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Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) oficializou nesta terça-feira (6), em Goiânia, seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O encontro reuniu também o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de parlamentares, prefeitos e outras lideranças políticas.

A declaração ocorreu após Caiado terminar o primeiro turno na quinta colocação da disputa presidencial. O ex-governador havia afirmado que discutiria a posição antes de definir seu apoio. Com a decisão, passou a integrar formalmente a campanha de Flávio na segunda etapa da eleição.

Durante o ato, Caiado afirmou que pretende mobilizar sua base política em Goiás para ampliar a votação de Flávio no Estado. “Proporcionalmente, Goiás vai dar maior vitória a Flávio Bolsonaro nesta eleição. Mobilização vai ser em tempo integral”, declarou.

Caiado também entregou ao candidato uma agenda com sugestões de prioridades para um eventual governo. Entre os temas defendidos pelo ex-governador estão o combate ao PT e ao crime organizado, mudanças no Judiciário e a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O apoio também foi acompanhado de uma aproximação programática. Flávio afirmou que pretende trabalhar ao lado de Caiado para “encerrar com essa era do Lula” e disse haver ampla convergência entre as propostas apresentadas pelo ex-governador. “Esse rol de critérios programáticos ele sabe que nem precisava, porque a gente concorda em quase 115%”, afirmou.

Caiado na segurança píublica

Nos bastidores da articulação política, também circula a possibilidade de Ronaldo Caiado assumir o futuro Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A hipótese já foi mencionada por interlocutores da campanha, mas não há confirmação oficial de que o cargo tenha sido formalmente oferecido ou definido.

Flávio também sinalizou que pretende ampliar os investimentos federais em Goiás caso seja eleito. Ao se dirigir a Daniel Vilela, declarou: “Vilela, conte comigo. Eu, como presidente, vou estender tapete verde e amarelo para trazer investimentos para Goiás”.

A presença de Tarcísio de Freitas deu dimensão nacional ao encontro. O governador de São Paulo participou do ato em Goiânia ao lado de Flávio, Caiado e das demais lideranças que integram a articulação política para o segundo turno.

A adesão de Caiado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a segunda etapa da eleição, marcada para 25 de outubro. O PSD não adotou uma posição nacional em favor de nenhum dos dois candidatos e liberou seus diretórios e filiados para definirem individualmente seus apoios.

Em Goiás, o apoio de Caiado se soma à posição de Daniel Vilela e de outras lideranças estaduais favoráveis à candidatura de Flávio. O ato desta terça-feira consolidou o palanque político do candidato do PL no Estado para a reta final da disputa presidencial.

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As contradições de Lula finalmente cobram o preço

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade.

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A perspectiva sobre as eleições brasileiras após o 1º turno é unânime: Lula e o Partido dos Trabalhadores foram varridos e humilhados, e as perspectivas de uma virada nas eleições presidenciais é mínima.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu 56 milhões de votos, ou aprox. 47% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões de votos, ou aprox. 45% dos votos válidos – o resultado leva ao 2º turno, a ser realizado no dia 28 de outubro. O problema para Lula é que o eleitorado dos candidatos que ficaram em 3º, 4º e 5º têm uma maior tendência para votar em Flávio Bolsonaro do que no próprio Lula.

Lula só tem como puxar votos tentando converter os que não foram votar, ou os que votaram nulo. São 30 milhões de eleitores nessas condições, portanto não é pouca gente. Mas historicamente, a tendência é que essa fatia do eleitorado aumente do 1º para o 2º turno, em vez de diminuir.

O revés de Lula, porém, não é apenas em sua própria disputa com Bolsonaro.

Em número de governadores estaduais, o seu partido, o PT, cai de 4 para 3 governadores. E o partido até conseguiu preservar seus assentos no Senado e somar 1 deputado federal a mais na Câmara, mas os seus rivais bolsonaristas do PL ganharam mais 13 cadeiras no Senado e 21 cadeiras na Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula ganhasse, não conseguiria governar.

A reação do partido de Lula e de seus militantes é a pior possível: responsabilizam o povo por “não saber votar” ou por “ser fascista”, os candidatos de micropartidos de esquerda por não terem desistido de suas candidaturas, alegam narrativas fantasiosas de “manipulação” por parte dos EUA e das redes sociais – tudo, menos admitir que o governo de Lula padecia de problemas sérios e foi incapaz de dialogar com a população e entender as suas demandas.

Pior: abraçam uma ilusão na qual o governo de Lula teria sido, na verdade, excepcional e no qual todos os índices econômicos seriam maravilhosos, e “os pobres” deveriam agradecer a Lula de joelhos e votar nele para sempre.

A realidade, porém, é que excetuando na região nordeste, onde Lula nasceu, o PT virou o partido da classe média progressista e dos centros urbanos, enquanto as cidades pequenas e médias e uma parte significativa dos setores populares abraçou o bolsonarismo. E por que?

No que concerne a economia, a percepção de melhora é falsa. O governo Lula criou ou aumentou mais de 30 impostos e taxas de todos os tipos, voltados em sua maioria contra a classe média e trabalhadora. Para piorar, apertou a regulamentação dos microempreendedores, dificultando a sua vida no que concerne questões tributárias.

Os empregos criados foram principalmente no setor de serviços e no extrativismo, para não falar nos trabalhos autônomos e precários. Em contrapartida, o governo multiplicou ao infinito os “benefícios sociais”, concedidos principalmente para a camada lúmpem da sociedade, parasitária e odiada pelos setores positivos. Aliás, apenas os setores mais ricos ligados às finanças receberam tantos benefícios quanto o lumpemproletariado no governo Lula. E não casualmente, as classes de apoio ao PT foram a classe A e a classe E, as duas pontas do sistema parasitário e improdutivo, que esmagam as classes produtivas (B, C e D) por cima (através da usura) e por baixo (através da criminalidade).

Não se pode subestimar ademais, o problema da segurança pública, para o qual temos alertado há muito tempo. O discurso de Lula sobre soberania é vazio quando ¼ da população brasileira (segundo estudo da Cambridge University Press) vive em território controlado por organizações narcotraficantes. A tolerância do brasileiro por essa situação acabou.

Mas a leniência do governo não. Ao contrário, o Brasil vive a situação esquizofrênica de ser suave com criminosos perigosos e extremamente repressivo contra quem diz coisas politicamente incorretas na internet. Tornou-se corriqueiro no Brasil que pessoas comuns seja presas e condenados por “crime de ódio” ao recusarem a entrada de alguma pessoa “trans” num banheiro feminino.

E num erro de julgamento crasso, o PT decidiu associar a própria sorte ao STF, exatamente o núcleo de poder liberal que garante a implementação de todas as pautas globalistas no Brasil e que opera um aparato draconiano de repressão e silenciamento. Lula se esqueceu de que ele próprio foi perseguido e preso pelo Judiciário brasileiro, e decidiu se aliar a este setor para tentar impor a mesma sina a Bolsonaro.

O tiro, porém, saiu pela culatra. A disputa de Lula é com Flávio Bolsonaro. Mas quem venceu essa eleição, estando condenado, preso, adoecido e censurado é Jair Bolsonaro.

Especulações sobre “interferência estrangeira” nas eleições são fúteis e pueris posto que desnecessárias. Todas as causas da derrota de Lula estão em seu próprio governo.

Nem na política externa – área mais elogiada pelos colegas estrangeiros – escapamos das contradições: condenação da Nicarágua no Conselho de Direitos Humanos da ONU, veto ao ingresso da Venezuela nos BRICS e deslegitimação da reeleição de Nicolás Maduro, aliança tácita com a França de Macron, Acordo UE-Mercosul, colaboração da ABIN com as inteligências da França e da Alemanha, pressão para tentar desacelerar o crescimento dos BRICS, e poderíamos continuar longamente.

É por isso que dentro do Brasil, o elemento da política externa não pode ser visto, nessas eleições, da maneira “dualista” como ele é visto de fora para dentro (em que se tem o mito de um “Lula multipolarista” e um “Bolsonaro atlantista”). Na verdade, tanto Lula quanto Bolsonaro jogam com os dois lados do campo geopolítico, são apenas seus discursos que são levemente divergentes. Naturalmente, os propagandistas de ambos os lados jurarão que não é assim, mas é o que a análise fria dos fatos aponta.

No fim das contas, estamos às portas do “fim da Era Lula”, e dos momentos finais de uma carreira política que marcou a história do Brasil, que teve seus altos e baixos, seus pontos positivos e negativos, mas que termina de um modo agridoce, pela ausência de um projeto de nação e pela obsessão oportunista de se perpetuar no poder a qualquer preço – inclusive ao preço de trair os princípios da época da fundação do Partido dos Trabalhadores.

Lula deixará o PT órfão. Não houve preocupação com formar um sucessor à altura de Lula. Pior: a práxis do PT o levou a esmagar os partidos de esquerda menores e a absorver seus principais quadros para podá-los e controlá-los antes que eles pudessem se tornar maiores que Lula.

Nesse sentido, com o fim da carreira política de Lula morre a esquerda. Ou pelo menos UMA esquerda. A esquerda liberal-progressista da Sexta República e da Constituição de 88. Resta saber se o que triunfará na inevitável disputa por seu legado é uma esquerda ainda mais radicalmente progressista, ou se retornará uma esquerda nacionalista, tal como já existiu no Brasil em outras épocas.

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade. Não só da esquerda, mas também do Brasil.

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O que muda com Lula ou Flávio?

Considerações realistas sobre as eleições brasileiras.

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As eleições presidenciais brasileiras estão chegando. E com elas estão chegando também as controvérsias, os debates e os diferentes pontos de vista sobre o que esse evento representa para o Brasil, para os BRICS e para o futuro do mundo multipolar.

Em um artigo recente, o respeitado analista político brasileiro Valdir Bezerra advogou a tese de que as eleições de 2026 representam um ponto de inflexão na história brasileira, podendo definir o papel do Brasil no mundo. Para Bezerra, a eleição opõe, de um lado, a vertente “autonomista”, representada por Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, a vertente “ocidentalista”, representada por Flávio Bolsonaro.

Demostrando todo o devido respeito ao trabalho de Bezerro, que é um dos analistas mais bem conceituados no debate político russo-brasileiro, gostaria de apresentar aqui uma visão crítica sobre sua opinião. Não tenho como intenção “refutar” a posição de Bezerra, mas apenas expor as razões pelas quais não considero essa oposição entre autonomismo e ocidentalismo como um pressuposto válido para analisar a atual disputa eleitoral. Ademais, gostaria também de explicar por que não considero a eleição de 2026 como um momento decisivo na definição do papel internacional do Brasil.

Flávio é um ocidentalista, mas Lula não é um autonomista

Os termos guarda-chuvas usados para definir estas duas “tradições” da política brasileira não parecem minimamente aplicáveis na realidade atual. Os termos nos quais muitos pensadores brasileiros definiam a oposição entre aqueles que apoiam a soberania e o desenvolvimento nacional e aqueles que advogam por uma posição subordinada em relação ao eixo atlântico há muito tempo se tornaram obsoletos na alta política institucional brasileira – onde não há hoje qualquer figura digna do título de “autonomista”.

Não é preciso comentar aqui sobre a natureza ocidentalista de Flávio Bolsonaro, que, como seu pai antes dele, defende uma política externa de alinhamento total aos EUA e a Israel, ademais de uma agenda hostil aos BRICS e às plataformas multipolaristas. O ponto central, porém, é tentar entender em que posição, entre ocidentalistas e autonomistas, está Lula.

O atual presidente do Brasil governou o país em três ocasiões e protagonizou alguns dos eventos mais marcantes da política internacional no século XXI. Foi cofundador dos BRICS, articulou alianças com governos soberanistas nas Américas (Venezuela, Bolívia, Cuba) nos anos 2000, manteve laços amigáveis com o Irã e, mais recentemente, estreitou parcerias com a Rússia em pleno regime de sanções imposto pelo Ocidente, além de condenar abertamente o genocídio em Gaza.

Tudo isso é extremamente louvável, mas, para uma análise justa de Lula, é preciso apresentar o outro lado de sua figura: Lula nunca foi um “multipolarista”, apenas um articulador habilidoso no âmbito do multilateralismo da era Obama nos anos 2000. Isso se soma ao fato de Lula ter sido descaradamente apoiado pelo establishment Democrata nas eleições de 2022. Aliás, o terceiro governo Lula foi marcado por controvérsias dignas de um líder “ocidentalista” clássico: Lula não reconheceu as eleições venezuelanas, iniciou tensões com a Nicarágua, vetou o acesso da Venezuela aos BRICS, escanteou as negociações de um acordo Mercosul-China para priorizar um pacto de livre-comércio com a Europa extremamente negativo para os países sul-americanos (um acordo até mesmo neocolonial, pode-se dizer, colocando os países do Mercosul como exportadores de commodities e importadores de tecnologia). Isso tudo para não falar nas relações próximas, quase de alinhamento total e irrestrito, com o regime Macron na França.

Lula certamente teve vários acertos, mas, se formos voltar um pouco no tempo, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro também os teve: se recusou a sancionar a Rússia e a condenar a Operação Militar Especial (ao contrário de Lula, aliás, que repetidamente a condenou), fortaleceu as parcerias com a China, preservou a estrutura dos BRICS e abandonou o alinhamento à política externa estadunidense pós-Trump, se tornando um alvo de Joe Biden.

No fim, acertos por acertos e erros por erros, ambos os lados parecem muito distantes de qualquer ideal “autonomista”.

Então, como definir Lula e Flávio?

Podemos resumir este tópico em uma única frase: tanto Lula quanto Bolsonaro são, cada um a seu jeito, ocidentalistas.

Em diversas outras ocasiões comentei em minha coluna sobre como vejo a Sexta República brasileira (o atual regime constitucional fundado em 1988) como uma espécie de “revolução colorida permanente”. De um lado, uma direita liberal abertamente pró-EUA e pró-Israel, de outra uma esquerda liberal institucionalista, ligada ideológica e financeiramente a um grande lobby internacional que vai desde os Democratas estadunidenses até a União Europeia.

As tensões atuais parciais que ocorrem agora entre Lula e Trump não são uma novidade. Bolsonaro se tornou uma figura extremamente incômoda nas relações entre Brasil e EUA assim que Biden chegou ao poder. O que muitos analistas falham em perceber é que as relações entre Brasil e EUA se definem pela dialética entre esquerda e direita no Brasil e Democratas e Republicanos nos EUA. Lula era amigo de Biden, como Bolsonaro era amigo de Trump. Se Lula vencer as eleições de 2026, terá muitos problemas – pelo menos até um eventual retorno Democrata nos EUA. Se Flávio vencer, Brasil e EUA estarão em alinhamento total – mas apenas enquanto Trump estiver na Casa Branca.

É essa dinâmica que permite aos EUA manter a política brasileira sob controle de forma estável. Washington não precisa fazer um Maidan no Brasil. Aliás, a fórmula “golpe + ditadura” não tende a funcionar em países continentais e diversos como o Brasil – e a maior prova disso é a própria experiência brasileira de regime militar, que foi inicialmente patrocinada pelos EUA, mas posteriormente se tornou um regime autônomo não-alinhado após um autogolpe interno entre os militares. Não por acaso, os EUA endossaram a redemocratização do Brasil, ajudando a criar precisamente o regime político atual.

De um lado, uma direita que apoiada pelos Republicanos, por Israel e pelo lobby neocon transnacional; de outro, uma esquerda que obedece aos Democratas e aos europeus. Lula foi um grande multilateralista numa época em que Washington, com Obama, incentivava esse tipo de verniz à unipolaridade estadunidense; Bolsonaro foi uma marionete aberta dos EUA numa época em que Washington, com Trump, exigia isso. A diferença é muito pouca – ou nula.

E o que a eleição de 2026 realmente representa?

A nível internacional, nada ou muito pouco.

Se vencer, Lula será pressionado enquanto Trump estiver no poder. E Lula ao longo dos últimos quatro anos já mostrou que compensa a hostilidade estadunidense sendo ainda mais aliado aos europeus. Por outro lado, se Flávio vencer, teremos pelo menos algum período de alinhamento total com os EUA, o que pode mudar numa eventual vitória Democrata nas próximas eleições presidenciais. É uma escolha muito clara entre Republicanos-Israel e Democratas-UE. “Autonomismo” não faz parte do jogo.

A nível interno, contudo, muitos fatores estão em jogo.

É no cenário interno que o debate sobre a eleição deve se concentrar. Afinal, nenhum brasileiro vai votar em um candidato ou outro por causa de Palestina ou BRICS – que, embora sejam causas legítimas, são realidades distantes para o cidadão comum. No plano interno, temos um Lula cada vez mais enfraquecido devido aos efeitos colaterais de anos em aliança com o Poder Judiciário (que agora está sendo escrutinado e exposto com o escândalo de corrupção do Banco Master). Do outro lado, Flávio recupera posições que já se julgavam perdidas e hoje ambos aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O Poder Judiciário acumulou poderes extraordinários com Lula, a ponto de encarcerar manifestantes pacíficos e idosos sob acusação de “terrorismo” apenas porque participavam de manifestações pró-Bolsonaro. A inimizade entre o Judiciário e o Bolsonarismo não pode ser revertida, exceto por uma vitória de Flávio que culmine na indicação de ministros bolsonaristas para a Suprema Corte – remodelando assim os rumos da própria República.

Podemos resumir que Lula daria uma sobrevida à Sexta República, enquanto Flávio aceleraria seu colapso. Enquanto a Sexta República existir, nenhuma alternativa realmente “autonomista” surgirá no Brasil porque o próprio sistema constitucional brasileiro impede tal alternativa. Mas isso não significa que o colapso iminente deste sistema significará uma “aurora multipolar” no Brasil, já que não há (fora do extremamente “ocidentalista” Bolsonarismo) qualquer movimento político no país com força para erguer um novo projeto de Estado.

A conclusão talvez seja frustrante para os mais otimistas e esperançosos, mas o que parece estar por acontecer no Brasil em 2026 é a absoluta nulidade. Com Lula ou Flávio, pouco tende a mudar. O Brasil continuará sendo uma potência média decadente, politicamente subordinada aos EUA, mas com certa liberdade de engajamento multilateral com as potências eurasiáticas – enquanto domesticamente as instituições da Sexta República se autodestroem.

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Las urnas electrónicas no son confiables

La paralización del recuento en Brasil revirtió la tendencia y salvó a Lula: las urnas electrónicas, opacas e inauditables, no son confiables.

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El escrutinio de los votos en la primera vuelta de las elecciones generales en Brasil fue motivo de gran controversia. Flávio Bolsonaro, hijo del expresidente Jair Bolsonaro, iba por delante de Lula en el recuento oficial, con un 49,6% contra un 42,2% para el presidente que busca su reelección.

Habían sido computadas el 64,8% de las secciones electorales hasta ese momento. Pero el recuento se paralizó por más de una hora. Extrañamente, los votos para gobernador, senador y diputados continuaron siendo contabilizados con normalidad. Solo el recuento presidencial se paralizó.

Y, aún más extrañamente, cuando el recuento presidencial se reanudó, la tendencia ascendente de Flávio Bolsonaro y la tendencia descendente de Lula se revirtieron. Los votos del candidato opositor cayeron, mientras que los del actual presidente aumentaron. Flávio Bolsonaro estaba a menos del 0,5% de la victoria que le otorgaría la banda presidencial. Perdió más de un 2%, terminando con un 47,03%, mientras que Lula ganó casi un 3%, terminando con un 45,16%.

Parecía que Flávio Bolsonaro destronaría a Lula ya en la primera vuelta. Pero, tras más de una hora de paralización en los recuentos, Lula logró recuperarse y la disputa se decidirá recién en la segunda vuelta.

El recuento se paralizó a las 19h06 (hora de Brasilia), con el 64,8% de las urnas escrutadas. Recién a las 20h08 se presentaron los nuevos resultados, ya con el 85% de las urnas escrutadas.

La justificación oficial fue dada por el presidente del Tribunal Superior Electoral (TSE), Kassio Nunes Marques, quien también es ministro del Supremo Tribunal Federal (STF). «Lo que ocurrió fue una congestión de datos. En cada elección, nos vemos sorprendidos por alguna contingencia, lo cual es natural para quien lida con sistemas complejos y tan variados», dijo. «A priori, no se sabe si esto fue derivado de otro problema. Lo que nuestra tecnología de la información constató fue un flujo [de datos] superior a lo normal, y esa congestión generó un atraso», completó.

Existe una propaganda violenta en Brasil, encabezada por la Justicia Electoral, para presentar a los ciudadanos que las elecciones son 100% limpias. El principal foco de esa propaganda son justamente las urnas electrónicas. Las instituciones judiciales y los medios de comunicación dan gran difusión a las palabras de la Justicia Electoral sobre la total confiabilidad de las urnas electrónicas, destacando, incluso, que son sometidas a pruebas antes del plebiscito y luego selladas para que nadie pueda acceder a ellas.

Entonces, ¿por qué las urnas sufrieron una especie de pánico, si habían sido rigurosamente examinadas? Pues, el sapientísimo TSE tiene pleno conocimiento del número de electores aptos para votar y del número de votos que pueden ser registrados en las urnas, incluso en cada sección electoral. La propaganda de la Justicia Electoral indica al público que las urnas están plenamente preparadas con anticipación para registrar y computar perfectamente los votos de los electores.

No debería ocurrir ningún flujo de datos «superior a lo normal» que llevara a la congestión del sistema, porque los datos y estadísticas más variados en relación con el registro de votos son conocidos y los cálculos son perfectamente realizables. La infalibilidad de las urnas electrónicas exige que todos los resultados posibles sean previsibles y que, por tanto, no haya ninguna anomalía.

¿Cómo es posible, entonces, que un sistema tan perfecto, como es el propagado por las instituciones del Estado brasileño, presente una falla que, después de ser supuestamente resuelta, haya modificado tan radicalmente la tendencia de los votos presidenciales?

Puede ser una coincidencia que Flávio Bolsonaro se haya desplomado y Lula haya subido después de la falla de las urnas. Pero, ¿quién sabe? El presidente del TSE reconoció que el sistema electrónico de votación es «complejo». Solo especialistas altamente capacitados, del propio TSE y de empresas de tecnología, consiguen acceder a él y comprenderlo, de acuerdo con la Justicia Electoral. Así pues, está en manos de esos especialistas —que son 150 técnicos desconocidos del público— el destino de un país entero para los próximos cuatro años. El cálculo de los votos que salen de las urnas es totalmente automatizado, no pasa por ningún ser humano. Un número aún más selecto de 22 funcionarios accede a la totalización automatizada de los votos.

Esto significa que 214 millones de brasileños necesitan confiar en esos 150 o 22 sacerdotes egipcios para interpretar esa ciencia oculta. Deben ser los seres más iluminados del planeta Tierra, 100% íntegros, honestos, inmaculados y vírgenes. Incluso los ministros del STF, presentados a lo largo de los últimos 15 años como individuos impecables, probos y castos, aparecen ahora envueltos en el mayor escándalo de corrupción de la historia reciente de Brasil, pero esos especialistas anónimos merecen la más absoluta confianza de los ciudadanos.

Fue por motivos así que la Corte Suprema de Alemania declaró el voto electrónico inconstitucional: «cada ciudadano debe ser capaz de comprender y verificar las etapas centrales de las elecciones de forma confiable y sin ningún conocimiento técnico previo especializado».

El veredicto, fechado en 2009, concluye:

«Un procedimiento electoral en el que el elector no pueda comprender, de manera confiable, si su voto fue registrado de forma infalsificable e incluido en el escrutinio del resultado de la elección, y cómo el total de los votos expresados es atribuido y computado, excluye elementos centrales del procedimiento electoral de la vigilancia pública y, por tanto, no cumple los requisitos constitucionales.»

El sistema judicial brasileño está sumido en su mayor crisis histórica y vive un verdadero western, con peleas partidistas interfiriendo en el funcionamiento de los trabajos. El partidismo, de hecho, contaminó a la mayor parte del poder judicial, incluido el TSE. En la recta final de estas elecciones, decisiones de la Justicia Electoral, apoyadas por el ala dominante en el STF, favorecieron a Lula.

Es evidente que esa ala dominante (representada por los ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes y Flávio Dino) no quiere la victoria del bolsonarismo, pues este es su enemigo político declarado. Esos ministros actuaron, en los últimos años, como verdaderos justicieros contra el bolsonarismo. Ahora que ellos mismos fueron sorprendidos en relaciones extremamente promiscuas con un banquero que corrompió a incontables altos funcionarios del Estado, su carrera burocrática está amenazada. La continuidad de Lula es una esperanza de salvación para estos señores, pues el presidente está comprometido con ellos y no puede romper ese compromiso sin arriesgar la propia cabeza, dado el nivel de dependencia que Lula contrajo en relación con los mandamases del STF. Ya una elección de Flávio Bolsonaro tendería a conducir a un choque con los cabezas de esas instituciones, aunque el propio candidato opositor no ha demostrado gran disposición a enfrentarlos, porque los que controlan las elecciones en Brasil (el capital financiero internacional) exigen moderación y pacificación; de lo contrario, dificultarán la vida de cualquiera que se elija presidente.

Y el pueblo es tratado como ganado, víctima de un sistema que no puede comprender, para perpetuar su explotación a través de la escenificación de la «fiesta de la democracia».

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Lula’s contradictions finally take their toll

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability.

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The perspective on the Brazilian elections after the 1st round is unanimous: Lula and the Workers’ Party were swept away and humiliated, and the prospects of a turnaround in the presidential elections are minimal.

Flávio Bolsonaro, son of former president Jair Bolsonaro, received 56 million votes, or approx. 47% of valid votes, while Lula received 53.8 million votes, or approx. 45% of valid votes – the result leads to a 2nd round, to be held on October 28. The problem for Lula is that the electorate of the candidates who placed 3rd, 4th and 5th have a greater tendency to vote for Flávio Bolsonaro than for Lula himself.

Lula can only pull votes by trying to convert those who did not vote, or those who voted null. There are 30 million voters in these conditions, so it is not a small number. But historically, the tendency is for this slice of the electorate to increase from the 1st to the 2nd round, rather than decrease.

Lula’s setback, however, is not only in his own dispute with Bolsonaro.

In number of state governors, his party, the PT, falls from 4 to 3 governors. And the party even managed to preserve its seats in the Senate and add 1 more federal deputy in the Chamber, but its Bolsonarist rivals from the PL gained 13 more seats in the Senate and 21 seats in the Chamber. In other words, even if Lula won, he would not be able to govern.

The reaction of Lula’s party and its militants is the worst possible: they blame the people for “not knowing how to vote” or for “being fascist,” the candidates of small left-wing parties for not having withdrawn their candidacies, they allege fantastical narratives of “manipulation” on the part of the U.S. and social networks – anything, except admitting that Lula’s government suffered from serious problems and was incapable of dialoguing with the population and understanding its demands.

Worse: they embrace an illusion in which Lula’s government would have been, in fact, exceptional and in which all economic indices would be marvelous, and “the poor” should thank Lula on their knees and vote for him forever.

Reality, however, is that except in the northeast region, where Lula was born, the PT became the party of the progressive middle class and the urban centers, while small and medium-sized cities and a significant portion of the popular sectors embraced Bolsonarism. And why?

Regarding the economy, the perception of improvement is false. The Lula government created or increased more than 30 taxes and fees of all types, mostly aimed against the middle and working class. To make matters worse, it tightened the regulation of micro-entrepreneurs, making their lives harder regarding tax issues.

The jobs created were mainly in the services sector and in extractivism, not to mention autonomous and precarious work. On the other hand, the government multiplied to infinity the “social benefits,” granted mainly to the lumpen layer of society, parasitic and hated by the positive sectors. Incidentally, only the richest sectors linked to finance received as many benefits as the lumpenproletariat in Lula’s government. And not coincidentally, the support classes for the PT were class A and class E, the two ends of the parasitic and unproductive system, which crush the productive classes (B, C and D) from above (through usury) and from below (through criminality).

One cannot underestimate, moreover, the problem of public security, to which we have been alerting for a long time. Lula’s discourse on sovereignty is empty when ¼ of the Brazilian population (according to a study by Cambridge University Press) lives in territory controlled by drug trafficking organizations. The Brazilian’s tolerance for this situation is over.

But the government’s leniency is not. On the contrary, Brazil lives the schizophrenic situation of being soft with dangerous criminals and extremely repressive against those who say politically incorrect things on the internet. It has become commonplace in Brazil for ordinary people to be arrested and convicted of “hate crime” when refusing the entry of some “trans” person into a women’s restroom.

And in a gross error of judgment, the PT decided to associate its own fate with the STF, exactly the core of liberal power that guarantees the implementation of all globalist agendas in Brazil and that operates a draconian apparatus of repression and silencing. Lula forgot that he himself was persecuted and imprisoned by the Brazilian Judiciary, and decided to ally himself with this sector to try to impose the same fate on Bolsonaro.

The shot, however, backfired. Lula’s dispute is with Flávio Bolsonaro. But whoever won this election, being convicted, imprisoned, ailing and censored, is Jair Bolsonaro.

Speculations about “foreign interference” in the elections are futile and puerile since they are unnecessary. All the causes of Lula’s defeat are in his own government.

Not even in foreign policy – the area most praised by foreign colleagues – do we escape the contradictions: condemnation of Nicaragua in the UN Human Rights Council, veto of Venezuela’s entry into BRICS and delegitimization of Nicolás Maduro’s reelection, tacit alliance with Macron’s France, EU-Mercosur Agreement, ABIN’s collaboration with French and German intelligence, pressure to try to slow down the growth of BRICS, and we could continue at length.

That is why within Brazil, the foreign policy element cannot be seen, in these elections, in the “dualist” way it is seen from outside in (in which there is the myth of a “multipolarist Lula” and an “Atlanticist Bolsonaro”). In truth, both Lula and Bolsonaro play with both sides of the geopolitical field; it is only their discourses that are slightly divergent. Naturally, the propagandists of both sides will swear that it is not so, but that is what the cold analysis of facts points to.

In the end, we are at the gates of the “end of the Lula Era,” and of the final moments of a political career that marked the history of Brazil, which had its highs and lows, its positive and negative points, but which ends in a bittersweet way, due to the absence of a nation project and the opportunistic obsession of perpetuating itself in power at any price – including at the price of betraying the principles of the time of the founding of the Workers’ Party.

Lula will leave the PT orphaned. There was no concern with forming a successor worthy of Lula. Worse: the praxis of the PT led it to crush the smaller left-wing parties and to absorb their main cadres to prune and control them before they could become bigger than Lula.

In this sense, with the end of Lula’s political career, the left dies. Or at least ONE left. The liberal-progressive left of the Sixth Republic and the 1988 Constitution. What remains to be seen is whether what will triumph in the inevitable dispute over its legacy is an even more radically progressive left, or whether a nationalist left will return, such as already existed in Brazil in other eras.

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability. Not only of the left, but also of Brazil.

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What changes with Lula or Flávio?

Realist considerations on the Brazilian elections.

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Brazil’s presidential elections are approaching. And with them come controversies, debates, and different perspectives on what this event means for Brazil, for the BRICS, and for the future of the multipolar world.

In a recent article, respected Brazilian political analyst Valdir Bezerra argued that the 2026 elections represent a turning point in Brazilian history, potentially determining Brazil’s role in the world. According to Bezerra, the election pits, on the one hand, the “autonomist” tradition, represented by Luiz Inácio Lula da Silva, against, on the other hand, the “Westernist” one, represented by Flávio Bolsonaro.

With all due respect to Bezerra’s work, as one of the most highly regarded analysts in the Russian-Brazilian political debate, I would like to present a critical view of his position here. My intention is not to “refute” Bezerra’s argument, but merely to explain why I do not consider this opposition between autonomism and Westernism a valid premise for analyzing the current electoral dispute. Furthermore, I would also like to explain why I do not consider the 2026 election a decisive moment in determining Brazil’s international role.

Flávio is a Westernist, but Lula is not an autonomist

The umbrella terms used to define these two “traditions” of Brazilian foreign policy do not seem remotely applicable to the current reality. The terms through which many Brazilian thinkers once defined the opposition between those who support national sovereignty and development and those who advocate a subordinate position toward the Atlantic axis have long since become obsolete in the upper levels of Brazilian politics – where there is currently no figure worthy of the title of “autonomist.”

There is no need to comment here on the Westernist nature of Flávio Bolsonaro, who, like his father before him, advocates a foreign policy of total alignment with the United States and Israel, as well as an agenda hostile to the BRICS and multipolarist platforms. The central question, however, is to understand where Lula stands between Westernists and autonomists.

Brazil’s current president has governed the country on three occasions and played a leading role in some of the most significant events in international politics in the twenty-first century. He was a co-founder of the BRICS, built alliances with sovereigntist governments in the Americas – Venezuela, Bolivia, and Cuba – in the 2000s, maintained friendly ties with Iran, and, more recently, strengthened partnerships with Russia amid the Western-imposed sanctions regime, in addition to openly condemning the genocide in Gaza.

All of this is extremely admirable, but a fair analysis of Lula requires presenting the other side of his political profile: Lula has never been a “multipolarist,” but rather a skillful operator within the multilateralism of the Obama era in the 2000s. This is compounded by the fact that Lula was openly supported by the Democratic establishment in the 2022 elections. Indeed, Lula’s third government has been marked by controversies worthy of a classic “Westernist” leader: Lula did not recognize the Venezuelan elections, initiated tensions with Nicaragua, vetoed Venezuela’s accession to the BRICS, sidelined negotiations for a Mercosur-China agreement in order to prioritize a free-trade pact with Europe that is extremely detrimental to South American countries – an agreement that could even be described as neocolonial, turning Mercosur countries into commodity exporters and technology importers. This is without even mentioning the close, almost fully aligned relationship with the Macron regime in France.

Lula has certainly made several correct decisions, but if we go back a little in time, former President Jair Bolsonaro did as well: he refused to sanction Russia and to condemn the Special Military Operation – unlike Lula, who repeatedly condemned it -, strengthened partnerships with China, preserved the BRICS structure, and abandoned alignment with post-Trump U.S. foreign policy, becoming a target of Joe Biden.

In the end, weighing successes against successes and mistakes against mistakes, both sides appear very far from any “autonomist” ideal.

So, how should we define Lula and Flávio?

We can summarize this point in a single sentence: both Lula and Bolsonaro are, each in his own way, Westernists.

On several other occasions, I have commented in my column on how I view Brazil’s Sixth Republic – the current constitutional regime founded in 1988 – as a kind of “permanent color revolution.” On one side, an openly pro-U.S. and pro-Israel liberal right; on the other, an institutionalist liberal left, ideologically and financially connected to a major international lobby stretching from the U.S. Democrats to the European Union.

The current partial tensions between Lula and Trump are nothing new. Bolsonaro became an extremely troublesome figure in Brazil-U.S. relations as soon as Biden came to power. What many analysts fail to perceive is that Brazil-U.S. relations are defined by the dialectic between the left and right in Brazil and the Democrats and Republicans in the United States. Lula was Biden’s friend, just as Bolsonaro was Trump’s friend. If Lula wins the 2026 election, he will face many problems – at least until a possible Democratic return to power in the United States. If Flávio wins, Brazil and the United States will be in total alignment – but only as long as Trump remains in the White House.

It is this dynamic that allows the United States to keep Brazilian politics under stable control. Washington does not need to stage a Maidan in Brazil. Indeed, the formula of “coup + dictatorship” does not tend to work in large and diverse continental countries such as Brazil – and the greatest proof of this is Brazil’s own experience during its military regime, which was initially backed by the United States but later became an autonomous, non-aligned regime following an internal self-coup among the military. It is no coincidence that the United States endorsed Brazil’s democratization, helping to create precisely the political regime that exists today.

On one side, a right supported by the Republicans, Israel, and the transnational neoconservative lobby; on the other, a left that obeys the Democrats and the Europeans. Lula was a major multilateralist at a time when Washington, under Obama, encouraged precisely this kind of veneer over U.S. unipolarity; Bolsonaro was an open U.S. puppet at a time when Washington, under Trump, demanded precisely that. The difference is very small – or nonexistent.

And what does the 2026 election really represent?

At the international level, nothing or very little.

If he wins, Lula will come under pressure while Trump remains in power. And over the past four years, Lula has already shown that he compensates for American hostility by becoming even more closely aligned with the Europeans. On the other hand, if Flávio wins, we will have at least a period of total alignment with the United States, which could change following a possible Democratic victory in the next presidential elections. It is a very clear choice between Republicans-Israel and Democrats-EU. “Autonomism” is not part of the equation.

At the domestic level, however, many factors are at stake.

It is on the domestic front that the debate over the election should be concentrated. After all, no Brazilian will vote for one candidate or the other because of Palestine or the BRICS – which, although legitimate causes, are distant realities for the average citizen. Domestically, we have a Lula who is becoming increasingly weakened by the side effects of years of alliance with the Judiciary Branch – which is now being scrutinized and exposed in the context of the Banco Master corruption scandal. On the other side, Flávio is recovering ground that was once considered lost, and the two now appear statistically tied in the polls.

The Judiciary accumulated extraordinary powers under Lula, to the point of imprisoning peaceful protesters and elderly people on charges of “terrorism” simply because they participated in pro-Bolsonaro demonstrations. The hostility between the Judiciary and Bolsonarism cannot be reversed except through a victory by Flávio that culminates in the appointment of Bolsonarist judges to the Supreme Court – thereby reshaping the course of the Republic itself.

We can summarize the situation by saying that Lula would give the Sixth Republic a new lease on life, while Flávio would accelerate its collapse. As long as the Sixth Republic exists, no genuinely “autonomist” alternative will emerge in Brazil because the Brazilian constitutional system itself prevents such an alternative. But this does not mean that the imminent collapse of this system would result in a “multipolar dawn” in Brazil, since there is no political movement in the country – apart from the extremely “Westernist” Bolsonarist movement itself – with sufficient strength to establish a new state project.

The conclusion may be frustrating for the more optimistic and hopeful, but what appears to be about to happen in Brazil in 2026 is absolute nullity. With Lula or Flávio, little is likely to change. Brazil will remain a declining middle power, politically subordinate to the United States, but with a certain degree of freedom to engage multilaterally with the Eurasian powers – while domestically, the institutions of the Sixth Republic continue to destroy themselves.

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The Bolsonaro clan: A presidential hopeful, four new parliamentarians and a tangle of internal issues

The Bolsonaro family tree can be very confusing, so a guide is often helpful. “God, homeland, family and liberty” is the slogan that sums up the idea of Brazil put forward by the clan in recent years. The most radical Bolsonarists interpret the term “family” in the most traditional sense — father, mother, children and perhaps a pet — even though millions of Brazilians do not fit that model. Not even Jair Messias Bolsonaro, 71, the former military officer who restored pride and visibility to Brazil’s far right. After three marriages and two divorces, the patriarch formed a family with five children (four adult men, all politicians, and one teenager), a political clan that also includes his current wife, a family shaken by scandals and endless internal tensions. Last Sunday, the former president’s eldest son, Flávio Bolsonaro, won the first round of the election against incumbent President Lula, and five Bolsonaros won parliamentary seats. Here is a guide to help keep track.

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© Buda Mendes (Getty Images)

Jair Bolsonaro and his sons Eduardo (left) and Flávio, during a rally in Rio de Janeiro in 2024.
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Lula aims to pull off a miracle by mobilizing abstainers to defeat Bolsonaro

Lula, who was born in 1945 in a small town in the interior of the state of Pernambuco, defied the odds by surviving hunger and disease as a baby — a fate that befell so many of his compatriots in those same circumstances. Now he dreams of defying the odds, and history, once again. Never since Brazil restored democracy in 1985 has anyone who finished second in the first round of the presidential election gone on to win the final vote. President Lula da Silva, who on Sunday secured 45% of the vote compared to Flávio Bolsonaro’s 47%, is devising a strategy to attract centrist voters and mobilize the masses of abstainers, with a special focus on those aged over 70. He has three weeks to make what now sounds like nothing short of a miracle a reality.

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© Andre Penner (AP)

Luiz Inácio Lula da Silva addresses supporters on October 4.
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Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr

With the Brazilian presidential election headed to a runoff, Luiz Inácio Lula da Silva is down 47% to 45% and faces a massive fight ahead. I wanted to give a quick analysis of what happened and where things are going next. Lula could still win if he can consolidate support from third parties Lula lost […]

The post Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr appeared first on Asia Times.

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The far right wins the first round in Brazil, but Lula isn’t done yet

On October 4, over 150 million Brazilians were called to the polls to elect their president, deputies, and governors, and to replace the majority of senators. The elections, for many, brought a major surprise. Although polls indicated a lead for the incumbent president, progressive Luiz Inácio “Lula” da Silva, far-right Senator Flávio Bolsonaro clinched first place. Flávio is the son of former President Jair Bolsonaro who is currently serving a 27-year sentence for his involvement in an attempted coup against Lula in 2022.

According to the final tally, Bolsonaro received 47.03% of the vote (56 million votes) while Lula received 45.16%, nearly 54 million votes. Thus, Bolsonaro’s lead amounts to just over 2 million votes. In third place is Augusto Cury, with 2.89%. He is followed by Renan Santos and Ronaldo Caiado, with 2.24% and 2.18%, respectively. The remaining candidates received less than 0.3%.

A look at how the different regions of the country voted, a clear political divide between the north and the south of the country becomes apparent. The north (including states such as Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, and Rio Grande do Norte) supported the continued presence of the state and the welfare policies proposed by Lula.

For its part, including the northern state of Roraima, the south of the country clearly backed Bolsonaro’s neoliberal and pro-Trump agenda: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, and Rio Grande do Sul voted for Bolsonaro.

On his X account, the far-right senator from the Liberal Party (PL) said: “Together, we’re going to build a new Brazil. A Brazil of prosperity! Tomorrow, you’ll stand before the ballot box and choose the future of our country, the future of our children, of this generation and the next. Change is in your hands. Brazil is going to win!”

For his part, the president and candidate of the Workers’ Party (PT) said: “The result is often unexpected. You never get everything you want.” Yet, Lula, who has fought dozens of political battles, said: “[The runoff] is the time to show the true picture of Brazil today and of the Brazil we want.”

To secure victory, Bolsonaro hopes to win over the votes of the candidates who finished behind the finalists – the majority of whom undoubtedly hold right-wing ideologies. Lula, however, can still turn the situation around if he manages to form the right alliances and win over voters who cast invalid ballots (about 3%), as well as those who abstained, who account for 21.08% of the total electorate.

Senate, house of representatives, and governors

And while Lula has expressed optimism about the possibility of turning the tide in the presidential runoff to be held on October 25, the political reality in Brazil has changed. Bolsonaro’s PL party has managed to double its number of senators: it won 19 of the 54 seats up for election out of a total of 81 senators. Among them, immediate family members of the former president, such as Michelle Bolsonaro and Carlos Bolsonaro, won seats. In total, the PL will hold more than a third of the Senate, while Lula’s PT will hold 9.

This institution is particularly important because it approves or rejects the judges of the Federal Supreme Court (the country’s highest court) who are nominated by the president. This gives Bolsonaro significant ideological leverage, as he claims his father is being held in custody due to a conspiracy between political powers and a biased judicial system.

In the elections for the Chamber of Deputies, which has 513 seats, the Bolsonaro camp also secured a significant victory. With 100% of the votes counted, the PL won 121 seats, while the Brazil of Hope Federation coalition (which includes Lula’s PT, the Green Party, and the Communist Party) won 88 seats.

However, due to the method of seat allocation, Brazil favors a Chamber of Deputies with representation from many political forces. This is how the Progressive Union secured 87 seats, the Social Democratic Party 43, the Republicans 41, the Brazilian Democratic Movement 36, Podemos 27, the PSOL 15, as well as the Brazilian Socialist Party, among others.

Thus, while the right has the numbers to secure a numerical advantage in the Chamber of Deputies, it will have to contend with deep-seated and historic internal contradictions that could complicate a potential Bolsonaro presidency. Similarly, if Lula manages to prevail in the runoff, he will face a highly complex Senate and Chamber of Deputies that could potentially oppose him.

In the gubernatorial elections, the PL is also the biggest winner. Of 27 states, the Liberal Party has won six so far, while the PT, the Social Democratic Party, the PP, and the Republicans have each won three. Other states will have to elect their governors in a runoff election.

The most talked-about result is the decisive victory in São Paulo by Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro’s former Minister of Infrastructure, who defeated Fernando Haddad, Lula’s right-hand man. São Paulo is Brazil’s most populous state (46 million people) and home to the South American country’s most powerful economic hubs.

A political future in doubt

It has been repeatedly emphasized that, due to its economic and geopolitical importance, the elections in Brazil are of enormous significance for the future of Latin America. It is no coincidence that former US Secretary of State Henry Kissinger (who promoted a series of dictatorships in the region) said: “Whichever way Brazil leans, Latin America will lean that way.”

The South American far right, which has enjoyed unprecedented electoral success in recent years, knows that without Brazil, its poker hand will always be incomplete. Uruguay indeed remains the only country in the region that does not share the views of Milei in Argentina, Kast in Chile, or De la Espriella in Colombia, but Brazil alone accounts for more than 50% of the region’s total GDP.

Similarly, the left and the center know that a potential victory for Lula would be one of the last battles to be fought against the formidable advance of a right wing aligned with the foreign policies of Trump and Israel, with the most orthodox neoliberalism, and with the economic interests of capital magnates, including the big tech companies. And if Lula manages to recover from this defeat, it would mark a major shift in course for the legendary union leader – not only for Brazil but for the entire region.

As Lula said, “now a different kind of campaign begins.” Both candidates will pull out all the stops to win control of South America’s most populous and powerful country. It certainly won’t be a “clean” campaign, but if one pays attention to the finalists’ statements, every means at their disposal will be used to achieve the coveted goal.

US influence on the elections

Political analysts have expressed concerns about alleged foreign interference in the elections. In July 2025, Trump had imposed 50% tariffs on Brazil over what he considered an unfair ruling against Jair Bolsonaro – whom the US president calls “his friend”.

In August 2026, the United States revoked the visa of Brazil’s ambassador to Washington, a move denounced by Brasília as a violation of international law. 

Just last week, US Secretary of State Marco Rubio ordered the closure of the US embassy in Brazil during the elections due to alleged “threats,” a move viewed by some political commentators as a tactic to create tension during the elections.

During the first round of the presidential campaign, Trump did not make any direct statements of support for Flávio Bolsonaro. However, once the results were known, the US president told the press: “It’s a great victory – a close one, but a very, very great, incredible victory.”

In this regard, it remains to be seen whether Trump will make some kind of direct statement in support of Bolsonaro’s candidacy – as he has done in past elections in Colombia, Argentina, Honduras, and elsewhere – in favor of far-right candidates who support his agenda. Or, even more importantly, whether he will make any kind of promise to the Brazilian people if Bolsonaro wins – or, worse yet, threaten them if they vote for Lula.

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Como o agro e o interior podem explicar diminuição de votos para Lula

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

O domingo do primeiro turno terminou com uma surpresa, ao menos para quem acompanhava a maioria das pesquisas eleitorais e também para os próprios candidatos. “Confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro turno”, disse Lula ontem. O atual presidente marcou 3,3 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu 5 milhões de votos a mais que seu pai, Jair.

O resultado pode ser explicado por vários fatores: como a Agência Pública mostrou, escândalos políticos podem ter favorecido o desejo “antissistema” que – apesar de ser uma grande contradição –, é usado politicamente por Flávio e bolsonaristas. O caso do Master, inclusive, não foi capaz de impedir que muitos políticos diretamente citados nas investigações e vazamentos ligados ao banco conseguissem se reeleger. Isso inclui o próprio Flávio, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas em relação ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai. Flávio pediu dinheiro diretamente para Daniel Vorcaro, trocou dezenas de mensagens com o ex-banqueiro e marcou encontros com ele.

Além dos escândalos políticos, outras variáveis ajudam a entender a diminuição de votos de Lula e o crescimento de Flávio, e elas ficam evidentes no próprio mapa do Brasil. Levantamento de dados feito pelo cientista político Marco Antonio Faganello, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP), mostra que Lula perdeu mais votos em municípios que não são capitais, e essa perda é ainda mais gritante em cidades menores onde a participação do agro na economia é grande. “Onde o agro está em mais de 50% no PIB (Produto Interno Bruto), no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022”, aponta.

A análise de Faganello mostra que municípios pequenos do interior, com alto PIB per capita, proporção de moradores que se declaram brancos e jovens mais alta e com grande atividade agropecuária estão onde Lula mais perdeu votos proporcionalmente a 2022. É esse o tipo de perfil de vários municípios de Goiás, estado onde a diminuição dos votos para Lula foi a mais significativa na proporção com 2022.

O pesquisador também aponta que o Nordeste, apesar de ser um reduto tradicional de Lula e não ter registrado uma queda significativa nos votos para o atual presidente, foi onde Flávio mais avançou. “A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos”, detalha.

Na entrevista, Faganello também avalia como a abstenção, apesar de ter sido recorde, não parece ter impactado a perda de votos de Lula no Brasil como um todo, com exceção de Salvador, onde a ausência de eleitores impactou a votação do petista. Além disso, para o pesquisador, a proporção de evangélicos entre a população pode não explicar essa mudança. Contudo, Faganello ressalta que ainda há dados que o Tribunal Superior Eleitoral deve divulgar que podem detalhar esses aspectos.

Confira os principais trechos da entrevista aqui.

Marco Antonio Faganello é cientista político e pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP)
Marco Antonio Faganello é cientista político e pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP)

Na sua análise, você conclui que Lula teve menos votos em 2026 em relação ao primeiro turno de 2022 em 98% dos municípios do Brasil. Mas isso aconteceu diferente nas cidades pequenas e nas capitais e também a partir de outros fatores, como atividade agropecuária. Você pode explicar melhor essa diferença?

Estamos falando em votação proporcional, isto é, no quanto os votos que foram para o Lula em 2022 aumentaram ou diminuíram em 2026, proporcionalmente. Os dados mostram que essa queda foi maior sobretudo nos pequenos municípios e nos municípios ligados ao agro, além de ter um recorte por região do país. São esses os três principais fatores: tamanho, agro e região.

Sobre o tamanho dos municípios, quanto menor, mais Lula perdeu votos em relação a 2022. Nos municípios com até 5 mil habitantes, ele perde cerca de 7% [comparando 2026 a 2022]. Nos com mais de 500 mil habitantes, ele perde só 1%.

É importante ressaltar que isso é uma faceta, porque se você olha pra outro lado, em números absolutos, esse contingente de municípios pequenos não contribui tanto para a diminuição dos votos do Lula.

Se você aumentar esse grupo para municípios com até 50 mil habitantes, você chega a 50% da perda de votos que Lula teve entre 2022 e 2026. Já por outro lado, o Flávio ganhou votos nesses mesmos municípios em que o Lula perdeu. Ou seja, o voto que o Lula perdeu foi pro Flávio. Os demais candidatos desidrataram demais, não chegaram a influenciar essa conta.

Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026
Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026

Explique mais sobre esse recorte da presença do agro nos municípios. Você comparou a porcentagem da participação da atividade agropecuária no PIB municipal? Você pode citar alguns exemplos?

Isso, eu peguei a porcentagem da atividade agropecuária no PIB municipal. Para se ter uma ideia, em municípios onde essa porcentagem está em menos de 5% do PIB, Lula perdeu 2% no conjunto de votos. Mas onde o agro está em mais de 50% no PIB, no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022. Esses municípios pegam só 2% da população brasileira.

É interessante que, cruzando porte [da cidade] e agro, você vê que, nos municípios bem pequenos, de até 5 mil habitantes e que têm mais de 50% de PIB no agro, Lula perdeu 9% dos votos. Já entre os pequenos que têm menos de 5% do PIB no agro, Lula perdeu bem menos votos, menos de 4%. E essa perda de votos do Lula foi para o Flávio, não virou abstenção.

Isso levanta a hipótese de uma afinidade ideológica forte em municípios muito pequenos e com alta participação do agro. Uma pergunta ainda a se fazer é porque isso não pesou tanto em 2022 quanto em 2026.

E como a diferença entre as regiões do país e dos estados entra nessa conta?

No Sul e no Centro-Oeste foram onde aconteceram as maiores perdas de votos para Lula. Mas existe uma queda generalizada no país: parece que o que foi conquistado em 2022 se perdeu.

Foram 3 milhões de votos a menos que no primeiro turno de 2022. Não é uma flutuação gigantesca, mas nas últimas eleições é isso que tem acontecido, uma proporção de votos menor, que fica no meio, que fica flutuando. E quem decide a eleição são justamente essas pequenas flutuações.

E sobre a abstenção? Você aponta que ela não teve efeito na perda de votos para Lula. Por que?

A abstenção aparece como algo generalizado no país. Onde você teve mais abstenção, Lula não perdeu mais votos. A abstenção não parece ter relação nem com agro, nem com região do país. Ela bateu recorde em números absolutos, mas não foi uma variável que ajude a explicar a perda de votos de Lula.

Na sua análise, você aponta que o fator da religião evangélica não pesou nessa diminuição de votos do Lula. Por quê? E outros fatores, como entraram?

A porcentagem de evangélicos na população dos municípios não aponta uma mudança significativa de 2026 para 2022, Lula nem perdeu nem ganhou votos nas cidades a partir desse recorte – ele já não tinha [esses votos].

Já quanto mais jovem a população do município, mais o Lula perdeu votos. Quanto mais branca, também, e renda per capita do município também influencia. Quanto maior a renda, mais o Lula perdeu.

E teve uma diferença muito gritante entre capital e interior: Lula quase não perdeu nada na maioria das capitais, mas bastante em cidades que não são capitais.

Então dá pra dizer que entre os municípios onde o Lula mais perdeu votos existe um perfil comum? Municípios com grande participação do agro na economia, com população mais branca, mais jovem e com PIB per capita maior?

Sim.

E o contrário, onde o Flávio ganhou votos em relação a Jair?

O PL [votos para Flávio] ganhou 5 milhões em relação a 2022, em todo o país. E desse total de ganhos que o Flávio teve em 2026, 32% vieram do Nordeste. Foi onde ele mais avançou.

A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos (mais 1,6 milhão de votos). O maior ganho, em pontos percentuais, foi no Ceará e no Maranhão.

Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026
Gráfico mostra onde Flávio Bolsonaro ganhou votos no primeiro turno das eleições 2026

Você também aponta que o Lula cresceu em 102 municípios – há algum padrão nestas cidades?

Lula ganha mais percentualmente em municípios de regiões variadas, Sobral, no Ceará; Macapá, no Amapá; Belém, no Pará; Niterói, no Rio de Janeiro; Aracaju, em Sergipe; Recife, em Pernambuco; Santos, em São Paulo; Rio Branco, no Acre; Fortaleza, no Ceará; e até na cidade do Rio de Janeiro. No geral são cidades grandes e médias.

Já Lula perdeu mais em várias cidades de Goiás, ali perto de Rio Verde. Depois em municípios do Tocantins e do Rio Grande do Sul.

Olha que curioso: Lula perde mais [votos proporcionalmente] na Bahia, com 3,6%, que em São Paulo, 3% [entre 2026 e 2022].

Na Bahia, Salvador concentrou 38% da perda de votos de Lula no estado, mas só 6% do ganho da direita: em Salvador, Lula perdeu votos sobretudo porque menos gente votou. No interior, a direita cresceu com mais eleitores indo às urnas.

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