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Lesados de burla imobiliária em Palmela exigem medidas para proteger compradores de casas

O grupo de lesados de uma alegada burla imobiliária em Palmela, no distrito de Setúbal, que afetou cerca de 145 compradores, reclamou hoje do Governo e do parlamento medidas legislativas para proteger os adiantamentos pagos na compra de habitação.
Em comunicado divulgado hoje, o Grupo de Lesados por Burlas Imobiliárias de Palmela, que estima em cerca de 15 milhões de euros os prejuízos sofridos pelos compradores, defende que o Governo e o parlamento devem criar de mecanismos de proteção dos sinais e reforços de pagamento entregues aos promotores imobiliários antes da escritura.
As cinco medidas propostas pelo grupo de lesados da burla imobiliária em Palmela passam pelo “registo eletrónico obrigatório dos contratos-promessa com identificação única e alertas para promessas de venda sobrepostas”, “registo da titularidade do bem, dos poderes de quem vende e da situação urbanística do imóvel” e a “proteção dos sinais e reforços, através de meios como seguros-caução”.
“O cruzamento de informação entre registos, autarquias e outras entidades competentes, criando o BI do Imóvel, um registo único, de livre acesso” e a “fiscalização e responsabilização reforçadas de promotores e mediadores imobiliários”, são as outras medidas exigidas pelo grupo de lesados de Palmela.
No comunicado, o grupo recorda que a lei já prevê o registo de contratos-promessa com eficácia real a partir do momento em que haja aprovação de propriedade horizontal”, mas defende que é preciso conseguir “uma proteção equivalente para os contratos de bens futuros, que permitam contribuir para o financiamento da obra, mas com proteção integral do dinheiro investido por promitentes compradores”.
“Não bastam as alterações do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE), é preciso ver também aspetos no Código Civil e no regime do registo predial”, sublinha o grupo de lesados de Palmela.
Na nota, o grupo de lesados lembra que já deu conhecimento destas propostas à Presidência da República, primeiro-ministro, Procuradoria-Geral da República, Provedoria de Justiça, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Instituto dos Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção (IMPIC), Banco de Portugal e outras entidades públicas, mas ainda não recebeu qualquer proposta de medidas concretas.
Os lesados da burla imobiliária que afetou cerca de 145 compradores de empreendimentos habitacionais previstos para o concelho de Palmela, dos quais resultaram apenas 21 moradias e um edifício com cinco frações, todos inacabados, entendem que a legislação atual não assegura uma proteção financeira eficaz a quem compra imóveis em planta ou em construção, deixando os compradores expostos ao risco de perderem as poupanças em caso de incumprimento ou fraude.
Sustentam ainda que a simplificação administrativa deve ser acompanhada de maior segurança jurídica e financeira para os compradores.
Recorde-se que foi noticiado em janeiro deste ano que mais de 120 famílias que entregaram quantias avultadas como sinal para aquisição de moradias à Sociedade Comercial Diagramamotriz, entretanto declarada insolvente, em negócios que tiveram a intermediação de imobiliárias como a Remax Expogroup Trust e a Bluecoast.
No processo, em investigação pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal, está em causa o incumprimento dos contratos-promessa de compra e venda de imóveis nos empreendimentos Palmela Dreams, Alcaide Villas, Urbanização de Santa Teresinha (lotes 14/15/16), Aires Dreams Living e Ferra Cinta, no concelho de Palmela, distrito de Setúbal.
Cerca de 60 organizações recrutam na Faculdade de Direito da Universidade Católica

Cerca de 60 organizações — sociedades de advogados, empresas, consultoras e instituições públicas — vão estar presentes nos dias 28 e 29 de outubro na Faculdade de Direito — Escola de Lisboa da Universidade Católica Portuguesa (UCP) para recrutar estudantes de Direito.
A iniciativa, denominada JobShop e organizada pelo Gabinete de Carreiras da faculdade, inclui ainda três mesas-redondas dedicadas aos temas que estão a transformar a profissão: a transformação digital, a geopolítica e o futuro das carreiras jurídicas.
Segundo a diretora da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da UCP, Ana Taveira da Fonseca, “a JobShop permite aos nossos estudantes conhecerem de perto a realidade das profissões jurídicas e falarem com quem as exerce todos os dias, aproximando a formação académica do mercado de trabalho”.
No primeiro dia do evento, a mesa-redonda “Direito 360.º — Desafios impostos pela transformação digital” junta advogados, magistrados e representantes do meio empresarial para discutir o impacto da tecnologia nas profissões jurídicas. Participam a Abreu Advogados, o Centro de Estudos Judiciários, a Pérez-Llorca, a DXC Technology, a Gómez-Acebo & Pombo, a Morais Leitão e a Vieira de Almeida.
Ainda a 28 de outubro, mas na parte da tarde, a sessão “Direito 360.º — Futuro das carreiras jurídicas” trata das oportunidades e dos desafios das várias profissões, com intervenções de sociedades de advogados, do Ministério Público e do Banco de Portugal.
No dia seguinte, a mesa “Direito 360.º — Desafios da geopolítica no exercício das profissões jurídicas” reúne advogados e diplomatas para analisar a influência do contexto geopolítico na prática jurídica, estando presentes a Eversheds Sutherland, a Gama Glória, a CMS, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a LEKTOU.
Para além das sessões de debate, os dois dias de evento contemplam um Recruiting Lounge, que funciona como ponto de encontro direto entre estudantes e potenciais empregadores, e o momento “A Hora do Sócio”, em que os sócios responsáveis pelo recrutamento nas sociedades de advogados respondem a dúvidas e partilham a sua visão sobre as oportunidades profissionais.
Entre as entidades presentes contam-se a Autoridade da Concorrência, a Câmara Municipal de Lisboa, o Centro de Estudos Judiciários, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Centro de Informação Europeia Jacques Delors e algumas das maiores sociedades de advogados destacadas nos rankings nacionais e internacionais.
A JobShop é um evento exclusivo para alunos de licenciatura, mestrado e LL.M. (Latin Legum Magister) da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.
Portugal e China vão negociar novo acordo de reconhecimento de cursos

Portugal e China vão retomar no próximo ano as negociações com vista a um novo acordo de reconhecimento mútuo de graus e diplomas de Ensino Superior.
“Ambas as partes concordaram que o acordo a negociar constitui um elemento essencial no intercâmbio académico entre os dois países no domínio do Ensino Superior”, informa o Ministério da Educação, Ensino Superior e Ciência em comunicado às redações esta quarta-feira, 21.
O documento precisa que a parte portuguesa, liderada pela Direção-Geral de Estudos, Planeamento e Avaliação (DGEPA), apresentou uma nova versão do projeto de acordo, propondo a substituição do texto de 2005, atualmente em vigor, tendo a parte chinesa indicado que iria proceder à análise interna da proposta.
Portugal e China acordaram “promover ativamente” um processo de consultas técnicas em 2027.
Os dois países acordaram também iniciar em 2027 consultas técnicas na área do ensino e formação vocacional, com vista “à elaboração de instrumentos de cooperação bilateral”,
com especial incidência no intercâmbio de boas práticas, no desenvolvimento curricular, na formação de professores e de formadores, e nas parcerias institucionais.
Este é, por assim dizer, o balanço da primeira reunião do Grupo de Trabalho Portugal-China sobre Educação, incluindo Ensino Superior, realizada esta terça-feira, 19, em Pequim, após a o encontro político entre o ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, e o ministro da Educação da China, Huai Jinpeng.
A Declaração define cinco áreas prioritárias para o desenvolvimento da cooperação nas áreas da ciência e tecnologia. A saber: economia azul, energia, agricultura, saúde e património cultural.
Relativamente à preparação do Plano de Ação Conjunto para 2027–2030, o comunicado do MECI revela que “a China apresentou três áreas prioritárias de cooperação: o diálogo entre presidentes de Universidades da China e de Portugal; a formação conjunta de engenheiros de excelência; e a cooperação apoiada pela inteligência artificial” E Portugal apresentou quatro áreas prioritárias de cooperação: “formação avançada, mobilidade académica e desenvolvimento de talentos; cooperação transnacional no ensino superior e garantia da qualidade; parcerias estratégicas entre instituições de ensino superior; e cooperação linguística e cultural”.
Na Declaração Conjunta do Grupo de Trabalho assinada esta segunda-feira, 18, ficou ainda definido que Portugal participará, como País de Honra, na Conferência Anual e Exposição da China sobre Educação Internacional, bem como na paralela Exposição de Educação da China, ambas a realizar em 2027.
Fernando Alexandre e a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, encontram-se em visita oficial à China, com passagens por Tianjin, Pequim e Xangai num aprofundamento das relações bilaterais nas áreas da Investigação, da Inovação, da Educação e do Ensino Superior. Integram a comitiva o presidente da Agência para a Investigação e Inovação (AI2), João Barros, o presidente do Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.), Joaquim Mourato, a Sub-Diretora da DGEPA, Sofia Cordeiro, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), Luís Ferreira, e o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Luís Loures, bem como reitores e investigadores de 15 instituições portuguesas.
A delegação visitou já diversas instituições de ensino superior, centros de investigação e empresas do país asiático, em Tianjin, em Pequim e em Xangai, tendo em vista aprofundar a cooperação já existente e explorar novas oportunidades com instituições chinesas.
Foto: Ministério da Educação, Ciência e Inovação
Perfumes e moda elevam receitas da espanhola Puig no 3.º trimestre

O grupo espanhol de fragrâncias e moda Puig divulgou resultados recorde este trimestre: as receitas líquidas atingiram 1.390,8 milhões de euros, mais 7,2% face ao terceiro trimestre do ano passado. A divisão de perfumes e moda, em que estão incluídas marcas como Carolina Herrera e Jean-Paul Gaultier, foi a principal responsável pelos números, representando 72% dos ganhos.
A análise dos resultados dos primeiros nove meses mostra que as receitas somaram 3.744,5 milhões de euros, um aumento de 4,1% face ao mesmo período de 2025. É, no entanto, um ritmo mais lento do que os 7% de crescimento que se verificaram no mesmo trimestre de há um ano.
Como acontece com a EssilorLuxottica, a região da Ásia-Pacífico lidera o crescimento do grupo. As receitas na região aumentaram 17,9% nos primeiros nove meses, para 430 milhões de euros, e 12,9% no terceiro trimestre. Dentro da Puig, as vendas nesta zona do globo são 11% das receitas do grupo neste período. Nas restantes áreas, Europa, Médio Oriente e África o crescimento foi de 3% e no continente americano de 3,8%.
A maquilhagem é o segmento da Puig que mais cresceu no terceiro trimestre: 16,1%, em parte suportados pela marca Charlotte Tilbury, com ganhos de quota e algumas melhorias na distribuição. A make up representa 17% das receitas do grupo espanhol.
Fragrâncias e moda mantêm-se como principal negócio da Puig. Esta área de negócio, que inclui também as marcas Rabanne e Dries Van Noten, gerou 2.702 milhões de euros, representa 72% das receitas e teve um crescimento de 3,8% nos nove meses. No trimestre, avançou 3,9%, com destaque para as fragrâncias de nicho e a Carolina Herrera.
A área mais fraca é skincare, que cresceu 1,3% nos nove meses de 2026, para 414,1 milhões de euros. Porém, recuou 0,8% no terceiro trimestre. Os desempenhos são variados, de acordo com o comunicado da Puig. A marca Uriage cresceu a dois dígitos, mas os cuidados de pele premium continuaram fracos.
No último trimestre, a Puig acordou a aquisição de 50% da marca de dermocosmética ISDIN que ainda não detém. Segundo o comunicado, “nos termos do acordo, a Puig pagará 900 milhões de euros em numerário no fecho da operação”. “Um pagamento diferido, fixo e sem juros, de 300 milhões de euros será devido no primeiro trimestre de 2029”, acrescenta.
O ano de 2026 fica marcado por uma tentativa de acordo de fusão entre o grupo de origem catalã e a norte-americana Estée Lauder. Em maio, Marc Puig, chairman da Puig, disse aos acionistas que a empresa não estava à venda e que a família fundadora se manteria como acionista de longo prazo. A apresentação da nova estratégia do grupo está marcada para 28 de outubro.
Multa histórica para Meta: pagará 25.000 millones de dólares en Nuevo México por las malas prácticas de Facebook
Nuevo México ha tomado la delantera como un Estado pionero a la hora de poner freno a los abusos de las compañías tecnológicas. Este miércoles, un juez ha ordenado a Meta —la compañía matriz de Facebook, Instagram y WhatsApp— pagar nada menos que 25.000 millones de dólares (más de 22.000 millones de euros), tras decidir que la compañía es culpable de engañar a sus usuarios, en concreto a los de Facebook, con respecto a la moderación de contenidos y también con sus políticas de privacidad.

© NurPhoto (NurPhoto via Getty Images)
Estudo indica que 88% das gestoras em Portugal antecipam crescimento dos negócios até 2029

As líderes empresariais portuguesas revelam uma elevada confiança no crescimento das suas próprias empresas nos próximos três anos, superando a média mundial, apesar de demonstrarem uma prudência acentuada em relação à economia nacional e global.
De acordo com o estudo Global Female Leaders Outlook 2026 da KPMG, 88% das gestoras em Portugal estão otimistas quanto ao futuro das suas organizações (face a 72% a nível global) e 70% acreditam na evolução positiva do seu setor (face a 62% global).
Em contrapartida, a confiança cai progressivamente à medida que o horizonte se alarga, com apenas 35% a demonstrar otimismo face à economia portuguesa e uns expressivos 17% em relação à economia mundial.
Este último indicador representa o nível mais baixo de confiança na economia global registado em todo o período analisado pelo estudo, ficando inclusivamente abaixo dos valores verificados durante a pandemia da COVID-19.
Banco Santander quer criar uma nova corretora de seguros em Espanha

O Banco Santander, em Espanha, contratou a consultora KPMG para selecionar um parceiro e criar uma nova corretora de seguros dedicada a empresas. No âmbito do projeto, a instituição financeira pretende reter uma posição de 49%, alienando a maioria do capital (51%) ao novo aliado, avança o jornal Expansión (acesso pago). O processo de seleção está em andamento. mas o banco espera fechar a escolha do parceiro antes do final do ano.
Para este processo competitivo, o Santander convidou um grupo restrito de corretoras, onde se incluem a WTW (Willis Towers Watson), Aon, Sabseg e Alkora. Ficaram fora do convite gigantes do setor como a Marsh. A nova empresa conjunta irá canalizar o negócio que o Santander partilha atualmente com a WTW, com quem tem uma parceria comercial focada em clientes empresariais com faturação superior a 50 milhões de euros e que movimenta cerca de 100 milhões em prémios intermediados.
Se a WTW não vencer o concurso arrisca-se a perder a parceria se o banco optar por outro concorrente. A participação da Aon e da Sabseg poderá ainda levantar questões de conflitos de interesses, devido às ligações de responsáveis das duas corretoras ao grupo bancário.
A aposta no segmento empresarial insere-se numa estratégia mais ampla para dinamizar o braço segurador da instituição em Espanha, onde o banco conta com mais de 450.000 clientes empresariais. Atualmente, o Santander regista 2,5 milhões de clientes com seguro no país, para um universo de 9,3 milhões de clientes ativos, o que representa um potencial de crescimento para quase triplicar a sua base atual de segurados.
O Santander mantém também uma parceria com a Mapfre, através da sociedade conjunta Santander Mapfre, cuja atividade se concentra sobretudo nos seguros automóvel, embora inclua também coberturas para pequenas e médias empresas (PME).
No final de 2025, a Santander Seguros geria 16.427 milhões de euros em seguros de vida ligados à poupança e 13.808 milhões de euros em ativos de fundos de pensões.
Geração Depositrão mobiliza mais de 345 mil alunos e recolhe 470 toneladas de resíduos elétricos

Mais de 345 mil alunos, 473 escolas e 470 toneladas de resíduos corretamente encaminhados. É o balanço da 18.ª edição da Geração Depositrão, iniciativa de educação ambiental promovida pela ERP Portugal, que volta a afirmar-se como um dos maiores projetos de sensibilização ambiental em contexto escolar no país.
Este ano, a iniciativa esteve presente em escolas de todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas, envolvendo não só alunos e professores, mas também as famílias, na correta gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE) e de pilhas e baterias.
Além da recolha, a edição combinou educação e criatividade, em parceria com a ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação. Ao todo foram recebidos 172 trabalhos pedagógicos nos diferentes escalões de ensino.
Calheta lidera e Lisboa é o distrito que mais recolheu
Em peso absoluto, a grande vencedora foi a EB 2,3/S da Calheta, na ilha de São Jorge, Açores, com 40.913 kg de resíduos encaminhados. No pódio seguem-se duas escolas do concelho de Odemira: a EB 2,3 Damião de Odemira, com 27.214 kg, e a Escola Básica de Sabóia n.º 1, com 24.330 kg.
Por distritos, Lisboa liderou a recolha nacional com 63.820 kg, seguida de perto por Beja com 63.001 kg e Angra do Heroísmo com 42.297 kg.
As escolas foram distinguidas em diferentes categorias – peso absoluto, per capita e por tipo de resíduo, incluindo televisores e monitores, equipamentos de frio e pilhas e baterias – com o apoio da Worten, Orima, Pingo Doce e LG.
“A Geração Depositrão é, acima de tudo, um projeto de educação e mobilização para a correta gestão de resíduos, e reforço da responsabilidade social de todos nós. Ao longo de 18 edições, temos procurado transformar a escola num espaço onde a sustentabilidade não se aprende apenas, mas se pratica. Quando um aluno aprende onde deve entregar uma pilha ou um equipamento elétrico e leva esse conhecimento para casa, estamos a criar um impacto que vai muito além da escola”, afirma Rosa Monforte, Diretora-Geral da ERP Portugal.
Com 18 edições, o projeto tem como objetivo consolidar uma cultura de responsabilidade ambiental e reforçar o papel de cada cidadão na economia circular, incentivando a entrega destes resíduos nos canais adequados.
Empresas vão ter mais tempo para levantar 434 milhões de euros que ainda estão no Fundo de Compensação do Trabalho

A ministra do Trabalho adiantou esta quarta-feira que as empresas vão ter mais tempo para resgatar os 434 milhões de euros que ainda estão no Fundo de Compensação do Trabalho (FCT), para lá de 31 de dezembro deste ano. Aos jornalistas, Maria do Rosário Palma Ramalho explicou, contudo, que ainda não está decidido qual será a duração desse adiamento, sendo que tanto as confederações empresariais como a UGT defendem um prolongamento de seis meses.
“Nenhum ponto está consensualizado, a não ser que vai haver um adiamento“, indicou a ministra da tutela, à saída de uma reunião da Comissão Permanente da Concertação Social, que decorreu esta tarde no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa.
Entre os parceiros sociais, duas das confederações empresariais e a UGT propuseram que o prazo para a mobilização dos saldos do FCT seja estendido por seis meses, considerando que a maioria das verbas desse fundo continua por resgatar.
Além disso, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP), a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) defenderam que, para as empresas com saldos inferiores a cerca de mil euros (cerca de 70% dos casos, segundo os patrões), deve ser possível simplesmente levantar a verba em questão, sem ter de a canalizar para os fins específicos hoje previstos (formação, habitação, investimentos de interesse mútuo e compensações por despedimento).
Questionada sobre esta última proposta, a ministra do Trabalho sublinhou que esse é outro dos pontos que tem de ser consensualizado, sendo que, aos jornalistas, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, também não fechou a porta a essa flexibilização dos levantamentos do FCT.
“Se há empresas que têm valores residuais [no FCT], que não vão resolver nenhum problema, vamos ver o que se faz a esses valores“, salientou o dirigente sindical.
Entre as confederações empresariais, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, instou também a que haja uma “maior amplitude” da Segurança Social na aceitação das propostas de resgate das empresas, nomeadamente no que diz respeito ao apoio à habitação dos trabalhadores, e a que possa haver um maior leque de motivos para os empregadores resgatarem essas verbas.
Em contraste, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, frisou que as empresas “tiveram um prazo para se socorrer do Fundo de Compensação do Trabalho”. “Terminado esse prazo, o valor deve reverter ou para o Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho ou para o Fundo de Garantia Salarial“, argumentou o dirigente sindical, não se mostrando, assim, favorável à prorrogação alinhada entre os demais parceiros sociais.
Tiago Oliveira aproveitou a ocasião para apelar também à reposição do que “foi retirado aos trabalhadores” aquando da criação do FCT, durante o período da troika, isto é, reivindicou a recuperação dos 30 dias por cada ano de antiguidade no cálculo das compensações por despedimento.
Com todas as propostas agora em cima da mesa, a decisão sobre o futuro do FCT será tomada “proximamente”, de acordo com a ministra.
Criado durante a troika com o objetivo de cobrir parte das compensações por despedimento, o FCT foi alimentado, durante vários anos, com contribuições dos empregadores. Até que em 2023, com a entrada em vigor da chamada Agenda do Trabalho Digno, as empresas deixaram de ter de fazer descontos e, a partir de fevereiro de 2024, passaram a poder resgatar os milhões que aí estavam acumulados.
Salário mínimo acima de 970 euros?

Outro dos pontos em discussão na reunião de Concertação Social desta quarta-feira foi o acordo tripartido de valorização salarial e crescimento económico, com as centrais sindicais a insistirem numa revisão em alta da meta do salário mínimo para 2027 — a UGT aponta para, pelo menos, mil euros, a CGTP para 1.100 euros — e as confederações empresariais a fechar a porta a isso.
“Os salários não dependem de humores, nem de simpatia, nem do custo de vida. O salário é em função da produção. A CIP admite que esse contrato possa ser cumprido, apesar de não haver condições para isso“, sublinhou Armindo Monteiro, presidente da CIP, em declarações aos jornalistas.
“Para já, está em cima da mesa cumprir o acordo“, confirmou a ministra do Trabalho, que considerou que a subida de 50 euros prevista no referido acordo é “considerável”.
De resto, a proposta de Orçamento do Estado para 2027, que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, entregou no Parlamento assume já os 970 euros de salário mínimo nacional como um dado adquirido, servindo mesmo para guiar a trajetória do mínimo de existência.
(Notícia atualizada às 19h50)
Piloto da TAP ‘aterra’ na promoção imobiliária com projetos residenciais sob os céus do Grande Porto

Josué Sousa, piloto de linha aérea na TAP, herdou o gosto pelo setor imobiliário do avô e de um tio, ambos com experiência na construção, tendo-se dedicado à compra, renovação e venda de imóveis durante vários anos. O empresário estreia-se agora com a promoção imobiliária de um empreendimento de sete apartamentos em Matosinhos Sul avaliados em 2,7 milhões de euros. Edifício deverá estar pronto a habitar em 2028.
O projeto imobiliário “Ernesto Urban”, sob a marca VARD Properties, é a estreia do piloto da TAP neste segmento do mercado depois de ter começado, em 2019, a comprar e renovar apartamentos em Matosinhos e em Vila Nova de Gaia.

“O Ernesto Urban é o primeiro passo de uma marca que queremos fazer crescer de forma sustentada“, começa por assinalar Josué Sousa, empresário que divide o tempo entre a aviação e as áreas têxtil e imobiliária.
Com vistas para o mar nos pisos superiores, o empreendimento contempla seis apartamentos T1 e um T2, com áreas interiores entre 49,87 e 88,52 metros quadrados. Com preços entre os 295 mil e os 575 mil euros, o “Ernesto Urban” tem já duas frações T1 vendidas, segundo o empresário.
Josué Sousa prepara já um segundo projeto residencial em Espinho, de onde é natural, com o início da construção previsto para 2027.
Guindos alerta de la "incertidumbre" en el precio de los alimentos por la energía y los fertilizantes
El exvicepresidente económico del Gobierno entre 2011 y 2018, así como exnúmero dos del Banco Central Europeo (BCE), Luis de Guindos ha alertado contra la "incertidumbre" que rodea a la evolución en el precio de los alimentos. De Guindos ha advertido de que el transporte, la energía y los fertilizantes pueden ser "determinantes para una aceleración adicional de la inflación". Algo que, ha añadido, también dependerá de la duración e intensidad de la crisis desatada por la guerra en Oriente Próximo. "Todo va a depender del conflicto , de cómo se desarrolle y, si continúan los precios de la energía elevados y resistentes, hay posibilidad de una espiral", advierte.
El exvicepresidente del BCE ha realizado estas declaraciones durante su participación en el 41º Congreso del Gran Consumo en Sevilla, organizado por la patronal AECOC. De Guindos ha recordado que, en ESpaña, todavía no se han registrado los denominados "efectos de segunda ronda" disparando los precios de los alimentos con consecuencias sobre la renta disponible de las familias. Sin embargo, el exministro sí ve un riesgo en que la inflación alimentaria pueda ir a peor.
Para el expolítico y economista esto resultaría perjudicial para España porque esto suele obligar a los bancos centrales "a subir los tipos de interés para contener el proceso, ya que no puede reducir el precio de la energía". A su juicio estamos inmersos en "un shock de oferta" que conlleva una suida de precios del 2 al 4%, mientras que la subyacente se sigue manteniendo en el entorno del 2% "impulsada por la energía". Sin embargo, añade, tampoco se ha producid "una espiral de precio- salario".
En su intervención De Guindos ha identificado 3 desafíos para España y Europa: la relación con Estados Unidos "ya que no hay seguridad de que defenderá a Europa de la amenaza existencial que representa Rusia", así como la necesidad de que el Viejo Continente " gaste más y mejor en Defensa pasando de un gasto público de entorno al 2% hasta el 3,5%. Esto es punto y medio".
La amenaza China
El exvicepresidente del BCE también ve como un desafío a China "al ser el mayor competidor de Europa con una economía que tiene un exceso de capacidad muy enfocada a la exportación y que ha ganado mucha competitividad". De Guindos ha apuntado que "la estructura de producción china tiene ya buenas características y una calidad muy parecida a Europa".
El último reto sería la propia fragmentación política de los Veintisiete "con la aparición de partidos radicales como vemos en Alemania o el Parlamento Europeo". Organizaciones que, explica, consideran los planteamientos nacionales más importantes. Algo que puede llevar a la división del club comunitario, en su opinión. "La única forma de que Europa pueda competir en el contexto internacional, de decir algo en el mundo es permanecer unidos", advierte.


Economia. A luta pela habitação e as explicações da CGA

Jerónimo Martins entrega mais 40 milhões à Fundação após tempestades em Portugal e sismo na Colômbia

A administração da dona do Pingo Doce reforçou com uma “doação extraordinária” de 40 milhões de euros os recursos à disposição da Fundação Jerónimo Martins para “responder, com prontidão e escala, à emergência social e humanitária” gerada pela depressão Kristin em Portugal e pelo sismo de agosto na Colômbia, onde também opera através da insígnia Ara.
O grupo liderado por Pedro Soares dos Santos refere que este reforço da dotação orçamental é “uma decisão de caráter extraordinário motivada pela excecionalidade dos eventos extremos que atingiram os dois países” e que “permite aumentar a escala e o alcance das iniciativas de apoio e solidariedade, numa lógica de contributo do setor privado para os esforços de recuperação e reconstrução, em coordenação com as instituições públicas e a sociedade civil”.
A Fundação vai aplicar este valor adicional no “apoio a situações de especial vulnerabilidade socioeconómica e na reconstrução, reabilitação, reparação, reequipamento e reposição da capacidade operacional de habitações, infraestruturas e equipamentos sociais, incluindo creches e lares de idosos, severamente impactados” pelos dois fenómenos naturais, cujos estragos ascenderam a 5,3 mil milhões de euros em Portugal e a 11 mil milhões na Colômbia.
Em junho, a Fundação anunciou um investimento de 20 milhões de euros para apoiar a reconstrução de creches, lares e habitações nos concelhos de Leiria, Marinha Grande e Ourém, devastados pela tempestade Kristin. Referindo-se às soluções técnicas a adotar, e num contexto em que os fenómenos extremos se tornam mais regulares, o diretor executivo, Miguel Herdade, assegurou então que a reconstrução “não vai repor precariedade” e as soluções adotadas serão “da melhor qualidade técnica”.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a Jerónimo Martins lembra que esta doação extraordinária soma-se ao reforço para 25 milhões de euros, realizado no primeiro trimestre, da dotação atribuída este ano à Fundação Biedronka, que visou assegurar a continuidade do apoio às vítimas das grandes inundações na Polónia em setembro de 2024, “altura em que a Fundação Jerónimo Martins, instituída escassos meses antes, não se encontrava ainda operacional”.
Na primeira metade deste ano, que foi “bastante mais exigente do que o esperado”, o grupo Jerónimo Martins lucrou 260 milhões de euros no primeiro semestre do ano, o que correspondeu a uma quebra de 3,4% em termos homólogos. Entre janeiro e junho, o grupo de distribuição viu as vendas crescerem 5,1% para 18,2 mil milhões de euros.
Operação da SATA regista “alguns constrangimentos” devido à greve no ‘handling’

A operação aérea da SATA Air Açores registou “alguns constrangimentos” durante a manhã desta quarta-feira, na sequência da greve dos trabalhadores do handling, registando-se seis cancelamentos e atrasos nas partidas de algumas ligações, informou a operadora aérea.
A empresa adiantou que a operação da Azores Airlines “decorreu dentro da normalidade”, tendo sido “realizados todos os voos programados”. Registou-se um atraso na partida de uma ligação internacional, por motivo não relacionado com a greve, segundo uma nota de imprensa da SATA.
A SATA “continua a acompanhar permanentemente a evolução da situação”, estando a “adotar todas as medidas possíveis por forma a minimizar os constrangimentos operacionais e o impacto de eventuais alterações de última hora nos planos de viagem dos passageiros”, acrescentou.
Em comunicado conjunto, as direções do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e Sindicato Nacional Dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) referiram, na altura, que a greve resulta do mandato expresso pelos trabalhadores nos vários plenários realizados, e salientam que a decisão “não foi tomada de ânimo leve”.
As duas estruturas sindicais sustentam ainda que a paralisação constitui uma resposta ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), que “insiste em vender a 100% a assistência em escala dos Açores, sem garantias reais para quem, todos os dias, faz o transporte aéreo” da região funcionar.
No comunicado, as direções dos sindicatos esclareceram que a greve abrange todos os trabalhadores do handling, em todos os estabelecimentos e escalas da empresa e será realizada em dois períodos distintos.
Entre hoje e 27 de outubro, a greve decorrerá diariamente entre as 07:30 locais (08:30 em Lisboa) e as 10:30, em cada um dos dias. Já entre 28 de outubro e 03 de novembro, a paralisação está prevista para o período entre as 16:00 e as 19:00, em cada um dos dias.
CTT defendem cacifos como forma de acelerar entregas nas regiões autónomas

O presidente executivo dos CTT – Correios de Portugal, Guy Pacheco, defendeu esta quarta-feira, no Parlamento, os cacifos da empresa como uma forma de acelerar as entregas nas regiões autónomas, vendo ainda com bons olhos a contratualização de um avião cargueiro.
Numa audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação sobre entregas nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, Guy Pacheco admitiu que os CTT têm dificuldades essencialmente por duas razões.
“O primeiro é o tema dos voos de ligação e do transporte entre continente e ilhas, e depois, um tema que é mais transversal ao país, mas que nas regiões autónomas também acontece com alguma dimensão, que é o pleno emprego e a nossa dificuldade de contratar para fazer face a falhas temporárias”, referiu.
Guy Pacheco disse que tanto na Madeira como na ilha de São Jorge têm havido “bastantes baixas imprevistas” e “alguma dificuldade em repor essa capacidade humana”.
O presidente executivo dos CTT explicou que a empresa está a investir mais em cacifos e que acredita que podem ser “uma alternativa mais expedita para resolver os temas de tempo de entrega”. “A entrega em cacifos é uma entrega mais económica, também para as lojas ‘online’ e, portanto, isso pode ser um fator de resolução desse tema“, admitiu.
Ainda assim, identificou “o tema mais estrutural” da capacidade de transporte para as ilhas. “Há limitações de capacidade que nos afetam e à economia em geral das regiões autónomas. É um tema que continua a preocupar-nos e achamos que, se resolvido, poderia melhorar as condições de acesso”, registou, acrescentando que a empresa tem trabalhado com todos os operadores que fornecem esse serviço.
Guy Pacheco apontou que os aviões privilegiam hoje os passageiros e que a carga disponível acaba por ser alocada aos correios, acabando as encomendas “dentro de um barco”. Com a redução da periodicidade da entrega, tal também tem impacto na logística à chegada do barco, uma vez que chega aos trabalhadores, num dia, “trabalho que deveria ser de uma semana”. Para isso, sublinhou novamente a capacidade dos cacifos, que, acredita, poderão contribuir para “alisar essa curva”.
“Empresas veriam com bons olhos” avião cargueiro
Questionado pelo Partido Socialista sobre se os CTT veriam com bons olhos a contratualização pelo Estado de um avião cargueiro, Guy Pacheco reconheceu que será bom não só para a encomenda postal, como para a economia de todas as ilhas. “Diria que as empresas que operam com as ilhas e das ilhas para o continente também veriam, obviamente, com bons olhos, esse cargueiro. Não é um tema só de indústria logística, diria que é um tema de toda a economia”, reforçou.
O presidente executivo dos CTT abordou ainda uma falha que envolveu os cacifos nos Açores e que afetou, no final de 2025, mais de 100 clientes. “Durante o final do ano passado houve 10 destes cacifos que tinham, erradamente, configurado a morada do continente e o que afetou durante este período 112 clientes que viram os ‘sites’ entregarem as suas encomendas no continente e, portanto, qualquer eventual vício de geoblocking que existisse foi eliminado por essa via”, apontou.
Guy Pacheco sublinhou que esta falha afetou 112 clientes, num universo de 6.600 que utilizam este serviço.
Jerónimo Martins atribui donativo extraordinário de 40 milhões de euros após tempestade e sismo

A Jerónimo Martins decidiu atribuir uma doação extraordinária de 40 milhões de euros à Fundação Jerónimo Martins para reforçar o apoio às populações afetadas pela tempestade Kristin, em Portugal, e pelo sismo de 10 de agosto na Colômbia, anunciou esta quarta-feira o grupo.
O montante destina-se a apoiar pessoas em situação de especial vulnerabilidade socioeconómica e a financiar a reconstrução, reabilitação e reequipamento de habitações e infraestruturas sociais, incluindo creches e lares de idosos.
Em comunicado, a empresa explica que a decisão do conselho de administração tem caráter extraordinário e resulta da dimensão das consequências dos dois fenómenos, que atingiram países onde o grupo opera.
Segundo a Jerónimo Martins, as iniciativas serão desenvolvidas em coordenação com as instituições públicas e a sociedade civil, procurando aumentar a capacidade de resposta às necessidades de recuperação e reconstrução.
O grupo refere que as duas catástrofes provocaram mortes e afetaram centenas de milhares de pessoas. Cita uma estimativa do Governo português de 5,3 mil milhões de euros para o impacto económico em Portugal e aponta para prejuízos de cerca de 11 mil milhões de euros na Colômbia.
Esta doação acresce ao reforço, realizado no primeiro trimestre, da dotação anual da Fundação Biedronka para 25 milhões de euros. Essa verba destina-se, designadamente, a assegurar a continuidade do apoio às vítimas das inundações que atingiram a Polónia em setembro de 2024.
Na altura dessas inundações, a Fundação Jerónimo Martins, instituída poucos meses antes, ainda não se encontrava operacional, esclarece a empresa.
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Ativo do dia: Spacex descola mais de 12% em bolsa após resultados e possível fusão de 3,5 biliões

O ativo:
Ações da Space Exploration Technologies Corporation (SpaceX). A empresa de Elon Musk domina o espaço. Em 2025, foi responsável por mais de 50% de todos os lançamentos orbitais do planeta e acumula, de longe, mais lançamentos do que qualquer outro operador. Estreou-se no mercado no passado mês de junho, no maior oferta pública inicial (IPO, na sigla anglosaxónica) da história, numa operação que atraiu uma forte procura.
A titã do espaço disparou, esta quarta-feira, depois de ter reportado um conjunto de resultados que superou as estimativas dos analistas, deixando bons indicadores para um futuro, no qual poderá estar combinada com a Tesla, numa megaoperação que criaria uma empresa com uma capitalização bolsista acima de 3,5 biliões de dólares, caso o magnata Elon Musk avance com a intensão de juntar os dois negócios.
O marco:
A SpaceX disparou até um máximo de 12,44% para 166,18 dólares, durante a sessão desta quarta-feira, depois de a empresa ter mostrado as contas do último trimestre. A confirmar-se este desempenho no fecho da sessão, esta será a maior valorização diária da companhia desde o passado dia 7 de agosto.
A empresa seguia a valorizar 10,5% no mercado norte-americano, numa sessão marcada pelo otimismo em torno das ações ligadas à inteligência artificial, numa sessão em que os investidores aguardam os números da Nvidia no terceiro trimestre.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
A causa:
O forte conjunto de resultados apresentado pela SpaceX e as previsões da empresa de satélites para os próximos trimestres foram bem recebidas pelo mercado, com analistas e investidores a aplaudirem os números reportados pela empresa de Musk. As receitas da companhia dispararam 161% no terceiro trimestre de 2026, para 14,6 mil milhões de dólares, enquanto o resultado líquido atingiu 4,4 mil milhões de dólares, contra perdas de 1,1 mil milhões no período homólogo.
A empresa adiantou que prevê investir, no último trimestre do ano, entre 35 mil milhões e 40 mil milhões de dólares em infraestruturas físicas, o que representa um aumento significativo face aos 19,6 mil milhões de dólares investidos este trimestre. Além disso, a SpaceX confirmou que está no bom caminho para atingir, até dezembro, um ritmo anualizado de receitas recorrentes de 100 mil milhões de dólares. As receitas poderão subir para um valor entre 500 mil milhões e um bilião de dólares no final de 2027, graças à forte adesão ao Grok Bot, adiantou Musk na apresentação de resultados. Para o primeiro trimestre de 2027, a empresa prevê receitas entre 33 mil milhões e 37 mil milhões de dólares. .
Além dos bons números reportados, as ações também estiveram a reagir positivamente à notícia que está a ser estudada uma fusão com a Tesla, o que poderia criar uma gigante mundial. “Há muitas vantagens em combinar as duas empresas, uma vez que estamos praticamente na singularidade da superinteligência [novo termo designado por Donald Trump para fazer referência à IA]”, afirmou Musk, numa referência à possibilidade de a inteligência artificial atingir capacidades que ultrapassem significativamente as humanas.
O que esperar a seguir:
“A SpaceX continua a corresponder às elevadas expectativas e acreditamos que esta tendência se manterá, à medida que novos contratos de capacidade de computação começarem a gerar receitas no quarto trimestre, a Starship avança rumo à captura em voo do veículo e do propulsor, e o desempenho e as funcionalidades do Grok continuam a melhorar. Acreditamos que este conjunto de ativos é único e criará valor ao longo do tempo, à medida que a administração concretiza cada um destes objetivos“, antecipam os analistas do UBS, numa nota onde comentaram as contas da empresa.
“A SpaceX está a demonstrar a sustentabilidade do crescimento das receitas provenientes da inteligência artificial e a sua capacidade para cumprir prazos ambiciosos de implementação, levando os investidores a rever em alta as suas previsões, à medida que as dúvidas começam a dissipar-se”, afirmou Anthony Valentini, analista do Barclays.
A generalidade dos analistas aplaudiu as contas e as estimativas da empresa para 2027, mostrando-se convencidos que a companhia tem margem para continuar a valorizar e a entregar bons resultados. O JPMorgan foi um dos bancos que reviu em alta as suas previsões para a empresa após as contas. O banco de investimento atribui uma recomendação de overweight à SpaceX e mais do que duplicou o seu preço-alvo apara as ações da empresa, de 240 para 500 dólares, o que representa uma subida potencial de quase 240% face ao fecho de terça-feira.
A evolução das ações estará, assim, dependente da confirmação destas perspetivas positivas e da capacidade da empresa de monetizar os investimentos em IA. Por outro lado, os títulos irão reagir a uma possível união à Tesla.
A frase:
As ambições da SpaceX são maiores do que as de qualquer empresa que tenhamos visto. Importa salientar que se espera que a inteligência artificial seja o motor de crescimento a longo prazo […] Continua a existir um potencial de valorização significativo, à medida que a empresa está literalmente a construir a próxima fronteira.
Os desafios e o futuro do transporte expresso

Durante muitos anos, habituámo-nos a medir a qualidade do transporte expresso através do tempo. Quer isto dizer, quanto mais depressa uma encomenda chegasse ao destino, melhor seria o serviço. A rapidez continuará, naturalmente, a ser importante. Mas tenho cada vez mais a convicção de que o verdadeiro desafio dos próximos anos será outro.
Os números ajudam a perceber a mudança. O comércio eletrónico B2C europeu está em crescimento e, segundo os dados da Digitalisation in Europe – 2026 edition do Eurostat, em 2025, 78% dos utilizadores de Internet na União Europeia já compraram bens ou serviços via online. Estamos, portanto, perante um hábito consolidado, transversal a gerações e mercados, que colocou a logística no centro da experiência de compra.
No entanto, mais encomendas não significam apenas mais volume. Significam consumidores com expectativas mais elevadas. Já não basta saber que uma encomenda “chega amanhã”. Queremos saber quando chega, poder alterar a entrega, escolher onde a recebemos e acompanhar o percurso de forma simples. Em Portugal, o Barómetro E-Shopper 2025 mostra que 79% dos compradores online consideram que conhecer um horário exato para a entrega aumenta a probabilidade de compra. Ao mesmo tempo, 32% já recebem encomendas através de soluções out-of-home, como pontos de recolha ou lockers.
Estes dados levam-me a uma primeira reflexão: talvez estejamos a entrar numa fase em que a previsibilidade será tão ou mais importante do que a velocidade. Uma entrega rápida que obriga alguém a permanecer em casa à espera da encomenda pode ser menos conveniente do que uma entrega um pouco mais demorada, mas com um horário preciso e possibilidade de escolha. O desafio para os operadores será, por isso, construir redes suficientemente flexíveis para acomodar diferentes necessidades.
É precisamente na last mile que encontramos muitas destas exigências. É aqui que a expectativa do consumidor, o trânsito das cidades, a disponibilidade do destinatário, as restrições de circulação e a necessidade de reduzir o impacto ambiental se cruzam. É aqui também que pequenas ineficiências, quando multiplicadas por milhares de encomendas, podem fazer uma enorme diferença.
Por isso, quando falamos de sustentabilidade no transporte expresso, acredito que temos de ir além da discussão sobre a eletrificação das frotas, por mais importante que ela seja. Uma last mile mais sustentável é, antes de mais, uma last mile mais eficiente. Significa otimizar rotas, reduzir quilómetros desnecessários, diminuir as segundas tentativas de entrega e consolidar encomendas sempre que isso fizer sentido.
Um estudo publicado em 2025 na Research in Transportation Economics, dedicado à evolução dos modelos de entrega de last mile em contexto urbano, mostra que uma maior otimização de entregas pode contribuir para reduzir os quilómetros percorridos e as emissões de CO₂. Não existe uma solução única, mas é por isso que o futuro passa por redes híbridas, capazes de combinar diferentes modelos de entrega em função das características de cada cidade, de cada percurso e de cada consumidor.
A inteligência artificial e a utilização avançada de dados terão também um impacto particularmente relevante no setor. Mais do que automatizar tarefas, estas ferramentas podem ajudar a antecipar a procura, otimizar rotas em função de variáveis em constante alteração e identificar anomalias antes de se transformarem em falhas de serviço. Mas a tecnologia, por si só, não resolve todos os desafios. Quanto mais sofisticadas se tornam as operações, maior é também a necessidade de garantir que não se traduz numa barreira para a experiência do cliente. É talvez esse o paradoxo mais interessante do nosso setor: por detrás de uma entrega aparentemente simples existe uma rede cada vez mais complexa de pessoas, tecnologia, dados, infraestruturas e decisões operacionais.
Ao mesmo tempo, há várias expectativas que temos de conseguir conciliar. Os consumidores querem mais conveniência e mais opções; as empresas procuram maior eficiência e custos competitivos; as cidades querem menos congestionamento e emissões; e o setor tem de continuar a garantir qualidade, previsibilidade e capacidade de resposta. Fazer tudo isto simultaneamente será provavelmente um desafio maior do que simplesmente entregar cada vez mais depressa.