❌

Normal view

Caiado é confrontado por Josias sobre apoio a Flávio Bolsonaro e responde: “Contenha seu petismo”

7 October 2026 at 20:20

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) protagonizou um embate com o jornalista Josias de Souza ao ser questionado sobre o apoio declarado a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A cobrança ocorreu durante entrevista ao UOL News e teve como centro a mudança de posição de Caiado, que durante a campanha havia feito críticas contundentes ao senador.

Leia também

Josias lembrou que Caiado havia afirmado, durante o primeiro turno, que “tanto faz roubar com a mão esquerda ou com a mão direita, é ladrão do mesmo jeito”, em referência às acusações que envolviam os dois principais adversários da disputa. Na sabatina do SBT News, em agosto, Caiado também havia dito que quem rouba não poderia posteriormente se apresentar como autoridade para combater o crime.

Na entrevista, o jornalista questionou se a decisão de apoiar Flávio não representaria uma contradição diante das críticas feitas anteriormente. Josias citou ainda as controvérsias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que Flávio Bolsonaro também não representaria uma alternativa livre de questionamentos.

Caiado reagiu afirmando que não considera sua trajetória política marcada pelo oportunismo e que não retiraria as críticas feitas durante a campanha.

“Eu não sou farsante. Eu sou um homem que tive posições na minha vida. E eu respeito o processo democrático”, respondeu.

O ex-governador afirmou que sua decisão de apoiar Flávio ocorreu depois da definição do segundo turno e que não pretende negar as posições que assumiu anteriormente.

“Eu fui candidato. Eu não renunciei à minha posição de disputar uma eleição. Agora, definido o processo eleitoral, eu disse e reafirmo aqui: apoiei, apoio o Flávio Bolsonaro no segundo turno”, declarou.

Caiado também afirmou que seu apoio não significa considerar Flávio “a melhor coisa do mundo”. Segundo ele, a escolha decorre do resultado das urnas e da oposição ao PT.

“Não estou dizendo aí amanhã que ele passou nas águas do Jordão e que seja a melhor coisa do mundo, mas é aquele que a sociedade o levou contra o PT”, afirmou.

“Tenho lado”

Durante a resposta a Josias, Caiado rejeitou a ideia de que seu apoio pudesse ser interpretado como uma tentativa de apagar as críticas feitas anteriormente. O ex-governador disse que nunca adotou uma postura de neutralidade na política.

“Eu tenho que decidir em cima daquilo que a população deliberou. (…) Eu sou um homem de coragem que briga de frente. Nunca briguei pelas costas e nunca fui oportunista em campanha”, afirmou.

A declaração ocorre um dia depois de Caiado formalizar seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em um evento realizado nesta terça-feira (6) em Goiânia. No primeiro turno, o ex-governador havia terminado fora da disputa pelo segundo turno e, posteriormente, declarou apoio ao senador. O PSD, entretanto, decidiu manter neutralidade institucional, liberando seus filiados para escolherem individualmente seus posicionamentos.

Caiado também voltou a sustentar que sua trajetória pessoal e profissional não dependeu de nomeações políticas. Ele citou sua passagem por diferentes atividades e cargos públicos para contestar a ideia de que teria aderido ao apoio a Flávio em busca de vantagens.

“Na minha vida, Josias, nunca tive um cargo por nomeação. (…) Não tenho nomeação, não dependo amanhã de benesses de política e eu mantenho a minha vida”, disse.

Ao final da resposta, Caiado afirmou que não aceitaria que sua trajetória fosse colocada em dúvida por causa da mudança de posicionamento no segundo turno.

Caiado também rejeitou a ideia de que seu apoio a Flávio Bolsonaro tenha relação com interesses pessoais. Ao defender sua trajetória, afirmou que nunca ocupou cargo por nomeação e que sempre exerceu atividades públicas e profissionais por meio de concurso ou mandato eletivo.

The post Caiado é confrontado por Josias sobre apoio a Flávio Bolsonaro e responde: “Contenha seu petismo” appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

TRE-GO mantém cassação de Aava Santiago e determina comunicação à Câmara de Goiânia

7 October 2026 at 18:26

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) manteve a decisão que determina a perda do mandato da vereadora Aava Santiago (PSB) por infidelidade partidária. O julgamento dos recursos apresentados pela parlamentar e pelo partido ocorreu nesta terça-feira (6) e terminou com a rejeição dos argumentos da defesa.

A decisão preserva o entendimento adotado pelo tribunal em julho, quando Aava foi condenada por ter deixado o PSDB, partido pelo qual foi eleita para a Câmara de Goiânia, e se filiado ao PSB durante o exercício do mandato. Na ocasião, o placar foi de 6 votos a 1 pela perda da cadeira.

Ao analisar os novos recursos, o TRE-GO entendeu que não havia pontos capazes de modificar o julgamento anterior. Entre as questões apresentadas pela defesa estavam alegações relacionadas a conflitos internos no PSDB, mudanças na estrutura partidária, redução de recursos destinados à atuação política da vereadora, discriminação e violência política de gênero.

A defesa também sustentou que havia motivos legítimos para a saída do PSDB e questionou a análise das provas feita no julgamento original. O tribunal, porém, manteve o entendimento de que as circunstâncias apresentadas não comprovaram uma justificativa legal suficiente para a desfiliação.

Com a manutenção da decisão, o relator do processo, desembargador eleitoral Adenir Teixeira Peres Júnior, determinou que a Câmara Municipal de Goiânia seja comunicada sobre o resultado. A decisão também faz referência à posse do suplente do PSDB, Michel Magul.

A mudança, contudo, não significa que Aava tenha de deixar imediatamente a cadeira no Legislativo. A vereadora anunciou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirma que continuará no cargo enquanto os recursos forem analisados.

Em manifestação divulgada após o julgamento, Aava afirmou que considera haver questões jurídicas que ainda precisam ser examinadas pelas instâncias superiores. A defesa também destacou o voto divergente apresentado no julgamento que resultou na cassação em julho.

O caso agora segue para a Justiça Eleitoral em Brasília. Se a perda do mandato for mantida ao fim da tramitação, Michel Magul, primeiro suplente do PSDB, será o responsável por ocupar a cadeira deixada pela vereadora.

The post TRE-GO mantém cassação de Aava Santiago e determina comunicação à Câmara de Goiânia appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

Vídeo: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio no 2º turno

7 October 2026 at 18:08

Pesquisa AtlasIntel mostra Lula (PT) com 50,1% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) com 49,9% em um cenário de segundo turno. O levantamento foi divulgado antes do primeiro turno e registra empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.

Nos votos totais, Lula aparece com 47,6%, enquanto Flávio soma 47,4%. A pesquisa ouviu 4.945 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro.

O resultado foi exibido pela RedeTV! nesta quarta-feira (07/10). Durante a reportagem, o comentarista político Melo classificou o cenário como “surpreendente”.

Vídeo: RedeTV

The post Vídeo: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio no 2º turno appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

CDS-PP Algarve diz não à incineradora

7 October 2026 at 11:35

CDS-PP do Algarve solicita a suspensão do concurso da incineradora e apresenta ao Governo alternativa de economia circular já orçamentada

O CDS-PP do Algarve confirma que vai apresentar nas assembleias municipais da região, moções de oposição à instalação de uma incineradora de resíduos no Algarve, e reitera o apelo à Ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, para que suspenda o concurso público que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) anunciou lançar já no dia 15 de outubro.

Na Assembleia Municipal de Portimão, realizada no dia 29 de setembro, a moção apresentada pelo Grupo Municipal do CDS-PP foi rejeitada com os votos contra do PS, PSD e CHEGA. A IL absteve-se, tendo a moção contado com os votos favoráveis do CDS-PP e do BE.

Esta posição surge “depois de a Distrital do CDS-PP (Algarve) ter remetido à tutela um memorando técnico-político detalhado, propondo uma solução alternativa de “Zero Aterro” para o Algarve, assente na descentralização da valorização orgânica (duas novas Centrais de Valorização Orgânica, ambas em terrenos xistosos, podendo uma ser localizada na zona serrana do Concelho de Silves e a outra na zona da Serra de Espinhaço de Cão) e na transformação da fração resto em Combustível Derivado de Resíduos (CDR), através de duas unidades de secagem e pelotização a instalar nos terrenos brownfield dos atuais aterros de Portimão e Loulé, com escoamento por via marítima e ferroviária, sem necessidade de construção de qualquer incineradora”, lê-se em comunicado de imprensa.

O CDS-PP sublinha que “esta alternativa técnica tem um investimento estimado de 229,11 milhões de euros, sem IVA e a preços de 2026, ou de 209,11 milhões de euros na variante com complemento térmico a gás. Trata-se de uma estimativa de estudo prévio, inferior aos cerca de 300 milhões de euros estimados para a incineradora, e a alternativa é plenamente elegível para os fundos de coesão previstos na própria Estratégia TERRA+, aprovada pelo Governo através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 181/2026”.

Para o partido, avançar com o concurso da incineradora sem que estes estudos e propostas alternativas tenham sido publicamente avaliados, e sem cumprir a garantia de decisão “em coordenação” com os presidentes de câmara, constitui uma falha grave de transparência e de participação democrática num processo com impacto direto na saúde pública, no ambiente e na principal atividade económica da região, o turismo.

O CDS-PP recorda que “a região produz cerca de 400 mil toneladas de resíduos por ano, das quais cerca de 85% têm atualmente como destino o aterro, e que os dois aterros sanitários existentes poderão esgotar a sua capacidade já em 2027. O partido reconhece a urgência de uma solução, mas insiste que essa urgência não pode servir de pretexto para avançar com uma tecnologia desadequada à sazonalidade extrema da procura turística algarvia, nem para gastar mais do que o necessário numa infraestrutura fortemente contestada em todo o país”.

O CDS-PP do Algarve solicita por isso, a suspensão imediata do concurso público agendado para 15 de outubro, a publicação e discussão pública dos estudos técnicos que sustentam a opção pela incineração, a avaliação formal, pela APA, pela ERSAR e pela Agência para o Clima, da alternativa de economia circular apresentada pela Distrital de Faro, a realização de um debate público regional alargado, com autarquias, associações ambientalistas e organizações empresariais e o envio do teor desta posição, e das moções a aprovar nas assembleias municipais, à Presidência da República, aos partidos com assento na Assembleia da República, ao Primeiro-Ministro, à Ministra do Ambiente e Energia, à AMAL e à CCDR Algarve.

“Reafirmamos total disponibilidade para colaborar com o Governo na construção de uma solução séria, sustentável e economicamente responsável para os resíduos da região, mas não aceitaremos que essa solução seja imposta sem debate, nem que o Algarve seja penalizado com uma infraestrutura desenhada para outras realidades territoriais”.

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

7 October 2026 at 08:00

Em junho de 2025, a CPI das Bets terminou em pizza – como se diz quando uma investigação acaba sem punir ninguém. Mas agora, mais de um ano depois, as empresas que passaram impunes pela comissão estão de volta, desta vez como alvos de uma ação civil pública na Justiça.

No dia 28 de setembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 empresas ligadas a 20 marcas de apostas online, pedindo ressarcimento de gastos pela União. A Agência Pública cruzou essa lista com a documentação reunida pelos senadores da CPI e descobriu que ao menos 14 delas estavam nos documentos da comissão como remetentes ou beneficiárias de transferências financeiras. Dessas, 12 foram citadas no relatório final. Esse documento, da então senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) – que não foi reeleita neste ano -, foi rejeitado por 4 votos a 3.

Na ação da AGU, o órgão pede que as empresas de apostas ressarcem o Sistema Único de Saúde (SUS) pelo tratamento de apostadores adoecidos, custo que o Ministério da Saúde (MS) estima em, no mínimo, R$ 2,6 bilhões. Pede também R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e a devolução em dobro do que as pessoas diagnosticadas com ludopatia apostaram.

Aparecer nos papéis da CPI não indica, por si só, irregularidade. Nem todas as empresas aparecem como suspeitas. A Superbet, por exemplo, surge como titular legítima de uma autorização que outra plataforma teria usado indevidamente. Duas, a OIG e a Ventmear (Sportingbet), estão ligadas a pedidos de indiciamento, todos contra pessoas, não contra as empresas. Seis delas, OIG, Esportes Gaming, NSX, Ventmear, BPX e Foggo (Blaze), somam cerca de 31% do mercado, segundo as contas da própria AGU, e ocupam lugar de destaque nas 541 páginas deixadas por Thronicke.

Muitas siglas: Bets, CPI, MP de Lula e Fux no STF

A ação da AGU veio três dias depois da Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Lula, que proíbe as apostas de quota fixa, tira as plataformas do ar até 6 de outubro e extingue as autorizações em 30 dias, sem devolver o que as empresas pagaram pelas outorgas. Se o Congresso não aprovar a MP em até 120 dias de tramitação, prazo suspenso durante o recesso parlamentar, ela perde a validade. A CPI já havia ido nessa direção: entre as vinte medidas do relatório derrubado estava a proibição de cassinos on-line, como o Tigrinho.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) já apresentaram pedido a Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para suspensão dos efeitos da medida provisória.

Nesta segunda-feira, 5 de outubro, a AGU pediu que o STF rejeite a suspensão da Medida Provisória. Na manifestação, assinada pelo advogado-geral Jorge Messias, a AGU sustenta que o marco legal das bets, formado pelas leis 13.756/2018 e 14.790/2023, era “extensamente falho” e falhava em autorização, fiscalização, publicidade e prevenção à lavagem de dinheiro. Para concluir, a peça diz que “o ‘dragão’ era indomável”. O órgão cita dados oficiais segundo os quais os registros no SUS ligados ao jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025, e as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares só em 2025. A AGU também pediu que o procurador-geral da República seja ouvido em 72 horas e sugeriu uma nova audiência pública sobre o tema, atualizando a realizada em novembro de 2024.

Como a CPI terminou em pizza

Em 26 de novembro de 2024, Fernando Oliveira Lima, o Fernandim OIG, sentou-se diante dos senadores da CPI das Bets amparado por um habeas corpus. Tinha 33 anos, disse ter estudado até o primeiro ano do ensino médio e se apresentou como empresário de tecnologia, criador de jogos para o Facebook que teriam alcançado 250 milhões de usuários durante a pandemia. Os senadores exibiram dois vídeos e perguntaram se ele conhecia os sites 7Games, R7Games e Betão. Ele conhecia e disse que pertenciam à OIG Gaming Brazil, da qual é sócio. Perguntaram se era dono do “jogo do tigrinho”, mas ele negou. Respondeu que a OIG pagava para oferecê-lo. O empresário contou ainda que, naquela mesma semana, a empresa havia sido uma das primeiras a obter a aprovação completa do Ministério da Fazenda para operar.

CPI das BETS (CPIBETS) realiza a primeira audiência com depoimentos de policiais civis envolvidos em investigações sobre fraudes em apostas e três representantes de casas de apostas.
A CPI das bets a fez audiência com depoimentos de três representantes de casas de apostas, entre eles Fernando Oliveira Lima, CEO da OIG Group

Fernando não era o único convocado do dia. A pauta listava também João Studart, dono da Betnacional, e Marcus Vinicius Freire de Lima e Silva, apresentado no requerimento como “diretor do Grupo Entain e proprietário do Sportingbet”. Studart faltou e só depôs uma semana depois. Marcus Vinicius não apareceu: na véspera, seus advogados alegaram que ele não fora intimado e que morava no exterior. As três empresas ligadas a eles, a OIG, a NSX (dona da Betnacional) e a Ventmear (operadora do Sportingbet), estão hoje entre as rés da AGU.

Seis meses depois, o relatório final propôs indiciar Fernando, um primo dele e o administrador da OIG, por lavagem de dinheiro e por associação criminosa. Marcus Vinicius e as influenciadoras Virginia Fonseca e Deolane Bezerra estavam entre os alvos de 16 pedidos de indiciamento, mas nenhum deles vingou com a derrubada do texto.

No especial Jogo Perigoso: o Brasil das Bets, a Pública contou os bastidores dessa votação. Votaram contra o relatório de Thronicke os senadores Ângelo Coronel (Republicanos-BA), Efraim Filho (PL-PB), Eduardo Gomes (PL-TO) e Professora Dorinha Seabra (União-GO). Eduardo Girão (Novo-CE), que votou a favor ao lado de Alessandro Vieira (MDB-SE), atribuiu o resultado a uma manobra do Centrão, com senadores que não acompanharam os depoimentos e só apareceram para votar. Thronicke contou à reportagem que passou a andar com seguranças do Senado após receber “recados” e ameaças veladas. Mesmo com a rejeição, ela levou o material às autoridades e diz ter apresentado, desde então, projetos de lei para endurecer o controle sobre as apostas.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) em reunião para apresentação do relatório final das CPI das BETS

Entre os documentos da CPI estava a carta de Vania Borges, que perdeu o filho para as bets, como revelou a Pública.

A apuração também mostra quem atuou na comissão a favor do setor. Ciro Nogueira (PP-PI) foi apontado por colegas como “advogado” de Fernandim OIG, que havia comprado três apartamentos de uma incorporadora da família do senador. Ângelo Coronel justificou o voto pela “falta de tempo” para analisar as 541 páginas do relatório e declarou abertamente ser favorável aos jogos como fonte de receita. O presidente da CPI, Dr. Hiran (PP-RR), foi criticado por não pautar todos os depoimentos aprovados. Os bastidores incluem ainda uma investigação da Polícia Federal sobre um lobista que teria cobrado R$ 50 milhões de empresários do setor para evitar convocações e indiciamentos, acusação sem comprovação oficial. Selfies de senadores com Virginia Fonseca durante o depoimento dela ajudaram a minar a credibilidade da comissão, cujo desfecho um integrante descreveu como “melancólico”.

Ação da AGU se apoia em números do setor

Na Justiça, a AGU seguiu outro caminho. As empresas foram escolhidas por um único critério, o tamanho. A AGU usou as vinte marcas de um levantamento da consultoria Blask, que juntas concentrariam cerca de 80% da receita do setor, e chegou às empresas que as operam, num mercado em que a Fazenda tinha 85 autorizadas em agosto deste ano. A Betano, sozinha, responderia por 21% do mercado. A OIG, com 7Games e Betão, pouco mais de 5%. Para justificar o foro em Pernambuco, a AGU invoca o Código de Defesa do Consumidor e a concentração de população vulnerável no Nordeste.

O país tem 28 milhões de apostadores, 10,9 milhões deles com padrão de risco. Os atendimentos no SUS por jogo patológico cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. Quase 1,3 milhão de pessoas pediram para serem excluídas das plataformas. No primeiro semestre de 2026, o INSS concedeu 260 afastamentos do trabalho por vício em jogo; em todo o ano de 2022, foram 11, segundo dados obtidos pelo UOL e citados na ação. Pela lei, cabe ao Ministério da Saúde 0,12% da arrecadação do setor, cerca de R$ 50 milhões no último exercício.

A tese é que o dano à saúde mental é inerente ao negócio, e não fruto do desvio de uma ou outra empresa. Por isso, a AGU propõe calcular a parcela das doenças atribuível às apostas e distribuir a conta conforme a fatia de mercado de cada ré. A fórmula vem de um julgamento de 1980 na Suprema Corte da Califórnia, contra fabricantes de um remédio para gestantes, e já foi usada pela Justiça do Rio Grande do Sul contra a Souza Cruz. A ação segue o molde da que a AGU move desde 2019 contra a indústria do cigarro.

A própria peça avisa que a participação no mercado “não constitui presunção de ilicitude”. O relatório de Thronicke, aliás, recomendava ao Ministério Público ajuizar ações civis públicas para indenizar consumidores lesados e já registrava a pressão sobre a rede de atenção psicossocial do SUS, cujos atendimentos por jogo patológico tinham passado de 841, em 2022, para 1.290 no ano seguinte.

A peça da AGU também traz estimativa do Ministério da Fazenda de que, somente em 2025, as apostas tenham retirado cerca de R$ 62,5 bilhões dos orçamentos das famílias brasileiras.

Estudantes da UFF levam apoio a Lula às ruas e protestam contra avanço do bolsonarismo; veja vídeo

6 October 2026 at 22:58

Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram às ruas de Niterói, no Rio de Janeiro, na noite desta segunda-feira (05/10), em um ato de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições e de oposição a Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu um dia após o primeiro turno e reuniu entidades estudantis, entre elas o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), ligado à Faculdade de Direito da universidade.

O ato surgiu como uma resposta ao resultado das urnas e reuniu faixas, cartazes e palavras de ordem favoráveis a Lula. Os participantes também expressaram críticas ao avanço do bolsonarismo no cenário político nacional. Os estudantes passaram por áreas de Niterói como Gragoatá, Ingá e Icaraí. Durante o percurso, defenderam a candidatura petista e fizeram manifestações contrárias a Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno.

Na entrada da Faculdade de Direito da UFF, os estudantes penduraram uma bandeira com a frase “UFF Antifascista”. O protesto também abordou a proposta anunciada por Flávio Bolsonaro de conceder anistia ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.

Foto e Vídeo: Redes Sociais

The post Estudantes da UFF levam apoio a Lula às ruas e protestam contra avanço do bolsonarismo; veja vídeo appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

6 October 2026 at 21:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em meio às acusações sobre a interferência das Big Techs na integridade eleitoral brasileira, plataformas digitais continuaram veiculando anúncios políticos irregulares e recomendando conteúdos de candidatos durante o período de resguardo do primeiro turno das eleições de 2026.

O período de resguardo para a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet compreende as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores à votação, conforme previsto no art. 29, § 11, da Resolução TSE nº 23.610/2019. A norma também define, nos artigos 28 e 29, as formas de propaganda eleitoral na internet e as regras para o impulsionamento de conteúdo. 

O monitoramento identificou 568 anúncios irregulares na Meta, 18 anúncios ativos no Kwai e um no Google Ads, além de ao menos seis campanhas fraudulentas que imitavam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento também encontrou recomendações orgânicas de conteúdos publicados por contas oficiais de candidatos no TikTok e no YouTube durante o dia da votação. Os dados são do Observatório das Big Techs, realizado pelo NetLab UFRJ, laboratório de pesquisa sobre internet e redes sociais vinculado à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

O monitoramento foi dividido em duas frentes: o Observatório da Publicidade Política, voltado aos anúncios pagos, e o Observatório da Recomendação Algorítmica, que analisou os conteúdos sugeridos organicamente por TikTok, YouTube e Instagram.

Anúncios de TSE falso dizem que eleitor poderia votar pela internet

Na frente de publicidade política, foram identificados os 568 anúncios veiculados irregularmente na Meta relacionados a 15 candidatos, além de 18 anúncios ativos no Kwai e um anúncio ativo no Google Ads durante o período de resguardo. No Kwai, os pesquisadores também encontraram 45 anúncios de 10 páginas de candidaturas cuja data-limite de circulação havia sido alterada para permitir que continuassem ativos no dia da votação.

Entre os casos identificados na Meta estão ao menos seis campanhas fraudulentas que se passavam pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou pela Justiça Eleitoral. Segundo o NetLab, os anúncios eram veiculados tanto por perfis que imitavam contas oficiais, utilizando a marca da Corte e nomes como “TSE Informa”, quanto por contas aparentemente pertencentes a usuários comuns.

As campanhas promoviam a falsa ideia de que o TSE teria criado uma modalidade oficial de “voto digital”, que permitiria ao eleitor votar remotamente, de casa ou pelo celular. Para dar credibilidade à fraude, os anúncios exploravam situações que poderiam dificultar o comparecimento presencial às urnas, como fortes chuvas, problemas de saúde e dificuldades de locomoção.

Ao clicar nas peças, o usuário era direcionado para sites externos que solicitavam o CPF para supostamente iniciar a votação. Uma das mensagens identificadas no monitoramento dizia: “Você não precisa de fila para votar. O TSE criou o voto digital para que você participe desta eleição pelo celular, com total segurança e praticidade”. O NetLab aponta que esse tipo de conteúdo poderia induzir eleitores a acreditar que não precisariam comparecer presencialmente às suas seções eleitorais, além de criar riscos relacionados à coleta de dados pessoais.

O monitoramento também identificou anúncios da loja Vinho B II Mito, que promoviam produtos como vinhos, facas e bonés utilizando imagens de figuras políticas e manifestações explícitas de apoio a candidaturas.

O boletim aponta problemas de transparência nas próprias ferramentas utilizadas para fiscalizar a publicidade. Na Meta, os pesquisadores encontraram inconsistências entre os anúncios classificados como “inativos” e aqueles que permaneciam disponíveis como ativos na biblioteca da plataforma. No Kwai, foram identificados rótulos como “em pausa”, sem documentação clara sobre o significado desses status, além de divergências entre os dados exibidos na plataforma e os dados que poderiam ser exportados para análise.

Para a Pública, o Google afirmou que a política da empresa proíbe anúncios políticos no Brasil e que suas equipes atuam para impedir violações. A empresa também diferenciou a publicidade paga do conteúdo orgânico no YouTube, afirmando que, neste último caso, aplica suas Diretrizes da Comunidade de forma independente do alinhamento político dos criadores.

Íntegra do posicionamento do Google

“O Google apoia as eleições do Brasil ao conectar milhões de pessoas a informações confiáveis e de alta qualidade. Desde 2024, as políticas do Google Ads proíbem anúncios políticos no Brasil. Nós aplicamos nossas políticas e agimos imediatamente em caso de qualquer violação. Este estudo prova que nossas equipes preveniram abusos com sucesso e, por isso, apenas um anúncio foi identificado. Desde maio de 2024, o Google proíbe o uso do Google Ads para anúncios políticos no Brasil. Isso significa que anúncios relacionados a candidatos, partidos ou às eleições não são permitidos em nossas plataformas (inclusive durante as Eleições Gerais de 2026 no Brasil). Para o conteúdo orgânico no YouTube, aplicamos nossas Diretrizes da Comunidade globais e disponíveis publicamente de maneira consistente, independentemente do alinhamento político do criador, para proteger a integridade da plataforma e apoiar uma economia de criadores robusta e aberta.”

TikTok “para você” recomenda conteúdos políticos no dia de votação

Na segunda frente, o Observatório da Recomendação Algorítmica analisou como as plataformas recomendaram conteúdos políticos e de candidatos no dia da votação. Segundo o NetLab, a Resolução TSE nº 23.732/2024 estabelece regras sobre sistemas de recomendação e a propaganda eleitoral na internet. O monitoramento identificou recomendações de candidaturas pelo TikTok e pelo YouTube.

No TikTok, o feed “Para Você” apresentou a maior proporção de recomendações relacionadas à política, com 53,8% das sugestões analisadas sobre o tema. A plataforma recomendou 18 vídeos únicos de sete contas oficiais de candidatos. Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em seis recomendações, seguido por Lula (PT) e Fernando Haddad (PT), com quatro cada. Jones Manoel (PSOL) e Gustavo Gayer (PL) tiveram duas recomendações cada, enquanto Nikolas Ferreira (PL) e Biólogo Henrique (MDB) tiveram uma cada.

No YouTube, a aba Shorts apresentou uma proporção menor de conteúdo político, de 1,26% das recomendações, mas também continuou sugerindo conteúdos publicados por contas oficiais de candidatos. Foram identificados 17 vídeos únicos de seis contas de candidatos. Lula apareceu em quatro recomendações, enquanto Jerônimo Rodrigues, Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad tiveram três cada. Nikolas Ferreira apareceu em duas recomendações.

Já no Instagram, o monitoramento não identificou recomendações de conteúdos publicados por contas oficiais de candidatos na seção Reels. Os conteúdos relacionados à política representaram 1,8% das recomendações analisadas.

O NetLab aponta que a permanência dessas recomendações no dia da eleição pode produzir assimetrias de visibilidade entre candidaturas. Ao mesmo tempo, os pesquisadores ressaltam que as limitações de transparência das plataformas impedem determinar a dimensão exata dessas irregularidades e de seu alcance. Os resultados representam apenas uma amostra do problema, e não o universo completo de anúncios e recomendações que circularam durante o primeiro turno.

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

6 October 2026 at 20:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Dois governadores, dois senadores, quatro deputados federais e 23 suplentes no Congresso Nacional. Esse é o saldo das eleições para uma categoria muito próxima da direita e do bolsonarismo: os militares das Forças Armadas. Com raízes no Exército Brasileiro, um oficial de alta patente e dois de baixa patente são os responsáveis por fazerem dos resultados do último domingo (4) um marco histórico na militarização da política no país.

Nome forte do bolsonarismo na Câmara dos Deputados, o tenente-coronel da reserva do Exército Luciano Zucco (PL) teve 58% dos votos válidos para se tornar o primeiro militar das Forças Armadas eleito governador do Rio Grande do Sul desde os anos 1950 – quando o também tenente-coronel do Exército Ernesto Dornelles foi eleito.

Um amigo de Zucco dos tempos de Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), também se reelegeu governador no 1º turno – o capitão da reserva Tarcísio de Freitas (Republicanos), com mais de 62% dos votos válidos em São Paulo. Isso torna esta a primeira vez que dois governadores ex-Forças Armadas são eleitos desde a redemocratização.

Zucco vai governar o Rio Grande do Sul ao mesmo tempo em que o colega de Aman Tarcísio de Freitas estará à frente de São Paulo

No Senado, a partir de janeiro de 2027 dois militares se juntarão ao general da reserva do Exército Hamilton Mourão (Republicanos-RS), um dos fiadores do início da carreira política de Zucco, em 2018, e ao tenente-coronel aviador da reserva da Aeronáutica Marcos Pontes (PL-SP): o capitão da reserva Renan Contar (PL-MS) e o 3º sargento reformado do Exército Antônio Nicoletti (PL-RR). Desde a Constituição de 1988, o Congresso Nacional nunca teve quatro senadores oriundos das Forças Armadas.

Mais de 856 mil eleitores votaram no capitão Contar para senador em Mato Grosso do Sul, na eleição seguinte àquela em que ele quase se elegeu governador com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes, em 2018, o ex-capitão do Exército já tinha se tornado o deputado estadual mais bem votado da história de Mato Grosso do Sul, com 78 mil votos – marco não superado em 2026.

Atualmente deputado federal, o 3º sargento do Exército Antônio Nicoletti se elegeu senador por Roraima com apoio direto do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele deixou a caserna para fazer carreira na Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas enfatiza até hoje nas redes sociais a sua origem como “militar do Exército”. No governo Bolsonaro, Antônio Nicoletti foi inclusive homenageado pelo Exército com a honraria da Medalha do Pacificador, como mostra o boletim da Força de julho de 2021.

Antônio Nicoletti foi eleito por Roraima e será um dos quatro militares a ocuparem cadeiras no Senado

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Juliano Cortinhas, o avanço de candidaturas militares destoa da aproximação das Forças Armadas com a candidatura (e o próprio mandato) do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro.

“Vejo que as Forças Armadas se afastaram da família Bolsonaro durante o atual governo, e, nesta corrida eleitoral, o Flávio não contou com eles, nem se aproximou. Então acho que vemos um movimento de indivíduos, mais do que propriamente da instituição militar, diferentemente do que ocorreu em 2018”, avalia Cortinhas, que coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Segurança Internacional da UnB.

“Acho que o resultado do 1º turno das eleições sugere uma nova tendência, com cada vez mais militares candidatando-se a cargos eletivos daqui pra frente. Mas isso é um problema porque, em geral, militares são despreparados politicamente, seja por sua formação ideológica, seja pelo fato de não serem forjados para a política – e, na minha opinião, eles não devem ser preparados para tal, sob o risco de não cumprirem sua função”, afirma.

Já para o co-autor do estudo Fardados Partidos, que reflete sobre as relações históricas entre as Forças Armadas e a política no Brasil, pesquisador e doutor em antropologia social pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Guilherme Lemos, o resultado das urnas mostra falhas do atual governo e de seus antecessores em separar os quartéis da política partidária.

“De modo geral, vejo como fruto de uma histórica politização das casernas e de uma incapacidade dos governos civis, sobretudo os de esquerda, de aprofundar o controle civil e democrático dos militares no Brasil. No fim das contas, os eleitos estão claramente alinhados à direita do espectro político, com uma retórica que reforça a noção de violência e de gestão da insegurança e do medo no país”, pontua Lemos.

Desde 2018, a alta hierarquia militar, sobretudo do Exército, percebeu as possibilidades de galgar novos espaços na política, seja no Congresso, no poder Executivo ou nos estados, e vejo esse avanço como fruto deste mesmo processo”
Guilherme Lemos
Pesquisador e doutor em antropologia social da UFSCar.

No total, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Portal da Transparência mostram que ao menos 61 membros da ativa e da reserva da Aeronáutica, Exército e Marinha candidataram-se para cargos no Congresso em 2026. Seis se elegeram e outros 23 se tornaram suplentes na Câmara e no Senado, podendo assumir os cargos ao longo dos próximos quatro anos.

Os dados mostram que não houve polarização entre os militares políticos neste pleito. Dos 61 militares candidatos ao Congresso, 60 concorreram por siglas de direita, extrema direita e partidos “nanicos” alinhados ao Centrão. Apenas o suboficial reformado do Exército Antônio Carlos de Andrade (PT-RJ) concorreu por um partido de esquerda e não se elegeu, conseguindo apenas uma vaga de suplente na Câmara.

É um pressuposto do bom militar que ele não tenha viés político, porque ele deverá seguir ordens de civis de esquerda ou direita sem pestanejar. Mas no Brasil ocorre o contrário: desde a formação, militares são formatados pelo pensamento conservador, o que prejudica a sua função básica para o país”
Juliano Cortinhas
Pesquisador da UnB.

Concentração de candidaturas militares se deu no PL e no RJ

Sob influência da família Bolsonaro, o PL reuniu o maior número de militares candidatos no país, com 21 ao todo – um terço do total, sendo 15 para deputado federal, quatro para senador e dois para 1.º suplente (que assume a vaga no Senado caso o/a titular se ausente ou se licencie do mandato na Casa Alta).

O PL já abrigava os militares deputados federais atualmente com mandato, todos da reserva do Exército e candidatos nestas eleições. Além do tenente coronel Zucco e do 3º sargento Nicoletti, o coronel João Chrisóstomo (PL-RR) e os generais Eduardo Pazuello (PL-RJ) e Eliéser Girão (PL-RN) também saíram vitoriosos, reelegendo-se para mais quatro anos de mandato na Câmara dos Deputados.

Para o pesquisador Guilherme Lemos, o caso do general Girão é exemplar em relação à politização dos quartéis. “Junto com o general Augusto Heleno, Girão começou a bater de frente com o governo Lula no segundo mandato [do petista], em 2007, indo à mídia e ganhando visibilidade sem nunca ter sido punido pela caserna – permitindo que essa indisciplina militar crescesse ao longo dos anos”, disse.

O único dos atuais militares congressistas que saiu derrotado foi o amigo de longa data da família Bolsonaro, Hélio Lopes (PL-RR), subtenente da reserva do Exército, que acabou como 5º colocado na corrida pelo Senado em Roraima.

Nicoletti e Hélio Lopes receberam apoio de Flávio Bolsonaro em Roraima nas eleições 2026

Os dados do TSE mostram a disparidade entre o PL e o resto dos partidos que abrigaram militares candidatos. O Novo, segunda sigla com mais candidatos nesta categoria, teve seis concorrentes, sendo cinco para deputado federal e um para senador, mas nenhum se elegeu.

O estado do Rio de Janeiro foi o que mais se destacou na corrida militar por cargos no Congresso Nacional. Os dados do TSE mostram a presença de ao menos 15 militares candidatos pelo estado, quase o triplo do segundo colocado no ranking, São Paulo (6). Somente um desses candidatos se elegeu: o general Eduardo Pazuello (PL).

“O caso do general Pazuello se assemelha ao do general Girão, no sentido de ser um militar que cometeu um ato de indisciplina sem punição pelo Exército, quando participou de um evento político com o ex-presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro e não foi punido. A migração dele para a política partidária se aproveitou disso e, para além, na sua campanha neste ano ele se dirigia pedindo votos à ‘tropa’ e à ‘família militar’ do Rio de Janeiro, ou seja, usando o seio militar como propulsor dos seus objetivos políticos”, acrescenta Lemos.

Caso do general Pazuello é apontado como referência no tipo de politização das Forças Armadas que, não punida, pode desvirtuar papel do serviço público, avalia pesquisador

General articulou contra PEC que restringe militares na política

Na atual e na próxima legislaturas, oito dos 594 parlamentares do Congresso Nacional são membros das Forças Armadas. A partir de 2027, além de trocarem duas cadeiras na Câmara por duas no Senado, a categoria ainda contará com dois governadores eleitos.

No atual governo, a base do presidente Lula no Congresso tentou aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para barrar – ou ao menos dificultar – candidaturas de militares a cargos eletivos. O tema chegou a avançar, mas uma articulação no Senado liderada pelo general da reserva e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) brecou a iniciativa até aqui. Como revelado à época pela Pública, Mourão contou com apoio de um dos vice-líderes do governo Lula, o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), para frear a PEC.

A proposta está parada, no aguardo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dar andamento a debates e sessões plenárias para discussão da PEC – o projeto somente poderá ser votado após essas discussões. Até o momento, não há perspectiva de o tema voltar à pauta do Senado.

A proposta do governo visa que o militar seja imediatamente transferido para a reserva ao registrar sua candidatura, e somente aqueles com ao menos 35 anos de serviço poderão manter seus vencimentos enquanto militares em caso de vitória nas urnas. A mudança seria restrita às eleições federais e não atingiria outras corporações – como bombeiros e policiais militares.

A lei em vigor determina que militares da ativa podem permanecer como “agregados” das Forças Armadas desde a data do registro como candidato até sua eventual diplomação ou regresso à Força a que pertence, se não houver sido eleito, sem um prazo definido para seu eventual retorno à caserna.

Atualmente, qualquer militar com mais de dez anos de serviço pode se candidatar a cargos eletivos mantendo seus vencimentos, justamente na condição de “agregado” – que corta apenas o recebimento de gratificações derivadas da função específica exercida pelo militar candidato. Já no caso daqueles com menos de cinco anos de serviço, a exclusão das Forças Armadas é obrigatória por lei em caso de candidatura.

Pela regra atual, militares com mais de dez anos de serviço que se candidatam, mas não se elegem, podem voltar à ativa nas Forças Armadas. Mas, caso sejam eleitos ou apenas diplomados em cargo eletivo, vão para a reserva remunerada automaticamente. Na prática, isso garante a eles os vencimentos do seu último posto como militar pelo resto da vida.

Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia

6 October 2026 at 21:48

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) oficializou nesta terça-feira (6), em Goiânia, seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O encontro reuniu também o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de parlamentares, prefeitos e outras lideranças políticas.

A declaração ocorreu após Caiado terminar o primeiro turno na quinta colocação da disputa presidencial. O ex-governador havia afirmado que discutiria a posição antes de definir seu apoio. Com a decisão, passou a integrar formalmente a campanha de Flávio na segunda etapa da eleição.

Durante o ato, Caiado afirmou que pretende mobilizar sua base política em Goiás para ampliar a votação de Flávio no Estado. “Proporcionalmente, Goiás vai dar maior vitória a Flávio Bolsonaro nesta eleição. Mobilização vai ser em tempo integral”, declarou.

Caiado também entregou ao candidato uma agenda com sugestões de prioridades para um eventual governo. Entre os temas defendidos pelo ex-governador estão o combate ao PT e ao crime organizado, mudanças no Judiciário e a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O apoio também foi acompanhado de uma aproximação programática. Flávio afirmou que pretende trabalhar ao lado de Caiado para “encerrar com essa era do Lula” e disse haver ampla convergência entre as propostas apresentadas pelo ex-governador. “Esse rol de critérios programáticos ele sabe que nem precisava, porque a gente concorda em quase 115%”, afirmou.

Caiado na segurança píublica

Nos bastidores da articulação política, também circula a possibilidade de Ronaldo Caiado assumir o futuro Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A hipótese já foi mencionada por interlocutores da campanha, mas não há confirmação oficial de que o cargo tenha sido formalmente oferecido ou definido.

Flávio também sinalizou que pretende ampliar os investimentos federais em Goiás caso seja eleito. Ao se dirigir a Daniel Vilela, declarou: “Vilela, conte comigo. Eu, como presidente, vou estender tapete verde e amarelo para trazer investimentos para Goiás”.

A presença de Tarcísio de Freitas deu dimensão nacional ao encontro. O governador de São Paulo participou do ato em Goiânia ao lado de Flávio, Caiado e das demais lideranças que integram a articulação política para o segundo turno.

A adesão de Caiado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a segunda etapa da eleição, marcada para 25 de outubro. O PSD não adotou uma posição nacional em favor de nenhum dos dois candidatos e liberou seus diretórios e filiados para definirem individualmente seus apoios.

Em Goiás, o apoio de Caiado se soma à posição de Daniel Vilela e de outras lideranças estaduais favoráveis à candidatura de Flávio. O ato desta terça-feira consolidou o palanque político do candidato do PL no Estado para a reta final da disputa presidencial.

The post Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

FGM promove capacitação sobre Educação em Tempo Integral em Goiânia

6 October 2026 at 19:55

A Federação Goiana de Municípios (FGM) realiza no dia 22 de outubro uma capacitação voltada à implementação e expansão da Educação em Tempo Integral nas redes municipais. O encontro será realizado das 8h30 às 16h30, no auditório da entidade, na Rua 102, nº 186, Setor Sul, em Goiânia, com inscrições gratuitas e vagas limitadas.

Com o tema “Educação em Tempo Integral na Prática: Planejamento, Recursos e Expansão de Matrículas”, a formação é destinada a secretários municipais de Educação, gestores e profissionais das áreas técnica, pedagógica, financeira e de planejamento.

A programação terá como foco questões relacionadas ao planejamento das ações, utilização dos recursos, ampliação e acompanhamento das matrículas e comprovação das atividades realizadas pelas redes municipais.

A proposta é apresentar orientações que possam ser aplicadas no cotidiano das Secretarias de Educação, considerando as dificuldades encontradas pelos municípios na organização e no acompanhamento das políticas de ensino em tempo integral.

A capacitação será conduzida pelos consultores técnicos de Educação da FGM Natália Cordeiro e Manoel Barbosa. Além das orientações técnicas, o encontro terá atividades práticas para aproximar os conteúdos da rotina dos profissionais responsáveis pela execução da política educacional.

Segundo a FGM, a formação busca contribuir para que os municípios tenham maior segurança no planejamento das ações, na utilização dos recursos disponíveis e na ampliação da oferta de matrículas em tempo integral.

The post FGM promove capacitação sobre Educação em Tempo Integral em Goiânia appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

Mulheres alcançam maior participação já registrada nas eleições de 2026

6 October 2026 at 19:46

As mulheres representaram 34,88% das candidaturas nas Eleições Gerais de 2026, o maior percentual já registrado no país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram 7.188 candidatas, diante de 13.419 homens que disputaram cargos no pleito de 4 de outubro.

O índice representa crescimento de 1,1 ponto percentual em relação às eleições de 2022. Apesar do avanço, a presença feminina ainda está distante de uma divisão equilibrada nas disputas eleitorais e nos espaços de poder.

A legislação eleitoral determina que os partidos e federações reservem pelo menos 30% das candidaturas para mulheres. Para o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), o resultado de 2026 mostra que a ampliação da participação feminina precisa ser acompanhada por mecanismos que garantam condições efetivas para que essas candidaturas se convertam em mandatos.

“A cada eleição, é observado o aumento do número de mulheres eleitas, quebrando recordes e possibilitando, de fato, representação feminina nos espaços de tomada de decisão. Nossa esperança é que um Congresso mais feminino reflita em mais políticas e orçamento para as mulheres”, afirmou a presidente do MMM, Tania Ziulkoski.

Senado registra maior número de mulheres desde a redemocratização

O Senado também registrou um novo patamar de participação feminina. Das 319 candidaturas apresentadas para a Casa, 70 foram de mulheres. Ao fim da eleição, 12 foram eleitas.

Com as novas eleitas, o Senado terá 18 mulheres a partir de janeiro de 2027. A Casa possui 81 cadeiras. Atualmente, 15 mulheres exercem mandato, sendo que seis delas permanecem no cargo pelos próximos quatro anos.

Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas em 2026. O número supera as 91 deputadas escolhidas em 2022 e as 77 eleitas em 2018.

O crescimento no número de eleitas ocorre mesmo com uma redução na quantidade de candidaturas femininas para deputado federal. Foram 2.820 mulheres na disputa em 2026, contra 3.717 quatro anos antes. A participação proporcional, entretanto, subiu de 35% para 36,7% entre os candidatos ao cargo.

Mulheres ainda têm participação menor nos governos estaduais

A disputa pelos governos estaduais mostra que a ampliação da presença feminina ocorre de maneira desigual. Em sete unidades da Federação não houve candidatas ao cargo de governadora: Amapá, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Ceará, Maranhão e Paraíba.

Das 195 candidaturas registradas para os governos estaduais em 2026, 32 foram encabeçadas por mulheres.

No primeiro turno, Raquel Lyra foi a única mulher eleita governadora, ao conquistar a reeleição em Pernambuco. Outras quatro candidatas chegaram ao segundo turno: Mailza Assis, no Acre, Celina Leão, no Distrito Federal, Professora Dorinha, no Tocantins, e Professora Maria do Carmo, no Amazonas.

A presença feminina também cresceu nas vice-governadorias. Nove mulheres foram eleitas para o cargo em 2026: Gabriella Aguiar, no Ceará, Luciana Gurgel, no Amapá, Elaine Carneiro, no Maranhão, Célia Rocha, em Alagoas, Gisela Simona, em Mato Grosso, Lígia Feliciano, na Paraíba, Priscila Krause, em Pernambuco, Elayne D’Almeida, no Pará, e Silvana Covatti, no Rio Grande do Sul.

O número supera as seis mulheres eleitas para vice-governadora em 2022.

Os resultados mostram que a participação feminina avançou em diferentes áreas da política brasileira, principalmente no Legislativo. Ao mesmo tempo, os números das candidaturas e dos cargos do Executivo estadual indicam que a presença das mulheres ainda é menor nas disputas pelas posições de maior poder.

Conforme o MMM, o próximo desafio é fazer com que o crescimento da participação eleitoral feminina seja acompanhado por maior presença efetiva nas decisões políticas, na formulação de políticas públicas e na definição dos orçamentos.

The post Mulheres alcançam maior participação já registrada nas eleições de 2026 appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

Por que a proibição das Bets é tão importante

6 October 2026 at 18:06

Na sexta-feira, dia 25 de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP) 1394, que proíbe a atuação das bets no país. A MP é uma vitória, ainda que venha tarde.

É apenas o começo de uma batalha jurídica e regulatória que irá se desenrolar no próximo mandato eleitoral, com papel central tanto do presidente eleito quanto dos demais parlamentares. Afinal, deputados e senadores compõem as comissões mistas que analisam as medidas provisórias, e, para virar lei, uma MP também precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado. 

Aqui, quero enaltecer o papel fundamental que a cobertura jornalística da Agência Pública teve nessa decisão, e que minha colega Natália Viana detalha em sua coluna da semana passada.  

Que o vício em apostas – a ludopatia – tem um impacto grande na saúde da população, já está estabelecido, tanto em termos psicológicos quanto financeiros. Não são poucos os casos de pessoas que perdem bens materiais, se endividam e quebram relações familiares por causa das apostas.

O marido de uma amiga não tem celular desde o ano passado: foi a condição para que seguissem o relacionamento, depois de ele perder tudo o que tinham guardado e até vender o carro para seguir jogando. 

Rafael Borges Amaral, de 26 anos, perdeu a vida na batalha contra a ludopatia. A carta escrita por sua mãe, Vânia de Souza Borges, não foi ouvida pela CPI das Bets, mas alcançou o Brasil e ajudou a levantar a bandeira de muitas outras famílias pela proibição das apostas online.

A saúde das pessoas é muito mais importante do que qualquer impacto econômico. Antes de pensar no PIB ou na arrecadação tributária, é a vida que precisa ser colocada em primeiro plano. 

Então, mesmo se proibir as bets fosse ruim para a economia, seria a decisão acertada.

Mas este não é o caso. Para a economia do país, acabar com esses jogos é bastante benéfico.

Isso porque a renda que é absorvida pelas bets não retorna em mesmo volume para a economia do país. Ela é tirada de circulação, em grande parte apropriada pelas casas de aposta, muitas das quais nem no Brasil estão.

Então, além da renda que sai do bolso das famílias e prejudica suas contas diárias, a economia do país como um todo é afetada. 

Isso porque, quando alguém vai ao mercado e gasta dinheiro comprando um produto ou contratando um serviço, esse valor retorna em maior escala para a economia. É o que chamamos de efeito multiplicador. 

Por exemplo, se eu compro R$ 100 no mercadinho, estes R$ 100 viram a renda do comerciante. Ele, por sua vez, vai gastá-la, o que gera renda para outra pessoa, que também vai gastar, e assim por diante. No final, R$100 viram muito mais em atividade econômica. A roda da economia gira.  

Mas, se eu perco estes mesmos R$ 100 num cassino online, este dinheiro não comprou nada, não gerou demanda nenhuma. E a maior parte dele não vai retornar em prêmios, vai ser retida na casa de apostas.

Um estudo conduzido pelo professor Guilherme Klein para o Centro de Estudos de Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP) dimensionou o impacto das bets nesse movimento. 

A conta é a seguinte. O Centro Celso Furtado estimou que, em 2025, houve uma transferência bruta de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas. Ou seja, somando tudo o que foi apostado e redistribuído em prêmios, as bets ficaram com mais de 60 bilhões para si. 

Com esse número, o professor estimou alguns cenários diferentes, com hipóteses mais ou menos otimistas sobre o papel econômico do setor de apostas, e chegou numa perda total para a economia brasileira de algo entre R$ 90,9 bi e R$ 141 bilhões de reais – ou de 0,7 a 1,1% do PIB do nosso país.

De um terço a metade do crescimento da economia brasileira em 2025. Até cinco vezes mais do que o impacto estimado para o tarifaço americano. 

A própria Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o varejo sozinho deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões em 2024, devido ao direcionamento de recursos das pessoas para as bets.

Mesmo quando consideramos o ganho de arrecadação que a regulamentação das apostas trouxe, regular sai mais caro para o país do que proibir. No Estudo do Made, o efeito final é de uma redução entre R$ 14,6 bilhões e R$ 35,6 bilhões na arrecadação de impostos.

Isso sem nem considerar a elevação dos gastos em saúde pública para tratamento do vício em apostas. Conforme o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), as bets geram um custo anual para o SUS de R$ 30,6 bilhões. 

No fim, a soma do jogo é clara. Com a proibição, ganham as pessoas, sua saúde mental e financeira, e a economia do país. Só perdem, mesmo, as casas de apostas – e os influenciadores que elas remuneram. 

Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições

6 October 2026 at 08:00

Após o primeiro turno das eleições, o Senado Federal volta a discutir o fim da escala 6×1 a partir desta terça-feira, 6 de outubro. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, com a possibilidade de dois dias de repouso remunerado. O Plenário realiza sessões para debater a PEC também na quarta-feira e na quinta-feira, 8 de outubro, a partir das 14h.

A análise entra na agenda do Plenário após negociações na última semana entre o presidente Lula e a cúpula do Senado para destravar o andamento da PEC. Em nota à imprensa, postada na Agência Senado, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) afirma que a decisão surge a partir da “ampla relevância para a sociedade brasileira”.

Também nesta terça-feira, 6, cumprindo a Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada por Lula, as empresas de apostas e as fintechs deverão terminar suas atividades e informar às instituições financeiras sobre os saldos dos clientes que não sacaram seu dinheiro até essa segunda-feira, prazo final para brasileiros sacarem o dinheiro dos aplicativos. Entre os dias 9 e 14 de outubro, as empresas deverão restituir dinheiro aos apostadores.

Corrida Eleitoral

Com a definição de um segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência da República, os outros candidatos começam a discutir seu apoio para o segundo turno, dia 25 de outubro. O candidato Augusto Cury (Avante) disse que não pretende continuar na política e declarou que não vai apoiar ninguém para o segundo turno.

O mesmo ocorreu com Renan Santos (Missão), que não declarou seu apoio, mas, em live na segunda-feira, 5 de outubro, afirmou que seus eleitores podem escolher em quem votar. Ronaldo Caiado (PSD) comunicou que não irá declarar seu apoio sem antes se reunir com o presidente do partido, Gilberto Kassab. Sem posicionamento direto de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) declarou que vai estar contra o PT.

Com um período mais curto para o segundo turno, Lula, que teve 45,16% dos votos, em seu discurso pós-apuração declarou que irá começar com uma nova campanha. Para o presidente, o segundo turno irá mostrar “a verdadeira democracia do Brasil”. Nesta segunda-feira, 5, o presidente se reuniu com apoiadores para discutir novas estratégias de campanha.

Em contrapartida, Flávio Bolsonaro comemorou o resultado nas urnas. Nesta segunda-feira, o senador se encontrou com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos reeleitos, para discutir sobre as estratégias de campanha para o segundo turno.

Estão na agenda da semana de 6 a 10 de outubro:

  • TSE:
    • Salvo-conduto (06/10): último dia em que o documento de salvo-conduto, emitido pela Juíza Eleitoral, protege a integridade de eleitores que sofreram ameaças ou agressões para influenciar seu voto.
    • Eleitor pode ser preso (06/10): Fim do período em que eleitores não poderiam ser presos.
    • Justificativa do mesário (07/10): último dia para os mesários justificarem abandono do trabalho durante a votação.
    • Cadastramento (08/10): início do cadastramento das Mesas Receptoras de Justificativa e alocação temporária de seções para o segundo turno.
    • Propaganda eleitoral (09/10): Início da propaganda eleitoral nas rádios e na televisão.
    • Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) (09/10): Último dia para a transferência, pelas agremiações, de recursos do FEFC destinados às candidatas e aos candidatos a cargos majoritários que concorram ao segundo turno.
    • Candidatos não podem ser presos (10/10): A partir desta data, candidatos que vão disputar segundo turno não podem ser presos, exceto em prisão em flagrante.
  • STF:
    • Exclusão de créditos (RE 835818, 07/10, 14h): Recurso Extraordinário avalia se há possibilidade de exclusão os créditos presumidos de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, do cálculo do PIS e da Cofins.
    • Subordinação dos policiais penais (ADI 7781, 07/10, 14h): Ação direta discute constitucionalidade da lei de São Paulo em subordinar a polícia penal à Secretaria de Segurança da Administração Penitenciária.
    • Cargos em Comissão (ADI 7512, 07/10, 14h): Ação Direta de Inconstitucionalidade questiona a validade da lei amazonense, Lei Estadual 3.147/2007, que estabelece 10% dos cargos em comissão para servidores de carreira.
    • Expurgos inflacionários (RE 1141156, 07/10, 14h): volta a julgamento recurso extraordinário que discute a validade da inclusão dos expurgos inflacionários na correção monetária de depósitos judiciais.
    • Adicional de Insalubridade (ADPF 1181, 07/10, 14h): Governo Estadual do Espírito Santo entra com ação contra decisão da Justiça do Trabalho em obrigar o governo a pagar adicional de insalubridade de 20% para merendeiras e auxiliares de serviços gerais terceirizados da rede pública de ensino.

Agenda da semana da Pública é um serviço apresentado aos leitores, concebido com base nas informações dos portais da Câmara, Senado e STF. 

Aposta online: 12 dos 17 parlamentares da Bancada das Bets seguem mais 4 anos no Congresso

5 October 2026 at 21:00

Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui.

Um total de 70% dos parlamentares mapeados pela Agência Pública como integrantes ou aliados da “Bancada das Bets” segue com mandatos no Congresso Nacional até 2030. Dos 17 nomes identificados na investigação como parlamentares que contemplaram interesses das casas de apostas ou foram aliados importantes nas articulações desse mercado, 11 foram eleitos no último domingo (4). Um deles, Romário (PL-RJ), só enfrenta nova disputa por eleitores na próxima disputa para o Senado.

A bancada, que não existe formalmente no Congresso, reúne parlamentares que atuaram em pautas relacionadas à regulamentação, tributação e expansão do mercado de apostas online.

A influência do setor não se restringia à apresentação ou votação de projetos: passava também por conversas diretas com líderes partidários, articulações para alterar propostas em tramitação e encontros com representantes e empresários do mercado, como revelado no especial Jogo Perigoso: O Brasil das Bets.

Entre os 11 parlamentares classificados como nomes de base que, direta ou indiretamente, contemplaram interesses das casas de apostas, sete foram eleitos. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, foi reeleito pelo PL em São Paulo. Kim Kataguiri, que mudou do União Brasil para o Missão, também conquistou uma vaga pelo estado. Em Minas Gerais, Weliton Prado foi reeleito pelo PSD com 129.366 votos.

Na Bahia, Adolfo Viana (PSDB) foi reeleito com 119.865 votos e João Bacelar (PL), com 107.232. O outro Bacelar da lista, João Carlos Bacelar Batista, concorreu pelo PV e ficou de fora dos vitoriosos, mesmo obtendo 102.654 votos. Em Roraima, Gabriel Mota (União-RR), conquistou vaga com 10.195 votos. Na Paraíba, Cabo Gilberto Silva (PL) e Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara, também foram reeleitos.

Dos seis parlamentares identificados pela Pública como “líderes da Bancada das Bets”, além de Motta, outros três foram eleitos: Doutor Luizinho (PP-RJ), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Felipe Carreras (PSB-PE), que renovaram seus mandatos na Câmara.

Seguem no Congresso

A atuação dos quatro foi destacada em diferentes momentos da investigação. Luizinho e Bulhões foram identificados como articuladores de iniciativas para impedir aumento da tributação das apostas. A dupla também participou das articulações que retiraram a Cide-bets, contribuição de 15% prevista no debate do PL Antifacção, do texto aprovado pela Câmara. Felipe Carreras, por sua vez, foi descrito por interlocutores ouvidos pela reportagem como um dos principais nomes procurados pelo setor, enquanto Hugo Motta foi citado nas negociações que levaram à retirada da Cide-bets.

Dois dos principais nomes ligados às casas de apostas online, no entanto, ficaram pelo caminho. Ciro Nogueira (PP-PI), que disputou a reeleição ao Senado, terminou em terceiro lugar, com 24,68% dos votos, atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). O mesmo ocorreu com Ângelo Coronel (Republicanos-BA), que teve 2.898.885 votos, 20,11% dos válidos, e ficou atrás de Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT baiano.

Além dos dois, três nomes da Bancada das Bets não chegaram a tentar uma renovação de mandato: Jorge Kajuru (PSB-GO), e Irajá (PSD-TO) ficaram fora das urnas e encerram o mandato nos próximos meses.

Saem do Congresso

Correndo por fora

Nomes importantes dos bastidores da costura desse setor na Câmara, que não compunham diretamente a bancada, mas influenciam nas suas conquistas também tiveram desempenho irregular no pleito de 2026. Arthur Lira (PP-AL) deixou a Câmara depois de mais de uma década e conquistou uma das duas vagas de Alagoas no Senado, com 946.970 votos, 28,87% dos válidos. Rogério Carvalho (PT-SE) foi reeleito senador por Sergipe, com 509.608 votos.

Enquanto isso, Efraim Filho tentou, sem sucesso, a cadeira do governo da Paraíba pelo PL. Já Davi Alcolumbre (União-AP) não chegou a ir às urnas, uma vez que seu mandato no Senado segue até 2030.

Outro lado

À época da publicação da reportagem sobre a Bancada das Bets, procurado pela Pública, Doutor Luizinho afirmou ser contrário aos aumentos de impostos e à extinção das plataformas de apostas online e negou ter recebido qualquer contrapartida de empresas do setor. Felipe Carreras defendeu a regulamentação e a arrecadação sobre as apostas, além da legalização de cassinos, e negou as acusações de que atuaria em favor de empresas do setor. Arthur Lira disse que, enquanto presidente da Câmara, manteve interlocução institucional com diferentes setores sobre a regulamentação das bets e que atuou no exercício regular de suas funções, sem vínculo particular com plataformas de apostas.

Rogério Carvalho, por sua vez, rejeitou a associação com interesses das casas de apostas e afirmou que seu histórico legislativo demonstra atuação em favor da regulamentação e do controle do setor. Ângelo Coronel disse continuar favorável às apostas legalizadas e defendeu a regulamentação como forma de arrecadar recursos para o tratamento de pessoas com problemas relacionados ao jogo. Os demais parlamentares não se manifestaram sobre o assunto.

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

5 October 2026 at 18:00

Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui.

O tempo é uma das ferramentas mais poderosas de perspectiva. Em apenas um segundo, as plataformas de apostas online ganharam mais dinheiro do que 33 milhões de brasileiros fizeram em um mês no ano passado. Literalmente. Por cada segundo de 2025, as famílias brasileiras perderam para as bets R$ 1.982, mais do que o salário mínimo atual, de R$ 1.621 – uma realidade, por exemplo, de três a cada cinco trabalhadores no Maranhão. 

Os dados são do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), que, em agosto deste ano, estimou o esvaziamento do orçamento das famílias em R$ 62,5 bilhões em 2025 – um mercado cuja hora de “trabalho” ficou acima dos R$ 7 milhões. Na política, é justamente o tempo que muitas vezes dita urgência, relativização ou esquecimento.

Por quase uma hora, uma mulher se mantinha encolhida em um sofá na sala do apartamento da família em Uberlândia (MG). Era 25 de setembro. Em silêncio absoluto, cortado apenas por um respiro ansiosamente pesado. O som da TV preenchia o ambiente embalando a mulher, seu marido e sua filha mais velha. Evitavam falar, talvez até se mexer. As próprias vidas em suspenso.

O relógio marcava exatamente 19h07 quando um misto de riso, lágrimas e alívio tomou conta de seu semblante. Na tela, o presidente da República assinava a Medida Provisória (MP) 1.394/25, que proibia não apenas a propaganda, mas o funcionamento das plataformas de apostas em todo o território nacional. 

Ao longo dos sete minutos seguintes, viu Luiz Inácio Lula da Silva, com quem havia se encontrado dias antes em Brasília, endossar o discurso que ela ajudou a popularizar, ao comparar a jogatina ao crack, e classificar a ludopatia por jogos online como um risco ainda mais invasivo. “O país trouxe o jogo para dentro de casa. O cassino está na sala, o cassino está na cozinha”, disse antes de citá-la “eu conversei com a ‘mãe que perdeu o filho de 26 anos’”. E ela sorriu, sem se incomodar com a alcunha.

“Foi uma sensação de dever cumprido”, resumiu a professora Vânia Borges do Amaral, de 54 anos, emocionada, ao ver sentido em compartilhar o luto de seu filho, Rafael Borges do Amaral, que tirou a própria vida após perder todas as economias acumuladas para as bets. É o mais recente marco na linha do tempo interrompida pela última aposta que o rapaz fez, à 1h48 de 23 de março de 2024 – um novo capítulo de sua história, agora provido de sentido.

Professora Vânia segura a foto de seu filho Rafael
Professora Vânia segura a foto de seu filho Rafael

A MP das bets determinou o fim da oferta dos jogos online, tanto em ambientes físicos quanto virtuais, abrangendo concessões federais e estaduais. Loterias tradicionais não foram atingidas pela mudança. Na prática, os sites e aplicativos das empresas devem ser retirados do ar nesta terça-feira (6) e as publicidades, mesmo em outdoors e outros meios físicos devem ser removidos. As multas pelo descumprimento da regra podem chegar a R$ 2 bilhões.

Não há previsão de indenização para as empresas detentoras das 85 outorgas para explorar a atividade legalmente desde 2023 no país. Cada outorga custou cerca de R$ 30 milhões, o que significa um investimento de R$ 2,55 bilhões por parte das companhias para ofertar plataformas reguladas no Brasil – valor quase 25 vezes inferior ao montante gasto pelas famílias em bets apenas em 2025. Estudo da Universidade de São Paulo (USP) estima que as plataformas retiraram R$ 141 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, enquanto renderam R$ 9,9 bilhões em tributos em contrapartida.

“Eu não imaginava que chegaria a esse ponto, porque quando eu comecei essa luta, eu fui recebida com muito descaso. Primeiro pela Polícia Civil, depois pelo Ministério Público. Eu dei entrada, mas tudo foi demorando tanto… e eu sempre buscando uma resposta que nunca vinha. Eu vi ser instaurada a CPI das Bets e acabar naquela farra. Me gerou muita frustração, muita tristeza. Eu tive a impressão de estar abandonada”, pontuou Vânia sobre testemunhar a proibição, com a qual vinha sonhando há meses. “Eu me senti ouvida”, resumiu.

A história de Vânia e Rafael foi apresentada originalmente pela Agência Pública, que identificou uma carta que ela enviou ao Senado durante a CPI das Bets, em que narra a tragédia familiar. Os impactos da reportagem noticiados até fora do Brasil fizeram parte do especial Jogo Perigoso: O Brasil das Bets, publicado entre maio e julho de 2026 e incluíram dois projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados e o convite da presidência da República para que ela fosse ouvida sobre sua experiência familiar com as apostas online.

A MP 1.394 deve ser apreciada no Congresso Nacional dentro de 120 dias. Enquanto isso, o cronograma previsto na publicação se impõe para as empresas – e para um a cada três brasileiros que faziam apostas regulares nas plataformas. Às 23h59 desta segunda-feira (5), se encerra o prazo para que apostadores retirem os saldos mantidos em suas contas em todos os sites de bets, que saem do ar à meia-noite. Ainda não há certeza se o fim das apostas online será definitivo ou temporário. O futuro, mais uma vez, o tempo há de dizer.

Vânia e seu esposo durante encontro com o presidente Lula
Em setembro, Vânia pediu diretamente ao presidente Lula, em Brasília, a proibição total das apostas online no país

Clandestinidade e Justiça: os desafios além da canetada

Mais de mil plataformas ilegais foram detectadas desde o dia 21 de setembro pela plataforma bet legal, a partir do momento em que a possibilidade de proibição das bets formais ganhou força na imprensa – mais de 700 desde a assinatura da MP 1.394. Mas o campo da ilegalidade, que até então movimentava metade da fatia financeira desse mercado no Brasil, não é o único grande entrave para uma realidade sem apostas online no país.

No Supremo Tribunal Federal (STF) uma grande frente de defesa da atividade de apostas online se formou rapidamente após a proibição das bets pelo governo federal. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (CNJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representam a maioria das empresas que detinham 85 concessões legais para operar no Brasil, entraram com pedido de suspensão da medida ainda no dia 28 de setembro. Dois dias depois, a Associação de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) fez o mesmo, alegando entre os argumentos “perdas de receita”. 

As associações receberam um reforço massivo. Ao menos 20 clubes de futebol entraram unidos para tentar influenciar a decisão do STF. Flamengo e Botafogo pediram para integrar o processo como amicus curiae, uma espécie de consultoria para auxiliar as decisões da Corte com informações e perspectivas a serem consideradas, o que, no caso do Flamengo, já foi aceito. 

São Paulo, Guarani, Ponte Preta, Portuguesa e Vitória, por sua vez, pedem um prazo de transição de pelo menos um ano para que a suspensão tenha validade em território nacional, citando a possibilidade de inviabilidade da continuação do Campeonato Brasileiro – cujo nome oficial após acordo de naming rights atualmente é “Brasileirão Betano”, em menção a uma das maiores plataformas de apostas online até então em atividade, o que foi deixado de fora da peça judicial. 

Por fim, em outro processo, América, Athletic Club, Atletico Goianiense, Botafogo, Ceará, Chapeconse, Criciúma, CRB, Cruzeiro, Fluminense, Goiás, Juventude, Mirassol, Grêmio e Vila Nova pedem para que a suspensão da MP requerida pelas associações seja deferida e também solicitam que sejam ouvidos no processo. Os clubes brasileiros já haviam emitido publicação conjunta antes da publicação da MP decretando o possível “fim do futebol” em caso de proibição das apostas online.

Segundo levantamento da Bites publicado por O Globo, a publicação conjunta dos clubes provocou uma rejeição de cerca de 90% do público, incluindo de seus torcedores. De acordo com a CNN, os patrocínios dos clubes da Série A variam de R$ 12 milhões a R$ 268,5 milhões. À luz da polêmica, o Senado Federal abriu consulta popular em seu site e até o início desta segunda-feira, 85% dos votantes concordavam com a MP (481 mil votos contra 80,6 mil).

Reunião entre clubes de futebol na sede da CBF
Ao menos 20 clubes ingressaram com processos no STF pedindo a suspensão da MP que proíbe as bets ou prazo de adequação do setor

A judicialização do caso das bets está sob relatoria do ministro do STF Luiz Fux, que já tratava do Marco Regulatório das Apostas de Quota Fixa. Por isso, as ações diretas de inconstitucionalidade movidas pelas partes interessadas na volta das bets coube ao magistrado. Caberá a ele não apenas julgar a MP, mas também se havia urgência suficiente para que uma medida provisória fosse editada, já que há prazos e cenários previstos em lei para o uso desse tipo de recurso. No sábado (3), o magistrado deu um prazo de 72 horas para que o governo federal justifique a necessidade da MP.

Ministro Luiz Fux durante julgamento do plano de golpe no STF
Ficou a cargo do ministro do STF Luiz Fux decidir sobre as ações de inconstitucionalidade propostas pelas empresas de apostas online e times de futebol 

O ministro Luiz Fux já tem um histórico de posicionamentos quanto às questões dos jogos. Foi ele, por exemplo, que, em dezembro de 2025, mandou suspender parte da norma do Ministério da Fazenda que proibia que beneficiários do Bolsa Família apostassem nas plataformas das bets – o que apenas posteriormente foi confirmado para todos os benefícios sociais. Por outro lado, em agosto deste ano, também foi o ministro que votou para manter os demais jogos de azar como contravenção penal, como a legislação prevê com base em texto legal de 1941 – na ocasião, inclusive, correlacionando as perdas nesses jogos a episódios recorrentes de violência doméstica.

Em uma frente contrária à tentativa de intervenção judicial, que só deve entrar na pauta do Congresso Nacional após o período eleitoral, deve entrar em pauta o Projeto de Lei 5.477/26, proposta pelo governo federal logo após a publicação da medida provisória. O PL criminaliza as atividades de apostas online prevendo multa e de 2 a 4 anos de reclusão para divulgação, oferta de meios de pagamento, captação de usuários e até o desenvolvimento de aplicativos para as bets, além de 4 a 6 anos de reclusão para quem de fato explore as apostas de quota fixa no país. 

As penas ainda podem ser agravadas em caso de uso por crianças e adolescentes ou quando o usuário conseguir burlar mecanismos de verificação de idade ou localização. O projeto será avaliado na Câmara e tem que passar pelo Senado antes de ser sancionado.

Rafael faleceu em 2024 aos 26 anos e inspirou projeto de lei na Câmara dos Deputados

“Naquela mesa tá faltando ele”

“Você tá ganhando quanto para fazer tudo isso?”, perguntou uma colega à professora Vânia Borges do Amaral, na semana da publicação da medida provisória que suspendeu as bets. A pergunta foi recebida como uma pancada. “Eu defendo uma causa”, conseguiu responder, sem se alongar. 

“Uma colega bolsonarista, né?”, diz Vânia em entrevista à Pública. “Acho que ficou ofendida porque Lula subiu nas pesquisas depois disso [anúncio da MP]”, brinca, ainda magoada. Questionada se não se incomodava em estar sendo usada politicamente, já que sua história foi parar até no guia eleitoral do presidente petista, é categórica: “Eu provavelmente faria o mesmo. Mas tenho confiança de que ele vai ser coerente [e continuar lutando pela proibição]”. O petista avançou para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, em busca de um quarto mandato frente à Presidência da República. 

Para lidar com as culpabilizações e ataques nas redes sociais que passou a sofrer desde que sua história ficou conhecida no Brasil e fora dele – e foram muitos –, Vânia teve que reaprender a lógica da audição seletiva, agora do outro lado da equação. Ao longo de três décadas de ensino, a professora enfrentou greves nas redes municipal e estadual de ensino, em Uberlândia, e, longe do papel de protagonismo, convivia com ganhos eventuais e uma tradicional surdez de agentes políticos. Não ser “ouvida” não seria exatamente uma novidade. Colher frutos em escala nacional, isso sim, foge de qualquer histórico.

“A gente nota a diferença, né? Mais confiante, mais positiva…”, comenta a filha, a nutricionista Aline Borges Amaral, 33. “Repercutiu muito a história da minha mãe, então a luta dela não está sendo em vão. Fico muito feliz de ver ela indo à luta, procurando, não abaixando a cabeça, porque a gente sabe que não vai ser fácil essa medida se tornar definitiva”, pontua. A segunda filha, Amanda Borges Amaral, 31, completa: “A Vânia que a gente conhece desde criança é extremamente protetora, não foge de nada e direciona, abre caminhos. E depois de tudo que aconteceu, ela foi perdendo a vontade de viver. E ela foi se recuperando, né?”

As duas irmãs de Rafael fazem aniversário no dia 23 de março, o mesmo dia em que ele faleceu. E esse é um lembrete que não passa batido na longa lista de perdas que a família contabiliza desde 2024. 

Eu carrego essa dor, e vou carregar para o resto da minha vida. Aqui, nós fazemos as reuniões aos domingos, sempre fomos uma família muito unida, e sempre que a gente se reúne aqui, talvez eu nem fale isso, mas olho na mesa e ‘falta um, tem uma cadeira vazia’. É dia das mães, outra comemoração… O aniversário das minhas duas filhas é uma data que a gente não comemora mais. Então, é algo difícil de descrever. Por isso, acho que essas pessoas, empresários, influenciadores, elas têm que ser punidas
Vânia Borges do Amaral
Mãe do Rafael

Rafael, segundo a família, não deixou dívidas para os parentes. O caçula vendeu uma moto de R$ 8 mil, se desfez de todas as economias e, nos seus últimos meses, saiu de casa para fugir das tentativas da mãe de salvá-lo, o que incluíam alertas e cobranças recorrentes, “chatices” daquelas que todo jovem rejeita por “saber mais que os pais”. Vânia insistiu o quanto pôde, conjugando todas as vozes e tempos de quem é mãe.

Família vem lidando com ataques digitais desde que a história se tornou pública, mas diz que não irá se calar até que setor de apostas online seja proibido

E fez-se verbo

A professora Vânia é formada em direito e advogou por muitos anos, antes de se dedicar a ensinar português. A luta que encampa vai além da proibição do setor. “Eu tenho provas concretas do porquê Rafael fez isso, tenho gravação, áudio, testemunha, cópias de email, tenho tudo que comprova que ele cometeu suicídio por causa das bets, eu não vou deixar isso assim. Quero que quem provocou essa morte seja responsabilizado”, pontua, devagar, com a calma de quem se acostumou a esperar. 

Ela lembra que muitos enriqueceram com o lucrativo negócio que a fez perder o filho, de políticos a influenciadores. “Isso tudo foi construído à custa do sangue de muito inocente”, conclui, a professora e advogada, que promete brigar para levar o caso à esfera criminal e buscar reparação cível pelos danos causados à sua família, uma realidade que os números provam que passam longe de isolada. 

O Ministério da Saúde reconhece um crescimento dos atendimentos relacionados a jogo patológico da ordem de 140% entre 2018 e 2025 e estimava que a marca seguisse crescendo mais 104% até 2028, caso a proibição não fosse feita. Segundo o Instituto de Estados para Política de Saúde, os custos anuais associados aos jogos são de R$ 38,8 bilhões, dos quais R$ 30,6 bilhões são apenas para gastos com saúde, incluindo suicídios e tratamentos de depressão.

Até agosto de 2026, 5 milhões de brasileiros estavam impedidos de acessar as plataformas de apostas online, 1,2 milhão por iniciativa própria na plataforma de autoexclusão, 800 mil por renegociarem dívidas no programa Desenrola, que tem uma edição 3.0 para lidar com as consequências das bets a partir da proibição, e outros 3 milhões por receberem benefícios sociais.

No horizonte da família de Vânia, há planos de transformar a luta num livro sobre a morte e vida de Rafael. “Falar sobre um caso assim poderia gerar ataques, chacotas pela situação… a gente sabia disso, porque a pessoa com vício é vista como uma pessoa fraca e não como uma pessoa doente, né?”, resume a filha Amanda. 

“A gente falou: ‘mãe, o nosso Rafael infelizmente não volta, mas existem outros Rafaéis’. Não dá pra se calar, né? É um dever com a sociedade que a gente abra a boca e que mostre o grande problema que está todo mundo vivendo e ao mesmo tempo todo mundo com vergonha, pelo julgamento”, completou.

Falar sobre o caso abriu as comportas para uma avalanche de mensagens à família com relatos diários de dificuldades semelhantes enfrentadas em lares brasileiros. Mães, parceiras, irmãs, que se inspiram na luta da professora de Uberlândia para tentar encontrar desfechos outros. E, sem querer, Vânia virou verbo: não se calar para proteger até quem nem se conhece. Vaniemos.

Precisa de ajuda ou conhece quem precisa?

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio. O serviço é voluntário e gratuito, disponível 24h pelo número 188 e todos os dias também por chat ou email. O sigilo é garantido.

Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas

5 October 2026 at 13:45

Cinco anos depois do Senado pedir o indiciamento de personagens da vida pública por crimes durante a pandemia, a maioria dos investigados pela CPI da Covid que concorreu neste domingo, 4 de outubro, passou pelo crivo do eleitor. Dos 81 nomes com pedido de indiciamento no relatório final da CPI, 13 eram candidatos este ano, como mostramos na Agência Pública. Ao final do primeiro turno, sete foram eleitos, cinco perderam e um segue na disputa.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e os dois voltam às urnas em 25 de outubro. A CPI pediu o indiciamento de Flávio por incitação ao crime, por estimular aglomerações, o não uso de máscara e a recusa à vacina; à época, ele chamou a acusação de “vingança”.

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, vai ao segundo turno como primeiro colocado após os votos apurados

No Senado, três cadeiras

No Distrito Federal, Bia Kicis (PL) ficou com a segunda vaga, com 27,44%, atrás de Michelle Bolsonaro. No Rio, Carlos Jordy (PL) foi eleito com 24,56%, atrás do colega de partido Carlos Portinho. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) conquistou a segunda cadeira, com pouco mais de 25%, atrás de Carol de Toni. Carlos construiu toda a carreira no Rio, onde foi vereador por sete mandatos, e entrou na disputa catarinense por indicação do pai. Nenhum dos três tinha função executiva na pandemia e a CPI os investigou por campanhas nas redes sociais contra máscaras, o distanciamento social e as vacinas.

Já os ex-gestores que miravam o Senado perderam. No Amazonas, as vagas ficaram com Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB); na Paraíba, com João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB). Ficaram de fora Wilson Lima, governador durante o colapso do oxigênio em Manaus, e Marcelo Queiroga (PL), ex-ministro da Saúde, que terminou em quarto lugar.

Governadora do DF e candidata ao governo, Celina Leão, acompanhada das canditadas ao Senado, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, vota no CEF 01 do Lago Norte, cidade satélite de Brasília
Governadora do DF e candidata ao governo, Celina Leão, acompanhada das canditadas ao Senado eleitas, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, votou na escola cívico-militar CEF 01 do Lago Norte, Brasília

Na Câmara e nas Assembleias

Eduardo Pazuello (PL) foi reeleito no Rio de Janeiro com 146.148 votos, o décimo mais votado do estado. Em 2022, ele recebeu 205.324 votos e foi o segundo mais votado. Osmar Terra (PL) foi reeleito no Rio Grande do Sul com 116.647 votos, e Ricardo Barros (PP) renovou o mandato pelo Paraná com 94.050. Onyx Lorenzoni não aparece entre os 31 eleitos gaúchos, com 100% das urnas apuradas.

A médica Nise Yamaguchi também não se elegeu. O PL conquistou 19 das 70 cadeiras de São Paulo na Câmara, e o nome dela não está entre elas. Foi a terceira derrota seguida da médica. Em 2022, disputou a Câmara pelo PROS e recebeu 36.690 votos. Em 2024, tentou a Câmara Municipal de São Paulo pelo União e ficou na suplência, com 16.554 votos.

Mayra Pinheiro (PL), a “capitã cloroquina”, foi eleita deputada estadual no Ceará com 34.752 votos, na penúltima das 46 vagas. No Amazonas, a bancada do União Brasil na Assembleia ficou com cinco nomes reeleitos. Marcellus Campêlo, secretário de Saúde durante a crise do oxigênio, não está entre eles.

Sessão para a votação de propostas legislativas. Dep. General Pazuello (PL-RJ)
Eduardo Pazuello foi reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 146.148 votos

O que a CPI apontou

Pazuello reúne a lista mais extensa como emprego irregular de verbas, prevaricação, comunicação falsa de crime, crimes contra a humanidade e epidemia com resultado em morte. Este último crime também foi atribuído a Mayra Pinheiro, Nise Yamaguchi, Osmar Terra, Wilson Lima e Queiroga. Pazuello, Onyx e Mayra foram apontados, ainda, por crimes contra a humanidade, pelo foco no tratamento precoce em Manaus. Barros é suspeito de integrar uma organização criminosa no caso Covaxin. Para os senadores, as normas do governo indicavam “uma estratégia de propagação do vírus conduzida de forma sistemática”.

Segundo pesquisadores da USP, da FGV, do Butantan e da London School, ao menos 127 mil mortes poderiam ter sido evitadas apenas em 2021 sem o atraso na compra de vacinas. O país terminou a pandemia com mais de 700 mil mortos.

A PGR, então comandada por indicados de Bolsonaro, pediu o arquivamento de todas as denúncias. Em setembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do STF, mandou abrir inquéritos contra parte dos indiciados, mas Mayra, Campêlo, Pazuello, Nise, Queiroga e Wilson Lima ficaram de fora. Nenhum foi julgado antes da eleição. Os eleitos, após serem diplomados pelo TSE, tomam posse a partir de 1° de fevereiro de 2027.

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

5 October 2026 at 13:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em março, 38% dos eleitores disseram à Genial/Quaest que evitariam votar em candidatos envolvidos no maior escândalo bancário da história do país, que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master. O fim do primeiro turno, no entanto, mostrou que a disposição do eleitor se concentrou em alguns desses nomes e passou longe de outros, sem garantia de que essa decisão decorreu do envolvimento direto ou indireto dos candidatos no escândalo. Nenhum dos citados foi condenado, e todos negaram irregularidades.

Lista de políticos ligados ao Banco Master eleitos nas eleições de 2026

Na noite deste domingo, com o Piauí ainda contando votos, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) divulgou uma carta de despedida nas redes sociais. Presidente nacional do PP e ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, ele terminou em terceiro na disputa pela reeleição ao Senado, atrás de Marcelo Castro (MDB) e de Júlio César (PSD). “O povo é soberano em suas escolhas”, escreveu.

Ciro é investigado pela Polícia Federal (PF) por suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a PF, a emenda com a qual ele propôs elevar de 250 mil para 1 milhão de reais a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teria sido redigida pela assessoria do banco. Fotos do celular de Vorcaro, reveladas pela piauí, mostram os dois dançando numa estação de esqui nos Alpes, em janeiro de 2025.

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses

No Maranhão, Weverton Rocha (PDT), cujo nome também foi associado a Vorcaro, ficou em quarto lugar na corrida ao Senado. O inquérito que mais pesa contra ele, porém, é o das fraudes no INSS. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) perdeu o governo para Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno. Uma consultoria ligada a ele teria recebido R$ 5,4 milhões do Master, e Vorcaro o citou numa proposta de delação que a PF e a PGR recusaram. ACM Neto diz que seus encontros com o banqueiro foram profissionais. João Roma (PL), convocado pela CPI do Crime Organizado para explicar as mudanças no crédito consignado do Auxílio Brasil, também ficou fora do Senado.

Na mesma Bahia, Jaques Wagner (PT), investigado na Operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido vantagens negociadas com um ex-sócio de Vorcaro, foi reeleito senador com 3,88 milhões de votos. Ele nega ter atuado em favor do banco.

Também saiu ileso o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Neste domingo, a mesma piauí publicou fotos dele em eventos bancados pelo Master em Londres. Motta pediu ao banco um empréstimo para uma empresa da cunhada e diz que a operação foi regular, e Motta foi reeleito com quase 124 mil votos na Paraíba.

Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa
Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa

No Rio de Janeiro, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, cujo escritório teria recebido R$ 6,4 milhões do Master, foi eleito deputado federal com 155.836 votos. Advogado pernambucano de 51 anos, ele disputou um cargo eletivo pela primeira vez, depois de décadas nos bastidores, e fez campanha pela Baixada Fluminense. O Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a impugnação do registro, sob o argumento de que a candidatura teria se beneficiado de uma estrutura política ligada a milícias na região. O TRE-RJ liberou a candidatura em 22 de setembro. Rueda nega irregularidades.

Dois nomes nem chegaram à urna. Ibaneis Rocha (MDB) foi o único político que Vorcaro citou nominalmente em depoimento ao STF. Deixou o governo do Distrito Federal para disputar o Senado e desistiu em julho. “Vou cuidar da minha vida”, disse à Folha. No Rio, Cláudio Castro (PL) abandonou a disputa em maio, depois de buscas da PF ligadas a aplicações do Rioprevidência no banco. A essa altura, o TSE já o havia declarado inelegível em outro processo. Davi Alcolumbre, que a piauí cita entre os frequentadores das festas de Vorcaro, não disputava nada e perdeu mesmo assim, porque seus aliados foram derrotados no Amapá. 

Em São Paulo, o deputado Mario Frias (PL), produtor-executivo de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro bancado em grande parte por Vorcaro, foi eleito por São Paulo com 91 mil votos. Em setembro, ele foi alvo de buscas da PF numa investigação sobre cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares que teriam sido desviadas para o filme.

Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal com mais de 2,6 milhões de votos e tornou-se o deputado mais votado da história do país. Em março, quando a CPI do INSS encontrou seu número entre os contatos do celular de Vorcaro, ele disse que nunca havia se encontrado com o banqueiro e que não se lembrava de ter conversado com ele. Admitiu apenas ter viajado num avião de Vorcaro, sem saber, segundo ele, quem era o dono.

Em setembro, o ICL Notícias revelou áudios enviados por Nikolas ao banqueiro em março de 2025. Neles, o deputado pede a Vorcaro que ajude seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, a liberar um ativo de mineração que estava parado. Em outra mensagem, desculpa-se por ter criticado, nas redes, um evento em Londres, financiado pelo Master. Nikolas confirmou os áudios. Disse que recebeu o contato do pastor André Valadão em 2023, que conhecia o banqueiro apenas como “Dani” e que nunca recebeu dinheiro dele.

No Distrito Federal, 12 dos 15 deputados distritais que aprovaram, em 2025, a compra do Master pelo BRB foram eleitos neste domingo, segundo o site Amado Mundo: 11 foram reconduzidos à Câmara Legislativa e um, Thiago Manzoni (PL), chegou à Câmara dos Deputados com 90.418 votos.

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.
O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel

Flávio mentiu 43 vezes sobre relação com Vorcaro 

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno à frente de Lula, com 47,27% dos votos válidos contra 44,88%. Segundo as investigações, Vorcaro teria pagado cerca de 14 milhões dos 24 milhões de dólares solicitados por Flávio, numa relação que passa pelo financiamento de Dark Horse, filme sobre o pai dele. Flávio nega ter oferecido contrapartida.

A versão do candidato, porém, mudou ao longo da campanha. O levantamento do Aos Fatos, publicado em 24 de setembro, mapeou ao menos 43 declarações enganosas de Flávio sobre o caso, organizadas em cinco estratégias. Em março, quando seu número apareceu entre os contatos do celular de Vorcaro entregues à CPI do INSS, disse que não conhecia o banqueiro. Em maio, quando o Intercept Brasil revelou as mensagens entre os dois, primeiro negou que existissem e, horas depois, admitiu as conversas, mas sem reconhecer irregularidade. Mais recentemente, passou a atacar Alexandre de Moraes, do STF, por ter voado num jatinho ligado a Vorcaro, até que documentos da PF mostrassem que ele próprio viajou na mesma aeronave. Nas mensagens, Flávio chamava o banqueiro de “irmão” e dizia: “estarei contigo sempre”.

Francia, il potere di definire il caos

 

di Maylyn López*

 

La Francia attraversa una nuova fase di tensione sociale. Le mobilitazioni di giovani e studenti hanno riportato nelle piazze temi che da tempo attraversano il Paese: condizioni della scuola pubblica, disuguaglianze territoriali, accesso alle opportunità, futuro delle nuove generazioni.

Accanto alle manifestazioni sono arrivate le immagini degli arresti, anche di giovanissimi.

Ed è qui che il racconto mediatico diventa decisivo.

Una protesta studentesca può essere presentata come espressione di disagio sociale oppure come problema di ordine pubblico. La differenza non è soltanto linguistica: cambia il modo in cui il pubblico interpreta ciò che vede.

George Lakoff ha mostrato come le parole attivino dei frame, cornici cognitive che organizzano la realtà. Se il racconto parte dagli studenti, dalle scuole e dalle disuguaglianze, l’attenzione si dirige verso le cause della protesta. Se parte da parole come disordine, radicalizzazione, sicurezza e violenza urbana, il centro si sposta verso controllo e ordine pubblico.

 

La domanda cambia.

Perché questi ragazzi protestano?

diventa:

Come fermiamo il disordine?

 

Ed è proprio questo passaggio a interessare la neuropolitica.

Da studenti a soggetti da controllare

“Studente”, “manifestante”, “agitatore”, “rivoltoso” non sono sinonimi.

Ogni parola attribuisce un’identità e suggerisce una valutazione.

Dire “ragazzi arrestati durante una protesta studentesca” non produce la stessa rappresentazione di “manifestanti fermati durante disordini”.

Il fatto può essere lo stesso, la scena mentale cambia.

Norman Fairclough ha mostrato come il potere del discorso dipenda anche dalla sua circolazione. Una definizione pronunciata dalle istituzioni, ripresa nei titoli, nei telegiornali, nei talk show e sui social può progressivamente diventare la categoria attraverso cui l’intero evento viene letto.

È qui che il ruolo dei media diventa centrale.

Non è necessario alterare un fatto per orientarne la percezione. È sufficiente scegliere quale parte mostrare più spesso.

Un’intervista a uno studente che spiega le ragioni della protesta costruisce un soggetto politico.

La ripetizione di immagini di arresti, cordoni di polizia e disordini può invece trasformarlo, nella percezione pubblica, in un soggetto da contenere.

La domanda diventa allora inevitabile:

quando uno studente smette di essere raccontato come studente e comincia a essere rappresentato come una minaccia?

 

Il potere del “noi” e del “loro”

Teun van Dijk ha analizzato il modo in cui il discorso politico costruisce frequentemente una separazione tra “noi” e “loro”.

Da una parte possono essere collocate istituzioni, Repubblica, cittadini, ordine. Dall’altra manifestanti, disordine e radicalità.

Questa polarizzazione semplifica una realtà molto più complessa.

Il punto non è accettare automaticamente una narrazione o quella opposta. È osservare chi viene presentato come legittimo, chi come pericoloso, chi riceve una voce e chi viene rappresentato soprattutto attraverso immagini selezionate da altri.

È in questa asimmetria che potere mediatico e potere politico si incontrano.

 

Le parole hanno memoria

Ruth Wodak ci ricorda che nessuna parola politica nasce nel vuoto.

In Francia termini come banlieue, sicurezza, ordine, polizia, protesta e gioventù portano con sé decenni di immagini, paure, conflitti e rappresentazioni collettive.

Anche la piazza possiede una memoria politica profonda. Dalla Rivoluzione francese al maggio 1968, dalle grandi mobilitazioni sindacali ai gilet gialli e alle proteste sulle pensioni, il conflitto sociale è parte della grammatica politica del Paese.

Per questo le proteste dei giovani di oggi vengono interpretate anche attraverso ciò che la Francia ha già vissuto.

Le parole non descrivono soltanto il presente.

Riattivano il passato.

Quando la sicurezza diventa il frame dominante

La sicurezza è uno dei frame più potenti della comunicazione politica perché richiama un bisogno difficilmente contestabile.

Quando occupa il centro del racconto, altre domande perdono visibilità: quali condizioni denunciano gli studenti, quali disuguaglianze attraversano le scuole, quali opportunità hanno davanti, quali risposte ricevono dalle istituzioni.

Non occorre cancellare queste domande.

È sufficiente renderle secondarie.

Ed è qui che il potere comunicativo diventa particolarmente efficace: non dice necessariamente al pubblico che cosa pensare, decide prima di tutto su che cosa concentrare l’attenzione.

Se il problema viene definito come sicurezza, diventano centrali controllo e autorità.

Se viene definito come disagio giovanile, emergono scuola, opportunità e futuro.

Se viene letto come crisi di rappresentanza, entrano in gioco fiducia, partecipazione e legittimità.

La cornice non determina automaticamente l’opinione.

Determina il terreno sul quale quell’opinione si forma.

Prima della decisione viene il significato

Lakoff ci aiuta a comprendere i frame, Fairclough il rapporto tra linguaggio e potere, van Dijk la costruzione del “noi” e del “loro”, Wodak la memoria storica delle parole.

La Francia rende oggi questi meccanismi particolarmente visibili.

Davanti alle immagini dei giovani nelle piazze e dei ragazzi arrestati, la domanda non è soltanto:

Che cosa sta accadendo?

Occorre chiedersi anche:

attraverso quali parole e quali immagini stiamo imparando a interpretarlo?

Perché il potere politico non consiste soltanto nel prendere decisioni e quello mediatico non consiste soltanto nel raccontarle.

Entrambi partecipano alla costruzione del significato.

Ed è nello spazio tra il fatto, la sua rappresentazione e la percezione pubblica che comincia la neuropolitica.

*Autrice di "Leadershe: la tua voce e' potente" da settembre in tutte le librerie

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

4 October 2026 at 21:08

This article is a partnership with Mother Jones

In May, now-presidential candidate Flávio Bolsonaro, the eldest son of former Brazilian far-right President Jair Bolsonaro, shared on his social media a “leaked” trailer for an upcoming biopic about his father. The “most anticipated movie of the year,” Flávio said then, would depict the story of a “true hero.” In the trailer, which had a “disclosure prohibited” watermark, a wig-wearing Jim Caviezel—the American Hollywood actor perhaps most famous for his role as Jesus in Mel Gibson’s 2004 The Passion of the Christ—plays Bolsonaro, who is serving a 27-year prison sentence under house arrest for a failed coup attempt after his 2022 electoral defeat. 

Director Cyrus Nowrasteh described Dark Horse as a “tense political thriller about power, media, and faith under fire.” The movie’s trailer, which centers on Bolsonaro’s first presidential run and rise to power in 2018, frames the ex-president as “the voice of the people” and a leader who “fought the system” that tried to silence him. It includes a dramatic reenactment of his stabbing during the campaign. “IF YOU CARE ABOUT OUR ELECTIONS,” Caviezel, who is also known for the more recent Sound of Freedom, posted on Instagram earlier this year, “watch my newest film coming out September 11, 2026!” 

The production company behind the movie advertised it on X. “A trailer that circulated online was enough to put The Dark Horse at the center of discussions for months,” says the post in Portuguese. “Now, anticipation continues to grow for one of the most awaited international productions inspired by events that marked Brazil.”

https://twitter.com/GOUPEntertainme/status/2066990326284276175

That September 11 date went by and the movie, which was shot in English, has yet to be released in Brazil; it won’t come out before the first round in a nail-biting presidential race set for Sunday, October 4. These federal elections, which include congressional and gubernatorial  races alongside the presidential contest, have been dogged by accusations of meddling by the Trump administration, prompting incumbent President Luiz Inácio Lula da Silva to send a clear message to the US leader: “Brazil does not fit in anyone’s backyard.” While Dark Horse has not featured as a centerpiece in that conversation, it has certainly had its own share of controversy even before hitting the big screen.

The Brazil-US joint production has become the subject of an ongoing investigation that has sent shockwaves through the presidential campaign of one of the main candidates in a high-stakes, knife-edge election. Brazilian authorities are actively looking into the financing of the movie by a now-disgraced businessman accused of leading one of the biggest bank frauds in the country’s history. That financial scandal involves banker Daniel Vorcaro, former owner of the liquidated Banco Master, who is jailed for alleged fraud in a complex billion-dollar scheme involving worthless credit portfolios. The imbroglio has rocked the 214-million-people nation and thrown the Brazilian Supreme Court into an unprecedented institutional crisis, ensnaring justices, including Alexandre de Moraes—a polarizing figure credited by some with having stopped Bolsonaro’s coup plot and vilified by others for judicial overreach—and high-profile politicians and public officials with alleged ties to Vorcaro.

Among them is Brazilian senator Flávio Bolsonaro, who is cited in the investigation by Brazil’s federal police into the financing of the movie for “possible participation” in alleged crimes involving “money laundering, illicit capital flight, corruption, and other related offenses.” Last May, the Intercept Brasil exposed audio recordings and messages exchanged between Flávio and Vorcaro in which the senator asks the banker for money to fund Dark Horse. Documents from the federal police indicate Flávio was a “direct interlocutor” in negotiating with Vorcaro about the financing of the movie production. 

The bombshell reporting revealed that Flávio, the primary opponent facing off against President Luiz Inácio Lula da Silva, who’s vying for re-election, negotiated a $24-million-dollar investment from Vorcaro. At the time, documents obtained by the Intercept Brasil showed that Vorcaro had made payments for the movie adding up to at least $10.6 million, between February and May 2025; the total has since climbed to $12.3 million, according to the federal police.

In a voice message to Vorcaro from September 2025, Flávio pressed the banker on pending payments, stressing the importance of getting the movie across the finish line. “Imagine us defaulting on Jim Caviezel, on Cyrus [Nowrasteh], these guys, man, hugely renowned in American and global cinema. Man, that would be really bad,” Flávio said in the audio, a transcription of which is cited in the federal police’s inquiry. He added: “Now that we’re in the final stretch, we can’t slip up, we can’t fail to honor the commitments here, because otherwise we lose everything.”

The Bolsonaro camp had high hopes for Dark Horse, originally projected for release three weeks before election day. “We’ll touch the hearts of a lot of people,” congressman Mário Frias, who was involved in the development of the project and is also named in the investigation, told Vorcaro, “and it will be very important for our country.” Ahead of the election, Flávio Bolsonaro, the presidential hopeful, has found himself having to provide explanations. He has dismissed the payments from Vorcaro as “private sponsorship” for a private project, underscoring that no public funds were used in the movie, and denied any wrongdoing.

A $2,000 rental wig for Jim Caviezel

Unsealed court documents state that payment transfers for Dark Horse were made via an intermediary company and processed through the Texas-based Havengate Development Fund managed by a Brazilian lawyer close to Flávio’s brother, Eduardo Bolsonaro, who is self-exiled in the United States since last year following a lawmaker’s request for him to be investigated for allegedly lobbying against Brazil’s national interests. This June, Eduardo, who was stripped of his congressional seat for being absent, was convicted of “coercion” for attempting to secure interference from the Trump administration on Brazil’s internal affairs; he sought to persuade them to impose tariffs on Brazil and sanctions on Brazilian justices to help his father’s case. 

Investigators looking into the origins of the money and its destination have raised the “hypothesis” that Eduardo, who lives in Texas, “directed the management of resources on foreign soil.” They also are investigating whether funds from Havengate may have been used to cover Eduardo’s living expenses, according to multiple reports by Brazilian media outlets. Flávio has maintained that all the resources allocated to the fund went towards the movie production.

On X, Eduardo has denied receiving money from the Texas fund, saying his immigration status wouldn’t have allowed it. (He has recently obtained a green card.) “During my immigration process,” he said, “I explained to the American authorities the whole origin of my assets and I didn’t have any problems.” He added that “all the investments were made in the US because the production was American, with American actors.”

Agência Pública, Brazil’s largest nonprofit newsroom, recently reported on Eduardo’s lavish lifestyle; he resides in a luxury home in Southlake, owns a $43,800 SUV, and travels frequently—20 times in 18 months—including to attend a gala at Trump’s Mar-a-Lago, watch a World Cup match in Miami, and surf in Abu Dhabi. Eduardo has previously explained his financial circumstances by saying he lives off of “passive income.”

The former lawmaker denied having any management role in Dark Horse, but a production contract signed in 2024 and obtained by the Intercept Brasil mentioned the ex-congressman as an executive producer in the movie. In response to the article, Eduardo said that he had signed a contract when the project was still in the early stages and invested $50,000 to get a Hollywood director attached to the movie, but he was later repaid and left the project once other investors were secured. Agência Pública contacted Eduardo’s press team but didn’t hear back before publication.

Go UP Entertainment, the US-based production company behind Dark Horse, is led by Karina Ferreira da Gama and Michael Brian Davis. (Ferreira da Gama and an NGO she directs are the target of a separate inquiry into whether public money was used to finance the movie.) According to an audit commissioned by Go UP, production costs in Brazil were $3.73 million. Costs in the United States amounted to $9.66 million—or more than 70 percent of the movie’s roughly $13-million reported spending. The expenses in the United States, according to the audit, included soft production, pre-production, project development, filming, and post-production. On LinkedIn, a production manager who worked on the movie described it as “the largest-budget feature filmed entirely in Brazil.” 

The movie’s reported expenses have raised eyebrows among industry insiders, who have compared the numbers to those of an Oscar-worthy production. The company spent $2,000 on a rental wig for Caviezel and about $135,000 in hotel accommodation for the star and his agent and security, based on bank statements and invoices provided to the federal police. ”It’s not a film that will be nominated for an Oscar,” Wilson Feitosa, director of the company responsible for the distribution of Dark Horse, told O Globo newspaper. “It won’t be in contention for a nomination, but it has that Hollywood seal of quality.” 

The federal police noted that, even accounting for “complex variables” in estimating the costs of film productions, there was an “apparent mismatch between the projected cost of the production of Dark Horse and the parameters usually practiced in the Brazilian audiovisual market,” saying it warranted further investigation into the “effective allocation of resources” and the purpose of the operation. 

“A nightmare for the Left”

Registered in Florida since 2021, Go UP Entertainment listed, until recently, its place of business as Davis’ home address in Raleigh, North Carolina. In June 2026, the address was changed to a commercial location in the same city. The company’s website only mentions an address in Westlake Village, California. A google search for that address leads to another production company, Damascus Road Productions, focused on “family and faith content.” (Ryan O’Quinn, the president of Damascus Road Productions, has promoted Dark Horse on his social media and is listed on the movie’s IMDb page as a producer. He didn’t respond to an email with questions or return a voicemail message.)

“Go UP Entertainment hereby clarifies that it conducts its business activities and the production of the film Dark Horse in a documented and transparent manner and in compliance with its contractual obligations,” the company said in a statement to the Brazilian magazine Piauí. In an email, Davis declined an interview for this article, saying “we will not provide comments on confidential budgets, private agreements and contracts, or unrelated business matters.”

Go UP’s website, which appears to have been revamped this year, states that the company “was born from the union of two creative forces: Go 7 and UP Tone.” Go 7 seems to be a reference to a different company operated by Davis’ co-partner Ferreira da Gama in Brazil. Go 7, which has reportedly never released a movie or TV production in the country, has its registration status with Ancine—the Brazilian regulatory film agency—listed as “irregular.” (Go UP Entertainment’s status is “regular” and Ancine granted Dark Horse a foreign work registration.)

Uptone Pictures is a self-described “independent film production company” in North Carolina that names the Dark Horse producer, Davis, as founder and executive producer. The movie releases featured on Go UP’s page appear to be examples of Uptone’s previous work. Among them are the 2014 A Long Way Off, a modern-day retelling of the prodigal son parable; Paul’s Promise from 2022, a Christian drama about a “firefighter-turned-pastor” produced and starred by O’Quinn; and the Brazilian-American Destiny Road, based on a book by a televangelist. Uptone Pictures lists Dark Horse as one of its credited productions. On Facebook, the company calls itself “your fixer in Brazil.” 

Davis has Brazilian citizenship and lived in Brazil in the 1980s, where he learned Portuguese and became a São Paulo soccer team fan, before moving to the United States, according to the BBC News Brasil. Besides Go UP Entertainment and Uptone Pictures, he’s linked to several other entertainment businesses in North Carolina, some of which have been dissolved over the years.

Davis has reportedly said that, on the advice of lawyers, he won’t hand over Go UP’s company documents without a judicial order in the United States. The producer wrote in an email to his business partner included in the investigation that “requests from Brazilian authorities involving documents or data under American jurisdiction must be formalized exclusively through the competent diplomatic and international legal cooperation channels.”

Mother Jones emailed Davis a number of questions about his partnership with Ferreira da Gama, the founding of Go UP Entertainment in 2021, and the company’s office addresses. We also asked him for details about the production and budget of Dark Horse, the company’s audit and expenses in the United States, as well as his reason to refuse a federal police’s request for evidence. Finally, the email included questions about Davis’ business history.

In a note, Davis replied that “given Mother Jones’ far-left editorial orientation and the framing of several of your questions, we do not have confidence that our participation would result in a fair and balanced account of Dark Horse.” He wrote that the “inquiry takes a broad, scattershot approach combining questions about the film with historical business affiliations, registered addresses, and other companies.” Davis also said, “several questions” contained “assumptions, speculations, or characterizations that we do not accept,” but didn’t explain what those were.

Meanwhile, select audiences in the United States have already had a sneak peek of Dark Horse. Back in June, Eduardo attended the first public screening of the movie at the Fraud Fighter Summit in Las Vegas. Speaking at a panel, Eduardo suggested the biopic could have a similar enduring impact to Terminator 2. “This movie,” he said, “is going to be a nightmare for the Left.”

❌