Sousa Real faltou ao quinzenal por doença do gato Mikas






© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
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As Mulheres Social-Democratas (MSD) de Olhão promoveram um Workshop de Participação Cívica e Política, dedicado à reflexão sobre o papel dos cidadãos na vida pública e a importância da participação ativa nos processos de decisão.
A iniciativa contou com a participação de Elsa Cordeiro, Cláudia Luz e Gonçalo Mesquita, enquanto oradores, num momento de partilha de experiências, reflexão e debate sobre os desafios da participação cívica e política.
Estiveram também presentes Álvaro Viegas, presidente da Comissão Política do PSD de Olhão, e Cristóvão Norte, presidente da Distrital do PSD Algarve, que se associaram a esta iniciativa. Representantes de várias estruturas das MSD Algarve estiveram presentes, como as MSD Portimão.
O workshop decorreu num ambiente de diálogo aberto e participativo, proporcionando aos presentes a oportunidade de colocar questões, partilhar perspetivas e refletir sobre a importância de uma cidadania ativa, informada e próxima das comunidades.
A sessão destacou ainda a relevância de criar espaços de debate que aproximem os cidadãos da política, incentivem o envolvimento cívico e promovam uma maior participação nos processos de decisão.
Com esta iniciativa, as MSD Olhão reafirmam o seu compromisso com a dinamização de atividades que estimulem a reflexão, o diálogo e a participação cívica e política, contribuindo para uma democracia mais participativa e para o fortalecimento da ligação entre os cidadãos e as instituições.
As MSD Olhão agradecem a todos os oradores, convidados e participantes que contribuíram para o sucesso desta iniciativa, reforçando a importância de continuar a promover momentos de partilha e debate sobre temas relevantes para a sociedade.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Deputada comunista Paula Santos questiona também uma eventual aquisição das instalações em Lagos. O contrato assinado em 2022 tem uma vigência de cinco anos.
O conteúdo PCP pergunta ao Governo se vai renovar arrendamento do Hospital Terras do Infante aparece primeiro em Barlavento.
Foi o primeiro presidente eleito da Junta de Messines e o primeiro presidente da Assembleia Municipal de Silves. Morreu aos 94 anos, na véspera da esposa.
O conteúdo Silves presta homenagem à memória de Vitorino e Inácia Cavaco aparece primeiro em Barlavento.
Secondo il Documento programmatico di finanza pubblica la Manovra finanziaria per il 2027 ha al momento a disposizione circa 15 miliardi di euro per le misure che il Governo vuole implementare. Pochi, sufficienti a malapena per la riforma dell’Irpef che sembra essere il punto fermo di questa legge di bilancio.
Il quotidiano La Repubblica ha quindi esplorato le possibili strade che il Governo avrebbe ipotizzato di intraprendere in caso volesse rendere questa Manovra più simile alle precedenti in dimensioni. Si va dalla tassazione degli extraprofitti al taglio dell’adeguamento delle pensioni, fino a nuove imposte su tabacco e gioco.
La Manovra prevista dal Dpb è minima, circa 15 miliardi di euro, tra le più ridotte del recente passato. Anche aggiungendo la flessibilità concessa dall’Ue per fare deficit in più, i fondi a disposizione sono pochissimi, in un momento in cui tutti i partiti della maggioranza vorrebbero assecondare il proprio elettorato con misure precise in vista delle elezioni del 2027.
Sarebbe quindi necessaria un’ulteriore iniezione di denaro, ma visto che il deficit non può più essere toccato, i fondi vanno trovati altrove. Se il bilancio deve rimanere lo stesso, le opzioni sono due:
Rientrano nella seconda categoria le tasse sui cosiddetti extraprofitti. Da una parte, il Governo vorrebbe un altro contributo da banche e assicurazioni. Questa volta, però, i tassi di interesse non sono stati alti per molti mesi, quindi rispetto agli anni scorsi l’Esecutivo non può chiedere molto: al massimo 3 miliardi di euro.
Ci sarebbero le aziende energetiche. I prezzi del petrolio hanno permesso di generare più entrate del previsto alle grandi imprese del settore. Il problema, come fu per le banche, è identificare cosa significhi “extraprofitto”. C’è poi sempre il rischio che queste aziende, per recuperare quanto perduto in tasse, alzino i prezzi facendo ricadere il peso della nuova imposta sui consumatori.
L’altra idea per raccogliere molti fondi in una sola volta è toccare le pensioni. Non una scelta popolare, ma negli anni passati, altri governi, come quello Draghi, hanno attuato un taglio che non è stato percepito come particolarmente duro sulla popolazione e che anche la Corte costituzionale, che deve difendere il “diritto acquisito” della pensione, ha accettato.
Si tratta della riduzione dell’adeguamento all’inflazione per le pensioni più alte. Ogni anno, l’Inps aumenta le pensioni di una percentuale sufficiente a contrastare l’inflazione dell’anno precedente. Con l’aumento dei prezzi al 4,2% a settembre, nel 2027 questa spesa potrebbe essere importante.
L’idea è quella di tagliare questo aumento all’aumentare della pensione, partendo, si ipotizza, da quelle superiori a tre volte la minima e aumentando la riduzione più l’assegno diventa alto. L’importo non calerebbe rispetto al 2026, aumenterebbe solo di meno. I primi a essere colpiti sarebbero i pensionati con 24.272,20 euro di pensione lorda annua.
Ci sono poi una serie di piccole tasse e imposte che potrebbero essere aumentate per racimolare alcuni milioni da aggiungere alla Manovra:
Ci sarebbe anche l’ipotesi di smettere di rimandare la plastic tax e la sugar tax, che porterebbero gettiti significativi. Qui, però, la probabilità che le aziende scarichino il peso della nuova imposta sui consumatori è altissima. Sarebbe quindi una misura molto impopolare, difficilmente approvabile prima delle elezioni.
Come ha fatto il Governo a ritrovarsi con una Manovra di soli 15 miliardi di euro? Tutto parte dalle politiche di bilancio dell’Esecutivo che, fin dal primo momento, sono state molto conservative. L’obiettivo è sempre stato quello di far rientrare l’Italia sotto il 3% di rapporto tra deficit e Pil, con vari benefici:
Un piano per avviare la spesa pubblica verso un circolo virtuoso e far uscire l’Italia dallo stato di indebitamento eccessivo che la affligge dagli anni ’90. Piano che però si è scontrato nel 2026 con un imprevisto: la guerra in Iran.
La crescita ha rallentato e questo ha ridotto gli introiti fiscali. L’inflazione è aumentata e con essa i tassi di interesse, spinti anche da una crisi mondiale del debito di Stati e società private. Il risultato è stato la mancata uscita anticipata dalla procedura per deficit eccessivo nel 2026, su cui il Governo puntava e che avrebbe sbloccato molti fondi per la Manovra 2027.
Tra le strade allo studio, quella sulle pensioni è la più delicata. Il meccanismo ipotizzato non toccherebbe direttamente gli assegni, ma la loro rivalutazione all’inflazione, quindi l’adeguamento annuale al costo della vita.
Mirino rivolto su quelli che sono i trattamenti più alti, ovvero soprattutto una soglia indicata intorno ai 24.272,20 euro lordi l’anno.
Superato questo livello, la rivalutazione verrebbe riconosciuta solo in parte, con una riduzione che cresce all’aumentare dell’importo. Una misura che poco vantaggio garantisce sul fronte politico, ma che avrebbe una netta utilità e già in passato ha superato il vaglio della Corte costituzionale. Per i pensionati sotto quella soglia, invece, l’adeguamento resterebbe pieno.

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As Mulheres Social-Democratas (MSD) de Olhão promoveram um Workshop de Participação Cívica e Política, dedicado à reflexão sobre o papel dos cidadãos na vida pública e a importância da participação ativa nos processos de decisão. A iniciativa contou com a participação de Elsa Cordeiro, Cláudia Luz e Gonçalo Mesquita, enquanto oradores, num momento de partilha […]
Esta reportagem foi produzida com o apoio do Pulitzer Center e faz parte da etapa africana da “Mão Invisível das Big Techs”, uma investigação transnacional liderada pela Agência Pública e pelo Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP).
Quando uma empresa terceirizada que trabalhava para a Meta foi processada no Quênia, ela levou o problema diretamente ao presidente do país, William Ruto.
A disputa teve início em maio de 2022, quando o ex-moderador de conteúdo do Facebook Daniel Motaung processou a Sama e a Meta por causa das condições de trabalho. Em março de 2023, outros 43 moderadores também entraram com uma ação judicial.
Os trabalhadores haviam sido contratados pela Sama para moderar conteúdo no Facebook, uma atividade que exigia que frequentemente entrassem em contato com materiais perturbadores. Eles argumentaram que a Meta, que se beneficiava diretamente do trabalho e controlava alguns de seus aspectos, também deveria ser responsabilizada.
A Sama não era uma terceirizada qualquer no Quênia. A empresa fazia parte da cadeia de contratação que permitia à Meta transferir para trabalhadores quenianos algumas das tarefas mais nocivas da internet. A companhia de Mark Zuckerberg tentou retirar seu nome do processo, argumentando, entre outros pontos, que os tribunais quenianos não tinham jurisdição sobre a empresa norte-americana. Mas em 20 de setembro de 2024, o Tribunal de Apelação queniano rejeitou o argumento.
Em 11 de novembro de 2024, menos de dois meses após essa decisão, foi publicado o projeto de lei Business Laws (Amendment) Bill. A proposta estabelecia novas regras para o setor de terceirização no Quênia, incluindo disposições sobre a responsabilidade pelas condições de trabalho dos funcionários contratados por empresas terceirizadas.
Menos de um mês depois, em 9 de dezembro, o presidente William Ruto declarou publicamente que a Sama o havia procurado para tratar de seus problemas judiciais: “Agora posso informar a vocês que mudamos a lei. Ninguém mais vai levar vocês à Justiça por nenhum motivo”.
Mas o projeto de lei ainda estava em tramitação no Parlamento, onde acontecia uma disputa sobre quem deveria ser responsabilizado pelos trabalhadores terceirizados. Organizações empresariais, entre elas a Associação de Fabricantes do Quênia, argumentaram que a responsabilidade deveria permanecer, em grande medida, com a empresa terceirizada.
Os trabalhadores do setor de tecnologia, por sua vez, defendiam que as empresas que controlam ou se beneficiam de seu trabalho também deveriam ser responsabilizadas. Essa questão foi fundamental para os trabalhadores que tentavam processar empresas como a Meta, em vez de responsabilizar apenas suas contratadas locais.

Os trabalhadores também recorreram à Justiça para tentar impedir a aprovação do projeto. Em junho de 2026, o Tribunal Superior se recusou a intervir. Em 19 de agosto de 2026, a Assembleia Nacional aprovou as emendas. O texto aguarda agora a sanção presidencial.
Para James Oyange, ex-moderador de conteúdo, a declaração do presidente Ruto deixou claro de que lado o governo estava. Os trabalhadores haviam recorrido à Justiça em busca de proteção contra algumas das empresas de tecnologia mais poderosas do mundo. Em vez disso, afirmou Oyange, o governo parecia estar mudando as regras em benefício dessas companhias.
“Estamos por conta própria. É responsabilidade do governo nos proteger, mas ele está tomando o partido das Big Techs. Isso significa que as empresas podem fazer o que quiserem.”
Oyange teme que, se as empresas de tecnologia puderem recorrer ao governo quando forem processadas por trabalhadores, o desequilíbrio de poder se aprofunde ainda mais em detrimento dos funcionários.
O caso da Sama é apenas uma parte de uma relação muito mais ampla entre o governo queniano e as empresas globais de tecnologia. O The Continent identificou pelo menos 12 reuniões, acordos, interações com órgãos reguladores e parcerias documentados publicamente entre o governo do Quênia e as empresas Microsoft, Google, Amazon, TikTok e Starlink desde 2023.
A reportagem também identificou um padrão nessas relações. Grandes empresas de tecnologia estão sendo incorporadas à prestação de serviços públicos, à infraestrutura e à formulação de políticas, muitas vezes com acordos cujo conteúdo não é acessível à população.
Ao mesmo tempo, leis e políticas estão sendo desenvolvidas de modo a facilitar a atuação dessas companhias. É muito mais difícil descobrir quem negociou esses acordos, o que o Quênia recebeu em contrapartida e quem fiscaliza se essas parcerias atendem ao interesse público.
A agricultura é um exemplo. Em 2020, o Ministério da Agricultura assinou um acordo com a Microsoft para utilizar tecnologia no aprimoramento da produção agrícola e da segurança alimentar. A empresa forneceria tecnologia de computação em nuvem para ferramentas digitais que utilizariam informações sobre o clima, pragas, insumos agrícolas e produção.
A parceria foi ampliada em 2022, quando a AGRA, organização sem fins lucrativos presente em diversos países do continente africano, se juntou à Microsoft em um programa de agricultura digital que incluía o Kuzabot. O serviço envia orientações aos agricultores por SMS e WhatsApp.
Segundo um relatório de 2023 da Community Alliance for Global Justice sobre os projetos de agricultura digital da Microsoft e da AGRA, o Kuzabot poderia enviar recomendações de produtos e permitir que consultores agrícolas vinculados a empresas de sementes, fertilizantes e pesticidas anunciassem seus produtos usando o envio de mensagens em massa.
O mesmo estudo descreveu a infraestrutura de computação em nuvem da Microsoft para a agricultura como uma “plataforma completa”, projetada para reunir serviços e dados agrícolas. O Quênia tem planos de integrar seus dados agrícolas dispersos e seus serviços digitais em uma única plataforma nacional, após anos de parcerias com empresas privadas de tecnologia cujos termos completos continuam, em grande parte, fora do alcance do público.
Nem a Microsoft nem o Ministério da Agricultura forneceram a íntegra do acordo após serem procurados pelo The Continent.
A preocupação vai além da Microsoft. Uma pesquisa publicada pela Fundação Heinrich Böll alerta que as plataformas de agricultura digital podem atrair agricultores para sistemas moldados por empresas de tecnologia, agronegócios e organizações filantrópicas. Isso pode criar novos mercados para sementes, pesticidas, seguros e crédito, todos estruturados em torno de informações fornecidas pelos próprios agricultores sobre si mesmos e suas propriedades rurais.
A AGRA não é uma ONG irrelevante. Ela contribuiu para moldar as políticas agrícolas em todo o continente africano, e entre seus principais financiadores estão a Fundação Bill & Melinda Gates e a Fundação Rockefeller. A Fundação Gates também possuía ações da Microsoft até o início de 2026.
Em 2026, o Ministério da Agricultura do Quênia elaborou a Política de Dados, Informação e Digitalização Agrícola, que pretende criar uma plataforma nacional única, reunindo em um só lugar o que está atualmente disperso por diferentes sistemas de produção rural.
Mas isso também levanta uma questão fundamental de responsabilização e transparência. Após diversos memorandos de entendimento, parcerias de computação em nuvem, projetos-piloto de inteligência artificial, serviços de chatbot e iniciativas de tecnologia agrícola financiadas por doadores, o Quênia está agora construindo uma infraestrutura pública que poderá conectar todos esses sistemas.
O advogado de direitos humanos e especialista em direitos digitais Ibrahim Oduor afirma que a Lei de Proteção de Dados do Quênia deve reger este funcionamento. A legislação estabelece condições para a transferência internacional de dados e coloca sua proteção no centro dos sistemas de gestão de informações dos setores público e privado.
Mas as estratégias que priorizam a computação em nuvem tornam essa questão mais complexa. A plataforma Microsoft Azure, por exemplo, depende de data centers que podem estar localizados fora do Quênia. Quando dados de agricultores ou cidadãos são armazenados fora da jurisdição nacional, torna-se mais difícil determinar quais leis se aplicam, quem tem acesso às informações e como os quenianos podem fazer valer seus direitos.
Oduor também afirmou que uma avaliação de impacto sobre a proteção de dados deve ser realizada antes da assinatura de acordos desse tipo. O procedimento tem como objetivo identificar riscos, avaliar como os dados pessoais serão coletados e utilizados e garantir a existência de salvaguardas antes que sistemas públicos de informação sejam construídos em torno de fornecedores privados de tecnologia.
A Konza Technopolis é a principal cidade inteligente do Quênia, localizada ao sul da capital Nairóbi. Em agosto de 2026, a autoridade governamental responsável pela Konza assinou um memorando de entendimento com a Amazon Web Services (AWS) para ampliar o uso de tecnologias de computação em nuvem em instituições públicas e oferecer capacitação em dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina.
A Konza é uma peça importante do plano de desenvolvimento de longo prazo do Quênia e vem sendo cada vez mais aberta ao investimento privado. No entanto, cinco anos antes da assinatura desse memorando, o país aprovou uma lei que facilitou os investimentos de empresas privadas em projetos de desenvolvimento público. A Konza Technopolis era um dos principais projetos que o governo pretendia desenvolver com essas parcerias público-privadas.
Questionada sobre os detalhes do memorando e da relação com o governo queniano, a AWS afirmou ter orgulho de apoiar o processo de adoção de tecnologias de computação em nuvem no país e explicou que o documento abrange iniciativas de capacitação e adoção dessas tecnologias. “Ele não abrange o uso de quaisquer serviços de computação em nuvem da AWS pelo governo queniano e não implica nenhum compromisso financeiro”, diz a nota da empresa.
O The Continent tentou, então, identificar quem fiscalizava essas relações. Mais de uma dezena de representantes da oposição foram procurados, incluindo integrantes de comissões parlamentares das áreas de agricultura, tecnologia da informação e comunicação e trabalho. Apesar das repetidas solicitações, nenhum deles aceitou explicar como o Parlamento havia fiscalizado esses acordos.
Órgãos e agências governamentais não forneceram os documentos solicitados nem explicaram como os parceiros tecnológicos haviam sido selecionados. Já as empresas de tecnologia procuradas não responderam às perguntas sobre suas relações com o governo até o fechamento da reportagem.
O advogado especializado em direitos digitais Victor Kiamba afirmou que a Constituição do Quênia já determina que as contratações públicas sejam “justas, equitativas, transparentes, competitivas e economicamente eficientes”. No entanto, segundo ele, quando os acordos não estão disponíveis para análise pública, torna-se difícil verificar se essas exigências foram cumpridas.
Kiamba afirmou que os riscos são maiores quando tecnologias privadas passam a integrar a infraestrutura pública, criando potencialmente uma dependência de longo prazo em relação a determinados fornecedores e riscos para a segurança dos dados.
A especialista em direitos digitais Irene Makau afirmou que esses acordos também não podem ser analisados separadamente das leis e políticas que estão sendo desenvolvidas em paralelo. Segundo ela, determinadas mudanças podem parecer não ter relação com contratos específicos de tecnologia, mas, em conjunto, podem facilitar a atuação das empresas.
“Você vê uma legislação sendo impulsionada aqui que não parece necessariamente ter qualquer relação com outra. E, ainda assim, elas têm o objetivo de facilitar as operações”, afirmou.
Para Makau, a crescente dependência do Quênia em relação a um pequeno grupo de empresas internacionais de tecnologia também levanta questões sobre quem controla a infraestrutura digital do país e se as empresas locais têm condições de competir.
“Por que essas Big Techs são exaltadas apesar de termos outras opções?”, questionou, referindo-se à atuação da Comissão de Concorrência da África do Sul contra práticas não competitivas de grandes empresas de tecnologia. “O Quênia é supostamente o país da inovação, mas estamos sendo capacitados apenas para trabalhar para e com monopólios.”
O Quênia busca atrair investimentos em tecnologia, gerar empregos e melhorar os serviços públicos. Não há nada de incomum no fato de um governo trabalhar com empresas de tecnologia para alcançar esses objetivos. O que chama a atenção é o quanto a população local consegue saber sobre os termos desses acordos.

Elsa Cordeiro, Cláudia Luz e Gonçalo Mesquita participaram como oradores.
O conteúdo MSD de Olhão promovem debate sobre participação cívica e política aparece primeiro em Barlavento.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA




