As eleições presidenciais brasileiras estão sendo acompanhadas com atenção pela comunidade internacional. Após o primeiro turno, líderes de diversos países manifestaram publicamente suas preferências, dividindo-se entre os dois candidatos que disputam o segundo turno.
De acordo com analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, a divisão entre os apoiadores internacionais segue uma linha ideológica bastante clara.
“Aqueles líderes que são progressistas, que têm uma visão de esquerda, apoiam o presidente Lula (PT). E aqueles que são mais conservadores, mais à direita, tendem a apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL)”, afirmou Martins durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (23).
Entre os que declararam apoio a Lula, destaca-se Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha. Políticos democratas dos Estados Unidos e representantes da esquerda europeia também manifestaram suporte à candidatura.
Já pelo lado de Flávio Bolsonaro, os apoios vieram de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e de Javier Milei, da Argentina.
Donald Trump, por sua vez, não chegou a declarar apoio formal a nenhum dos candidatos, mas comentou o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno de forma positiva. O presidente norte-americano disse que o resultado no primeiro turno foi “uma vitória muito grande” para Flávio.
“A ênfase nas declarações de Donald Trump se dá por conta das relações conturbadas entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos”, afirmou Martins.
Política externa em jogo
O analista lembrou que as relações com os Estados Unidos devem ser um dos pontos centrais da política externa brasileira, dependendo do resultado das eleições.
Caso seja reeleito, Lula pretende manter uma política de autonomia em relação a Washington, inclusive reagindo contra a classificação de grupos criminosos brasileiros como entidades terroristas pelo governo americano. Lula também defende um equilíbrio nas relações com Estados Unidos, Europa e China.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, defende um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos e afirmou que adotaria a mesma medida em relação à classificação de organizações criminosas como grupos terroristas.
O candidato também sinalizou intenção de manter boas relações com a China, reconhecendo a importância do país nas relações comerciais e na economia brasileira.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Em uma eleição acirrada, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm pelo menos uma concordância: qualquer erro no debate desta sexta-feira (23), na TV Globo, pode ser fatal.
A orientação a Lula busca diminuir o efeito “papagaio de pirata” do debate da TV Band do último domingo (18), quando Flávio buscou aparecer no quadro de Lula quando o petista tinha a palavra e gesticular atrás de Lula.
A estratégia buscou inviabilizar cortes e desestabilizar o presidente, mas foi repreendida em pesquisas qualitativas feitas pelas campanhas. Por isso, a ideia é que Flávio siga no ataque a Lula, mas busque ser menos agressivo.
Aliados de Flávio apostam em manter a postura de ataques, mas em fazer isso de uma maneira mais “Duda Lima”, ou seja, moderada, do “Pablo Marçal”, mais beligerante. Duda é o marqueteiro da campanha e recuperou para este debate o espaço na orientação cedido no último domingo para Marçal.
No PL, a visão é de que Lula pode buscar tentar se vitimizar e colocar em Flávio a ideia de que o senador tenta “humilhá-lo”. Aliados afirmam que há orientações de Duda Lima sobre como proceder caso esse seja o caminho adotado por Lula.
Petistas dizem que o presidente Lula foi orientado e estará mais atento ao movimento de palco, às câmeras e ao tempo das falas, algo que foi explorado pelo seu concorrente no último debate.
Na campanha do presidente Lula, a aposta é em falar de futuro e de propostas. Aliados também defendem que Lula explore investigações contra Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro e a suspeita de que Flávio é sócio oculto de bets.
Além do marqueteiro Sidônio Palmeira, Lula tem sido acompanhado de perto pelos ex-ministros Rui Costa e Camilo Santana e pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles. Já Flávio tem treinado com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas.
Como mostrou a CNN Brasil, o resultado da pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), que mostrou empate numérico entre os dois, também deve fazer com que as campanhas amenizem discussões sobre denúncias e investigações e focar em propostas para eleitores indecisos, segundo informaram fontes tanto do PT quanto do PL.
Baseados nas pesquisas também, ambos devem apostar na “onda” favorável durante o programa, com o senador apostando no histórico de surpresas da direita nas urnas, enquanto o atual mandatário deve focar nas mobilizações recentes, em especial nas redes sociais.
A CNN mostrou também que, sobre polêmicas, Flávio deve contar com o apoio de Mário Rosa para responder a questões como suas relações com o advogado Willer Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de que a relação entre o senador e Willer Tomaz envolva uma sociedade oculta em negócios de apostas esportivas.
Já do lado do presidente, o petista pode ser questionado sobre o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a relação com a lobista Roberta Luchsinger. Caso seja questionado, Lula foi orientado a afirmar que a atuação dela está sendo investigada pela Polícia Federal, sem entrar em detalhes.
Outro ponto que deve ser explorado por Lula e Flávio é a chamada “estratégia Google”para tentar aumentar a rejeição do adversário. A ideia é que, ao longo do embate, os dois candidatos a presidente estimulem o eleitor a fazer buscas sobre episódios polêmicos ou indícios de irregularidades.
*Com informações de Gustavo Uribe e Tainá Falcão, da CNN Brasil
Na reta final do segundo turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltaram as atenções para um segmento específico do eleitorado: os brasileiros com mais de 70 anos. A analista de Política da CNN Larissa Rodrigues explica o tema ao Bastidores CNN.
Esse grupo representa cerca de 10% de todos os eleitores do país e, por não ser obrigado a comparecer às urnas, tornou-se alvo estratégico de ambos os lados.
Larissa Rodrigues explicou que o interesse por esse público cresceu de forma significativa nos últimos dias da campanha.
Segundo ela, neste ano já foi registrado um comparecimento maior desse eleitorado em relação ao verificado nas eleições de 2022, o que reforça a percepção de que sua participação pode ser decisiva.
Estratégias das campanhas para conquistar o eleitorado idoso
A campanha de Lula apostou em ações de mobilização direta. Em uma live realizada na véspera do debate, artistas com mais de 70 anos, como Marieta Severo e Ângela Leal, convocaram o público da mesma faixa etária a comparecer às urnas no dia da votação.
Além disso, propagandas no rádio e na televisão exploraram o argumento de que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, os aposentados poderiam enfrentar dificuldades.
Ciente dessa movimentação, a campanha de Flávio Bolsonaro também passou a reagir.
De acordo com Larissa Rodrigues, o tema deve ganhar destaque no debate, com Flávio buscando rebater as críticas ao mencionar o escândalo do INSS e afirmar que eventuais ajustes fiscais prometidos por sua campanha não implicariam cortes nas aposentadorias.
Integrantes da campanha também devem reforçar que o aumento da aposentadoria, vinculado ao reajuste do salário mínimo, não seria ameaçado por um eventual governo seu.
O peso do voto facultativo na disputa
O entendimento das duas campanhas é que, em uma eleição tão disputada, a adesão do eleitorado acima de 70 anos — que não é obrigado a votar, mas pode optar por fazê-lo — tem potencial para definir o resultado final.
A analista ressaltou que a movimentação em torno desse grupo foi especialmente intensa nos últimos dias, sobretudo por parte da campanha de Lula, o que levou a equipe de Flávio Bolsonaro a intensificar suas próprias ações voltadas a esse público.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
A equipe jurídica da campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entrou com duas novas ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta sexta-feira (23) e reforçou o pedido de cassação da chapa adversária de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB).
Uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) apresentada contra Lula e Alckmin aponta supostos abusos de poder político e econômico, uso de recursos públicos e manipulação das redes sociais em benefício da campanha petista. O Facebook também é citado no processo como terceiro juridicamente interessado.
Segundo a petição, páginas oficiais ligadas a Lula e ao PT teriam investido entre R$ 4,16 milhões e R$ 5,22 milhões em impulsionamento de conteúdo antes do início oficial da campanha.
Durante o período eleitoral, a campanha de Flávio diz ter identificado 6.606 anúncios classificados pelos autores da ação como propaganda negativa contra Flávio, com gastos estimados entre R$ 1,53 milhão e R$ 2,49 milhões e potencial de até 170,9 milhões de impressões.
A defesa de Flávio afirma que parte dos anúncios continuou circulando mesmo após decisões do TSE, em 11 e 13 de outubro.
O levantamento também identificou 53 páginas sem titular identificável, responsáveis por 4.625 anúncios pagos em reais, dólares e pesos colombianos. A ação pede que a Justiça Eleitoral investigue a origem dos recursos e os responsáveis pela contratação dos conteúdos.
Outro ponto da denúncia envolve o suposto uso de recursos da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República para direcionar usuários de páginas oficiais do governo ao perfil pessoal de Lula, posteriormente declarado à Justiça Eleitoral como canal oficial de sua candidatura.
Os advogados também questionam a atuação da rede digital associada ao deputado federal André Janones (Rede-MG), denominada “Exército do Lula”.
A nova petição pede medidas urgentes para interromper as práticas denunciadas, remover conteúdos considerados irregulares, preservar provas digitais e obter informações da plataforma. A defesa sustenta que os episódios devem ser analisados em conjunto, como parte de uma estratégia coordenada de distribuição de conteúdo eleitoral.
Outra Aije apresentada nesta sexta ao TSE contra Lula e Alckmin inclui ainda dois responsáveis pela programação da Rádio Nacional. A ação aponta suposto uso da estrutura de comunicação pública federal para favorecer a campanha petista e atacar o candidato do PL.
Segundo a petição da campanha de Flávio, foram identificados 36 trechos de programação com manifestações favoráveis a Lula ou críticas a Flávio, entre 20 de agosto e 15 de outubro. Desse total, 12 teriam exaltado o presidente e medidas do governo, enquanto outros 24 conteriam comentários depreciativos sobre o adversário.
A ação destaca como episódio mais grave uma edição do programa Alô Alô Brasil, em 20 de outubro, cinco dias antes do segundo turno. Na ocasião, o apresentador Agostinho Teixeira teria divulgado realizações do governo Lula, abordado o pagamento do Bolsa Família e reproduzido acusações contra Flávio.
Para os advogados de Flávio, parte dos temas apresentados coincidia com os utilizados na propaganda eleitoral do presidente.
Um dos pontos questionados é a abordagem do Bolsa Família durante o pagamento dos benefícios de outubro. Segundo a petição, o apresentador mencionou declarações atribuídas à equipe econômica de Flávio sobre o programa e fez alertas aos beneficiários.
A transmissão também teria incluído críticas ao candidato do PL sobre políticas ambientais, questionamentos relacionados à abertura de seus sigilos bancário e telefônico e alegações sobre possíveis cortes no orçamento federal.
A denúncia afirma que as manifestações não foram isoladas e reúne outros exemplos de comentários do apresentador ao longo da campanha, incluindo críticas a Flávio e a uma decisão da Justiça Eleitoral.
Por isso, além de Lula e Alckmin, a ação inclui a presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Antonia Pellegrino, e Agostinho Teixeira.
A defesa ressalta que a emissora é mantida com recursos públicos e pede a apuração da responsabilidade dos envolvidos por suposto abuso de poder político, uso indevido dos meios de comunicação social e condutas vedadas pela legislação eleitoral.
A representação pede a cassação do registro ou diploma da chapa Lula-Alckmin, a declaração de inelegibilidade dos responsáveis conforme a participação de cada um e a aplicação de multas.
Os advogados de Flávio também pedem medidas para impedir o suposto favorecimento eleitoral na programação pública até o segundo turno e a preservação das gravações da emissora.
De acordo com a campanha de Flávio, as relatorias de ambas as ações estão com o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) aumentou — e muito — a quantidade de dinheiro gasto com impulsionamentos nas redes da Meta nessa reta final das eleições. A Agência Pública apurou que na última terça-feira, dia 20 de outubro, a campanha do bolsonarista veiculou mais de meio milhão de reais com anúncios nessas plataformas.
Nessa última cartada, a campanha também está apostando em anúncios micro direcionados para os eleitores — chegando a fazer vídeos direcionados para bairros específicos de quem mora na cidade de São Paulo.
Nessa outra leva de anúncios, todos veiculados em sequência entre ontem, 22 de outubro e hoje, 23 de outubro, o apresentador diz, ao lado de Flávio Bolsonaro, para:
“Você que mora em Higienópolis, é com você que que eu quero falar hoje”.
“Você que mora no Brooklin, é com você que que eu quero falar hoje”.
“Você que mora no Grajaú, é com você que que eu quero falar hoje”.
Ao todo, a reportagem contou ao menos 26 vídeos, cada um direcionado a um morador de bairro diferente de São Paulo. Em apenas um deles, o direcionado a moradores de Higienópolis, a campanha pagou mais de R$ 150 mil para impulsionar o conteúdo. O bairro, um dos mais caros da capital paulista, foi palco de uma manifestação pró-Flavio no último final de semana.
Os vídeos têm indícios de terem sido alterados por Inteligência Artificial, visto que o apresentador fala todas essas apresentações realizando o mesmo movimento — o que indicaria o uso desse tipo de ferramenta. A reportagem, contudo, não encontrou nenhum alerta feito pela campanha de que houve esse tipo de interferência, o que é previsto pelas regras do TSE.
Além disso, há um outro problema. As regras eleitorais proíbem impulsionamento de material eleitoral usando imagens de pessoas públicas ou candidatos alteradas por IA das 17h de quinta-feira, dia 22 de outubro, até o pós votação.
Como explica Cynthia Picolo, Diretora executiva do Laboratório de Políticas Públicas e Internet – LAPIN, “o TSE proíbe, nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao término da votação, a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que usem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas, mesmo quando o uso de IA estiver devidamente identificado”. As regras podem ser consultadas aqui.
A reportagem teve acesso à veiculação dessa propaganda na noite de quinta, ou seja, depois do período. A biblioteca de anúncios da Meta também indica que a propaganda foi veiculada até hoje, dia 23.
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“O TSE permite determinados usos de IA na propaganda eleitoral. Desde que sejam respeitadas essas obrigações, essas restrições previstas nas próprias regulamentações do TSE. Já o deepfake na propaganda eleitoral é proibido, mesmo que haja identificação de conteúdo que foi gerado por IA. E essa decisão, inclusive, que proibiu o uso de deepfake é bem recente. O que a gente vê, de forma bem contraditória, é o uso massivo de conteúdo sintético, inclusive de imagem, voz, som”, complementa Picolo.
O TSE já havia se manifestado à Pública de que “não se manifesta sobre casos concretos, que podem vir a ser objeto de análise pela Justiça Eleitoral”.
Reportagem do Intercept mostrou que a campanha de Flávio pagou R$ 600 mil para a empresa Elytron, que tem sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições.
A reportagem procurou a assessoria do candidato para se posicionar. O espaço segue aberto. A assessoria do apresentador também foi procurada.
Flavio abre bolso para propagandas na Meta
O gasto recente de Flávio na Meta é surpreendente até para os padrões da própria campanha. Em comparação, quando se pega todo o período eleitoral, desde 4 de agosto, a Meta já veiculou R$ 8,5 milhões de anúncios da campanha do bolsonarista. Isso dá uma média de R$ 110 mil por dia. Nesta reta final, com o aumento dos gastos, a campanha do bolsonarista está pagando quase cinco vezes esse valor por dia.
Os dados sobre valores pagos para anúncios que a Meta divulga vão sendo atualizados diariamente. Eles são diferentes do que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresenta, que são atualizados de acordo com a prestação de contas de cada campanha. Esses dados também mostram um aumento de gastos recentes da campanha de Flávio. Apenas na última quarta-feira, dia 21 de outubro, foi informado ao TSE R$ 1 milhão gasto em impulsionamento de conteúdos nas redes da Meta. No dia anterior, a campanha do bolsonarista já havia declarado outro R$ 1 milhão.
O movimento de anúncios de Flávio é bem diferente da campanha de reeleição de Lula (PT). No total, o petista já veiculou ainda mais anúncios que Flávio na Meta, segundo os dados da plataforma, com R$ 13,4 milhões desde 4 de agosto. O movimento da campanha de Lula nesta reta final, contudo, é diferente, e tem gasto bem menos nos últimos dias.
No dia 20 de outubro, que é o último com dados disponíveis, a campanha de Lula veiculou cerca de um terço dos anúncios pagos pela de Flávio. Na última semana com dados disponibilizados, Lula gastou pouco mais da metade que o concorrente.
O aumento dos gastos da campanha de Flávio coincide com um período no qual a campanha de Lula tem conseguido mais engajamento nas redes sociais. Segundo o Estadão, Lula teve mais engajamento nas redes da Meta (Instagram, Facebook e Threads) durante todo o segundo turno, com três vezes mais que o concorrente bolsonarista. A situação é o inverso do primeiro turno.
Relatório do NetLab UFRJ levantou indícios de que os custos para alcançar eleitores na Meta variam entre concorrentes. A pesquisa estimou que PT pode estar pagando de 33% a 43% a mais para alcançar o mesmo número de pessoas que o PL.
Os públicos das duas campanhas também são diferentes. Enquanto Lula mira mais jovens, sendo que a maior faixa do público é a dos 30 anos, Flávio mira mais velhos — os 60+ são o maior público em porcentagem.
A campanha de Lula também mira mais as mulheres que a de Flávio. Enquanto o petista gastou um terço dos anúncios apenas para o público feminino, Flávio segmentou cerca de 9% dos anúncios para essa audiência.
Após a publicação, a assessoria da Elytron procurou a reportagem e afirmou que a empresa não está relacionada “à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”. Segundo a assessoria, “a empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro.”. Leia a resposta completa aqui.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibem nesta sexta-feira (23) os últimos programas de campanha na rede nacional de televisão. Com o apoio de artistas, ambos apostaram no futuro, além de realizar uma retrospectiva da campanha, com imagens dos atos de rua dos dois lados.
Em sua propaganda, Flávio apostou em símbolos reforçados pela sua corrente política, como o hino nacional e a fé. Em outro momento, inserções mostravam o apoio de cantores do cenário sertanejo, como Marrone, Zezé di Camargo, Rodolfo, Jorge e Gusttavo Lima.
Já Lula fez um agradecimento ao apoio recebido nas ruas e nas redes, que ganharam força no segundo turno. No vídeo também apareceu um mosaico com apoiadores e artistas com a camiseta do Brasil, como Maria Bethânia, Chico Buarque, Camila Pitanga e Matheus Nachtergaele.
Flávio também fez uma reflexão do período de campanhas de rua, com imagens desses momentos e mencionando que “que nunca mais vai ser o mesmo”. Ele ainda incentivou o apoiador a “levar gente para votar” e que “ninguém pode saber em quem você votou”.
“Vocês me fizeram um novo Flávio, que hoje vocês conhecem mais e que conhece muito mais vocês. […] Obrigado por tudo, por tudo mesmo. Obrigado por todos esses momentos, e agora é hora de força total. Fala com todo mundo, chama sua família, seus amigos, peça voto, leve gente pra votar”, disse.
A propaganda do senador também fez críticas ao atual governo, ressaltando temas de endividamento e poder de compra. Ao falar da gestão de Lula, Flávio falou que o eleitor terá que escolher “se está na hora de mudar ou continuar nesse velho sistema que ninguém aguenta mais”.
“Você vai escolher se vai continuar vivendo nesse Brasil, que só piorou, com todo mundo endividado, carrinho de compra vazio. Ou se vai viver num país melhor, que você vai prosperar”, completou o candidato do PL.
Já Lula afirmou que o país está melhor, mas admitiu que ainda há avanços a fazer. O atual presidente relembrou de momentos de sua trajetória política, mas afirmou que o foco não está nesse passado e, sim, no capítulo “que vamos escrever daqui pra frente”.
“Ainda temos muito a avançar, mas o Brasil de hoje é melhor do que o Brasil que encontrei. Eu acredito no futuro desse país. […] Até lá a gente tem que continuar nas ruas, tem que estar nas redes, conversando com as pessoas. O melhor do Brasil ainda está pela frente”, disse.
Além disso, Lula também fez acusações ao senador, como os posicionamentos do político sobre licença-maternidade no Rio de Janeiro, o caso Ana Clara, além das suspeitas com o Banco Master e o imbróglio com Richarlison, com um vídeo do jogador sendo exibido na propaganda.
Nos últimos momentos do programa, foi exibida uma mensagem do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) falando de uma “direita e esquerda” contra o bolsonarismo e pedindo votos, com uma manifestação da apresentadora Fátima Bernardes na sequência.
“O Brasil não precisa de radicalismos. Pessoas de esquerda e de direita perceberam que é hora de união contra um risco maior. A volta do bolsonarismo”, disse o vice-presidente.
Na última semana, o número de seções de votação alteradas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) entre o primeiro e o segundo turno mudou drasticamente. No dia 17 de outubro, eram 4352 alterações de seção eleitoral. No dia 19, o número caiu para 2033 seções alteradas. No dia 20, um levantamento feito pela Agência Pública contou 453 alterações em 22 estados.
Nesta quinta-feira, 22, às 11h27, eram 300 as seções alteradas e, às 15h25, passaram a 314 as modificações. Sim, as mudanças podem ocorrer de 4 em 4 horas e são anunciadas, em turnos, no sistema de informações eleitorais do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Pública comparou nos últimos dois dias, as seções de votação cuja alteração estava prevista na tabela do TSE no dia 20 de outubro, com o número de votos obtidos, nessas urnas, pelos dois candidatos que avançaram para o segundo turno da eleição presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Nas 453 seções cuja alteração estava prevista, Lula venceu em 249, Bolsonaro em 202 e em duas houve empate. Em números absolutos, o presidente Lula recebeu 51.890 votos nessas seções e o adversário, 43.282. A abstenção foi semelhante à apurada nacionalmente, que chegou a 21,08%: 29.311 eleitores deixaram de comparecer às urnas (21,59% do total).
As 453 seções, juntas, têm apenas 135.742 eleitores, 0,08% do total. Pouco diante dos 158,7 milhões de eleitores do país, mas pode ser muito em um cenário em que os dois candidatos estão em empate técnico na maior parte das pesquisas eleitorais.
Na nota mais recente no site do TSE sobre o assunto, publicada na quinta-feira, a corte se exime do problema e diz que exigiu dos TREs o preenchimento de um formulário para informar as mudanças e que o TSE “não solicita” as alterações, definidas pelos TREs em virtude de questões climáticas, problemas na estrutura dos prédios e para garantir a segurança de eleitoras e eleitores.
No início desta semana, o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais divulgou um comunicado em que se comprometeu a manter o eleitorado informado sobre os locais de votação do 2º turno das Eleições 2026.
De acordo com os dados da quinta-feira, 22 de outubro, , divulgados às 15h45, o TRE de Minas Gerais liderava as alterações, com 50 seções modificadas de local em diferentes partes do Estado (eram 119 no dia 20). Em segundo, estava o Pará, com 32, e em terceiro o Piauí, com 29 mudanças. O número de estados afetados caiu de 22 para 20 nos últimos dois dias.
São Paulo é o quarto estado com mais mudanças. Na última terça-feira, dia 20, eram 31 seções alteradas. Na pesquisa de quinta-feira à tarde, 22, eram 27 alterações, entretanto, três seções tinham sido trocadas. Elas estavam localizadas na EMEI Lourdes Heredia, e passaram para a CEI Indir Jabaquara, ambas localizadas na região do Jabaquara, na capital paulista.
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Más condições de escola e problema climático
Uma das principais mudanças em São Paulo foi a substituição da Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa pelo Recanto Nossa Senhora de Lourdes, no Horto Florestal, com 12 seções no endereço. Em entrevista à CBN, alunos da escola contaram que o espaço alaga completamente em caso de chuva, o que pode danificar as urnas eletrônicas.
Na cidade de Confresa, no Mato Grosso, por exemplo, fortes chuvas e ventos danificaram a cobertura de uma escola utilizada como local de votação. Após uma avaliação técnica, o imóvel foi interditado preventivamente, e as oito seções eleitorais que funcionavam no local precisaram ser transferidas.
Em Santa Catarina, circulou a informação que 65 locais de votação foram alterados. As mudanças ocorreram antes do primeiro turno devido a questões emergenciais, como problemas de estrutura e clima. A informação continuou circulando e, para o segundo turno, o TRE local teve que esclarecer que as mudanças do primeiro turno estavam mantidas para o segundo.
Como saber se o local de votação mudou?
Para checar se o seu local de votação mudou, o TSE recomenda duas opções: consulta no aplicativo e-Título ou no menu Autoatendimento Eleitoral do Portal do TSE, na aba onde votar. Segundo o TSE, as alterações realizadas pelos TREs têm reflexo imediato nesses canais oficiais.
Caso opte pelo autoatendimento eleitoral, você precisará estar com o título de eleitor nas mãos ou o CPF. O sistema pede ainda a data de nascimento e o nome da mãe, que deve ser inserido completo, conforme consta no título.
Para descobrir as últimas atualizações sobre seções de votação alteradas, acesse o sistema: https://sig.tse.jus.br/, em seguida clique em Estatísticas da eleição > Eleitorado da eleição > Capilaridade > Seções alteradas.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou a remoção de uma publicação do canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, gerida pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que reúne cerca de 2,1 milhão de seguidores.
Bellizze considerou que houve uso de inteligência artificial sem o aviso exigido pela legislação, além da divulgação de informações descontextualizadas. A decisão, liminar, atendeu em parte a um pedido da coligação do presidente Lula (PT).
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A publicação, feita em 14 de outubro, era um vídeo de 1min17s e já foi retirada pelo canal. O vídeo mostrava um homem com a aparência de Lula de costas, diante de uma bandeira do Brasil tomada por fumaça vermelha, correntes e destroços.
Na sequência, a gravação apresenta dados sem fonte, como o de que 83% da população estaria endividada, 53% não saberia como colocar comida na mesa e mais de 5 milhões de empresas teriam quebrado em três anos.
Segundo a coligação do petista, a imagem de abertura foi criada por IA para criticar Lula, sem informar que o conteúdo era feito por inteligência artificial.
Em análise preliminar, o ministro afirmou haver plausibilidade na alegação de uso de conteúdo sintético sem identificação. Disse ainda que o vídeo tem caráter ofensivo e veicula desinformação. Apontou risco de dano pela circulação na reta final do segundo turno e mandou a campanha de Flávio tirar a peça do ar.
The Superior Electoral Court enforces free public transport mandates and monitors vote access nationwide.
The Brazilian presidential campaign has entered its final stage ahead of the runoff vote scheduled for October 25, 2026. Incumbent President Luiz Inácio Lula da Silva faces Senator Flávio Bolsonaro, a candidate for the Liberal Party (PL), after a competitive first-round election on October 4, 2026.
The general election results established a narrow margin between the top two candidates. In the first round of voting, Senator Flávio Bolsonaro finished first, securing 47.03 percent of valid votes, or 56,103,033 ballots. Incumbent President Lula da Silva finished second, receiving 45.16 percent, or 53,870,724 ballots.
Turnout remained consistent with historical participation figures, reaching approximately 79 percent of registered voters. Lula maintained a structural lead throughout the Northeast region, winning majorities in key states such as Bahia, Pernambuco, and Ceará.
Economic indicators and social policy debates formed the primary foundation for candidate speeches throughout the first round. In campaign speeches, President Lula highlighted the accomplishments of his current administration, citing expanding employment rates, social assistance programs, and inflation control measures implemented since 2023.
Flávio Bolsonaro focused his campaign speeches on public security concerns, national debt levels, and economic challenges, presenting his platform as a continuation of conservative governance under his father, former President Jair Bolsonaro, who remains legally barred from holding office.
Street Mobilization and Electoral Propaganda Networks
Campaign operations shifted toward intensive physical rallies and structured broadcast messaging during the runoff period. The Workers’ Party (PT) and its broader political coalition centered their ground mobilization around major urban centers and traditional working-class strongholds.
Popular social movements, including the Landless Workers Movement (MST) and the Homeless Workers Movement (MTST), along with trade union confederations such as the Unified Workers’ Central (CUT), coordinated door-to-door canvassing operations and public rallies in major metropolitan areas including São Paulo, Rio de Janeiro, and Salvador.
Flávio Bolsonaro’s ground strategy relied heavily on state-level executive endorsements and conservative municipal networks. Key allies, including re-elected conservative governors from São Paulo, Minas Gerais, and Rio de Janeiro, organized regional logistics to boost conservative voter turnout.
Flávio Bolsonaro’s campaign speeches during street rallies emphasized hardline public security measures, moral issues, and support for the agribusiness sector, utilizing alliances with conservative caucus members in Congress to secure local political support.
Broadcast media exposure operated under the free electoral advertising time framework regulated by the Superior Electoral Court. The regulations ensured equal daily broadcast time across television and radio networks for both finalists during the runoff window.
Parallel to traditional broadcast propaganda, digital media networks expanded rapidly. Both campaign organizations directed significant funding toward micro-targeted online advertising and social media distribution channels to capture voters outside traditional media formats.
Digital outreach strategies diverged between the two operational teams. Lula’s digital apparatus utilized organized volunteer networks, endorsements from cultural figures, and policy fact sheets distributed through verified messaging channels.
The Flávio Bolsonaro campaign relied on decentralized messaging channels, emphasizing direct-to-voter video distribution, security rhetoric, and critiques of government institutions.
WHO'S THE REAL THIEF? LULA CHALLENGES BOLSONARO TO SHOW RECORDS
Ahead of Brazil’s presidential election, Brazilian President Lula da Silva publicly challenged rival Flávio Bolsonaro to open his bank accounts, release his phone records, and let the Brazilian people decide who… pic.twitter.com/U6Ge0yOV6A
The Superior Electoral Court (TSE) established strict administrative parameters to govern political content across major social networks, focusing heavily on Meta’s platforms, Facebook, Instagram, and WhatsApp.
Electoral judicial resolutions prohibited paid digital political advertising in the final 48 hours leading up to the October 25 vote, restricted automated messaging software, and required tech platforms to execute judicial content removal mandates within expedited timeframes.
Monitoring reports submitted to electoral authorities by digital rights watchdogs and research institutes identified recurring patterns in content dissemination across Meta’s channels.
Independent audits logged instances of dark ads, unverified allegations targeting electoral integrity, and micro-targeted digital campaigns deployed in private messaging groups.
Meta adjusted its content moderation operations in Brazil to comply with TSE directives, expanding its ad library transparency protocols and updating content review procedures.
The company reported the removal of non-compliant posts and the deactivation of unauthorized bulk-messaging networks. Despite these technical platform adjustments, electoral oversight bodies noted that closed messaging networks remained a primary vector for unverified political narratives due to end-to-end encryption limitations.
Broad Coalitions, Strategic Endorsements, and Voter Demographics
The transition from the October 4 first round to the October 25 runoff required both campaigns to expand beyond their primary ideological bases.
President Lula da Silva maintained a broad front coalition uniting left-wing parties with center-right political figures. Vice President Geraldo Alckmin returned as Lula’s running mate, reinforcing ties with business sectors and moderate electors, while key cabinet figures and allied governors led outreach campaign efforts aimed at consolidating anti-far-right voter segments.
Senator Flávio Bolsonaro expanded his campaign footprint by consolidating conservative regional power structures and legislative blocks. Selecting PL lawmaker Alfredo Gaspar as his vice-presidential running mate, a former prosecutor and public security secretary from Alagoas, Flávio Bolsonaro sought to bolster his law-and-order platform while solidifying backing among conservative lawmakers in Congress.
Flávio’s runoff effort secured endorsement commitments from conservative state governors, agribusiness associations, and international right-wing figures, reinforcing his position across traditional conservative strongholds.
Incumbent President Lula retained consistent lead margins among female voters, lower-income households earning up to two minimum wages, residents in the Northeast region, and older age demographics.
Conversely, Flávio Bolsonaro maintained stronger support metrics among male voters, higher-income earners, Evangelical Christian voters, and electors situated in the agribusiness-heavy South, Southeast, and Center-West regions.
Both campaign organizations directed their final operational focus toward undecided voters and middle-income suburban districts in the key battleground states of Minas Gerais, Rio de Janeiro, and São Paulo.
Debate Performances, Fact-Checking, and Media Coverage
The televised presidential debates between incumbent President Lula da Silva and Senator Flávio Bolsonaro emerged as decisive turning points during the three-week runoff window. Major media coalitions organized direct face-to-face encounters, allowing the candidates to present competing vision frameworks for Brazil’s governance.
During the live broadcast exchanges, President Lula focused his arguments on economic stability, job creation, and social progress achieved during his term, emphasizing the expansion of public investments, inflation control, and environmental protection initiatives.
Lula confronted Flávio Bolsonaro on fiscal proposals, judicial integrity, and the anti-democratic precedents associated with the far-right movement.
In response, Flávio Bolsonaro framed his candidacy around conservative public security policies, government austerity, and tax reforms. Flávio heavily criticized the economic administration’s public debt metrics and targeted the federal judiciary, presenting his campaign as a necessary alternative to political continuity.
Mainstream media coverage focused heavily on candidate posture, tone, and strategic attempts to appeal to the estimated 10 percent of undecided voters heading into the final days of the race.
Brazil’s top electoral court has said it will fine Meta $200,000 a day until it can prove that president Luiz Inácio Lula da Silva and his far-right challenger Flávio Bolsonaro get equal treatment on its platforms.
Election Day Execution, Institutional Resilience, and Regional Impact
Supervised directly by the Superior Electoral Court (TSE), voting logistics across all 26 states and the Federal District rely on fully digitized electronic voting machines (urnas eletrônicas) to ensure rapid processing and secure transmission of total ballots.
To facilitate maximum democratic access, federal judicial rulings mandated free public transportation (passe livre) across capital cities, while electoral inspectors monitored security forces to prevent voter transportation disruptions or targeted law enforcement checkpoints.
Following the October 4 first round, where Flávio Bolsonaro led with 47.03 percent (56,104,503 votes) against Lula’s 45.16 percent (53,879,538 votes), both organizations focused their final operational pushes on key battleground states like Minas Gerais, Rio de Janeiro, and São Paulo.
The outcome of the October 25 vote carries far-reaching geopolitical implications across Latin America and the broader global stage. A victory for President Lula would ensure the continuation of active multilateral diplomacy, regional integration through BRICS and CELAC, and strong federal commitments to Amazonian environmental conservation.
Conversely, a victory for Flávio Bolsonaro would mark a significant resurgence for the continental far-right, shifting Brazil’s diplomatic alignment toward conservative international blocs and introducing sweeping changes to domestic fiscal and environmental policy frameworks.
Sources: Brasil de Fato – Agência Brasil – Gov.br – O Globo – Folha de S.Paulo – O Estado de S.Paulo – El País – CNN Brasil – EFE – Instituto Tricontinental – La Base América Latina – Diario Re
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal Exército do Lula não poderá ser suspenso ou restringido novamente pela Corte. Segundo o ministro, somente o plenário pode decidir sobre eventual suspensão do canal.
"A partir do momento em que afetada a matéria ao colegiado, toda e qualquer decisão monocrática sobre o mesmo tema, notadamente às de natureza administrativa, padece de grave e incontornável vício de competência", completou Floriano.
O ministro tomou a medida após a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um mandado de segurança preventivo ao TSE.
Ontem (22), o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, atendeu ao pedido feito pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou um pente-fino nas publicações do canal, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O canal tem quase 9,6 milhões de inscritos.
Floriano de Azevedo Marques explicou na decisão que a intenção de Flávio é suspender as atividades do canal, embora o pedido não seja expresso na petição em que solicitou o pente-fino.
Segundo o ministro, o presidente do TSE não pode determinar a eventual suspensão do canal ao analisar administrativamente se o acordo de integridade do processo eleitoral está sendo cumprido. As regras foram assinadas pelas plataformas que operam as redes sociais.
"Não há espaço interpretativo para que a atuação administrativa de fiscalização do plano de conformidade resulte em sanções diretas a candidatos, partidos e coligação – e muito menos a pessoas naturais não participantes do pleito", afirmou.
Reunião com representantes da Meta
Mais cedo, em nota enviada via lista de transmissão no próprio WhatsApp, o TSE negou ter ordenado a retirada do ar de canais de transmissão no aplicativo de mensagens WhatsApp. O texto foi divulgado após o deputado André Janones ter alertado sobre a possível suspensão iminente do canal Exército do Lula.
O deputado enviou um vídeo pelo canal alertando ter informações de que o mesmo poderia ser retirado do ar pelo TSE após a Corte receber da empresa Meta, dona do WhatsApp, um relatório esmiuçando a atividade do Exército do Lula. A suspeita veio à tona após Kassio Nunes Marques ter dado 24 horas para a Meta apresentar um relatório técnico sobre o funcionamento do canal.
“O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidas”, disse o tribunal.
Presidente do TSE, Nunes Marques, durante audiência com representantes da Meta - Foto: Luiz Roberto/TSE
A nota foi divulgada após a cúpula do TSE, junto com os ministros responsáveis por julgar casos de propaganda eleitoral, ter se reunido, na manhã desta sexta, com representantes da Meta e de redes sociais como TikTok e Kwai.
Durante a reunião, Nunes Marques pediu que as plataformas garantam o tratamento isonômico para as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. O TSE também requereu que as plataformas reforcem suas equipes na reta final da campanha e assegurem o cumprimento da legislação eleitoral.
Entenda o caso
O encontro ocorre em meio ao embate entre as campanhas presidenciais. De um lado, a campanha de Lula acusa a Meta de tratamento desigual em redes como o Instagram, apontando para o que seria o maior alcance de publicações favoráveis ao campo adversário.
A campanha de Flávio, por sua vez, reclamou ao TSE sobre o que diz serem ações coordenadas no Exército do Lula para manipular buscas no Google e impulsionar publicações nas redes sociais de forma artificial.
No dia 11 de outubro, Kassio Nunes Marques, também atendendo à campanha de Flávio, mandou suspender o canal, sob o argumento de que houve replicação de conteúdos que já foram "considerados inverídicos” pelo tribunal, como postagens que indicaram que
o candidato do PL seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.
Em seguida, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubou a decisão de Kassio e disse que a liminar foi protocolada na presidência do TSE 41 minutos após sua decisão que rejeitou a suspensão do canal.
Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que, mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones, teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.
Advierten sobre las amenazas que representa el proyecto de la extrema derecha y llamaron a la ciudadanía a acudir a las urnas el próximo 25 de octubre para votar en contra de su propuesta política.
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O mais bonito foi ver as manifestações nas ruas, algumas com centenas de milhares de pessoas, como a que tomou doze quarteirões da Av. Paulista e coloriu Copacabana de ponta a ponta. Foi a nossa vez de vestir o verde amarelo (com ou sem estrelinhas) e sair em defesa do nosso país, ameaçado por uma extrema direita com uma tentativa golpista no currículo e agora fortalecida pelo apoio subalterno dos Bolsonaro aos planos expansionistas de Donald Trump.
A presença maciça da juventude — da UNE aos fandoms — nos atos que se repetiram em pelo menos 80 cidades brasileiras nesse 2º turno, trouxe um sopro de renovação política quase inesperado em uma campanha pelo quarto mandato de um presidente de 80 anos de idade. Energia que se transformou em eficiência inédita da centro-esquerda nas redes sociais, apesar das evidências concretas de jogo sujo por parte das Big Techs e do TSE de Nunes Marques e André Mendonça para prejudicar a campanha de Lula.
Isso sem falar no episódio lamentável do governo Tarcísio de Freitas, com a PM repetindo um artifício usado na véspera do 2º turno da primeira eleição presidencial direta depois da ditadura — se em 1989, vestiu os sequestradores de Abílio Diniz com as camisetas do PT para exibir para a imprensa dias antes do pleito; agora faz o mesmo com suspeitos de tráfico de drogas detidos e fotografados ostentando camisetas novas com dizeres da campanha de Lula e a sigla da associação dos professores.
Mas, ao contrário das milícias digitais da extrema direita, a campanha da centro-esquerda nas redes, privilegiou a empatia – foram muitos os posts autocríticos sobre a arrogância ou falta de compreensão na comunicação com a direita – e se apoiou em fatos reais para apontar o risco da candidatura de extrema direita à soberania, à democracia, aos direitos constitucionais e às conquistas sociais, a mais recente delas, o fim da jornada 6×1. Tanto que o “dá um google” se tornou argumento para a campanha de Lula.
Mas essas pautas passaram longe ou foram deturpadas em manchetes de jornais e escaladas da TV durante todo o 1º turno, quando as empresas jornalísticas se ocuparam de vazamentos seletivos de processos que estavam com o ministro André Mendonça, engajado na campanha de Flávio, e de críticas ao governo Lula até em relação a medidas de óbvio interesse público, como a proibição das bets (essa prejudicial aos seus negócios).
Enquanto isso, o jornalismo independente se unia na investigação da interferência de Trump e das Big Techs promovida pelo lobby bolsonarista, dissecava as relações movidas a dinheiro e favores de Flávio e seu entorno político com Daniel Vorcaro, revelava o impacto da influência nefasta de Flávio nos hospitais federais do Rio durante a pandemia, apontava bens, favores e recursos sem origem clara e alertava para o risco de eleger envolvidos com a recente tentativa de golpe, agora impulsionados pelo “amigo” americano.
Piauí, Intercept, ICL, Repórter Brasil e tantos outros veículos independentes, como a própria Agência Pública, produziram conteúdos decisivos para entender o que realmente está em jogo nestas eleições. Iniciativas como o Revelando, uniram artistas e jornalistas e deram sentido aos fatos levantados pelos jornalistas, e denúncias embasadas foram transformadas em munição por líderes digitais para desnudar a real personagem por trás da fala escorregadia de Flávio Bolsonaro. Celebridades, influencers, personalidades de todos os campos do conhecimento se uniram ao movimento contra a extrema direita, engrossando o caldo anti-fascista e resgatando nossa identidade política e cultural.
Se as empresas de jornalismo perderam o rumo na tentativa de equiparar bananas com donuts, os eleitores engajados e informados pela imprensa independente fizeram questão de mostrar as diferenças fundamentais entre os candidatos. Do Dark Horse às regalias de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, dos lucros astronômicos do escritório de advocacia de Flávio enquanto ele exercia o mandato como senador às ligações perigosas com o advogado Willer Tomaz, jogos online e com o careca do INSS.
Revelações de arrepiar até quem toma Flávio pelo valor de face, como homem de família e evangélico, caso de mulheres e religiosos conservadores. O que estarão dizendo agora diante da mais recente revelação da Piauí, que coloca Flávio em uma lancha no lago Paranoá em um churrasco com garotas de programa e lobistas de farmacêuticas indianas em plena pandemia? Aposto que Michelle tem usado muito o WhatsApp.
Também vieram notícias de balançar os corações endurecidos de medo que acreditam na extrema direita de Flávio para combater o crime. Logo ele, o homem das milícias — a ponto de enviar uma emenda parlamentar para um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco —, além das relações perigosas de seus aliados políticos com o CV e o PCC.
Sem falar no caso da menina Ana Clara, assassinada há 6 anos por um PM, que se mantém livre até hoje pela atuação de Flávio como advogado. Quem pode acreditar no candidato diante da falta de compaixão com o sofrimento da família da criança?
Medos e anseios compreendidos principalmente pela juventude na campanha de Lula e explicados com clareza notável se converteram nas redes em defesa firme da democracia, da liberdade, do ensino público, do SUS, do Bolsa Família, do reajuste do salário mínimo, dos direitos indígenas, das mulheres, da Amazônia e do futuro das novas gerações, com apoio das informações trazidas pelo jornalismo que não se deixou cegar pela “imparcialidade”.
E a sociedade agora pressiona a própria imprensa, caso da exigência de checagem no debate da Globo, que acabou sendo aceita a contragosto pela emissora (vamos ver como vai ser porque também há pegadinhas nesse caminho; a Lupa, Aos Fatos e o ICL, entre outros, também farão checagem).
Como tantos vêm dizendo e não posso deixar de falar, descobrimos em nós mesmos uma energia e uma inteligência para resistir que será importante se Lula vencer, e crucial se uma derrota nos colocar na mira da extrema direita e dos Estados Unidos. Por enquanto celebro a beleza da união entre jornalismo a serviço do interesse público e a população que valoriza o diálogo e as conquistas sociais, frutos de uma história tão sofrida que não pode ser esquecida. Boa votação no domingo!
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de análises na esquerda brasileira. Com Flávio Bolsonaro à frente de Lula na votação, muitos comentaristas voltaram a procurar explicações no comportamento dos evangélicos, no conservadorismo moral e na influência das lideranças religiosas. Esses fatores têm importância, mas não explicam tudo. Uma parcela significativa do eleitorado demonstra insatisfação com prioridades culturais da esquerda e, sobretudo, com a percepção de que o Estado perdeu capacidade de garantir segurança à população.
A segurança pública ocupa posição central nesse debate. Segundo levantamento Nexus/BTG divulgado em julho de 2026, 30% dos entrevistados identificaram violência, criminalidade ou segurança pública como o principal problema do país. A preocupação é especialmente relevante entre eleitores que apoiam Flávio Bolsonaro, para os quais o combate ao crime constitui uma das principais expectativas em relação ao próximo governo.
A situação do Rio de Janeiro ilustra a dimensão concreta desse problema. Um estudo do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e do Instituto Fogo Cruzado estimou que, em 2024, aproximadamente quatro milhões de pessoas na Região Metropolitana viviam sob controle ou influência de grupos armados. Isso correspondia a 34,9% da população da região. Facções criminosas e milícias exercem formas de poder territorial que afetam a circulação, as atividades econômicas e a vida cotidiana dos moradores. Algumas estimativas apontam que entre 60% e 70% do território do Rio de Janeiro é atualmente controlado pelo crime organizado.
Nesse contexto, discursos que enfatizam direitos sociais, soberania nacional e política externa podem perder força eleitoral quando não oferecem respostas convincentes à insegurança cotidiana. Lula tem defendido o enfrentamento do crime organizado por meio da integração das forças de segurança, da investigação financeira e da retomada de territórios. E isso só está acontecendo agora, após quatro anos de absoluta negligência na questão de segurança, com o crime organizado alcançando recordes históricos de expansão territorial.
Flávio, por sua vez, aposta em uma abordagem mais punitiva, incluindo o enquadramento de facções como organizações narcoterroristas. A disputa envolve diferentes concepções de segurança, mas também a capacidade de cada candidato de transmitir determinação diante do problema. Se considerar estes grupos terroristas ajuda ou não no combate ao crime é uma longa discussão, mas sem dúvidas a mera classificação com terroristas já agrada uma parcela substancial da população que vive sob o (verdadeiro) terror desses criminosos.
Existe ainda uma dimensão cultural que a esquerda frequentemente subestima. Parte do eleitorado rejeita o vocabulário político associado à agenda woke e interpreta determinadas iniciativas progressistas como tentativas de impor novas normas de comportamento. A decisão draconiana do Supremo Tribunal Federal reconhecendo “transfobia” como “crime equiparável ao racismo” tem gerado, naturalmente, reações extremamente negativas. Afinal, parece absolutamente normal que milhões de brasileiros rejeitem uma decisão que literalmente pode colocar na cadeia (e já está colocando) por até cinco anos pessoas que erram pronome de tratamento durante comunicação com indivíduos trans.
O descontentamento cultural é muitas vezes irresponsavelmente ignorado nas análises políticas. Muitos analises insistem em ver os eleitores como máquinas em busca do benefício material constante, dispostas a sacrificar seus valores imateriais em troca de migalhas assistencialistas – que é tudo que até agora o governo PT conseguiu dar ao povo brasileiro. Mas essa análise é equivocada. Para muitos brasileiros, questões relacionadas à educação dos filhos, à religião e aos limites da intervenção estatal fazem parte de suas prioridades políticas. Esses eleitores obviamente tendem a votar na oposição num cenário nacional onde hospitais estatais universitários – com apoio do establishment esquerdista – promovem bloqueio hormonal e outras formas de “intervenções não-cirúrgicas” em “crianças trans”.
Para desespero dos analistas acadêmicos desconectados da realidade nacional, a política externa ocupa um espaço limitado na experiência diária da maioria da população. As relações com os Estados Unidos, a atuação brasileira nos BRICS e a posição diplomática sobre a Palestina são temas relevantes, mas dificilmente substituem preocupações imediatas como violência urbana e pautas culturais.
A votação de Flávio Bolsonaro deve ser compreendida a partir dessa combinação de fatores, sem atribuir a milhões de eleitores uma motivação única. Segurança pública, valores tradicionais, insatisfação com o governo e rejeição a determinadas pautas progressistas podem convergir em um mesmo voto. Se a esquerda quiser melhorar sua popularidade, o caminho correto é através da revisão de seus erros, não da invenção de falsos motivos para o crescimento da direita.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu prazo de 24 horas para que a empresa Meta – responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp – e a rede social X revelem detalhes sobre a remoção de publicações e a forma como distribuem conteúdos de cunho político a seus usuários.
Cueva é relator de um processo aberto pela campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, que alega haver um favorecimento nas plataformas de conteúdos ligados ao candidato Flávio Bolsonaro, adversário no segundo turno da corrida presidencial.
Para ilustrar o tratamento desigual, a campanha de Lula citou a remoção de um vídeo do projeto Revelando apresentado pelo artista MC Cabelinho, que contém críticas a Flávio e foi retirado da rede social Instagram na quinta-feira (22), pouco depois de ser lançado, sob alegação de uso excessivo de Inteligência Artificial.
Para o corregedor eleitoral, diante da proximidade da votação no domingo (25), o episódio “justifica a adoção de providências destinadas a esclarecer os fundamentos da remoção e a assegurar sua pronta reavaliação".
O ministro, contudo, ressalvou que os elementos apresentados até o momento não permitem concluir que o vídeo recebeu “tratamento diferenciado em razão de sua orientação político- eleitoral". Ele determinou à Meta que submeta o material à revisão humana.
Outra alegação da campanha lulista é que anúncios pagos pelas campanhas oficiais estariam tendo alcance distinto nas redes sociais, com menor distribuição de conteúdos ligados a Lula. A campanha lulista aponta ainda um alcance desproporcional entre conteúdos, com favorecimento a conteúdos do campo adversário.
A defesa de Lula reclama também de tratamento desigual pela ferramenta de IA Grok, que funciona embutida no X, que apresentaria comportamento distinto quando confrontada com questionamentos semelhantes a respeito das duas candidaturas.
Em informações apresentadas ao presidente do TSE, ministro Munes Marques, nesta semana, a Meta negou tratamento diferenciado entre as campanhas e afirmou respeitar todas as regras da Justiça Eleitoral.
Nesta sexta (23), Nunes Marques deve realizar uma última reunião com representantes das principais redes sociais - como Instagram, Facebook, TikTok e Kwai - antes do segundo turno.
Mas, para Joseph Stiglitz, vencedor do Prémio Nobel de Economia de 2001, a alegria é prematura.
Para o economista, uma vitória de Flávio apresentaria sérios riscos para a economia brasileira. Antes do primeiro turno, Stiglitz havia assinado, junto de figuras como Thomas Piketty, Chico Buarque, Raí e outros intelectuais, um texto de opinião no jornal francês “Le Monde” que afirma que o candidato do PL é uma ameaça à democracia.
Em entrevista à Folha na semana seguinte ao pleito, o ex-economista-chefe do Banco Mundial alertou para os riscos económicos que o plano de Flávio representa. Para ele, o projeto “levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza”.
Stiglitz, que hoje é professor de administração e negócios na Universidade Columbia, em Nova York, é crítico da ideia de que mercados devem ser desregulamentados. Ele foi vencedor do Nobel de Economia em 2001 —ao lado de George Akerlof e Michael Spence— com trabalhos que desafiavam frontalmente essa ideia.
O prémio veio na esteira do período que Stiglitz passou como economista-chefe do Banco Mundial, de 1997 a 2000. Antes disso, chefiou de 1995 a 1997 a equipe de economistas do governo Bill Clinton (1993-2001).
Stiglitz defende que, para o Brasil, uma eventual austeridade fiscal em um governo Flávio resultaria na redução do PIB (Produto Interno Bruto). Dessa forma, o país se tornaria menos atraente para investimentos, causando o efeito contrário ao que animou o mercado financeiro depois do primeiro turno.
Professor, no manifesto publicado no [jornal francês] Le Monde, o senhor e os demais signatários falam sobre os perigos da possível eleição de Flávio Bolsonaro. Que riscos são esses?
Há as questões políticas, que, na minha opinião, não devem ser subestimadas: o enfraquecimento da democracia.
Mas as consequências econó micas também são bastante claras. Ele não especificou em detalhes o que pretende fazer, mas propôs promover austeridade fiscal por meio de cortes de gastos e reduções de impostos para os muito ricos, o que agravará ainda mais a desigualdade.
Ele fala em reduzir o papel do governo, em privatização. Isso levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público —que é importante para o crescimento de longo prazo— e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza, questões que há muito tempo estão no centro dos problemas do Brasil.
O programa económico de Flávio Bolsonaro é um pouco vago. Como vê as propostas que estão colocadas por ele hoje? Há um risco institucional advindo desse aprofundamento da desigualdade?
Se se cortar impostos e despesas simultaneamente, isso reduzirá o PIB. Mas, se cortar impostos e reduzir ainda mais as despesas, isso será realmente contracionista. Portanto, o PIB do Brasil cairá. Bem, quem sofrerá? Obviamente, serão os trabalhadores.
Ele prometeu não cortar as aposentadorias. Isso significa que, no restante, os cortes serão muito severos. Os programas discricionários voltados aos pobres e à classe média, como a educação e outros programas, serão devastados.
Considerando esse impacto sobre o PIB, o programa de Flávio Bolsonaro representa, de alguma forma, um risco para a economia brasileira no longo prazo?
É um risco tanto no curto quanto no longo prazo. No curto prazo, mencionei que o PIB cairá.
Mas, no longo prazo, a área que sofre cortes é o investimento. Digo isso porque ele não pode cortar as aposentadorias, e muitos dos outros cortes afetariam tanto as pessoas que haveria resistência. O que as pessoas não percebem tanto são os cortes em investimentos, porque seus efeitos se manifestam no futuro.
Se você reduzir os gastos com educação, infraestrutura ou tecnologia… a aspiração do Brasil é diminuir a distância em relação aos países desenvolvidos. Cortes desse tipo ampliarão a distância entre o Brasil e esses países.
Depois do primeiro turno da votação, no último domingo, o dólar caiu de uma forma que não se via há muitos anos e a Bolsa subiu. O mercado ficou entusiasmado com a possível vitória de Flávio. Parece que o setor privado está bastante entusiasmado, mas, ao mesmo tempo, o senhor afirma que há risco de danos à economia no curto e no longo prazo. Lula foi realmente muito bom para os mercados. Para qualquer pessoa que observe resultados concretos, essa é uma grande conquista.
Os mercados têm uma visão muito imediatista. O que eles enxergam são impostos mais baixos, um ambiente mais… eles diriam “favorável aos negócios”. Mas o que não percebem é que uma economia em recessão não é favorável aos negócios. Uma economia que não fez os investimentos básicos em educação, infraestrutura e tecnologia não é realmente favorável aos negócios.
Um dos grandes problemas do Brasil é que vocês têm superávit primário, porém um enorme déficit provocado por taxas de juros elevadas. Há inflação, mas as taxas de juros não estão minimamente alinhadas a ela.
Os mercados financeiros gostam dessas taxas de juros altas. Se estivermos a pensar no que é bom para a economia, o que se deseja é uma economia competitiva, com salários robustos, taxas de juros mais baixas e um mercado financeiro que funcione melhor.
Vimos no ano passado a implementação das tarifas de Trump sobre o Brasil. Se Lula for reeleito para um quarto mandato, o Brasil corre o risco de sofrer ainda mais tarifas dos Estados Unidos? Vê essas tarifas como uma forma de Trump apoiar Flávio ou de exercer mais pressão sobre o governo Lula?
É inequívoco que os Estados Unidos estão a interferir noutros países no mundo inteiro.
A primeira tarifa foi totalmente ilegal, inclusive ilegal nos Estados Unidos. Impor uma tarifa extra, a menos que deixassem de processar [Jair] Bolsonaro pelo 8 de janeiro, faz parte da cartilha dos ditadores autoritários. Essa interferência maciça deveria causar indignação no Brasil.
O Brasil depende muito mais da China do que dos Estados Unidos. Metade das exportações brasileiras para os EUA foi isenta das tarifas porque precisamos desses produtos, como carne, laranja, café.
No fim das contas, o Brasil correria o risco de enfrentar pressão dos Estados Unidos para aderir à hostilidade contra a China. O Brasil depende muito mais da China. Vocês terão de fazer uma escolha: um país que é um parceiro comercial muito maior e que tem interferido muito menos na vossa política do que os Estados Unidos. Apostar em Trump seria um erro muito grave.
RAIO-X | Joseph Stiglitz, 83
Nascido em Gary, Indiana, nos Estados Unidos, Joseph Stiglitz é economista. Ganhou o Nobel de Economia em 2001, ao lado de George Akerlof e Michael Spence, por estudos sobre a informação assimétrica, que mostram, a partir da desigualdade de informações circulantes no mercado, que mercados nem sempre se corrigem sozinhos. Ele presidiu o Conselho de Assessores Económicos do presidente americano Bill Clinton e foi economista-chefe do Banco Mundial. Ele deixou a instituição após fazer críticas ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Stiglitz é crítico da desregulamentação da globalização e da austeridade fiscal. Ele é autor de livros como “A Globalização e seus Malefícios” e “O Preço da Desigualdade”.
Independent Senator Bernie Sanders and 12 Democratic members of Congress on Thursday asked Meta CEO Mark Zuckerberg to explain the alleged unequal treatment by his main platforms (Instagram, Facebook and WhatsApp) of the campaigns of Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva and far-right Senator Flávio Bolsonaro, who are facing off Sunday in the second round of Brazil’s presidential election. The final stretch of the campaign, tense amid polls predicting a technical tie, has been marked by alleged technical errors at Meta that have generally harmed the leftist leader.
They went into the first round of Brazil’s presidential election full of optimism. They were enormously confident that the veteran Luiz Inácio Lula da Silva would secure a first-round victory. In fact, even an outright win did not seem far-fetched to them. But election night on October 4 ended in colossal disappointment for 23-year-old Rhian Silva, for Julia de Oliveira Szöke, 25, both history students, and for the Brazilian left as a whole. Shocked, Silva allowed himself only a brief period of mourning before springing into action after Lula called for mass mobilization.
Il Brasile torna al voto domenica per il ballottaggio tra Lula e Flávio Bolsonaro. Hanno idee molto diverse in economia. Dovranno fare i conti con una situazione che vede disoccupazione e povertà in calo, ma redditi fermi, inflazione e tensioni con gli Usa.
Três integrantes da Diretoria Colegiada do Banco de Brasília (BRB) que estavam à frente da instituição quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve um financiamento de R$ 3,1 milhões para comprar uma mansão em Brasília tiveram sua atuação investigada pela Polícia Federal (PF) por suposta gestão fraudulenta no caso Banco Master.
Segundo um documento obtido pela Agência Pública via Lei de Acesso à Informação (LAI), dos nove diretores eleitos pelo Conselho de Administração do BRB em 28 de maio de 2020, o então presidente, Paulo Henrique Costa; a diretora executiva de Gestão de Pessoas e Administração, Cristiane Maria Lima Bukowitz; e o diretor executivo de Rede e Canais, Dario Oswaldo Garcia Júnior, são suspeitos de terem cometido gestão fraudulenta em operações ligadas à compra de carteiras de crédito do Banco liquidado que pertenceu a Daniel Vorcaro.
O documento obtido pela reportagem permitiu identificar que a composição da diretoria colegiada eleita para o mandato 2020/2022 é a mesma que estava à frente do banco público em janeiro de 2021, quando o crédito para a compra da mansão foi concedido ao senador e à sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Cinco anos após a contratação do empréstimo, o financiamento voltou a ser investigado, dessa vez pela PF. Os detalhes foram inicialmente divulgados pelo jornal O Globo.
As informações sobre o trio investigado constam do processo do caso Master, cujo sigilo foi parcialmente levantado em setembro, como mostrou o Valor Econômico e foi confirmado pela Pública. Segundo a PF, os diretores identificados tinham direito a voto nas deliberações que levaram à compra das carteiras da instituição por Daniel Vorcaro e que aprovaram o negócio. Costa é o único preso e suspeito de ter recebido propina, por meio de imóveis, para atuar em favor do Master no banco distrital, o que é considerado a maior fraude bancária da história do país.
A Pública procurou os ex-diretores com questionamentos relacionados ao crédito para o senador e sua esposa, mas apenas a defesa do então presidente do BRB, Paulo Henrique respondeu: “o financiamento dado ao Senador, seguiu-se toda a governança do banco, que tem contrato de financiamento em condições idênticas aos demais postulantes, ou seja, não lhe foi conferida rigorosamente nenhuma vantagem”.
Como mostra o documento, a Diretoria Colegiada do BRB é o órgão executivo responsável pela administração dos negócios do banco, nos termos e limites estabelecidos pelo estatuto da instituição. Entre as funções da diretoria estão a gestão de operações e a tomada de decisões financeiras dentro de suas alçadas. Segundo o próprio BRB, “todas as decisões no âmbito do banco e dos comitês da instituição financeira são colegiadas.”
Segundo servidores ouvidos pela reportagem, financiamentos que ultrapassam os limites das instâncias inferiores são submetidos à Diretoria Colegiada. A Pública tentou confirmar se foi o caso do crédito ao senador Flávio Bolsonaro – e se a decisão foi tomada em conjunto pelos diretores, incluindo os investigados pela PF, ou por uma única instância. O BRB não respondeu. Sem essas informações, não é possível afirmar se o financiamento passou por deliberação conjunta da Diretoria Colegiada ou foi aprovado por uma instância isolada.
Sala de estar da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
Debate da Band relembrou Mansão de Flávio
A mansão do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi um dos assuntos abordados no debate da Band no último domingo, 18 de outubro. Ao comparar o próprio patrimônio ao do adversário, o presidente-candidato Lula questionou Flávio sobre a origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. “Esse cidadão, que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de R$ 10 milhões.”
O tema surgiu a partir de uma pergunta de Lula. “Mas me explica como é que você comprou uma casa de R$ 10 milhões com salário de senador?”. Flávio respondeu que comprou o imóvel “com trabalho”. Lula rebateu: “Eu sou presidente há 12 anos e tenho um apartamento de 190 m² de R$ 1,5 milhão”, afirmou. Na mesma fala, o petista relacionou a compra da mansão do adversário ao BRB, banco investigado no caso Master.
Quitação antecipada da Mansão de Flávio
A compra da mansão ocorreu em janeiro de 2021 e foi vendida ao senador por R$ 5,97 milhões pelo empresário Juscelino Sarkis, filho do pioneiro de Brasília Simão Sarkis, dono do grupo Sarkis. Simão foi um dos principais doadores da campanha vitoriosa de Michelle Bolsonaro (PL-DF) ao Senado: em 8 de setembro, Sarkis doou R$ 100 mil à ex-primeira-dama que se elegeu pelo PL com 938 mil votos.
O imóvel de 1,1 mil metros quadrados, com piscina, academia e spa, fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, área nobre da capital. Segundo a escritura do imóvel obtida pela Pública, Flávio e Fernanda pagaram cerca de R$ 2,9 milhões com recursos próprios, por meio de depósitos. Os outros R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB, com prazo de 30 anos.
O valor da casa era mais do que o triplo do patrimônio declarado por Flávio à Justiça Eleitoral em 2018, de R$ 1,74 milhão, como mostrou o Estadão à época.
Para obter o crédito, o casal declarou renda mensal conjunta de R$ 36.957,68, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Um simulador do próprio BRB, disponível à época, indicava, para aquela modalidade e aquele valor de financiamento, uma renda mínima de aproximadamente R$ 46.401,25 – cerca de R$ 9,4 mil a mais do que o declarado.
O financiamento previsto para 30 anos durou apenas três, porque o senador quitou a dívida com seis pagamentos extras, entre R$ 198 mil e R$ 997 mil, que somaram R$ 3,4 milhões – o último em março de 2024. Procurado à época, Flávio disse que os recursos tinham origem lícita, sem detalhar de onde vieram.
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A operação levou o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) a instaurar uma investigação. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também ajuizou ação contra o banco, seu então presidente, Paulo Henrique Costa, o senador, e a esposa. Ela pediu a anulação do contrato, sob o argumento de que o crédito foi concedido em desacordo com as regras internas do BRB.
Na contestação, a defesa de Flávio afirmou que a renda do senador não se limita ao salário do Senado, porque ele “atua como advogado, empresário e empreendedor, por muitos anos”, e que Fernanda exerce a odontologia em consultórios no Rio de Janeiro e em Brasília. Os advogados classificaram as suspeitas como “uma falácia criada por adversários políticos e desafetos”.
O BRB, por sua vez, afirmou no processo que as condições oferecidas a Flávio também estavam disponíveis a outros clientes e que a análise considerou quatro rendas líquidas registradas no cadastro – uma da atividade parlamentar e as demais de caráter privado. “Para análise do financiamento imobiliário, o valor da prestação dos proponentes não ultrapassou 30% do rendimento líquido, mesmo estando previsto em lei que o comprometimento não pode ser superior ao limite de 40%”, disse o banco. O BRB também argumenta que a quitação comprova que não houve prejuízo aos cofres públicos. O MPDFT concluiu que não houve irregularidades.
Da esquerda para a direita: Allan Guerra, Paulo Henrique Costa, Flávio e Fernanda, em janeiro de 2021
BRB se recusa a informar como a decisão foi tomada
Resta saber quem, no BRB, deu o aval ao crédito do senador – e se os diretores hoje investigados participaram da decisão. Um deles, no entanto, o presidente do BRB à época, Paulo Henrique Costa, aparece em foto com Flávio, Fernanda e um tabelião de Brasília, Allan Guerra, na própria mansão, no final de janeiro de 2021. A imagem foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim.
A reportagem procurou duas agências do banco e solicitou informações sobre o trâmite de aprovação de financiamentos acima de R$ 3 milhões. Segundo um servidor do BRB, pedidos desse porte passam pelas instâncias superiores de governança do banco, como o Comitê de Crédito. “No caso de a solicitação do financiamento ultrapassar os limites das instâncias inferiores, a Diretoria Colegiada é a responsável pela deliberação”, explicou. Questionado sobre quais seriam esses limites, o servidor afirmou “não saber os valores”.
Um segundo servidor disse, sob reserva, que detalhes sobre o financiamento de Flávio Bolsonaro não estão disponíveis para consulta no BRB. “O sistema é sigiloso com pouquíssimas pessoas com acesso”, disse.
A Pública também procurou o BRB para perguntar quantos financiamentos imobiliários nas mesmas condições oferecidas a Flávio foram concedidos entre 2020 e 2021, como são analisadas as operações milionárias e quais procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) são aplicados às quitações antecipadas de grande porte. Até a publicação, o banco não respondeu. Caso se manifeste, a reportagem será atualizada.