❌

Normal view

Received — 19 October 2026 ⏭ O Jornal Económico

Ordens de bolsa recebidas pelos intermediários financeiros sobem 55,4% em setembro para 45,7 mil milhões

19 October 2026 at 22:22

O valor das ordens sobre instrumentos financeiros recebidas pelos intermediários financeiros registados na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) totalizou 45.725,7 milhões de euros em setembro, o que representa uma subida de 55,4% face a agosto e de 24,5% em termos acumulados desde o início do ano, em comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo dados divulgados pela CMVM, a evolução mensal foi impulsionada sobretudo pelas ordens sobre instrumentos de dívida pública, cujo valor aumentou 70% para 28.988,4 milhões de euros. Já as ordens sobre dívida privada cresceram 15,7%, para 3.210,4 milhões de euros.

Nas ações, o valor das ordens recebidas avançou 39,5% face ao mês anterior, atingindo 4.117,8 milhões de euros.

No segmento acionista, o BCP liderou a quota de mercado das transações sobre ações, com 31,2%, seguido da Caixa – Banco de Investimento, com 13%, e do BPI, com 12%.

Já nas transações sobre dívida pública e privada, a maior quota de mercado pertenceu ao BNP Paribas – Sucursal em Portugal, com 84%, seguindo-se o Banco L.J. Carregosa, com 13,3%, e o ABANCA Portugal, com 0,5%.

Por seu lado, o valor das ordens sobre instrumentos financeiros derivados aumentou 14,8% em setembro, para 205.594,3 milhões de euros. Os contratos forward continuaram a ser o instrumento mais negociado neste mercado, representando 70,4% do total, após um crescimento mensal de 6,8%.

As transações sobre contratos de futuros registaram, por sua vez, um aumento de 91% face a agosto.

De acordo com a CMVM, o valor das ordens emitidas por residentes cresceu 30,5% em setembro, enquanto as provenientes de não residentes aumentaram 60,1%.

Quanto ao local de execução, 60,3% das ordens recebidas foram executadas em mercados regulamentados internacionais, 5,2% em mercados nacionais, 2,1% fora de mercado, enquanto 32,3% foram internalizadas pelos próprios intermediários financeiros.

Os Estados Unidos, a Alemanha e a França foram os principais destinos das ordens executadas durante o mês de setembro.

Trump diz estar aberto a reunião com China e Rússia para discutir desarmamento nuclear e fim da guerra na Ucrânia

19 October 2026 at 22:14

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que está disposto a participar numa reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin, com possível foco no desarmamento nuclear. O encontro poderia ter lugar durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (Apec), prevista para novembro na China, embora ainda não existam propostas concretas nem qualquer acordo formal, segundo Moscovo. A notícia foi avançada pela Reuters.

Trump declarou que, caso Xi aceite o convite, também participará. Na mesma intervenção, o presidente norte-americano disse que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deveria procurar outra pessoa para negociar o fim da guerra com a Rússia. As declarações surgem num momento de tensão diplomática crescente entre Washington e Kiev, agravada desde sábado, quando Trump anunciou a intenção de revogar sanções contra a Rússia.

Mais cedo, o Kremlin confirmou que Putin, Trump e Xi poderiam reunir-se à margem da cimeira da Apec. O porta-voz Dmitri Peskov reagiu a uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual Putin teria proposto o encontro para discutir formas de pôr termo à guerra na Ucrânia. Peskov sublinhou que os Estados Unidos continuam a atuar como mediadores nas negociações e que Moscovo valoriza esses esforços. Acrescentou ainda que um acordo de paz definitivo dependerá da participação de representantes ucranianos dispostos a assumir a responsabilidade pelo entendimento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, criticou a hipótese de um encontro a três. Em mensagem publicada na rede social X, considerou que uma reunião entre representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia poderia acelerar o fim da guerra, enquanto um encontro entre os presidentes russo, norte-americano e chinês teria o efeito contrário e incentivaria Putin a prolongar o conflito.

Cristiano Ronaldo tem 11 dias de suspensão para cumprir

19 October 2026 at 22:00

O avançado Cristiano Ronaldo tem de cumprir 11 dias de castigo, após 19 dos 30 terem passado com a suspensão preventiva, ficando disponível para a próxima convocatória da seleção portuguesa de futebol.

De acordo com a secção não profissional do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que hoje puniu o avançado dos sauditas do Al Nassr e capitão da equipa das ‘quinas’ com uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros, Ronaldo já cumpriu parte desta pena.

Em comunicado, este órgão disciplinar dá conta do desconto de um total de 19 dias à pena aplicada, pelos 10 de suspensão preventiva automática, de 01 a 10 de outubro, e nove não automática, desde 11 de outubro até hoje.

Desta forma, não será por motivos disciplinares que Ronaldo vai ficar de fora da convocatória do selecionador Jorge Jesus, para os jogos de 14 e 17 de novembro, frente à Dinamarca, em Braga, e ao País de Gales, em Cardiff, para o Grupo A4 da Liga das Nações, que deverá ser anunciada na sexta-feira anterior, ou seja, 06 de novembro.

Ronaldo incorria numa suspensão entre um e seis meses e uma multa até mil euros, por ter abandonado a seleção portuguesa, em 30 de setembro, na Dinamarca.

A secção não profissional do CD da FPF revelou julgar totalmente procedente a acusação e, em consequência, aplicar o artigo 160.º do Regulamento Disciplinar (RD), “por uma vez e a título doloso (…) aplicando-lhe, em consequência, a sanção de suspensão por 30 dias e, acessoriamente, a sanção de multa que se fixa em 2,5 UC [unidade de conta], ou seja, 255 euros”.

Esta pena foi atenuada pela ausência de registo disciplinar e pela confissão de Ronaldo, apresentados pelo avançado durante o processo e que reduziram, duas vezes, os limites mínimo e máximo das sanções aplicáveis para metade, para entre oito e 45 dias de suspensão e multa entre 1,25 e 2,5 UC [entre cerca de 125 e 250 euros].

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234) e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das ‘quinas’ nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

Retenção de IRS desce 50% em novembro e Doutor Finanças atualiza simulador de salário líquido

19 October 2026 at 21:57

O Doutor Finanças atualizou o seu simulador de salário líquido para refletir a redução excecional de 50% na retenção na fonte de IRS a aplicar no mês de novembro, revelou esta segunda-feira, 19 de outubro, a fintech especializada em bem-estar financeiro. Trata-se de uma ferramenta gratuita que permite aos trabalhadores por conta de outrem e pensionistas calcular o impacto temporário no seu rendimento líquido, tendo em conta o rendimento bruto e a situação familiar.

A atualização resulta de uma medida governamental que pretende refletir, com efeitos retroativos a janeiro de 2026, a descida das taxas de IRS aprovada em setembro, promovendo um aumento temporário do rendimento disponível das famílias.

De acordo com as simulações divulgadas, um trabalhador solteiro e sem dependentes, com um salário bruto de 1.500 euros, que habitualmente desconta 168,17 euros de IRS, passará a descontar 84,09 euros em novembro, traduzindo-se num ganho líquido adicional de 84,08 euros.

Para um trabalhador casado, com dois dependentes e o mesmo vencimento bruto, a retenção desce dos 125,31 euros para os 62,66 euros, representando um acréscimo de cerca de 63 euros no rendimento disponível.

No setor das pensões, um reformado não casado com uma reforma bruta de 1.200 euros passará de uma retenção habitual de 80,38 euros para 40,19 euros, auferindo mais 40,19 euros líquidos no próximo mês.

A redução de 50% abrange igualmente o subsídio de Natal pago em novembro, antecipando uma maior liquidez para os agregados familiares. Trata-se, no entanto, de uma medida pontual, revertendo as tabelas de retenção na fonte para os valores habituais a partir de dezembro.

“Esta atualização do simulador permite aos portugueses estimar quanto vão receber a mais em novembro e planear melhor o orçamento familiar. A redução excecional da retenção na fonte antecipa o benefício, mas não representa um aumento permanente do salário mensal”, sublinhou Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças.

O responsável lembrou ainda que o acerto final do imposto será efetuado em 2027, aquando da liquidação do IRS relativo ao ano em curso, recomendando que este reforço temporário seja gerido em função das prioridades de cada família, sem assumir despesas permanentes.

A medida abrange os rendimentos do trabalho dependente e pensões pagos em novembro a residentes em Portugal Continental, ficando de fora os salários mensais superiores a 20.221 euros e as pensões acima de 18.332 euros.

Preço médio da hotelaria no Verão sobe 3%, mas reservas para Outono abrandam

19 October 2026 at 21:56

Entre junho e setembro, o preço médio por quarto ocupado (ARR, na sigla inglesa) da hotelaria nacional aumentou 3%, para 171 euros, tendo a ocupação descido ligeiramente, mas, no outono, os hoteleiros apontam um abrandamento nas reservas.

De acordo com as conclusões do inquérito “Balanço Verão & Perspetivas Outono 2026”, da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), hoje apresentadas, “entre junho e setembro, a hotelaria nacional registou uma taxa de ocupação média de 80%, menos 1 ponto percentual face ao período homólogo de 2025”.

Mas, “em contrapartida, o preço médio por quarto ocupado aumentou 3%, para 171 euros, acarretando um rendimento por quarto disponível (RevPAR) de mais 1%, fixando-se nos 137 euros”, destacou a AHP.

Segundo o inquérito, “esta evolução reflete-se também na avaliação dos proveitos totais: 53% dos hoteleiros consideram que o verão foi melhor ou muito melhor do que em 2025, enquanto 19% reportam resultados semelhantes e 28% assinalam um desempenho inferior”, destacou.

Num comunicado, a AHP indicou que “os resultados evidenciam diferenças significativas entre regiões”, tendo o Alentejo registado a evolução mais favorável, com um crescimento de 7% no RevPAR, em resultado de aumentos de 5% no preço médio e de 2 pontos percentuais na ocupação”.

Já a Madeira “voltou a destacar-se pela taxa de ocupação mais elevada do país (90%)”, com o Algarve a manter “os valores absolutos mais elevados, com um ARR de 228 euros e um RevPAR de 195 euros”.

“A Grande Lisboa foi a única região a registar quebras simultâneas na ocupação, no preço médio e, consequentemente, no RevPAR. A ocupação recuou 2 pontos percentuais, para 82%, o preço médio desceu 1%, para 173 euros, e o RevPAR caiu 4%, para 142 euros”, indicou.

Por outro lado, “questionados sobre quais os 3 principais mercados emissores no período, o mercado nacional manteve-se como o mais referido pelos hoteleiros entre os principais mercados emissores do verão, com 77% das menções”, seguindo-se o Reino Unido (49%), Espanha (44%) e Estados Unidos da América (41%).

Já as perspetivas para o último trimestre do ano são “mais cautelosas”, destacou a AHP, apontando que “para outubro, 45% dos hoteleiros reportam reservas em carteira inferiores às do período homólogo de 2025, percentagem que aumenta para 61% em novembro e 53% em dezembro”.

“Apesar deste cenário, as expectativas relativamente ao preço médio mantêm-se mais favoráveis”, disse a associação.

Segundo os resultados do inquérito, a instabilidade económica e geopolítica “continua a ser a principal preocupação identificada pelos hoteleiros para o final de 2026, referida por 61% dos inquiridos”, seguida do aumento do custo da energia e combustíveis, com 58% das menções, enquanto o aumento dos custos operacionais é apontado por 52%.

“Também a oferta excessiva de alojamento turístico (23%) e a contenção do consumo turístico nos mercados emissores (22%) ganham relevância entre as preocupações do setor”, destacou.

“Apesar dos sinais de abrandamento das reservas e da pressão sobre os custos, o grau médio de confiança dos hoteleiros no turismo nacional recuperou de 6,8 pontos, registados no inquérito de maio, para 7,1 pontos. No entanto, fica ainda aquém dos 7,4 registados em janeiro”, realçou a associação.

A AHP deixou ainda as suas estimativas para o conjunto do ano de 2026, antecipando receitas de 30 mil milhões de euros, mais 3% do que os dados oficiais de 2025 e 32,9 milhões de hóspedes, mais 1,5%.

O inquérito decorreu entre 28 de setembro e 11 de outubro, junto de 403 estabelecimentos turísticos associados.

IP prepara investimento de 10 milhões em central solar para ferrovia no Entroncamento

19 October 2026 at 21:54

A Infraestruturas de Portugal (IP) está a preparar a instalação de uma central solar fotovoltaica no Entroncamento, com um investimento previsto de 10 milhões de euros, destinada a produzir eletricidade para a circulação ferroviária, anunciou hoje a empresa pública.

Segundo um comunicado da IP, a nova unidade, a instalar no Complexo Logístico do Entroncamento, terá uma potência de cinco megawatts-pico (MWp), baterias para armazenamento de energia e uma produção anual estimada de oito gigawatts-hora (GWh).

A energia produzida poderá representar cerca de 30% do consumo da subestação ferroviária do Entroncamento, no distrito de Santarém, contribuindo para reduzir a dependência da aquisição de eletricidade no mercado energético.

O projeto, atualmente em fase de contratação, constitui a primeira unidade da nova estratégia de produção própria de energia solar da IP, que prevê atingir uma potência instalada de 50 MWp nos próximos quatro anos.

A empresa estima que, quando estiver concretizado, este programa possa assegurar cerca de 25% das atuais necessidades de energia da operação da rede ferroviária nacional, permitindo reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em cerca de 16.800 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.

Segundo a IP, a futura central do Entroncamento destina-se a fornecer energia para a tração elétrica de comboios de passageiros e mercadorias e permitirá testar soluções técnicas e operacionais que poderão ser posteriormente utilizadas noutras instalações ferroviárias.

A estratégia resulta de um estudo desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da IP, que identificou terrenos do domínio público ferroviário com condições favoráveis à instalação de unidades de produção fotovoltaica.

A intenção, salienta a IP, é aproveitar áreas atualmente sem utilização, privilegiando terrenos sob gestão da empresa e localizações próximas de subestações de tração ferroviária.

O investimento pretende também reduzir a exposição da IP às oscilações dos preços da eletricidade e permitir uma maior previsibilidade dos custos energéticos suportados pelos operadores ferroviários.

O projeto do Entroncamento já tinha sido contemplado numa portaria publicada em março deste ano, que autorizou a repartição de encargos até ao montante máximo de 10 milhões de euros (ME) para a construção do parque solar e adaptação da subestação ferroviária, com despesas previstas entre 2027 e 2033.

O concurso público para a empreitada foi anunciado em agosto, no Diário da República, abrangendo a primeira fase do parque fotovoltaico e a adaptação da subestação do Entroncamento.

A iniciativa insere-se nos objetivos nacionais de descarbonização dos transportes e de incorporação de energias renováveis, enquadrados pelo Decreto-Lei n.º 84/2022, que estabelece para o setor ferroviário uma meta de 100% de energia renovável em 2030.

Com a produção própria de eletricidade, a IP pretende aumentar a autonomia energética da infraestrutura ferroviária e diminuir os custos e o impacto ambiental associados à sua exploração.

Bulgária autoriza mandados de captura de alemães por incêndio de antenas Starlink

19 October 2026 at 21:53

Um tribunal búlgaro autorizou a emissão de dois mandados de captura europeus de dois alemães, suspeitos de incendiarem oito antenas da rede de satélites Starlink, perto da capital da Bulgária.

Os suspeitos, identificados como Tirpan B. e Zeka I., são acusado de incendiarem as antenas em 09 de outubro, que levou à destruição total de três das 18 que estavam no local.

A investigação apurou que os suspeitos entraram na Bulgária, oriundos da Sérvia, em 09 de outubro, e saíram no mesmo dia, às 23.550 horas, pelo mesmo posto fronteiriço e a bordo do mesmo veículo em que entraram.

Os dois sujeitam-se a uma pena de prisão de três a 12 anos por incêndio voluntário agravado.

O acontece quando se multiplicam atos contra a rede Starlink na Europa.

Em setembro, uma estação da rede foi incendiada na Polónia e no domingo o primeiro-ministro lituano revelou uma tentativa de incêndio de um armazém onde estavam equipamentos Starlink utilizados para garantir comunicações à Ucrânia, estimando que a Federação Russa poderia ser a responsável.

CarmoWood promove WoodGiants para destacar potencial da construção em madeira

19 October 2026 at 21:47

A conferência WoodGiants decorreu recentemente no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, reunindo especialistas internacionais em construção em madeira. Arquitectos, engenheiros e construtores de vários países e continentes preencheram o auditório do LNEC e uma sala contígua, numa adesão considerada invulgar.

Organizada pelo grupo CarmoWood, o evento apresentou alguns dos maiores edifícios em madeira já concluídos ou ainda em obra, tanto integralmente em madeira como em soluções híbridas. Entre os casos referidos estiveram o Mjøstårnet, na Noruega, com 85,4 metros de altura, o World of Volvo e o Sara Kulturhus, ambos na Suécia e com 75 metros, bem como um edifício híbrido de madeira e betão com mais de 160 metros.

Foi também apresentado o novo edifício-sede da Google em Londres, conhecido como Landscraper, um projecto com cerca de 330 metros de comprimento e onze pisos, concebido pelo Heatherwick Studio em parceria com o Bjarke Ingels Group. Trata-se do primeiro edifício projectado de raiz e detido pela Google fora dos Estados Unidos, com mais de 60 mil metros quadrados e capacidade para cerca de sete mil colaboradores.

Uma das intervenções mais referidas foi a de Pablo van der Lugt, autor de Tomorrow’s Timber, que abordou questões relacionadas com o carbono, a economia circular e o caso de negócio da madeira. O orador procurou desmontar alguns dos preconceitos mais comuns sobre o material, nomeadamente a disponibilidade de matéria-prima, a resistência, a durabilidade, o comportamento face ao fogo, o custo e a sustentabilidade.

No panorama português, a CarmoWood surge como uma das empresas de maior dimensão no sector, com cerca de 350 colaboradores, três unidades de produção no país e exportações para 50 países ao longo de quatro décadas de atividade.

Outras empresas nacionais têm vindo a intervir em projectos de referência. A Jular, com produção na Azambuja, participou no Costa Terra, em Melides. A Portilame, de Viana do Castelo, produziu o Treetop Walk da Fundação de Serralves. A Arolla forneceu CLT para o Aldea Comporta, na zona da Muda. A Kozowood Industries, descrita como uma das unidades fabrilmente mais avançadas do país, forneceu elementos para o hotel Tivoli no Golfe da Estela.

A construção híbrida de madeira e betão tem atraído investimento. O Grupo Casais aposta na solução CREE e o Grupo DST tem vindo a investir na industrialização do seu pólo de Braga.

A DST, através da Domingos da Silva Teixeira, lidera a Agenda Mobilizadora R2UTechnologies, um consórcio de 50 entidades dedicado à construção modular sustentável, com um investimento total de 177 milhões de euros, dos quais 95 milhões provenientes do PRR. O projecto deverá ficar concluído a 31 de Dezembro deste ano.

A próxima edição da WoodGiants está marcada para 29 de Outubro, em Madrid.

Nasdaq em alta no fecho da negociação em Nova Iorque

19 October 2026 at 21:30

A bolsa de Nova Iorque encerrou a sessão desta segunda-feira, 19 de outubro, a valorizar 1,11% para 26,430.89 pontos, no início de uma semana marcada pela divulgação dos resultados empresariais de pesos pesados da tecnologia.

Do lado dos ganhos esteve ainda o S&P 500, a ganhar 0,41% para 7,690.76 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 0,07% para 51,966.60 pontos.

A Meta Platforms, a Tesla, a Texas Instruments e a IBM apresentam as contas trimestrais nos próximos dias, a “servirem de teste à confiança dos investidores no setor de IA, numa altura em que os elevados gastos com custos de financiamento têm vindo a gerar receios nos investidores”, destacam os investidores do Millennium Investment Banking na nota diária de análise.

No mercado petrolífero, o barril de brent desvaloriza 0,16% para 109.37 dólares e o de crude perde 0,11% para 98.43 dólares.

Investimento das empresas em IA duplica para 3,3% das receitas num ano, diz BCG

19 October 2026 at 21:20

O investimento das empresas em inteligência artificial (IA) duplicou em menos de um ano, para 3,3% das receitas, e quase metade das organizações já gera valor significativo com a tecnologia, mas apenas 5% dispõem de todos os mecanismos de controlo necessários para lhe confiar decisões, segundo um estudo da Boston Consulting Group (BCG) divulgado esta segunda-feira, 19 de outubro.

O “Applied AI Index 2026”, baseado num inquérito a 1.330 dirigentes de topo e líderes empresariais, indica que a despesa com IA passou de cerca de 1,7% das receitas no final de 2025 para 3,3% atualmente. Mais de 80% deste investimento é feito fora dos orçamentos centrais de tecnologias de informação das grandes empresas.

A consultora classifica 7,5% das empresas analisadas como “preparadas para o futuro”, com um retorno total para os acionistas 2,3 vezes superior ao das menos avançadas, um crescimento das receitas 2,4 vezes maior e um crescimento do EBITDA 2,8 vezes mais elevado. Outras 41% estão a escalar a utilização de IA e também apresentam desempenho superior ao das menos preparadas. Em conjunto, os dois grupos representam 48,5% da amostra.

Até 2030, 42% das empresas esperam atribuir autonomia de decisão a agentes de IA, mas só 5% têm atualmente o conjunto completo de mecanismos de controlo, que inclui supervisão, segurança, auditoria, controlo de custos e capacidade de reverter decisões ou ações, de acordo com o estudo.

A BCG estima que os agentes de IA possam representar cerca de 40% do valor total gerado pela tecnologia até 2030.

“Ficou para trás a fase em que quase todas as empresas experimentavam a IA, mas poucas viam o impacto nos resultados”, afirmou Eduardo Bicacro, managing director & partner da BCG Lisboa, citado no comunicado. “Quem continuar preso a projetos-piloto vai ver a distância para os líderes aumentar.”

As empresas esperam uma redução de 10% a 15% da força de trabalho até 2030, com maior impacto nas estruturas de coordenação e de gestão intermédia, segundo o estudo. A maioria antecipa, no entanto, a criação de novas funções ligadas à IA, cujo peso deverá triplicar, de 7% da força de trabalho em 2026 para 22% em 2030.

Sete em cada dez empresas mais preparadas e em fase de expansão já investem na requalificação profissional dos trabalhadores, indica a BCG.

Em Portugal, a pressão para converter projetos-piloto em impacto mensurável coloca desafios semelhantes de governação e requalificação, ainda que com uma escala de investimento inferior à dos maiores mercados, segundo a consultora.

A normalidade em tempos anormais

19 October 2026 at 00:08

O tempo da chuva já não é o mesmo, e o do calor … esse nem se fala! Aquece o xadrez geoeconómico que vive um momento de rara volatilidade. A guerra no Irão e o estrangulamento do estreito de Ormuz demonstram que a segurança energética regressou ao centro da estratégia geopolítica. A incerteza energética global não é uma ameaça, é uma oportunidade para as Áfricas redefinirem o seu lugar, com mais de 125 mil milhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, 620 biliões de pés cúbicos de gás e mais de 30% das reservas mundiais de minerais críticos, deixam o continente no centro das atenções.

As Áfricas ainda são, simultaneamente, vítimas e peça-chave. Vítimas, porque importam quase a totalidade dos combustíveis refinados e peça-chave porque, concentram reservas significativas de petróleo e uma parte expressiva de gás natural global ainda por desenvolver. A questão é que enfrentam critérios de financiamento cada vez mais restritivos que penalizam projectos de longo prazo para inclusão energética das suas pessoas. As Áfricas ainda detêm minerais críticos para a transição energética, incluindo 70% da produção global de cobalto, que deve ser transformado em baterias, e não exportado em bruto isto sem falar do potencial do rei sol.

Num momento em que lá para o Norte se procura diversificar fontes alternativas ao gás russo, empurram-se investimentos, tecnologia e parcerias para as Áfricas. São tempos ao contrário, mas a oportunidade só se transformará em desenvolvimento se as Áfricas falarem a uma só voz. Se coordenadas posições, permitem exigir contratos justos, transferência de tecnologia e industrialização. A refinaria de Dangote mostra que não faltam alavancas estratégicas e que é possível agregar valor localmente e criar empregos.

A normalidade em tempos anormais já não existe… É preciso construir um novo normal, um em que a riqueza das Áfricas sirva primeiro às Áfricas que continuam a ser as fornecedoras de recursos que outros transformam, enquanto as Áfricas Subsarianas precisam de subir a actual taxa de eletrificação, pois hoje apenas 53% dessa população beneficia, é preciso lutar pela inclusão energética, a juventude não nos perdoará e com razão!

A coordenação é agora uma necessidade estratégica e, através da AfCFTA, o alinhamento de preços, infraestruturas e políticas energéticas comuns as condições para sucesso, exigem instituições fortes e assentes em princípios da boa governação com visão de longo prazo. A hora é agora de transformar a riqueza das Áfricas em prosperidade partilhada pela primeira vez em gerações.

❌