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Morre Michael Forest, ator de “Jornada nas Estrelas”, aos 97 anos

O ator americano Michael Forest, conhecido por interpretar o deus grego Apolo na série “Jornada nas Estrelas”, morreu aos 97 anos, na última quarta-feira. A causa da morte não foi informada.

Ele nasceu Gerald Michael Charlebois em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, em 1929, e vivia numa instituição de repouso para idosos em Nevada nos últimos anos. A morte foi confirmada por um amigo numa publicação no Facebook.

Forest era conhecido como um homem de porte atlético e tinha um currículo extenso como ator coadjuvante no cinema e televisão, que iniciou na década de 1950.

Carreira no cinema e na televisão

Além de participações em séries e novelas que inclui ainda “Além da Imaginação” e “The Dick Van Dyke Show”, atuou em diversos filmes do ator e diretor Roger Corman e emprestou a voz a projetos de animação, animes e videogames.

Como dublador, participou de títulos como “Power Rangers” e “World of Warcraft”. Ele era fluente em italiano e dublou centenas de filmes nos anos em que morou em Roma, além de atuar em produções de outros países da Europa.

Entre seus inúmeros papéis, estão particapações em “A Besta da Caverna Assombrada”, “Atlas” e “Náufrago”.

Vida pessoal

Forest foi casado com a atriz Diane Hale por 52 anos, até a morte dela, em 2022. Não há informações se eles tiveram filhos juntos.

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Internações de adolescentes caem 54,5% em dez anos no Brasil

A quantidade de adolescentes internados em estabelecimentos socioeducativos fechados caiu mais da metade nos últimos dez anos. O debate sobre redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ganhou força na última semana, com o governo Lula (PT) aderindo publicamente à ideia às vésperas da votação do segundo turno das eleições.

Eram 26,8 mil menores de idade nessas condições em 2015. Em 2025, apontam dados agregados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número caiu para 12,2 mil, redução de 54,5%.

Os dados consideram adolescentes em regime de internação, internação provisória, internação sanção, semiliberdade e medida protetiva. O Fórum observa que a redução de internados ocorre ano a ano desde 2016, e teve certa estabilidade entre 2023 e 2025 (2,5% de alta entre 2023 e 2024, e 1,2% entre 2024 e 2025).

A internação em estabelecimento socioeducativo, como a Fundação Casa, em São Paulo, é a medida mais grave prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Além dos casos provisórios, a internação pode ser aplicada em três circunstâncias: quando o ato é cometido mediante violência ou grave ameaça, nos casos de reincidência ou de descumprimento de medida anteriormente imposta, como prestação de serviços à comunidade.

Os dados por estado apontam que quase metade da população de adolescentes internados está em São Paulo, com 5.200 em 2025. O Rio de Janeiro aparece em segundo no ranking, com 966. Em termos proporcionais à população, a taxa é mais elevada no Acre (134,3 por 100 mil habitantes), Espírito Santo (119,4) e Distrito Federal (102,1).

A maior parte, conforme o Levantamento Nacional do Sinase, citado pelo Fórum, é formada por meninos, (93,4%). O dado aponta que 73,7% dos adolescentes se autodeclaram negros.

É uma medida adotada em casos graves e sobretudo quando o ato infracional é análogo a um crime considerado hediondo, como homicídio qualificado, feminicídio, latrocínio ou a tentativa dele, entre outros.

A retração de internações, portanto, pode significar que há menos adolescentes cometendo atos graves ou sendo responsabilizados por eles.

A legislação hoje não permite que menores de 18 anos sejam encaminhados a presídios comuns.

“Os atos infracionais com maior incidência entre os adolescentes que cumprem medida em meio fechado são roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%), atos relacionados à obtenção de bens ou renda”, aponta Thais Carvalho, consultora do Fórum em texto que acompanha o anuário de 2026.

“Ainda que a população esteja vivenciando um contexto de medo guiado pela percepção de insegurança e, por isso, busque soluções alinhadas à mais punição, como a redução da maioridade penal, não estamos diante de um cenário em que adolescentes e jovens sejam os principais autores de crimes violentos e de situações de vulnerabilidade. Pelo contrário, eles comumente são as principais vítimas”, acrescenta.

Lula defende redução da maioridade penal para crimes hediondos

Lula em entrevista na TV Globo discute sobre a redução da maioridade penal | Foto: Reprodução/TV Globo

Na quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se disse favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

A afirmação do petista veio ao mesmo tempo em que o governo tenta evitar uma derrota na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, que seria votada no Senado nesta quinta, mas acabou adiada.

A oposição tenta emplacar no texto uma emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN) que reduz a maioridade para 16 anos no caso de crimes comuns e para 14 nos crimes hediondos.

O PT ensaiou apoiar a redução da idade mínima à responsabilização penal, mas acabou inicialmente desautorizado pelo governo. No mesmo dia, na quinta, em entrevista à TV Globo, Lula acenou com apoio à medida.

“Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que para todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade”, disse o petista.

O problema, segundo ele, é que “a PEC não estava discutindo isso”. A chamada da PEC da Segurança é voltada à discussão da definição dos órgãos estatais no campo da segurança pública, com o governo federal buscando mais espaço para agir em áreas que hoje competem a municípios e estados.

Mudança de posição ocorre às vésperas do segundo turno

A redução da maioridade é uma pauta que o presidente historicamente criticou.

Em 2007, ele afirmou ser mais barato e efetivo manter jovens na escola do que na cadeia. Em 2015, por sua vez, disse que apoiar a redução da maioridade equivaleria a cometer um crime contra o futuro do país. A guinada se dá no contexto eleitoral, com a disputa do segundo turno.

Lula tentará uma recondução à cadeira do Palácio do Planalto no próximo domingo (25) após ter largado atrás do adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

“A esquerda brasileira sempre foi refratária a duas coisas na área criminal: redução da maioridade e aumento de penas. O fator eleitoral altera essa posição”, diz o advogado Lenio Streck, professor de direito da Unisinos (Universidade do Vale do Rio Sinos).

A mesma avaliação faz o advogado Daniel Gerber, mestre em processo penal, para quem a guinada a favor da proposta trata “muito mais de uma movimentação eleitoral do que de uma iniciativa voltada à segurança pública”.

“Talvez, em benefício da dúvida, o partido tenha se dado conta de que suas bandeiras, neste específico assunto, já não dialogam com a sociedade”, afirma. Pesquisa Datafolha mostra que oito em cada dez brasileiros concordam com a redução da maioridade penal.

Especialista aponta problemas na proposta

Gerber vê problemas de outra natureza na ideia de se reduzir a maioridade apenas para determinados crimes. Segundo ele, uma medida nesse sentido “fere todo e qualquer princípio da teoria geral do crime”.

“É inviável imaginarmos que uma pessoa seja apta a ser punida por crimes extremamente graves, mas não por crimes menores. A responsabilidade penal repousa na consciência da ação praticada”, afirma.

“Ou ele tem consciência e responde por qualquer ato que pratique ou a consciência não está completa e não pode responder por nenhum”, diz. (André Fleury Moraes/FOLHAPRESS)

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Motorista é preso após atropelar idoso em ato pró-Lula em BH

Um motorista foi preso após atropelar um idoso que participava de um ato pró-Lula no centro de Belo Horizonte na tarde deste sábado (17).

O homem de 45 anos, que não teve o nome divulgado, dirigia um Volkswagen Up amarelo e avançou o sinal vermelho em direção ao grupo de manifestantes. O homem de 67 anos foi atingido e precisou ser levado ao hospital. O estado de saúde dele não foi informado.

Nas imagens gravadas por quem estava no local é possível ver que o motorista fugiu sem prestar socorro.

A polícia prendeu o homem em flagrante sob suspeita de tentativa de homicídio. De acordo com nota enviada pela Polícia Civil de Minas Gerais ao UOL, o condutor foi levado para a delegacia e ouvido por meio da 2ª Central Estadual do Plantão Digital.

Deputada pede investigação

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG), que estava no local, disse que pedirá uma investigação do caso. Ela é presidente da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“Muito grave o que aconteceu em Belo Horizonte. Bolsonarista atropelou manifestante em um ato de mulheres com Lula”, disse a deputada em vídeo publicado em rede social.

Atos pró-Lula pelo país

Atos a favor da reeleição do presidente Lula estão acontecendo em todo o país desde o final do primeiro turno. O objetivo é mobilizar votos para reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno com 47% dos votos, contra 45% do petista.

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O mundo está – mesmo – perigoso

É um lugar-comum dizer que ver televisão faz mal à saúde. Reformulo a questão; faz mal à saúde ver noticiários e territórios adjacentes que podem incluir publicidade, documentários – e sabe-se como fazemos bons documentários, mas a vida é assim. Por um lado há uma seca sem fim, logo a seguir, chove e quando chove é sempre muito. As calotes estão como estão – e os caloteiros também. Os mares quentes fervem e, sem tirar uma vírgula (por acaso tirava, aqui e ali, mas não é conversa para agora), parece que o diabo veio para ficar, e ficou mesmo. Também estamos muito gordos, porque comemos muito ou mal, e agora a cereja sobre o bolo, sabemos que um em cada quatro maiores de sessenta anos está mal nutrido. Não estou a dizer que nada disto deixe de fazer sentido, mas que nos complica a vida, complica.

Há estudos (há estudos para tudo; para nutridos, desnutridos e um dia destes, nutridos desnutridos, que o meu amigo fica a saber que a vida é feitas destes pequenos nadas) para tudo e informação contraditória para, quase tudo. E agora o perigo; nas estatísticas, onde é que nos situamos? Eu, que tenho mais que sessenta anos estou na parte dos maravilhosamente mal nutridos ou dos restantes? Durmo bem, mal ou assim-assim? Leio livros em quantidade ou não? Vou ao médico com regularidade ou não? A conclusão é simples: façamos o que façamos, há uma catástrofe a cada virar de esquina. O que fazer? Acalmemo-nos, que um gajo quando morrer vai deitado. Ou não.

Terei resistido, mantendo uma réstia de vida no interior do meu cérebro, ao mais recente folhetim da vida portuguesa entre aqueles dois que os meus amigos sabem de quem se trata e por isso não os vou nomear? Penso que sim, estou – quase – incólume. Pelo menos sempre escusámos de ouvir o discurso de António José Seguro, que para lugares comuns já basta o que basta. E de que lado estamos, agora que a poeira se começou a instalar? Do lado que as questões do futebol costumam ser vistas. Quem gosta mais de Ronaldo, que sim tudo foi feito com lisura. Quem gosta de Jorge Jesus, que tudo foi feito como deve ser. Tal e qual como quando vemos um daqueles jogos do campeonato da Polónia, transmitido pelo canal 11. Não conhecemos ninguém nem nenhuma das equipas, mas depois de vermos cinco minutos de jogo, começamos a tirar por um dos dois. Ou seja, estamos, quase sempre, no lado das emoções e não da razão, e isso só pode estar certo. O ponto é que são problemas destes que mostram que o futebol moderno tem muito pouco a ver com desporto. Estamos no reino dos interesses económicos, da venda de camisolas, dos contratos publicitários e descobrimos que tudo isso manda mais que o jogo. Tenho a absoluta convicção que se Ronaldo quisesse jogar até aos cinquenta (sempre uma possibilidade), qualquer seleccionador tinha que o convocar, apesar de ser suplente na quarta liga saudita. E fazia uma perninha de três em três jogos, sem aquecimento para os ossos da perna não torcerem. Eramos a piada infinita (obrigado, literatura), mas lá vendíamos mais vinte camisolas, que o Cris manda nos gajos da federação.

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La mayor intervención petrolera de la historia amenaza con volverse contra los gobiernos

El final de la guerra en Oriente Medio debería traer un alivio para los precios del petróleo, después de meses de interrupciones del suministro y una intervención sin precedentes de los gobiernos para evitar una crisis todavía mayor. Sin embargo, la normalización del mercado podría encontrarse con un obstáculo inesperado. Los países que llevan meses vendiendo cientos de millones de barriles de sus reservas estratégicas tendrán que decidir cuándo recuperarlos, y una oleada de compras simultáneas podría volver a tensionar los precios justo cuando consumidores y empresas esperan que empiecen a bajar.

La Agencia Internacional de la Energía (AIE) acaba de confirmar que la operación será todavía mayor de lo previsto. Sus 32 países miembros acordaron liberar 400 millones de barriles en marzo, la mayor intervención coordinada de su historia, pero varios gobiernos han aumentado sus compromisos. Ya han salido al mercado unos 330 millones y ahora se acelerará la entrega de otros 100 millones, incluidos más de 20 millones de gasóleo.

Y ni siquiera semejante esfuerzo ha impedido que el mundo siga perdiendo petróleo almacenado. Desde finales de febrero, los inventarios observados han disminuido en 509 millones de barriles y las existencias se encuentran en sus niveles más bajos desde al menos 2016.

En medio de esta caída de las reservas mundiales, España acaba de anunciar que pondrá en circulación otros 4,4 millones de barriles durante octubre, después de liberar 3,75 millones en una primera operación. Su compromiso inicial asciende a 11,5 millones, equivalentes a 12,3 días de consumo nacional, que saldrían de las reservas de emergencia que mantienen las empresas petroleras para hacer frente a posibles problemas de suministro.

El movimiento español se suma a las nuevas liberaciones anunciadas por otros países europeos, entre ellos Alemania, que prevé liberar hasta 15 millones de barriles adicionales, mientras Francia ha planteado una operación que podría alcanzar los 100 millones, repartidos entre crudo y gasóleo.

Europa y el efecto bumerán

Washington lleva semanas presionando a los gobiernos europeos para que saquen más combustible de sus almacenes, una medida que podría terminar encareciendo el petróleo que ahora intenta abaratar. La Administración estadounidense ha llegado a advertir a Francia y Alemania de posibles restricciones a las exportaciones de diésel estadounidense si Europa no contribuía a aliviar la escasez.

La presión llega cuando el gasóleo se ha convertido en uno de los mayores problemas del mercado energético. Sus exportaciones mundiales cayeron en septiembre unos 700.000 barriles diarios respecto al año anterior y los precios mayoristas llegaron a alcanzar los 220 dólares por barril en Europa y Estados Unidos. La AIE advierte de que las dificultades para recuperar las existencias podrían prolongarse hasta la segunda mitad de 2027.

Y precisamente Francia y Alemania concentran alrededor del 35% de las reservas de gasóleo y diésel de la Unión Europea, el combustible que Washington quiere que pongan en circulación. Las nuevas liberaciones reducirían unas existencias que ambos países podrían necesitar si la crisis energética se prolonga.

Reponer una cantidad equivalente a los 400 millones de barriles inicialmente comprometidos por la AIE, a un precio de 100 dólares por barril, supondría movilizar 40.000 millones de dólares.

Concentrar esas compras en solo doce meses supondría añadir una demanda equivalente a cerca de 1,1 millones de barriles diarios, frente a unos 550.000 si se repartieran durante dos años. Si para entonces la producción mundial todavía no se ha recuperado, los gobiernos tendrían que competir con refinerías y otros compradores por un suministro limitado, aumentando la presión sobre los precios. Y cuanto más suba el petróleo durante ese proceso, más dinero tendrán que desembolsar para recuperar los barriles utilizados durante la emergencia.

Estados Unidos bajo mínimos

Una parte importante de esa demanda podría proceder de Estados Unidos, que lleva años recurriendo a sus reservas para afrontar las crisis energéticas. Washington autorizó una liberación extraordinaria de 180 millones de barriles en 2022 y otra de 172 millones el pasado marzo, después de que la guerra con Irán provocara nuevas interrupciones del suministro.

Sus depósitos estratégicos contienen ahora unos 283 millones de barriles, el nivel más bajo desde 1982. Estados Unidos dispone de una capacidad autorizada de almacenamiento de 714 millones, por lo que mantiene ocupada menos del 40%. Y todavía quedan entregas comprometidas que podrían reducir aún las existencias.

Sin embargo, disponer de tanto espacio vacío tampoco garantiza que Washington pueda volver a llenarlo rápidamente. La Oficina de Responsabilidad Gubernamental (GAO), el organismo fiscalizador del Congreso, ha advertido de que las instalaciones acumulan problemas de mantenimiento y envejecimiento que están limitando su funcionamiento.

A finales de 2025, la capacidad efectiva para introducir petróleo en esos depósitos apenas alcanzaba el 56% de su tasa de diseño, mientras que la de extracción se situaba en el 61%.

La incógnita de 2027

La evolución prevista de la producción mundial podría facilitar la reconstrucción de unas reservas que, al menos en Estados Unidos, también dependen de solucionar esas limitaciones operativas. La AIE calcula que la demanda mundial de petróleo disminuirá en 2,6 millones de barriles diarios durante 2026, mientras que la producción podría aumentar en 7,7 millones en 2027. Si se cumplen ambas previsiones, el mercado dispondría de más petróleo para absorber las compras públicas sin provocar necesariamente otra escalada de precios.

Sin embargo, esa recuperación depende de que las interrupciones del suministro en Oriente Medio vayan quedando atrás. Los daños en las instalaciones energéticas, las dificultades del transporte marítimo y la incertidumbre sobre cuándo volverán a operar a plena capacidad algunos productores podrían retrasar la llegada de esos barriles adicionales.

Si la producción tarda más de lo previsto en recuperarse, los gobiernos podrían verse obligados a aplazar durante más tiempo la reconstrucción de sus reservas, incluso después de que termine la guerra. Y cualquier nueva interrupción del suministro encontraría a países como Estados Unidos con menos petróleo almacenado y mayores dificultades para responder con otra liberación extraordinaria.

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China desafía los aranceles europeos con el yuan ¿Una devaluación encubierta de hasta el 30%?

Europa intenta frenar la entrada de productos chinos con aranceles y nuevas restricciones comerciales, pero Pekín acaba de disparar sus exportaciones al mercado europeo un 25,3% en septiembre. La ofensiva coincide con una creciente presión sobre los fabricantes europeos y ha puesto bajo sospecha una ventaja que ninguna aduana puede controlar directamente. Según algunos economistas, el yuan está infravalorado hasta un 30%, una diferencia que podría estar ayudando a China a vender sus productos a precios difíciles de igualar mientras Bruselas busca cómo proteger su industria.

El desequilibrio equivale a casi 1.000 millones de euros diarios. China vendió a la Unión Europea mercancías por 559.400 millones en 2025, mientras que apenas compró productos europeos por 199.600, según Eurostat. La diferencia, cercana a los 360.000 millones, se ha multiplicado por más de dos en una década y ha llevado a Bruselas a endurecer su posición comercial.

El último movimiento llegó el 9 de octubre, cuando la UE alcanzó un entendimiento con Pekín para limitar las exportaciones de vehículos híbridos, después de haber impuesto aranceles adicionales a determinados coches eléctricos. Francia y Alemania reclaman ahora medidas de protección más amplias, preocupadas por una competencia que ya alcanza a sectores tradicionalmente dominados por sus fabricantes. Pero mientras Europa intenta encarecer los productos chinos al cruzar la frontera, el precio de la moneda de Pekín podría estar jugando en sentido contrario.

La ventaja del 30%

El Fondo Monetario Internacional estimó este año que el yuan estaba infravalorado un 16,4%, una cifra que investigadores de la Reserva Federal estadounidense elevaron posteriormente al 24,3% tras revisar las estadísticas comerciales chinas. Brad Setser, economista del Council on Foreign Relations y antiguo responsable del Tesoro de Estados Unidos, va todavía más lejos y sitúa esa infravaloración alrededor del 30%, con cálculos que pueden alcanzar el 35%. Detrás de esas diferencias hay una discusión sobre cuánto dinero gana realmente China vendiendo al extranjero. Setser considera que las estadísticas oficiales reflejan un superávit exterior inferior al real y que, por tanto, también se está subestimando la debilidad de su moneda.

Para un fabricante chino, cobrar en euros y convertir después esos ingresos a una moneda más barata puede dejar un margen adicional para reducir precios. No significa que todos los coches eléctricos, paneles solares o componentes industriales lleguen con una rebaja automática del 30%, pero sí que una ventaja cambiaria puede hacer todavía más difícil competir con fábricas que ya producen a gran escala.

La utilización del yuan como instrumento comercial tiene un antecedente que todavía recuerdan los mercados. En agosto de 2015, el Banco Popular de China sorprendió con una devaluación inicial cercana al 2% frente al dólar, en medio de una desaceleración económica que había empezado a castigar sus exportaciones. Aquella decisión desató temores a una guerra de divisas.

Once años después, China se encuentra en una situación distinta. Sus exportaciones crecen con fuerza y el superávit comercial mundial alcanzó los 938.110 millones de dólares entre enero y septiembre. Pero detrás de esas cifras hay una economía que sigue teniendo dificultades para conseguir que sus ciudadanos consuman lo suficiente como para absorber una mayor parte de lo que fabrican sus empresas.

China culpa a Europa

Pekín rechaza que esté utilizando deliberadamente su moneda para conquistar mercados. El Banco Popular de China respondió el 8 de octubre a las acusaciones europeas asegurando que no busca una depreciación competitiva y que tampoco persigue una cotización concreta del yuan a largo plazo. Según el banco central chino, responsabilizar a las monedas extranjeras de la pérdida de competitividad industrial, los problemas fiscales y las dificultades económicas propias equivale a eludir los ajustes que cada país debería afrontar. Dicho de otra manera, Pekín sostiene que Europa está buscando fuera la explicación de problemas que también tiene dentro.

Y la acusación llega cuando los fabricantes chinos han conseguido importantes avances tecnológicos y productivos. Desde los vehículos eléctricos hasta las baterías y la maquinaria industrial, numerosas empresas compiten ahora en sectores donde Europa había mantenido una posición fuerte durante décadas. Setser considera que el yuan barato ha contribuido decisivamente a esa expansión, pero otros economistas dan mayor importancia a la debilidad del consumo chino y a la necesidad de colocar fuera una producción cada vez mayor. Y hay un dato reciente que complica todavía más la tesis de una devaluación china como respuesta a los aranceles.

Un yuan al alza

Lejos de haber sufrido una nueva depreciación masiva, el yuan se ha apreciado más de un 9% frente al dólar desde comienzos de 2025, y actualmente cotiza alrededor de 6,69 unidades por dólar, su nivel más fuerte desde enero de 2023. Una moneda puede fortalecerse en el mercado y seguir infravalorada respecto a su valor de equilibrio, pero esa evolución impide interpretar el supuesto descuento del 30% como una devaluación reciente provocada por Pekín. Esta evolución tampoco invalida las estimaciones de infravaloración, pero sí cuestiona que el éxito exportador chino pueda explicarse únicamente por una devaluación deliberada y reciente.

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