceria aí”, disse, ao encaminhar uma lista de 63 publicações das quais, segundo Vorcaro, apenas a Valor teria sido “negativa” e faria “referência a rumor”, em suas palavras.

“As fontes eu não posso te abrir porque seria deselegante, mas não são um ou dois banqueiros”, respondeu, sobre um dos princípios fundamentais do jornalismo de preservação da fonte – que pouco tem a ver com elegância. Kachar respondeu: “O que concordo com você é que não poderia fazer análise sem sua visão do ‘deal’[acordo] e já reclamei”, completou, antes de sacramentar: “Meu amigo, claro que não é pra ficar como está. Se a gente discorda em algumas coisas, temos de conversar”. Pouco mais de duas horas depois, enviou: “O Álvaro [Campos] incluiu aspas suas nessa análise. Vamos falar amanhã?”.

“Não vale a pena pra mim falar. Vira (sic) o caso Malu [Gaspar]. Tudo que eu falo usam contra mim. Deixa correr aí como sempre estão fazendo”, encerra Daniel Vorcaro. Por várias vezes, o banqueiro se queixava a Kachar do que ele questionava ser uma “campanha corporativa” contra ele, que tinha na colunista de O Globo e comentarista da GloboNews e CBN Malu Gaspar seu alvo mais recorrente. “Temos que resolver”, chegou a dizer Vorcaro ao diretor-geral.

Foi justamente nessa época, entre março e abril de 2025, que mensagens encontradas pela PF no celular do banqueiro, desta vez com o publicitário Thiago Miranda, em que ele dizia que precisavam “encontrar algo dessa mulher [Malu] no pessoal”, ao que Miranda respondeu não ter encontrado “nem uma multa na CNH”. O caso foi revelado pela Fatos Online.

A Pública entrou em contato com Campos e Gaspar, mas ambos preferiram não comentar sobre o assunto até o momento. Em caso de manifestações, este espaço será atualizado. A defesa de Vorcaro também foi acionada e informou que se manifestaria ao longo do dia, após depoimento do banqueiro marcado para hoje.

Incômodo de longa data e ameaças agora conhecidas

O trabalho de Lauro Jardim incomodava Daniel Vorcaro desde 2023, bem antes de o nome do colunista aparecer nas mensagens interceptadas pela PF, sobretudo quando da publicação da reportagem “Os cuidados de um banqueiro com a festa de 15 anos da filha”, de 4 de agosto de 2023. Ao longo de 2025, a coluna do jornalista acompanhou de perto a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, o banco estatal do Distrito Federal, e mostrou regularmente o que sustentava a operação.

Em 4 de setembro de 2025, logo depois de o Banco Central vetar o negócio, Jardim escreveu que a principal aposta de Vorcaro nunca tinha sido o balanço do Master, e sim suas conexões políticas. Segundo a coluna, o diretor do Banco Central Renato Gomes, responsável por avaliar a saúde financeira do banco, sofreu pressões intensas nas semanas anteriores, quase todas por parte de políticos do Centrão. Executivos do mercado relataram, inclusive, ameaças. A nota informava ainda que o Master tinha passado agosto tentando renovar, sem sucesso, uma linha de crédito de cerca de R$ 10 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para honrar vencimentos de linhas de investimento do tipo CDB.

Segundo a investigação da PF, foi esse tipo de cobertura que levou o ex-banqueiro a planejar uma agressão contra o Jardim. Em mensagens reveladas em 2026, Vorcaro pede a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, uma espécie de capanga de Vorcaro, que espancasse Jardim em um assalto forjado. Nas palavras do próprio Vorcaro, a ideia era “quebrar todos os dentes” do colunista. A defesa de Vorcaro disse à época que as mensagens foram tiradas de contexto e que ele jamais determinou qualquer ato de violência.

Daniel Vorcaro na prisão
A cobertura do jornalista Lauro Jardim sobre os negócios de Vorcaro teria levado o ex-banqueiro a planejar uma agressão contra Jardim

Ao falar de Malu Gaspar e Lauro Jardim, parte das mensagens de Kachar indicam uma relação entre o jornalista com a fonte, o que é praxe no trabalho de qualquer profissional de imprensa. Kachar se gaba a Vorcaro no mês de julho de 2024 sobre encontros dos jornalistas com o banqueiro nessa condição — encontros que, segundo as mensagens, teriam sido acompanhados por Kachar, superior hierárquico de ambos no Grupo Globo. “Não foi bom?”, disse Kachar a Vorcaro, em referência a Lauro Jardim. “Virou até fonte”, reagiu o CEO em mensagens posteriores.

A insatisfação de Vorcaro com os colunistas, no entanto, era anterior. Ainda em abril de 2024, Malu publicou na rede de microblogs X: “Ministros do STF, STJ e TSE silenciam sobre quem pagou suas despesas em eventos de Londres. Segundo o Poder 360, o Banco Master patrocinou o evento, mas não quis aparecer. O banco tem uma ação no STF. O relator é Gilmar Mendes, que falou no painel ‘Estabilidade Institucional e Segurança Jurídica para Atração de Investimentos Internacionais’”. 

Nas mensagens apreendidas pela PF, datadas de 29 de abril de 2024, este foi o primeiro grande embate e desgaste registrado entre o banqueiro e Kachar. “Chega a ser inacreditável”, disse Vorcaro, seguido de um grande texto que incluía uma ameaça velada a retirar patrocínio a um evento do Valor. 

A postura do então diretor-geral da Editora Globo variava conforme a reclamação, numa tentativa de equilibrar as insatisfações do “amigo” sem fragilizar a credibilidade de sua equipe. Em um dos retornos ao banqueiro, diz que ninguém “escala” Malu, reforçando sua independência editorial: “Mas a Malu é livre. Ninguém a escala”. Em outro, diz não gostar do estilo da jornalista e classifica comentários pontuais dela como “ilações”: “Não estou entendendo esse seu tom comigo. Sempre tivemos uma relação de harmonia e respeito. Se tiver algum erro na coluna da Malu [Gaspar], peço a correção imediata. […] Eu não gosto do que ela postou, por isso reforcei que a cobertura do Globo é a que está no site, onde não há essas ilações”, respondeu.

Nos comentários de Fred Kachar, as críticas à imprensa não se limitavam aos próprios veículos da Globo. Em conversas com Vorcaro, ele diz conhecer “os mecenas” do Poder 360 e rejeita o momento da revista piauí: “virou denuncista”.

Não há, no entanto, nenhuma frase do executivo da Globo que caracterize uma reflexão sobre a relação com o banqueiro que os próprios jornais que dirigia apontavam como suspeitos. Após ser implicado pelas investigações da PF e com o negócio do BRB sendo escrutinado, Vorcaro deixou de receber mensagens da “amizade que supera negócios” e passou três meses sem qualquer contato. A última mensagem disponível nos relatórios da PF, em julho de 2025, não tem resposta disponível. Em novembro, Vorcaro foi preso pela primeira vez e solto pouco depois, voltando a ser detido em março deste ano. O banqueiro segue detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. 

  •  

Mensagens de Vorcaro citam Kassio e relatam quarto com cinco mulheres em festa

Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatam a presença de um ministro em uma festa realizada em fevereiro de 2025, em um imóvel de luxo em São Paulo. Em uma das conversas, um funcionário afirma ter cedido um quarto ao convidado acompanhado de cinco mulheres. Dias depois, uma intermediária cobrou R$ 10 mil de Vorcaro e disse que uma das convidadas havia ficado com alguém identificado como “Kassio”.

Os diálogos foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo portal UOL, em reportagem da colunista Daniela Lima. Investigadores da Polícia Federal e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as referências podem estar relacionadas ao ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mensagens, porém, não identificam expressamente o magistrado como o homem mencionado no episódio.

A festa ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, em um triplex de propriedade de Vorcaro, na capital paulista. As conversas revelam que o evento envolveu a organização de convidados, a contratação de um chef e orientações para recolher os celulares das mulheres que chegavam ao local.

Funcionário relatou presença de ministro

Durante a noite, Vorcaro acompanhou os acontecimentos à distância e recebeu atualizações de um funcionário identificado como Michael. Em uma das mensagens, enviada às 20h56, o empregado relatou que havia emprestado um quarto próximo para um ministro acompanhado de cinco mulheres. Ele também afirmou que tentou obter autorização do empresário, mas não conseguiu contato.

Mais tarde, às 22h58, Michael voltou a informar sobre a permanência do convidado. Segundo a mensagem, o ministro não demonstrava pressa para deixar o local e teria dito que estava renovando para começar tudo novamente. Por volta das 23h17, o funcionário comunicou que ele estava indo embora.

Em outra conversa relacionada à organização do evento, Vorcaro afirmou estar “fazendo graça pra ministro em SP”. A reportagem do UOL informa que a festa foi planejada inicialmente para cerca de 15 pessoas e que um registro de despesas apontou gastos de R$ 62,3 mil com alimentos, bebidas, materiais e equipe.

Mulher cobrou R$ 10 mil dias depois

Uma semana após a festa, em 7 de março, uma mulher identificada como Rayanna procurou Vorcaro para tratar de um pagamento. Ela havia intermediado a presença de convidadas no encontro.

Na conversa, Rayanna perguntou se havia dado certo o encontro de uma amiga e afirmou que ela havia ficado com “Kassio”. A mulher acrescentou que a convidada estava cobrando o valor combinado.

Vorcaro pediu que ela encaminhasse os dados e o valor. Rayanna respondeu que seriam R$ 10 mil e voltou a afirmar que a amiga havia ficado com ele.

Os diálogos divulgados não esclarecem se o pagamento chegou a ser realizado. Também não comprovam, isoladamente, que o “Kassio” citado pela mulher seja o ministro do STF.

Celulares das convidadas foram recolhidos

As mensagens mostram ainda que Vorcaro orientou um funcionário a recolher os aparelhos celulares das mulheres que chegavam à festa. Às 14h25 daquele dia, o empresário perguntou a Michael se ele deveria pegar os telefones das convidadas, e o funcionário confirmou que sim.

A orientação aparece entre as conversas sobre a preparação do evento, que incluía a contratação de um chef para servir um churrasco e a coordenação da chegada dos participantes.

O conteúdo das mensagens passou a chamar atenção pela referência a um ministro e pela cobrança posterior relacionada a uma das convidadas. A identificação do homem citado, contudo, depende de esclarecimentos adicionais e não pode ser estabelecida apenas com base nos trechos divulgados.

Procurada pelo UOL, a assessoria de Kassio Nunes Marques ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

The post Mensagens de Vorcaro citam Kassio e relatam quarto com cinco mulheres em festa appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Renault Master ganha nova versão Minibus VIP by Raytec

A Renault amplia a gama do Master com a chegada da nova versão Minibus VIP by Raytec, desenvolvida para clientes que buscam níveis superiores de conforto, acabamento e funcionalidade no transporte de passageiros. Com capacidade para 15 passageiros mais o motorista, a novidade passa a integrar o portfólio de soluções da linha Master oferecendo uma configuração voltada para aplicações como transporte executivo, receptivo corporativo, hotelaria, turismo e fretamento premium.

Desenvolvida em parceria com a Raytec, especialista em transformações veiculares, a nova versão VIP chega ao mercado integrada à oferta da Renault como uma solução homologada e pronta para operação. O lançamento do Minibus VIP by Raytec simplifica o processo de aquisição para empresas e operadores que desejam um veículo com padrão superior de acabamento e conforto.

Baseada no Renault Master Minibus L3H2, a nova versão foi desenvolvida para oferecer uma experiência de viagem diferenciada, aliando conforto, praticidade e refinamento. O compartimento de passageiros conta com isolamento termoacústico nas laterais e no teto, além de revestimentos exclusivos em ABS de acabamento bicolor, que proporcionam um ambiente mais agradável e sofisticado.

 A versão também incorpora uma central multimídia de 7 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay, ampliando a conectividade e a praticidade para o condutor durante a operação.

A configuração interna inclui 13 poltronas individuais reclináveis para os passageiros, equipadas com apoios de braço e de cabeça, além de portas-objetos e pontos de carregamento USB e USB-C distribuídos por todas as fileiras.

O arranjo dos bancos foi projetado para aumentar o conforto durante as viagens, com fileiras alinhadas ao nível da cabine na parte dianteira e disposição elevada na região traseira, contribuindo para melhor visibilidade dos ocupantes.

O Master Minibus VIP by Raytec incorpora uma série de elementos voltados à valorização do ambiente interno. O modelo dispõe de iluminação em LED no compartimento traseiro e iluminação indireta integrada à área de circulação dos passageiros, criando uma atmosfera moderna e acolhedora.

O acabamento do piso utiliza revestimento com textura amadeirada, reforçando a sensação de requinte do interior. Cortinas laterais complementam o conforto dos ocupantes durante os deslocamentos. Além disso, a configuração contempla soluções que facilitam a operação diária, como carpete removível nas entradas e sistema de apoio para movimentação de bagagens.

A nova versão mantém os atributos que fizeram do Master a líder de vendas do segmento no Brasil durante 12 anos consecutivos, combinando robustez, versatilidade e baixo custo total de propriedade para os clientes profissionais.

Entre os equipamentos voltados à operação e segurança estão tacógrafo digital homologado, câmera traseira, sensores de estacionamento, aviso sonoro de ré, extintor de incêndio, martelos de emergência nas janelas laterais, sinalização luminosa das saídas de emergência e película de proteção solar em conformidade com a regulamentação vigente.

Com 6.225 mm de comprimento total e amplo compartimento para bagagens, o Master Minibus VIP combina capacidade de transporte, conforto e eficiência para diferentes perfis de operação.

Master Minibus VIP by Raytec – R$ 375.000,00

Diferenciais da versão:
Transformação homologada pela Renault desenvolvida em parceria com a Raytec
13 poltronas individuais reclináveis com apoio de braço e cabeça
Tomadas USB e USB-C distribuídas em todas as fileiras
Multimidia de 7” com Android Auto e Apple Carplay
Isolamento termoacústico nas laterais e no teto
Revestimentos internos em ABS bicolor (cinza claro e escuro)
Iluminação em LED no compartimento de passageiros
Iluminação indireta integrada ao corredor e aos degraus de acesso
Piso com acabamento de textura amadeirada
Cortinas laterais no compartimento de passageiros
Porta-objetos em rede integrados às poltronas
Compartimento traseiro para bagagens
Haste auxiliar para movimentação de malas
Tacógrafo digital homologado
Câmera de ré e sensores de estacionamento traseiros
Sinalização luminosa e adesivos de saída de emergência
Martelos de emergência nas janelas laterais
Equipamentos de série do Master Minibus
Ar-condicionado com saída traseira
Computador de bordo
Banco do motorista com regulagem de altura e profundidade
Direção eletro-hidráulica com regulagem de profundidade
Retrovisores elétricos com dupla visão
Travas e vidros elétricos
Airbag duplo
Freios ABS com BAS
Indicador de troca de marcha
Controles de estabilidade (ESP) e tração (TCS)
Assistente de partida em rampa (HSA)

The post Renault Master ganha nova versão Minibus VIP by Raytec appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Flávio Bolsonaro evita prometer aumento real do salário mínimo

O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) colocou no ar um site para rebater notícias falsas, no qual não se compromete com o aumento real do salário mínimo e menciona o reajuste pela inflação, caso seja eleito.

A regra que prevê a correção do salário mínimo acima da inflação foi retomada por Lula (PT) em 2023 e está em vigor. Economistas fazem ressalvas a essa política, uma vez que o salário mínimo corrige os valores de benefícios sociais e da Previdência, o que tem impacto nos gastos do governo.

A política de reajuste do salário mínimo provocou um embate na atual etapa da campanha presidencial. Lula afirma que Flávio cortará ações sociais do governo em nome de um ajuste fiscal. Já Flávio nega que pretenda fazer o ajuste em cima dos mais pobres, ainda que seus assessores defendam a necessidade de uma forte contração nos gastos públicos.

Site não menciona reajustes acima da inflação

Site recém-lançado, a campanha de Flávio Bolsonaro | Foto: Flávio Com a Verdade/Reprodução/ND Mais

No site recém-lançado, a campanha de Flávio Bolsonaro afirma o seguinte sobre o mínimo: “o Plano de Governo de Flávio não apresenta nenhuma proposta para extinguir o piso nacional. Além disso, ele já afirmou que não pretende desvincular o salário mínimo da inflação”. Não há menção a manter reajustes acima da inflação.

O candidato também menciona a proposta que flexibiliza a jornada de trabalho, apresentada pelo coordenador político de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), para se opor ao fim da escala 6×1, de seis dias de trabalho com um de folga.

“O que Flávio defende é a remuneração por hora trabalhada, com a manutenção de todos os direitos trabalhistas conquistados, como FGTS, férias e 13º salário. A proposta de flexibilizar a jornada de trabalho não significa acabar com o salário mínimo”, afirma.

Nos quatro anos de governo, Jair Bolsonaro concedeu apenas o reajuste pela inflação ao mínimo, sem ganho real.

A regra que foi instituída no segundo governo Lula e determina que o valor seja corrigido pela inflação do ano anterior, com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), somado à variação positiva do PIB (Produto Interno Bruto). No atual governo, Lula aprovou uma medida que limita a expansão do mínimo a 2,5% acima da inflação, mesmo limite para a ampliação dos gastos do governo imposto pelo arcabouço fiscal.

Campanha promete manter programas sociais

No site divulgado na última quinta-feira (8), a campanha de Flávio afirma que “o Bolsa Família e todos os programas assistenciais serão mantidos” e que “não fará economia em cima dos mais pobres e dos aposentados” frases que vem repetindo publicamente.

Como mostrou a Folha, para chegar ao ajuste inicial da ordem de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), uma das propostas em estudo é acabar com a vinculação entre o ganho real do salário mínimo e o reajuste da Previdência Social e de programas sociais, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Após a publicação da reportagem, o presidenciável se comprometeu a aumentar as aposentadorias acima da inflação.

Um dos tópicos do site do candidato do PL é: “Flávio Bolsonaro vai cortar benefícios como o BPC?”. A resposta não explica se haverá mudanças na política de valorização do benefício e diz apenas que os programas sociais serão mantidos.

“O Plano de Governo de Flávio afirma expressamente que os programas sociais existentes serão mantidos, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes. Ou seja, o governo Flávio Bolsonaro vai atender quem precisa”, afirma o texto.

Argumentação similar é apresentada pelo candidato sobre o programa Pé-de-Meia. A campanha de Flávio afirma que a ideia de que ele vai acabar com o programa é parte de uma interpretação equivocada sobre o chamado “Tesouraço” e sobre a promessa de redução de despesas, mas não apresenta nenhuma proposta de extinção do programa”.

Banco Regional de Brasília

Banco Regional de Brasília(BRB) | Foto: Divulgação

O site de Flávio também dedica espaço ao escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Não há menção às conversas travadas entre ele e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, nem ao repasse de ao menos R$ 65 milhões ao filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

A campanha de Flávio afirma que não usará o dinheiro de aposentados para cobrir o rombo do Master e diz que o presidente da República “não tem qualquer ingerência sobre o BRB”.

“Sobre o BRB, o presidente da República não tem qualquer ingerência sobre o banco regional e vai trabalhar para que as instituições financeiras brasileiras permaneçam entre as mais fortes e confiáveis do mundo, entre elas, o BRB”, diz o site do presidenciável.

O discurso de Flávio sobre o banco estatal coincide com o do presidente Lula. Aliada de Flávio, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para bancar o rombo no BRB.

Lula, por sua vez, afirma que o governo federal não vai dar dinheiro para o BRB. “A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade no governo federal. Nós não vamos deixar de pagar o Bolsa Família, não vamos dar dinheiro pro BRB”, disse o presidente em 16 de setembro.

A governadora tem feito duras críticas ao presidente Lula e depositado expectativas na eleição do candidato do PL para dar saída à crise do banco estatal. Na quarta-feira (5), após o anúncio do partido dela de apoiar Flávio, Celina disse que a vitória dele daria fôlego ao BRB.

“A configuração hoje que nós temos no próprio Senado, e a projeção do Flávio para virar presidente, é uma situação totalmente diferente do BRB. Eu acho que isso é um fôlego ainda maior para a gente recuperar o banco”, disse Celina. “São várias as possibilidades quando o governo quer ajudar.”

A campanha de Flávio foi procurada pela reportagem na noite desta sexta-feira (9) por email, mas não houve resposta. (Thaísa Oliveira/FOLHAPRESS)

The post Flávio Bolsonaro evita prometer aumento real do salário mínimo appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula

A divulgação de um áudio em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter financiado o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, ampliou a disputa política entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ganhou novos contornos após o diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, denunciar um suposto acordo no qual Flávio negociaria uma delação de Vorcaro contra Lula e, em contrapartida, se comprometeria a proteger o banqueiro caso fosse eleito. A denúncia ainda precisa ser comprovada.

A revista Veja publicou nesta sexta-feira (9) trechos de uma gravação atribuída a Vorcaro, na qual ele afirma ter colocado dinheiro na produção do documentário sobre Lula e diz que o financiamento teria ocorrido de maneira irregular. Segundo a publicação, os pagamentos envolveriam cerca de R$ 30 milhões em espécie, além de repasses ao Instituto Lula. Até o momento, os valores mencionados não foram comprovados publicamente.

Antes da publicação da Veja, Rovai afirmou, em publicação na rede X nesta quinta-feira (8), que o vazamento estaria relacionado a um suposto entendimento entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Segundo o diretor da Fórum, o banqueiro teria interesse em divulgar informações contra Lula, enquanto o senador se comprometeria a protegê-lo caso fosse eleito presidente.

Celular de Vorcaro não registra o suposto pagamento

Uma apuração publicada pelo UOL nesta sexta-feira acrescentou informações ao caso. Segundo o veículo, as conversas extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, não apresentam registros de pagamentos ou patrocínios ao documentário de Oliver Stone. O aparelho contém, porém, referências a investimentos em produções sobre Jair Bolsonaro e Michel Temer.

O UOL também informou que o documento com o relato detalhado dos pagamentos de R$ 30 milhões em espécie, citado pela Veja, não aparece nas três propostas de delação apresentadas pela defesa do banqueiro. Uma dessas propostas, entretanto, mencionava o patrocínio a filmes sobre Lula e Michel Temer. Fontes ouvidas pelo UOL na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na PF disseram desconhecer a gravação e o documento específico descrito pela revista.

A PGR rejeitou a proposta de colaboração de Vorcaro por considerar que ela não apresentava novidades relevantes em relação às provas já obtidas. Segundo o UOL, o banqueiro não chegou a prestar depoimento oral no âmbito das tratativas. A defesa de Vorcaro afirmou que ele teria elementos para sustentar suas declarações.

Relação de Flávio com Vorcaro entra no radar da PF

A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro também aparece nas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens relacionadas à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar a produção. Segundo informações publicadas pelo UOL, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos para custear o projeto. Os valores negociados não devem ser confundidos com os recursos efetivamente transferidos.

Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, e afirmou que a reunião tratou do encerramento de sua participação no projeto. As movimentações financeiras relacionadas ao filme são objeto de investigação da Polícia Federal.

Campanha de Lula anuncia medidas judiciais

A controvérsia ganhou força às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A campanha de Lula negou as acusações relacionadas ao documentário e anunciou medidas judiciais contra Vorcaro e a revista Veja. Também acusou os envolvidos de tentar interferir no processo eleitoral. Entre as providências anunciadas estão pedidos de investigação e medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação das acusações.

O Grupo Prerrogativas também acionou a Polícia Federal para pedir a investigação de uma suposta articulação envolvendo Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro. A representação solicita que sejam verificadas informações sobre negociações para uma entrevista do ex-banqueiro a uma emissora de televisão e sobre a existência de uma gravação atribuída a ele. O grupo afirma que não teve acesso ao áudio e pede que as informações sejam apuradas pela polícia.

The post Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Grupo Prerrogativas aciona PF para investigar suposta articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro

O Grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal (PF) na quinta-feira (8) para solicitar a investigação de uma possível articulação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

A notícia de fato foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. O documento pede que sejam apuradas informações sobre negociações para uma entrevista de Vorcaro a uma emissora de televisão e a existência de uma gravação de depoimento atribuída ao ex-banqueiro.

Segundo os relatos mencionados na representação, o suposto material conteria referências a adversários de Flávio na disputa presidencial e a integrantes do governo federal.

Os representantes do grupo afirmam que as alegações ainda não foram comprovadas. No documento, sustentam que as informações poderiam ter sido elaboradas para produzir efeitos políticos na reta final da eleição. Eles ressaltam que não tiveram acesso à gravação e que apresentam o caso à PF para que os fatos sejam verificados.

Advogados pedem apuração de gravação e negociações

Entre as solicitações encaminhadas à Polícia Federal estão a análise prioritária do caso e a confirmação da existência do áudio mencionado. Os advogados também pedem a identificação das pessoas que estariam negociando a participação de Vorcaro em uma entrevista televisiva.

A representação ainda solicita que, caso sejam divulgadas novas declarações atribuídas direta ou indiretamente ao ex-banqueiro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou integrantes do governo, seja verificada a origem do conteúdo e sua correspondência com o material citado no pedido, respeitando os limites relacionados à atividade jornalística.

O grupo também quer que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, e ao procurador-geral eleitoral.

Na madrugada desta sexta-feira (9), a revista Veja publicou uma reportagem sobre um áudio e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria afirmado que liberou recursos para a produção do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, em uma operação que envolveria um ex-tesoureiro do PT e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A CNN tenta contato com os citados.

Repasse para filme sobre Jair Bolsonaro também é mencionado

Na representação, os advogados também fazem referência a mensagens e áudios divulgados anteriormente sobre uma negociação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O caso envolve um suposto repasse de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões. Flávio afirmou que buscava recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos apontam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos por meio de diferentes operações bancárias para custear o projeto.

Os advogados do Prerrogativas argumentam que a divulgação de acusações envolvendo terceiros, às vésperas do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, poderia desviar a atenção dos repasses relacionados ao filme e de outras linhas de investigação do caso Master.

Na avaliação apresentada ao órgão policial, essa movimentação também poderia criar um ambiente político favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos. Essas afirmações integram os argumentos da representação e ainda dependem de apuração pelas autoridades.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução

The post Grupo Prerrogativas aciona PF para investigar suposta articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Daniel Vorcaro negocia entrevista exclusiva com Globo e Record, diz Folha

Preso no Distrito Federal, Daniel Vorcaro estaria articulando uma entrevista para falar publicamente sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, pessoas próximas ao ex-banqueiro procuraram a Globo para discutir a possibilidade de uma conversa exclusiva. A Record também teria sido consultada e demonstrado interesse.

Entre as possibilidades avaliadas, Vorcaro teria preferência por uma entrevista com o jornalista Roberto Cabrini, da Record. A escolha estaria relacionada à possibilidade de uma conversa mais longa, diante da maior flexibilidade da emissora para acomodar esse tipo de conteúdo em sua programação.

A eventual entrevista, porém, não depende apenas das negociações com as emissoras. Como Vorcaro está custodiado em uma unidade prisional, qualquer gravação precisaria ser submetida à análise e autorização da Justiça, que deverá considerar as condições de segurança e os procedimentos necessários para a realização do encontro.

A movimentação ocorre enquanto avançam as discussões sobre uma possível colaboração de Vorcaro com as autoridades que investigam o Banco Master. O ex-banqueiro prestou um novo depoimento no mês passado e voltou a manifestar interesse em colaborar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Até o momento, entretanto, não há acordo de colaboração premiada oficialmente anunciado.

Uma eventual entrevista poderia colocar Vorcaro diante das câmeras para apresentar sua versão sobre as investigações e os fatos relacionados ao Banco Master. A possibilidade de exibição em horário nobre também ampliaria o alcance de suas declarações, caso a Justiça autorize a gravação e uma das emissoras avance nas negociações.

Até o momento, Globo e Record não confirmaram oficialmente as tratativas. A defesa de Vorcaro também não se manifestou sobre a possibilidade de entrevista.

The post Daniel Vorcaro negocia entrevista exclusiva com Globo e Record, diz Folha appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Flávio Bolsonaro e o risco de um presidente com esqueletos no armário

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Xeque na Democracia, enviada toda segunda-feira, 12h. Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

O Brasil que sai do primeiro turno está flertando com uma crise institucional permanente. Flávio Bolsonaro teve 2,2 milhões de votos a mais que Lula, ficando em 47% dos votos versus 45,1% do atual presidente. Se eleito, Flávio teria uma bancada de 28 nomes no Senado e 121 na Câmara dos Deputados apenas do PL, seu partido, um desempenho histórico. 

Mas Flávio Bolsonaro é um candidato com muitos esqueletos no armário. Está enredado em vários escândalos e corrupção dos quais, hoje, conseguimos ter apenas um vislumbre, mas que vão se aprofundar nos próximos meses. E isso levará necessariamente a um governo maculado por revelações do seu primeiro ao seu último dia. 

A jornalista Flávia de Oliveira chamou a atenção para o fato de que, por conta da ação de André Mendonça de manter sigilo do caso Master, Flávio é o único candidato investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas – e o eleitor não foi informado disso a tempo. 

Mesmo que você esteja acompanhando as notícias, é possível que tenha perdido as revelações mais recentes.  

Pois vamos a elas. 

Primeiro, as rachadinhas, esquema de desvio de verba pública dos mandatos de Jair Bolsonaro e seus filhos através de saques em dinheiro vivo de funcionários, que depois repassavam à família, das quais Flávio sempre foi figura central. O resultado foi demonstrado há alguns anos pelos jornalistas Juliana Dal Piva e Thiago Herdy: 51 imóveis dos Bolsonaro foram pagos parcialmente em dinheiro vivo. O processo judicial das rachadinhas foi extinto pelo STJ, que questionou a quebra de sigilo fiscal, mas as evidências existem e podem gerar novas investigações.  

Segundo, vamos ao caso Master. Ainda hoje sabe-se apenas parcialmente sobre a relação entre Flávio e Daniel Vorcaro. Além do financiamento generoso do filme Dark Horse e dos muitos diálogos resgatados do celular de Vorcaro, não sabemos qual o valor real dos depósitos, que tipo de dinheiro criminoso foi usado para o pagamento pela empresa Entre Investimentos, que lavava inclusive dinheiro para o crime organizado, e nem para que fim o dinheiro foi usado nos EUA. Não se sabe, ainda, que outros favores e apoios foram prestados pelo banqueiro para Flávio – com quem ele tinha uma relação de amizade, segundo demonstram os diálogos completos publicados pela revista piauí: são 50 mensagens de Flávio, 46 de Vorcaro e 14 ligações – oito delas atendidas. Sempre se tratando como “irmãos”, Flávio chegou a oferecer a Vorcaro uma reunião com Eduardo Bolsonaro em Dubai em novembro do ano passado: “Tá precisando de algo lá? Peço pra ele te encontrar”. Além disso, jantares, cafés da manhã e muitas ligações organizadas entre os dois. 

A mesma revista revelou, ainda, que Flávio e Vorcaro viajaram para Fort Lauderdale, na Flórida, no feriado prolongado de 1º de maio de 2025, tendo passado 3 dias ao mesmo tempo no balneário, apenas dias depois do primeiro depósito de Vorcaro para o filme Dark Horse. É provável que tenham passado e celebrado juntos em uma das famosas festas de Vorcaro nestes três dias. Ainda não sabemos até onde foi essa relação. 

Terceiro, a ligação próxima com o “Careca de INSS”. Como revelou o ICL, Flávio tem uma empresa de capacetes que está registrada no mesmo lugar de empresas do operador financeiro do esquema que desviava verba dos aposentados e causou prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Além de usar o mesmo escritório, a empresa de Flávio usava a mesma contabilidade de Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso.

Quarto, os indícios de corrupção na gestão de hospitais públicos no Rio de Janeiro, inclusive durante a pandemia de Covid. Em uma reportagem bastante detalhada  aqui na Agência Pública, mostramos como Flávio comandava as decisões administrativas e indicações para a gestão dos hospitais federais durante a epidemia. Há diversos indícios de superfaturamento e má conduta em diversos destes hospitais, segundo investigações do TCU e outros órgãos. Esta história está só no começo.  

Quinto, a figura do advogado Willer Tomáz começa a aparecer como uma sombra sobre o passado de Flávio. O advogado já foi descrito como amigo de Flávio pelo próprio, viajou com ele para um safári na África do Sul e usou o jatinho de Willer em sociedade com Daniel Vorcaro. Willer Tomaz atualmente é investigado pela PF depois de iniciar um processo judicial no qual alega que apostou R$ 6,6 bilhões na bet Blaze por “ludopatia” e tenta recuperar R$ 163 milhões.  

Sexto, possível lobby junto ao ministro do STF Kassio Nunes, um expediente descrito por Rodrigo Rangel na sua reportagem sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio seu na fábrica da Kopenhagen, publicado no site Platô. Nas palavras do jornalista, Flávio era um “resolvedor-geral da República” durante o governo de Jair Bolsonaro e teria recebido mimos por isso, incluindo um rolex de 300 mil reais. Rangel é uma das pessoas em Brasília que tem muito mais documentos sobre a relação de Flávio e o ex-sócio, mas não o único. Dentre o material descrito na reportagem estão notas fiscais, relatos, fotos “impublicáveis” de Flávio em orgias com o ex-sócio, segundo descrito na reportagem. Mais gente tem esses documentos – eles vão acabar vindo à tona.

Se for eleito, Flávio Bolsonaro terá as investigações do caso Master suspensas, segundo análise do Jota. Mas o jornalismo investigativo continuará a fazer o seu papel. 

Temos um presidente maculado por corrupção e escândalos variados antes mesmo de pisar no Palácio do Planalto. Não há bancada forte que segure o impacto disto sobre a opinião pública. Além disso, vale lembrar, a liderança de Flávio é contestada mesmo dentro das fileiras do Bolsonarismo. A bancada eleita tem sua agenda própria e desafetos variados que não vão tardar a aparecer.     

Portanto, esta coluna é um aviso. Se o Brasil eleger Flávio Bolsonaro, não estamos flertando apenas com um governo de viés autoritário, mas com um governo que será maculado por escândalos e turbulências, assombrado por ex-sócios, fotos e vídeos “impublicáveis”, e que para se manter no poder só terá o caminho de chafurdar-se mais ainda na lama e perseguir a imprensa e os oponentes – como fez Trump nos EUA. 

Para quem busca “estabilidade”, “previsibilidade” e “segurança fiscal”: está dado o recado.     

  •  

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em março, 38% dos eleitores disseram à Genial/Quaest que evitariam votar em candidatos envolvidos no maior escândalo bancário da história do país, que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master. O fim do primeiro turno, no entanto, mostrou que a disposição do eleitor se concentrou em alguns desses nomes e passou longe de outros, sem garantia de que essa decisão decorreu do envolvimento direto ou indireto dos candidatos no escândalo. Nenhum dos citados foi condenado, e todos negaram irregularidades.

Lista de políticos ligados ao Banco Master eleitos nas eleições de 2026

Na noite deste domingo, com o Piauí ainda contando votos, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) divulgou uma carta de despedida nas redes sociais. Presidente nacional do PP e ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, ele terminou em terceiro na disputa pela reeleição ao Senado, atrás de Marcelo Castro (MDB) e de Júlio César (PSD). “O povo é soberano em suas escolhas”, escreveu.

Ciro é investigado pela Polícia Federal (PF) por suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a PF, a emenda com a qual ele propôs elevar de 250 mil para 1 milhão de reais a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teria sido redigida pela assessoria do banco. Fotos do celular de Vorcaro, reveladas pela piauí, mostram os dois dançando numa estação de esqui nos Alpes, em janeiro de 2025.

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses

No Maranhão, Weverton Rocha (PDT), cujo nome também foi associado a Vorcaro, ficou em quarto lugar na corrida ao Senado. O inquérito que mais pesa contra ele, porém, é o das fraudes no INSS. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) perdeu o governo para Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno. Uma consultoria ligada a ele teria recebido R$ 5,4 milhões do Master, e Vorcaro o citou numa proposta de delação que a PF e a PGR recusaram. ACM Neto diz que seus encontros com o banqueiro foram profissionais. João Roma (PL), convocado pela CPI do Crime Organizado para explicar as mudanças no crédito consignado do Auxílio Brasil, também ficou fora do Senado.

Na mesma Bahia, Jaques Wagner (PT), investigado na Operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido vantagens negociadas com um ex-sócio de Vorcaro, foi reeleito senador com 3,88 milhões de votos. Ele nega ter atuado em favor do banco.

Também saiu ileso o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Neste domingo, a mesma piauí publicou fotos dele em eventos bancados pelo Master em Londres. Motta pediu ao banco um empréstimo para uma empresa da cunhada e diz que a operação foi regular, e Motta foi reeleito com quase 124 mil votos na Paraíba.

Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa
Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa

No Rio de Janeiro, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, cujo escritório teria recebido R$ 6,4 milhões do Master, foi eleito deputado federal com 155.836 votos. Advogado pernambucano de 51 anos, ele disputou um cargo eletivo pela primeira vez, depois de décadas nos bastidores, e fez campanha pela Baixada Fluminense. O Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a impugnação do registro, sob o argumento de que a candidatura teria se beneficiado de uma estrutura política ligada a milícias na região. O TRE-RJ liberou a candidatura em 22 de setembro. Rueda nega irregularidades.

Dois nomes nem chegaram à urna. Ibaneis Rocha (MDB) foi o único político que Vorcaro citou nominalmente em depoimento ao STF. Deixou o governo do Distrito Federal para disputar o Senado e desistiu em julho. “Vou cuidar da minha vida”, disse à Folha. No Rio, Cláudio Castro (PL) abandonou a disputa em maio, depois de buscas da PF ligadas a aplicações do Rioprevidência no banco. A essa altura, o TSE já o havia declarado inelegível em outro processo. Davi Alcolumbre, que a piauí cita entre os frequentadores das festas de Vorcaro, não disputava nada e perdeu mesmo assim, porque seus aliados foram derrotados no Amapá. 

Em São Paulo, o deputado Mario Frias (PL), produtor-executivo de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro bancado em grande parte por Vorcaro, foi eleito por São Paulo com 91 mil votos. Em setembro, ele foi alvo de buscas da PF numa investigação sobre cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares que teriam sido desviadas para o filme.

Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal com mais de 2,6 milhões de votos e tornou-se o deputado mais votado da história do país. Em março, quando a CPI do INSS encontrou seu número entre os contatos do celular de Vorcaro, ele disse que nunca havia se encontrado com o banqueiro e que não se lembrava de ter conversado com ele. Admitiu apenas ter viajado num avião de Vorcaro, sem saber, segundo ele, quem era o dono.

Em setembro, o ICL Notícias revelou áudios enviados por Nikolas ao banqueiro em março de 2025. Neles, o deputado pede a Vorcaro que ajude seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, a liberar um ativo de mineração que estava parado. Em outra mensagem, desculpa-se por ter criticado, nas redes, um evento em Londres, financiado pelo Master. Nikolas confirmou os áudios. Disse que recebeu o contato do pastor André Valadão em 2023, que conhecia o banqueiro apenas como “Dani” e que nunca recebeu dinheiro dele.

No Distrito Federal, 12 dos 15 deputados distritais que aprovaram, em 2025, a compra do Master pelo BRB foram eleitos neste domingo, segundo o site Amado Mundo: 11 foram reconduzidos à Câmara Legislativa e um, Thiago Manzoni (PL), chegou à Câmara dos Deputados com 90.418 votos.

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.
O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel

Flávio mentiu 43 vezes sobre relação com Vorcaro 

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno à frente de Lula, com 47,27% dos votos válidos contra 44,88%. Segundo as investigações, Vorcaro teria pagado cerca de 14 milhões dos 24 milhões de dólares solicitados por Flávio, numa relação que passa pelo financiamento de Dark Horse, filme sobre o pai dele. Flávio nega ter oferecido contrapartida.

A versão do candidato, porém, mudou ao longo da campanha. O levantamento do Aos Fatos, publicado em 24 de setembro, mapeou ao menos 43 declarações enganosas de Flávio sobre o caso, organizadas em cinco estratégias. Em março, quando seu número apareceu entre os contatos do celular de Vorcaro entregues à CPI do INSS, disse que não conhecia o banqueiro. Em maio, quando o Intercept Brasil revelou as mensagens entre os dois, primeiro negou que existissem e, horas depois, admitiu as conversas, mas sem reconhecer irregularidade. Mais recentemente, passou a atacar Alexandre de Moraes, do STF, por ter voado num jatinho ligado a Vorcaro, até que documentos da PF mostrassem que ele próprio viajou na mesma aeronave. Nas mensagens, Flávio chamava o banqueiro de “irmão” e dizia: “estarei contigo sempre”.

  •  

Pesquisa: Vídeo de Porchat sobre Master “fura bolha” mas campanha de Lula falha nas redes

O vídeo “Grandes Igrejas, Master Negócios, publicado pelo ator e comediante Fábio Porchat, na semana passada conseguiu dois feitos almejados pela campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. O primeiro foi “furar a bolha” dos grupos já alinhados com as pautas de esquerda, e o segundo foi explicitar o elo entre o maior escândalo financeiro do país, o caso Master, e o grupo político ligado ao principal adversário de Lula na corrida presidencial, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A conclusão é do cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães. 

“O Flávio Bolsonaro aparece como o segundo nome mais citado em um caso que nem é diretamente sobre ele, mas o envolve como um potencial beneficiário ou agente envolvido. Depois vêm o André Valadão com 11,6%, e o Nicolas Ferreira com 2,9%.”

O vídeo de Porchat foi alvo de um relatório da Ipse Global que realiza monitoramentos dos temas que movimentam a esfera pública digital para o desenvolvimento de estratégias de marketing político e eleitoral. Em entrevista à Agência Pública, Magalhães não aponta apenas pontos positivos sobre a campanha do presidente candidato à reeleição. 

Magalhães explica que o acesso ao vídeo do Porchat para fora da “bolha” de Lula não significa conversão em voto. “O material circulou mais fora do campo que o produziu do que dentro dele, o que é um caso raro. Mas o alcance não é [necessariamente] adesão. Nós medimos a exposição”, explica. 

Além disso, o cientista político afirma que o marketing eleitoral dos dois principais candidatos à Presidência da República estão perdendo oportunidades de obter resultados melhores nas redes sociais. O motivo seria a adoção de estratégias rígidas, ou como Magalhães nomeou: “receitas de bolo”. Para o diretor, o sucesso do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem ocorrido nas frentes digitais da corrida eleitoral “mais por lacunas deixadas pela campanha do Lula do que por outra coisa.”  

O diretor executivo também faz um alerta, vindo das pesquisas qualitativas realizadas pela Ipse Global. A falta de confiança do eleitor nas instituições e no futuro segue crescendo, o que mantém um forte sentimento anti-sistema. 

“Quem vem com uma proposta de resetar o sistema, uma coisa muito forte em 2018, fabricada pelo [Jair] Bolsonaro, acaba mantendo um eleitorado cativo. E quem sugere uma mudança no sistema, segura esse eleitorado”, argumenta.

Segundo Magalhães, isso é um desafio para o presidente que está no poder e, para o eleitor, mantém e representa esse mesmo sistema. “A campanha do Lula não entendeu que precisa dar esperança, que as pessoas precisam de caminho. [Falta dizer] ‘olha, nós também estamos insatisfeitos, se nós pudéssemos, teríamos feito mais, não tivemos oportunidade, mas, a gente quer fazer mais’”, conclui. 

Leia os principais trechos da entrevista de Leonardo Magalhães à Pública: 

Cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães
Cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães

No relatório sobre as reações ao vídeo do ator Fábio Porchat, os dados mostram que o engajamento diário saltou de 1,15% para 5,78% em uma semana. Esse vídeo conseguiu furar a bolha e chegar aos eleitores indecisos?

Chegou a quem não tem lado fixo, mas não há evidência matemática de que tenha convertido alguém. Na análise de mídias sociais, você não consegue cravar a conversão de voto a menos que tenha uma massa histórica de dados muito explícita. O que o dado preciso nos mostra é que o engajamento quintuplicou em uma semana, e o pico não aconteceu no dia do lançamento do vídeo, mas no dia da remoção do perfil do ator pelas plataformas.

Foram duas pautas que se somaram: a denúncia original e a pauta da censura. Essa segunda acabou se sobrepondo, o que atraiu muito o público que consome teorias de conspiração e polêmicas. Entre os perfis sem posicionamento definido, uma em cada quatro publicações nomeava o vídeo ou o Porchat. Na bolha de esquerda, era apenas uma em cada oito. O material circulou mais fora do campo que o produziu do que dentro dele, o que é um caso raro. Mas o alcance não é [necessariamente] adesão. Nós medimos a exposição. 

Entre os nomes citados no caso, Daniel Vorcaro concentra o maior desgaste, seguido por Flávio Bolsonaro; instituições como a Igreja Batista da Lagoinha lideram o engajamento. É possível concluir que o episódio conseguiu ‘colar’ o escândalo do Banco Master ao campo bolsonarista?

Sim, eu diria que sim, os nomes citados e a forma como eles são citados também evidenciam isso. O Flávio Bolsonaro aparece como o segundo nome mais citado em um caso que nem é diretamente sobre ele, mas o envolve como um potencial beneficiário ou agente envolvido. Depois vêm o André Valadão com 11,6%, e o Nicolas Ferreira com 2,9%.

O dado mais forte é que a associação da Igreja da Lagoinha com o caso, que lidera com 49% do engajamento, não foi construída por um argumento lógico-racional, mas, sim, por cenas e imagens que circularam massivamente. O caso produziu uma quantidade enorme de registros visuais e testemunhos, o que fixa a denúncia no imaginário de forma muito mais profunda do que um texto escrito. 

A campanha de Lula tenta explorar esses episódios de corrupção do adversário, mas sem o mesmo sucesso digital. Por que o vídeo do Porchat funcionou e a comunicação oficial do governo não funciona?

Porque o emissor faz parte da mensagem. No caso do Banco Master, os influenciadores respondem por 38,5% do engajamento e os políticos por apenas 21,2%. No debate digital sobre o presidente Lula na ONU, por exemplo, a proporção se inverte: 55,3% da indignação da oposição é produzida diretamente por agentes políticos e não por influenciadores.

[Essa] denúncia feita por um político é imediatamente lida pelo eleitor como peça de campanha. Ela ativa o modo de defesa do campo adversário na mesma hora. Já a denúncia feita por alguém de fora do sistema partidário é lida como apuração independente ou como uma resposta legítima da sociedade. 

O adversário fica sem saber como responder, porque ele não pode atacar a sociedade civil diretamente, a menos que tente rotular aquele emissor como militante. Esse caminho de usar influenciadores, a campanha pode estimular na informalidade, mas não pode assinar, porque no momento que assina, que isso faz parte da campanha, o efeito [positivo] acaba sendo desfeito.

O campo bolsonarista optou pelo silêncio estratégico sobre o vídeo do Porchat. Essa tática de não responder foi positiva para eles nas redes?

Para eles foi, na verdade, a melhor opção que tinham à disposição. E, claramente, foi bem mais deliberado do que parece. Na bolha de direita, não localizamos publicações de destaque mencionando o Porchat ou o vídeo. Eles falam do “caso Master”, mas ignoram a peça que os acusa.

Na lógica das plataformas, responder equivale a distribuir. Cada refutação que eles tentassem fazer entregaria ao denunciante uma audiência que ele não teria sozinho, transformando uma acusação de terceiros em uma conversa entre pares. 

Por outro lado, o silêncio custa caro para o Flávio Bolsonaro: quem não responde, não enquadra o assunto. Eles perderam a chance de definir o significado do caso, aceitaram o enquadramento do adversário e deixaram o tema livre para ser reciclado no futuro. 

O que a força desses escândalos e a fragilidade do debate eleitoral formal revelam sobre quem pauta uma campanha digital hoje?

Não existe uma resposta única e isso fica evidente na diferença entre os casos [analisados]. O escândalo [do Master] é pautado por quem está fora da política institucional, ou na oposição. Já a disputa eleitoral, propriamente dita, continua nas mãos dos políticos. 

No debate sobre o presidente Lula na ONU, 55,3% [do engajamento] foi gerado por políticos da oposição e 38,2% [gerado por políticos aliados] de apoio. [A soma é de 93% do engajamento total]. 

A imprensa é minoritária em engajamento nos dois casos citados: Master ou campanha eleitoral. […] A gente está vendo também um desarranjo muito grande do sistema de mídia, que é um sistema híbrido [tradicional e redes sociais]. 

A gente tem uma pauta que está ocupando a agenda inteira [caso Master]. A campanha está muito morna, não se fala praticamente de campanha, não se sente um clima de campanha. Isso de alguma maneira está gerando um prejuízo para a campanha do Lula, que é quem deveria, ou poderia, estar falando dos feitos deste último governo, de qual direção quer para o futuro, e não estão conseguindo. Está falando basicamente [do caso Master]. 

A própria mídia ajuda muito nisso e eu entendo. É interessante falar e explorar o caso Master por uma questão de audiência. Se não fizer isso, vai perder a audiência para outro que vai fazer. É o caso mais interessante e ficar falando de proposta acaba não sendo tão palatável, pensando na lógica da economia da atenção.

Pensando em Lula e Flávio Bolsonaro, alguma campanha está vencendo o debate sobre o caso Master?   

Não acredito que o campo da oposição, dos bolsonaristas, tenha entendido como usar melhor o caso. Acredito que a campanha do Lula está comendo algumas bolas, [vejo] oportunidades perdidas. Talvez por não entender como utilizar o marketing político, porque ele está cheio de “receita de bolo”. Por mais que a gente fale de profissionalização e modernização das campanhas eleitorais, e de uso maior de dados segmentados, que é como a Cambridge Analytica, que ficou famosa há anos atrás.

Na minha visão, ambas as campanhas estão usando essas “receitas de bolo” para ganhar vantagem em cima do adversário. A do Flávio Bolsonaro está usando uma estratégia mais de contenção e está se dando bem mais por lacunas deixadas pela campanha do Lula do que por outra coisa.

A campanha do Lula aplicou uma regra que tende a funcionar em eleições genéricas que é a da campanha negativa, para desidratar um adversário. Principalmente, quando o adversário está tão associado, de forma tão óbvia, com provas, com imagens, a um caso de corrupção grande como é o caso Master. 

Só que eles [da campanha de Lula] estão esquecendo de analisar o presente, como as coisas estão funcionando de fato, com uma mentalidade mais pragmática, não o que normalmente funciona. Na questão do Banco Master, tudo aquilo que envolve corrupção, as pessoas [que votam em Flávio] já colocaram na conta. 

A campanha de Lula não entendeu [isso], apesar de todo o barulho que vários atores estão fazendo, imprensa, influenciadores, a própria campanha, toda a esfera política aliada ao Lula, e nem isso está desidratando o Flávio. 

Como o governo poderia quebrar essa dinâmica?

A oposição não tem como lutar no terreno da entrega material, campo no qual o governo teria vantagem, mas, por algum motivo, está ignorando isso. Acredito que seja porque [Lula optou por] aplicar uma “receita de bolo” na campanha eleitoral. 

O que a oposição faz é lutar num terreno mais favorável e o próprio campo governista está contribuindo. Em qualquer outra eleição, com qualquer outro candidato, em qualquer outra circunstância, um candidato com as suspeitas que recaem sobre o Flávio Bolsonaro não teria a menor chance de vencer. Não alcançaria nem 5% [dos votos]. Mas, evidentemente, tem alguma coisa ligada ao antipetismo [ou] ao bolsonarismo, que faz a oposição lutar em um terreno mais favorável.

Para reverter isso [é preciso] atuar com mais informação. [A campanha de Lula] tem que dar uma forma narrativa ao que já foi entregue [pelo governo]. Com rosto, emoção, lugar, conflito, mostrar um antes e um depois, indicar para onde quer ir.

Isso que o governo deveria fazer, enriquecer essa narrativa para se diferenciar do adversário, ele pode fazer isso. Mas tem que entregar de uma maneira mais sistêmica essa narrativa. Não é colocar todas as fichas em cima de falar sobre os defeitos do adversário, quando isso não está funcionando e talvez não funcione também no segundo turno. 

O vídeo [do Porchat] é um modelo de formato. Ele conta uma história que funciona, com personagens, não é um balanço de governo. Como campanha negativa, [porém], não é a resposta ideal para a campanha do Lula porque continua jogando exclusivamente nesse campo [de abordar o escândalo do Master] que é um campo menos pior para o adversário [Flávio Bolsonaro].  

O relatório aponta que o enquadramento de “corrupção moral” responde por 67,2% dos debates do caso Master. Já os sentimentos de indignação e desprezo geram 85% de reações relacionadas a ele. Por que a pauta moral engaja tanto mais do que os debates sobre economia e entregas sociais?

A razão disso é mais econômica, no sentido de custo [pessoal]. A acusação moral não exige que o eleitor verifique nada, é o suficiente. [O eleitor] precisa apenas reconhecer uma cena. Já a entrega material exige que o eleitor identifique um benefício na própria vida, ou na vida de quem ele reconhece como família, ou, de maneira um pouco mais ampliada, como comunidade. E esse processo é bem mais lento e menos compartilhável.

O que as pesquisas qualitativas estão identificando e como isso afeta o comportamento eleitoral brasileiro?

O que a gente vê é uma falta de confiança enorme, crescente, nas instituições, no futuro, no outro. E também uma insatisfação muito grande com o sistema. Como se, após várias décadas de promessas de que haveria crescimento na qualidade de vida, isso não se sustentasse mais.

As pessoas estão insatisfeitas, têm que colocar a culpa em alguém. Então, quem vem com uma proposta de resetar o sistema, uma coisa muito forte em 2018, fabricada pelo [Jair] Bolsonaro, acaba mantendo um eleitorado cativo. E quem sugere uma mudança no sistema, segura esse eleitorado.

A campanha do Lula não entendeu que precisa dar esperança, que as pessoas precisam de caminho. [Falta dizer] ‘olha, nós também estamos insatisfeitos, se nós pudéssemos, teríamos feito mais, não tivemos oportunidade, mas, a gente quer fazer mais’. 

A resposta que [o governo Lula] deu nos últimos anos é muito baseada na defesa do sistema, em fazer certos acordos, e não em combater o bolsonarismo. Apesar de ser mais neoliberal, mais pró-sistema do que o governo Lula, [o bolsonarismo] habilmente monopolizou a rebelião antissistema.

  •  
❌