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Quando a inteligência artificial começa a agir por nós

21 October 2026 at 00:08

Numa experiência informal com amigos, pedi a assistentes de inteligência artificial que respondessem por mim a mensagens no WhatsApp e no Instagram. Tinham acesso a contexto sobre a minha vida e ao meu modo de escrever em cada conversa. Os meus amigos julgaram estar a falar comigo. O resultado impressionou-me, mas também me deixou uma pergunta incómoda: quanto da nossa presença podemos delegar antes de começarmos a comprometer a confiança dos outros?

É nesta fronteira que o prompting, a prática de dar instruções à inteligência artificial, se está a tornar mais interessante. Continuamos a discuti-lo como uma técnica para obter textos melhores, quando já serve para orientar trabalho sobre a nossa vida digital. Saber pedir passa a incluir escolher a informação relevante, definir o resultado pretendido e estabelecer até onde o assistente pode ir.

A documentação da OpenAI sobre utilização do computador descreve sistemas capazes de operar interfaces de aplicações e navegadores. Com ferramentas como o Codex e outros assistentes, consoante as funcionalidades e permissões disponíveis, uma conversa pode transformar-se numa sequência de ações. O pedido deixa de terminar numa explicação sobre onde clicar.

As aplicações quotidianas são menos espetaculares do que um robô humanoide, mas podem ser muito úteis. Um assistente pode ajudar a identificar programas que consomem recursos desnecessariamente e propor o seu encerramento. Pode localizar ficheiros volumosos ou duplicados e sugerir o que eliminar. Convém, porém, acertar no diagnóstico: apagar ficheiros liberta armazenamento; não aumenta a memória RAM instalada. E um ficheiro antigo pode continuar a ser importante. A data do último acesso não basta para o declarar dispensável.

O mesmo vale para o dinheiro que sai da conta sem que reparemos. Com acesso autorizado a faturas e recibos, um assistente pode detetar subscrições esquecidas ou potencialmente duplicadas, comparar custos e ajudar a cancelá-las. Pode ainda acompanhar um pedido sem resposta e, quando a integração o permite, interagir com o apoio ao cliente. Uma suspeita de duplicação exige confirmação; um cancelamento deve ficar comprovado no serviço.

Um bom pedido seria: «Analisa estas despesas, identifica possíveis subscrições repetidas e mostra-me a evidência e a poupança anual. Antes de cancelar, pede-me confirmação.» Este exemplo contém mais do que uma ordem: define fontes, critérios e um limite de atuação. O chamado “prompt perfeito” interessa-me menos do que esta capacidade de delegar com clareza. Uma frase bem escrita também não substitui controlos de acesso efetivos.

Além disso, a instrução já pode ter futuro. A documentação sobre tarefas agendadas do ChatGPT prevê execuções recorrentes e, em contextos compatíveis, tarefas desencadeadas por eventos de aplicações. Podemos pedir uma revisão mensal de despesas ou um aviso antes de uma renovação. A execução depende das ligações e permissões existentes; tarefas locais podem exigir o computador ligado. Agendar inclui decidir quando o assistente deve parar e quando precisa de nos chamar.

À medida que estes modelos se tornam mais capazes de responder às nossas perguntas, acredito que o próximo passo será aprenderem a fazer as perguntas certas nos momentos certos. Antes de agir, um assistente deverá reconhecer quando lhe falta contexto, quando as nossas prioridades podem ter mudado ou quando uma decisão exige confirmação. Saber perguntar sem nos interromper a cada passo será essencial para agir de forma alinhada com as nossas intenções e com segurança.

Há também um uso mais íntimo: pedir ajuda para nos conhecermos melhor. Em 2015, Wu Youyou, Michal Kosinski e David Stillwell publicaram na PNAS um estudo sobre a previsão de traços de personalidade a partir de gostos no Facebook. O trabalho mostrou que rastos digitais permitem inferências relevantes. Não demonstrou que qualquer chatbot nos compreende melhor do que nós próprios. Um retrato produzido a partir de mensagens deve ser tratado como uma hipótese a discutir, nunca como um diagnóstico ou uma identidade definitiva.

Podemos até pedir: «Desenha uma imagem da minha vida com base no que sabes sobre mim.» A imagem pode ajudar-nos a pensar nas atividades que nos ocupam e nas prioridades que dizemos ter. Mas representa o que partilhámos e a interpretação do sistema. Deixa de fora o que não registámos. O seu valor está na reflexão que provoca, não numa suposta capacidade de revelar a nossa essência.

Quanto mais contexto fornecemos, mais específicas podem tornar-se as respostas. Também aumenta o que fica exposto. Uma caixa de correio ou uma conversa contém informação sobre amigos, familiares e colegas. Dar acesso à nossa conta envolve, por isso, mais pessoas do que o titular. Antes de ligar um serviço, interessa perceber que dados serão enviados, onde ficam guardados, por quanto tempo e como podemos revogar o acesso.

Uma medida concreta é desativar, nas definições de privacidade e quando essa opção exista, a utilização dos nossos dados para treinar os modelos. Isso limita um uso adicional da informação e ajuda a protegê-la. Mas treino, processamento e conservação são coisas diferentes, como ilustram os controlos de dados da OpenAI: excluir os dados do treino não significa que deixem de ser processados ou guardados pelo serviço.

Existe ainda um risco menos intuitivo. Um assistente pode encontrar instruções maliciosas numa página ou num documento e confundi-las com ordens legítimas. O National Cyber Security Centre britânico alerta para esta vulnerabilidade, conhecida como prompt injection. Quando o sistema pode agir, o erro pode passar do texto para uma alteração real. Devemos limitar os acessos ao necessário, preservar cópias recuperáveis e confirmar operações com consequências difíceis de desfazer.

A experiência com os meus amigos tornou outra responsabilidade evidente. Reproduzir o meu estilo não equivale a estar presente numa relação. O episódio que relato é uma observação pessoal, sem controlo experimental; não prova que a imitação seja sempre convincente. Ainda assim, obriga-me a defender transparência quando um sistema conversa autonomamente em nosso nome. Uma resposta automática sobre horários e uma mensagem de apoio num momento difícil não pedem o mesmo grau de envolvimento humano.

Os benefícios de produtividade têm fundamento, embora dependam da tarefa. No estudo Generative AI at Work, publicado em 2025 no Quarterly Journal of Economics, Erik Brynjolfsson, Danielle Li e Lindsey Raymond analisaram 5172 profissionais de apoio ao cliente. O acesso a assistência de IA aumentou, em média, 15% o número de problemas resolvidos por hora. Os ganhos variaram entre trabalhadores. É um resultado relevante num contexto concreto, não uma promessa de poupança idêntica para cada utilizador.

Perante uma mensalidade elevada, vale a pena fazer contas. Uma subscrição cancelada ou várias horas recuperadas podem justificar o investimento. Mas a conta tem de incluir o tempo gasto a explicar, supervisionar e corrigir. A sensação de estar a produzir mais não chega. Se pagarmos por uma ferramenta que quase não usamos, acabámos de acrescentar outra subscrição à lista que lhe pedimos para limpar.

Vejo aqui uma oportunidade de tornar acessível ajuda que antes exigia conhecimento técnico ou dinheiro para a contratar. Para a aproveitar, precisamos de ensinar a definir tarefas, verificar resultados e proteger informação. Se esta aprendizagem ficar reservada a quem pode pagar os melhores planos e experimentar sem receio, os ganhos serão distribuídos de forma desigual.

Quero que estes assistentes me devolvam tempo para aquilo que escolho fazer, incluindo estar com os meus amigos. É esse o critério com que pretendo avaliá-los. O prompting torna-se uma competência valiosa quando nos ajuda a exercer melhor essa escolha, mantendo sob o nosso controlo as decisões que contam.

Todas as opiniões expressas neste artigo são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam nem refletem as opiniões, políticas ou posições de qualquer instituição à qual esteja afiliado.

A habitação acessível não pode ter prazo de validade

21 October 2026 at 00:07

Uma professora colocada em Lisboa não precisa só de uma casa que consiga pagar este ano. Precisa de continuar a viver perto da escola. E, quando um dia sair, essa casa devia ficar ao alcance do próximo professor, de um enfermeiro ou de um polícia. É isto que falta ao debate: não basta construir habitação acessível, é preciso que ela continue acessível.

O Orçamento do Estado para 2027 dá dois passos certos. Reconhece expressamente que a crise da habitação atinge a classe média. E assume que o Estado não a resolve sozinho: uma das prioridades para 2027 é mobilizar investimento privado através de parcerias com património público.

Os números explicam porquê. Com o fim do PRR, o investimento no eixo da habitação cai de 2.905 milhões de euros em 2026 para 1.061 milhões em 2027. A verba para mobilizar património imobiliário do Estado fica nos 15 milhões. A nova oferta terá de vir de parceiros. A pergunta é: de quais?

O Governo aposta em incentivos: IVA reduzido na construção, IRS mais baixo para rendas moderadas, contratos de investimento para arrendamento. Ajudam a aumentar a oferta. Mas um incentivo fiscal aluga acessibilidade por uns anos; não a compra. Quando o benefício acaba ou muda, a casa volta ao mercado, e o dinheiro público investido vai com ela.

Há outro modelo, que o Orçamento ainda não contempla: entidades privadas sem fins lucrativos que reinvestem os resultados em nova habitação e assumem compromissos permanentes de acessibilidade.

Não é uma experiência por testar. Na Áustria, as entidades habitacionais de lucro limitado cobram rendas calculadas a partir dos custos e são obrigadas a reinvestir os resultados. Só em Viena, gerem cerca de 200 mil habitações. Casas construídas há décadas continuam hoje acessíveis, sem que o Estado as tenha pago duas vezes.

Em Portugal, a porta existe, mas está entreaberta. O artigo 6.º da proposta de Orçamento permite transferir sem contrapartida bairros e terrenos do antigo património habitacional do Estado. Os destinatários, porém, limitam-se a municípios, empresas locais, IPSS e pessoas coletivas de utilidade pública administrativa com fins assistenciais. O próprio relatório do Orçamento aponta as cooperativas como parceiras da nova oferta. Mas uma cooperativa ou uma fundação criada só para garantir arrendamento acessível não cabe nesta lista.

Aos deputados que discutem o Orçamento na especialidade, até 24 de novembro, deixo uma proposta concreta. Alarguem os destinatários às entidades privadas sem fins lucrativos que tenham a habitação acessível como fim estatutário e demonstrem capacidade técnica e financeira. E exijam em troca o que nenhum incentivo fiscal consegue garantir: imóveis afetos a arrendamento acessível para sempre, com esse ónus inscrito no registo predial, fiscalização independente e reversão para o Estado em caso de incumprimento.

A proposta não custa um euro, porque as transferências já são feitas sem contrapartida. Não cria um programa novo. Alarga os parceiros possíveis e reforça as garantias sobre o destino do património. Não se trata de entregar património público sem condições. É o contrário: garantir que continua ao serviço do interesse público, seja quem for que o gere.

Escrevo como Presidente Executivo da Fundação Âncora, uma instituição privada sem fins lucrativos que está a nascer para promover arrendamento permanentemente acessível. Queremos fazer parte desta solução. Mas defendemos que a porta se abra a todas as entidades que aceitem as mesmas obrigações, com critérios transparentes e exigentes.

O Governo pediu parceiros e fez bem. Reconheceu a classe média e fez bem. Falta garantir que, entre os parceiros que entram, estão também os que não se vão embora.

iBRICS Summit 2026, um evento de negócios

21 October 2026 at 00:06

O melhor, para evitar qualquer confusão entre siglas, é começar por distinguir a Cimeira BRICS de Nova Deli, do evento de negócios iBRICS Summit, realizados nas mesmas, data (12/13 Setembro 2026) e cidade, evocando objectivos e resultados que os separam e aqueles em que, aparentemente, se cruzam.

1. Na Cimeira BRICS, reuniram-se os Chefes de Estado e representantes dos países BRICS+, para debater a geopolítica, designadamente as reformas que defendem para a Governação do Mundo, a contenção dos conflitos mundiais, o desenvolvimento económico delineando os diversos tipos de participação, o equacionamento de plataformas que agilizem o uso das moedas locais nos pagamentos entre países, de forma a proporcionar às economias dos BRICS, poupanças em tempo e custos e, por conseguinte, uma menor dependência do dólar sem grandes referências ao termo por questões diplomáticas, bem como o debate sobre as cadeias de abastecimento e rotas comerciais, tudo isto plasmado na Declaração de Nova Deli 2026, disponibilizada ao Mundo, para dar conhecimento das posições assumidas, por unanimidade, pelo conjunto dos BRICS.

No iBRICS Summit, tivemos um evento de natureza privada, com foco no mundo dos negócios e incidência muito forte na área financeira. Traduziu-se em reuniões de negócios, umas à porta fechada e outras não, para “aplanar” entendimentos entre empréstimos financeiros e Investimentos. Mais de 500 investidores institucionais participantes, incluindo fundos soberanos e de pensões que, no seu conjunto, gerem mais de 1000 milhões de activos, em dólares. O iBRICS, que se realizou, pela primeira vez, aconteceu, taxativamente, para colocar estas duas partes em contacto, ou seja, os detentores de capitais (independentemente da sua origem e natureza) e os projectos concretos em áreas diversas, mas sobretudo no domínio das infraestruturas, transportes, energias e digitalização, no âmbito dos países membros dos BRICS e países parceiros. A grande finalidade do iBRICS situava-se e situa-se no mundo dos negócios.

 iBRICS Summit – evento de capitais essencialmente privados

2. O iBRICS 2026 convém acentuar consistiu numa iniciativa privada, organizada pela Sovereign Weath Fund Institute (SWFI), “uma empresa de dados e análises, sediada nos EUA”, que decorreu de forma paralela à Cimeira dos BRICS, mas, teoricamente, sem relações entre si. Esta coincidência e alguns artigos da comunicação social mundial suscitam dúvidas, pois indiciam que, no mínimo, houve um aproveitamento das dinâmicas dos participantes in loco na Cimeira.

Depois, há notícias credíveis de que a SWFI pretende continuar a desenvolver este tipo de iniciativas, aquando das próximas Cimeiras BRICS, certamente, porque pretendem beneficiar de muitas sinergias que aí se geram. Refira-se, a propósito, o ditado português “de que não há almoços grátis” muito usado, com alguma ironia, em situações menos transparentes.

O Banco BRICS

3. Os BRICS criaram o seu próprio banco, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com finalidades “algo semelhantes”, sobretudo na área do financiamento de projectos de investimento.

E aqui começam as dúvidas. Parece haver diferenças de fundo em choque com o banco BRICS, pois as orientações que norteiam os iBRICS tendem a aproximar-se das do FMI e Banco Mundial que são pouco ou nada aceites nos países do Sul Global, sobretudo pelas imposições que estas instituições exigem na concessão do financiamento, em áreas como a fiscalidade, a exigência de redução de despesas e as reformas estruturais como a extinção de serviços, etc.

Portugal, aliás, está bem ciente desta situação do tempo da Troika: os cortes nos salários, o aumento de impostos, as reformas ditas estruturais, etc.. A criação do Banco BRICS surge em contraponto a esta situação.

A promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo, o fomento do uso de moedas locais, a não interferência política e o respeito pela soberania dos países são regras presentes no funcionamento do Banco BRICS, prestando, assim, apoios mais consentâneos com os interesses de quem precisa de financiamento para investir e desenvolver os projectos, segundo uma estratégia de desenvolvimento própria.

Ao contrário das condicionalidades políticas que o FMI e o BM costumam impor na concessão dos empréstimos, o NBD não se intromete na austeridade fiscal ou em reformas estruturais do país candidato a empréstimos. É evidente que tem de haver garantias de recuperação do empréstimo, negociadas entre o NBD e o respectivo cliente.

4. Com filosofias tão diferentes, causa alguma perplexidade do interesse real para os BRICS deste tipo de iniciativas aquando das Cimeiras e em concorrência tão directa com o perfil do NBD.

Não se entende que, em iniciativas deste género, o NBD seja marginalizado e não chamado a uma participação de relevo, até porque é nele que os países BRICS mais confiam para agir neste domínio.

Será que os seus princípios dissonantes com o FMI e Banco Mundial, os órgãos de natureza financeira, oriundos dos acordos de Bretton Woods de 1944, que impuseram e impõem a Governação global em torno dos interesses do Mundo Ocidental e, mais, continuam avessos a toda a adaptação, apesar das grandes evoluções que se têm registado nas sociedades e economias mundiais, estão na origem desta não colaboração?!

Dilma Rousseff – Presidente do Banco BRICS

5. A Presidente do NBD, Dilma Rousseff, assinalou na Cimeira de Nova Deli que o Banco, neste seu segundo decénio, vai subir o patamar de financiamento, elevando a sua escala financeira para a mobilização de recursos, com o objectivo central de ampliar os montantes dirigidos ao Sul Global, tendo avançado com a ampliação do financiamento em moedas locais, o que vem facilitar a movimentação de pagamentos e a redução da dependência do dólar, a diversificação das ferramentas financeiras como por exemplo o programado Panda Bonds na China e os novos planos para obrigações em Rupias na Índia e ainda o recurso ao co-financiamento, em que o capital privado terá o devido lugar.

Por outro lado, este tipo de eventos à margem das Cimeiras futuras, sem o mínimo de coordenação com o Banco BRICS e sem atender aos objectivos do País que detém a Presidência, pode gerar algumas incompatibilidades, inclusive com os interesses do país que preside.

Pela informação colhida, tudo isto necessita de ser burilado, sob pena de criar a sensação de intrusão disfarçada.

Sem querer pôr de lado a cooperação entre os BRICS e o Ocidente, que será sempre bem-vinda, em condições negociadas, as dúvidas não se desvanecem e poder-se-á questionar a continuidade e o interesse, a não ser para os privados, deste tipo de eventos paralelos, tendo em conta os princípios fundadores dos BRICS.

Há, pois, na base do que contribui para unir os BRICS e da sua projecção no Futuro. muito a repensar sobre o seu prosseguimento.

Este, um tema que criou incertezas em certos meios que se interessam e acompanham o evoluir dos BRICS e que têm olhado para 2026 como um ano bem difícil e ainda com potenciais nuvens num horizonte muito próximo, apesar do grande sucesso da Cimeira de Nova Deli ao aprovar por unanimidade a Declaração Final. Mas, como escreveu o poeta sevilhano, António Machado, “o caminho faz-se caminhando”.

Nota final: algumas destas dúvidas não são novas. Já as tenho referido aqui e em alguns outros sítios.

Mais de metade dos portugueses recorreu a crédito para pagar faturas, diz estudo

20 October 2026 at 23:32

Mais de metade dos portugueses (53%) recorreu a dinheiro emprestado ou a cartões de crédito nos últimos seis meses para pagar as suas contas, numa percentagem que sobe para 79% entre os rendimentos abaixo da média, refere um estudo.

De acordo com o “European Consumer Payment Report 2025” (ECPR) da Intrum, que inquiriu mil pessoas em Portugal, este recurso ao crédito acontece apesar da confiança demonstrada pelos consumidores na gestão das finanças do dia-a-dia.

Segundo os resultados, 79% dos inquiridos têm confiança na sua capacidade para pagar todas as contas mensais e 70% dizem conseguir fazer face a uma despesa imprevista sem pedir dinheiro emprestado, dois indicadores que sobem face ao verificado em 2025 (71% e 57%, respetivamente).

Face ao inquérito anterior, o estudo da Intrum verificou um aumento do número de respondentes que pagaram pelo menos uma fatura após o prazo de vencimento (de 22% para 24%) e da população que utiliza inteligência artificial (IA) para gerir as suas finanças pessoais (de 8% para 33%).

O estudo apontou ainda que 17% dos inquiridos são considerados financeiramente frágeis, contra 26% no ano passado, e que 38% utilizaram a opção de pagamento “compre agora, pague depois” (BNPL, Buy Now Pay Later, na sigla em inglês). Este tipo de pagamento é utilizado de forma particularmente elevada por consumidores com rendimentos abaixo da média (73%). No entender dos autores do estudo, as soluções de pagamento flexíveis “ganham cada vez mais espaço nos hábitos de consumo, afirmando-se como uma ferramenta de gestão do orçamento”.

Durante o período analisado, quase um em cada quatro consumidores (24%) tiveram uma fatura paga com atraso. Três em cada quatro consumidores (75%) pagam as faturas dentro dos prazos, abaixo dos 77% um ano antes, enquanto a proporção da população que se atrasou no pagamento de entre duas a quatro faturas subiu de 10% em 2025 para 17% este ano.

Entre as principais causas para os atrasos nos pagamentos estão o esquecimento do pagamento (59%) e a falta de dinheiro para realizar estas operações (24%). Já os problemas técnicos são responsáveis por 13% dos atrasos.

O estudo aponta que 20% dos inquiridos contraíram empréstimos pelo menos uma vez nos últimos seis meses para pagar faturas — acima dos 18% um ano antes — e que metade recorreu ao cartão de crédito para pagar contas no mesmo período — acima de 46% em 2025.

O cartão de crédito foi, de resto, mais utilizado pelos boomers — nascidos entre 1946 e 1964) –, com 67%, que pelos millennials — nascidos entre 1981-1996.

No conjunto do país, o índice de gestão financeira desenvolvido pela Intrum registou uma subida de dois pontos face a 2025, para 82 pontos, “evidenciando uma melhoria global na capacidade dos consumidores para gerir as suas finanças”, tendo havido subidas em todas as gerações, com exceção dos ‘boomers’, que se mantiveram em 83 pontos.

Os inquiridos com dificuldades de pagamento apontaram o aumento do custo de vida (59%), as despesas inesperadas (46%) e a estagnação dos salários (38%) como as principais causas de pressão financeira, todos com subidas face a 2025 e acima da média europeia (43%, 31% e 28%, respetivamente).

Entre os portugueses, 72% dizem poupar mensalmente para situações de emergência (acima de 60% em 2025 e da média europeia de 66%) e que 65% privilegiam a poupança, “mesmo quando exige sacrifícios pessoais” (63% em 2025 e média europeia de 49%).

O inquérito para a Intrum foi realizado entre 09 de julho e 20 de agosto e conduzido pela FT Longitude em 20 países europeus, junto de 20.000 consumidores.

Havi TechHUB em Lisboa cresce para 143 trabalhadores e amplia escritório no Cais do Sodré

20 October 2026 at 23:21

O Havi TechHUB, centro tecnológico da multinacional de gestão da cadeia de abastecimento HAVI, ampliou as suas instalações em Lisboa, passando a ocupar dois pisos no edifício Cais 5, no Cais do Sodré, após aumentar a equipa de sete para 143 profissionais em pouco mais de dois anos.

Em comunicado, a empresa indica que a expansão eleva a área total do escritório para 1.320 metros quadrados, reforçando a capacidade da operação tecnológica em Portugal.

O TechHUB de Lisboa iniciou atividade em março de 2024 com sete colaboradores, terminando esse ano com 34 trabalhadores. Em setembro de 2025, aquando da inauguração oficial do escritório, contava já com 87 profissionais, número que cresceu entretanto para 143.

As equipas instaladas em Lisboa trabalham em áreas como inteligência artificial, análise de dados, produtos digitais, ‘cloud’, cibersegurança e transformação de negócio, apoiando as operações globais do grupo.

O centro integra a rede internacional de TechHUBs da Havi, que inclui ainda unidades em Chicago, Cracóvia e Kuala Lumpur, funcionando segundo um modelo de colaboração entre diferentes fusos horários para garantir continuidade operacional e capacidade de resposta permanente.

Segundo a empresa, a expansão em Lisboa enquadra-se na estratégia de transformação do modelo operacional tecnológico da HAVI, assente numa organização global mais conectada, escalável e resiliente.

Citado no comunicado, o vice-presidente sénior e diretor digital e de informação da Havi, Reto Sahli, refere que o crescimento da operação portuguesa “demonstra a importância que Lisboa assumiu” na rede global de centros tecnológicos da empresa.

A Havi emprega cerca de 7.500 pessoas em mais de 30 mercados e presta serviços integrados de gestão da cadeia de abastecimento, incluindo transporte, distribuição, armazenagem, planeamento, análise de dados e gestão de resíduos.

Vista Alegre Atlantis avança com exclusão de bolsa e Visabeira compra mais 89 mil ações

20 October 2026 at 23:09

A VAA – Vista Alegre Atlantis SGPS informou esta segunda-feira, 20 de outubro, ter recebido uma comunicação da Visabeira Indústria com informação adicional sobre o processo de exclusão voluntária de negociação em mercado regulamentado das suas ações.

Em comunicado enviado à CMVM, nos termos do artigo 17.º do Regulamento do Abuso de Mercado, a Vista Alegre remete para a nota anexa da Visabeira Indústria.

De acordo com essa comunicação, no contexto da OPA e exclusão voluntária, a Visabeira Indústria adquiriu na presente data — que corresponde à quarta data de liquidação — 89.429 ações da VAA – Vista Alegre Atlantis SGPS.

As ações agora adquiridas correspondem a instruções de venda recebidas por intermediários financeiros legalmente habilitados entre os dias 12 e 16 de outubro de 2026.

A Visabeira recorda ainda que os acionistas interessados em vender as suas ações podem continuar a fazê-lo nos termos e condições descritos no Segundo Anúncio relativo à exclusão voluntária.

A próxima etapa do processo já está calendarizada: a quinta data de liquidação, aplicável às ordens de venda recebidas pelos intermediários financeiros entre 19 e 23 de outubro de 2026, ocorrerá no dia 27 de outubro.

O processo de saída de bolsa da Vista Alegre Atlantis, controlada pelo Grupo Visabeira, prossegue assim com a aquisição gradual das ações ainda em circulação no mercado.

Europeísta Niculescu assume chefia de novo Governo da Roménia

20 October 2026 at 23:06
Luca Niculescu

O europeísta Luca Niculescu, sem filiação partidária, tomou posse como primeiro-ministro da Roménia, liderando um Governo de sociais-democratas e independentes que põe fim a seis meses de paralisia institucional.

Jornalista e diplomata, Niculescu, de 55 anos, recebeu do Presidente do país, Nicusor Dan, a incumbência de formar Governo, após o fracasso de três candidatos anteriores desde a queda, em maio, da coligação de quatro partidos liderada pelo liberal Ilie Bolojan, através de uma moção de censura.

“Um homem cujo trabalho consiste em harmonizar posições” – assim o apresentou o chefe de Estado romeno ao anunciar, a 05 de outubro, a sua nomeação para o cargo, com a missão direta de formar um executivo de coligação que garantisse a firme orientação euro-atlântica do país, mantendo na oposição os ultranacionalistas e os grupos pró-Rússia.

Depois de consolidar uma imagem de mediador hábil, conseguiu conquistar um amplo apoio parlamentar e ultrapassar a grave crise política que se arrastava desde maio: o novo Governo, constituído por 12 ministros do PSD e seis independentes, foi aprovado no parlamento de Bucareste – que conta com 464 lugares – com 280 votos a favor e 58 contra.

Jornalista de formação que se reinventou como diplomata, Niculescu chega à chefia do Governo procedente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde desempenhava as funções de secretário de Estado responsável pela coordenação e conclusão, este ano, do processo de adesão da Roménia à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Nessa função, e mantendo o seu estilo discreto, negociou, com ministérios e instituições públicas, as reformas necessárias para cumprir as exigências da organização internacional com sede em Paris.

Anteriormente, entre 2016 e 2022, foi embaixador da Roménia em França, exercendo simultaneamente a representação diplomática do país junto de Andorra e do Mónaco.

Durante a sua permanência na capital francesa, desempenhou ainda funções de representante da Roménia na Organização Internacional da Francofonia (OIF) e presidiu ao Grupo de Embaixadores Francófonos em França, assegurando uma sólida rede de contactos internacionais.

Nascido em Bucareste em 1971, a sua infância foi marcada pela história da sua própria família, expropriada dos bens e alvo de perseguição política durante o regime comunista.

Apesar das dificuldades da época, cresceu num lar onde se falava francês e alemão, além de romeno, rodeado de “livros e quadros”, segundo relatou numa entrevista ao diário Adevaul.

Após a queda da ditadura de Nicolae Ceaușescu, em 1989, optou por permanecer na Roménia para participar ativamente no processo de democratização.

“Pareceu-me muito interessante o que estava a acontecer no país e quis fazer parte dessa mudança. De alguma forma, sempre acreditei que o meu lugar era aqui”, afirmou.

Niculescu licenciou-se em 1995 na Faculdade de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade de Bucareste e, posteriormente, concluiu o mestrado em Jornalismo Europeu no Centro Universitário de Formação Jornalística da Universidade de Estrasburgo, em França.

Ao longo de quase um quarto de século, desenvolveu uma carreira de destaque na comunicação social, destacando-se como uma das vozes de referência na rádio pública RFI Roménia, onde desempenhou funções de direção, e colaborando com a televisão pública e a imprensa escrita.

Agraciado em 2023 com a Legião de Honra francesa, no grau de Comendador, Niculescu assume agora a chefia do Governo da Roménia com o desafio de reduzir o défice orçamental, sem deixar de apoiar a população vulnerável e reforçar a defesa de um dos países mais pobres da União Europeia (UE) e membro da NATO que partilha mais de 600 quilómetros de fronteira com a Ucrânia.

Air China organiza voo extraordinário para retirar passageiros retidos em Cuba

20 October 2026 at 23:02

A companhia aérea Air China organizou um voo extraordinário para retirar dezenas de passageiros retidos em Cuba devido a sucessivos cancelamentos, com a ilha a enfrentar uma crise energética agravada pelo embargo petrolífero norte-americano.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, o voo adicional estava previsto para segunda-feira à noite, depois de várias semanas de perturbações na ligação entre Pequim e Havana, com escala em Madrid, operada duas vezes por semana pela transportadora chinesa.

A embaixada da China em Cuba anunciou no domingo que o voo CA590 se destinava aos passageiros cujos voos regulares CA866 tinham sido cancelados antes de 10 de outubro.

A partida estava prevista para as 22:30 de segunda-feira (03:30 de hoje em Lisboa), com um número limitado de lugares disponíveis.

A representação diplomática chinesa alertou, em 10 de outubro, para alterações frequentes de horários e cancelamentos temporários na rota por “razões técnicas”, sem fornecer mais pormenores.

A operação da ligação tornou-se particularmente difícil desde fevereiro, quando os aeroportos cubanos ficaram sem combustível para aviões.

Segundo avisos oficiais, a escassez afeta dez aeroportos do país, incluindo o de Havana, e deverá prolongar-se até novembro.

Impossibilitada de reabastecer na capital cubana, a Air China passou a efetuar, desde março, uma escala em Nassau, nas Bahamas, no trajeto de regresso a Madrid, segundo o órgão de comunicação social independente cubano 14ymedio.

Um passageiro cujo voo foi cancelado em 10 de outubro afirmou ao 14ymedio que funcionários da companhia, no aeroporto de Madrid-Barajas, atribuíram a situação a obras numa das pistas de Nassau.

O aeroporto das Bahamas iniciou em agosto a reabilitação de uma das suas duas pistas, com conclusão prevista para 31 de outubro.

As perturbações têm afetado sobretudo os cubanos residentes em Espanha, que recorrem frequentemente à Air China devido às tarifas mais baixas do que as praticadas pela Air Europa, a única outra companhia que assegura voos diretos entre Madrid e Havana.

A transportadora chinesa retomou a ligação em maio de 2024 e dispõe de direitos de tráfego que lhe permitem comercializar bilhetes apenas para o percurso entre Madrid e Havana.

Passageiros retidos em Madrid relataram esperas superiores a 15 horas no aeroporto, com pouca informação, e dificuldades em obter reembolsos ou indemnizações de 600 euros prometidas pela companhia.

A Air China é uma das poucas transportadoras estrangeiras que continuam a operar em Cuba, depois de pelo menos 11 companhias, incluindo a Air Canada, a Air France e a Turkish Airlines, terem suspendido voos este ano devido ao agravamento da crise energética.

A crise intensificou-se em janeiro, quando os Estados Unidos interromperam os fornecimentos de petróleo da Venezuela a Cuba, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.

No mesmo mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que classificou Cuba como uma “ameaça invulgar e extraordinária” para os Estados Unidos.

As restrições agravaram as dificuldades económicas da ilha, cujo sistema elétrico sofreu um colapso total em setembro, deixando milhões de pessoas sem eletricidade.

Havana estima que o embargo norte-americano tenha causado prejuízos de 8,1 mil milhões de dólares (mais de 7 mil milhões de euros) entre março de 2025 e fevereiro de 2026, sem incluir os efeitos das restrições energéticas.

Em agosto, peritos das Nações Unidas alertaram para o risco crescente de surtos de doenças no país.

Em setembro, perante a Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estava envolvido em negociações aprofundadas com Cuba, embora Havana não tenha comunicado quaisquer progressos.

O Presidente norte-americano classificou ainda Cuba como um Estado falhado que “vai cair”.

Nuclear: Rubio defende diálogo entre EUA, Rússia e China

20 October 2026 at 23:00

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendeu hoje o diálogo entre Estados Unidos, Rússia e China, perante críticas de Kiev sobre uma possível cimeira entre os líderes das três potências nucleares.

“É preciso amadurecer um pouco no que diz respeito à política externa. Sinceramente, não creio que seja fora do normal que os líderes das três potências nucleares mais poderosas da Terra comuniquem entre si”, afirmou Rubio durante uma visita à Índia.

O chefe da diplomacia norte-americana reagia às críticas sobre uma eventual reunião entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para novembro em Shenzhen, na China.

Rubio argumentou que países podem manter “fortes divergências” sem que o diálogo represente uma concessão, posição que atribuiu também a Trump.

“Como é que se vai alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia se não se falar com eles? É preciso falar com eles, certo?”, questionou.

Segundo Rubio, manter canais de comunicação com a outra parte constitui “a base da diplomacia e das negociações”.

O secretário de Estado considerou também que uma conversa ao mais alto nível entre Washington, Moscovo e Pequim sobre temas como o controlo de armamentos seria “muito positiva para o mundo”.

“É importante que os líderes dos países com os arsenais nucleares mais poderosos do mundo, pelo menos, comuniquem entre si”, acrescentou Rubio.

A possibilidade de uma reunião tripartida foi criticada na segunda-feira pelas autoridades ucranianas, que avisaram que um encontro sem a participação de Kiev poderia encorajar Moscovo a prosseguir a guerra.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que convidar Putin para uma reunião deste género “alimentaria o seu desejo de engrandecimento e dar-lhe-ia um estatuto que não merece”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou na segunda-feira que a possibilidade de um encontro entre os três dirigentes foi mencionada durante a conversa telefónica entre Putin e Trump em 09 de outubro.

Peskov afirmou, contudo, que não foi apresentada qualquer proposta concreta nem alcançado um acordo para a realização da reunião durante a cimeira da APEC.

DGS publica novas orientações para refeições escolares com reforço de leguminosas e opções vegetais

20 October 2026 at 22:36

As novas Orientações para Ementas e Refeitórios Escolares 2026, publicadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), reforçam os critérios de alimentação saudável e sustentável nas escolas, prevendo a presença diária de leguminosas nas refeições e recomendando a inclusão regular de pratos de base exclusivamente vegetal.

As orientações, elaboradas pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) em conjunto com o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), atualizam as regras técnicas, nutricionais e pedagógicas aplicáveis às refeições servidas nos estabelecimentos públicos de ensino pré-escolar, básico e secundário de Portugal continental.

Segundo o documento, passa a ser obrigatório que as leguminosas integrem diariamente as refeições escolares, quer na sopa quer no prato principal. As novas regras determinam igualmente a utilização exclusiva de sal iodado na confeção e fixam um limite máximo de 0,2 gramas de sal por 100 gramas de alimento na sopa e nos pratos principais. As sobremesas doces ficam limitadas a uma vez por mês.

As orientações estabelecem ainda como obrigatório disponibilizar versões integrais de arroz e massa em pelo menos 25% das refeições mensais. A oferta diária de pelo menos três variedades de fruta fresca surge como um critério de valorização adicional.

O documento recomenda também a inclusão de uma refeição de base exclusivamente vegetal na ementa padrão de todos os alunos, com uma frequência entre duas e quatro vezes por mês, tendo as leguminosas como principal fonte de proteína.

Em reação às novas orientações, a associação ProVeg Portugal considerou que as medidas representam um avanço na promoção de padrões alimentares mais saudáveis e sustentáveis.

Citada em comunicado, a diretora da organização, Joana Oliveira, afirmou que as novas regras constituem “um passo importante para as escolas portuguesas”, defendendo a necessidade de apoiar municípios, escolas e empresas de restauração coletiva na sua implementação.

Também em comunicado, a coordenadora do programa Prato Sustentável da ProVeg Portugal, Carolina Mesquita, destacou a obrigatoriedade da presença diária de leguminosas nas refeições de todos os alunos, independentemente do prato escolhido.

A nutricionista Laila Sultan salientou, por seu lado, que as leguminosas constituem uma fonte relevante de proteína vegetal, fibra e micronutrientes, considerando que a recomendação para refeições vegetais regulares poderá contribuir para a diversificação das fontes proteicas nas escolas.

A ProVeg Portugal anunciou ainda que continuará a disponibilizar apoio técnico gratuito a municípios, escolas e empresas de restauração coletiva através do programa Prato Sustentável, incluindo consultoria para elaboração de ementas, formação de equipas de cozinha e ações de sensibilização dirigidas à comunidade escolar.

Requerimento do Chega para ouvir Pinto Luz sobre a TAP aprovado por unanimidade

20 October 2026 at 22:30

O requerimento do grupo parlamentar do Chega para ouvir o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, sobre o processo de privatização da TAP foi hoje aprovado por unanimidade.

A votação decorreu esta tarde na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, no parlamento, tendo o requerimento como objetivo ouvir o governante “sobre o processo de privatização da TAP e a salvaguarda dos interesses estratégicos nacionais”.

A audição será agendada posteriormente, em data ainda por definir.

A aprovação ocorre poucos dias depois de o Governo ter anunciado a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, incluindo a parcela de 5% reservada aos trabalhadores e os ajustamentos financeiros previstos.

A oferta do grupo alemão contempla 1.025 milhões de euros pelos 44,9% do capital, acrescidos de 58 milhões de euros em ajustamentos financeiros e de 118 milhões relativos à participação reservada aos trabalhadores.

A Lufthansa foi escolhida em detrimento da Air France-KLM, tendo o Governo considerado que as duas propostas eram tecnicamente muito equivalentes, mas que a oferta financeira do grupo alemão era superior e apresentava menor grau de incerteza.

Nesta primeira fase da privatização, o Estado português manterá uma participação de 50,1% no capital da TAP, embora o Governo admita avançar posteriormente com a venda da participação remanescente.

A conclusão da primeira fase da operação está prevista para 2028, dependendo das autorizações regulatórias necessárias, nomeadamente da Comissão Europeia.

Ucrânia: Trump volta a instar Zelensky a fechar um acordo de paz com Putin

20 October 2026 at 22:28

O Presidente norte-americano, Donald Trump, que tem exercido mais pressão sobre Volodymyr Zelensky do que sobre Vladimir Putin, referiu hoje que “quer que a Ucrânia feche um acordo” com a Rússia para pôr fim à guerra.

“É preciso que Zelensky tenha a vontade de acabar com esta guerra e, se não for esse o caso, as coisas vão acabar muito mal”, advertiu o chefe de Estado norte-americano numa conversa com os jornalistas na Casa Branca sobre o encontro realizado hoje em Oslo entre o líder ucraniano e o negociador da Casa Branca, Steve Witkoff.

O republicano frisou que “gostaria de ver um acordo alcançado” e disse acreditar que “o ódio imenso” entre Zelensky e Putin é, “em grande medida, a razão pela qual não conseguiram chegar a um acordo” que encerre a guerra iniciada por Moscovo em fevereiro de 2022.

“Queremos que Zelensky chegue a um acordo. Ele pode fazê-lo (…). A Ucrânia deve ter a vontade de assinar um acordo, dado que os Estados Unidos gastaram uma fortuna, tal como a Europa. A Europa já está cansada de tudo isto e, se não chegarem a um acordo, a longo prazo, na minha opinião, a situação vai simplesmente piorar”, alertou.

Trump recordou que o seu país entregou à Ucrânia “centenas de milhares de milhões de dólares” em ajuda e remessas de armas.

“Não recebemos nada em troca, a não ser um preço elevado do gasóleo”, repetiu, referindo-se às suas acusações de que os ataques ucranianos a instalações energéticas russas encareceram os custos do combustível, preços que já estavam a disparar há meses devido à guerra que Washington trava há mais de sete meses contra o Irão.

As declarações do norte-americano surgem depois de ter assinado um acordo para a compra de combustível à Rússia e aliviado as sanções contra Moscovo, num momento de aumento das tensões entre o seu executivo e Zelensky, que denunciou atrasos nas entregas de mísseis intercetores Patriot, vitais para a defesa contra ataques russos.

Zelensky denunciou ainda interrupções no fluxo de informações norte-americanas e restrições no acesso ao Starshield (a versão militar por satélite do Starlink, o sistema de Elon Musk), utilizado pelo seu exército.

O Presidente ucraniano atribuiu tudo isto a uma alegada intenção da administração Trump de forçar a Ucrânia a capitular perante a Rússia, algo que Washington nega.

Após o seu encontro com Zelensky, Witkoff viaja na quarta-feira para São Petersburgo, para apresentar uma proposta, formulada pelo Presidente ucraniano, para retomar as conversações de paz.

Donald Trump adiantou também hoje que pediu a Vladimir Putin a libertação de Stephen Hubbard, um norte-americano detido na Rússia, dando a entender que um desfecho pode estar próximo.

“Falei com o Presidente Putin sobre o senhor Hubbard. Conversei longamente com ele sobre isso. Pedi-lhe que o libertasse”, realçou o republicano.

“É tempo de trazer o senhor Hubbard de volta”, acrescentou.

Ministro Gonçalo Matias vai discutir com Tony Blair sobre uso da IA para medir reformas

20 October 2026 at 22:00

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, afirmou, esta terça-feira, 20 de outubro, que o Governo está interessado em alargar e melhorar a medição dos resultados das reformas legislativas e que vai discutir o uso de Inteligência Artificial com o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Matias tem planeada uma visita na quarta-feira em Londres ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, que trabalha com a inteligência artificial em matérias de governação.

O ministro recordou que durante os Executivos de Blair foram criadas ‘delivery units’, estruturas de apoio ao primeiro-ministro destinadas a acompanhar a execução das prioridades governativas em áreas como a saúde, educação ou criminalidade, e medir se foram cumpridas.

“Para a reforma de estado é fundamental medir o ponto de partida e o ponto de chegada e saber exatamente o que é que uma reforma produziu”, sublinhou o ministro à Agência Lusa, explicando que o sucesso de uma reforma se avalia comparando a situação antes e depois da sua implementação.

Segundo Matias, “mais importante do que apresentar os códigos [legislativos] é garantir que são implementados, que produzem efeitos e que esses efeitos chegam realmente às pessoas”.

Gonçalo Matias referiu que já existem unidades de medição e avaliação no centro do Governo português, como é o caso da Planapp na Secretaria-Geral e do comité da OCDE que está a monitorizar a reforma do Ministério da Educação.

Também na quarta-feira, o ministro vai encontrar-se com o secretário Parlamentar do Gabinete do Governo britânico, Mark Ferguson, com o qual pretende trocar experiências sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

Do programa da visita de três dias à capital britânica fizeram parte contactos no serviço digital do Governo britânico e no Open Data Institute, uma organização sem fins lucrativos fundada pelo “inventor da Internet, Tim-Berners-Lee.

Sobre esta última, considerou a reunião “muito interessante” para antecipar dificuldades práticas na execução da futura Lei da Interoperabilidade, em apreciação no Parlamento português e com parecer favorável da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

A lei visa permitir a partilha de documentos de cidadãos e empresas entre diferentes serviços do Estado, medida implicará passar de 124 entidades atualmente ligadas à plataforma de interoperabilidade para cerca de cinco mil.

«Reconheceram que o nosso projeto era ambicioso e que tínhamos os mecanismos certos, mas alertaram para dificuldades práticas, muitas vezes relacionadas com a resistência dos serviços que detêm a informação», referiu o ministro, sublinhando que a partilha de experiência permite preparar melhor a implementação.

Cotação do Brent para entrega em dezembro cai 0,69% para 108,79 dólares

20 October 2026 at 21:45

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em dezembro terminou, esta terça-feira, no mercado de futuros de Londres em baixa de 0,69%, para 108,79 dólares, perante informações sobre uma possível aproximação diplomática entre o Irão e EUA.

O crude do Mar do Norte, de referência na Europa, fechou a sessão no Intercontinental Exchange a cotar 76 cêntimos abaixo dos 109,55 dólares cm que encerrou as transações na segunda-feira.

O Brent subiu no início da sessão, depois de a Guarda Revolucionária anunciar o derrube de um drone dos EUA que sobrevoava o Estreito de Ormuz.

Depois, os preços baixaram quando o meio The New Arab informou que o Qatar e o Paquistão apresentaram uma proposta de mediação para eliminar as diferenças entre Washington e Teerão, que foi aprovada pelas duas partes.

BCP anuncia reembolso antecipado de 300 milhões de euros em obrigações subordinadas

20 October 2026 at 21:38

O Banco Comercial Português (Millennium BCP) anunciou nesta terça-feira que decidiu exercer a opção de reembolso antecipado da totalidade das suas obrigações subordinadas de 300 milhões de euros com vencimento em 17 de maio de 2032.

Em comunicado ao mercado, o banco liderado por Miguel Maya diz que “as 300.000.000 euros Subordinated Fixed Rate Reset Notes due 17 May 2032”, emitidas em 17 de novembro de 2021 no âmbito do programa de notas de 25 mil milhões de euros, serão reembolsadas a 17 de novembro de 2026 pelo montante de capital em dívida acrescido dos juros vencidos, “de acordo com a condição 6(d) dos termos e condições das notas”.

 

Wall Street encerra mista apenas com Nasdaq em queda

20 October 2026 at 21:33

A bolsa de Nova Iorque encerrou sessão, desta terça-feira, mista apenas com Nasdaq em queda, com os resultados corporativos e a descida dos preços do petróleo a compensarem os receios dos investidores em torno do setor da inteligência artificial.

Assim, o Dow Jones somou 1,02% para 52.497,42 pontos, o S&P 500 ganhou 0,29% para 7.712,76 pontos, e o tecnológico Nasdaq cedeu 0,02% para 26.424,82 pontos.

No plano empresarial, a General Motors recuou 6,83% devido a uma revisão das suas perspetivas anuais que não convenceu o mercado, apesar de ter apresentado uma receita trimestral acima do esperado de 50 mil milhões de dólares. Pelo contrário, a 3M disparou 5,78% após superar as estimativas financeiras com receitas ajustadas de 6,6 mil milhões de dólares. O dia ficou também marcado pelo anúncio de aquisição da plataforma de marketing Braze por parte da Salesforce; o negócio fez as ações da Braze dispararem 51,7%, enquanto a Salesforce fechou praticamente estável com uma variação negativa de 0,01%.

No setor dos semicondutores, o sentimento foi maioritariamente negativo, com perdas na Micron (-0,98%), AMD (-0,62%), SanDisk (-0,42%), Intel (-0,37%) e Nvidia (-0,29%), contrastando com as subidas da Seagate (+2,17%) e da CoreWeave (+1,65%).

Por fim, a sessão refletiu a forte expectativa face à época de resultados: a Netflix e a SpaceX recuaram 1,66% e 0,11% respetivamente, antes de revelarem os seus números trimestrais, enquanto a Meta desceu 1,59% e a Tesla avançou 1,54% na véspera de apresentarem as suas contas ao mercado.

Depois do mercado fechar empresa de Elon Musk registou resultados acima do esperado na segunda apresentação pública de contas após a entrada em bolsa. Todos os segmentos ficaram acima das previsões, com destaque para a IA e a conectividade.

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em dezembro terminou esta terça-feira no mercado de futuros de Londres em baixa de 0,69%, para 108,79 dólares, perante informações sobre um possível avanço nas negociações de paz entre os EUA e o Irão.

 

Officia Legal Online: a nova plataforma digital que quer trazer os serviços jurídicos às microempresas e PME

20 October 2026 at 21:23

Uma nova sociedade de advogados portuguesa, a Officia Legal Online, entrou no mercado. Liderada por Sofia Barata, Diretora-Geral, a Officia pretende tornar o acesso ao direito simples, rápido e transparente.

Criada por uma equipa de advogados e solicitadores experientes em direito societário e tecnologias digitais, a sociedade foi constituída de raiz para operar em ambiente digital, através da plataforma www.officia.pt.

Segundo o comunicado da sociedade, a aposta é nas microempresas e PME portuguesas, um segmento que a sociedade considera mal servido pelo modelo jurídico tradicional.

Na plataforma, os clientes encontram serviços jurídicos essenciais para todos os ciclos de vida da empresa — da constituição de sociedades ao apoio societário corporativo, passando por pedidos de NIF, alterações de objeto social e sede, aumentos de capital, aprovação de contas e alteração de órgãos sociais.

Cada serviço apresenta preços e prazos de entrega publicados, num modelo pensado tanto para necessidades pontuais como para acompanhamento contínuo, sempre com rigoroso respeito pelos princípios deontológicos.

A experiência de utilização foi desenhada para ser intuitiva, resumindo-se a cinco passos. O cliente começa por entrar na plataforma e selecionar o serviço pretendido, partilhando algumas informações sobre si ou sobre o seu negócio e tendo acesso, desde o primeiro momento, a toda a informação necessária, nomeadamente preços, prazos de execução e demais detalhes relevantes. Seguidamente, submete o pedido online, procede ao pagamento e recebe confirmação automática.

A partir daí, é atribuído um advogado para acompanhar e prestar o serviço, enquanto a plataforma mostra em tempo real o estado do pedido e os próximos passos, até à entrega final. Após a conclusão, os canais de apoio permanecem disponíveis para questões relacionadas com o serviço prestado ou para novos pedidos.

“O direito é complexo, a experiência de aceder ao direito não precisa ser”

Em declarações à imprensa, Sofia Barata, Diretora-Geral da Officia, traçou o posicionamento da nova sociedade: “A Officia representa uma nova geração de sociedades de advogados — próxima, de base digital e que pretende tornar simples o que antes era complexo. Queremos democratizar o acesso ao direito”.

A responsável acrescenta que, num momento de “transformação sem precedentes” no setor jurídico, a Officia se posiciona como “um parceiro estratégico digital para clientes que procuram segurança jurídica, rapidez e um novo nível de eficiência”.

“O direito é complexo, a experiência de aceder ao direito não precisa ser.” O direito é complexo, a experiência de aceder ao direito não precisa ser”, conclui.

Reclamações contra a TAP caem 24%, mas queixas sobre atendimento aumentam para 39%

20 October 2026 at 21:10

O número de reclamações dirigidas à TAP diminuiu 24% entre 1 de janeiro e 18 de outubro, face ao período homólogo de 2025, mas as queixas relacionadas com a qualidade do serviço e o atendimento ganharam peso, representando 39,19% do total, segundo uma análise do Portal da Queixa.

No período em análise, foram registadas 222 reclamações contra a companhia aérea, menos 69 do que as 291 contabilizadas nos mesmos meses de 2025. Apesar da redução, a análise revela uma mudança no perfil da insatisfação dos passageiros, com o atendimento e a assistência a assumirem maior importância relativa.

As reclamações relacionadas com a qualidade do serviço e o atendimento passaram de 26,61% do total em 2025 para 39,19% em 2026, um aumento de 12,58 pontos percentuais. Estas queixas incluem situações de atendimento ineficiente, apoio insuficiente ao cliente, comportamento de funcionários e tripulações, recusa de serviço e dificuldades de acessibilidade para passageiros com mobilidade reduzida, refere a análise do Portal da Queixa.

Em sentido contrário, as reclamações relativas a atrasos e cancelamentos recuaram de 20,18% para 12,61%, enquanto as queixas sobre bagagem diminuíram de 15,50% para 11,26%.

As questões financeiras e os reembolsos mantiveram-se como o segundo principal motivo de insatisfação, representando 19,82% das reclamações, contra 19,30% no período homólogo. Já as questões legais e contratuais aumentaram de 2,34% para 4,05%.

A descida das reclamações contrasta com a evolução registada em 2025, ano em que foram contabilizadas 342 queixas contra a TAP, mais 26,20% do que em 2024.

O Índice de Satisfação da TAP no Portal da Queixa situa-se atualmente em 19,9 pontos, numa escala de zero a 100, sendo classificado como “Fraco”. A taxa de solução é de 11,7%, enquanto a taxa de retenção se fixa em 40,9%, de acordo com os mesmos dados.

“Em 2026, a qualidade do serviço e o atendimento ganharam um peso significativo na insatisfação com a TAP, representando quase quatro em cada dez reclamações”, afirmou Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, citado na análise.

O responsável sublinhou que a experiência dos passageiros depende não apenas da operação dos voos, mas também da capacidade de resposta da companhia, da assistência prestada e da forma como os problemas são resolvidos.

Os dados são divulgados numa fase em que a TAP se prepara para receber um novo acionista estrangeiro, num processo de transformação da estrutura acionista da transportadora aérea.

Jefferies eleva preço-alvo do BCP para 1,30 euros e mantém recomendação de compra

20 October 2026 at 21:07

O Jefferies manteve a recomendação de “comprar” (‘Buy’) para o Banco Comercial Português (BCP) e aumentou o preço-alvo da ação em 5%, de 1,24 para 1,30 euros, num research em antecipação dos resultados do terceiro trimestre, previstos para 28 de outubro. Com as ações do banco a cotar perto de 1,11 euros, a nova meta implica uma valorização potencial de cerca de 18%.

Na nota, os analistas projetam um lucro de 293 milhões de euros no terceiro trimestre, 2% abaixo do consenso de mercado, de 301 milhões de euros. Ainda assim, o Jefferies considera que o foco dos investidores estará na evolução da margem de juros, sobretudo em Portugal, onde antecipa desempenho acima das estimativas no trimestre e maior potencial de subida nos anos seguintes.

A casa de investimento prevê que a margem financeira do BCP em Portugal cresça 14% em 2026, 12% em 2027 e 8% em 2028, em termos homólogos, num cenário que assume uma taxa de depósito do Banco Central Europeu de 2,75% no final de 2026. Estas projeções colocam o banco de investimento norte americano em 1%, 3% e 5% acima do consenso para a margem em Portugal em cada um desses anos e 1%, 2% e 3% acima ao nível do grupo (nas contas consolidadas).

Quanto ao capital, o banco de investimento estima um rácio CET1 de 14,8% no terceiro trimestre, uma descida de 30 pontos-base face ao trimestre anterior, excluindo eventuais benefícios de operações de transferência de risco significativo (SRT), ou seja, titularização de crédito.

A Transferência Significativa de Risco (Significant Risk Transfer ou SRT) é um conceito regulatório bancário estabelecido nos acordos de Basileia III (e refletido na União Europeia através do Regulamento de Requisitos de Capital – CRR) que permite a um banco reduzir os seus requisitos de capital regulatório ao transferir uma parte substancial do risco de crédito de uma carteira de ativos para investidores terceiros, sem a necessidade de vender os empréstimos originais ou retirar os ativos do seu balanço.

O Jefferies estima cerca de 40 pontos-base de alívio de capital com esta atividade no quarto trimestre, o que permitiria uma recuperação de 30 pontos-base até ao final do ano.

No terceiro trimestre, antecipa ainda um impacto de cerca de 10 pontos-base associado ao mark-to-market da carteira ALCO.

O Jefferies vê ainda espaço para o BCP atualizar as metas estratégicas para 2028, apresentadas no quarto trimestre de 2024. Os analistas esperam lucros acumulados entre 2025 e 2028 20% acima da orientação da empresa e um retorno sobre capital próprio de cerca de 19% em 2028, face a uma meta superior a 13,5%, apoiado numa melhor margem financeira, maior eficiência e menor custo do risco.

Segundo a análise, a recente correção das ações do BCP — cerca de 10% nas últimas três semanas, em linha com a desvalorização do setor bancário europeu — constitui uma oportunidade de compra.

O Jefferies destaca que o banco negocia a 9,6 vezes o lucro estimado para 2028 e a 1,8 vezes o valor contabilístico ajustado, com um prémio de 10% face ao setor que considera justificado pelo crescimento mais forte dos lucros, pela maior rentabilidade e pela exposição a Portugal, um dos mercados com menor custo de capital próprio na Europa.

Lisboa acolhe hackathon de IA e pagamentos com prémios de 30 mil dólares

20 October 2026 at 21:00

Lisboa vai receber, nos dias 25 e 26 de outubro, o HackMeridian 2026, um hackathon presencial e gratuito dedicado ao desenvolvimento de soluções que combinam inteligência artificial (IA) e pagamentos digitais, prevendo reunir até 1.000 participantes de vários países europeus.

Organizado pela Grow With Guava, em parceria com a Stellar Development Foundation, o evento decorre no Warehouse ONE16, em Marvila, durante a semana da conferência Stellar Meridian 2026.

Segundo a organização, estudantes, programadores, designers e fundadores de startups de Portugal, Espanha e de outros países da Europa serão desafiados a desenvolver, ao longo de dois dias, aplicações que integrem agentes de IA com sistemas de pagamento assentes na rede Stellar.

As equipas participantes terão acesso a mentores especializados e disputarão um total de 30.000 dólares em prémios, segundo o comunicado do HackMeridian.

O hackathon arranca às 09h00 de domingo, 25 de outubro, prolongando-se pela noite até segunda-feira, dia 26, terminando com uma cerimónia de encerramento marcada para as 15h30.

Entre os parceiros do evento estão a 42Blockchain, Encode Club, H.E.R. DAO, De Vinci Blockchain, LayerX, WebZero e KRYPTOSPHERE.

A participação é gratuita, com alimentação incluída. As inscrições decorrem até 23 de outubro através da página oficial do evento.

O HackMeridian integra a programação paralela da Stellar Meridian 2026, encontro internacional centrado em inovação financeira e tecnologia blockchain que este ano se realiza em Lisboa.

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