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Vídeo: investigadores criam ecrã tátil que pode ser tecido na roupa

Imagine consultar fotografias, reproduzir vídeos ou verificar a temperatura corporal diretamente na manga da camisola. Uma equipa da Universidade Nacional de Singapura desenvolveu fibras eletrónicas que permitem integrar um ecrã tátil no tecido, mantendo a flexibilidade e a capacidade de lavagem da roupa. Os investigadores criaram uma fibra que desempenha duas funções em simultâneo: apresenta [...]

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Apple traz de volta o iPod original num easter egg escondido na Apple Music

A Apple decidiu celebrar a memória do seu leitor de música icónico de uma forma inesperada. Ao visitar uma página inexistente (404) da Apple Music, os utilizadores deparam-se com uma recriação virtual do iPod de primeira geração, pronta a reproduzir faixas dos anos 2000. Um easter egg que desperta memórias O fenómeno foi detetado por [...]

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Apple traz de volta o iPod original num easter egg escondido na Apple Music

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Bill Gates, cofundador de Microsoft: ‘La IA es el arma más peligrosa de todos los tiempos’

Bill Gates cree que a la velocidad a la que avanza la inteligencia artificial nuestra capacidad para responder a sus riesgos se está quedando atrás. En una entrevista con Nilay Patel para el pódcast Decoder publicada este jueves, el cofundador de Microsoft ha defendido que los gobiernos deben intervenir antes de que sus capacidades permitan causar daños difíciles de contener.

Su advertencia llega después de varios meses reclamando una respuesta más contundente a esta tecnología. Gates critica que todavía se discuta si las autoridades deben prestar atención a sus peligros y que la supervisión dependa de la colaboración voluntaria de las empresas, un planteamiento que considera ‘claramente inadecuado para el arma más peligrosa de todos los tiempos’.

Su preocupación más inmediata es que estas herramientas permitan a determinados grupos realizar ciberataques o atentados biológicos que antes exigían recursos propios de grandes Estados. ‘El gran riesgo a corto plazo procede realmente de los modelos sin salvaguardas’, afirma al referirse a las IA cuyas protecciones pueden eliminarse para utilizarlas con fines maliciosos.

Al contrario que otras voces que critican el desarrollo de la IA, Gates no sitúa la pérdida de control sobre esta tecnología como la amenaza más inminente. Su prioridad es impedir que alguien aproveche las capacidades actuales para atacar bancos o redes eléctricas, antes que resolver los debates sobre si estos sistemas tienen consciencia o han alcanzado una inteligencia comparable a la humana.

Para evitar que estas amenazas se materialicen, Gates reclama controles obligatorios y rechaza que la responsabilidad recaiga exclusivamente en unas compañías que además están compitiendo entre sí. Propone que los modelos especialmente potentes solo puedan funcionar en plataformas que impidan eliminar sus protecciones o desactivar su supervisión al modificarlos.

El cofundador de Microsoft tampoco cree que la amenaza de demandas contra las compañías de IA baste para prevenir daños de esa magnitud. ‘La idea de que vamos a gestionar la seguridad de la IA mediante las leyes de responsabilidad se considerará absurda’, sostiene, porque identificar a los responsables de un ataque ya es difícil y acudir después a los tribunales no evita sus consecuencias.

En relación a los agentes de IA capaces de ejecutar tareas por el usuario, Gates respalda su utilidad y elogia Muse, de Meta, aunque reconoce que habrá problemas iniciales. Para mantenerlos bajo control, considera prometedora una capa externa de seguridad con reglas estrictas sobre sus acciones y recursos, pero admite que todavía no sabemos garantizar ese aislamiento.

A los riesgos de seguridad se suma un cambio económico y social que Gates calcula que llevará unas dos décadas. ‘Mi gran preocupación es este periodo de transición de veinte años, en el que habrá ganadores y perdedores y muchas alteraciones’, explica al señalar el camino hacia una posible economía de abundancia.

Durante esa transformación, prevé que la automatización avance desde el trabajo intelectual hacia las actividades físicas mediante robots humanoides. Plantea reducir jornadas o reservar determinadas profesiones a los humanos y advierte de que incluso el mejor escenario supondrá un periodo de turbulencias comparable a los más intensos de la historia.

Pese a estas advertencias, Gates rechaza identificarse con los llamados ‘AI doomers’, una etiqueta utilizada para quienes ponen el acento en escenarios catastróficos asociados a la inteligencia artificial, incluida una posible amenaza existencial para la humanidad. ‘No, no soy un doomer’, responde cuando Patel se lo pregunta directamente.

© AP

Bill Gates dona 50 millones de dólares a la campaña de Kamala Harris
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Jensen Huang, CEO da Nvidia: “A IA é uma nova revolução industrial e o Cazaquistão tem o que ela precisa”

O fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, visitou hoje Astana a convite do vice-primeiro-ministro e ministro da Inteligência Artificial e Desenvolvimento Digital, Zhaslan Madiyev. A visita colocou no centro das atenções o plano do Cazaquistão para se tornar um hub global de Physical AI — a inteligência artificial que une robótica, sistemas autónomos e automação industrial.

No Alem.ai, Centro Internacional de Inteligência Artificial de Astana, Huang conheceu a estratégia nacional de IA, a infraestrutura soberana de computação, os programas de talento e produtos de empresas tecnológicas cazaques. O momento principal foi uma conversa com Zhaslan Madiyev, Ministro da Inteligência Artificial e Desenvolvimento Digital do Cazaquistão, no Astana Hub, sobre o futuro da indústria global de IA, a importância estratégica da energia e da computação, e o papel que um país de 20 milhões de habitantes pode desempenhar nesta nova era.

Durante a intervenção, Jensen Huang explicou a dimensão da transformação em curso. “No fundo, a IA é uma nova tecnologia que está a reformular todas as indústrias, porque é uma tecnologia de propósito geral e devido às suas capacidades transformadoras para cada indústria, para cada cidadão, para cada empresa, para cada país. Esta é uma revolução industrial impulsionada pela tecnologia”.

“Esta revolução industrial vai afetar cada pessoa, cada país. No entanto, também vai ser uma nova indústria em si mesma, não apenas a tecnologia. É uma nova indústria em si mesma porque a IA é manufatura. Tem de ser gerada em tempo real. Não pode ser pré-computada e, porque é gerada em tempo real para cada utilização, precisa de ter um novo tipo de fábrica”, disse lembrando que a “Nvidia cria os sistemas de computação que alimentam as fábricas de IA e são estas fábricas de IA que exigem recursos naturais, e o recurso natural de que necessitam é a eletricidade”.

A IA “precisa de eletricidade, precisa de dados e precisa de offtake. O offtake vem da inspiração da liderança no Cazaquistão”, disse Huang que elogiou ainda o facto de o país já ter desenvolvido um modelo de LLM em língua cazaque (Kazakh LLM), destacando o avanço local na criação de capacidades próprias de inteligência artificial.

“O Cazaquistão é o primeiro país onde o Presidente declarou a IA prioridade nacional”

O CEO da NVIDIA reforçou a importância da ambição política e da liderança: “O Cazaquistão é o primeiro país que visito em que o Presidente declarou o desenvolvimento da IA uma prioridade nacional. A inteligência artificial vai ajudar o vosso país a subir a um novo nível, capacitar as pessoas e permitir que as empresas concorram e cresçam no mercado global. A IA vai transformar a vossa sociedade. Se têm aspirações e ambições, precisam de liderança que as ajude a moldar. É exatamente esse o objetivo ambicioso que o Presidente Tokayev estabeleceu: fazer do Cazaquistão uma nação de IA. (…) A única coisa que importa é ter ambição. Se a tiverem, a inteligência artificial e a robótica vão ajudar-vos a chegar a um novo nível”, disse.

Porquê o Cazaquistão na Physical AI? O país apresenta uma combinação rara de vantagens: abundância energética (incluindo urânio, eólica e solar), indústria pesada de grande escala (mineração, metalurgia, petróleo e gás), posição geográfica estratégica no Corredor Médio Transcaspiano e reservas de minerais críticos essenciais para a robótica e a eletrónica.

Estas condições permitem ao Cazaquistão oferecer algo que poucos países conseguem: uma plataforma internacional para desenvolver, treinar e testar IA industrial em condições reais de operação, segundo disse o Ministro.

“O Cazaquistão definiu para si um objetivo ambicioso: tornar-se um dos centros mundiais de Physical AI. Estamos a construir as condições passo a passo: expandir a nossa infraestrutura de computação, investir em talentos e criar um ambiente onde as empresas tecnológicas possam prosperar”, afirmou Zhaslan Madiyev.

O país da Eurásia está a investir fortemente em capacidade de computação. O supercomputador Alem.Cloud, baseado em GPUs Nvidia H200, está entre os 100 melhores do mundo.

Está planeada a Data Center Valley, em Ekibastuz, com capacidade inicial de 250 MW (expansível até 1 GW). Em junho de 2026, foi anunciado um pacote de acordos de infraestrutura de IA no valor de cerca de 10 mil milhões de dólares, que inclui um cluster de até 100 mil GPUs Nvidia.

No domínio das startups, a Higgsfield — empresa de IA generativa para vídeo sediada no Cazaquistão — já atingiu o estatuto de unicórnio, com valorização superior a 9 mil milhões de dólares e mais de 600 colaboradores no país.

«Quando se investe numa empresa, está-se realmente a investir em pessoas. E é preciso escolher as melhores pessoas», sublinhou Huang, elogiando a equipa jovem e altamente qualificada da empresa.

A visita encerrou o AI Month, série de eventos internacionais de inteligência artificial no Cazaquistão que contou com a NVIDIA como parceiro geral e que incluiu o HackAlem AI, hackathon que bateu o recorde do Guinness World Records para o maior número de participantes num evento deste tipo.

Com a presença de Jensen Huang em Astana, o Cazaquistão reforça a sua posição na corrida global pela Physical AI, apostando na conjugação de energia, indústria, computação e talento para atrair investimento internacional e acelerar a modernização económica.

 

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Seguro auto digital: como funciona o atendimento pelo celular

O atendimento de uma seguradora digital é estruturado para reduzir etapas presenciais e concentrar a relação com o motorista em canais online, como aplicativo, site e atendimento por mensagens. Em vez de depender de documentos impressos ou de idas a uma unidade física, o cliente pode fazer cotação, enviar dados, acompanhar solicitações e acionar serviços pelo celular. A Loovi é uma insurtech que comercializa planos da LTI Seguros S.A., seguradora autorizada pela SUSEP, e te explica como funciona o atendimento online.

O que muda no atendimento digital

Insurtechs são empresas que usam tecnologia para simplificar processos do mercado de seguros. No seguro automotivo, isso aparece em etapas como orçamento personalizado, envio de documentos, vistoria digital, contratação e consulta de informações do plano.

No modelo digital, a autonomia do cliente ganha mais peso. A escolha de coberturas e assistências pode ser feita em plataformas online, conforme as opções disponíveis em cada produto e as condições contratuais aplicáveis.

Entre os pontos que diferenciam o atendimento digital estão:

  • Cotação pelo site ou aplicativo;
  • Envio de documentos e fotos pelo celular;
  • Escolha de coberturas e assistências disponíveis no plano;
  • Consulta de informações sem depender de atendimento presencial;
  • Abertura e acompanhamento de solicitações por canais digitais.

Como se dá o início da cotação

Na jornada digital, a cotação costuma começar com dados pessoais, como o CPF, e dados do veículo, como a placa, além de informações sobre o uso do automóvel. A partir dessas informações, a plataforma apresenta opções de cobertura, preço e contratação, sempre sujeitas às regras do produto e à análise aplicável.

Em empresas como a Loovi, etapas que vão da cotação ao sinistro podem ser realiza

das pelo celular, assim como a vistoria remota por envio de fotos, solicitação de assistência e acompanhamento de guincho em tempo real pelo aplicativo. A assistência 24 horas é um dos serviços essenciais vinculados às condições do contrato. 

O que você precisa saber antes de contratar

A facilidade do atendimento digital não elimina a necessidade de ler a apólice e as condições gerais. Coberturas, exclusões, franquia, carência, limite de indenização, assistência e elegibilidade podem variar conforme produto, veículo, perfil e informações declaradas na contratação.

Também é importante verificar a regularidade da seguradora junto à SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), a clareza do contrato e a reputação da empresa em canais de avaliação de consumidores. 

Antes de contratar, compare:

Seguro e proteção veicular não são a mesma coisa. O seguro é regido por apólice e condições contratuais de uma seguradora; outras modalidades podem ter estruturas e regras diferentes. Divergências relevantes entre as informações prestadas na contratação e a rotina real do veículo podem afetar a análise de cobertura ou o pagamento de indenização.

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Política e monetização: como ativistas se tornam alvo de violência dentro e fora das redes

Os perfis nas redes sociais do jornalista e comunicador popular Mateus Fernandes, de 26 anos, sempre articularam debates sobre raça, meio ambiente e participação política a partir da periferia de São Paulo. A decisão de declarar o voto no presidente Lula no segundo turno das eleições custou a liberdade e tranquilidade de Mateus. Conhecido nas redes como @omateuso, seu perfil divulgou uma nota pública no dia 12 de outubro informando que ele havia recebido oito ameaças de morte e tortura, com referências à Ku Klux Klan e saudações nazistas. Além disso, seu endereço residencial foi exposto em comentários no Facebook, o que motivou o jornalista a sair de casa por medo de ser assassinado.  

As ameaças surgiram após a participação de Mateus na campanha de “vira-voto” com centenas de criadores de conteúdo. Sem respostas efetivas às denúncias enviadas à Meta, Mateus e sua equipe jurídica de apoio registraram boletim de ocorrência por racismo, apologia ao nazismo, intolerância religiosa e ameaça. Também levou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e à Polícia Civil.

O caso de Mateus não é isolado. Ele se soma a episódios de intimidação contra parlamentares e agentes políticos registrados em diferentes estados durante o período eleitoral. Os dados após o primeiro turno confirmaram o diagnóstico: segundo levantamento da organização de Direitos Humanos Terra de Direitos e da Justiça Global, divulgado no dia 7 de outubro, o Brasil registrou 134 episódios de violência política em 50 dias de campanha, uma média de um caso a cada nove horas.

Segundo a pesquisa, dos 134 episódios registrados no primeiro turno, 102 foram dirigidos a pessoas com candidaturas registradas, o que equivale a 76,1% do total. Os outros 32 casos atingiram quem não disputava eleições: foram vítimas 19 vereadores, 3 prefeitos, um vice-prefeito e dois secretários. Também houve quatro casos contra dirigentes partidários e dois contra sedes do PT e a equipe de uma candidata.  

Um exemplo foi da deputada federal eleita com a melhor votação de Minas Gerais, Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, a mulher mais jovem da história do país e assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Logo após a confirmação do resultado das urnas, ela passou a ser alvo de perseguição e ameaças de morte.

No Amazonas, a deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campêlo (PSD) denunciou ter sido ameaçada durante um debate eleitoral promovido pela TV Norte Amazonas. Alessandra disputa o segundo turno ao Governo do Estado ao lado de Omar Aziz (PSD) contra a chapa da Professora Maria do Carmo (PL). 

Um homem da coligação adversária foi flagrado, nos bastidores, fazendo um gesto de degolamento enquanto a encarava. Tratava-se de Kidson Maia, que buscou uma vaga de deputado estadual no Amazonas, mas não foi eleito, ficando como 1° suplente. Segundo o portal G1, Alessandra apresentou uma representação criminal e, com isso, a juíza eleitoral Bárbara Folhadela Paulain determinou que Kidson e o deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) mantenham distância mínima de 200 metros da parlamentar, proibiu qualquer tipo de contato e suspendeu o porte de armas da dupla. A Agência Pública solicitou um posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Além de candidatas, minorias políticas tornam-se alvo

A violência política segue um padrão na escolha das vítimas: atingem sobretudo pessoas negras, mulheres, populações periféricas, entre outros grupos marginalizados que ocupam o debate público. Em setembro, uma articulação de quase 70 organizações da sociedade civil (entre elas o Instituto Marielle Franco, Terra de Direitos, Justiça Global, Articulação de Mulheres Negras Brasileiras) entregou uma nota coletiva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE Mulheres). O documento exige medidas de prevenção, investigação e responsabilização diante da escalada do racismo, misoginia e exposição de dados pessoais direcionada a candidatas e ativistas.

Um estudo publicado em 2025 pelo Instituto Marielle Franco, já mostrava que 69% das vítimas de violência política virtual de gênero e raça são mulheres pretas e pardas, e 84% dos casos se concentram estão concentrados contra lideranças filiadas a legendas progressistas. Nesses espaços, a identidade racial e a atuação em defesa dos direitos humanos funcionam como catalisadores para campanhas orquestradas de difamação e intimidação física.

Para o advogado Thiago Farias, que representa Mateus Fernandes junto ao Ministério Público de São Paulo, as agressões se tornam bem mais graves quando ultrapassam as telas. “Quando a ameaça cita a rua, o bairro e o trajeto cotidiano de um comunicador, a violência deixa de ser uma agressão virtual difusa e passa a operar como uma tecnologia de confinamento territorial”, explica o jurista. “Não atinge apenas o Mateus, mas envia um recado de intimidação a todo corpo negro e periférico que tenta ocupar o debate.” Farias afirma que essa violência atua em duas frentes: a pressão psicológica e o confinamento.

Pressão e confinamento que impõem custos invisíveis às vítimas e seu entorno. Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno, 5 de outubro, o babalorixá, professor e escritor Sidnei Nogueira transmitia uma live ao lado da professora da Unifesp Ellen de Lima Souza. A transmissão lançava um curso sobre saberes de terreiro e os ensaios da teórica feminista negra norte-americana Bell Hooks e da escritora burquinense Sobonfu Somé. Embora a aula não tratasse de política eleitoral, o pai de Santo comentou sua esperança em um resultado democrático no segundo turno. A partir daí, a transmissão passou a ser invadida por dezenas de comentários de ódio, ofensas intolerantes e ataques bolsonaristas.

Para o Babalorixá, o link da transmissão provavelmente foi compartilhado em grupos de mensagens da extrema direita: “não reconheci aquelas pessoas das interações comuns da minha página”, relata. Sidnei já evitava andar a pé pelo próprio bairro por medo. Depois dos ataques, passou a usar mais transportes privados, o que gerou um custo financeiro não planejado. Integrantes de sua comunidade religiosa, seus filhos de Santo, também organizaram uma rede de acompanhamento para que ele não circule sozinho. “A política do ódio substituiu o debate saudável”, reflete Nogueira.

Apesar da violência, a reação dos seguidores do professor abriu caminhos de solidariedade. Pessoas de fora de São Paulo que acompanhavam a transmissão passaram a denunciar os perfis agressores em seus próprios estados, pois se sentiram atingidos pelo discurso de ódio. Diante da gravidade dos ataques, a defesa de Sidnei estuda levar a denúncia à esfera federal.

Se as ameaças visam intimidar, podem ter um efeito contrário. A exposição do caso do pai de Santo Sidnei Nogueira também encorajou outras lideranças religiosas a se posicionarem. “Depois desse episódio, um outro Pai de Santo me mandou mensagem dizendo que não tinha se posicionado até então, mas se sentiu impelido a se manifestar após a repercussão da minha denúncia”, relata Sidnei. Para ele, isso reforça a necessidade de não recuar nem se calar diante da intimidação: “a verdade não tem pressa”, conclui.

O modelo de negócio do ódio e a omissão das Big Techs

Para especialistas e vítimas, a proliferação desses ataques está diretamente conectada à tolerância e ao modelo econômico das empresas de tecnologia.

Ex-deputada federal e cientista política, Áurea Carolina, que teve 2,6 milhões de votos ao Senado por Minas Gerais em 2026, afirma que “o negócio dessas plataformas é baseado em publicidade e retenção de público”. Para ela, a violência atua como um “veneno invisível” que desestimula a presença de mulheres negras na política formal. “Elas [big techs] lucram inclusive com anúncios de golpes e conteúdos de incitação. E há um alinhamento ideológico e de privilégio: dados mostram como algoritmos entregam mais alcance para a extrema-direita enquanto censuram ou reduzem a entrega de perfis progressistas”, analisa Áurea.

A professora e ativista feminista Lola Aronovich, umas das primeiras mulheres a receber e combater os discursos de ódio na internet, cuja perseguição deu origem à Lei 13.642/2018 (Lei Lola), aponta que o ecossistema digital se deteriorou a partir de 2016: “as Big Techs sempre difundiram ódio porque lucram com o engajamento pelo ultraje. Com as eleições de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil, a ‘machosfera’ e os grupos extremistas perderam a vergonha de expor o rosto. Viram que discursos de misoginia e violência não eram punidos, mas recompensados com o poder”, pontua.

Na análise do advogado Thiago Farias, a facilidade com que discursos extremistas se convertem em perseguição tem relação com as políticas de moderação das empresas de tecnologia. 

“As plataformas digitais precisam abandonar as suas convenientes posturas de distância do debate público. Ficou escancarado no debate público recente, especialmente nos períodos eleitorais, que existe uma assimetria gritante na aplicação dos termos de uso quando o conteúdo partia da extrema direita, permitindo que a desumanização e a incitação ao ódio corressem soltas; em contrapartida, vozes progressistas, periféricas e democráticas, que buscavam apenas qualificar o debate público, foram sistematicamente silenciadas ou punidas com rigor desmedido”, argumenta. 

Farias defende que as redes deixem de usar algoritmos que tratam o engajamento com o ódio como motor de distribuição. Também apela para que elas cooperem imediatamente com a Justiça, fornecendo dados cadastrais e registros de conexão dos agressores.

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Partidos também devem se envolver e se responsabilizar

Áurea Carolina avalia que a lei “aumenta a pena e tipifica o crime, mas não prevê nenhuma política pública para prevenir nem cria estruturas de proteção.” Para a ex-deputada, a omissão dos partidos políticos diante dos ataques é um dos principais fatores que deixam as candidatas desprotegidas nas campanhas. Como alternativa, ela defende a criação de um fundo emergencial com recursos do Fundo Eleitoral: a medida destinaria parte da verba pública de campanha para custear ações imediatas de proteção (como escolta, suporte psicológico, veículos blindados ou relocação de domicílio) em até 48 horas após o registro da ameaça. 

“Os partidos são omissos, para não dizer coniventes. Se é de interesse do Brasil financiar candidaturas de todo o espectro político, também deve ser de interesse do país garantir que todas as candidaturas de mulheres concorram em condições de igualdade e segurança. Não dá para esperar um mês de trâmite burocrático partidário quando a vida e o mandato de uma mulher estão em jogo”, defende a cientista política.

Por outro lado, leis focadas em investigação digital têm utilidade quando há vontade política. Lola Aronovich destaca que a Lei Lola (Lei 13.642/2018), que autoriza a Polícia Federal a investigar crimes cibernéticos de misoginia e ódio com repercussão intermunicipal ou internacional, passou a ser aplicada de forma mais firme a partir de 2023. “Hoje ela é usada pela PF para desmantelar fóruns que planejam massacres em escolas, redes internacionais de abuso digital e campanhas organizadas de incitação à violência contra mulheres.”

Apesar dos avanços legais, os órgãos de segurança ainda enfrentam questões operacionais. A Lei 14.192/2021 tipifica a violência política de gênero, mas a aplicação das normas segue desafiada pela velocidade das ameaças. Segundo Thiago Farias, instituições como a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI) e o GECRADI, no Ministério Público de São Paulo, são conquistas históricas dos movimentos sociais. Ainda assim, enfrentam limitações de alcance e lentidão burocrática para preservar provas digitais com a urgência necessária.

No Congresso Nacional, há uma proposta em tramitação buscam enfrentar essas brechas: o PL 3191/2026, de autoria da deputada Sâmia Bomfim (PSOL/SP), altera a Lei de Violência Política contra a Mulher (Lei 14.192/2021) e o Código Eleitoral. A proposta tipifica expressamente como violência política de gênero a manipulação digital, o uso de inteligência artificial (deepfakes) e a disseminação de conteúdos falsos ou difamatórios destinados a induzir ao erro sobre a opinião ou identidade de candidatas e parlamentares. Protocolado em junho de 2026, o projeto passa pela análise das comissões da Câmara antes de seguir para votação.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Meta informou por meio de nota, que: “não permite ameaças, intimidação, conduta de ódio ou exposição não autorizada de dados pessoais, inclusive no contexto eleitoral”. A empresa afirmou que qualquer usuário pode denunciar violações diretamente nas redes (Facebook, Instagram e Threads) e ressaltou que mantém, para as Eleições 2026, canais dedicados à Justiça Eleitoral, partidos e candidatas, além de um guia de segurança voltado a mulheres na política. “Removemos conteúdos que violam nossas regras, e contas infratoras podem ter recursos limitados, ser suspensas ou desativadas”, declarou o porta-voz da plataforma.

Guia prático

A pedido da Agência Pública, a advogada especialista em Direito Digital Elaine Keller criou um série de orientações para vítimas de ameaças no ambiente digital

O que fazer em caso de perseguição e ataques virtuais?

1. Qual é o limite entre a liberdade de expressão e o crime de ódio ou perseguição?

A crítica e o debate, mesmo contundentes, são legítimos no ambiente democrático. No entanto, a liberdade de expressão não é absoluta e não pode servir de escudo para ofensas, ameaças, misoginia ou ataques à honra e à dignidade. Quando o limite é ultrapassado, configura-se abuso de direito e ilícito civil e penal (injúria, difamação, ameaça e perseguição).

2. Sofri um ataque ou ameaça na rede. Qual deve ser a minha primeira atitude?

A primeira providência imediata é preservar as provas das agressões (mensagens, comentários, áudios, vídeos e links/URLs das publicações) e denunciar o conteúdo nos canais da própria plataforma. Se persistir ou houver ameaça grave e exposição de dados (doxxing), procure imediatamente a polícia para registrar um Boletim de Ocorrência e busque orientação jurídica.

3. Tirar um simples print (captura de tela) serve como prova na Justiça?

Nem sempre. Para ter validade no Judiciário, a prova digital precisa cumprir três requisitos: autenticidade (origem), integridade (garantia de que não foi manipulada) e licitude. Um print isolado pode ser contestado. O ideal é salvar as URLs exatas, a navegação gravada, manter os arquivos originais sem alteração e, se possível, contar com orientação jurídica ou registros de preservação técnica (como ata notarial em cartório ou plataformas com tecnologia de blockchain).

4. O agressor usou um perfil falso ou sem foto. É possível identificar quem está por trás?

Sim. O anonimato nas redes não é uma blindagem contra responsabilização civil e criminal. Por meio de ordem judicial, as plataformas digitais são obrigadas a fornecer os registros de conexão e dados de acesso, como endereços de IP, datas e horários, que permitem às autoridades policiais identificar o autor da infração.

5. A plataforma não removeu o conteúdo denunciado e a perseguição continua. O que posso fazer judicialmente?

Um advogado especialista em Direito Digital pode acionar o Judiciário para pedir, em caráter de urgência (liminar), a retirada imediata do conteúdo ou a suspensão do perfil sob pena de multa diária à plataforma. Além da remoção, a vítima pode pleitear indenizações civis por danos morais e a responsabilização criminal dos envolvidos.

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Deutsche Telekom gana a Telefónica el megacontrato de 400 millones para la nube soberana de Cataluña

T-Systems Iberia, filial del grupo alemán Deutsche Telekom, ha obtenido la propuesta de adjudicación del contrato para desarrollar y gestionar la nube pública soberana de la Generalitat de Cataluña por un importe de 400,4 millones de euros (IVA incluido). La mesa de contratación del Centre de Telecomunicacions i Tecnologies de la Informació (CTTI) situó al grupo germano en primera posición con 96,98 puntos sobre 100, por delante de NTT Data, que obtuvo 84,72 puntos, y de Telefónica, que alcanzó 75,18 puntos, según la documentación oficial publicada en la Plataforma de Contratación Pública de Cataluña a la que ha tenido acceso este diario.

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El president de la Generalitat, Salvador Illa, durante su intervención en la Jornada Gresol, este viernes.
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Digi admite sair de Portugal! O que está em causa?

A Digi admitiu que poderá abandonar o mercado português caso não consiga condições que lhe permitam competir com a MEO, a NOS e a Vodafone. O aviso foi feito a 23 de outubro de 2026, pelo diretor executivo do grupo, Valentin Popoviciu, numa conferência de imprensa em Lisboa. A questão central está nas licenças de [...]

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