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Com protestos na rua, Seguro dá guarida aos partidos a Belém. Veja o rating da semana

António José Seguro, Presidente da República | A+

Com os protestos na rua, Seguro convoca os partidos, pela primeira vez desde que tomou posse, para uma reunião um dia após a aprovação do OE2027. Quer audiências individuais sobre coesão social, com Belém a liderar a busca de consensos sobre as fraturas sociais mais prementes. É magistratura de influência a exigir que a coesão social não fique na sombra do equilíbrio orçamental.

 

Tribunal de Justiça da UE | Coletivo de Juízes | A-

O TJUE decidiu que os bancos não podem recusar o reembolso de dinheiro retirado de uma conta sem autorização, mesmo quando suspeitam que o cliente foi pouco cuidadoso com os seus dados bancários. Terão agora de provar a negligência grave do cliente. Decisão surge numa altura em que aumentam as fraudes bancárias. Deverá ser respeitada pelos tribunais nacionais e o impacto estende-se a toda a UE.

 

Elon Musk, empresário | B+

Musk abriu a porta à união das duas empresas que lidera. Admite que a SpaceX e a Tesla estão a estudar uma possível fusão que juntaria empresas avaliadas em cerca de 3,5 biliões de dólares. A operação, ainda sem acordo, criaria uma das maiores empresas cotadas do mundo. Apenas atrás de gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet e Microsoft. A concretizar-se, seria a maior fusão empresarial de sempre.

 

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS | C-

Com o adensar dos protestos pelo direito à habitação, o líder do PS veio pedir fim dos vistos gold no âmbito de um conjunto de medidas para responder aos problemas do setor. Carneiro esquece-se que o regime, durante anos apontado como o culpado de serviço pela escalada de preços, acabou para o imobiliário em 2023. É caso para dizer: o papão foi-se e o problema ficou.

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O motim do ano e mais 70 mil milhões para a guerra. Veja o “Semanário” do JE

16 outubro: 70 mil milhões para a Ucrânia (contas por baixo)
Enquanto os Governos europeus fazem contas a quanto vão gastar para o próximo ano, Zelensky apresentou, no encerramento do Conselho Europeu, o orçamento para a guerra da Ucrânia para 2027, numa altura em que os EUA pressionam para que consiga o acordo. O presidente dos ucranianos fez as contas e estima que irá precisar de pelo menos 70 mil milhões de euros para impedir o avanço da Rússia. Na vertente energética, Portugal e Espanha pressionaram António Costa para que se acelere o financiamento e construção de interligações elétricas entre a Península Ibérica e o resto da Europa.
17 outubro: E o Motim do Ano vai para…
… Paris, Marselha e Limoges! França viveu uma das piores noites de protestos das últimas décadas. Às manifestações contra os custos de vida juntaram-se as greves estudantis: uma mistura explosiva que resultou em graves tumultos, incêndios e saques. No fim, os números impressionam: 550 mil manifestantes, 2400 detidos e mil polícias feridos. E se Paris parece cada vez mais distante de figurar nos prestigiados “World Travel Awards”, o Turismo de Portugal voltou a sair vencedor da gala europeia como “Melhor Destino da Europa”.
 
18 outubro: Agarrem-me se não eu chumbo a lei das rendas
Uma semana depois das principais praças de Lisboa e Porto serem invadidas por tendas, vigílias e protestos, face aos constrangimentos do mercado de habitação em Portugal, as primeiras brechas políticas começaram a fazer-se sentir. Apesar do Chega ter aprovado na generalidade a famosa lei das rendas, o diabo está na especialidade. Sempre sensível aos humores da opinião pública, o líder do Chega, André Ventura, avisou o Governo e ameaçou Luís Montenegro que poderia romper o acordo caso não houvesse cedências.
 
19 outubro: Norte-americanos não querem reis
Se por cá, a habitação marca o protesto, nos EUA ninguém quer reis. As eleições intercalares nos EUA estão marcadas para novembro mas milhares de norte-americanos saíram às ruas de várias cidades norte-americanas (com destaque para Washington e Los Angeles) para um protesto nacional denominado “Sem Reis” (numa alusão ao reinado de Donald Trump), que exige igualdade de direitos no que diz respeito ao contexto político que o país atravessa. Voto antecipado e o fim da agência de imigração ICE foram algumas das palavras de ordem nestas manifestações.
 
20 outubro: PSP desmonta tendas em Lisboa e Porto
Lisboa e Porto viveram horas intensas com o fim da designada “acampada”. A PSP retirou as tendas e em Lisboa, a intervenção policial resultou em 55 detidos. A poucos minutos das seis da manhã, a Polícia de Segurança Pública cercou os locais de protesto com escudos e cães e deu ordem para que fossem retiradas as tendas. Seguiram-se fortes momentos de tensão com várias acusações de violência policial.
 
21 outubro: Patrões criticam falta de ambição do OE
O JE e a EY encheram o CCB para dissecar o Orçamento do Estado para 2027 e Miranda Sarmento levou uma novidade: “Em 2028, teremos de olhar para as derramas estaduais”, destacando ainda que “a redução do IRC é bastante importante” e que irá prosseguir no trajeto já conhecido. Já os patrões (presidentes da CIP, CAP e AICCOPN) elogiaram o equilíbrio do OE mas criticaram a falta de ambição. Pedem mais medidas para aumentar a competitividade e que, com o fim do PRR, incentivem os privados a investir.
 
22 outubro: IVA da restauração: redução volta ao menu
Um “erro crasso” e uma medida “populista”: foi desta forma que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, criticou a redução do IVA da restauração para 13%. Já o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, admitiu que o Governo pode voltar a discutir esta medida ainda durante a atual legislatura. “Acho que é uma discussão que podemos e devemos ter”, realçou o governante no congresso da AHRESP que decorreu no Algarve no final da semana.
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França prepara-se para mais um fim-de-semana de violência

Os autarcas da cidade de Paris decidiram estender o recolher parcial que restringe a circulação em partes da cidade até segunda-feira a novas áreas, na tentativa de estancar possíveis distúrbios que podem suceder no fim-de-semana que se avizinha. Com o mesmo intuito, as cidades de Marselha e Lyon impuseram uma proibição total de protestos neste fim-de-semana.

Os museus do Louvre, Orsay e Picasso, em Paris, estarão fechados este sábado 24 de outubro. Nada disto parece esmorecer a organização dos protestos, que promete forte atividade já a partir deste sábado, numa altura em que o país ainda está abalado pela extensão da desordem registada no fim-de-semana passado.

A polícia de Paris informou que o recolher na Place de la République, onde manifestantes reuniram no último fim-de-semana, e na área comercial de Les Halles será estendido até à próxima segunda-feira. A circulação será proibida em ambas as áreas das 23h00 até as 06h00 da manhã seguinte.

Em Marselha, os transportes públicos serão suspensos no sábado para tentar evitar uma repetição dos distúrbios na cidade. A autarquia da região do Ródano – que cobre Marselha – informou que o recolher obrigatório para menores de idade seria estendido a toda a população durante a noite de sábado, 24 de outubro, das 23h00 às 05h00. Anúncios semelhantes foram feitos em Nice, ao sul, Toulon, na costa sul, no centro de Rouen, ao noroeste, e Grenoble, a leste.

Noutras regiões do país onde os protestos ainda não foram totalmente proibidos, apenas manifestações sindicais autorizadas serão permitidas no sábado, disse o presidente Emmanuel Macron. Sabe-se, entretanto, que o destacamento policial será aumentado em 20% relativamente ao último fim-de-semana.

Macron reuniu com os serviços de inteligência e ministros esta quinta-feira 22 de outubro, para preparar o próximo dia nacional de protestos, este sábado. “A recomendação geral é que não haja manifestações. Aqueles que quiserem continuar a manifestar-se, quando forem organizações sindicais, terão rotas alternativas propostas pelos municípios”, anunciou o presidente francês. “Quando não forem organizações sindicais, sempre que possível, serão banidas.” Macron atacou o que chamou de “atos políticos e até sediciosos organizados por grupos de extrema-esquerda que visam derrubar a República”.

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Vital Moreira considera acampadas em praças públicas uma ocupação ilícita

As atuais acampadas pela habitação começaram no Porto, a 10 de outubro, com a instalação de tendas na Praça D. João I, e chegaram a Lisboa uma semana depois, com a ocupação do Rossio. Os protestos surgiram num contexto de forte contestação aos preços da habitação e ao aumento do custo de vida, reivindicando medidas para facilitar o acesso a uma casa, combater a especulação e reduzir a pressão sobre os orçamentos familiares. A mobilização foi promovida por movimentos cívicos e difundida sobretudo através das redes sociais.

A questão deixou rapidamente de ser apenas política para passar também para o terreno jurídico, depois das intervenções da PSP para retirar as tendas. É neste contexto que Vital Moreira, num texto publicado no LinkedIn, defende que a ocupação de praças com tendas não pode ser confundida com o simples exercício do direito de manifestação. Segundo o constitucionalista, os manifestantes estarão a delimitar e reservar para si uma parte do espaço público, retirando-a ao uso comum.

Por essa razão, considera as acampadas ilícitas e entende que a polícia pode intervir para lhes pôr termo, desde que respeite o princípio da proporcionalidade. A posição surge num momento em que a PSP justificou as operações no Porto e em Lisboa, entre outros motivos, pela remoção de estruturas de acampamento instaladas sem a necessária autorização legal.

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Washington avança para restringir investimentos em alta tecnologia em países rivais

O Departamento do Tesouro dos EUA propôs na quinta-feira 22 de outubro uma norma para restringir investimentos norte-americanos em setores de alta tecnologia, como a supercomputação e inteligência artificial (IA), na China, Rússia, Coreia do Norte e outros “países que suscitam preocupação”.

Há anos que o governo dos EUA trabalha para impedir que a China e outros adversários recebam investimentos que os possam ajudar a ampliar o seu poder militar.

Esta iniciativa teve início em 2023, quando o então presidente Joe Biden (democrata) assinou uma ordem executiva que impunha restrições aos investimentos americanos destinados à China em setores como os semicondutores, a computação quântica e a inteligência artificial.

Posteriormente, o Departamento do Tesouro estabeleceu o Programa de Segurança de Investimentos no Estrangeiro (Outbound Investment Security Program).

Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou uma lei que formalizou e expandiu o programa, abrangendo um maior número de tecnologias e de países estrangeiros, incluindo Cuba, Irão, Coreia do Norte e Rússia.

A inclusão da Rússia na norma proposta acontece poucos dias depois de o Presidente Donald Trump ter suspendido as sanções contra o país, na sequência de um acordo sobre o gasóleo assinado com o homólogo russo Vladimir Putin.

A norma anunciada na quinta-feira alarga as restrições para incluir investimentos em sistemas hipersónicos (capazes de viajar a cinco vezes a velocidade do som), supercomputação, biotecnologia e IA, embora o Departamento do Tesouro tenha utilizado o termo preferido de Trump para se referir à IA, a ‘superinteligência’ (ou SI).

A proposta “envia um sinal importante aos mercados de que Washington está a monitorizar para onde o capital americano está a fluir e que capacidades está a ajudar a desenvolver”, realçou Craig Singleton, investigador sénior do ‘think tank’ Foundation for Defense of Democracies.

A monitorização dos investimentos no estrangeiro “reconhece que o capital pode acelerar o desenvolvimento de capacidades com aplicação militar, da mesma forma que a transferência de tecnologia”, destacou ainda Singleton.

Jason Chipman, ex-advogado do Departamento de Justiça, especializado em cibersegurança, normas de investimento e controlos de exportação, e atualmente sócio do escritório de advogados WilmerHale, salientou que a nova norma “exigirá programas de conformidade (‘compliance’, em inglês) mais robustos para a gestão de riscos”.

A norma do Departamento do Tesouro para implementar a lei de 2025, a Lei de Segurança Nacional sobre Investimentos no Estrangeiro, aplicar-se-ia apenas a investimentos superiores a 50.000 dólares (44.620 euros) e excluiria muitos investimentos financeiros, incluindo a compra de ações.

O Tesouro irá agora receber contributos da população sobre a proposta antes de emitir a norma definitiva.

Desde o primeiro mandato de Trump que os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, se encontram numa rivalidade económica e tecnológica.

Ambos restringiram a exportação de tecnologias sensíveis e produtos críticos (como os minerais de terras raras, da China, e os chips de computador avançados, dos EUA) entre si, além de imporem tarifas sobre os produtos de ambas as nações.

No ano passado, Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, concordaram em reduzir as tensões, mantendo negociações, uma trégua temporária que, no mês passado, foi prolongada até janeiro.

Mas, em julho, o Departamento do Tesouro aplicou uma multa de 200 mil dólares (178 mil euros) a uma empresa sediada nos EUA por não ter notificado a agência sobre um investimento de 92.500 dólares (82.500 euros), realizado por uma das suas subsidiárias, numa empresa chinesa de IA e robótica.

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Esteja atento às práticas comerciais desleais

Quando um vendedor influencia de tal modo o consumidor na sua decisão de compra de um bem que o impede de agir livre e esclarecidamente, estamos perante uma prática comercial desleal, proibida por lei e que prejudica os direitos e interesses de qualquer consumidor.

Preparámos 10 dicas para alertar e esclarecer o consumidor sobre estas práticas, procurando evitar que caia nestas armadilhas do consumo:

 

Se for vítima de assédio através de chamadas telefónicas constantes (e irritantes), coagido ou ameaçado com várias técnicas, incluindo o uso de uma posição de poder na qual o consumidor não é livre de decidir, ou premiado com um brinde, uma viagem ou um exame médico gratuito, desconfie! São formas de o levar a comprar ou contratar até aquilo de que não precisa.

 

Seja à sua porta, ao telefone, na via pública ou num local especialmente preparado para demonstrações comercial, recuse sempre essas vendas. Não compre o que não quer, nem solicitou. Não assine nenhum documento sem ler primeiro e sem compreender claramente o seu conteúdo.

 

Tem 14 dias seguidos para resolver o contrato, devendo fazê-lo por escrito (carta registada com aviso de receção) sem quaisquer custos, e sem necessidade de indicar o motivo. O prazo dos 14 dias conta a partir da receção dos produtos, que terão de ser devolvidos também neste período, ou da data da celebração do contrato de prestação de serviços.

 

O vendedor tem de reembolsar o consumidor de todos os pagamentos efetuados também no prazo de 14 dias. Se não o fizer, fornecedor deverá pagar em dobro, no prazo de 15 dias úteis, os montantes desembolsados pelo consumidor.

 

Se, além do contrato de compra do bem ou de prestação de serviços, o consumidor assinou também um contrato de crédito (“compras a prestações”), este fica igualmente cancelado se agir – por escrito – no prazo dos 14 dias seguidos.

 

Exija toda a informação necessária, que deve ser verdadeira e atual, para fazer uma compra esclarecida. Nunca permita que exerçam pressão desproporcionada sobre a sua decisão de compra.

 

A rotulagem e a publicidade também têm de corresponder à verdade e não induzir o consumidor em erro. Ambas devem informar sobre as características essenciais do produto ou serviço, sobre a sua natureza, preço, origem, entre outras. Guarde sempre todas as faturas e outros documentos sobre os produtos adquiridos.

 

O vendedor não pode omitir informação substancial sobre o produto ou serviço. As omissões enganosas são formas de práticas comerciais desleais, pois condicionam a tomada de decisão do consumidor. Informação relevante, como por exemplo a existência de período de fidelização no serviço de telecomunicações não pode suprimida.

 

Alguns contratos possuem cláusulas que impõem ao consumidor uma penalização pelo exercício do direito de livre resolução (14 dias para resolver o contrato) ou estabelecem a renúncia a esse mesmo direito. Essas cláusulas são nulas. As cláusulas dos contratos devem ser redigidas de forma simples e entendível pelo consumidor. Em caso de serem pouco claras, prevalece a interpretação que favorece o consumidor.

 

Se for vítima de uma venda agressiva ou se o contrato de compra de um bem ou prestação de um serviço não respeitar os direitos e interesses do consumidor, procure ajuda junto da DECO.

Informe-se connosco.

Conte com o apoio da DECO MADEIRA através do número de telefone 968 800 489/291 146 520, do endereço electrónico deco.madeira@deco.pt. Pode também marcar atendimento via Skype. Siga-nos nas redes sociais Facebook, Bluesky, Instagram, Linkedin e Youtube!

 

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OE2027: Miranda Sarmento ouvido no arranque da discussão na generalidade

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, vai hoje 23 de outubro ser ouvido no parlamento, numa audição que marca o arranque do processo de apreciação na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Os deputados da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP) vão questionar o ministro relativamente ao documento que o Governo entregou na Assembleia da República a 08 de outubro.

A proposta de OE2027, a terceira entregue pelo Governo de Luís Montenegro, prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% em 2027 e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

A discussão na generalidade começa com esta audição, marcada para as 10:00, seguindo-se uma audição da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, na tarde de segunda-feira, dia 26 de outubro.

A proposta orçamental vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro e tem já aprovação garantida, depois de o PS ter anunciado a abstenção nesta votação.

Após a aprovação na generalidade, o documento segue para a apreciação na especialidade, com as audições aos vários ministros e entidades a começar no dia 29 de outubro e estendendo-se até 06 de novembro, dia em que está prevista a audição da ministra do Trabalho às 09:00 e do ministro das Finanças às 15:00.

O dia 06 de novembro marca também o fim do prazo para as propostas de alteração dos partidos, que pretendem introduzir mudanças ao documento entregue pelo Governo e que nos últimos anos têm batido recordes, com cerca de 2.000 iniciativas.

Depois das audições, o parlamento vai preparar os guiões para a maratona de votações, que arranca no dia 18 de novembro e culmina na votação final global a 24 de novembro.

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Portugal abre portas na China ao ensino e ciência

Fernando Alexandre quer Portugal no mapa das redes internacionais de investigação de excelência. Em 2025, renovou as parcerias com as universidades americanas, definindo áreas prioritárias para a cooperação. Agora, o ministro da Educação, Ciência e Inovação e Helena Canhão, a sua secretária de Estado para o sector, abrem portas na China.

“Num contexto em que os Estados Unidos e a China lideram várias áreas científicas e tecnológicas, Portugal deve reforçar a sua capacidade de participar nas redes internacionais de investigação de excelência, envolvendo instituições desses países, com vista a desenvolver competências próprias e a criar condições para que as suas instituições e empresas integrem cadeias de valor de maior intensidade tecnológica”, afirma Fernando Alexandre ao JE.

O ministro explica que a “capacidade de Portugal competir na economia do conhecimento depende, em grande medida, da qualidade da sua ciência, da capacidade de atrair e formar talento e da transformação do conhecimento em inovação e em valor económico”.

A República Popular da China, segunda economia do mundo, tem hoje instituições científicas e tecnológicas de referência, alcançando a excelência em várias áreas. “Para Portugal é uma prioridade estabelecer relações com as suas instituições e criar oportunidades de colaboração que resultem em benefícios científicos, académicos, com impacto social e económico”.

Fernando Alexandre lembra que “o alinhamento das prioridades nacionais com as prioridades da UE” é um dos princípios orientadores da avaliação da estratégia em curso para a ciência e a inovação. E que um dos objetivos estratégicos da política é “tornar as instituições portuguesas cada vez mais relevantes” na procura de soluções para os grandes desafios da Europa.
“A relevância das nossas universidades também se mede pela sua capacidade de estabelecerem relações e desenvolverem projetos conjuntos com as melhores instituições internacionais, europeias, norte-americanas ou chinesas. Ou seja, o enquadramento nas políticas da União Europeia não impede a cooperação internacional”.

D acordo com a Declaração Conjunta assinada por Fernando Alexandre e o homólogo Yin Hejun, a cooperação com a China será aprofundada em cinco áreas prioritárias. A saber: oceano e economia azul; energia, clima, baterias e hidrogénio; agricultura, bioeconomia e alimentação; saúde, envelhecimento saudável e tecnologias médicas; e conservação do património cultural através da ciência.

A cooperação poderá incluir projetos com mecanismos de financiamento conjuntos, mobilidade de investigadores, apoio à colaboração tecnológica entre instituições e empresas, e redes de laboratórios conjuntos ou consórcios de investigação. As formas serão definidas em reuniões técnicas a realizar em 2027.

Na área do Ensino Superior, sai desta visita a retoma já no próximo ano das negociações com vista a um novo acordo de reconhecimento mútuo de graus e diplomas entre Portugal e China, que substituirá o documento de 2005.
O ensino e a formação vocacional não foram esquecidas. Também no próximo ano arrancam consultas técnicas com vista “à elaboração de instrumentos de cooperação bilateral”. Nesta área, o foco aponta ao intercâmbio de boas práticas, desenvolvimento curricular, formação de professores e de formadores e parcerias institucionais.

O périplo incluiu Tianjin, Pequim e Xangai e durou uma semana. Fernando Alexandre e Helena Canhão foram acompanhados por reitores e investigadores de cerca de 15 instituições portuguesas, que procuraram eles próprios aprofundar a cooperação que mantêm no país ou abrir novas portas.

Ficou definido que Portugal participará, como “País de Honra”, na Conferência Anual e Exposição da China sobre Educação Internacional e na Exposição de Educação da China em 2027.

A visita oficial é tudo menos simbólica. “Representa uma aposta na cooperação científica, tecnológica e académica, com resultados que terão de ser avaliados no médio e no longo prazo”, diz Fernando Alexandre ao JE.

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Intuição, emoção e empatia: tudo o que a IA e os algoritmos ainda não aprenderam

Num mundo em que a inteligência artificial está a tomar conta de tudo e um ritmo alucinante, que espaço ainda resta às capacidades humanas, seja nas empresas, nas universidades, nas decisões políticas ou no jornalismo? Esta e outras questões mereceram a reflexão de protagonistas de renome no regresso da edição ao vivo do podcast “Puxar Pela Cabeça”, um programa da Amrop Portugal, conduzido por Maria da Glória Ribeiro e que conta com o JE como parceiro.
Para esta conversa, moderada por João Marcelino, diretor do JE, a Universidade Católica Portuguesa recebeu Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, Mário Crespo, jornalista, Adolfo Mesquita Nunes, Assunção Cristas, Rui Miguel Nabeiro e Maria da Glória Ribeiro. Estes especialistas que partilharam visões e experiências distintas sobre as transformações que poderão marcar a próxima década.
Confrontada com todas possibilidades que se colocam através da tecnologia, Maria da Glória Ribeiro, diretora da Amrop Portugal e consultora, considera que as capacidades humanas “serão sempre as mais importantes” e define tudo aquilo que a tecnologia está a replicar como algo que “está ligado ao cérebro mas não à mente, sem intuição ou emoção”. A especialista considera que essas qualidades vão ficar para os humanos e que será tudo isso “que nos irá distinguir dos humanóides que nos vão substituir”. Num contexto em que os recrutamentos têm uma boa dose de tecnologia a determinar se determinado candidato é o melhor para a função, Maria da Glória Ribeiro não tem dúvidas: “Nunca aceitaria que um candidato fosse excluído através da avaliação de uma ferramenta de IA. As conversas até podem ser online mas nada é decidido sem uma reunião presencial”.
 
Decisões ao ritmo do algoritmo
A anfitriã deste encontro, Isabel Capeloa Gil, começou por ser desafiada para projetar o futuro do ensino superior, num mundo em rápida mudança alavancada na tecnologia. Para a reitora, o ensino superior “é muito mais do que um criador de emprego ou criar braços para a indústria” e terá que regressar à sua função primordial: a de articular a formação de um profissional com a formação de um cidadão que deve estar preparado para refletir e resistir à desinformação. Para Isabel Capeloa Gil, o mercado precisa de pessoas que pensem e que tragam valor e quanto a IA, terá o seu papel como extensão das possibilidades do ser humano.
Para Rui Miguel Nabeiro, CEO da Delta, a tecnologia é muito importante mas seja a IA ou qualquer outro mecanismo, tem que trazer sempre eficiência. Reconhece que a Delta está a aprender a melhor forma de adotar tecnologia e que isso também trouxe um maior acréscimo de trabalho: “A fórmula mágica é continuar a trabalhar junto dos nossos clientes para conquistar o top10 mundial que é o nosso objetivo”.
O advogado e ex-governante Adolfo Mesquita Nunes, autor do livro “Algoritmocracia”, expôs algumas das suas teses sobre a forma como os algoritmos estão a tomar conta das nossas vidas e como querem acima de tudo, a nossa atenção: “Os algoritmos escolhem aquilo que nós vemos e são eles que vão tomar decisões. Vão entrar na nossa vida em decisões que nunca pensamos atribuir-lhes competências”.
E como será no campo da energia e da sustentabilidade? A advogada e também ex-governante, Assunção Cristas, sublinha que “o grande desafio é tornar estas possibilidades tecnológicas como alavancas da sustentabilidade” e apesar de reconhecer dificuldades, considera que “o conhecimento vai permitir-nos esta evolução de forma sustentável e a fazer escolhas mais informadas”. Com Portugal a receber investimento no sector dos centros de dados, a advogada da Vieira de Almeida não tem dúvidas da importância de trazer estas infraestruturas para Portugal: “Serão muito importantes, serão âncoras de desenvolvimento, mas é preciso que tudo isto seja verdadeiramente bem feito”.
O jornalista Mário Crespo não tem dúvidas que os mecanismos atuais de IA permitem produzir coisas absolutamente sublimes, como um discurso muito bem escrito, mas deixou a pergunta: “Será que isso substitui a eloquência de um grande orador? Creio que não”. Para este profissional da comunicação com muitos anos de trabalho nos EUA, “habituamo-nos a reduzir os nossos standards de exigência e a aceitar a solução mais cómoda”. E como vê a relação de Trump com o Chat GPT? “Utiliza-o de forma muito curiosa e muito ridícula. Vivemos numa fase de absurdo”, realça.
 
“Para as empresas, há mais desafios para além da IA”
Rui Miguel Nabeiro reconhece a importância da tecnologia e não a desvaloriza, mas como CEO de uma das empresas mais importantes do país (e que quer crescer a nível mundial), realça que “é preciso perceber que há muito mais desafios para as empresas do que a IA”. E concretiza: “A gestão das pessoas é o mais importante, assim como a capacidade de conhecer os nossos clientes e de humanizar essa relação. Naturalmente que as tecnologias são fundamentais mas não podem ser o único tema nem o único desafio. E se a IA nos disser para lançar um produto no mercado e se não corre bem? Há muitos desafios para lidar e as pessoas estão nesse caminho”. Este responsável destaca ainda que “quando definimos determinados valores para a Delta, como o humanismo e a proximidade, sabemos que isso terá sempre um custo. Mas o bem-estar é algo que valorizamos e isto é um círculo virtuoso”.
 
“Preservar a empatia é essencial”
Isabel Capeloa Gil não tem dúvidas que a IA é imparável e que tentar evitá-la, no âmbito do ensino superior, “é como tentar parar o mar com as mãos”. Qual a solução? “Temos que potenciar uma adoção ética. A forma como os modelos de IA são utilizados e a forma pedagógica com que são utilizados é a chave. No meu entender, não basta que o estudante reproduza o que está na IA, é preciso trabalhar com os alunos para os sensibilizar que a capacidade de dominar o seu futuro será a capacidade de resolver aquilo que lhes vai aparecer pela frente”. Assim, é necessário um processo de evolução pessoal e quem sai da universidade “tem que entender o algoritmo e saber lidar com isso para perceber o que está por trás de tudo isto. Mas o pensamento crítico e a criatividade vem através de outros instrumentos”. E aqui, a reitora dá especial ênfase à empatia: “Temos que preservar a empatia e isso é essencial. Temos que ser capazes de ler e compreender aquilo que lemos, é um problema central. Tem que haver literacia e numeracia”.
 
“Novas gerações devem fazer perguntas”
Para Adolfo Mesquita Nunes, “somos todos responsáveis pela delegação de poder que confiamos à IA”. E que papel cabe às novas gerações nesse desafio? “Há mais emprego, mas as empresas contratam cada vez menos jovens. É importante que as novas gerações tenham a capacidade para fazer perguntas, para questionar constantemente”. O advogado considera que “no dia em que delegármos tudo na máquina, acabou a supervisão humana. E as máquinas vão ficar cada vez mais sofisticadas. Temos que ser donos das decisões”. O ex-governante lança um olhar no futuro e deixa um prognóstico: “Cada um de nós vai pagar de forma diferente consoante aquilo que o algoritmo sabe sobre nós e qual a nossa capacidade financeira. Vamos querer isto?”. Para Adolfo Mesquita Nunes, “a IA gere riscos brutais que podem determinar a existência de uma empresa ou os valores de uma família”.
 
“A Europa tem que se emancipar”
Mário Crespo não tem dúvidas de que a Europa tem um grande desafio e que esse repto é para já: “Tem que se emancipar porque deixou-se atrasar face aos EUA. Há pulsões nos governos europeus que mostram uma vontade de libertação, é visível no Reino Unido, no Canadá. Olhamos para a China e percebemos que há ali um método. Nos EUA, a governação de Trump prometeu uma poupança de trilhões ao erário público e isso foi confiado a Musk: foi um desastre humanitário completo”. O jornalista deixou um cenário do que eram as redações e da forma como estas também foram perdendo a memória: “Nas redações é fundamental a memória de redação e mesmo nas nossas famílias havia sempre aquele respeito pelos mais velhos, que eram instituições. Agora já não é assim. O fact checking deve ser usado, eu faço isso e todos os que trabalham nesse meio”.
 
Regulação e competitividade
Para Assunção Cristas, antiga governante e advogada da Vieira de Almeida, não devem haver clivagens entre os dois conceitos: “É importante que haja regulação porque isso transforma-se numa vantagem competitiva. Quando as pessoas usam menos o seu carro próprio e usam um carro elétrico de uma plataforma, tomam uma decisão muito mais sustentável”. Mas há riscos e os maiores passam pelas cisões e as fissuras “que podem ser criadas na sociedade fruto da evolução tecnológica e da transição energética”. Assim, “temos que confiar na regulação e em quem pode liderar a mudança”, concluiu.
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