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1.600 km por estradas secundárias: Cinco amigos viajam de Paris ao Alto Minho em tratores

16 October 2026 at 09:05

Cinco amigos, cinco tratores. Dinis Amorim, Eduardo Santos, António Rodrigues, Manuel Barros e Nuno Soares vão arrancar este sábado da zona de Paris, França, para uma viagem de trator até ao Alto Minho. Serão mais de 1.600 quilómetros percorridos durante uma semana por estradas secundárias.

A partida está marcada para cerca das 09:00 de amanhã. Neste primeiro dia de viagem vão percorrer cerca de 200 quilómetros onde os aguarda a autocaravana de apoio conduzida por Manuel Rodrigues. Depois, todos os dias, a autocaravana segue à frente para encontrar um parque de campismo onde o grupo possa pernoitar.

A previsão é que no sábado seguinte, dia 24, ao início da manhã, estejam a entrar em Portugal pela fronteira do Lindoso (Ponte da Barca), a meio da manhã cheguem a Arcos de Valdevez, terra de Dinis Amorim, e ao final do almoço a viagem esteja concluída em Paredes de Coura, de onde são naturais os restantes elementos.

“Estamos a pensar em oito dias, caso contrário, se correr algo mal, nove ou dez, mas o objetivo é sair daqui no sábado e chegar no sábado”, conta a O MINHO Dinis Amorim, de 56 anos.

“No total são à volta de 1.600 quilómetros, porque vamos por estradas secundárias, uma vez que na maior parte das nacionais não podemos andar. Como vamos nas estradas secundárias vai ser de 1.600 quilómetros para cima”, adianta.

Grupo de amigos já fez outras viagens “fora do normal”

Dinis Amorim, o único elemento de Paredes de Coura, embarca nesta aventura com os courenses Eduardo Santos, de 65 anos, António Rodrigues, 59, Manuel Barros, 58, e Nuno Soares, 45. Manuel Rodrigues, 52, conduz a autocaravana de apoio.

A ideia partiu de António Rodrigues. O grupo de amigos de “longa data”, emigrantes em França, junta-se “15 em 15 dias, de mês a mês” para um almoço onde acabam por combinar viagens “fora do normal”. Já fizeram Paris-Alto Minho de motorizada e bicicleta. E nesta última, em 2021, surgiu a ideia. “Quando fizemos essa viagem de bicicleta, o sr. Rodrigues sugeriu: a próxima viagem ser uma viagem de trator”.

Para António Rodrigues, nessa viagem, não poderia faltar Manuel Barros (apaixonado por tratores desde pequeno) e Eduardo Santos (com quem António Rodrigues aprendeu, jovem, a trabalhar nestas máquinas). Ambos aceitaram prontamente o convite.

Só que três elementos do grupo – Dinis Amorim, António Rodrigues e Nuno Soares – não tinham trator. “Cada vez que íamos de férias a Portugal íamos fazendo uma visita pelos stands e vendo os jornais. Acabámos por comprar os três tratores na cidade de Barcelos, comprámos todos ao mesmo homem, o nome dele é Manuel Barbosa”, aponta Dinis Amorim, acrescentando, a propósito da venda, um acordo fora do comum.

“A cada um deu a garantia de um ano, mas ao Nuno Soares deu a garantia de que se o trator não aguentar a viagem, ou seja, se tiver alguma avaria no motor ou na caixa, ele não paga o trator e fica com ele”, aponta. Assim, no próximo sábado já deverá saber se tem que pagar o trator ou não.

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Dança folclórica portuguesa património de Macau atrai mais chineses

11 October 2026 at 08:47

Um ano depois da dança folclórica portuguesa se tornar património de Macau, a líder de um grupo disse à Lusa que há mais convites para espetáculos, mas que são os chineses que mais querem aprender.

Em 13 de outubro de 2025, Macau anunciou a inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e os pastéis de nata locais, inspirados no pastel português, na Lista do Património Cultural Intangível da região.

O efeito já se faz sentir, com “muito mais convites” para atuações, incluindo na China continental, diz a presidente da Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’, a macaense Ana Manhão Sou.

Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, composta sobretudo por lusodescendentes, com raízes no território.

Ironicamente, diz Selina, a única funcionária a tempo inteiro da associação, é em Macau que o número de espetáculos diminuiu em comparação com antes da pandemia de covid-19.

“Há cerca de 10 anos, ainda tínhamos a oportunidade de atuar todos os domingos”, nas Ruínas de S Paulo, o ex-libris de Macau, junto ao Templo de A-Má, o mais importante da cidade, e perto das Casas-Museu da Taipa, recorda Selina.

A região recebeu quase 29 milhões de visitantes até agosto, mas os turistas “não têm hipótese de ver como é, de facto, a dança folclórica portuguesa em Macau”, lamenta. “É até um pouco triste”.

Durante as atuações do outro lado da fronteira, muitos espetadores “ficam confusos”, revela Selina, “e perguntam se somos de Xinjiang”, uma província no noroeste da China, origem da minoria muçulmana uigur.

“Temos de lhes explicar um bocadinho da história de Macau”, diz.

Também Davy, 62 anos, membro do rancho Macau no Coração, lamenta que a comunidade macaense continue a ser desconhecida na China continental.

“Quero preservar a cultura. Como a dança [folclórica] vem de Portugal e aqui a cultura é chinesa, eu poder dançá-la é algo que valorizo muito”, diz o bailarino.

Davy chegou ao Macau no Coração por acidente. “No início, não sabia o que era a dança portuguesa, não sabia mesmo do que se tratava”, admite, quase 20 anos depois.

Como em geral no mundo da dança, os homens continuam a ser uma minoria no grupo, confirma Ana Manhão Sou, com um sorriso: “são santos, a gente não os chateia e eles até podem dizer o que querem comer”.

Antes de um ensaio, Manhão Sou diz que o grupo, que está a comemorar 20 anos de existência, mudou “um bocadinho a estratégia” depois da pandemia, face às dificuldades em atrair pessoas para aprender a dançar.

“Começámos a entrar em escolas, para atrair a nova geração”, diz a dirigente, dando como exemplo a Escola Portuguesa de Macau. “Vêm os meninos pequeninos e vêm os pais. Dois pelo preço de um”, explica, com um sorriso.

Desde a listagem como património, o grupo tem feito “seis ou sete” workshops por ano em escolas locais, de infantários a universidades, diz Selina.

“Há vozes a dizer que são os chineses que estão a dançar. Eu percebo, mas onde estão os portugueses que queiram dançar? Não digo que não há, mas é que eu não consegui encontrar. A porta está aberta”, sublinha Manhão Sou.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Manhão Sou sublinha que são os chineses que mostram maior interesse, incluindo universitários da China continental acabados de chegar a Macau, para os quais aprender dança folclórica portuguesa “até ajuda na integração”.

“Dentro do ‘Macau no Coração’ nós não temos nacionalidade, isso é uma coisa muito simples. Por isso não notamos se é um chinês, um português, há todos, há da Venezuela, há da Colômbia, há tailandeses, há tudo”, diz a presidente.

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“Não há melhor entidade gestora para a paisagem do que a própria comunidade”

7 October 2026 at 17:49

VTM

José Castro, presidente da BALADI – Federação Nacional dos Baldios, à margem da 8.ª Conferência Nacional dos Baldios, realizada em Chaves, defende que qualquer parceria deve reforçar a capacidade das comunidades e não colocar em causa a sua autonomia.

Após a abertura da conferência, dedicada aos 50 anos da Lei dos Baldios, José Castro afirmou que “as empresas que pretendam colaborar com os baldios são muito bem-vindas, desde que seja uma relação leal e que não ponha em causa aquilo que é realmente um território comunitário”.

O dirigente alertou, contudo, para a necessidade de pensar a longo prazo. “Não pretendemos saber, ou tentar adivinhar, o que é que vai ser daqui a 50 anos”, afirmou, defendendo que a melhor forma de garantir o futuro passa por deixar às próximas gerações os baldios nas mesmas condições de liberdade em que foram recebidos.

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Autarca de Braga encontrou em Toronto “uma comunidade minhota vibrante, trabalhadora e orgulhosa das suas origens”

7 October 2026 at 14:42

O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, realizou uma visita oficial à cidade de Toronto, no Canadá, entre os dias 01 e 03 de outubro, numa deslocação que “conjugou o reforço das relações institucionais com a autarquia canadiana, o contacto com o tecido empresarial com ligações à região do Minho e a celebração da identidade minhota junto da comunidade emigrante”, informou a autarquia.

Em comunicado, a Câmara de Braga explica que a viagem decorreu a convite do Arsenal do Minho em Toronto, coletivo com um longo histórico de associação ao SC Braga e com um forte dinamismo social, desportivo e cultural no Ontário. Com quatro décadas de atividade, a associação consolida-se como “um dos principais embaixadores da cultura minhota na América do Norte, mantendo sempre ativa a ponte transatlântica com Braga e com toda a região do Minho”.

A agenda de trabalho teve início a 01 de outubro com um jantar que reuniu onze empresários com raízes no Minho, tendo-se prolongado no dia seguinte com novos encontros com membros do tecido económico local.

Também a 02 de outubro, João Rodrigues foi recebido na sede do governo municipal pela Mayor de Toronto, Olivia Chow, numa reunião institucional profícua em que “foram abordados os desafios diários da gestão municipal, a evolução de ambas as cidades, e respetivas estratégias analisando áreas como a mobilidade, os transportes, a educação, a gestão do espaço público e os desafios ambientais e sociais”, revela o comunicado.

Autarca de Braga encontrou em Toronto "uma comunidade minhota vibrante, trabalhadora e orgulhosa das suas origens"
Autarca de Braga encontrou em Toronto "uma comunidade minhota vibrante, trabalhadora e orgulhosa das suas origens" 2

A reunião com a Mayor de Toronto revelou “uma forte convergência de prioridades em torno da habitação, do acolhimento, da coesão social e da integração da mão-de-obra imigrante”. Num diálogo centrado nos novos paradigmas urbanos, ambos os autarcas sublinharam – de acordo com o comunicado – o impacto decisivo da comunidade minhota e luso-canadiana enquanto pilar de trabalho, integridade e dinamismo no desenvolvimento económico e na vida comunitária de Toronto.

Como balanço dessa reunião, o autarca bracarense sublinha que se tratou de um encontro institucional extremamente profícuo com a Mayor Olivia Chow: “Embora em escalas diferentes, Braga e Toronto partilham desafios urbanos profundos no que toca à coesão social, à sustentabilidade, à atração de investimento e à gestão da mobilidade, sendo entusiasmante verificar o respeito da liderança política de Toronto pela comunidade minhota e portuguesa em geral”.

A deslocação culminou no dia 03 de outubro com a participação e discurso de João Rodrigues na gala comemorativa do 40.º aniversário do Arsenal do Minho. O evento contou também com a presença do presidente do SC Braga, António Salvador, e da própria Mayor Olivia Chow.

O comunicado releva que esta viagem de João Rodrigues ao Canadá destacou-se pela forte ligação às raízes do Minho e às vivências dos emigrantes que partiram em busca de uma vida melhor, mas que mantêm intocável a ligação às suas origens. “Trata-se de uma comunidade que vive o espírito minhoto do outro lado do Atlântico, que viaja para Portugal sempre que pode e que acompanha com orgulho o crescimento e a notoriedade que Braga tem conquistado enquanto capital do Minho e cidade de referência dentro e fora de portas. Encontrei em Toronto uma comunidade minhota vibrante, trabalhadora e profundamente orgulhosa das suas origens, constituída por homens, mulheres e crianças que mantêm intocável a ligação afetiva, familiar e patrimonial à sua terra”, apontou.

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