Sismo com magnitude 4,3 sentido em São Miguel e na Terceira

© MARIO CRUZ/LUSA

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Há mais de 160 anos, um proprietário de terras levou 12 árvores da Ásia para a Argentina, mas apenas uma delas permanece viva. O exemplar centenário está localizado no Parque Pereyra Iraola, na província de Buenos Aires, e chama atenção por produzir uma resina que forma gotas brilhantes, semelhantes a pequenos cristais.
Conhecida como “árvore de cristal”, a espécie foi introduzida no país por Leonardo Higinio Pereyra Iraola, que cultivava plantas de diferentes partes do mundo em sua propriedade. As mudas foram plantadas por volta de 1860, mas a maioria não conseguiu chegar à fase adulta.
Originária do sudeste asiático, a árvore pertence à espécie Agathis alba e apresenta uma característica que a diferencia de muitas outras plantas. Sua casca libera uma resina que pode se acumular no tronco, formando pequenas gotas com aparência semelhante à de lágrimas.
Quando recebem luz, essas gotas produzem reflexos que lembram pequenos cristais. O efeito é especialmente associado às noites de lua cheia, quando o brilho da substância pode se destacar na superfície do tronco.
Apesar da aparência, não se trata de cristais verdadeiros, mas de uma resina produzida naturalmente pela árvore. A espécie também apresenta tronco alto, casca acinzentada e folhas verdes que permanecem ao longo do ano.
A chegada da árvore à Argentina está ligada à antiga Estância San Juan, propriedade herdada por Leonardo Higinio após a morte de seu pai, em 1852. Interessado em paisagismo e no cultivo de espécies estrangeiras, ele introduziu diferentes plantas na região, incluindo as mudas provenientes do arquipélago malaio.
Atualmente, a sobrevivente daquele grupo está no terreno da Escola de Formação Policial Juan Vucetich, dentro do Parque Pereyra Iraola, no município de Berazategui, próximo à cidade de La Plata.
Em 1992, a província de Buenos Aires aprovou a Lei 11.341, que declarou a árvore de cristal Monumento Natural. A medida reconheceu a importância histórica e ambiental do exemplar e estabeleceu sua proteção legal.
A preservação também enfrenta desafios. De acordo com o Ministério do Ambiente provincial, a árvore não possui outro exemplar compatível nas proximidades para realizar a reprodução sexuada, o que dificulta a formação de novos indivíduos por esse processo.
Assim, a árvore permanece como um registro vivo das espécies introduzidas na antiga propriedade durante o século XIX, além de representar uma parte da história ambiental da região.
VTM
Integrado na estratégia de valorização do turismo de natureza e do património local, o festival proporciona um fim de semana de caminhada, convívio e contacto com as tradições do concelho, permitindo aos participantes explorar paisagens vinhateiras, aldeias históricas e locais de elevado interesse cultural.
“Este projeto representa uma forte aposta do município na valorização do turismo”
SÓNIA PIRES
Vereadora da CM de Alijó
Sónia Pires, vereadora da Câmara de Alijó, disse à VTM que foram dois dias a descobrir o concelho, com dois percursos diferentes. “No sábado, tivemos uma caminhada pelo Douro, por Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas e Casal de Loivos. No domingo, o percurso foi para o norte do concelho, que é mais montanha, para se descobrirem duas realidades distintas do nosso território”.
A vereadora destacou ainda que este projeto “representa uma forte aposta do município na valorização de um dos produtos turísticos mais procurados pelos amantes da natureza, da paisagem e do património”.
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© NurPhoto via Getty Images
A WWF Portugal já realizou intervenções em cerca de 46 hectares (ha) de floresta e habitats afetados por incêndios no Parque Nacional da Peneda-Gerês, através do programa “D-Evolução”, foi hoje divulgado.
Através da gestão seletiva de vegetação e do apoio à regeneração natural, já foram plantadas mais de 1.700 árvores e arbustos autóctones, como carvalhos-alvarinhos (Quercus robur), bétulas (Betula celtibérica), azevinhos (Ilex aquifolium) e pinheiros-silvestres (Pinus sylvestris).

De acordo com a ONG, esta recuperação em mosaico florestal devolve “zonas vitais de abrigo e alimentação” ao corço e “fortalece a estabilidade” do habitat do emblemático lobo-ibérico (Canis lupus signatus).

Já a sul, na Serra do Caldeirão, o restauro, que irá iniciar-se nas próximas semanas, foca-se na paisagem mediterrânica e na recuperação de linhas de água e montados em 46,7 ha, dos quais 19 ha já têm financiamento garantido. Os trabalhos incluem a erradicação de canaviais e acácias, a sementeira direta de 10 hectares de pastagens biodiversas e a plantação de mais de 3.100 árvores e arbustos nativos, com grande destaque para o medronheiro (Arbutus unedo) e o sobreiro (Quercus suber). Estas ações previnem a degradação dos solos e reduzem o risco de incêndio, reforçando as condições de habitat para espécies como o lince-ibérico (Lynx pardinus) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata).
A intervenção pioneira que está em curso nas águas do Estuário do Tejo, na Trafaria, focada na proteção das populações locais de cavalos-marinhos, está a ser desenvolvida pela WWF Portugal em colaboração com o parceiro técnico-científico MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, e com o envolvimento da comunidade e entidades locais. Partindo da observação científica que os cavalos-marinhos utilizavam estes resíduos depositados no rio como pontos de fixação e abrigo, devido à escassez de habitats naturais, foram instalados nove abrigos subaquáticos desenvolvidos a partir do reaproveitamento de carrinhos de compras em fim de vida, aos quais se retiraram todos os plásticos e componentes potencialmente perigosos. Estima-se que as atividades em curso tenham impacto numa área de cerca de 16 ha. O objetivo é que estas estruturas possam vir a oferecer refúgio imediato às duas espécies residentes – o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus) – enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo entre entidades públicas, comunidade científica, empresas e sociedade civil para a recuperação plena do seu ecossistema.
“Há um ano, lançámos esta iniciativa sabendo que restaurar a natureza é uma das decisões mais inteligentes que podemos tomar enquanto sociedade. Dados da Comissão Europeia demonstram que cada euro investido na recuperação da natureza gera um retorno estimado entre oito e 38 euros, sublinhando que a estabilidade dos serviços de ecossistema é crucial para reduzir despesas futuras e garantir a sustentabilidade de setores estratégicos. Não estamos a falar apenas de proteger espécies ou recuperar habitats. Estamos a falar de devolver equilíbrio aos sistemas que nos garantem água, alimentos, segurança, saúde e qualidade de vida”, afirma Ângela Morgado, diretora-executiva da WWF Portugal.
“Ao longo destes 12 meses, o D-Evolução juntou proprietários que disponibilizaram terrenos para o restauro, autarquias, entidades gestoras do território, parceiros científicos, cidadãos, empresas, organizações e comunidades locais que decidiram fazer parte da solução. Esta é a prova de que existe uma vontade real de devolver natureza a Portugal”, reforça Ângela Morgado.
Este arranque foi possível graças à rápida mobilização de parceiros, empresas e cidadãos, que em apenas um ano asseguraram perto de 482 mil euros para o arranque das intervenções.
Sendo a “D-Evolução” uma iniciativa estruturante com um horizonte temporal até 2030, a WWF Portugal encara os cerca de 1,25 milhões de euros necessários para completar este plano como uma “oportunidade extraordinária de investimento contínuo no capital natural do país”. A organização apela ao alargamento desta rede de apoio para levar a recuperação ecológica “ainda mais longe”.
“Conseguir mobilizar quase meio milhão de euros no primeiro ano demonstra a força deste movimento, mas o seu verdadeiro valor vai muito além do financiamento. Este é apenas o início de um caminho que se estende até 2030. Para devolvermos à natureza o que foi perdido à escala de que o país necessita, precisamos de mobilizar mais investimento, mais parceiros e mais cidadãos. E precisamos, sobretudo, de fazer do restauro da natureza uma prioridade nacional. A WWF Portugal, juntamente com muitos outros parceiros, está a ajudar a demonstrar o que é possível fazer e a acelerar a implementação de soluções no terreno. Mas a responsabilidade de liderar esta transformação cabe ao Estado, através de um Plano Nacional de Restauro ambicioso e com o investimento adequado para recuperar os ecossistemas de que dependem as pessoas e a economia”, conclui Ângela Morgado.
As empresas e cidadãos interessados em apoiar o financiamento das intervenções no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Serra do Caldeirão e Estuário do Tejo podem conhecer em detalhe o trabalho em curso e fazer a sua contribuição (aqui).
O conteúdo Já foram plantadas 1.700 árvores autóctones em áreas ardidas no Parque Nacional da Peneda-Gerês aparece primeiro em O MINHO.

© Pablo Daniel Fernandez/Comedy Wildlife Photography Awards

© VASSIL DONEV/EPA

A dimensão das populações de vida selvagem monitorizadas teve uma diminuição média de 73% desde 1970, segundo o Relatório Planeta Vivo 2026 da WWF. Num mundo em que cerca de metade do PIB global, aproximadamente 58 biliões de dólares americanos em 2023, depende moderada ou fortemente da natureza, a perda de biodiversidade representa muito mais do que uma ameaça ambiental: é um risco económico e social crescente.
Os fluxos financeiros globais continuam, porém, a ignorar o problema. Em 2023, cerca de 7,3 biliões de dólares americanos foram canalizados para atividades prejudiciais à natureza, enquanto apenas 220 mil milhões financiaram a sua proteção ou restauro.
Ainda assim, há sinais concretos de que é possível inverter esta tendência. Em Portugal, o lince-ibérico passou de Criticamente em Perigo a Vulnerável. Também a sardinha recuperou a certificação em julho desse ano e o atum-rabilho deixou de ser considerado sobre explorado. Estes exemplos mostram que, com compromisso, investimento e uma gestão adequada dos recursos, a recuperação da natureza é possível.
É esta convicção que está na origem da D-EVOLUÇÃO, a iniciativa nacional de restauro ecológico da WWF Portugal, que assinala esta semana o seu primeiro aniversário. Ao longo deste primeiro ano, foram mobilizados cerca de 482 mil euros, com o contributo de vários parceiros, empresas e cidadãos. Este apoio já se traduz em intervenções concretas no território: no Gerês, estão em recuperação 46 hectares de floresta e habitats afetados por incêndios; na serra do Caldeirão, prepara-se o restauro dos primeiros 19 ha de montado; e, no Estuário do Tejo, foram instalados nove abrigos subaquáticos para cavalos-marinhos, construídos a partir de carrinhos de supermercado reaproveitados, num exemplo de economia circular ao serviço da biodiversidade, enquanto se consolida um esforço conjunto e de longo prazo para a recuperação plena do seu ecossistema.
Mais do que reparar ecossistemas degradados, estas intervenções são um investimento na resiliência do país e na redução de riscos, nomeadamente de incêndio. Os benefícios ambientais traduzem-se, assim, em ganhos económicos e sociais concretos. Como já reforçámos noutros artigos, segundo a Comissão Europeia, cada euro investido no restauro da natureza pode gerar entre 8 e 38 euros em serviços de ecossistema.
O desafio está agora em ampliar estes resultados. Para concretizar o plano até 2030, a D-EVOLUÇÃO precisa de mobilizar cerca de 1,25 milhões de euros adicionais, um montante relativamente modesto face aos benefícios esperados. Centenas de cidadãos e mais de uma dezena de empresas portuguesas já se juntaram à WWF neste esforço, demonstrando que a sociedade civil e o setor privado podem ter um papel determinante. Mas essa mobilização, por si só, não chega. O investimento privado não substitui a responsabilidade do Estado, a quem cabe assumir a liderança através de políticas ambiciosas, financiamento adequado e uma aplicação efetiva da Lei Europeia do Restauro da Natureza.
Importa, por isso, contrariar a ideia de que enfraquecer a legislação ambiental em nome da competitividade protege a economia. Na realidade, trata-se de uma não-poupança.
Proteger e recuperar os ecossistemas é proteger o capital natural, a atividade económica e o bem-estar das comunidades. Restaurar a natureza não é um custo, mas um investimento no futuro de Portugal e uma das decisões mais certas que podemos tomar.

© AARON M. SPRECHER/EPA